update
frente
features
p&R
retrovisor
guia
agenda
Nickname:
Password:
Recuperar Pass >
Registe-se Aqui >
Krieg mais
Assinaturas
ASSINE
A BLITZ
aqui
ver mais
20 Anos
1987: U2 Era uma vez na América
Michael Jackson queria «filmá-los», e Frank Sinatra pretendia baptizar um cavalo de corrida com o seu nome. Saiba como o álbum The Joshua Tree tornou quatro irlandeses chamados U2 na maior banda do planeta.
Num telhado da baixa de Los Angeles, os U2 estão prestes a encarnar os Beatles. São três e meia da tarde do dia 27 de Março de 1987, e o quarteto de Dublin – já apelidado de «Banda dos Anos 80» pela revista Rolling Stone – está aqui para repetir o concerto de despedida Let It Be, dos Fab Four, 18 anos antes.

Ao contrário dos Beatles, os U2 pediram autorização para actuar. Não que faça grande diferença. Quando a rádio KROQ, de Los Angeles, anuncia o espectáculo gratuito, fãs vindos de toda a cidade rumam à baixa em direcção à esquina da 7th e Main Street – «não é uma zona muito porreira», avisa o DJ.

Em breve, 35 mil pessoas aglomeram--se nos passeios sob um calor abrasador, à espera de ver o que irá acontecer. Acima deles, no telhado de uma loja de bebidas, os U2 dão início a «Where The Streets Have No Name» e as câmaras começam a filmar o mais memorável vídeo da sua carreira.
Empregados de escritório penduram-se nas janelas e trabalhadores das obras esmurram o ar, enquanto os agentes da Polícia de LA tentam em vão assegurar o fluir do trânsito. Quando os fãs inundam as ruas, os agentes policiais actuam. «Acho que nos vão desligar», anuncia Bono provocando um coro de protestos.

Apesar disso, a missão foi cumprida. Bono, Edge, Adam e Larry juntaram-se a John, Paul, George e Ringo. A mensagem dos U2 é clara: «Somos a maior banda do mundo».

Passados quase 20 anos, os U2 continuam a ser o grupo mais bem sucedido do planeta, a única banda que poderia ter aberto o Live 8.
Mas os U2 tal como os temos vindo a conhecer – declarações grandiosas, grandes ideias, campanhas fervorosas – nasceram com The Joshua Tree, o estrondoso quinto álbum de estúdio que os colocou finalmente no mapa.


13 de Julho de 1985: Menos de um ano depois de a BBC ter passado um documentário sobre a fome na Etiópia, Bob Geldof (ex-vocalista dos Boomtown Rats) havia de montar aquele que ficou para a história como o primeiro concerto à escala planetária.
Em Filadélfia, Bob Dylan, Tina Turner, Mick Jagger, Keith Richards ou o que restava dos Led Zeppelin contribuíram decisivamente para a recolha de fundos pretendida.
Mas no estádio do Wembley, em Londres, seriam os U2, e Bono em particular, os grandes vencedores.
Durante a interpretação de «Bad», o cantor puxou das primeiras filas uma rapariga de ascendência africana e dançou com ela apaixonadamente, naquela que ficou como uma das imagens mais fortes do Live Aid
.


O LIVE AID E AS GRANDES CAUSAS

A ascensão dos U2 não teve lugar de um dia para o outro. Nem foi muito suave. A banda sentiu que tinha desperdiçado a sua presença no Live Aid, em 1985, já que Bono desaparecera no meio da multidão do Estádio de Wembley para dançar com uma rapariga, enquanto o resto da banda apresentava «Bad», entre sorrisos forçados.
Na verdade, aconteceu o contrário. Foi o Live Aid que fez os U2. «Teve um efeito bastante explosivo no nosso perfil», pondera hoje o manager Paul McGuinness, de forma profissional mas descontraída.

No Outono de 1985, inspirado pelo momento em que a música rock encontrou a sua consciência e entrou num patamar global, Bono e a sua mulher, Ali, passaram um mês na Etiópia, para ajudar no combate à fome.
Ao trabalhar num campo de refugiados no norte do país, o casal ajudou a conceber programas para educar os habitantes locais sobre controlo de natalidade, técnicas agrícolas e até tarefas relativamente simples, tais como preparar as frutas e vegetais que lhes chegavam em sacas.
Esta acabou por ser uma experiência importante para o seu crescimento pessoal. «Recebi mais do que dei na Etiópia», afirmaria Bono. «A minha cabeça andava nas nuvens e os meus pés não estavam no chão».

Um ano depois, Bono viajou para a América Central, comovido pelas histórias de guerra civil e tortura que ouvira durante o envolvimento dos U2 na digressão A Conspiracy of Hope da Amnistia Internacional, no Verão de 1986 (ao lado dos Police, Peter Gabriel e Lou Reed).
Na Nicarágua, ouviu um comício do líder sandinista Daniel Ortega e foi testemunha directa do efeito da guerra civil no povo – alimentada pelos Contras, que eram apoiados pelos EUA. Em São Salvador, presenciou uma chuva de morteiros sobre as aldeias das montanhas, financiada pelos EUA. Enquanto o chão tremia, um agricultor indiferente tentou sossegá-lo. «Isso é ali», assegurou à assustada estrela de rock. «Nós estamos aqui». «Senti-me muito idiota naquela situação», relembrou o cantor. «Aquelas pessoas lidaram toda a vida com aquilo e não significava nada para elas. Mas o medo que senti naquele dia…».

27 de Março de 1987: Os U2 procuraram repetir a façanha dos Beatles ao actuarem, 18 anos depois, no cimo de um telhado.
Desta vez em Los Angeles, Bono e os seus camaradas aproveitaram para gravar o teledisco de «Where The Streets Have No Name», ao mesmo tempo que na rua, antes da intervenção da polícia, se juntavam 35 mil pessoas.
O evento havia sido anunciado por uma das mais populares estações de rádio da Califórnia, a KROQ.

Em última análise, as viagens de Bono deram-lhe a conhecer o panorama global, influenciando tudo o que se seguiria. «Senti o choque cultural quando regressei», disse. «Vi a criança mimada do mundo ocidental. Comecei a pensar: “eles podem ter um deserto físico [na Etiópia], mas nós temos outros tipos de desertos”. E foi isso que me atraiu para o deserto como símbolo».

Originalmente concebido como The Desert Songs, The Joshua Tree espelhou este panorama global, bem como o fascínio da banda com os Estados Unidos. Como para qualquer banda, a chave do sucesso mundial reside em triunfar na América.

Ao longo dos anos 80, a banda passou dois a três meses por ano em digressão nos Estados Unidos, numa campanha prolongada que McGuinness descreve como quase militar no que respeita à sua estratégia. «Se houvesse uma cidade que nos estivesse a resistir», ri-se, «voltávamos lá e fazíamos tudo para os passar para o nosso lado». Cidades consideradas «fracas» para a banda passavam a receber visitas mais frequentes e as suas rádios eram inundadas de material. Nessas longas digressões – especialmente durante o apoio ao álbum The Unforgettable Fire no sul dos Estados Unidos, em 1985 – a banda viajou em camionetas berrantes alugadas a estrelas country e western. «Aqueles autocarros estavam repletos do mais incrível folclore americano», recorda Edge. «Andávamos à descoberta pela auto-estrada, líamos Flannery O’Connor, Raymond Carver, Norman Mailer».

O álbum The Joshua Tree seria alimentado por estas experiências.
Não era a América de Ronald Reagan e da MTV que a banda pretendia representar, mas sim a dos pioneiros dos EUA, os fantasmas nas grandes planícies que a banda via pelas janelas dos autocarros.
Enquanto banda, os U2 estavam desalinhados dos anos 80. Edge admite-o. «Sentíamo-nos completamente desfasados da cultura popular – “Material Girl” e a “geração eu”. Tínhamos uma abordagem diferente, que agora parece completamente anos 80, mas na altura sentíamos mesmo que estávamos a fazer algo totalmente diferente dos outros».

Mais do que qualquer outra coisa, os U2 procuravam um sentido histórico, tendo surgido na era do pós-punk, onde qualquer ponto de referência pré-1976 era visto como a morte da credibilidade.
Quando se encontrou com Bob Dylan pela primeira vez, em Dublin, em Julho de 1984, Bono ouvira atentamente as palavras do cantor enquanto este falava de músicos irlandeses como os The Clancy Brothers e The McPeak Family.
Bono disse a Dylan: «O que invejo em si é que a minha música, a música dos U2, está algures no espaço. Não há raízes ou uma herança musical em especial à qual estejamos ligados».
BLITZ 03
Artigo completo e mais informação na BLITZ de Setembro.

Como resultado, muitas das canções de The Joshua Tree parecem encontrar os U2 a olhar para o passado da América, a terra dos imigrantes, muitos deles irlandeses.
Na altura do seu lançamento, estes quatro homens na casa dos 20 tinham-se retratado na capa do disco como colonos ou refugiados da Dust Bowl, capturados no panorama de ecrã largo do Deserto do Mojave.

Texto de Tom Doyle
Q/Planet Sindication
(Tradução de Luís Bento)

The Enduring Chill
(Anónimo, Segunda, 28 de Agosto às 3:08, 0 pontos )
Este era o título original do The Joshua Tree, uma espécie de cacto que predomina nos desertos americanos.
Este foi o grande breakthrough para a banda e por isso ficará na memória. Não será por acaso que o canal VH1 colocou este álbum em primeiro lugar na lista dos 100 melhores álbums de sempre.
Hoje, talvez o vídeoclip de "Where The Streets Have No Name" não seja assim tão memorável e importante ao lado de outros muito mais originais e metafóricos, mas era até à data aquele que marcou aquela fase dos U2.
Sem duvida
(Anónimo, ontem às 1:04, 0 pontos )
Esta é, sem duvida, a melhor banda do mundo....


THE JOSHUA TREE
QUEM VÊ CAPAS TAMBÉM OUVE CANÇÕES



Para a sessão que viria a dar origem à capa de The Joshua Tree, o fotógrafo Anton Corbijn escolheu Death Valley, Califórnia, EUA.

Era Dezembro, mas a ideia de deserto, presente no título de trabalho do disco (The Desert Songs) permanecia presente, apesar do frio.
O próprio Corbijn viria a admitir que esta foi a sessão de fotografias «mais séria» que alguma vez fez com Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, sendo também aquela que, até aí, lhe deu maior visibilidade.

As fotografias foram feitas com uma câmara panorâmica, revelou Corbijn, de maneira «a tirar o maior partido da paisagem segundo a ideia principal da sessão: o homem e o ambiente, os irlandeses e a América».

Acrescente-se que The Two Americas era outro dos títulos de trabalho para o disco dos U2.

Mais recentemente, Corbijn, que fotografa frequentemente em Portugal (Depeche Mode, Therapy?, além dos próprios U2 com quem esteve há dois anos para a sessão de How to Dismantle na Atomic Bomb), viria a salientar a importância desta sessão na escolha do título para o quinto álbum de originais dos U2, onde a agora famosa árvore era parte do cenário: «Bono adorou o nome – a árvore de Joshua. Nunca o tinha ouvido antes».

Mas nem o fotógrafo nem os U2 revelaram alguma vez o local exacto desta sessão, temendo que os fãs exterminassem a planta em causa.
Contudo, é pouco provável que ela ainda esteja viva, como podem comprovar alguns relatos fotográficos na Internet.

Passados quase 20 anos, Corbijn admitiria também que estas fotos lhe lembram as que Elliott Landy fez, em Woodstock, em 1968, com The Band, apesar de recusar qualquer influência.


U2
The Joshua Tree
9,99 €
1987 UMG Recordings
Download
| Home | Forum | Chat | Assinaturas | Agenda | Passatempos |
BLITZ - Edificío São Francisco de Sales, Rua Calvet de Magalhães 242 - 2770-022 Paço de Arcos T. 21 4544301 F. 21 4415843 e-mail: blitz@aeiou.pt    - Publicidade
Impresa >> Expresso _ Autosport _ Courrier Internacional