Opinião: Nova presidência dos EUA
Director Adjunto da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa
Opinião: Nova presidência dos EUA
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Novembro 09, 2016

Este artigo está a ser escrito depois de uma longa e interessante noite eleitoral organizada pela Embaixada dos EUA em Lisboa e pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

Apesar de já nos encontrarmos madrugada dentro, as cadeias de televisão norte americanas continuam a declarar ser demasiado cedo para arriscar previsões. Adivinha-se uma longa noite.

E, nesse caso, deito-me eu também a adivinhar. Como acordará o mundo amanhã?

Muitos ensaiam a versão de que nada mudará muito. Ou, como tantas vezes ouvimos dizer, que é necessário mudar para que tudo fique na mesma.

Na verdade, o sistema político norte-americano está muito testado e é maduro. Os "checks and balances" funcionam. Existe uma máquina administrativa e um sector privado tão fortes e rotinados que um Presidente nada poderá fazer para ultrapassar as baias do sistema.

Mas estas teorias esbarram na ideia de se tratar de um sistema presidencialista e, sobretudo, de nos se habituarmos a olhar para o Presidente dos Estados Unidos como a pessoa mais poderosa do mundo livre.

Em que ficamos? É a pessoa mais poderosa ou apenas uma figura ao serviço da máquina e do sector privado? Preso aos arranjos do Congresso?

Provavelmente há um fundo de verdade em todas estas teorias. Nem o Presidente dos Estados Unidos é tão poderoso como por vezes se quer fazer crer, nem se trata de um figura tão irrelevante que possamos olhar com tranquilidade ou, pior, indiferença, para o resultado da eleição.

Não. Não é indiferente o resultado da eleição desta noite. O mundo já mudou por factos bem menos relevantes.

Mas o fim do mundo não virá amanhã, independentemente deste resultado.

Tudo continuará a funcionar como se nada tivesse sucedido. O sistema político, a politica externa, os tribunais, o sector privado. Poderá haver reacção dos mercados. Muito provavelmente os mercados falarão. Seja porque o vencedor vai alterar o sector da saúde, seja porque prometeu mexidas nas relações internacionais. Mas, no essencial, tudo se manterá na mesma.

Já o descontentamento, esse, vai crescer. Justamente porque quem votou, num ou noutro sentido, nada viu acontecer.
Porque quem queria mudança viu tudo ficar na mesma. E quem queria a manutenção das coisas como estão, viu que muito piorou.

Esta não é uma realidade da política americana; é assim em toda a parte. E as eleições americanas podem bem servir de exemplo para o mundo.

Para que o descontentamento não seja o berço do populismo ou o alimento da manipulação.

E agora as previsões. A esta hora, vou arriscar. O que tenho a perder?

Aposto que amanhã, quando acordarmos, tudo estará na mesma. Que o mundo não mudou. E isso não é necessariamente um bom sinal. Porque pode querer dizer que não aprendemos a lição.

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