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Os "Guardiões" das Florestas de Albergaria
Quinta-feira, 15 de Julho de 2004

Antes desempregados, agora incumbidos de uma importante tarefa comunitária: os doze novos "guardiões" das florestas albergarienses vigiam matas e previnem fogos, em troca do cobiçado salário mínimo nacional. Reportagem de Filipa Gaioso Ribeiro (texto) e Carla Carvalho Tomás (foto)

À medida que os dias passam, o estradão da Floresta de Vila Nova de Fusos, no concelho de Albergaria-a-Velha, corre menos riscos de ser consumido pelas chamas. O local, propício a incêndios, encontra-se agora, num bom par de quilómetros, com menos acácias secas, graças ao trabalho de 12 "escuteiros", beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI). São eles, os "guardiões da floresta", que todos os dias, das 7h30 às 14h30, limpam a mata albergariense e vigiam o espaço. E, com isso, ganham uns garantidos 365 euros por mês, o suficiente para levarem uma vida diferente da que estavam habituados.

"Estou contente", afirma Maria, justificando que "sempre é melhor do que andar a depender de outras coisas, do Estado ou isso". Maria tem 41 anos, três filhos, divorciada, e já não sabia o que era trabalhar desde 2001. Desempregada, foi com alegria que recebeu a notícia de que a câmara de Albergaria a tinha escolhido para o projecto, pioneiro no distrito de Aveiro, de prevenção de fogos florestais. "Estou satisfeita", insiste, referindo apenas que "quando está calor é que custa". "Não é trabalhar que me chateia, porque gosto muito de trabalhar, o problema é o calor", sublinha, salientando que o que recebe "é um bocado justo, mas tem que chegar".

O calor é realmente um problema apontado por todos e, como tal, ficou acordado com a coordenadora do projecto, Isabel Pinto, que a limpeza da mata se faz pelo fresco e o resto, a vigilância e o sagrado almoço, fica reservado para as horas mais quentes. "Só o calor é que é mau", confirma Ana, de 43 anos, viúva e com um filho de 15 anos para sustentar. Ana já não trabalhava há dois anos e o dinheiro que recebe da pensão de viuvez não dá para sobreviver. "Só recebo cento e tal euros e vivia muito mal, cheguei a passar fome", conta ao PÚBLICO, frisando: "Tenho mesmo que ter um trabalho". Razões que justificam a satisfação de Ana, por ter sido escolhida para o projecto. "Agora, já é melhor quanto ao dinheiro", sublinha, lembrando, porém, que "em Setembro acaba" e que irá, novamente, para o desemprego. "Gostava de ficar a trabalhar na câmara, nas limpezas", revela

Um "Tarzan" entre "Amazonas"

A chegada de Isabel Pinto é um motivo de alegria. Os "escuteiros", na sua maioria senhoras, correm para o carro da coordenadora, para a cumprimentarem e falarem, sobretudo, sobre as suas necessidades no desempenho laboral. "Não esqueça a caixa de primeiros-socorros que prometeu", avisa uma, enquanto outras se preocupam em marcar os dois dias de férias a que têm direito por mês. E já lá vai precisamente um mês de trabalho (a iniciativa arrancou a 15 de Junho), por isso, as folgas e férias são merecidas. Isabel Pinto não tem qualquer razão de queixa: "Têm sido cumpridoras e não é fácil levantarem-se todos os dias às 7h00 para apanharem o transporte da câmara e virem para o local", defende, revelando que "o trabalho realizado tem sido muito".

"Cumpridoras", no feminino, porque entre os 12 "escuteiros", dez são mulheres e um dos homens está de baixa. Apenas António, um homem de 47 anos muito bem disposto, se encontra a trabalhar de momento. "O que custa mais é levantar da cama", revela ao PÚBLICO, mostrando-se satisfeito com o dinheiro que recebe no final do mês: "É bom, dá mais ou menos, estou contente". Divorciado e com uma filha maior, António gosta do trabalho que faz. "Aqui passa-se bem o tempo, só custa às vezes com os paus mais pesados", revela. E quanto ao facto de ser um homem entre mulheres? "Não há problemas, somos muito amigos", diz acrescentando com um sorriso malandro: "É o Tarzan e as Amazonas".

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Projecto pioneiro no distrito de Aveiro

Este é um projecto pioneiro no distrito de Aveiro, que a autarquia albergariense pôs em prática já a 15 de Junho e que terá a sua conclusão a 15 de Setembro. Durante esse período, os 12 beneficiários do RSI - recrutados do Centro de Formação e Emprego de Águeda (que lhes paga o salário mínimo), através do Programa Ocupacional de Prevenção de Fogos Florestais - ficam incumbidos de fazer a vigilância e limpeza de espaços florestais e de estradões, sobretudo nas freguesias de Vale Maior, Ribeira de Fráguas e Branca. "É uma forma de termos estas pessoas ocupadas, a fazer um trabalho importante para o concelho, e eles sentem-se felizes por isso", sublinha o presidente da câmara, João Agostinho Pereira, acrescentando ainda que o projecto - que conta ainda com a colaboração da Associação Florestal do Baixo Vouga, do Centro Social e Paroquial de Santa Eulália e dos bombeiros locais - está a correr "muito bem". FGR Topo de Página

 

 

   
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