Nº 300 / 17  Ter, 18 Dez 2001


Colunistas » Jorge Coelho

O Benfica-Sporting


No último sábado viveu-se no Estádio da Luz um jogo que ficará na história do nosso futebol.

Não tanto pelo que se passou no jogo, não tanto pelo resultado, mas sim pelo facto de ter sido o último derbi que se realizou na catedral da Luz.

Como todos sabem, sou sportinguista. Mas, como amante do futebol, já vivi grandes momentos de prazer a ver, no Estádio da Luz, grandes jogos internacionais, quer do Benfica, quer da nossa Selecção.

E não pode ser sem alguma emoção que se sabia que, poucas horas depois do jogo acabar, começaria a demolição de uma parte do estádio, para dar lugar à construção que já se encontra em curso do novo Estádio da Luz.

O progresso e o desenvolvimento não se compadecem com saudosismos, eu sei, mas penso que no último sábado, quer benfiquistas, quer sportinguistas, viveram o jogo sempre com a ideia que era o último derbi que estavam a presenciar no "velho" Estádio da Luz.

Mas, vamos ao jogo, que como vimos foi intenso, vibrante e emocionante.

Durante a semana, das muitas coisas que se disseram e passaram, gostaria de realçar uma: as declarações do sr. Boloni e de Toni. Respeito, consideração, grande classe, grande dignidade.

Podem muitos dizer que não são os treinadores que o Benfica e o Sporting precisam. Podem muitos dizer que, comparados com outros estilos e outros métodos, a forma de estar destes treinadores não é a adequada. Em minha opinião, nada mais de errado.

São dois bons treinadores, homens com grande dimensão humana, homens que respeitam os outros, pessoas de quem gosto.

O futebol não pode nem deve ser uma selva onde tudo vale. Estes dois homens, diga-se o que se disser, provam-no todos os dias.

Mas, o jogo propriamente dito teve várias fases.

Na primeira parte, o Benfica fez uma bela exibição e um golo. Velocidade e contra-ataques mortíferos foram as armas centrais do Benfica na 1ª parte.

Um jogador (ex-sportinguista), Simão Sabrosa, teve um papel central no jogo. Primeiro, aos 11 minutos marcou de forma impecável a grande penalidade. Foi uma autêntica gazua que o Benfica teve durante grande parte do jogo. Duas jogadas a destacar: aos 26 minutos, pela direita, escapou a todos e ofereceu o golo a Mantorras, que em dia infeliz, falhou. Mas, aos 55 minutos, fugiu novamente pela direita e, como mandam as regras, cruzou atrasado permitindo a entrada do internacional esloveno Zahovic, que fez um grande golo, com um remate imparável.

Mas a mudança estava a caminho. O Sporting começa a carburar, começa a explorar o seu futebol e a categoria dos seus jogadores começou a vir ao de cima.

Boloni joga o tudo por tudo. Lança Pedro Barbosa, Tello e César Prates, mandando a equipa para a frente. As ocasiões começavam a aparecer e os falhanços também.

E aí, aos 85 minutos, Jardel fez o primeiro golo de grande penalidade (e vão 17). Passados dois minutos, Jardel (e vão 18) de cabeça, empatou o encontro, lançando a euforia nos adeptos do Sporting e o silêncio nos adeptos benfiquistas.

A reviravolta consumou-se. O Sporting cumpriu o seu objectivo. Manteve a liderança.

A competição está ao rubro com o Sporting, FC Porto, Boavista e Benfica separados por dois pontos.

Nós, os que gostamos de futebol competitivo, só temos a ganhar com isto. Espero bem que a Liga se mantenha assim até ao fim.

Uma última palavra para referir o trabalho do árbitro.

Se no jogo do Sporting-Boavista eu vi o que aconteceu e relatei, também agora o faço. O árbitro esteve globalmente mal, marcando penalti quando não houve e não marcando quando houve. Do ponto de vista disciplinar, nunca segurou o jogo, que terminou com 51 faltas cometidas, 12 cartões amarelos e um vermelho.

Houve, pois, neste último derbi no Estádio da Luz de tudo um pouco. Emoção, golos, bom futebol, má arbitragem e declarações finais fortes, por vezes mesmo, excessivamente fortes.

Uma nota final para mais um jogador português que ruma ao estrangeiro. É com pena que, como adepto do futebol, vejo sair o capitão do Benfica, Fernando Meira. Gosto da sua forma de jogar, da sua personalidade.

O Estugarda obteve um bom reforço e as finanças do Benfica também (1,5 milhões).

Felicidades Fernando Meira.


18-12-2001
 

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