Nº 300 / 17  Ter, 18 Dez 2001


Figo Melhor Jogador do Mundo

O melhor do Mundo

Os votos de Queiroz e Humberto, de Angola, Moçambique e Cabo Verde, do Brasil e de René Simões, antigo treinador do Guimarães, dão ao fantástico triunfo de Figo na eleição da FIFA um tom português que o médio do Real Madrid, provavelmente sem conhecer a fundo as suas raízes, nunca pôs de lado no seu discurso

JOSÉ MANUEL RIBEIRO, em Zurique


Quando Figo disse ontem, pouco depois das quatro da tarde em Portugal, que o melhor jogador do Mundo acabadinho de pintar de fresco era acima de tudo um português estava a explicar melhor a situação do que provavelmente imaginava. Queria ser patriótico. Queria pagar uma dívida para com o seu país, que insistiu em intrometer em quase todas as declarações que prestou. A verdade é que terá sido mesmo uma vitória portuguesa, ou pelo menos da língua, porque foram os votos de Carlos Queiroz e Humberto Coelho, dos técnicos de Angola, Moçambique e Cabo Verde, dos brasileiros René Simões (Trinidad & Tobago, antigo treinador do Guimarães) e Luiz Felipe Scolari (Brasil) que fizeram a diferença para Beckham, o homem de prata na gala da FIFA, em Zurique, apesar de mais seleccionadores o terem posto à frente da lista - 30 contra 27. Nem vale a pena falar em Mladenov, da Bulgária, antigo jogador do Belenenses, que também considerou Figo o melhor, e dos seleccionadores da Polónia e dos Estados Unidos, adversários de Portugal no Mundial'2002.

Só nos primeiros sete votos estão 35 pontos, sem os quais Figo não seria agora o melhor do Mundo, embora lhe sobrasse mais do que o suficiente para ficar bem à frente de Raúl, a aposta do Real Madrid para a sua festa do centenário, que agora se terá de fazer em redor do português e não do espanhol. O Real Madrid é, de resto, um vencedor dê por onde der. Vence porque levou para casa o melhor e o terceiro melhor do Mundo, mas também porque a revelação da lista completa descobriu no quarto lugar nada menos do que Zinedine Zidane, outra das pérolas do Santiago Bernabéu, ele próprio galardoado em 2000, à frente de... Figo, evidentemente.

A festa foi pequenina, numa perspectiva portuguesa da coisa. O salão era abafado, minimalista, o espectáculo curto e pouco relevante - umas canções do italiano Zuchero e de um grupo de miúdos alemães -, a glória em redor de Figo bem intencionada mas insuficiente. Houve uma tentativa de encenação holywoodesca, fraquinha, amplamente ultrapassada pelo talento para o improviso de Platini (Quando a apresentadora contratada confessou que o francês fora o seu ídolo, em tempos, Michel entrou em cena com um sorriso malandro e pré-fabricado. "So. I'm his idol, hã?" - Então, sou o ídolo DELE, hã? Mau inglês, talento para a comédia; quem sabe dizer?")

A pressão desvaneceu-se e os prémios também. Abriu-se o caminho para o momento-chave, ainda que o jornal "Marca" tivesse adiantado muito cedo que Figo vencera. Beckham levara a mulher, provavelmente pensando que seria desta (David fora segundo em 1999), mas o mais que tirou daí foi uma piada de Blatter. "Um jogador", disse o suíço enquanto anunciava a derrota, "que conhece os segredos da Victoria". Quem mais havia de os conhecer?

E por fim, Figo, a meias com a derrota de Raúl, quase como uma reedição da luta pela organização do Euro'2004. O português recebeu o seu prémio, agradeceu aos colegas de equipa e de selecção, e insistiu, porque era essa a sua mensagem do dia, em sublinhar o orgulho que tinha no seu país.


18-12-2001


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