janeiro 29, 2009

36º FESTIVAL DE ANGOULÊME - COM RECORTES 23 (CARLOS PESSOA IN PÚBLICO SOBRE O FESTIVAL DE ANGOULÊME E A EDIÇÃO DE BD EM FRANÇA)

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Hoje foi dia (entre muitas outras coisas - tal como no Festival da Amadora, não é? - como podem ver no site do Festival - hora a hora) de Connexions Coréennes
Une dizaine d’auteurs en provenance directe de Séoul, pour découvrir au Musée du Papier une maison d’édition coréenne pas comme les autres : Sai Comics. Présentation.

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Mas, mais importante em termos de informação, foi o texto de Carlos Pessoa no C2 do Público de hoje. A referência ao relatório anual da ACBD (Associação de Jornalistas e Críticos de BD em França), que vai ser um dos temas em destaque do BDjornal #25 - previsto para Março - leva-nos inevitavelmente a fazer miseráveis comparações com o que se passa no triste reinozeco da BD em Portugal. Leiam com atenção e... reparem no nosso sublinhado:

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P2 • Quinta-feira 29 Janeiro 2009

ANGOULÊME – A CRISE NÃO QUER NADA COM OS HERÓIS DE PAPEL

Há 13 anos que o mercado francófono de banda desenhada não pára
de crescer. Mais títulos, mais traduções e o apetite pela Internet,
tudo isto coroado pelo aumento das vendas. São boas notícias
para o Festival de Angoulême, que começa hoje.

Por Carlos Pessoa

Quando um álbum de banda desenhada tem uma tiragem de 1,83 milhões de exemplares parece uma coisa de outro mundo. Em França, não é: graças a esses números, Titeuf, do suíço Zep, foi o campeão de vendas de 2008 do mercado franco-belga, deixando a concorrência directa a,grande distância, e ainda assim com tiragens enormes. O último Blake e Mortimer (Juillard-Sente) tirou 600 mil exemplares, seguindo-se Lucky Luke, de Achdé-Gerra (535 mil), e Largo Winch, de Francq-Van Hamme (490 mil).

Oque estes números indiciam é que existe uma vitalidade própria do segmento editorial de banda desenhada francófona, confirmada pelo habitual relatório anual de Gilles Ratier, secretário geral da Associação de Críticos e Jornalistas de Banda Desenhada (ACBD), sobre o sector.

Pelo décimo terceiro ano consecutivo, a produção voltou a aumentar, com 4.746 livros publicados, dos quais 3.592 são novidades. Este valor ultrapassa em 10,04 por cento o resultado registado em 2007. A maioria dos títulos novos são franco-belgas (1.547), mas as séries asiáticas (sobretudo japonesas e coreanas) não ficam muito longe (1.453).

Este desempenho era esperado? "Confesso que fiquei um pouco surpreendido porque, em Outubro, pensava que estávamos a caminho de uma estabilização e que, a haver progressão, seria muito limitada", admite Ratier ao P2.
O grosso do negócio está nas mãos de 15 grupos editoriais, que representam 70 por cento da produção. O primeiro lugar é da Média Participations (Dargaud, Kana, Le Lombard, Dupuis, Blake et Mortimer, Lucky Comics e outros), responsável pela publicação de 627 títulos, mas a vitalidade do sector pode ser medida pela existência de pelo menos 265 editores com títulos
publicados em 2008.

Quase uma centena de títulos teve tiragens superiores a 50 mil exemplares, o que lhes garante lugar destacado entre as obras mais vendidas de todo os géneros. As traduções também não estiveram mal, com 1.856 bandas desenhadas estrangeiras (mais 69 do que em 2007). A maior fatia é de origem asiática, sobretudo japonesas (1.288 mangás entre 1.411).

Outro sinal de dinamismo é dado pelo número de adaptações de obras literárias (154). Ou seja, a Nona Arte "continua a inspirar os outros meios de expressão", diz Gilles Ratier, que vê neste facto o sinal de que "a maioria dos editores continua a explorar novos territórios - ou nichos editoriais".
O relatório da ACBD fala de "consagração" e "mediatização" ao inventariar as 201 obras com mais de 20 anos que foram reeditadas no ano passado. Revela ainda que o número de autores francófonos de BD é cada vez. Maior – 1.495 publicaram um novo álbum, embora apenas 1.416 (eram 1.357 em 2007) vivam desta profissão, onde as mulheres continuam a ser uma pequena minoria (151). E como nem tudo é positivo, Ratier refere que apenas 71 revistas especializadas (eram 77 no ano anterior) continuavam em 2008 a publicar bandas desenhadas europeias. Os desafios para este segmento vêm da concorrência que lhe é feita pela Internet, traduzida na "gratuitidade [do meio] e nos novos desafios criativos".

Primeiro lugar de vendas

Em termos económicos, a evolução das vendas entre 2007 e 2008 foi de mais 3,5 por cento, disse ao P2 Fabrice Piault, chefe de redacção adjunto da revista Livres Hebdo: "É o sector editorial que mais progrediu em 2008, à frente do sector para a juventude (mais 3 por cento)". Excluindo as vendas on-line, o mercado de BD em França atingiu um volume de negócios de 319 milhões de euros, correspondentes a 33,6 milhões de exemplares vendidos.

Como explicar esta expansão continuada ao longo de mais de uma década? "É o medo de falhar o fenómeno da época", diz Gilles Ratier. "A Glénat esteve prestes a pôr fim à série Titeuf ao quarto álbum, quando é a partir daí que as vendas disparam."No princípio, Jean-Christophe Menu, responsável da editora L'Association, não queria publicar Persepolis e foi David B. quem impôs Marjane Satrapi... Os editores ficam perdidos e tentam contentar como podem todos os públicos. Essa é a explicação para esta edição superabundante que parte em todas as direcções e procura, desesperadamente, novos públicos... " - Didier Pasamonik, crítico de BD e chefe de redacção do site ActuaBD, explica o sucesso da BD "pela intensidade capitalística" do sector: "O proprietário de Média Participations, Vincent Montagne, faz parte da família Michelin. Por isso, tem os meios adequados às suas ambições. Aliás, esteve quase a comprar o grupo editorial Editis por um milhão de euros, negócio que acabou por ser feito pela Planeta".

Acrescenta ainda dois "fenómenos maiores": o sucesso no cinema e na televisão, nomeadamente das adaptações de bandas desenhadas francesas (Astérix, Lucky Luke, Titeuf, etc.); e o fenómeno das graphic-novels, que aumentou o número de pontos de venda nas livrarias. Yves Frémion, membro do colectivo que edita a revista Papiers Nickelés, põe o acento tónico no sistema existente: "Saem grandes quantidades de livros, o que implica adiantamentos por parte das livrarias, que permitem aos editores sobreviverem. É uma consequência do sistema: os livros são enviados automaticamente e facturados aos livreiros. Estes podem devolvê-los ao fim de alguns meses e serem reembolsados, mas é um adiantamento sobre os livros seguintes. Assim, os livreiros fazem de banqueiros dos editores, que têm todo o interesse em editar cada vez mais títulos".

Ponto culminante

Até onde pode ir este crescimento continuado é uma questão que divide os analistas. "Isto vai cair", responde Frémion. "Em 2009, já há pequenos editores a desaparecer, depois serão os médios e, finalmente, os grandes. Estes últimos investirão nas aquisições de concorrentes para tentar constituir grupos cada vez maiores. Mas quanto maiores, mais frágeis são, diz uma regra não escrita do capitalismo. Penso que o ponto culminante já passou e que os efeitos da crise bancária vão fazer-se sentir com força." Didier Pasamonik é mais optimista. "O boom pode ir longe se os editores franceses, seguindo o modelo das mangás e dos comics, sistematizarem a utilização das suas personagens em outros suportes jogos vídeo, cinema, televisão). O sucesso dos Estúdios Ankama (dez milhões de jogadores em linha), que publica bandas desenhadas, mostra que existe um grande potencial nessa solução".

Uma coisa é certa: de momento, em França, os produtos culturais não sofrem com a crise financeira, pois as vendas de livros, as entradas nas salas de cinema ou nos museus registaram em 2008 valores recorde.
No caso da BD, o seu momento de apoteose começa a desenhar-se hoje na pequena cidade de Angoulême (Sul de França), onde se inicia mais uma edição do 36º Festival lntemacional de BD.

Até ao próximo domingo, todos os olhos estarão postos neste gigantesco palco, onde milhares de consumidores vão disputar os autógrafos e as dedicatórias dos seus autores preferidos. Para os editores, é mais uma oportunidade de venda e afirmação das respectivas marcas.

Deixando de lado a dimensão comercial, os organizadores propõem este ano um programa de exposições que procura ser o espelho dos diversos gostos e interesses em jogo: dupla Dupuy e Berberian, autor japonês Shígeru Mizuki; heróis Boule et Bill (criação de Jean Roba, que faz 50 anos no final deste ano) e Lucien (criação de Frank Margerin); colectivas da BD flamenga contemporânea, BD coreana independente (Sai Comics) e BD sul-africana; e a exposição Teatro das Maravilhas, sobre a obra de três autores (Bruno Malorana, Jean-Luc Masbou e Turf) inspirados pelo teatro e o maravilhoso.


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janeiro 28, 2009

COMEÇOU HOJE O 36º FESTIVAL INTERNATIONAL DE BANDE DESSINÉE D'ANGOULÊME 2009

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Começou hoje, com a apresentação à imprensa o 36º FESTIVAL INTERNATIONAL DE LA BANDE DESINÉE D'ANGOULÊME, onde o tema principal é a BD flamenga.

Vamos tentar dar aqui no KUENTRO um panorama diário do maior Festival de banda desenhada do mundo.

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O cartaz deste ano desenhado por Dupuy & Berberian.

Para já começamos por divulgar esta nota da agência Lusa, com o alerta providencial de Leonardo De Sá e com a devida vénia:

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009 | 16:23

BD: AUTORES PORTUGUESES MOSTRAM-SE NO FESTIVAL DE ANGOULÊME

Os autores de banda desenhada João Lemos, Rui Lacas, Ricardo Tércio e Nuno Alves são alguns dos artistas portugueses que marcam presença no Festival Internacional de BD de Angoulême, que começa quinta-feira em França.

João Lemos disse hoje à agência Lusa que estará pela terceira vez presente em Angoulême para mostrar o seu trabalho e fazer contactos, porque o festival «é o evento» de banda desenhada na Europa para quem trabalha nesta área.
João Lemos referiu que em Angoulême estarão também outros autores portugueses, como Marcos Farrajota, Pepedelrey, Ricardo Venâncio e Jorge Coelho, que têm editado por etiquetas independentes, como a Chili Com Carne, El Pep, MMMNNNRRRG ou Imprensa Canalha.

Estas editoras terão um espaço em Angoulême para vender e apresentar edições recentes.
Entre as obras portuguesas que serão apresentadas em Angoulême contam-se «Defier», de Ricardo Venâncio, «Mocifão», de Nuno Duarte, «Your rotten flesh», de Pepepdelrey e Osvaldo Medina.

O 36º Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême decorrerá de 29 de Janeiro a 01 de Fevereiro e é considerado o mais importante evento de BD na Europa, com exposições, debates, sessões de autógrafos e, mais importante para os novos criadores, encontros com autores e editores.

A título de exemplo, foi em Angoulême, em 2005, que João Lemos, Nuno Alves, Ricardo Venâncio e Ricardo Tércio conheceram CB Cebulski, da Marvel, e foram convidados a colaborar com aquela editora de BD norte-americana.

Diário Digital / Lusa

Uma das principais exposições será a dedicada a Dupuy & Berberian, que receberam na edição de 2008 o Grand Prix de la Ville d'Angoulême

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Acrescentamos que já está em Angoulême o João Miguel Lameiras que fará a reportagem para o BDjornal.

O Festival abre amanhã ao público pelas 10:00h.

Publicado por jmachado em 09:02 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 26, 2009

RECORTES 22 - COLECCIONADORES DE BANDA DESENHADA (IN SEMANÁRIO ECONÓMICO)

O Semanário Económico publicou no passado dia 17 uma peça sobre o valor das colecções de BD e, sobre a colecção de Bana e Costa (assinante do BDjornal e habitual frequentador das Tertúlias BD de Lisboa) fez o título: SEIS TONELADAS DE BANDA DESENHADA - 150.000 livros - valor de € 500.000,00.

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Eis o Texto:

36 | Outlook | Sábado, 17.1.2009
ALMANAQUE

SEIS TONELADAS DE BANDA DESENHADA

No passado dia 10, Tintim fez 80 anos. Rui Bana e Costa, antigo director da Bolsa de Lisboa, é fã deste e de outros heróis de BD. Tem 150 mil livros, avaliados em 500 mil euros.

TEXTO ANTÓNIO SARMENTO / FOTOS PAULA NUNES

Quando precisou de mudar de casa Rui Bana e Costa, antigo Chief Information Officer (CIO) da Bolsa de Lisboa, contratou uma empresa especialista em carregar pianos. Bana e Costa não tem nenhum piano nem sabe tocar, mas os seus 150 mil livros de banda desenhada merecem ser tratados com o maior requinte. Afinal, podem ser um investimento mais vantajoso do que comprar e vender acções. "Os livros de BD têm um potencial de valorização que pode chegar aos mil por cento", explica o ex-director informático da Bolsa. No mercado de capitais esta rendibilidade é muito rara.
A camioneta de mudanças foi obrigada a fazer duas viagens para transportar todos os livros. Foi assim que descobriu o peso da colecção, com seis toneladas. "A capacidade máxima da carrinha era de cinco mil quilos e não se conseguiu levar tudo só de uma vez", lembra. Os funcionários da empresa estiveram desde manhã até à noite a descarregar os exemplares. Pararam apenas para almoçar. "Estavam muito admirados e cansados. Nunca tinham visto nada assim", explica Rui Bana e Costa.

INVESTIMENTO SUPERIOR À BOLSA

A BD deste coleccionador é bastante cobiçada no mercado de livros antigos. Obras raras portuguesas que nasceram a partir da década de 30 como "O Mosquito", "O Gafanhoto", ou o "Mickey Português" valem muito dinheiro. Comprados por meia dúzia de euros podem chegar a valer mais de cinco mil. Recentemente, um empresário de Coimbra e professor universitário ofereceu-lhe 150 mil euros por uma parte da colecção. Bana e Costa não vendeu. Por enquanto, limita-se a negociar na Internet alguns exemplares que já não cabem na sala da casa onde vive, perto de Sesimbra. "No total os meus livros de banda desenhada estão avaliados em cerca de 500 mil euros", diz o antigo director, de 61 anos.

Uma colecção tão rica começou a ser construída ainda na infância. Aproveitava o dinheiro da mesada para comprar as revistas de BD. O avô também lhe ofereceu muitas e, mais tarde, acabou por herdar de um primo mais uma série de números. No entanto, foi a partir de 1974 que ganhou o gosto pela banda desenhada estrangeira e aumentou consideravelmente a colecção. Rui trabalhava na empresa Unisys e tinha de se deslocar muitas vezes a Paris e a Nova Iorque. O tempo livre, depois das reuniões, era aproveitado para ir às compras. Só que em vez de se deslocar as lojas da moda, como quase todos os visitantes, ele percorria os alfarrabistas da cidade.

Em alguns era conhecido como o Pavarotti português e noutros como o Demis Roussos. A barba longa torna-o parecido com estes cantores. E a simpatia com que o recebiam também era digna de estrela. O alfarrabista fazia-lhe sempre uma grande festa. "Comprava uma média de 300 livros por mês. Cheguei a criar com um amigo uma empresa de importação para pagar menos despesas e a seguir montámos uma livraria em Lisboa", conta. Devido à falta de disponibilidade para se dedicar a 100 por cento a esta actividade, o negócio acabaria por fechar as portas.
A selecção das obras nos alfarrabistas de Paris e de Nova Iorque demorava entre três a quatro horas. Depois, vinha o problema do transporte. Saia da loja com um saco de rodinhas, mas como viajava em classe executiva não pagava excesso de bagagem no aeroporto. Por vezes, também pedia a outros passageiros, com menos carga, para lhe transportarem alguns livros. "Se fosse hoje as pessoas tinham medo, mas naquela altura não se importavam", afirma.
Na viagem de regresso entretinha-se a ler as aventuras de Spirou, Pilote, Heavy Metal e, claro, Tintin. Aliás, sempre que fala desta personagem criada pelo belga Hergé, Rui Bana e Costa lembra-se do tempo passado na tropa. Nos anos 60, cumpriu serviço militar no Norte de Angola e a mulher enviava-lhe regularmente a edição portuguesa do Tintim. "Eu era o primeiro a ler. Depois, havia uma luta constante entre o sargento e os cabos da minha companhia. Quem estava numa posição superior na hierarquia militar acabava sempre por ler primeiro", recorda. Ainda guarda religiosamente estes números, entre os quais o 'Tintim no Congo' (vale 500 euros).

Na semana passada, a 10 de Janeiro, Tintim celebrou 80 anos. Em 1928, começou a ser publicada no suplemento infantil "Petit Vingtième" a primeira aventura daquele que se tornou um dos maiores ícones da BD. Ao mesmo tempo, a editora de "Astérix", Éditions Albert-René, anunciou que as histórias continuarão após a morte de Albert Uderzo, com 81 anos. O outro autor, René Goscinny, morreu em 1977.

OS HERÓIS MAIS VALIOSOS

O valor de uma revista ou de um álbum de banda desenhada pode ser consultado através de um guia de preços americano, actualizado anualmente. Um dos livros mais valiosos é um 'comic book' do "Super-Homem", de 1938, com 24 páginas: 575 mil dólares (436 mil euros). O "Detective Comic" número 27 onde apareceu pela primeira vez a personagem Batman está avaliado em 475 mil dólares (360 mil euros). Já Tintim 'País dos Sovietes', edição de 1930, vale 18 mil euros. A diferença de preços tem uma explicação. "O mercado franco-belga não tem a mesma pujança do americano. Hoje, há muito poucas pessoas interessadas em ler em francês", diz Rui Bana e Costa.

Carlos Gonçalves é outro especialista de BD. Tem uma colecção com mais de 50 mil revistas e livros. "Foi sempre um encanto para mim ver as páginas a cores, cada vinheta cheia de vida e de pormenores, como se de um quadro se tratasse, era uma alegria plena. Depois juntavam-se as aventuras, a emoção, o desenrolar da acção, a beleza das personagens, a qualidade dos enredos", diz Carlos Gonçalves.

Para melhorar a qualidade da colecção, Carlos perde horas à procura dos melhores exemplares entre os alfarrabistas, os vendedores da feira da ladra e alguns particulares. "Completo as minhas colecções, as dos meus amigos e depois vendo o material remanescente", explica.
Um dos melhores negócios foi conseguido com a compra de "O Diabrete". Gastou um escudo por cada número, num total de 887 escudos, (pouco mais de quatro euros). Actualmente, a colecção vale cerca de 2500 euros", diz o coleccionador.
"A qualidade, a antiguidade e a raridade são os pontos mais importantes para a valorização de uma BD. Há ainda outro ponto, que se prende com o facto de existirem gerações com uma admiração especial por um herói ou um autor específico", explica Geraldes Lino, sócio fundador do clube português de banda desenhada e organizador da tertúlia de BD em Lisboa.

Actualmente, o mercado do coleccionismo é procurado por clientes com uma idade superior a 40 anos. São sobretudo professores, gestores e reformados. "Os jovens interessam-se pela manga japonesa e pelos comics americanos", diz Geraldes Lino. Os mais novos não sentem a nostalgia que um livro de BD pode criar. "Gosto de folhear, de recordar os tempos em que era miúdo", remata Rui Bana e Costa.

DICAS PARA COLECCIONADORES

INVESTIR NOS EUA
Comprar 'comic books' americanos tem mais potencial de valorização do que o mercado belga e francês. Por exemplo, uma edição do Super-homem dos anos 30 vale mais de 400 mil euros. Uma do Tintim não chega aos 20 mil.

ALFARRABISTAS
Ponto de paragem obrigatório para quem quer investir no coleccionismo. Uma grande parte das relíquias de BD passa por eles. Os clientes regulares têm mais hipóteses de conseguir os exemplares raros.

ANÚNCIOS
Tanto para comprar como para vender a Internet e os jornais são óptimos meios para fazer negócio. O site Ebay é um dos melhores para adquirir exemplares valiosos e entrar em contacto com outros clientes. Também há quem tenha feito bons negócios na feira da ladra.

INFORMAÇÃO
Frequente as tertúlias de banda desenhada e outros encontros para fãs organizados pela Bedeteca. É uma excelente oportunidade para conhecer outros coleccionadores e, quem sabe,
fazer um bom negócio.

PROTECÇÃO
A melhor solução para guardar as revistas é colocá-las em sacos de plástico porosos, que também servem para transportar o pão ou os legumes. A encadernação é outro dos métodos de conservação. Um desumidificador também é uma boa aposta, quando o tempo está húmido.

(EM CAIXA)

GUILHERME D' OLIVEIRA MARTINS, presidente do Tribunal de Contas

Quando começou a coleccionar livros de BD?
O meu interesse vem da infância e situo os começos à volta de 1958 e 1959, altura em que comecei a ler o "Cavaleiro Andante" e a consultar uma velha colecção de "Mundo de Aventuras".

Tem quantas revistas ou álbuns?
É difícil responder uma vez que partilho neste momento a colecção com o meu filho. Comparando com os meus 14 mil livros posso falar de cerca de mil exemplares entre revistas e álbuns de BD.

Quais são as suas personagens favoritas?
Comecemos pelos autores portugueses: Stuart de Carvalhaes, Carlos Botelho, Eduardo Teixeira Coelho e Fernando Bento. Uma obra-prima: "Beau Geste" de Fernando Bento. Só falo de desaparecidos. Gosto muito de uma plêiade de jovens portugueses contemporâneos. Quanto a heróis internacionais refiro: Príncipe Valente, Tintim, Corto Maltese, Astérix, Blake e Mortimer e tantos e tantos outros...

Lê frequentemente livros de BD?
Leio livros de Banda Desenhada, em todas as circunstâncias. Para um viciado da leitura, as histórias de quadradinhos, quando têm qualidade, não têm momentos especiais. Daí que o Plano Nacional de Leitura aconselhe - e muito bem - livros de BD.

O que é que um livro de BD tem, para que ainda hoje muitos adultos se interessem por eles? Nostalgia, caracterização das personagens ou a expectativa do enredo?
Há muitos tipos de BD. Devo dizer que me tenho interessado sobretudo pelas histórias para a juventude - em especial por tudo o que se relaciona com a "linha clara" de origem belga, que tem muito a ver com a Pop-Art, como foi claramente demonstrado por Andy Warhol e Roy Lichtenstein. A nostalgia liga-se ao talento e ao enredo...

Publicado por jmachado em 07:57 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 23, 2009

FALECEU CLAUDE MOLITERNI

Faleceu na madrugada de 4ª feira passada (21 de Janeiro de 2009) Claude Moliterni, figura incontornável da BD franco-belga, a poucos dias do início do Festival de Angoulême de que foi um dos três fundadores em 1974, com Francis Groux e Jean Mardikian. Tinha 76 anos – nasceu em 21 de Novembro de 1932 em Paris.

Moliterni foi figura habitual nos últimos Festivais de BD da Amadora, sendo, no do ano passado co-comissário da exposição central da 19ª edição do FIBDA, sob o tema BD e Ficção Científica.

Com um currículo invejável, fez de tudo um pouco na Banda Desenhada – sua paixão maior – como a produção da primeira Enciclopédia Larousse da Banda Desenhada, e a idealização do “ICON” (International Comic Organization), o 1º Congresso Internacional de Banda Desenhada, que ocorreu em abril de 1972, em Nova York. Na ocasião, Moliterni reuniu a nata da BD mundial, como Hergé, Druilet, Emílio Freixas, Harvey Kurtzman, Neal Adams, Stan Lee, Jayme Cortez e Mauricio de Sousa, entre outros.

Romancista sob diversos pseudónimos antes de se dedicar à Banda Desenhada e depois argumentista de BD, dirigiu as redacções de diversas publicações: Pogo-Poco (1969-71), Les Pieds Nickelés Magazine (1971-72), le mensuel Lucky Luke (1974-75), Captain Fulgur (1980-81). Foi ainda director de redacção da Pilote e da Charlie Mensuel (1973-89).
Assinou diversos livros sobre Banda Desenhada, como L’Histoire mondiale de la bande dessinée (Horay, 1980), Dictionnaire mondial de la bande dessinée (Larousse, 1994-1998), ou o BD Guide 2005 (Omnibus).
Concebeu numerosas exposições, como a famosa Bande dessinée et figuration narrative no Museu de Artes Decorativas em Paris.

A biografia completa pode ler-se no seu site oficial

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Fotos de Dâmaso Afonso

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Fotos Arquivo Pedranocharco

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Foto do site do Festival de Angoulême

Publicado por jmachado em 08:55 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 21, 2009

RECORTES 21 - João Ramalho Santos in JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias - J.M.Lameiras in Diário As Beiras - SOBRE O MENINO TRISTE A ESSÊNCIA de João Mascarenhas...

Este recorte do JL, assinado pelo João Ramalho Santos também é pertinente porque começa por falar do BDjornal e das edições Pedranocharco que saíram no Festival da Amadora 2008 (Bang Bang e ModaFoca). Vejamos:

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O recorte do Diário As Beiras, assinado pelo João Miguel Lameiras, fala só do Menino Triste:

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Publicado por jmachado em 08:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

RECORTES 20 - J.M.LAMEIRS IN DIÁRIO AS BEIRAS E PEDRO CLETO IN JORNAL DE NOTÍCIAS

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Diário As Beiras, 17 de Janeiro de 2009

A ÚLTIMA VIAGEM DO SURFISTA PRATEADO

João Miguel Lameiras

Ao mesmo tempo que prossegue com os “Astonishing X-Men” de Joss Whedon e John Cassaday, a BdMania acaba de lançar em português mais um herói da Marvel, o Silver Surfer, mais conhecido dos leitores portugueses como Surfista Prateado.

Tornado mais popular pelo segundo filme do “Quarteto Fantástico”, o Silver Surfer surgiu pela primeira vez em 1966, nas páginas da revista “Fantastic Four”, numa história que ficou conhecida como a “Trilogia de Galactus”, já publicada em Portugal no volume da 1ª série dos Clássicos da Banda Desenhada dedicada ao Quarteto Fantástico, fruto da iniciativa espontânea de Jack Kirby. O desenhador achou que uma criatura tão poderosa como Galactus, o devorador de mundos, necessitava de um arauto que o antecedesse, avisando a humanidade da chegada iminente do Deus Galactus. Essa criatura de pele brilhante como prata, descobriu-a Stan Lee quando Kirby lhe passou as páginas desenhadas da saga de Galactus para ele escrever os diálogos e o argumentista teve a surpresa de descobrir “um surfista de pele prateada cavalgando os céus em cima de uma veloz prancha”.

É essa personagem trágica, que abdica das estrelas para salvar a humanidade, que regressa agora para viver aquela que será sua última aventura. Uma história tocante e emocional, fora da continuidade do herói, escrita por J.M. Straczynski e magnificamente ilustrada por Esad Ribic, em que o Silver Surfer, ao saber que está morrer, decide cruzar o espaço pela última vez e regressar ao seu planeta natal, não sem antes se despedir de alguns amigos e trazer a paz a um planeta em guerra.

Straczynski é um excelente argumentista, não só de BD (é dele o argumento de “A Troca”, o mais recente filme realizado por Clint Eastwood) que sabe como poucos puxar ao sentimento, o que faz abundantemente nesta história, bem escrita e bem contada, mas que só não se torna lamechas graças ao notável trabalho gráfico de Esad Ribic, desenhador que, depois de “Loki”, editado pela Devir em 2005, volta a maravilhar os leitores portugueses.

Nascido em Zagreb, na Croácia, onde se formou em Artes Aplicadas e Design, e trabalhou em cinema de animação, Ribic estreou-se nos comics americanos em 2000 com a mini-série “4 Horsemen”, da DC/Vertigo. Embora encontremos desenhos seus em outros trabalhos, como a mini-série “X-Men Children of the Atom”, onde partilha a arte com Steve Rude, foi através das pinturas que fez para capas das revistas da Marvel, que o seu talento teve o merecido destaque, confirmado com a mini-série “Loki” e com este “Requiem”, em que Ribic transpõe as mesmas técnicas da pintura, usadas nas capas que ilustra, para a BD, com os resultados espectaculares que se podem ver, conseguindo páginas que são autênticos quadros, sem com isso perderem capacidade narrativa.

Não deixando de explicitamente os principais desenhadores do personagem, de Jack Kirby e John Buscema, até Moebius, Ribic cria um Silver Surfer simultaneamente épico e frágil, indo para além do texto de Straczynski.

O resultado é uma história que tem tudo para se tornar um clássico, muito bem servida pela edição em capa dura da BdMania, e que, além de trazer de volta um dos mais carismáticos heróis da Marvel, permite-nos o prazer raro de nos podermos deslumbrar com a arte única de Esad Ribic, um dos maiores artistas a trabalhar no mercado americano.

(“Silver Surfer: Requiem”, de Esad Ribic e J.M. Straczynki, BdMania, 96 pags, 12,50 €)
Copyright: © 2009 Diário As Beiras; João Miguel Lameiras

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Jornal de Notícias, 17 de Janeiro de 2009

POPEYE OCTOGENÁRIO

Pedro Cleto

Há exactamente 80 anos, Elzie Crisler Segar desenhava pela primeira vez numa vinheta, um marinheiro que, apesar de baixo, careca e pouco inteligente, viria a tornar-se famoso sob o nome de Popeye ("zarolho", daí a pala preta que ostentava).

Nela, o devorador de espinafres mais conhecido do mundo, em resposta à pergunta "É um marinheiro?", disparava esta curiosa resposta: "Penso que sou um cowboy!", mais tarde substituída pela carismática: "Eu sou o que sou!". Mas as curiosidades não se ficavam por aqui já que, ao contrario de quase todos os outros heróis dos quadradinhos, a sua estreia deu-se numa série avulsa, "The Thimble Theatre" (Teatro em Miniatura), uma tira diária de imprensa, inicialmente publicada na vertical, que Segar assinava desde 19 de Dezembro de 1919. Nela, de forma teatral, quase sempre em tiras auto-conclusivas, foi apontando alguns dos podres da sua América: a volatilidade das fortunas, o novo-riquismo, as desigualdades sociais, baseando-se no quotidiano da família Oyl, onde predominavam o colérico Castor, a sua irmã Olive (Olívia Palito), e o seu noivo Ham Gravy. A partir de 1925 a série ganhou uma prancha dominical colorida, na qual Segar pode explanar o seu sentido de espectáculo e desenvolver narrativas longas que combinavam cenários rurais e marítimos, a sede de aventura, a superstição, a magia e o medo do desconhecido.

É na sequência de uma delas que Popeye surge, conquistando de imediato os leitores - chegou a ser mais popular do que Mickey Mouse - apesar da sua falta de atributos físicos, graças às tiradas inesperadas, à força sobre-humana (de início sem qualquer relação com os espinafres, a sua imagem de marca nos desenhos animados), à resistência a murros, facadas e tiros e, ao mesmo tempo, ao seu carácter contraditório tão humano, igualmente capaz de se dedicar inteiramente a um bebé (Swee'pea, introduzido em 1933) como a acreditar que pode resolver tudo com os punhos (o que levou alguns a considerá-lo uma má influência para as crianças). A sua popularidade levou Segar a alterar o título da sua criação para "The Thimble Theatre Starring Popeye", logo em 1931. O sonhador e devorador de hambúrgueres, Wimpy, o pai, Poopedeck Pappy, o estranho animal Eugene the Jeep, a malévola Sea Hag (Bruxa do Mar), o brutamontes Blutus e tantos outros foram-se juntando numa notável galeria, que Segar animou, em narrativas cada vez mais surreais, até à sua morte, vítima de leucemia, em 1938. A série prosseguiu com diversos autores, com destaque para Bud Sagendorf, que lhe conferiu um carácter mais humorístico e próximo da versão animada e a assinou entre 1958 e 1994.

Muito antes, logo em 1933, os estúdios Max Fleischer juntavam Popeye e Betty Boop o breve tempo de um desenho animado, para em seguida desenvolverem uma série com o marinheiro, que até hoje já protagonizou mais de 750 animações, onde foi cimentada a sua actual imagem de marca: a força dependente dos espinafres (que levou Cristal City, no Texas, a maior produtora deste vegetal, a erigir-lhe uma estátua em 1937, agradecendo-lhe o aumento de 33 % no seu consumo nos EUA), a paixão pela anoréxica Olive (cuja silhueta inspirou um perfume de Moschino), a sua rivalidade com Blutus e a sua afirmação como marinheiro ("I'm Popeye, the saylor man", cantava a música), tantas vezes negada na BD. Nos anos 60, foi a estrela de uma série televisiva e, em 1981, chegou ao grande ecrã, numa película dirigida por Robert Altman, que teve como (único) mérito revelar Robin Williams, como Popeye, contracenando com Shelley "Olive" Duvall.

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No domínio público

Desde o passado dia 1, Popeye passou ao domínio público na Europa, ou seja, qualquer um poderá utilizá-lo nos suportes que desejar, sem necessitar de qualquer autorização ou de pagar direitos. Isto acontece porque a leia europeia considera que os direitos de autor vencem 70 anos após a morte do criador. Nos EUA é diferente, já que são considerados 95 anos após a data da criação, ou seja a imagem de Popeye está protegida até 2024.

Na prática, as coisas não serão assim tão simples, já que continua em vigor a "marca registada", pertença da King Features, que distribui as bandas desenhadas do marinheiro, pelo que é bem possível que utilizações de Popeye não autorizadas acabem nas barras dos tribunais, pois a sua imagem ainda rende anualmente cerca de 1,6 milhões de euros.

Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto


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janeiro 19, 2009

RECORTES 19 - Pedro Cleto in Jornal de Notícias

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Jornal de Notícias, 10 de Janeiro de 2009

Tintin octogenário

Foi a 10 de Janeiro de 1929 que o "Le petit Vingtième" publicou a primeira prancha de Tintin, dando início a uma aventura cuja actualidade, 80 anos depois, se faz cada vez mais distante da BD.

Nessa primeira prancha, a preto e branco, tal como as oito aventuras que se lhe seguiram, mais tarde redesenhadas a cores, Tintin partia de comboio para o País dos Sovietes, onde escreveria a sua primeira e única reportagem. Era um início marcado pela ingenuidade e pelo desenvolver do argumento ao correr dos desenhos, mas onde Hergé já revelava as qualidades - legibilidade, domínio da planificação, dinamismo do traço, construção da trama - que fariam dele um dos nomes maiores da 9ª arte.

Depois da Rússia, retratada de forma crítica e parcial, por influência do director do jornal católico que o publicou, Hergé levaria o seu herói a África e aos Estados Unidos, à América do Sul, um pouco por toda a Europa e mesmo à Lua, 20 anos antes de Armstrong. Com Tintin, construiu uma obra equilibrada e deslumbrante, traçada num primoroso estilo linha clara, tendo por principais vectores a aventura, a amizade, a lealdade e o sentido de justiça.

E que hoje em dia permanece perfeitamente legível - e inalterada devido à vontade expressa nesse sentido por Hergé - e na qual se encontram algumas obras-primas da BD. Mas que, nalguns casos, necessita de ser lida e interpretada à luz da época e do contexto em que foi criada, para evitar acusações ridículas e ignorantes como "racista", "defensor de maus tratos aos animais" ou "colaboracionista", que regularmente são feitas a Hergé, quase sempre por gentinha em bicos-de-pés em busca de 15 minutos de (triste) fama à sombra de Tintin. O caso mais recente veio esta semana à luz nas páginas do respeitável "The Times", num artigo (risível) de Matthew Parris, antigo deputado britânico, intitulado "Claro que Tintin é gay. Perguntem a Milu", de imediato desmontado por estudiosos e defensores da obra de Hergé.

A venda de originais tem também feito sucessivas manchetes, como em Abril último, quando o desenho a guache que serviu de capa à primeira edição de "Tintin na América", datado de 1932, foi leiloado por 762 mil euros.

Com mais de 200 milhões de álbuns vendidos, a actualidade de Tintin a nível editorial (uma vez que o último álbum original data de 1976 e que Hergé faleceu em 1983) vem das sucessivas reedições em novas línguas e dialectos (que somam já mais de meia centena) e formatos, como o recente "Tout Tintin" (Casterman), que compila as 24 histórias num único tomo de 1694 páginas.

Isto, a par do filme (ver caixa) e da inauguração do Museu Hergé, marcada para 22 de Maio, data do 101º aniversário do nascimento do pai de Tintin. Situado em Louvain-la-Neuve, na Bélgica, foi desenhado com a forma de um prisma, quase sem ângulos rectos, que parece flutuar, pelo arquitecto francês Christian de Portzamparc. Com fortes preocupações ambientais, ao nível do aquecimento, tratamento do ar e poupança de energia, o edifício com 6 700 m2 de superfície, divididos por quatro andares, acolherá o espólio da Fundação Moulinsart, sendo a parte museológica concebida pelo autor holandês Joost Swarte.

(caixa)Um filme atribulado

A vontade de Steven Spielberg adaptar Tintin levou-o a conversar com Hergé sobre o assunto, tendo adquirido os seus direitos cinematográficos logo em 1983, adivinhando alguns a sua sombra em Indiana Jones, nomeadamente no espírito de aventura pura que percorre os filmes e nalgumas cenas de acção.

Em 2007, após acordo com os herdeiros de Hergé, Spielberg anunciou uma trilogia com actores de carne e osso, em parceria com Peter Jackson, devendo o primeiro filme, dirigido por si e baseado no diptíco "O segredo da Licorne"/"O Tesouro de Rackham o terrível", estrear em 2008. O segundo filme, dirigido por Jackson, seria baseado em "As Sete bolas de Cristal"/"O Templo do Sol", juntando-se os dois para a realização da última película, sobre "Rumo à Lua"/"Explorando a Lua".

Só que, as dificuldades para conseguir os 130 milhões de dólares de financiamento necessários para o projecto (pouco atractivo para o mercado norte-americano onde Tintin não vingou), atrasaram-no sucessivamente, estando agora previsto o início das filmagens para Fevereiro e a estreia em 2010.

Isso inviabilizou a participação de Thomas Sangster, como Tintin, onde ainda só estão confirmados Andy Serkis, como Capitão Haddock, e Nick Frost e Simon Pegg para interpretar a dupla Dupont & Dupond, (surpreendentemente) transformada numa espécie de Bucha e Estica de formas moderadas.

Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

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Jornal de Notícias, 7 de Janeiro de 2009

Flash Gordon nasceu há 75 anos

A 7 de Janeiro de 1934, os jornais norte-americanos publicavam a primeira prancha de Flash Gordon, de Alex Raymond, iniciando o período mais tarde baptizado como a Época de Ouro das tiras de imprensa.


Na verdade, alguns consideram que ela tinha nascido no mesmo dia, mas cinco anos antes, com o Tarzan, de Hal Foster e Buck Rogers de Philip Nowlan e Dick Calkins, mas a verdade é que 1934 fica indelevelmente marcado na história da BD nos jornais também pelas estreias de Jungle Jim (no mesmo dia e também de Raymond), Secret Agent X-9, Mandrake, Li'l Abner ou Terry and the Pirates.

Curiosamente, o Flash Gordon de Raymond - considerado por Umberto Eco uma das dez obras mais representativas da cultura ocidental - nasceu como resposta ao êxito de Buck Rogers, e inicia-se com uma ameaça de colisão entre a Terra e Mongo, um planeta à deriva, inspirando-se livremente no romance "When Worlds Collide", de P. Wylie e E. Balmer.

Flash e a sua (eterna) noiva, a belíssima Dale Arden (por quem muitos suspiraram) seguiam a bordo de um avião que, atingido por um meteorito, caiu junto ao laboratório do sábio (meio louco) Hans Zarkov. Partem então com ele num foguete, apostados em desviar a rota de Mongo, onde acabam por despenhar-se. Perseguidos pelo ditador Ming, (também) apaixonado por Dale, inicia-se então a verdadeira aventura, uma luta pela libertação de um mundo que Raymond, com uma imaginação transbordante, tornou fabuloso com o seu traço fino, detalhado, barroco e hiper-realista, exigente na representação da anatomia humana mas sem limites na recriação das criaturas fantásticas com que o povoou.

O êxito da serie transpôs Flash Gordon para a TV e o cinema logo em meados da década de 30 e levou à criação de uma tira diária, em 1940, por Austin Briggs, tendo Raymond assegurado as pranchas dominicais até ser incorporado, em 1944, sucedendo-lhe, entre outros, Mac Raboy, Dan Barry, Paul Norris ou Al Williamson.

Em Portugal, o herói, por vezes rebaptizado Relâmpago ou Roldan, estreou-se no Mundo de Aventuras em 1946. A criação de tiras de imprensa originais seria suspensa em 2003, estando em publicação, pela Ardden Entertainement, comic com uma versão actualizada aos nossos dias, assinado por DeMatteis, Deneen e Paul Green.

Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

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Jornal de Notícias, 10 de Janeiro de 2009

Barack Obama encontra o Homem-Aranha

Antes da tomada de posse, Barack Obama vai encontrar-se com o Homem-Aranha na revista "The Amazing Spider-Man #583", à venda nos EUA dia 14 e disponível nas lojas especializadas nacionais a partir de dia 31.

O encontro terá lugar numa história especial de cinco páginas, escrita por Zeb Wells e desenhada por Todd Nauck e Frank D'Armata, que decorre em Washington, durante a cerimónia de tomada de posse, que o Camaleão vai tentar boicotar, provocando a intervenção do Homem-Aranha, de quem é um dos mais antigos inimigos.

Joe Quesada, editor-chefe da Marvel, explicou que "quando soubemos que o Presidente eleito Obama é fã do Homem-Aranha e coleccionados das suas revistas, decidimos que eles tinham de se encontrar", acrescentando que "momentos históricos como este têm que se reflectir nos comics, pois o universo Marvel está definido no mundo real".

A participação de Obama na revista deve levar a um aumento da sua procura pelos coleccionadores, sendo de esperar uma reimpressão dentro de poucos dias. Menos certo, embora previsível, é que algum dos exemplares disponíveis nas lojas portugueses tenha a capa variante desenhada por Phil Jiménez, que reúne o Homem-Aranha e Obama, uma vez que "geralmente a Marvel oferece uns tantos exemplares com capas especiais em função das quantidades encomendadas", explicou ao JN Vasco Carmo, da livraria Mundo Fantasma no Porto, que, tal como a BDMania (Lisboa), conta disponibilizar a revista aos seus clientes a partir de dia 31.

A primeira aparição de Obama numa história de super-heróis aconteceu na revista "Savage Dragon #145", onde este herói dava os parabéns ao recém-eleito presidente, colocando-se ao seu dispor. Nada de surpreendente, se tivermos em conta que o seu autor, Erik Larsen, antes das eleições expressou o seu apoio à candidatura de Obama exactamente na capa do número 137 da sua revista, que por isso teve direito a três edições, ultrapassando todas as expectativas de vendas.

Desta forma, Obama passa a fazer parte de uma restrita galeria de Presidentes dos EUA que contracenaram com super-heróis, onde já estavam, entre outros, John Kennedy, Ronald Reagan e Bill Clinton.

Copyright: © 2009 Jornal de Notícias; Pedro Cleto

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janeiro 14, 2009

OUTRA DO MENINO TRISTE MASCARENHAS...

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Pois, do Marc Parshow e do João Menino Triste Mascarenhas recebemos o seguinte convite (e divulgamos, claro):

A Editora Qual Albatroz e a FNAC informam sorridentes que o livro “A Essência – O Menino Triste” irá ser motivo de acesa conversa e animado debate no próximo dia 16 de Janeiro, 6ª feira, às 21:30 horas, no fórum da livraria FNAC do Centro Comercial Colombo em Lisboa.

A propósito do livro, o seu autor e malabarista do desenho, João Mascarenhas, e Ilda Castro, ilustre polígrafa e fada madrinha, falam sobre as relações entre Arte e Banda Desenhada e acabarão em sabe-se-lá-onde. Origens, influências, melancolia, receitas de cataplana de frango serão alguns dos ingredientes para uma noite entusiasmante.

E agora, alguma coisa sobre os protagonistas do encontro:

Sobre A Essência - O Menino Triste
Publicado em Novembro de 2008 pela Qual Albatroz e à venda numa livraria perto de si, neste belo livro, O Menino Triste procura encontrar a explicação para algo que desconhece
e que pensa ser a solução para algumas questões: A Essência da Arte.
A Arte, nas suas mais diversas formas e suportes, tem motivado e fascinado o Homem ao longo de todo o seu percurso sobre este planeta azul.

Sobre Ilda Castro (por ela mesma)
Gosto de plantas e de animais não humanos e de viver com eles.
E de explorar as dinâmicas de práticas artísticas distintas.
A minha última experiência, a criação de figurinos e joalharia, no dia 31 e no dia 1 na culturgest, na ópera "uma vaca flatterzunge".
O que me apetecia era uma grande viagem à volta do mundo por sítios verdes e exóticos.
Admiro a grandeza iluminada do céu e a generosidade sábia de Gaia.

Sobre João Mascarenhas
Sabemos de fonte dúbia que o João descobriu a sua vocação de artista num berço angolano, e que nunca mais se conseguiu livrar dela.
Todavia as suas aptidões artísticas não o impediram de seguir uma sensata carreira de investigador científico de nome engenheiro.

Sejam todos muito bem-vindos.

Marc Parchow

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janeiro 13, 2009

TERTÚLIA BD DE LISBOA - 293º ENCONTRO - TERTÚLIA DE REIS

Para já, um aviso: todos os comentários sem email válido serão imediatamente apagados pelo administrador do blogue, uma vez que persistem aqueles imbecis que assinam com nicknames, servindo-se do anonimato para ofenderem toda a gente sem mostrarem a cara - é um acto de cobardia típico que não continuarei a permitir. Apenas os nicks com email válido serão permitidos, para que os visados possam responder, OK?

Eis então as imagens (sem grandes comentários, porque não houve pachorra para mais) da Tertúlia do dia de Reis:

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O Rodrigo de Matos, para além de trabalhar afincadamente para a nossa ModaFoca, também trabalha regularmente para o Expresso (onde, esperamos, ganha o dele - o que não a contece na MF...). Como o CR7 estava à beira de ser alcandorado como o melhor do mundo do chuto na bola, eis que bolou este desenho, que dá também ao dito futebolista (que eu nem aprecio nada, não fosse ele nado lagarto...) o título de maior espatifador de Ferraris de 220.000,00 €uros do mundo...
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janeiro 10, 2009

RECORTES 18 - TINTIN, 80 ANOS (CARLOS PESSOA IN PÚBLICO)

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TINTIN PARTIU HÁ 80 ANOS PARA O PAÍS DOS SOVIETES

10.01.2009 - 08h41 Carlos Pessoa

A primeira aventura de Tintin começou há 80 anos no suplemento infantil do jornal belga "Vingtième Siècle". Levou o herói ao País dos Sovietes e foi um sucesso imediato. Seguiram-se mais 22 aventuras do jovem repórter que conquistou um lugar à parte no imaginário colectivo.

Nos primeiros dias de Janeiro de 1929, o jornal belga Vingtième Siècle incluiu um discreto anúncio. Em fundo, as cúpulas russas; em primeiro plano, um jovem de perfil, com uma cabeça redonda, nariz saliente, grandes sobrancelhas e cabelo rebelde caído para a testa. Calçava sapatos enormes e usava um fato de golfe aos quadrados. Na legenda: “Acompanhem, a partir da próxima quinta-feira, as extraordinárias aventuras de Tintin, repórter, e do seu cão, Milou, ao País dos Sovietes.”

Dito e feito: a 10 de Janeiro começou a ser publicada no suplemento infantil Petit Vingtième a primeira aventura daquele que se tornou um dos maiores ícones da BD mundial. Hergé entregava duas pranchas por semana, articulando gags e situações durante 69 episódios semanais, sem saber verdadeiramente até onde a narrativa o levaria e ao seu herói. Até 9 de Maio de 1930 o repórter belga mostrou toda a “verdade” sobre o “milagre soviético”. Acabou metido num comboio para Bruxelas, onde foi recebido em apoteose.

Na “tentativa biográfica” publicada no número especial (Abril de 1983) da revista (À Suivre), evocativo da morte de Hergé em 3 de Março desse ano, o crítico Pierre Sterckx conta que a viragem decisiva na obra do artista ocorreu em 1928. Hergé descobriu, através de jornais mexicanos enviados para Bruxelas pelo correspondente do Vingtième Siècle, a melhor banda desenhada da época — Krazy Kat, Bringing up Father, The Katzenjammer Kids. Ficou aqui selado o próximo passo do autor: uma verdadeira banda desenhada e não mais um mero texto suportado por imagens.

De onde lhe veio a ideia? A resposta de Hergé, numa carta enviada a um admirador, é de uma simplicidade tocante: “A ‘ideia’ da personagem Tintin e do tipo de aventuras que ele ia viver ocorreu-me, creio, em cinco minutos, no momento de esboçar pela primeira vez a silhueta desse herói: isso quer dizer que ele não tinha habitado os meus verdes anos, nem mesmo em sonhos”. Mas tem o cuidado de fazer uma ressalva: “É possível que eu me tenha imaginado, em criança, na pele de uma espécie de Tintin: nisso, mas apenas nisso, haveria uma cristalização de um sonho, sonho que é um pouco o de todas as crianças e não pertença em exclusivo do futuro Hergé”.

Além das motivações individuais do criador, há o contexto cultural e social em que surgem as aventuras do jovem repórter. O padre Norbert Wallez, director do Vingtième, encomenda ao seu jovem colaborador – Hergé tem então 22 anos e manifesta uma admiração pelo eclesiástico que nunca sofreu a menor quebra – uma história que metesse um adolescente e um cão. A ideia era transmitir valores católicos aos leitores, que ele pretendia educar no culto da virtude e do espírito missionário. O envio do jovem repórter à Rússia soviética, um reino satânico onde imperava a pobreza, a fome, o terror e a repressão, era uma solução que se adequava às mil maravilhas ao desejo do padre conservador.

Antes de Tintin, Hergé dera vida às aventuras de Totor, um escuteiro chefe de patrulha de quem o jovem repórter foi imaginado como um “irmão” mais pequeno. O autor veste-o com um fato de golfe apenas porque era uma indumentária que ele próprio gostava de utilizar com frequência. O resto é a expressão natural de um desejo de diferenciação de todas as demais personagens conhecidas. Assim surge o topete, que se tornou numa imagem de marca para todo o sempre.

Ao lado de Tintin encontramos desde a primeira hora Milou, um cão inteligente que é um companheiro e um cúmplice de todas as aventuras. Não é inteiramente animal, pois Hergé confere-lhe o dom da palavra e algumas das características que habitualmente se podem encontrar nos humanos: realismo, coragem e preocupação com o seu conforto, mas também instinto batalhador... e muita gulodice.

O êxito desta primeira aventura fará com que Tintin vá depois ao Congo, numa homenagem de recorte inconfundivelmente colonialista à acção da Bélgica no seu antigo território africano. E, logo a seguir, à América, onde Hergé desejara levar o seu repórter num contraponto crítico à incursão soviética, mas frustrado pela vontade do padre Wallez.

Virão depois mais 20 aventuras, através das quais a personagem ganha espessura, é rodeada de uma notável galeria de personagens secundárias – Haddock acima de todos, mas também Tournesol, os irmãos Dupond(t), a Castafiore e tantos outros – e ganha o sortilégio da cor e um traço cada vez mais moderno e maturado.

Poderá sempre dizer-se que tudo o que Tintin é hoje no imaginário colectivo já estava contido naquela primeira e primordial aventura. Os balões e outros signos da moderna BD europeia nascem um pouco ali. Mas também é certo que as narrativas ganham ao longo dos anos uma solidez e uma segurança que ainda mal se vislumbravam naquela história.

Como herói, Tintin é um repórter, nascido para correr mundo e viver aventuras empolgantes. Quase nunca escreve notícias, mas quem se importa com isso quando as suas histórias exprimem de forma tão eloquente esse desejo absoluto de justiça e humanidade que impregna cada quadradinho da série?

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janeiro 07, 2009

RECORTES 17 - DIVERSOS E DOSSIER MANGÁ, DE PEDRO CLETO NA IN DO JORNAL DE NOTÍCIAS + NUNO SARAIVA NA VISÃO

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Na IN (do Jornal de Notícias e Diário de Notícias) de dia 28 de Dezembro.

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E na IN de dia 3 de Janeiro.

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E na VISÃO de dia 1 de Janeiro (por ser feriado saíu no dia anterior) - Texto sem assinatura do autor.
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ESCRITA CRIATIVA: ANDRÉ OLIVEIRA E LUÍS GRAÇA

Actualmente abundam por aí cursos e workshops de escrita criativa, como todos devem ter reparado. Um dia destes escreverei aqui qualquer coisa sobre este "fenómeno", mas por agora quero só noticiar as iniciativas do André Oliveira e do Luís Graça para este mês de Janeiro:

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LUÍS GRAÇA À NOITE EM ODIVELAS
EM CURSO DE ESCRITA CRIATIVA POLICIAL

O escritor Luís Graça começa dia 19 de Janeiro (à noite, no Centro de Exposições de Odivelas) um curso de Escrita Criativa Policial, com ponto de partida em duas obras de Dennis McShade (pseudónimo de Dinis Machado), inicialmente publicadas em 1967 e recentemente reeditadas: “Mão direita do Diabo” e “Requiem para D.Quixote”.

Pretexto para acompanhar o assassino profissional Peter Maynard durante seis sessões de três horas (segundas e quintas, início a 19 de Janeiro e final a 5 de Fevereiro) com licença para matar personagens, criar outras, descobrir assassinos e fazer desaparecer vítimas.

Inscrições:
escrita_criativa@if-pt.com
96 264 6230
91 620 5859
93 603 8656

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janeiro 05, 2009

RECORTES 16 - TIOTÓNIO-UMA VIDA AOS QUADRADINHOS (IN ÍPSILON-PÚBLICO POR CARLOS PESSOA E JORNAL DA AMADORA POR Vasco Callixto) + AS FOTOS DO LANÇAMENTO

Os leitores mais antigos deste blogue, já sabem que dou à História um lugar primordial entre as disciplinas ditas “do conhecimento”, digamos que obrigatório, para aqueles que querem compreender o presente. Por isso (e para tentar interessar alguns amigos que me dizem displicentemente não estar interessados no que fizeram “os mortos”), bato sempre na mesma tecla: se não conhecermos o que se passou antes, não percebemos patavina do que se está a passar agora. Um exemplo: a esmagadora maioria das pessoas (falo da maioria da população – aqueles que ditam quem deve ser o governo deste país… ou desta “democracia”, se quiserem) não está a perceber pevas do que é a actual “crise” económica, porque não se deram sequer ao trabalho de tentar perceber os antecedentes.

Bom, isto para dizer porque estou a chamar a atenção para um livro de pesquisa sobre a História da Banda Desenhada Portuguesa, pela 2ª ou 3ªvez.
O livro TIOTÓNIO – UMA VIDA EM QUADRADINHOS, de Leonardo De Sá, é um daqueles livros que todos os verdadeiros interessados na BD portuguesa deviam ler! Porque sem lerem livros destes, dizem ou escrevem as bacoradas que normalmente se encontram nos fóruns de que a net está cheia e nem sequer entendem sobre o que estão a falar, quando se fala, por exemplo, da edição de BD em Portugal.

Assim, o livro foi lançado no último dia do Festival Internacional de BD da Amadora 2008 (9 de Novembro) no CNBDI, com a presença, para além do autor e do editor, das filhas de António Cardoso Lopes (o Tiotónio), um dos sobrinhos (Álvaro Augusto Cardoso Lopes, que por acaso tinha sido nomeado há dias novo director do CSI português), outra sobrinha, Maria Hélia Viegas, filha da Tia Nina (irmã de Cardoso Lopes) e irmã do falecido actor Mário Viegas, etc…

O CNBDI juntou nesta cerimónia do lançamento do livro, a apresentação pública das doações que lhe foram feitas do espólio do célebre Dr. Varatojo, pela sua viúva Nené Varatojo e de originais de José Garcês, aproveitando ainda para apresentar o Calendário para 2009 da autoria do humorista gráfico (ou caricaturista, como quiserem) Rui Pimentel.

Só agora apresentamos este post, depois da publicação da crítica ao livro, de Carlos Pessoa, na edição do suplemento Ípsilon do jornal Público, no passado dia 2, ficando assim completo, por agora, o ramalhete, complementado com fotos de Dâmaso Afonso da sessão de lançamento no CNBDI de dia 9/11/08.

Aproveito também para dar a conhecer o novo blogue de Leonardo De Sá, HISTÓRIAS DOS QUADRADINHOS, que podem visitar AQUI. E, quando quiserem, podem clicar no respectivo link aqui à direita no Kuentro, para se inteirarem das pesquisas de Leonardo De Sá sobre a História da BD portuguesa... e não só!

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janeiro 04, 2009

O BDjornal #24 EM GRANDE DESTAQUE NA ÚLTIMA EDIÇÃO ITALIANA DO TEX

Pois é, a edição #24 do BDjornal mereceu destaque no editorial do último Tex que saiu em Itália, pela pena de Sergio Bonelli imself, não só por causa da história curta da personagem, cujo texto é assinado pelo próprio S.Bonelli sob pseudónimo de Guido Nolitta, mas por todo o extenso dossier dedicado àquela casa editora e ao western em geral.

Aqui ficam as imagens cedidas pelo José Carlos Pereira Francisco e também colocadas no blogue português do Tex, como podem ver AQUI.

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TRADUÇÃO DO EDITORIAL (por J.C.Francisco):

"Caros amigos,

por mais de uma vez, nesta mesma página vocês leram os meus lamentosos comentários sobre o total desinteresse que, de há alguns anos para cá, os editores (e os leitores) de toda a Europa reservam às nossas séries, caracterizadas pelo "velho" tradicional, preto e branco. Desta vez, porém, não tenho motivos para lamentar-me: um país, Portugal, com efeito tributou uma lisonjeira homenagem aos 60 anos de Tex Willer (testemunhado pelo simpático pin que vos mostro no alto à direita) por meio de uma mostra de desenhos originais expostos por ocasião da mais prestigiosa manifestação nacional, o Festival da Amadora - centro habitacional a poucos quilómetros da capital Lisboa - ocorrida na primeira semana de Novembro.

Hóspedes de honra, o incansável Fabio Civitelli de Arezzo, precioso embaixador no exterior da nossa Editora, e o seu concidadão e colega Marco Bianchini, que não se deixaram impressionar pela difícil situação dos transportes aéreos no nosso país e foram acolhidos com grande afecto por um público simpático e bem informado.

Como se não bastasse, a mais difundida revista de "bandas desenhadas" (assim se denominam naquelas paragens os fumetti) dedicou páginas e páginas à figura de Bonelli pai, à evocação de toda a história da nossa Editora e à edição de uma breve história minha, assinada com o pseudónimo de Guido Nolitta, intitulada "Uma tarde quente", e desenhada magnificamente por Giovanni Ticci. Verdadeiramente uma bela emoção, deixem-me confessar-lhes!

E dizer que os aficionados "texianos" portugueses não podem sequer contar (como já lhes disse há algum tempo atrás) com uma edição nacional, mas devem contentar-se com os exemplares enviados pela editora brasileira Mythos de São Paulo.

O tom todo italiano que caracteriza este número da revista (podem ver aqui abaixo a capa) é reforçado pela entrevista com o ilustrador brasileiro, Wilson Vieira, que, desembarcado em Génova como emigrante "faz tudo" e que encontrou, ao invés, uma inesperada oportunidade como desenhador de banda desenhada no estúdio Staff di IF de Gianni Bono; talvez algum de vós se recorde ainda de qualquer página sua realizada para o Piccolo Ranger.

Inútil dizer que por detrás desta exaltação bonelliana esconde-se, uma vez mais, a figura do nosso amigo português José Carlos Pereira - afectuosamente chamado Zeca - apaixonado coleccionista e um experiente crítico de toda a produção da Editora Bonelli.

Muito obrigado, caro Zeca!

Sergio Bonelli"

E já há um comentário do Wilson Vieira no Blogue do Tex.

Publicado por jmachado em 07:50 PM | Comentários (2) | TrackBack