setembro 08, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #84 - Carlos Pessoa no Público de 4 de Setembro: NOVO LIVRO DE bd À VENDA COM O JORNAL DE DIA 9, “O PONTÃO” – SEGUNDO ÁLBUM DA SÉRIE “OS PASSAGEIROS DO VENTO”

Carlos Pessoa no Público de 4 de Setembro: NOVO LIVRO DE bd À VENDA COM O JORNAL DE DIA 9, “O PONTÃO” – SEGUNDO ÁLBUM DA SÉRIE “OS PASSAGEIROS DO VENTO” - E TAMBÉM UMA LIGAÇÃO DIRECTA AO BLOGUE DO PEDRO CLETO!

Os heróis em viagem

Um navio-prisão britânico é o palco central da aventura. Hoel, antigo
marinheiro da Armada francesa, aprende a sobreviver enquanto espera o
momento de se evadir com a ajuda de Isa

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O PONTÃO
Quarta-feira, 9 de Setembro
Por + 6,50euros

Carlos Pessoa

A rigorosa reconstituição dos ambientes de época é uma das marcas de água da série Os Passageiros do Vento, escrita e desenhada por François Bourgeon. O talento do desenhador exprime-se na habilidade com que faz a justaposição das imagens em cada prancha para dar a ver um espaço, mostrar o confinamento das personagens ou traduzir a sensação de vertigem no interior dos navios. Foi assim a bordo do navio Foudroyant no primeiro episódio da série e essa atmosfera volta a estar presente neste álbum.

Em O Pontão, quase metade da aventura decorre num navio-prisão encalhado no litoral do Kent, nas Ilhas Britânicas. É, em tudo, idêntico ao de 74 canhões apresentado em A Rapariga no Tombadilho; a grande diferença é que a embarcação, abatida ao activo, está seriamente degradada, tendo sido adaptada para receber a bordo um grande número de homens que vivem em condições miseráveis.

François Bourgeon inspirou-se numa gravura de 1829 que apresenta o York, um navio de 74 canhões construído em1807 e colocado ao serviço em 1819. Para a recriação dos espaços interiores, o autor baseou-se num manuscrito do comandante Pillet, que descreve os arranjos efectuados a bordo para acolher presos de guerra franceses.

A figura central deste episódio é Hoel, antigo marinheiro do navio de guerra francês Foudroyant. O seu destino cruza-se acidentalmente com o de Isa, protagonista da série, e uma atracção física recíproca está na origem de uma duradoura mas quase sempre atribulada relação. Ao contrário da aristocrata, o marinheiro não tem passado nem história. Sabe-se apenas que não tem pais e que cresceu num orfanato onde era proibido falar bretão. A cumplicidade que se estabelece entre duas personagens com origens sociais tão antagónicas é explicada pela necessidade - Isa precisou de Hoel para abandonar o navio e este, depois de matar o comandante do navio, necessita do apoio da heroína para sobreviver.

O pragmatismo da aliança corrói a relação entre os dois jovens e os conflitos não tardam a emergir. Hoel é um homem do mar, incapaz de se adaptar à vida de terra. Isa, por seu lado, fala de um modo que ele não compreende e surpreende-se com o discurso anti-esclavagista da rapariga.
Para o próprio François Bourgeon, Hoel era "alguém pouco complicado" mas que, reconhecia o autor, lhe "escapava um pouco", sugerindo com essa afirmação que nada estava previamente decidido na economia da série. De facto. Isa e Hoel acabarão por se separar, o que não tem nada de invulgar ou inverosímil: não pertencem ao mesmo mundo.

Em O Pontão, uma vez chegados ao continente, os protagonistas da aventura abrigam-se numa residência de campo do pai de Mary e, a seguir, num porto francês (Noirmoutier).

Para realizar esta parte da aventura, Bourgeon percorreu demoradamente a região e apoiou-se em gravuras e mapas do século XVIll. O resultado é uma imersão total dos
leitores no passado.

Nos primeiros dias de Abril de 1781, os heróis estão de novo em viagem - desta vez embarcam no Marie Caroline com rumo a África, onde a sua força de carácter e convicções individuais vão ser sujeitas a rude prova, no confronto directo com um esclavagismo sem limites, a arrogância dos colonos brancos, a violência do clima e a estranha singularidade da cultura negra.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

O Álbum

Hoel e o major Michel de Saint Quentin estão presos num velho navio transformado em prisão ao largo da cidade inglesa de Chatham. Isa conseguiu ficar livre e obter uma autorização de residência. trabalhando como preceptora de francês em casa de Mary Hereford. Na sequência de um motim, são mortos vários presos. Aproveitando o transporte dos cadáveres para terra, Hoel e Saint Quentin introduzem-se nos caixões com a cumplicidade do tenente John Smolett, amante de Mary.
Refugiam-se numa casa de campo pertencente à família. esperando uma oportunidade de abandonar o país. Conseguem chegar a Noirmoutier. perto de Nantes (França), onde embarcam num navio negreiro em direcção a África. A história O Pontão, publicada pela primeira vez na revista Circus entre Fevereiro e Julho de 1980. é o segundo episódio da série Os Passageiros do Vento escrita e desenhada por François Bourgeon.

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Do Pedro Cleto recebemos este aviso: Durante esta semana (pelo menos...) as bandas desenhadas que o atentado de 11 de Setembro de 2001 inspirou, no blog As Leituras do Pedro: LER AQUI

Publicado por jmachado em setembro 8, 2009 08:17 PM | TrackBack
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