11.06.2016  00:30
Do nojo
Eis mais uma tranferência da política para o dinheiro.
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Por Joana Amaral Dias

Paulo Portas, o político das sete vidas, vai agora dedicar- -se à vida empresarial. São os negócios, como de costume, e o espetáculo tem que continuar. Eis mais uma transferência da política para o dinheiro sem um pingo de vergonha, sem período de nojo e sem réstia de ética. Não admira. Portas é o homem da Universidade Moderna e do Centro de Sondagens, dos escândalos seletivos (extremamente seletivos) do falecido jornal Independente, dos sobreiros, do Jacinto Capelo Rego, dos submarinos. E é também o homem que impôs a Passos Coelho que a relação entre o governo e as empresas estivesse na alçada do CDS, certamente acautelando o dia em que saísse (temporariamente ou não) da política. Já então defendia os seus interesses. Agora que saiu do governo, vai defender o quê?

Enfim, o responsável pela diplomacia económica do anterior executivo, com base na rede de contactos criada nesse cargo e no estatuto correspondente, está atualmente ao serviço da grana. Do que é que se está à espera para criar e aplicar uma lei que imponha um intervalo de alguns anos para que um ex- -governante possa exercer funções em empresas das áreas que tutelou?
Isso sim, devia ser irrevogável.

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