agosto 31, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #82 - A COMPRA DA MARVEL PELA DISNEY + CARLOS PESSOA SOBRE “OS PASSAGEIROS DO VENTO”, A NOVA APOSTA PÚBLICO-ASA.

Se a novidade do dia é a compra da Marvel pela Disney, destacamos sobretudo a nova aposta do Público em parceria com a ASA: a reedição de “Os Passageiros do Vento”, de François Burgeon, com a novidade de um novo volume em que o autor prossegue a saga, conhecida decerto de muita gente em Portugal. Leiam a entrevista que Bourgeon dá ao Público para perceber como surge este 1º volume de A Menina de Bois-Caïman, o sexto nesta nova edição.
Recordemos que “Os Passageiros do vento”, cuja edição original saiu em França entre 1980-1983 foi editado em Portugal pela Meribérica (não podemos esquecer-nos do papel que esta extinta editora teve na divulgação da BD franco-belga em Portugal, numa última fase dirigida por Maria José Pereira, agora responsável pela edição de BD na ASA) entre 1987 e 1990, com direito a segunda edição, o que é algo raro neste país. Já agora, não sei por que é que Geraldes Lino ainda não homenageou Maria José Pereira na tertúlia BD de Lisboa… porque se há alguém neste pais responsável pela divulgação da BD franco-belga, o nome da filha de Jorge Magalhães deveria estar na primeira fila.
Bom… mas vejamos os recortes escolhidos para hoje:

Walt Disney compra Marvel em operação de US$ 4 bilhões

31 Agosto 2009

Do Valor OnLine

SÃO PAULO - A Walt Disney vai adquirir a Marvel Entertainment em uma transação em ações e dinheiro avaliada em cerca de US$ 4 bilhões. Com base no preço de fechamento da ação da Disney na sexta-feira passada, o valor da operação é de US$ 50 por papel da Marvel.
Os acionistas da empresa que tem em seu catálogo personagens como Homem-Aranha, X-Men e Incrível Hulk, entre outros, receberão US$ 30 por ação em dinheiro, além de 0,745 ação da Disney por um papel da Marvel.
"Nós acreditamos que adicionar a Marvel ao portfólio único de marcas da Disney oferece oportunidades significativas para o crescimento de longo prazo e criação de valor", afirmou o diretor executivo da Disney, Robert Iger.
O acordo, que já possui o aval dos Conselhos de Diretores da Disney e da Marvel, ainda está sujeito à aprovação dos acionistas da Marvel e de autoridades reguladoras dos Estados Unidos.
Em julho, a Walt Disney anunciou que encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de US$ 954 milhões (US$ 0,51 por ação), o que representou uma queda de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o ganho somou US$ 1,29 bilhão (US$ 0,66 por ação).
(Vanessa Dezem | Valor Online, com agências internacionais)

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Os Passageiros do Vento, um fresco histórico

Na melhor tradição da banda desenhada clássica de aventuras, a série acompanha Isa até ao coração de África, na senda aberta pelo choque de culturas e o tráfico de escravos. É uma viagem até ao século XVIII, reconstituído com mestria por um criador único no panorama da BD franco-belga contemporânea.

Carlos Pessoa

"O que importa é que uma certa veracidade contribua para a criação do clima pretendido pelo autor". A afirmação é de François Bourgeon e ajuda a compreender a obsessão do detalhe que ressalta da série Os Passageiros do Vento, por ele criada em 1979. E bastaria a leitura do primeiro episódio, A Rapariga do Tombadilho, para o confirmar.
É a bordo de uma fragata da marinha real francesa que decorre praticamente toda a acção. Para recriar o ambiente de bordo em todos os seus detalhes e, assim, construir uma atmosfera tão peculiar, o autor inspirou-se nos planos de uma embarcação de maior envergadura - um navio de duas pontes e 74 peças.

Bourgeon não se limita a tirar partido dos documentos de época. De facto, há uma mais-valia evidente no labor criativo do autor, a quem ficamos a dever uma reconstituição muito realista da câmara de oficiais ou dos porões onde os marinheiros se amontoam em condições degradantes, por exemplo.
Graças a estes recursos, a obra prolonga no tempo a tradição da BD de aventuras que tem nas séries clássicas - como Alix, Blake e Mortimer e outras - os seus momentos culminantes. Há heróis, intriga e peripécias movimentadas numa narrativa linear que raramente é abandonada. No entanto, ao contrário dos exemplos citados, esta saga dirige-se a um público eminentemente adulto, que não é poupado à violência e brutalidade de um mundo construído sobre os cadáveres de milhões de escravos e os despojos de uma cultura pilhada até ao limite do impensável.

A rigorosa reconstituição dos ambientes de época é uma das marcas de água desta série histórica. O talento do desenhador exprime-se na habilidade com que jaz a justaposição das imagens em cada prancha para dar a ver um espaço, mostrar o confinamento das personagens ou traduzir a sensação de vertigem no interior dos navios.

Choque de culturas.

Em “O Pontão” quase metade da aventura decorre num navio-prisão encalhado no litoral britânico. É, em tudo, um navio idêntico ao apresentado no primeiro episódio; a grande diferença é que a embarcação, abatida ao activo, está seriamente degradada, tendo sido adaptada para receber a bordo um grande número de homens que vivem em condições miseráveis.
François Bourgeon inspirou-se numa gravura de 1829 que apresenta o York, um navio de 74 canhões construído em 1807 e colocado ao serviço em 1819. Para a recriação dos espaços interiores, o autor baseou-se num manuscrito do comandante Pillet, que descreve os arranjos efectuados a bordo para acolher presos de guerra franceses.

Com a partida do porto francês de Nantes, inicia-se o ciclo africano das aventuras de Isa, Hoel e demais companheiros de viagem (A Feitoria de Judá). O destino é a baia de Judá, onde os heróis vão ter o primeiro contacto directo com a problemática colonial. Praticamente lado a lado, encontram-se os fortes de Saint-Louis de Grégory e William. Franceses e ingleses, que se digladiam no palco europeu, são obrigados a coexistir num território onde a complexidade do real acaba por se reduzir a uma equação simples: "Aqui antes de mais nada ou se é branco ou negro... rico ou pobre... livre ou escravo!", diz um dos tripulantes à vista da costa africana.

Em Agosto de 1781, Isa viaja para Abomey, capital do reino africano de Kpengla. Formalmente, a embaixada ocidental irá assistir ao julgamento de duas das mulheres do rei. Na prática, a corte é o palco de um braço-de-ferro diplomático em que está em jogo a vida da heroína e de Hoel, o seu companheiro de aventura. O que se depara aos europeus quando chegam ao seu destino é uma cidade grande, à época com cerca de 24 mil habitantes, um ordenamento caótico do espaço residencial e, sobressaindo do todo, a residência do rei.

25 anos depois

A Hora da Serpente, quarto volume do ciclo Os Passageiros do Vento, proporciona um novo confronto das personagens da narrativa com a História. Animada por um espírito de equidade e independência, Isa tenta amenizar o seu funesto destino
com a recolha sistemática de informação sobre o tráfico de escravos. A compilação desses dados ao longo da viagem permitirá denunciar no futuro uma actividade condenável, mas que tanto proveito trouxe às potências europeias. Mas é sobretudo a luta pela sobrevivência individual dos protagonistas, na espuma do choque de culturas em pleno palco tropical, que confere à saga de Bourgeon toda a sua grandeza dramática.

Cap Français, no Haiti, é mais uma encruzilhada na vida das personagens. Em Ébano, quinto episódio da série, encerra-se o ciclo que inclui Isa, Hoel e Mary .- os seus destinos separam-se irremediavelmente. Antes de chegar aqui, a narrativa acompanha o percurso do navio negreiro Marie Caroline desde a costa de África, com a sua carga de escravos a bordo.
Esse capítulo da história proporciona a François Bourgeon a possibilidade de regressar a uma das matrizes do projecto inicial - os comportamentos humanos num espaço fechado e a trama das relações estabelecidas pelos respectivos actores. Os escravos têm uma oportunidade única para se revoltarem quando se desencadeia uma grande tempestade que ameaça afundar o navio. Ficam assim conjugados os ingredientes adequados à obtenção de um efeito narrativo culminante.

Tema incontornável na economia da obra, a escravatura merece um tratamento por parte do autor que nada tem a ver com o habitual discurso didáctico sobre o assunto - nem juízo moral, nem panfletarismo, nem maniqueísmo.

O autor recorre, mais uma vez, a uma sólida informação de época, combinando habilmente dois registos - o documental e o ficcional - sem comprometer o equilíbrio da narrativa.

O quinto episódio foi publicado em 1984. Passaram-se 25 anos, durante os quais nunca mais houve notícias da heroína. O autor esteve ocupado com outros projectos. Um dia, porém, Bourgeon decidiu regressar à sua personagem:

"Senti o desejo de voltar de novo a Isa. Fiquei com o sentimento, no quinto episódio da série, que fora demasiado sucinto no tratamento da vida dos colonos em S. Domingo e da escravatura. A elasticidade do tempo fascina-me. O que eu conto parece muito antigo, mas à escala da História é muito recente."

O resultado desta nova incursão é A Menina de Bois-Caïman, uma longa história de 142 pranchas em dois volumes, cuja conclusão está prevista para o próximo ano. Combinando dois momentos temporalmente distintos, a narrativa de Bourgeon revela o percurso de Isa desde as Antilhas à Luisiana, passando pelo mar das Caraíbas.

O tempo que passou não degradou nenhuma das qualidades que impuseram a série como um clássico contemporâneo. O grafismo do autor revela mais maturidade do que nunca, a história exprime uma pujança e uma solidez facilmente reconhecíveis. Agora, só falta mesmo ficarmos a conhecer o desenlace da aventura...

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FRANÇOIS BOURGEON FALA DE “OS PASSAGEIROS DO VENTO” EM ENTREVISTA AO PÚBLICO.

"Mais do que um desenhador, considero-me um contador de histórias"

Falar do presente não está nos propósitos do autor francês de banda desenhada François Bourgeon. O passado ou o futuro prestam-se melhor para falar do que lhe interessa: a vida das pessoas, com as suas relações, conflitos e estratégias de poder e de influência. Afinal, preocupações de todos os tempos.

Carlos Pessoa

François Bourgeon veio a Portugal em 1994 para participar no Festival Internacional de BD da Amadora. Falou na altura ao PÚBLICO sobre a sua obra, com destaque para Os Passageiros do Vento, a primeira criação que o autor considera "realmente pessoal". Agora que se anuncia a saída de um novo álbum dessa série, 25 anos depois do aparecimento da primeira aventura, explica porque tomou a decisão de regressar ao mundo de Isa. Síntese das duas entrevistas.

PÚBLICO - Decidiu regressar à série Os Passageiros do Vento 25 anos depois de a ter abandonado. Porquê?

FRANÇOIS BOURGEON - É tudo menos um gesto comercial. Passei seis anos da minha vida a construir esta narrativa. Quis pôr um ponto final da história de Isa, mas fazendo-o de uma forma inesperada para o leitor -levando-o com uma nova personagem que descobre num local e numa época que o interessa e o cativa, mas onde já não reconhece nada, onde se sente completamente perdido e onde pode, por um momento, ter a impressão que se enganou na história... E, de repente, o passado ressurge quase sem que o leitor se aperceba dele, reencontrando Isa onde atinha deixado e começando a compreender que vai acompanhar uma aventura mais profunda e complexa do que a simples continuação da história anterior.

Neste episódio há uma nova direcção para a série? Os Passageiros do Vento não mudam de temática. Fala-se de viagens. Fala-se de água, agitada ou em repouso. Fala-se de homens, sejam maus ou bons. Fala-se de guerras e depois de escravatura. Mas fala-se também de um segredo de família e do desejo profundo que as pessoas idosas têm, por vezes, de transmitirem a alguém duas ou três pequenas coisas que lhes parecem essenciais.

Há também, no conjunto destes dois novos episódios, um espaço inabitual para as paisagens e a natureza.

Sem interesse pelo presente

A nova história apresenta um traço mais maduro, quase fazendo "esquecer" o anterior...

Os cinco primeiros álbuns de Os Passageiros do Vento começaram há 30 anos e foram terminados há 25 anos. Se, depois deste tempo todo, eu não tivesse feito qualquer progresso seria porque, possivelmente, me tinha enganado na profissão, ou seja, para pôr as coisas de forma mais simples, eu ter-me-ia esquecido de viver!

É um autor que os leitores se habituaram a ver, em boa parte, "virado" para o passado. Porquê esse fascínio pelo que já passou?

Bem, tenho de reconhecer que, pelo menos de momento, não tenho o menor desejo de falar da vida contemporânea. Talvez um dia...

O presente intimida-o?

Não, não é por isso... Como indivíduo, acho que não tenho um conhecimento da nossa época suficientemente original para poder fazer algo susceptível de interessar as pessoas. Contar uma história em função do que posso observar nos jornais? Ou na televisão? Ou nos livros que leio? Definitivamente, não tenho a menor vontade de falar do presente.

A sua recusa do presente tem a ver, por exemplo, com o facto de não ser capaz de ter uma distanciação suficiente relativamente ao que se passa hoje?

Não. De facto, é possível essa distanciação de que fala. Mas o passado torna-a ainda mais fácil. E, levando o raciocínio até ao limite, eu diria que ele permite abordar assuntos ainda mais escaldantes e actuais e de forma mais livre.
Porquê? Ao falarmos do presente, podemos ser facilmente acusados de ter uma atitude moralizadora, quando o passado implica uma referência histórica, ou seja, as pessoas sabem que se está a falar de coisas que já aconteceram, mesmo se existe uma componente ficcional.
E se alguém quiser fazer um paralelo com a nossa época, ela é feita de forma... digamos, mais suave.

O que faz de si mais do que um mero desenhador...

Exactamente. Mais do que um desenhador, considero-me um contador de histórias. A minha primeira ambição é proporcionar um pouco de distracção às pessoas, e não mergulhá-las no que as preocupa todos os dias.

E essa opção foi deliberadamente assumida desde o princípio da sua carreira?

Não. As coisas aconteceram um pouco por acaso. Eu comecei por trabalhar para a imprensa infantil.
Na série Brunelle e Colin eu tinha um argumentista, cujos textos seguia mais ou menos fielmente. E talvez eu nunca desse o passo que me fez redigir os argumentos, se não tivesse existido a série Os Passageiros do Vento, que me levou a efectuar pesquisas nos museus e bibliotecas. Acerta altura apercebi-me que não valia a pena procurar um argumentista, pois eu sabia mais sobre o tema do que as pessoas com quem falava!...

Historiadores são imaginativos

Em que "pele" se sente melhor?

Há dois pólos que me interessam: o desenho e a narrativa. Quanto ao primeiro, é a sua concretização como banda desenhada que tem a minha preferência, pois existe – ao contrário da pintura, por exemplo - a possibilidade permanente de comunicação com um máximo de pessoas.

E ao olhar para o seu percurso pessoal, não parece que tenha sido negativo fazê-lo sozinho...

Oh, não, pelo contrário! É mesmo muito confortável, pois não há sequer hipótese de conflito. E permite-me estabelecer o meu próprio ritmo de trabalho.

Costuma fazer maquetas dos ambientes em que decorrem as suas histórias. O que procura retirar dessa reconstituição?

Fiz isso em Os Passageiros do Vento, reconstituindo o navio onde se passa uma parte da acção, e também o forte da feitoria de Judá. Isso serve, antes do mais, para me distrair um pouco do meu trabalho. Por outro lado, permite-me acompanhar o percurso dos meus personagens, e também jogar mais facilmente com os efeitos de luz, assim como escolher os ângulos e enquadramentos. É claro que isso se traduz em pormenores de que o leitor quase nem se dá conta, mas que introduzem na história uma certa dimensão de veracidade. Dou-lhe um exemplo: se eu colocasse o sol sempre no mesmo lugar, ninguém daria conta disso, mas são pormenores que me dão muito prazer, motivam-me para o meu trabalho e, no limite, fazem-me "acreditar" na época em que as histórias se desenvolvem...

A torná-las mais credíveis...

... aos meus próprios olhos. É exactamente isso!

Isso percebe-se bem em relação ao passado. Mas até que ponto é possível fazê-lo face a um "futuro" - o que retrata em O Ciclo de Cyann, por exemplo - que não existe antes de pensar nele?

Admito que é mais complicado. Todavia, na pesquisa sobre o passado apercebemo-nos muito depressa que, para além dos documentos - por vezes raros -, a imaginação dos historiadores é enorme. Eles são também contadores de histórias que, em muitos casos, relatam o que se passou em função dos problemas da sua própria época. Bem, a questão que coloco a mim próprio é esta: o que é que me interessa numa dada época? E a resposta é: a vida das pessoas e das suas relações, com os seus conflitos de poder e de influência. Ora, isso é algo que existe no passado, no presente... e no futuro! Os temas são sempre os mesmos. Os problemas de uma cidade na Idade Média são os mesmos de uma cidade contemporânea: anti-semitismo, insegurança nas ruas, por exemplo. E isso está para além do facto de admitirmos que existe, apesar de tudo, uma evolução.

Chegado a este ponto da carreira, que lugar ocupa a série Os Passageiros do Vento no conjunto da sua obra?

Os Passageiros do Vento é o meu primeiro trabalho realmente pessoal. Continuo a sentir-me muito ligado à série na medida em que me sinto muito próximo de Isa. Confesso que tenho um fraco por O Último Canto das Ma/aterre, sem dúvida o meu livro que exige mais do leitor. Mas os dois volumes de Menina de Bois-Caïman são, até hoje, os únicos em que não modificaria uma linha.

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agosto 28, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #81 - AUTORA LUSO SUECA PUBLICA MANGÁ PARA ADULTOS NA SUÉCIA + ENTREVISTA COM DAVID RUBIN POR PEDRO CLETO NO JN DE HOJE.

Aqui ficam os textos de Américo Sarmenio no Jornal de Notícias de 21/08/09 sobre uma luso-sueca que está a fazer furor na Suécia com as suas mangás para adultos. Depois Cristóvão Gomes no jornal “i” sobre Marjane Satrapi (já agora sobre o que escreveu Cristóvão Gomes no último texto dele que aqui postámos, vejam o comentário que o Marcos Farrajota lá deixou), enviados pelo nosso caríssimo amigo José Manuel Pinto. Uma entrevista com David Rubín, por Pedro Cleto no JN de hoje mesmo (28Agosto) enviado agorinha mesmo – ainda está quente! E fica também o texto que Armando Corrêa publicou na última edição do Alentejo Popular.

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MANGA VIRADA PARA ADULTOS - UMA SUECA COM NOME PORTUGUÊS

Natália Batista nasceu em Lund, na Suécia, há 23 anos, filha de um português, radicado na Suécia desde a década de 70; e de uma polaca. Estudou na Malmo Comic School e, para além de se dedicar ao desenho de manga, é igualmente professora deste estilo em livrarias, escolas e museus. É presidente do "Mangakai Lund" e ilustradora da revista sueca de música "Okej”. Natália é uma das fundadoras do "Nosebleed Studio", que fomenta o desenvolvimento da manga na Europa. A.S.

Natália Batista é sueca de ascendência portuguesa que ganha notoriedade na banda desenhada

Americo Sarmenio
cultura@jn.pt

Sueca, filha de pai português, Natália Batista é um dos nomes europeus de referenda da manga - um estilo de banda desenhada oriunda do Japão. E lançou um livro de manga que não é aconselhável a crianças.

Muitos de nos crescemos a ver filmes animados de origem japonesa. "Marco" e "Heidi" foram dos primeiros grandes exemplos de grande sucesso deste estilo de desenho - manga -, que conquistou os mais novos nos quatro cantos do Mundo. Um estilo que marcou gerações de crianças e que continua a ser uma marca da escola japonesa, mas que se alargou a muitos outros países, nomeadamente na Europa. Muitas das crianças de ontem são, hoje, dedicados desenhadores de manga. Em alguns países da Europa, como na Suécia, a exemplo do Japão, surgiram escolas com cursos especializados em desenho manga, permitindo o surgimento de uma nova geração de cartunistas.

É o que acontece com Natália Batista, uma jovem sueca de 23 anos, filha de pai português e mãe polaca. Natália é mesmo considerada uma das principais desenhadoras do movimento "euromanga", que envolve um largo número de cartunistas europeus. Recentemente, lançou um livro de banda desenhada, "A song for Elise", que está a alcançar grande êxito, mas também alguma polémica, pois a publicação é dedicada aos adultos, isto num estilo de desenho diferente, associado ao público infantil e adolescente.

Embora a manga proibida a crianças não seja novidade, pois existem filmes e livros com manga erótica e pornográfica – o que, aliás, acontece com todos os géneros de banda desenhada -, esta variante e vista pela comunidade internacional de desenhadores como algo quase pirata, que não é devidamente reconhecido. Mas com “A song for Elise", Natália Batista lança"pela primeira vez "um livro de manga para adultos, mas com uma temática completamente diferente, elogiado e reconhecido pelos "puristas". Um novo estilo temático, que até já tem nome japonês, naturalmente: "Yaoni manga".

“Cresci a ler e a ver filmes de manga, mas como as crianças crescem, a manga, naturalmente, também deve evoluir", comentou ao JN Natália Batista, admitindo que "a manga é sempre associada às crianças", pelo que o seu livro surpreende, mas "pode levar até aos jovens assuntos que os interessam, num estilo de desenho de que sempre gostaram".

A sua paixão pela manga é de inteira dedicação: estudou este estilo numa escola de artes sueca, em Malmo, e profissionalizou-se neste tipo de desenho. O estudo da língua e cultura japonesas é outro dos seus principais interesses, pois "a manga continua a ser uma imagem de marca japonesa". Mas também com uma larga legião de seguidores na Europa. O movimento "euromanga" já chegou a Portugal, sobretudo através das publicações "NCreatures".
Em “Song for Elise", a autora aborda questões como o suicídio e a homossexualidade, construindo uma história a volta de três personagens, Andi, Marcus e Ellse, que, revelou, se baseia "em situações semelhantes" vividas por amigos seus. O livro,"o primeiro deste tipo a ser publicado na Europa", pretende ser "um reflexo das questões actuais da nossa sociedade, envolvendo ambientes e situações próprias dos jovens de hoje". Com desenhos a preto e branco e texto em Inglês, “Song for Elise" esta disponível na Internet, em www.asongforelise.smackjeeves.com.

A comunidade de desenhadores de manga é crescente na Europa, "contactamos uns com os outros", e Portugal não e excepção. Já com uma publicação traduzida para Português, "Only you", Natália Batista espera que este novo livro possa chegar a um largo número de jovens adultos, pois a sua manga cresceu como eles, prolongando nos desenhos os seus sonhos e ansiedades.

Natália é já considerada uma das principais desenhadoras do movimento “euromanga".

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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JORNAL “I” DE 21/08/2009.

ESPECIALISTA BD

Cristovão Gomes

Marjane Satrapi - Revolução silenciosa

Marjane Satrapi nasceu em 1969 em Rasht, no Irão, no seio de uma família privilegiada, cujas raízes se estendem até Nasser al-Din Saha, xá da Pérsia entre 1848 e 1896. Tinha nove anos quando viveu a Revolução Islâmica e guardou dela as mem6rias que uma criança da sua idade pode conservar: uma série de hábitos que mudaram palavras que passaram a ser sussurradas. Aos 14 foi estudar para Viena, mas foi em Estrasburgo que se formou, em Comunicação Visual. Foi depois do divórcio que decidiu contar a sua história - que afinal se cruzava com um período tão importante da história do seu país. Por ser difícil escrevê-la, ilustrou-a. E fê-lo com a parcimónia que a sua memória justificava; num preto e branco austero povoado por figuras que parecem desenhos incompletos, usando cenários simples que evitam distracções. Persépolis, assim ficou a chamar-se a sua obra, depois do sucesso do volume inicial espraiou-se por outros três. É verdade que ajuda ter uma história assim para contar, mas o que é mais surpreendente na obra de Satrapi é a contenção e a eficácia que consegue através desse esforço de se limitar ao essencial. Escreve pouco, desenha pouco, deixa que o resto seja adivinhado, descobrindo as pequenas fendas no quotidiano que se altera. E resulta na perfeição. De tal maneira que em 2007 transpôs o livro para o cinema e acabou por ser premiada em Cannes. Vive hoje em dia em Paris, onde prepara a adaptação do seu livro "Poulet aux Prunes" ao cinema. No tempo que lhe resta ilustra livros infantis.

Escreve à sexta-feira

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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"A BD É MAIS PODEROSA DO QUE QUALQUER OUTRA FORMA DE EXPRESSÃO”

Afirma David Rubin, autor galego de banda desenhada

F. Cleto e Pina

Chama-se David Rubin, nasceu em Ourense em 1977, e, de passagem pelo Porto, para inaugurar exposições de originais na Biblioteca Municipal de Gaia (até 31 de Agosto) e na livraria/galeria Mundo Fantasma (C.C. Brasília, até 13 de Setembro), conversou com o JN sobre a BD galega. Ou melhor, sobre a “BD feita na Galiza, onde há autores a trabalhar para lá, para Espanha, França, Estados Unidos, mas não em histórias com vacas ou castros.” A existir uma “BD galega”, ela distinguir-se-á pela maneira “de escrever, de sentir, como se expressam as personagens, que é o que torna as obras autênticas e perduráveis no tempo”. Co-fundador do colectivo Polaquia, que edita a revista “Barsowia”, afirma que a 9ª arte na Galiza “está no seu melhor momento porque nunca houve tantos autores no activo, tantas propostas editoriais, tantos não galegos publicados em galego”. Apesar disso, não “há que lançar foguetes, pois ainda há muito para avançar”.

Conversador agradável, finalista do Prémio Nacional de Comic espanhol em 2007, por “La teteria del oso malayo” (Astiberri), define-se “antes de tudo como um autor de BD que também faz cinema e ilustração” e considera os quadradinhos “mais complexos e poderosos que qualquer outra forma de expressão, seja a literatura, o cinema, o teatro…”, pois “um autor de BD é escritor, desenhador, pintor, encenador, iluminador, monta, marca o ritmo, planifica, define a velocidade de leitura…”

Apesar de ter feito “o primeiro comic aos 7 anos”, acredita que com “cada livro aprende e dá um pouco mais do que no anterior”. E se a sua ambição é viver da banda desenhada, mesmo que pudesse “não deixaria a animação ou a ilustração”, pois não quer “confinar-se a um único meio e ficar limitado”.
Nas suas histórias, Rubin fala do que o “inquieta, preocupa ou diverte”, sem ter que agradar a editores, leitores ou modas. O que não impede que tenha aceite o desafio de adaptar em apenas 30 pranchas “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, ou “O Monte das Almas”, de Gustavo Bécquer, com os quais aprendeu “a usar a sombra e a cor como elementos narrativos e a dar a primazia ao relato em relação ao desenho”. O que é fundamental, pois “os comics são sobretudo um meio narrativo”.

Define-se como “um criador visceral, que trabalha com as tripas e o coração, deixando que a arte flua sem controle”, pelo que por vezes o resultado o surpreende. Gosta de reler o trabalho impresso, para verificar “se tudo saiu bem” e folheia-o “de vez em quando para ver a evolução, pois ela não se planeia; conforme se avança na vida, experimentam-se coisas diferentes que afectam o desenho e as formas de contar histórias”.

Tendo estado nos festivais de BD de Beja e da Amadora, acredita no potencial destes encontros em que se “vão formando pontes que beneficiam todos” e lhe permitiram descobrir e apreciar autores portugueses (que nomeia sem dificuldade) como Paulo e Susa Monteiro – que já publicou na “Barsowia” – Miguel Rocha, Filipe Abranches, José Carlos Fernandes, Pedro Brito ou Pedro Nora. E defende maiores intercâmbios entre festivais portugueses e galegos e até edições conjuntas.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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Henri-Joseph Reculé nasceu em Viña del Mar (Chile) a 2 de Junho de 1970, filho de mãe chilena e de pai belga. Em 1984, ele e a sua família vieram residir para a Bélgica, onde ele cursou no Instituto de Belas Artes de Saint-Luc, em Liége.

Em 1990, em parceria com Jean-Luc Sala, estreou-se na Banda Desenhada, criando «Le Grand Veneur», obra que logo lhe valeu o 1.º prémio num concurso da revista «Jet». Esta parceria realiza ainda «L’Ombre de la Croix» e, em 1993, «La Légende de Kynam».

A solo, pois Reculé também é argumentista, criou logo a seguir a série medieval «Castel Amer», já com cinco tomos. Associa-se depois ao notável guionista Stephen Desberg, donde resultam as séries: «Le Crépuscule des Anges» (dois tomos), «Le Dernier Livre de la Jungle» (em cinco tomos, uma revisitação curiosa a «O Livro da Selva» de Rudyard Kipling), «Les Immortels» (cinco tomos) e «Cassio» (que já vai no segundo tomo). Mas, de permeio, colaborou ainda para as séries «Le Cercle des Sentinelles» e «Empire USA».

Na linha realista e com o seu traço dinâmico, Henri Reculé é já um dos grandes novos valores da BD europeia. E a sua obra bem merecia conhecer edições em português, se as nossas editoras não fossem tão inconscientes e não passassem suas edições traduzidas (normalmente, se bem que nem sempre) a esparramar-se em mediocridades. Brada aos céus tamanha e voluntária miopia!

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

Publicado por jmachado em 07:58 PM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 26, 2009

DEPRAVAÇÃO É NO VERÃO…

THISCOvery CCChannel apresenta esta e-newsletter

A CHILI COM CARNE e a THISCO mais uma vez unem esforços com a missão de divulgar Occultura. Para além de terem inaugurado, juntamente com a El Pep e Groovie Records, o espaço CHILI – na Rua dos Fanqueiros, 174, 1ºEsq; ou seja, na baixa lisboeta – aproveitam para voltar a este seu canal pós-televisivo para divulgar os produtos culturais que tem extraído pelo mundo e para promover eventos que organiza.

BIKINI:
CHTHONIC – Prose and Theory
Vadge Moore
Chili Com Carne + Thisco, 2009; 132p., em inglês
€12

Após ter participado no primeiro volume da antologia "Antibothis", o norte-americano Vadge Moore está de regresso com um livro novo em nome próprio na colecção Thiscovery CCChannel.
Membro fundador da conhecida banda de Garage Punk The Dwarves, nos anos 80/90, editou vários álbuns para a Sub Pop. Nos ultimos anos tem editado vários álbuns numa vertente mais Industrial ruidosa com colaborações de destaque tais como Monte Cazazza, Neither/ Neither World, The Electric Hellfire Club e Boyd Rice, tendo este último considerado Vadge Moore como "one of American counterculture's most notorious debauchees, comes a tome devoted to all the base, depraved, wicked and vile aspects of the animal Man."
www.vadgemoore.com
Capa de André Lemos, design de João Cunha.

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THE GLEAMING ARMAMENT OF MARCHING GENITALIA
João Maio Pinto
MMMNNNRRRG, 2009; 16p., sem palavras
€10

A MMMNNNRRRG volta a editar um número do zine Mesinha de Cabeceira, desta vez voltando à monografia iluminada, que mostrou no passado o Nunsky (#13, esgotado, PDF grátis), a Isabel Carvalho (#41, quase esgotado), o Mike Diana "em longa" (#15, quase esgotado) ou a recuperação gráfica do André Lemos (#16, esgotado). O autor deste volume é João Maio Pinto, grafista pouco bruto no trato social mas que já se exigia um álbum a solo. O trabalho é pesado e claustrofóbico, de galhos narrativos partidos e morbidez indesejada.
O livro de tamanho grande (é um A3) e de papel grosso (350g a capa e 300g o interior) tem um efeito mágico ao ponto de já termos reacções tão díspares vindo de Góticas de botilda preta como de um puto ucraniano de 11 anos que estava completamente maravilhado com as imagens - o puto estava tão excitado com o livro que lhe oferecemos porque, "fuck!", há caras que não enganam e que podemos ver os corações, mesmo no nosso século da desumanização.
«Maio Pinto é uma espécie de respigador cultural, sobretudo visual, mas não só. Procura instituir uma dimensão multisensorial com os seus desenhos. A ideia de floresta não está somente presente em termos representacionais (...), como em termos conceptuais, se nos recordarmos da expressão de Umberto Eco sobre os “bosques da ficção”, onde dá vontade nos perdermos.» in Ler BD

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MONOKINI:
Exposição de bd do zine SHOCK com trabalhos de Estrompa e José Lopes na CHILI patente até 31 de Agosto + info em http://chilicomcarne.blogspot.com/2009/08/shock-de-calor-na-chili.html

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Ficha técnica
Conteúdos fornecidos por:
www.chilicomcarne.com + www.thisco.net

CHILI
RUA dos FANQUEIROS, 174, 1ºESQ.
HORÁRIO: 2ª a 6ª feira das 12h30 às 20h. Encerra para almoço das 15h às 16h. Encerra no Sábado às 19h
www.myspace.com/chilicomcarne

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agosto 24, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #80 - ESTÁTUA DA MAFALDA (de QUINO) EM BUENOS AIRES + “SACANAS SEM LEI” EM COMIC + “PERSÉPOLIS 2.0”

Dois textos sem assinatura dos autores. Um deles, enviado por José Manuel Pinto, penso que do Jornal de Notícias de 18 de Agosto (o JMP esqueceu-se de referir a proveniência), assinala uma homenagem à Mafalda, de Quino, com uma escultura de Pablo Irrgang. O outro texto, no Público dá conta de uma nova versão de “Persépolis” (agora "2.0") reutilizando material do filme original de Marjane Satrapi, recontextualizando-o contra o actual regime iraniano. Um outro texto, também enviado por José Manuel Pinto, da jornalista Joana Stichini Vilela, no jornal “i”, sobre um preview do filme “Sacanas sem Lei” de Quentin Tarantino, em banda desenhada – 6 pranchas publicadas na Payboy on line. Como toda a gente saberá este filme estreia em Portugal no próximo dia 27. Já agora aconselho a deliciosa e esclarecedora entrevista de Tarantino, sobre “Sacanas sem Lei”, publicada na revista Première deste mês…

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18 Agosto 2009
HOMENAGEM
MAFALDA VAI TER ESTÁTUA EM BUENOS AIRES

Mafalda, a contestatária, uma heroína de banda desenhada criada pelo argentino Quino, terá uma estátua no bairro de San Telmo, no centro de Buenos Aires, onde «nasceu», em 1964, noticia a Imprensa argentina.

Medindo 80 centímetros, feita de fibra de vidro e resina, a escultura, parte de uma homenagem a Quino em Buenos Aires, e da autoria de Pablo Irrgang.
Com um vestido verde, Mafalda estará sentada num banco, sozinha, em pose reflexiva.
A inauguração, a que Quino assistirá acompanhado de alguns amigos, realiza-se no próximo dia 30. Ainda no quadro da homenagem, será descerrada, na casa onde Quino residiu uma placa com a legenda: "Nesta casa 'viveu' Mafalda".
Em entrevista ao jornal argentino "La Nacion", Irrgang contou que, antes de se abalançar ao trabalho, releu a banda desenhada para se inspirar.
«Foi divertido - disse - há um mês reunimo-nos com Quino para examinar os últimos pormenores. Foi uma experiência muito boa. Quino sabe muito bem o que quer. Sempre teve ideias claras sobre como devia ser a escultura".

A estátua mede 80 centímetros, é feita em fibra de vidro e resina e parte de um tributo a Quino

Sobre o projecto em si, observou ter achado "muito interessante a ideia de Mafalda sozinha num banco, meditando sobre o Mundo" e sendo, "de noite outra das crianças que dormem ao relento".
No plano técnico, assegurou, a escultura "e muito resistente mecanicamente e as cores estão incluídas no material".
"Tudo foi previsto - referiu - para fazer frente a possíveis actos de vandalismo. A obra, que mede 80 centímetros, não terá medidas de protecção, para que as pessoas possam interagir com a personagem (...) Esperemos que Mafalda desperte bons sentimentos".
Lembramos que a personagem Mafalda foi trazida ao Mundo pelo desenhador argentino Quino, em 1962, para um cartoon no diário "Clarin", mas a campanha de que faria parte foi cancelada e Mafalda não chegaria a conhecer a luz do dia. Foi no jornal "Primera Plana" que viria a tornar-se presença habitual, a partir de 1964.
Quino decidiu acabar com as história de Mafalda em 1973, para tristeza dos fãs espalhados um pouco por todo o Mundo,
A Portugal, esta simpática personagem só chegaria depois de 1974. Apesar de estar traduzida em diversas línguas, raramente foi publicada em Inglês, nunca tendo chegado aos Estados Unidos.
Esta menina irreverente elaborava grandes reflexões sobre a Humanidade e a paz mundial, entrando sistematicamente em estados de fúria por causa do estado da vida no Planeta.
Com os seus amigos mais chegados, Susaninha, Manelito e Filipe tinha as discussões mais acesas sobre a forma como os homens deveriam viver em comunidade.

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18 de Agosto 2009

Mais /I Cinema
"Sacanas sem lei"
aos quadradinhos antes do filme

TARANTINO CONFIOU UMA CENA À "PLAYBOY", QUE CONFIRMOU A REPUTAÇÃO NAS ARTES PICTÓRICAS

JOANA STICHINI VILELA
joana.vilela@ionline.pt

Boston, 1941. Um jovem bem-parecido e uma idosa franzina tomam chá em casa dela.
Com um taco de basebol no colo, ele pergunta-lhe, solene: "Tem na Europa entes queridos por quem tema?
"Que o impele, jovem, a fazer a uma estranha uma pergunta tão pessoal?"
Quando chegar à Europa, explica ele, vai espancar todos os nazis que encontrar. E gostaria que a mulher escrevesse no taco o nome daqueles a quem não quer que nada aconteça.
''Você deve ser um verdadeiro sacana, Donny", diz-lhe ela, pose de avozinha, dedo em riste.
"Pode apostar esse seu doce traseiro que sou."
"Óptimo, o trabalho de um sacana nunca está terminado. Sobretudo na Alemanha."
Violento, barroco, sardónico, o flashback ilustrado pelo sérvio R. M. Guéra e publicado na edição norte-americana da revista "Playboy" de Setembro podia ter sido escrito de propósito para o universo aos quadradinhos ou para um filme de serie B.
Na verdade, é apenas um dos diálogos que vai poder ver e ouvir a partir de 27 de Agosto, quando estrear em Portugal "Sacanas sem Lei" ("Inglorious Basterds", na versão original), o último filme de Quentin Tarantino.
Numa original promoção à fita sobre a Segunda Guerra Mundial, o realizador entregou à "Playboy" o guião de uma das cenas. A revista, conhecida pela cuidada dedicação às artes visuais, encarregou-se de
a transformar em BD – uma das mais fortes influencias na obra de Tarantino.

APERITIVO SANGRENTO

As seis páginas, também disponíveis online (www.playboy.com), funcionam como aperitivo: vemos o protagonista, Brad Pitt, um caçador de nazis, conhecemos "Bear Jew" (Eli Roth) e a sua utilização particular de um taco de basebol, e assistimos a uma sangrenta execução.
"Inglorious Basterds" narra o plano de um grupo de sacanas para eliminarem a liderança nazi. Não é um filme de guerra, sublinha Tarantino, mas um "western-spaghetti com iconografia nazi". A comprová-lo lá estão quatro faixas de Ennio Moriconne na banda-sonora.
Tarantino levou 10 anos a escrever o argumento. Seria uma espécie de apoteose do seu estilo. Quando estreou, em Cannes, recebeu uma ovação de 11minutos de pé. Mas também houve quem lhe chamasse "ridículo" e "insensível".

"Sacanas sem Lei" estreia em Portugal no dia 27. Em Cannes recebeu uma ovação de pé

O filme narra o plano de um grupo de sacanas para eliminarem a liderança nazi

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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23 Agosto 2009

UMA NOVA VERSÃO DE PERSÉPOLIS CONTRA O REGIME IRANIANO

A banda desenhada sobre a queda do xá do Irão em 1979 foi "reciclada". Agora conta os protestos de 2009

Dois opositores iranianos alteraram a célebre banda desenhada Persépolis, de Marjane Satrapi, e rebaptizaram-na Persépolis 2.0, para denunciar as condições em que foi reeleito o Presidente Mahmoud Ahmadinejad e protestar contra a repressão no Irão.

Em Persépolis, publicada no início desta década em França e adaptada ao cinema em 2007, a autora de origem iraniana conta a queda do regime do xá em 1979 e o início da Revolução Islâmica. Conhecidos pelos nomes de Sina e Payman, os dois jovens opositores mantiveram os desenhos a preto e branco da versão original e adaptaram os textos à actualidade.

As manifestações contra o xá de 1979 tornaram-se assim nos protestos contra a fraude eleitoral denunciada pelos opositores após as eleições presidenciais de 12 de Julho. E há uma menina que sonha todas as noites, na sua cama, com um futuro melhor.

"Disseram que queriam fazer qualquer coisa com o meu trabalho e eu autorizei", explicou à AFP Marjane Satrapi.

Como muitos iranianos na diáspora, os dois opositores, que actualmente vivem em Xangai, acompanharam longe do seu país as eleições no Irão e as suas consequências. "Passámos do desespero à cólera e depois à tristeza. Ficámos impressionados pela coragem do nosso povo e em cólera contra o Governo e o processo fraudulento", contam.

A banda desenhada original de Marjane Satrapi, em quatro volumes, é muito popular no Ocidente, mas também no Irão, e o filme que lhe deu origem obteve em 2007 o prémio do júri do Festival de Cannes.

Segundo Sina e Payman, mais de 100 mil pessoas acederam em algumas semanas ao site www.spreadpersepolis.com, onde pode ser visto o Persépolis 2.0, sobretudo a partir de Estados Unidos, Irão, Itália, França e Canadá.

A censura da Internet no Irão complica o acesso, mas os autores dizem que têm recebido inúmeras mensagens de correio electrónico de iranianos "a agradecer a divulgação ao mundo o que se passa no Irão".

"Fomos duramente atacados por vários jornais ultraconservadores que são como porta-vozes do Governo. É um bom sinal", adiantam.
Em Junho, Marjane Satrapi tinha apelado à comunidade internacional para que não reconhecesse a reeleição do Presidente Ahmadinejad, que qualificou de "golpe de Estado", numa conferência de imprensa no Parlamento Europeu.

No entanto, mostrou-se reservada quanto ao impacto de Persépolis 2.0: "Informar um pouco as pessoas já é muito. Com o nosso trabalho não temos senão pequenos impactos. Mas é preciso milhares de milhões para se mudar alguma coisa".

Os iranianos estão muito orgulhosos do seu trabalho. "Estas imagens descrevem os acontecimentos de há 30 anos, mas reflectem igualmente bem a situação após as últimas eleições. Em 1979 como em 2009 houve manifestações em massa contra a repressão. Esperemos que desta vez terminem de outra maneira".

Mas esta é já outra época. Em Persépolis 2.0 a pequena rapariga aconselha a mãe a não ler jornais porque "mentem todos" e a ligar-se à Internet "porque agora a verdadeira informação está on-line".

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Imagens da responsabilidade do Kuentro.

Publicado por jmachado em 08:41 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 20, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #79 - Pedro Cleto no Jornal de Notícias + Cristóvão Gomes no jornal “i” e o Programa do Salão de BD de Viseu 2009

Pedro Cleto escreve no Jornal de Notícias sobre TRAÇOS DE VIAGEM de Manuel João Ramos (texto e desenhos) editado pela Bertrand Editora, e no suplemento IN do mesmo jornal sobre a exposição de David Rubin e Miguel Rocha na biblioteca de Vila Nova de Gaia. O programa da exposição apresenta-se de seguida. Depois Cristóvão Gomes no “i” escreve sobre Danny Rolling. Finalmente apresentamos o Programa do XVI Salão de BD de Viseu 2009.

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revista In’ de 2 de Agosto de 2009

TRAÇOS DE VIAGEM
Manuel João Ramos (texto e desenhos)
Bertrand Editora

Pedro Cleto

Viajante insaciável, pois “a atracção da viagem nasce da ânsia de nos confrontarmos com um instante de abismo”, Manuel João Ramos, leva sempre consigo cadernos de desenho para fixar no papel “imaginadas realidades exóticas” com as quais “finge esquecer que não há outra realidade que não a da ficção partilhada”. O que ele faz, neste texto em que nos conta – e recorda, certamente – “experiências remotas” – como a cerimónia do café, a escalada ao convento de Debra Damo ou uma viagem a bordo de um pesqueiro de Sesimbra - por “locais invulgares” que tanto podem ser a Etiópia como o Zimbabué. Ou os tão próximos – tão vulgares? - Marrocos, Espanha ou até Portugal, não aqueles que vêm em bilhetes postais ou se vendem em agências de turismo, mas os outros, mais profundos, escondidos, recônditos – mais naturais, mais humanos, mais reais - ao lado dos quais quase sempre passamos.

Locais que nos desvenda através de pequenas histórias de gente – alguns viajantes, também – com quem se vai cruzando, nem sempre sedutoras, nem sempre divertidas, porque por vezes são de vidas a quem “a tarefa de viver deixa pouco tempo e pouca energia, para sonhar amanhãs cantantes”, com a sua escrita directa, incisiva e viva. E com os seus desenhos de viagem, às vezes só esboço rápido, a maior parte das vezes mais trabalhados, mais reveladores do que qualquer fotografia, embora alguém questione “Porquê desenhar de novo o mundo que Deus pintou?”, a que há a apontar a pouca quantidade neste livro e a ausência da cor – das cores - que os tons cinzentos da reprodução deixam adivinhar.

No fundo, traços (de viagens) em que “ficam preservados – como num molde invisível – os múltiplos sulcos que foram feitos antes dos nossos”.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro

PORTUGAL E GALIZA UNIDOS NA BD

18 Agosto 2009

F. CLETO E PINA

Exposições do galego David Rubin e dos portugueses Miguel Rocha/João Paulo Cotrim dão corpo ao 1.º Encontro Luso-Galaico de BD, que é inaugurado amanhã, quarta-feira, na Biblioteca Municipal de V. N. Gaia.
As mostras, integradas nas manifestações de Vila Nova de Gaia - Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2009, que decorrem até final do mês, serão inauguradas às 16.30 horas, na presença dos autores.

Apesar da denominação escolhida, não é a primeira vez que a BD portuguesa e da Galiza se encontram (ver caixa), o que também não significa que os contactos já havidos tenham sido especialmente frutíferos. As explicações poderiam ser várias, desde a forma independente como trabalham a maior parte dos criadores à enorme diferença entre a realidade dos quadradinhos aqui e na Galiza, com vantagem para esta última, onde a 9.ª arte atravessa há uma década um momento especialmente dinâmico e estimulante. E que é visível, por exemplo, na multiplicação de eventos dedicados à "banda deseñada", desde as históricas Xornadas de Ourense ou o Salón de Cangas ao já incontornável Viñetas desde o Atlântico, dirigido pelo mais prestigiado autor de BD galego, Miguelanxo Prado, ou na proliferação de publicações, independentes e colectivas, como "BD Banda", "Golfiño" (distribuída com o jornal "La Voz de Galícia"), ou "Barsowia".

Por cá, face a um mercado em contracção (ao contrário do espanhol, que recebe anualmente mais de 2000 títulos) e com os jornais de portas fechadas, os novos quadradinhos portugueses têm passado por edições independentes, de pequena tiragem e circulação limitada, como "Mocifão", "Gambuzine", "Efeméride", "Super Pig", "A Fórmula da Felicidade", "Noitadas, Deprês e Bubas", "Venham +5", "Tomorrow The Chinese Will Deliver The Pandas", "O filme da minha vida", "Murmúrios das Profundezas" ou "Zona Zero".

David Rubin, nascido em Ourense em 1977, é a principal atracção do encontro de Gaia. Dividido entre o desenho e a animação, é um dos rostos mais visíveis da nova BD galega, como co-fundador do colectivo Polaqia e pela obra que tem espalhado por inúmeras publicações e dois álbuns - "El circo del desaliento" e "La tetería del Oso Malayo" - em que dá largas ao seu traço realista distorcido, expressivo e muito legível, com que liberta narrativas curtas, mas fortes e bem estruturadas. Originais seus estarão igualmente na livraria/galeria Mundo Fantasma (C. C. Brasília), até 13 de Setembro, que a propósito editou um giclée numerado e assinado por Rubin.

Miguel Rocha e João Paulo Cotrim mostram em Gaia "As Lições de Salazar", um dos capítulos do premiado romance gráfico "Salazar - Agora, na hora da sua morte" (Parceria A. M. Pereira), uma visão desassombrada que desconstrói o mito do ditador, mostrando o seu lado humano, com muitas fragilidades e limitações. Cotrim, nascido na capital, em 1965, primeiro director da Bedeteca de Lisboa, é membro do projecto Gulbenkian/ Casa da Leitura e assessor do Centro Cultural de Belém, e tem uma vasta obra, aos quadradinhos e não só. Miguel Rocha, também lisboeta (1968), tem de-senvolvido um estilo original e personalizado em títulos como "A vida numa colher - Beterraba" e "MALITSKA".

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PROGRAMA

GAIA – CAPITAL DA CULTURA DO EIXO ATLÂNTICO

exposições de banda desenhada

Entre dia 19 e 31 de Agosto, a BIBLIOTECA de V. N. GAIA acolhe as exposições
AS LIÇÕES DE SALAZAR e DAVID RUBÍN, que estará presente dia 19 de Agosto, pelas 16H30.

É sabido que a BD tem tantas fronteiras quantas as da imaginação. Ou seja nenhumas.
Nas vinhetas que compõem uma prancha de BD, as imagens parecem limitadas, mas os nossos olhos logo saltam para a próxima e para a próxima... e a imagem continua...
As páginas que se sucedem caminham para um fim... que pode ser sempre um recomeço...
Fronteiras é portanto um conceito que a Banda Desenhada desdenha e contraria.
Coerentemente, num espaço de encontro como é o evento da Capital Cultural do Eixo Atlântico, a BD não podia faltar, afirmando esse grande país que é o da arte e o dos artistas.
Presentes, três autores e duas obras.
Uma (aparentemente) de especificidade portuguesa, a abordagem da personagem Salazar e dum período a preto e branco da História Portuguesa, com a exposição AS LIÇÕES DE SALAZAR, baseada na obra de João Paulo Cotrim (texto) e Miguel Rocha (desenhos), SALAZAR – AGORA, NA HORA DA SUA MORTE; outra a retrospectiva, com 25 originais, dum “xoven” autor galego que, fiel à história da BD, começa a galgar fronteiras e a dar-se a conhecer pelo mundo: DAVID RUBÍN.
Lado a lado ou frente a frente – mas nunca de costas voltadas. Já que estamos, orgulhosamente, num mundo sem fronteiras.

AS LIÇÕES DE SALAZAR
Uma época, um regime, um povo e, ao longe, o fantasma do ditador, tudo isso se dará a ver com apenas um capítulo de SALAZAR – AGORA, NA HORA DA SUA MORTE (Parceria A. M. Pereira, 2006) ampliado em 20 cópias únicas digitais. A partir da colecção de cartazes, editados em 1938, A Lição de Salazar, peça de propaganda que marcou gerações, somos levamos a espreitar o outro lado de cada uma das obras do Estado Novo. São momentos de grande esplendor gráfico, mas também de alguma violência. «As lições, se as houver, que as tire quem quiser. Na ida e volta aos confins da memória, nós contámos apenas o que vimos, com estes que a terra há-de comer».
SALAZAR – AGORA, NA HORA DA SUA MORTE, revelou-se um surpreendente romance gráfico, ao retratar a vida do ditador enquanto moribundo. Reunindo o consenso da crítica e as benesses do público (está na terceira edição) e vencedor de inúmeros prémios, por exemplo os do FIBDA 2006 (melhor álbum, melhor argumento, melhor desenho e prémio do público jovem), tem sido considerada por muitos como a melhor BD portuguesa de sempre.


DAVID RUBÍN

AS LIÇÕES DE SALAZAR

GAIA – CAPITAL DA CULTURA DO EIXO ATLÂNTICO

De 19 de Agosto 2009
a 31 de Agosto 2009
na Biblioteca Municipal de V. N. Gaia
Rua de Angola, s/n
4430-014 V.N. de Gaia
Contactos e informações
joserui@mundofantasma.com
Júlio Moreira

DAVID RUBÍN
Nasceu em Ourense em 1977. Desenhador e animador, começou na produtora de Ourense Limaía Produccións.
Continua ligado à animação, agora na produtora da Corunha, Dygra, onde tem realizado várias curtas metragens e uma longa metragem “Espíritu do bosque”. Trabalha actualmente na realização da sua segunda longa metragem “Holy Night!?”.
É um dos autores mais prolíficos da Galiza. Co-fundador do colectivo Polaqia em 2001 e actual presidente do mesmo, desenhou uma história escrita por Kike Benlloch no álbum colectivo Mmmh!!.
Contou com séries próprias nas principais revistas galegas: “BD Banda” (desde 2001) e “Barsowia” (desde 2003). Foi o autor de “Os Kinkilláns”, uma das séries mais populares da segunda etapa de “Golfiño” (La Voz de Galicia).
A sua banda desenhada viu a luz do dia em inúmeras publicações como “Tos”, “El fanzine enfermo”, “Humo”, “Interzona” (2007), “Ex Abrupto” (2008). Foi um dos autores que mais contribuiu para a segunda série da revista “Dos veces breve”.
“El circo del desaliento” (Astiberri 2005) foi o seu primeiro álbum monográfico, e inclui em castelhano a historia "Onde ninguén pode chegar", premio Castelao de BD. “La tetería del Oso Malayo”, o seu segundo álbum (Astiberri 2006), pelo qual recebeu o prémio Autor Revelação no Salão de Barcelona e foi finalista do Primeiro Prémio Nacional de Banda Desenhada de Espanha.
No final de 2008 publicou a adaptação em bd de “Romeo e Xulieta” (SM) com argumento de Ricardo Gómez, e “Cuaderno de Tormentas” (Planeta DeAgostini), que lhe valeu uma nomeação para o prémio de Melhor Desenho no Salão de Barcelona deste ano. Em finais de 2009 chegará às livrarias espanholas a sua nova obra, uma adaptação da lenda de Gustavo Adolfo Béquer, “O Monte das Ánimas”, também dada à estampa pela SM.

MIGUEL ROCHA nasceu em Lisboa, em 1968. Desde 1999 que conta histórias com imagens (bd, ilustração e teatro).
Colaborações em espectáculos: Com Francisco Campos: “O Passeio de Buster Keaton” de G. Lorca (gráfico); Sara Graça : “O funâmbulo” de J. Genet (marionetas); Eduardo Barreto: “Bruscamente no verão passado” de T. Williams (gráfico); Depois da Uma...: “Equimoses”, “Longe” de R. Lopes e P. Carraca (gráfico); Projecto Ruínas: “Guetto”, “As Ilustres Horas de Aerecticis”, “O império contra-ataca ou o Outono em Pequim”, “Comichão”, “Hans, o cavalo inteligente”, “O vizinho”, “Shadow Play” (gráfico); Baal17: “4 patas bom, 2 patas mau” a partir de G. Orwell (gráfico, aderecista e cenógrafo), com a Mala Voadora no espectáculo: “Philatelie”, “Hard 2” e ”Desempacotando” (texto), com Rui Horta “Scope” (texto).

Obra publicada:
“O enigma diabólico”, arg. José Abrantes, Quadradinho 1998, “Borda d’ água”, (1ªvs) 1999, LX comics , Bedeteca de Lisboa, “Dédalo”, Primata Comix 1999, ed. Polvo. “As pombinhas do sr. Leitão”, Alboom 1999, ed. Baleiazul (prémio Revelação - FIBDA 99, Melhor Album - FIBDS 2000) “Borda d’água”, (2ªvs) 2000, ed. Jornal “O Público” “Eduarda”, 2000 e 2001, “Prontuário”, ed. Polvo/Bedeteca (Melhor álbum - FIBDA 2000), “Março”, ed. Baleiazul, (Melhor desenho - FIBDA 2000), “{Malitska:}”, arg. Francisco Oliveira, 2001, Ed. Polvo, “A vida numa colher”, 2003, ed. Polvo (p/ Port. e Fran.), Devir (Esp.), (Melhor álbum e melhor desenho - FIBDA 2004), “Os touros de Tartessos”, 2004, arg. José Carlos Fernandes, Junta de Andalucia.

JOÃO PAULO COTRIM nasceu em Lisboa, em 1965. É coordenador da equipa do projecto Gulbenkian/Casa da Leitura e assessor do Centro Cultural de Belém. Dirige, com André Carrilho, o projecto www.spamcartoon.com. Guionista para filmes de animação (“Algo importante”, com João Fazenda; “Um degrau pode ser um mundo”, com Daniel Lima) e autor de, entre outros, “Combo – João Fazenda”, Assírio & Alvim, 2009 (ensaio) e “João Abel Manta – Caprichos e Desastres”, Assírio & Alvim, 2008 (ensaio); “Tango”, com ilustrações de Murai Toyonobu e fotografias de Rafael Navarro, Afrontamento, 2005 (ficção); “Fotobiografia de Rafael Bordalo Pinheiro”, Assírio & Alvim, 2005 (ensaio); “Nós Somos os Mouros”, com vários autores, Assírio & Alvim, 2003 (bd); «À Esquina», com Pedro Burgos, Campo das Letras, 2003 (bd).
Escreveu, ainda para a infância, entre outros, “A História Secreta de Pedro e o Lobo”, com João Fazenda, Assírio & Alvim, 2007; “A Árvore que dava olhos”, com Maria Keil, Calendário, 2007; “Canção da Onda, da Rocha e da Nuvem”, com Tiago Manuel, Afrontamento, 2005; “Viagem no Branco”, com Miguel Rocha, Afrontamento, 2004; “História de um Segredo”, com André Letria, Afrontamento, 2003.
Dirigiu desde a abertura, em 1996, até 2002, a Bedeteca de Lisboa. Foi director do Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada.

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JORNAL “I” DE 14/08/2009.

ESPECIALISTA BD

CRISTÓVÃO GOMES

Danny Rolling: o gosto dos outros

Em 1990 cinco estudantes universitários apareceram mortos. Os corpos estavam decepados como se Jack, o Estripador tivesse regressado e, junto a um dos cadáveres, jazia uma revista de BD chamada "Boiled Angel". Num momento de argúcia digna de Dupond e Dupont a polícia relacionou a revista com a chacina e acusou o desenhador Danny Rolling. A coisa resolveu-se com uns testes de ADN, mas a revista continuou no gabinete do Ministério Público e o procurador acabou por lê-la. Não achou graça nenhuma e acusou Rolling de obscenidade.

Em 1994 o Tribunal da Florida decidiu que Rolling era culpado uma vez que o seu trabalho "carecia de valor literário, artístico, político ou cientifico" e não podia comparar-se com "As Vinhas da Ira" ou a "Guernica" de Picasso. Rolling não tem talento para acrescentar o que quer que seja à BD. Mas acabou por ver o seu nome na história - ainda que numa nota de rodapé - por ter sido o primeiro desenhador condenado exclusivamente por razões de gosto. A decisão assentou num preconceito; que a BD é literatura infantil. E num equivoco; o de que aquilo que é ou não é arte pode ser determinado. Claro que Rolling ganhou alguma fama com o processo, mas não conseguiu aproveitá-la por lhe faltar substância. É, todavia, o melhor exemplo da menorização da BD em relação às artes tidas como sérias. Em 1933 o juiz John M. Woolsey autorizou a publicação nos EUA de "Ulisses" de James Joyce, contrariando a acusações de obscenidade que sobre ele pendiam. Só que, para a BD, nunca mais é 1933.

Escreve à sexta-feira

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XVI SALÃO INTERNACIONAL DE BD DE VISEU 2009

PROGRAMAÇÃO

• EXPOSIÇÕES: de 13 a 26 de Setembro 2009 – ENTRADAS LIVRES

Núcleos expositivos:

- Biblioteca Municipal (Coleccionismo na BD – Super - Heróis – colecção particular de Daniel Almeida, sócio do Gicav)

- Museu Grão Vasco - D. Afonso Henriques em traços largos – representações do rei conquistador na BD

- IPJ Viseu – País convidado – Roménia (Alexandru Ciubotariu, Marian Radu, Dodo Nita e outros); Pedro Massano – prémio Animarte BD 2008; Vasco Granja – homenagem; Galeria dos Super Heróis; Fanzine Luminus Fantasia (manga em português); Daniel Maia, Universo Manga – 19 propostas, Concurso Gicav 2009; Super - português (super heróis em português)

- Fórum Viseu – casa das artes – “O cavaleiro das trevas” – Batman a preto e branco

- Lugar do capitão – Hugo Teixeira – “Monótonos monólogos de um vagabundo”

• CICLO DE CINEMA (infância e juventude): de 21 a 25 de Setembro, no IPJ
(marcação prévia de turmas e grupos – os filmes a projectar: BOLT (EUA, 2008)- um cão transformado em Super-Herói de uma séria televisiva, vive num gigantesco cenário, acreditando nos seus super-poderes, sem consciência dos milagres que os efeitos especiais produzem na sua interpretação. Como numa fábula, Bolt vai querer conhecer os seus limites e viver a sua própria realidade; O HERÓI (China, 2002) - O Herói é uma super-produção chinesa, realizada por Zhang Yimou, cineasta que concebeu a cerimónia oficial de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Sete reinos lutam pela conquista do território que viria a formar a China. Com recurso a coreografias de grupo, efeitos especiais e novas tecnologias, consegue transformar o cinema popular de acção num filme de culto.

PAMPLINAS, o maquinista (EUA, 1927) - Buster Keaton, a par de Chaplin e Lloyd, completa o grande trio de cómicos do cinema mudo. No seu filme mais famoso, Pamplinas, Keaton expõe a sua coragem de dispensar duplos nas várias peripécias da história, e como um super-herói culmina a longa perseguição da locomotiva numa extraordinária cena de acção, com cenários e truques de realização grandiosos para a época.

• FEIRA DO LIVRO – DIAS 19 E 20 – IPJ – Livraria Dr. Kartoon – Coimbra (comics, bd franco – belga e nacional, …)

• SESSÃO DE AUTÓGRAFOS – com a presença dos artistas Pedro Massano, Daniel Maia, Hugo Teixeira; Catarina Guerreiro, Tânia e Telma Guita (fanzine Luminus Fantasia), os romenos Alexandru Ciubotariu, Marian Radu, Dodo Nita – dia 19, Sábado, pelas 18.00 Horas, no IPJ – salão de exposições

• ATRIBUIÇÃO PRÉMIO ANIMARTE 2008 (GICAV)– Pedro Massano – dia 19, 16.30H – IPJ ; atribuição de Menções Honrosas/Entrega de prémios do Concurso Gicav BD 2009

• LANÇAMENTOS EDITORIAIS: Dia 19 – 18.00 Horas : Revista Anim’arte N.º 72 (edição Gicav) ; Ilustre Gente da Beira II – Lafões (edição Gicav); Fanzine “Monótonos monólogos de um vagabundo” – entrevista com Hugo Teixeira – (Pedranocharco); apresentação do n.º2 do fanzine “Luminus Fantasia”

• ESPECTÁCULO TEATRO – DIA 19 – 21.30 Horas – Auditório IPJ – Quem és tu Afonso Henriques? – Companhia Teatro 3 – Gicav – entrada livre

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agosto 16, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #78

Pedro Cleto no Jornal de Notícias sobre os ZITS #13 – PIERCED, as bandas desenhadas sobre a falecida, dizem que talvez assassinada e que fez correr oceanos (rios é pouco) de tinta na imprensa, princesa de Gales, Diana Frances Spencer de Windsor e sobre a chanceler alemã Angela Merkel. Depois os 75 anos de LI'L ABNER.

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Texto na revista In’ de 8 de Agosto de 2009 ZITS #13 - PIERCED
Jerry Scott (argumento) e Jim Borgman (desenho)
Gradiva

Viagem atribulada ao quotidiano dos adolescentes “Zits”, uma tira diária de enorme sucesso, tem motivos de sobra para rir abertamente.

Menosprezados por alguns que as consideram “leitura menor”, as tiras humorísticas contam entre elas verdadeiras obras-primas como “The Peanuts”, “Calvin e Hobbes” e “Mutts”… Ou “Zits” (que o Jornal de Notícias publica diariamente, bem como outros 1600 jornais) literalmente “borbulhas”, ou não seja ela sobre a adolescência e a sempre complicada convivência com o acne e com (as) outras gerações, no caso Jeremy, o adolescente que a protagoniza, e os seus pais, pertencentes a um outro (e mui distante) tempo, sem computadores nem telemóveis, mas com músicas estranhas e rituais (levantar cedo, arrumar o quarto, chegar cedo a casa…) incompreensíveis.
Mas é com eles – e com os seus amigos, com destaque para Sara, Hector e Pierce – que Jeremy tem que (con)viver, embora no caso destes últimos, namorada e companheiros inseparáveis de escola, de banda e dos maravilhosos sonhos (quase sempre inatingíveis…) da juventude, tudo funcione bem melhor. O que não impede que também originem razões para o leitor sorrir ou mesmo gargalhar abertamente, recordando (ou esquecendo…) as situações idênticas por que passou/está a passar…
Para isso contribui a forma como Scott explana as situações quotidianas – aparentemente banais - por vezes em diálogos brilhantes, bem como o traço de Borgman, solto e bem trabalhado, pormenorizado quanto baste, com corpos e rostos hiper-expressivos e capaz de traduzir graficamente (e de forma literal) as emoções e experiências das personagens, seja uma cabeça que explode ou alguém que trepa pelas paredes, a invisibilidade dos progenitores, a deformação voluntária das medidas anatómicas ou a incompreensibilidade de algumas conversas.
Se tudo isto está em “Pierced”, 13º álbum da série, este distingue-se por ser uma colectânea dedicada a Pierce, tão valioso como amigo… quanto se vendido a peso no ferro-velho, devido aos inúmeros piercings, brincos e acessórios metálicos que ostenta! Idealista convicto de causas nem sempre defensáveis, nesta compilação de tiras, vê-se a coerência e consistência da personagem, dando razão a Maurice Tillieux (1921-1978), um dos grandes nomes da BD franco-belga, que um dia afirmou: “o herói é uma personagem que dificilmente animamos. São as personagens secundárias que fazem uma série”.

F. Cleto e Pina

“Zits” tem uma versão semi-animada, os "Zits Motion Comics", disponíveis gratuitamente em http://www.comicskingdom.com/index.php/zits-motion-comics.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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DIANA E MERKEL PASSAM A SER FIGURAS DE BD

10AGOSTO2009

F. CLETO E PINA

A princesa Diana de Gales e a chanceler alemã Angela Merkel, em princípio, nada têm em comum. No entanto, recentemente, as duas personalidades transformaram-se em figuras de banda desenhada.

Acaba de ser lançada nos Estados Unidos a biografia de Diana de Gales em banda desenhada. Intitulada simplesmente "Princess Diana", narra a sua vida desde pequena até à sua morte trágica, num acidente de viação, em Agosto de 1997, passando pelo seu casamento com o Príncipe Carlos e os posteriores desentendimentos que levaram à sua separação, não esquecendo a influência e popularidade que teve e que continuou mesmo após a sua morte.

Em formato comic, com 32 páginas a cores, é da autoria de Chris Arrant, Ryan Howe e Vinnie Tartamella, e é a primeira biografia de uma não-americana incluída na colecção "Female Force", da Bluewater Productions, dedicada a "mulheres notáveis que estão a moldar a história moderna", e por onde já passaram Hillary Clinton, Sarah Palin, Michelle Obama ou Caroline Kennedy. Condoleezza Rice, Oprah Winfrey e Stephenie Meyer, a autora do best-seller "Crepúsculo", são outros dos títulos já anunciados.

Esta colecção nasceu após o sucesso das biografias desenhadas de Barak Obama e John McCain, lançadas antes das últimas eleições presidenciais .
Entretanto, na Alemanha, as Editions Eichborn acabam de editar "Miss Tchormanie" (que é como quem diz "Miss Alemanha" com um forte acento germânico), um livro de cartoons dedicado a Ângela Merkel. Escrito por Miriam Hollstein e desenhado por Heiko Sakurai dá uma imagem agradável da primeira mulher a governar aquele país, facto a que poderão não ser alheias as eleições federais em Setembro próximo.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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O HONESTO LI'L ABNER NASCEU HÁ 75 ANOS NOS ESTADOS UNIDOS

13 AGOSTO2009

F. CLETO E PINA

Improvável neste tempo "globalizado", uma tira diária de banda desenhada ambientada no coração da América profunda era também algo original há 75 anos, quando, a 13 de Agosto de 1934, se estreou "Li'l Abner".

Mas que se entendia, numa América que começava a sair da crise em que a tinha mergulhado a Grande Depressão económica de 1929 e em que muitos defendiam o retorno às origens.

A sua acção desenrolava-se maioritariamente em Dagpotch, um espelho dos Estados Unidos, e o seu protagonista era Li'l Abner Yokum, um provinciano pouco inteligente e infantil que vivia uma existência simples com o pai e a mãe, apenas perturbada pelas aparições tempestuosas de Daisy Mae, uma loura de formas generosas com quem viria a casar.

A série era regida por um princípio simples: os Abner eram pobres mas honestos; o resto da humanidade, não, o que originava histórias divertidas, cujo tom ia do poético ao cínico, mas sempre com uma forte componente de crítica social e política, encabeçada por personagens imbecis e preguiçosas.
O seu criador foi Al Capp (pseudónimo de Alfred Gerald Caplin), que tinha sido assistente de Ham Fisher, em "Joe Palooka", antes de encontrar o sucesso com "Li'l Abner", que, depois de uma estreia modesta numa quinzena de jornais, teve um êxito retumbante que o levou a quase um milhar de periódicos nos anos 40 e a ser adaptado em folhetins televisivos e radiofónicos, numa comédia musical da Broadway (interpretada por Jerry Lewis) e numa longa-metragem (em 1959).

A par do registo burlesco e satírico, Capp, que foi indicado para o Nobel da Literatura por John Steinbeck, evidenciou um virtuosismo gráfico, assente num traço expressivo e dinâmico, numa boa utilização de sombras e numa legendagem original.

A partir de 24 de Fevereiro de 1935, "Li'l Abner", que foi publicado em Portugal pontualmente, passou também a ter uma prancha dominical, igualmente assinada por Capp, que animou a sua criação até ao fim, a 13 de Novembro de 1977, dois anos antes da sua própria morte.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro

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agosto 13, 2009

O V LUANDA CARTOON + DIVULGAÇÃO CHILICOMCARNE EXPOSIÇÃO ESTROMPA + DIVULGAÇÃO FECO

Aqui vai notícia sobre como correu o V Luanda Cartoon, via Angop. Seguem-se duas divulgações: a exposição da ChiliComCarne sobre o Tornado do Estrompa, mais trabalhos do José Lopes. Depois, o blog da FECO PORTUGAL, a Associação de cartoonistas, autores de banda desenhada e ilustradores portugueses.

Sábado teremos mais um BDpress e eventualmente a inauguração de uma nova rúbrica aqui no Kuentro, no domingo: o Kofi-Breyke !!!

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ANGOP – AGÊNCIA ANGOLA PRESS
07-08-2009 23:43

Festival
CITADINOS AFLUEM EM MASSA AO 6º FESTIVAL DE BANDA DESENHADA

Luanda - Pelo menos oitocentas pessoas, entre homens, mulheres e crianças, superlotaram sexta-feira, em Luanda o auditório "Pepetela", durante a abertura do 6º festival de banda desenhada e animação, denominado "Luanda - Cartoom 2009".

Com patrocínio oficial da operadora móvel "Unitel", o festival que vai decorrer de 7 a 28 do mês em curso, conta pela primeira vez com 25 expositores angolanos, entre desenhistas, cartoonistas, ilustradores e animadores profissionais e amadores.

O certame visa, entre outros objectivos, promover esta arte em Angola e estimular o surgimento de novos talentos.

Durante a cerimónia de abertura, foram exibidos desenhos animados de diversos profissonais, além de sessão de autógrafos de revistas e fanzines de banda desenhada.

Títulos como Estória mal contada, Bernardino Pedroto (Horácio Gibelto), Mistério (Albino Nobre), Celmira Machado/Unitel (Olímpio e Lindomar de Sousa), Sketcbook (Tché Gourgel) e Velha Dominda, são entre outros, os actrativos expostos no 6º festival de banda desenhada e animada.

O cartoonista Tché Gourgel considerou ser um "sucesso" o festival, a julgar pela adesão do público. "Não contamos com tanta gente assim, porque o ano passado não tivemos algo igual", disse.

O artista admitiu serem ainda muito reduzidos os apoios a esta classe, mas acredita que com este festival, mais ajudas surgirão para a promoção e desenvolvimento da arte.

"Temos esperança de transformar este festival num grande evento, de dimensão internacional, uma vez que a Unitel, patrocinador oficial deu gantias para esta evolução", sublinhou.

Acrescentou ser ainda embrionário a banda desenhada em Angola, devido a insuficiência de editoras e outros meios, por intermédio das quais pode expandir-se os trabalhos para o público.

Para terça-feira próxima (11), a exposição estará reservada para os estudantes do ensino básico e médio de algumas escolas e colégios de Luanda, e na sexta-feira (14), será reaberta a sessão de autógrafos de revista e fanzines de banda desenhada e de caricaturas ao vivo.

Já no dia 28 deste mês, data do encerramento do festival, será realizado no auditório Pepetela um pocket-Show, com MCK, Keyta Mayanda, Leornardo Wuti Edú ZP, e outros convidados.

Este evento conta também com o apoio da embaixada porguesa em Angola, assim como o ministério da Cultura.

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BLOGZINE DA CHILI COM CARNE

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Shock de calor na CHILI!

Entre 15 e 31 de Agosto – estão desde já convidados para a inauguração de Sábado, às 17h – estará patente na CHILI! uma exposição do fanzine Shock, com originais de Estrompa e José Lopes.

Este fanzine de bd é o mais antigo que existe em Portugal tendo passado por várias fases, desde a sua origem em 1983 e a sua recuperação em 1989 - fase que homenageava heróis de bd franco-belga, sim, vomitem agora! - tendo publicado vários autores como Pepedelrey, Lacas, Diniz Conefrey, Ricardo Blanco, Guima, Marina Palácio, Xanxa Cabrita, João Fazenda, Nuno Saraiva, Pedro Brito,… A partir de 1996, o fanzine passa a publicar quase que exclusivamente as bd’s de Estrompa, nomeadamente a série de bd Tornado (imagem), que é uma pastiche a Torpedo 1936 (de Abuli & Bernet), ao Bogart e ao cinema em geral mas numa amalgama espácio-temporal cuja acção passa-se na Nova Iorque mítica que tem o Casal Ventoso ou Monsanto como bairros vizinhos. Talvez seja a única bd que ao goza com a famosa “Sin City” de Frank Miller, mostrando o quanto é merdosa esta última é.

Em números mais recentes o Shock dedica-se ao Policial (negro ou às pintinhas cor-de-rosa) tendo José Lopes com um dos cúmplices deste crime-zine. A seguir, dois cadastros para quem é burocrata por estas coisas: Estrompa (Lisboa; 1942) é um dos autores mais queridos de algum fanzinato lisboeta tendo inspirado e incentivado muitos dos autores acima referidos nos seus inícios de carreira. Publicou no Tintin, Pão Comanteiga, Mosquito (5ª série), Selecções BD, Mutate & Survive (da Chili Com Carne), Mesinha de Cabeceira e na colecção Lx Comics (da Bedeteca de Lisboa). José Lopes (Nampula, Moçambique; 1977) é um autor de bd que se não fosse o ano passado a edição do livro “4 Salas, 4 Filmes" (pela Bonecos Rebeldes) poderíamos afirmar que seria um autor (injustamente) despercebido pelo público. As longas bd’s que publica em fanzines e livros de autor tem um trago poético ainda que o tema de fundo possa ser um assassino com pancada Asteca, como acontece com o fantástico Windigo.

Os autores estarão presentes para cortar na casaca!
CHILI! : RUA dos FANQUEIROS, 174, 1ºESQ. Lisboa ::: HORÁRIO: 2ª a 6ª feira das 12h30 às 20h. Sábados: 12h30 às 19h. Encerra para almoço das 15h às 16h.

O blog da Chili pode ser visto AQUI !!!

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Pois é, já temos aí a associação de Cartoonistas, autores de BD e Ilustradores, cujo blog pode ser visto AQUI.

Recebi há dias um email do Fernando Relvas, da longínquuuua Croácia, a sugerir a criação de uma associação de banda desenhistas (detesto esta palavra, prefiro autores de BD), pois o Zé Oliveira já tinha andado para a frente com uma coisa parecida e é esta FECO PORTUGAL, que já tem 30 associados. Não faz mal nenhum aderir, pagar a cotazinha e talvez daqui a uns tempos já se possa fazer pressing sobre os media e editores com a força da união.

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agosto 11, 2009

300º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 4 DE AGOSTO DE 2009

Os Encontros da Tertúlia BD de Lisboa atingiram, no dia 4 de Agosto, o número redondo dos 300!!!
E acabou por ser um Encontro especial, mais que não seja pela conjugação de vários factores: o Convidado Especial ser o Miguel Carneiro, que é professor do Curso de Banda Desenhada e Ilustração da Escola Superior Artística do Porto, no Pólo de Guimarães (e, como ele gosta de ser referido, membro do colectivo A MULA), a presença de Ruben de Carvalho, jornalista e Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (e, como toda a gente saberá, membro do PCP, já agora), e ainda a presença da Maria José Pereira, das Edições ASA. Esta conjugação de factores, serviu para termos um debate mais participado do que o costume aquando do diálogo com o Convidado Especial – especialmente sobre o curso Superior de BD e Ilustração, coisa para que o Miguel Carneiro não estava muito virado, uma vez que queria era falar da obra dele em BD e das iniciativas do colectivo a que pertence, pois claro.

Depois a coisa descambou para um animadíssimo debate no blogue de Geraldes Lino, Divulgando Banda Desenhada, com a entrada – até agora – de cerca de 60 comentários, que podem ser lidos AQUI !!! Nem tudo é coisa de onde se tire algum proveito, muitas ideias mal formadas (especialmente as políticas), muito comentário ressabiado, etc… mas vale sempre a pena passar os olhos por lá.

E, já agora, se Ruben de Carvalho soube da existência da Tertúlia de BD de Lisboa através deste vosso Kuentro, foi através da minha indicação pessoal que ele foi até lá. E gostei da maneira como a coisa correu. Deu, parece-me, um outro nível ao debate, quando o normal na Tertúlia é nem sequer haver debate…

Até a opinião radical do José Abrantes sobre a participação de “políticos” na Tertúlia (no referido debate do blogue Divulgando BD), prolongou o que foi dito no Encontro e deu para alargar a coisa à questão da tolerância de opiniões – tão falada actualmente por causa da directiva da ERC, embora sem grande precisão e sem se saber muito bem de que se estava a falar.

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Programa do 300º Encontro da TBDL com autógrafo do Convidado Especial no verso.

Miguel Borges Carneiro (Porto, 1980) obteve licenciatura em Artes Plásticas-Pintura, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto - FBAUP, entre 1998 e 2004 .
No último ano de faculdade conheceu Marco Mendes, tendo ambos fundado o colectivo editorial e artístico ''A Mula". Mas já antes, no período universitário, o interesse pela ilustração e banda desenhada se manifestara em Miguel Carneiro. Isso levou-o a editar os fanzines Ex-Man, Bom Apetite, Paint Sucks, Hum!Estou a Ver..., Lamb-Haert, Estou Careca e a Minha Cadela Vai Morrer, Cospe Aqui e Qu'Infemo (este em Jul.09, numa edição do colectivo ''A Mula'), onde voltou a aparecer o "Senhor Pinhão" ou ''Monsieur Pignon" que, juntamente com o "Sr. Frango", representam criações suas de
BD em registo "underground".
O seu talento foi já distinguido com um Grande Prémio de Desenho (''A Mula &
Senhorio", Porto 2009).
Miguel Carneiro tem exercido actividade de docente nas Unidades Curriculares de Projecto II, Processos e Métodos de BD, e Desenvolvimento de Personagens, no Curso Superior de Banda Desenhada e Ilustração, da Escola Superior Artística do Porto Polo de Guimarães, entre 2006 e o corrente ano de 2009.

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CONVIDADO ESPECIAL (biografia)

Miguel Carneiro (Porto, 1980). Vive e trabalha no Porto.
Foi ainda durante a minha licenciatura em Artes Plásticas-Pintura na FBAUP (1998/2004), que se manifestou o interesse pela ilustração, banda desenhada e as artes gráficas em geral. Tendo publicado alguns trabalhos em fanzines por convite, rapidamente comecei a editar as minhas próprias publicações e a procurar outros artistas para nelas colaborar. A par desta experiência de edição fui co-fundador do projecto PÊSSEGOpráSEMANA, uma plataforma artística sediada numa velha casa do centro do Porto. Durante 6 anos (2002-2007), organizamos um conjunto de diversos eventos, desde exposições de artes plásticas a concertos, debates, etc. Em 2004 conheci Marco Mendes e juntos fundamos o colectivo editorial e artístico A MULA, disposto a cruzar sinergias dos diferentes quadrantes ligados à banda desenhada, ilustração, artes plásticas e à edição independente em geral.

http://osgajosdamula.blogspot.com/
http://senhorpinhao.blogspot.com/

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Só foi distribuída a Folha Volante # 235:

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Transcrição do texto de João Miguel Lameiras, publicado no Diário As Beiras, de 11 de Julho 2009:

DOS FANZINES ÀS REVISTAS INDEPENDENTES

João Miguel Lameiras

Nos (bons e velhos) tempos em que tínhamos em Portugal um mercado de Banda Desenhada que funcionava normalmente, as revistas eram o meio ideal para os jovens autores apresentarem o seu trabalho ao grande público, ao mesmo tempo que iam evoluindo em contacto com outros colegas mais experimentados, sendo pagos para isso. Outra alternativa, eram os fanzines, publicações amadoras, normalmente fotocopiadas, feitas por fãs e para fãs, que contavam com uma distribuição mais restrita e não pagavam aos colaboradores, e os concursos de BD, organizados pelas Câmaras Municipais, ou outras instituições.

Se o fim das revistas profissionais de BD deixou os fanzines como principal alternativa de publicação para os novos autores, também é verdade que os progressos em termos de impressão (com o aparecimento da impressão digital, que tomou economicamente viável tiragens de 100, ou até menos, exemplares) faz com que muitos destes projectos actuais tenham mais aspecto de revista do que de fanzine.

É o caso, precisamente, dos 3 títulos que motivam este texto, que nos chegaram às mãos na sequência do Festival de Beja e que, apesar das óbvias diferenças que os separam, têm em comum a possibilidade que dão a jovens autores de dar a conhecer o seu trabalho aos potenciais leitores.

Publicado pela Bedeteca de Beja, o nº 6 do fanzine "Venham + 5" não tem a ambição da anterior edição, mas reúne ainda assim um número respeitável de autores (17); entre nomes consagrados de Portugal e Espanha e jovens saídos do Atelier Toupeira. Naturalmente, há óbvias variações de qualidade entre o trabalho de um Pedro Brito, ou de Ken Nimura, e de um Agonia Sampaio, autor que apesar de esforçado, não consegue esconder as suas limitações, mas entre os trabalhos mais interessantes, estão alguns autores da casa, como Susa Monteiro e Paulo Monteiro (apesar das óbvias influências de David B. no trabalho deste último).

Apesar de não contar com os apoios institucionais de "Venham + 5", a revista "Zona Zero" tem um excelente aspecto gráfico, sendo impressa a cores, em bom papel. Para além da presença do inevitável Agonia Sampaio, outro ponto de contacto com "Venham+5" é a falta de um fio condutor que ligue as diferentes histórias, ou de um critério definido na escolha dos colaboradores. O que não impede que, em termos gráficos (já quanto aos argumentos, infelizmente é outra história...) "Zona Zero” apresente alguns trabalhos de muito bom nível, como "ln Útero" de Manuel Morgado e Gustavo Carreira, e "Anomalia", de Fil, e mesmo Hugo Teixeira apresenta-se uns bons furos acima do seu trabalho em "Bang, Bang!". Mas para mim, até pela sua simplicidade, a colaboração mais interessante cabe a Ana Duarte Oliveira.

Finalmente, resta falar do nº 6 da revista "A Peste", orgulhosamente assumida como "a revista de, menor circulação em Portugal e arredores". Optando por um tom satírico-humoristico, de reflexão sobre a realidade circundante, que lembra revistas espanholas, como a "El Jueves", ou "TMeo", “A Peste" é dos três projectos analisados, aquele que tem uma linha editorial mais coerente. E, apesar da Banda Desenhada ocupar menos de um terço da revista, há a destacar o trabalho de Claudino Monteiro, autor da capa, contracapa e da principal história da revista, escrita pelo editor Eduardo D'Orey. Também há espaço para Teresa Câmara Pestana, no seu estilo inimitável, mas o ponto alto da Peste são os textos, alguns de conteúdo bastante discutível, mas bem escritos e, em alguns casos, como "Alta Fritura", de Alexandre Filho-Coelho, muito lúcidos e divertidos.

Cabe agora ao leitor descobrir estes projectos, disponíveis em Coimbra na Livraria Dr. Kartoon, e aos autores cujo trabalho eles ajudam a divulgar.

«Venham + 5» nº 6, Vários autores, Bedeteca de Beja, 64 pags., 5 €.
«Zona Zero» nº 1, Vários Autores, Editor – Fil, 36 págs., 8 €, www.zonabd.net
«A Peste» nº 6, Vários Autores, Editor – Eduardo D'Orey, 34 págs., 1,75 € www.myspace.com/apeste

O Tertúlia BDzine #142 foi do Álvaro e foi especiaaaal:
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E a segunda prancha da série 2 do COMIC JAM:

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Os participantes foram os seguintes:
1- Miguel Carneiro, Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa, no seu 300º Encontro.
Como sempre tem acontecido, o Convidado Especial é quem inicia a sequência do Comic Jam, criando a primeira vinheta.
2 - José Abrantes
3 - Hugo Teixeira
4 - Machado-Dias (que entrou na coisa à revelia do Geraldes Lino, que tinha os participantes muito bem previstos – por ele, claro, eh, eh…)
5 - Filipe Duarte
6 - Ricardo Cabrita

E tal como está documentado no TBDzine acima reproduzido, continuo de máquina fotográfica em punho, mas agora na versão vídeo. E desta vez, foram 29 minutos de imagem gravada, pelo que foi preciso dividir a coisa por três:

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Vídeo TBDL 300 parte 1

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Vídeo TBDL 300 parte 2

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Vídeo TBDL 300 parte 3

Para verem os vídeos é favor clicar em cima das imagens respectivas.

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agosto 07, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #77 - João Ramalho Santos nos JL de 15 e 29 de Julho + Cristóvão Gomes no jornal “i” de 17 de Julho e 7 de Agosto

Os recortes do BDpress – Recortes de Imprensa de hoje são de dois textos de João Ramalho Santos, publicados nas edições do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, de 15 e 29 de Julho passado, o primeiro sobre “A teoria do grão de areia”, última obra da série “Cidades Obscuras”, de François Schuiten e Benoit Peeters publicado pela ASA e o segundo sobre “A fórmula da felicidade” de Nuno Duarte e Osvaldo Medina, publicado pela Kingpin Books e onde o jornalista para inicio de conversa, faz uma abordagem interessante sobre a BD alternativa em Portugal.

Diga-se, já agora, que este tema da BD alternativa em Portugal, é analisado também por João Miguel Lameiras em texto publicado n’O Diário As Beiras, de 11 de Julho e que foi reproduzido na Folha Volante # 235 (distribuída por Geraldes Lino no 300º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, de 4 de Agosto) e que será também aqui postado em breve.

Seguem-se os textos de Cristóvão Gomes no jornal “i” de 17 de Julho e de 7 de Agosto, o primeiro sobre Chris Ware (enviado, como de costume pelo nosso amigo José Manuel Pinto) e o segundo sobre Chester Brown.

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INSÓLITOS

João Ramalho Santos

A parceria Público/ASA já teria sido muito interessante se só tivesse servido para trazer alguma banda desenhada a um público mais vasto; enquanto golpe publicitário se se quiser. Claro que subsistem interrogações. Vale a pena este esforço continuado? Os interessados são apenas movidos pela nostalgia ou há novos leitores em potência? Haverá frutos a longo prazo? Questões importantes, mas, num certo sentido, retóricas, até alguém fazer um estudo sério dos meandros do mercado nacional de banda desenhada, do sociológico ao económico. O que importa é que este tipo de iniciativas tem incluído também novas obras de relevo, de que é talvez exemplo maior o primeiro volume de A teoria do grão de areia, última obra da série “Cidades Obscuras”, de François Schuiten e Benoit Peeters.

Com álbuns publicados por vários editoras, o que faz com que permaneça inédito o segundo volume de “A fronteira invisível” (imediatamente anterior), é reconfortante saber que esta excelente série foi retomada pela ASA, já que tem características gráficas e narrativas únicas, do classissismo operático e evocativo do desenho de Schuiten, aos argumentos intrincados de fantástico, simbólico e humanista de Peeters.

“As Cidades Obscuras” têm lugar num universo paralelo, no qual a transição de séculos XIX-XX é polinizada com uma futurologia verniana e as Cidades tem uma relação enviesada com equivalentes no nosso mundo (Brüsel/Bruxelas, Pâhry/Paris, Urbicanda/Berlim) ou são homenagens artísticas (Blosfeldstadt). Cada volume da série tem, desde logo, uma identidade gráfica que o define, que marca a história. Em “A teoria do grão de areia” o formato italiano "deitado" constrange a grandiosidade das representações arquitectónicas; e o tom lúgubre e claustrofóbico resultante é reforçado pelo minucioso traço preto em fundo cinza (citando técnicas de gravura) no qual o branco (brilhante e "cego") surge como elemento perturbador. Em “As Cidades Obscuras” a acção é sempre desencadeada por um distúrbio insólito, algo que desequilibra, e cuja resolução implica questionar a ordem estabelecida. E na Cidade de Brüsel o que não falta são fenómenos inexplicáveis, "brancos". Um apartamento enche-se continuamente de areia, noutro materializam-se pedras com características específicas, um cozinheiro perde peso até começar a flutuar, uma casa afoga-se em estranhos ruídos nocturnos. A chave para todos estes fenómenos parece residir num estranho (em mais do que um sentido) indivíduo vindo do Oriente, cuja representação sugere ser árabe/muçulmano. Mais concretamente o fulcro para o caos instalado é um objecto (branco...) trazido por esse homem. Mas qual a ligação? E será possível entender este Outro (Homem, Objecto, Cultura) antes que a Cidade seja consumida pelo insólito? A resposta surgirá no segundo volume.

Como ficou sugerido acima, um dos elementos principais desta obra é a possibilidade de contacto e (in)compreensão Oriente-Ocidente.

Nesse sentido, é muito interessante tentar perceber a contribuição possível do humanismo "Obscuro" para esse diálogo. No entanto, também não é lícito escamotear a leitores atentos da série que “A teoria do grão de areia” não é um dos livros mais conseguidos de Schuiten e Peeters, embora isto só seja demonstrável com a conclusão deste díptico. Não pela auto-referência constante de projectos anteriores, algo que passará despercebido à maioria, mas mais por os autores não terem confiado nos seus dotes evocativo-simbólicos (como sucede nos fundamentais “A febre de Urbicanda” ou “A Torre”),forçando e amplificando a mensagem. O insólito nas “Cidades Obscuras” tem tido focos particulares; a questão é que, embora constrangendo apenas um indivíduo, consegue por em causa toda a lógica de uma Cidade.

Em “A teoria do grão de areia” a sua erupção é múltipla. O objectivo é sublinhar a urgência global da situação, o resultado final (tal como imagens televisivas repetidas exaustivamente) é a dessensitização.

É também interessante notar que todas as obras que passam por Brüsel/Bruxelas, cidade na qual os autores têm um forte investimento emocional, têm este excesso de insólito (basta ver, precisamente, o álbum “Brüsel”). No entanto, o elemento mas interessante a ter em conta (e a discutir com a publicação do segundo volume) é o modo como Schuiten e Peeters estão imersos numa certa tradição ocidental (gráfica, arquitectónica, narrativa), e a dificuldade (aparentemente não propositada) que revelam neste putativo diálogo Ocidente-Oriente, mesmo que simbólico, mesmo que ficcional. Já na leitura de “A fronteira invisível” isso era sugerido, e nesse caso o Oriente (os Balcãs/antiga União Soviética "Obscuros") era, passe a expressão, bastante menos Oriental. Apesar de ser claro que um episódio menos forte de “As Cidades Obscuras” é mais fundamental do que a maioria da produção bedéfila, este diálogo falhado (mesmo quando há vontade de o tomar ficcionalmente possível) não deixa de ser de certo modo sintomático da nossa contemporaneidade.•

AS CIDADES OBSCURAS: A teoria do grão de areia, volume I. Argumento de Benoit Peeters, desenhos de François Schuiten. ASA, i09 pp.,i5 euros.

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MATEMÁTICO

João Ramalho Santos

A banda desenhada alternativa, ou independente, ou iconoclasta, ou pessoal ou (auto) reflexiva nunca deixou de ter espaço em Portugal. Sempre em fanzines ou em projectos que cruzavam outras artes plásticas, institucionalmente a partir da actividade da Bedeteca de Lisboa. Da Chili com Carne ao “Venham + 5”, passando pela Imprensa Canalha, Mmmnnnrrrg, Gambuzine e Opuntia Books, entre muitas outras publicações e ideias, a sua presença recente (com cambiantes) é óbvia. Como todas as formas de BD tem qualidades e limitações, paladinos e detractores, obras e poses. Ninguém pode é dizer que está pouco desenvolvida entre nós. Pelo contrário. O que ainda não aconteceu na BD nacional foi o usar elementos cultivados nessas coordenadas para criar histórias interessantes que transcendam os nichos e cheguem a um público alargado, revolucionar o «mainstream».

Exactamente o que fizeram autores francófonos como Sfar, Trondheim, Larcenet ou David B.. Na verdade é pior do que isso, no sentido em que falta o «mainstream» português, apenas avistado aqui e ali; de tal modo que nos chegamos a entusiasmar com obras meramente competentes. Que dizer então quando surge um trabalho mesmo (mas mesmo) bom? “A fórmula da felicidade” (Nuno Duarte e Osvaldo Medina) é uma surpresa quase total, não fosse o reconhecimento imediato da opção gráfica tomada. É certo que no uso de animais antropomorfizados há influências de fábulas clássicas, mas é também evidente que essa influência se faz via a série “Blacksad”, quer em termos do traço de Juanjo Guarnido, quer no modo como Antonio Diaz Canales usa "características" dos animais para definir visualmente as personagens, sem dar atenção a possíveis incongruências.

Que uma égua tenha como amante um tigre e seja mãe de um cão, o qual, por sua vez, tem interesse amoroso por uma gata e é vitimizado por um boi é muito menos importante do que vincar simbolicamente que uma é viciada em «cavalo», outro um predador, outro leal e inteligente, outra emocionalmente distante, o último um bruto acéfalo. No entanto, se não se podia deixar de referir “Blacksad”, é igualmente justo dizer que “A fórmula da felicidade” e vai numa direcção distinta, a distância entre um policial hard-boiled «concreto» e aquilo que é, de facto, uma fábula.

O ponto de partida lembra o «sketch» dos Monty Python no qual se inventa (para fins militares...) uma piada tão engraçada que toda a gente morre (literalmente) a rir quando a ouve. Neste caso o jovem prodígio Victor sempre se refugiou no estudo, e concretamente na beleza da Matemática, para transcender as limitações de uma vida familiar e social difíceis. O seu entusiasmo/amor pelos números é evidente, como evidente é a dificuldade em o transmitir a alunos que apenas pretendem que o "programa" se cumpra, ou a amigos e conhecidos para quem o significado profundo das equações passa inteiramente ao lado (a Sociedade Portuguesa de Matemática devia prestar atenção a esta BD).

Até que um dia, ao desenvolver trabalho prático para a sua Tese, Victor consegue o impossível: representar quantitativamente a felicidade através de uma equação matemática. A qual, quando dita em voz alta, induz em quem a ouve um estado de mais pura exaltação, independentemente (e aqui entramos no domínio da fábula) de o visado perceber aquilo que a fórmula representa.

Como um poema sublime numa língua incompreensível que, no entanto, apenas parece ganhar alma pela boca do seu criador. O resultado deste milagre matemático é o desenvolvimento lógico de uma premissa que não o é tanto. Multidões anónimas rumam à casa de Victor, buscando aliviar a sua existência diária através de leituras da fórmula, prestando culto a uma força que não entendem. Por outro lado, o que antes era apenas uma curiosidade indemonstrável tomou-se agora um claro e apetecível instrumento de poder. Como todos os Profetas involuntários Victor pasma e contorce-se com a revolução no seu mundo, hesitando entre opções e oportunidades. O argumento de Nuno Duarte tem a inteligência subtil de mesclar complexidade com singeleza de modo a que o óbvio nunca o pareça. E que dizer do traço de Osvaldo Medina? Decorativo? Bonito? Correcto? Eficaz? Directo? Ao serviço pleno da narrativa? Tudo isso, e brilhantemente. Às vezes no meio nacional dá ideia ser quase pecado fazer este tipo de BD, quando é a que faz mais falta, até pela raridade (Rui Lacas é outro autor a citar a este nível).

Depois de alguns projectos interessantes (mesmo considerando as suas limitações) Mário Freitas e a Kingpin têm aqui, em potência, a sua primeira grande BD. Falta «apenas» a segunda parte (no fundo, conhecer como os autores abordam o final) para confirmar esta impressão.

A FÓRMULA DA FELICIDADE 1. Argumento de Nuno Duarte, desenhos de Osvaldo Medina, cores de Ana Freitas, Gisela Martins e Jorge Coelho, desenvolvimento Matemático de Filipe Oliveira. Kingpin Books, 46 pp., 12,95 euros.

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JORNAL “I” DE 17/07/2009.

ESPECIALISTA BD

Cristovão Gomes

CHRIS WARE, FALTA DE ATENÇÃO

Na obra de Chris Ware cruzam-se as principais referências da história da BD.A organização das pranchas remete para uma estética próxima de Winsor McCay; a estrutura narrativa mostra a confessada influência dos Peanuts de Schultz e foi Art Spiegelman quem o deu a conhecer ao mundo, quando o convidou para colaborar na revista "RAW”. Nasceu em 1967 no Nebraska e foi o pesadelo em que se tomou a sua vida escolar que o fez refugiar-se entre lápis e desenhos. Na Universidade do Texas inicia a sua colaboração em jornais.
A originalidade conquistou-lhe privilégios pouco comuns, como páginas inteiras quando outros desenhadores viam o seu espaço minguar. Encheu esse espaço com a sua geometria limpa e precisa, usando pormenores microscópicos que transformam cada um dos desenhos num enigma que é preciso ir decifrando. Ware subverteu a maneira como vemos as tiras de jornal porque exige a quem o lê uma atenção que há muito está afastada do quotidiano. As historias que acompanham os desenhos são minimalistas, ancoradas no pormenor, e desenvolvem-se de forma imprecisa e circular, deixando ao leitor o desafio de perceber onde começam e onde acabam. O sucesso permitiu-lhe editar em nome próprio a série ACME Novelty Library, um conjunto de livros onde recolhe as tiras já publicadas e experimenta histórias novas. Em 2000 editou o romance gráfico "Jimmy Corrigan: The Smartest Kid on Earth", um registo autobiográfico cheio das minúcias que lhe adjectivam a obra.
As mesmas que lhe tolhem a vida.

Escreve à sexta-feira

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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JORNAL “I” DE 7/08/2009.

CHESTER BROWN, DESENHO AUTOMÁTICO

Cristóvão Gomes

Nasceu em 1960, em Montreal, com vontade de ser pintor. Mas vislumbrou a possibilidade de uma carreira a desenhar super-heróis e por isso visitou os estúdios da Marvel e da DC em
Nova Iorque. Elogiaram-no e encorajaram-no a voltar daí a um ano. Foi o que fez, mas passado um ano aconteceu a mesma coisa: "Volta daqui a um ano." Já não voltou.
Mudou-se para Toronto, começou a fotocopiar as suas histórias para as reunir numa revista chamada ''Yummy Fur". Foi assim que deu a conhecer as histórias de "Ed The Happy Clown", um palhaço demasiado pueril para viver entre os homens.
Brown explorou o subconsciente como antes o haviam feito os surrealistas e o resultado foi uma espécie de escrita automática em versão desenhada. Esta mini revista chamou a atenção das grandes editoras e rapidamente a Vortex lhe ofereceu a possibilidade de editarem livro. Em 1991 passou para a Drawn&Quarterlye lançou “The Playboy", "I Never Liked You” e ''Little Man: Short Strips, 1980-1995".
Em 2006 desenhou a biografia de Louis Riel - um politico indígena canadiano que enfrentou o governo central. Porque Brown é fortemente politizado, milita no Partido Libertário do Canadá e é um confessado entusiasta do estado mínimo. E é profundamente crente. Desenhou parte dos evangelhos – até agora só completou o de Marcos - mas quer desenhá-los todos. Curiosamente, apesar de ser uma adaptação quase literal do texto bíblico, foi muito mal recebida. Porque os desenhou feios e há quem não goste de ver o lado feio da vida

Escreve à sexta-feira

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agosto 05, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #76 - Saíu o último livro da colecção "clássicos da revista Tintin" com o Público + José Vítor Malheiros escreve sobre "Dilbert" no Público + Tema: Cosplay

Carlos Pessoa apresentou no Público de dia 31 de Julho (em página que, devido a gralha estava datada de 24 de Julho como poderão ver), o último álbum da colecção “Clássicos da revista Tintin”, que saiu hoje. Nessa mesma edição do Público, o excelente texto de José Vítor Malheiros sobre “Dilbert”, de Scott Adams, de que a Asa editou há poucos meses “Dilbert – Ideias Luminosas”. Depois – também do Público, na P2 - um texto sobre o Cosplay na China e, a seguir o scan do artigo de Pedro Cleto sobre os 50 anos de Asterix, no Jornal de Notícias, de que reproduzimos aqui o respectivo texto à poucos dias, mas não resisti em colocar a imagem pela curiosidade da ilustração com que saiu no JN.

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Público - Sexta-feira 24 Julho 2009 -35

LESTER COCKNEY NO 12º ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN

O bom rebelde

Lester Cockney

Quarta-feira. 5 de Agosto
Por + 6,90 euros

Carlos Pessoa

Inconformista e refractário à autoridade, colérico, dotado com uma audácia e uma coragem a raiar a inconsciência - podia ser este o breve retrato psicológico de Lester Cockney, o herói irlandês de banda desenhada criado por Franz que surgiu pela primeira vez na revista Tintin em 4 de Julho de 1980.
O registo aventureiro da série integra se plenamente numa tradição cara à banda desenhada - a que faz o herói viver situações arriscadas, confrontado com peripécias agitadas e antagonistas perigosos, pondo à prova o seu código de honra, o sentido de justiça e também a sua coragem individual.

Tudo isto está presente na sucessão de aventuras que levam Lester Cockney do Meganistão à Índia e desta à Europa central, onde salva a vida a uma condessa húngara e conhece Taranna, uma bonita indiana com um temperamento sulfuroso.

Regressa em seguida à Irlanda, onde se dá mal com a tutela inglesa sobre o país e que faz partir de novo.

Condimentando de forma subtil o enredo aventureiro com a trama de afectos e emoções que caracterizam a relação entre as três personagens, Franz compõe uma série realista consistente e muito credível.

As duas aventuras que compõem este álbum, inéditas em Portugal, correspondem a uma fase de plena maturidade, tanto da obra como do autor.

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Imagens da responsabilidade do Kuentro.

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Página de Rosto José Vítor Malheiros

A VIDA SEGUNDO SCOTT ADAMS

"O objectivo de um plano é disfarçar
O facto de que você não faz a mínima
ideia do que devia estar a fazer."
Scott Adams, in “Dilbert's Guide to
the rest of your life”

Declaração de interesses: sou um fã. Não sei há quantos anos conheço o Dilbert, mas fiquei fã desde a primeira vez. Há naquela candura e naquele laconismo tanta agudeza e tanta verdade que não podem deixar de nos cativar.
Ao princípio achava-as apenas divertidas e bem-dispostas. Depois (à medida que foi crescendo a minha experiência das coisas das empresas) percebi que afinal era tudo verdade e ao sorriso somou-se aquele frisson e aquele awe de estar a assistir à descrição do mundo tal como ele é.
As tiras do Dilbert têm a mesma qualidade ácida dos Simpsons dos primeiros tempos mas ainda menos esperança na espécie humana, só que com a vantagem adicional de nos falarem das empresas onde trabalhamos e que são mesmo assim, com administradores sem escrúpulos, com directores irresponsáveis, chefes estúpidos, capatazes servis, cow-orkers (sim, é esta a grafia certa no mundo Dilbert) dispostos a matar o colega para ter uma promoção, com objectivos incompreensíveis, normas irracionais, reino da arbitrariedade, do desperdício e da coerção e sem sequer uma camada fininha de humanidade para salvar as aparências.
Reconhece? Não? A descrição parece-lhe exagerada, não é? Agora leia algumas das tiras do Dilbert (que é, explique-se, um pacato e sensato engenheiro informático numa grande empresa que faz coisas que nunca se percebe o que são). Reconhece alguém? E não acha que aquilo é desumano/estúpido/irresponsável? I rest my case.

Quer exemplos? Escolha-se um deste mês, de entre os mais de 7000 possíveis (a tira fez 20 anos em 16 de Abril passado).

Chefe: Dilbert, quero que e faça uma auditoria ao software que temos nos nossos sistemas.
Dilbert: Porquê?
Chefe: Para que possamos saber o que temos.
Dilbert: Quem é que vai usar essa informação?
Chefe (explicando o óbvio): É uma informação que é importante ter.
Dilbert: Mas a informação vai estar desactualizada antes que eu acabe o trabalho.
Chefe: Faça da melhor maneira possível.
Dilbert (sempre racional): A melhor maneira possível de compilar informação incorrecta que ninguém vai usar é inventá-la.

Epílogo. Chefe (falando com Catbert, o malvado Director de Recursos Humanos): Espero que nunca venha cá ninguém para estudar as nossas boas práticas.

De onde vêm estas ideias todas? Como é que o autor de Dilbert, Scott Adams, sabe tudo?
Obviamente, ele conheceu este mundo empresarial por dentro. Há ali experiência que não se aprende nos livros.
Adams, hoje com 52 anos, estudou Economia em Nova Iorque e foi trabalhar para um banco em São Francisco, onde esteve sete anos - e onde conheceu muitos engenheiros informáticos (Adams já revelou que Dilbert se baseia numa pessoa real, mas essa pessoa não sabe e ele não diz quem é). Depois de sair do banco, fez um MBA e entrou para a empresa de telecomunicações Pacific BeIl. Começou a publicar o Dilbert - Adams diz que aprendeu a desenhar com grande esforço - quando entrou para a BeIl e manteve-se na empresa durante seis anos, mesmo quando o Dilbert já era um enorme sucesso. Hoje, a tira é publicada em 2000 jornais, em 65 países e 25 línguas. Uma das edições com mais êxito é publicada na Elbónia. Em Portugal, Dilbert é publicado pelas Edições Asa.

Mas não é só à sua experiência que Adams - vegetariano e hipnotizador diplomado – vai buscar histórias. Há muitos anos que a sua principal fonte de ideias são os seus leitores, que lhe contam o que acontece nas suas empresas e que vêm desabafar no seu mail. Acha que não é possível que Dilbert seja baseado em histórias reais? É porque nunca ouviu falar daquela empresa que substituiu os computadores desktop por portáteis e aparafusou os portáteis às secretárias. A empresa teve razões sólidas para ambas as decisões: a compra dos portáteis destinou-se a permitir que os trabalhadores usassem os computadores durante as suas deslocações (um objectivo razoável) e o seu aparafusamento às secretárias destinou-se a evitar roubos (outro objectivo razoável). Faça a experiência: tente ouvir a voz do seu chefe a dar estas explicações. Fácil, não é? Eu também podia dar exemplos pessoais, mas só me deram uma página para escrever este texto.
A contribuição dos leitores é aliás o grande truque do êxito de Scott Adams e deve-se a algo que ele diz que aprendeu no MBA. A maior parte dos cartoonistas faz um cartoon e manda-o para um agente que o manda para um jornal que o recusa ou aceita. Assim, a única interacção do autor é com o agente (às vezes também com um amigo que vem beber uma cerveja, mas ele pode não ter paciência para ver os cartoons todos). O autor sabe quando o agente ri ou não, mas não faz a mínima ideia da reacção dos leitores. "O cartoonista nunca sabe se o leitor ri ou não ri. É uma via de sentido único", explica Adams numa entrevista dada à revista BizEd em 2002.
Adams percebeu que esta era uma falha importante do negócio e, em 1993, decidiu incluir o seu endereço de email nos cartoons para receber feedback. Foi assim que nasceu Dilbert tal como o conhecemos hoje.
Ao princípio Dilbert aparecia em casa disseram que gostavam mais das tiras passadas no escritório e Dilbert começou a passar mais tempo no trabalho. No fundo – e eu sei que é horrível admitir isto - Dilbert é fruto de um sofisticado marketing. E Adams tornou-se imensamente rico à sua conta. Ele não diz quanto, mas concede que ganha muito mais do que merece.
A aposta na relação com os leitores prosseguiu: o site de Dilbert, por exemplo, é completamente grátis e permite ver, guardar e enviar cartoons aos amigos ou até editá-los (os cartoons).

Scott Adams, porém, se não é um Jedi, não se passou completamente para o Dark Side. Adams diz que a gestão é o Mal - só que pensa que isso é inevitável: "A gestão é, basicamente, um ramo do mal", explica na mesma entrevista.
"Quando digo 'mal' quero dizer que as pessoas fazem coisas que são boas para si à custa das outras pessoas. E essa é a essência da gestão. E o objectivo da liderança é levar as pessoas a fazer coisas que nunca quereriam fazer por si sós. Portanto, de certo ponto de vista, toda a liderança torna as pessoas infelizes. Não é possível ser um gestor eficaz e não ser mau." Adams dizia isto em 2002, quando já tinha saído da BeIl há sete anos e quando era accionista (mas não gestor) de um restaurante com duas filiais e fundador e gestor de uma empresa de comida saudável (que fechou em 2003). Mas em 2007 Adams começou a envolver-se directamente na gestão dos seus restaurantes - para lamento dos seus funcionários. Adams tenta não repetir os erros dos seus personagens, mas diz que é inevitável - e os seus empregados confirmam.

Há quem ache que Dilbert é uma poderosa arma anticapitalista e um exemplo de activismo anti-corporate, mas Marx não gostaria do Dilbert. A verdade é que Dilbert é uma insider joke e não ataca mortalmente o coração pérfido do sistema, apenas lhe faz cócegas. O cartoon é uma excelente válvula de escape para as críticas intra-empresariais e é muito apreciado pelos gestores, que nunca se revêem nas safadezas cretinas do Pointy-Haired Boss, na perversidade de Catbert, o malvado director de Recursos Humanos, ou na cupidez do CEO Dogbert. Mas nós sabemos que eles são assim.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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COSPLAY – VESTIR-SE TAL E QUAL COMO AS PERSONAGENS…

Vivem presos entre a realidade e a fantasia, ao ponto de se vestirem com as roupas das personagens de animação e dos jogos de vídeo de que tanto gostam. Se duvida, basta olhar para esta imagem obtida numa competição na China (sim, há competições) de cosplay, o termo que junta as expressões inglesas costume role play, que envolve vestir-se e maquilhar-se tal e qual como as personagens de livros de banda desenhada, filmes ou vídeojogos. Com origens na cultura pop japonesa, há duas décadas, o cosplay está a fazer as delícias dos chineses. Estão a levar o cosplay tão a sério que a edição deste ano da Chinajoy, uma grande exposição de jogos vídeo, em Xangai, atraiu 20 mil participantes nas várias competições. A loucura é tal que os participantes ocupam grande parte do ano a prepararem-se para este momento, como é o caso de Zhao Jing, de 23 anos. Faz parte de uma equipa de 36 membros, que há meses ensaia, entre três a cinco horas por dia, os 12 minutos do jogo Soul of the Ultimate Nanon. "Não posso trabalhar a tempo inteiro", admite Zhao. Os seus esforços não foram em vão, pois em 2008 a sua equipa foi escolhida para representar a China na conferência mundial de cosplay, no Japão. Para eles, não há nada como batalhas imaginárias, armas fantásticas e personagens com poderes incríveis.

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E já agora podem ler as melhores AS LEITURAS DO PEDRO Cleto em Julho passado.

Publicado por jmachado em 08:42 PM | Comentários (0) | TrackBack