setembro 15, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #86 - CARLOS PESSOA NO PÚBLICO DE 11 DE SETEMBRO: O LANÇAMENTO DO TERCEIRO ÁLBUM DE “OS PASSAGEIROS DO VENTO” DE BOURGEON: “A FEITORIA DE JUDÁ”.

Depois do recorte do Público, introduzimos “um pouco de História”, já agora, uma vez que no álbum se fala da “feitoria do portugueses” e foram de facto os portugueses a assentar lugar na “costa do ouro” do Golfo da Guiné sobretudo para negociar ouro! Também escravos, claro, que faziam parte da economia da época (aliás desde a mais remota antiguidade). E foi por causa dos escravos – para o Brasil – que se construiu a fortaleza de S.João Baptista de Ajudá…

Fica também o convite de André Oliveira para o lançamento do seu livro “Senhora Nossa Mãe”.

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Público • Sexta-feira 11 Setembro 2009

“A Feitoria de Judá”, terceiro álbum da série “Os Passageiros do Vento”

AO ENCONTRO DE ÁFRICA

A FEITORIA DE JUDÁ
Quarta-feira, 16 de Setembro
Por + 6,50 euros


Carlos Pessoa

Com a partida do porto francês de Nantes, inicia-se o ciclo africano das aventuras de Isa, Roei e demais companheiros de viagem. O destino é a baía de Judá, onde os heróis vão ter o primeiro contacto directo com a problemática colonial, os seus tráficos vários e códigos particulares. Praticamente lado a lado, encontram-se os fortes de Saint-Louis de Grégory e William. Franceses e ingleses, que se digladiam no palco europeu pela supremacia militar e económica, são obrigados a coexistir num território, também marcado pela presença portuguesa em S.João de Ajudá, onde a complexidade do real acaba por se reduzir a uma equação simples: "Aqui, antes de mais nada, ou se é branco ou negro... rico ou pobre... livre ou escravo!", diz um dos tripulantes, à vista da costa africana.

Para realizar este episódio, François Bourgeon vasculhou nos arquivos históricos uma vez mais para proporcionar aos seus leitores uma recriação, admiravelmente minuciosa, dos palcos da aventura. Na concretização das fortificações, das paisagens africanas, dos hábitos ou do vestuário, encontrar-se-á a mesma exigência de autenticidade e verosimilhança já observada na abordagem dos ambientes de marinha do século XVIII.

Tendo aparecido no álbum O Pontão, Mary vai rapidamente ocupar um lugar de destaque no desenvolvimento da série. A biografia desta personagem é reduzida. Como Isa, não tem mãe, mas o pai é um rico e poderoso comerciante inglês, com interesses na produção de armamento do seu pais. Pertence, pois, a uma classe social que não deixará de se afirmar nas décadas seguintes. Loira e de olhos verdes, começa por se comportar como uma criança mimada, mas rapidamente se apercebe do efeito que o seu ar felino exerce sobre os que a rodeiam. Tal como lsa, é uma mulher que desperta paixões e suscita cobiça, às quais responde com uma personalidade muito forte. Mary não esconde o corpo nem disfarça os seus afectos, irradiando uma poderosa carga erótica que constitui um dos motores essenciais da narrativa. Simultaneamente mãe e amante, meiga e áspera, é possivelmente a mais voluntariosa das personagens de Os Passageiros do Vento.

O Álbum

Isa, Roei, Mary, John e a filha dos dois últimos, Enora, viajam a bordo de um navio negreiro.
Comandado pelo capitão Boisboeuf, o Marie-Caroline dirige-se para o reino do Daomé para embarcar escravos. À chegada ao Forte Saint-Louis de Grégory, Estienne de Viaroux, Olivier de Montaguere e Louis Paul de Genest, três elementos da administração colonial francesa, fazem uma aposta sobre Isa, que o primeiro tentará seduzir em troca da anulação das dívidas de jogo... A Feitoria de Judá, terceiro capitulo da série Os Passageiros do Vento, foi publicado pela primeira vez na revista Circus entre Novembro de 1980 e Maio de 1981.

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Capa da Edição Meribérica e prancha.
Imagens da responsabilidade do Kuentro.

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UM POUCO DE HISTÓRIA…

A fortaleza de S. Jorge da Mina, em Aldeia das Duas Partes – actual Elmina, lugar turístico hoje obrigatório da república do Gana, foi mandada construir por D.João II em 1482. Foi ocupada pelos holandeses em 1637 e pelos ingleses em 1873. Foi construída segundo traça característica dos castelos de fronteira portugueses, com material pré-fabricado em Portugal (pedra, madeiras aparelhadas, etc…), transportado em caravelas e urcas e montada no lugar em cerca de 30 dias. Considerada a mais antiga das fortificações europeias ao Sul do deserto do Saara, foi declarada Património Mundial pela Unesco e tem sido objecto de sucessivos trabalhos de conservação e restauro pelo Governo do Gana.

Ali passaram a ser trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas ("zimbo"), por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI. O comércio do ouro da Mina, foi a fonte principal do financiamento da empresa da Índia no reinado de D.Manuel I. Os escravos vieram sobretudo com o desenvolvimento do Brasil, a que está ligada a construção de São João Baptista de Ajudá.

Esta é uma das fortalezas (feitoria referida como a “dos portugueses”) que aparece no álbum “A Feitoria de Judá” data do final do século XVIII. O rei D.Pedro II de Portugal (1667-1705) incumbiu o Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo Abreu, de erguer uma fortificação na povoação de Ouidah (daí o nome de Ajudá), para proteger os embarques de escravos (1680 ou 1681). Posteriormente reformulado, entre 1721 e 1730 com uma nova estrutura, com obras a cargo do comerciante brasileiro de escravos José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais arrecadados pelos comerciantes da capitania da Bahia, mediante a cobrança de um imposto sobre os escravos africanos desembarcados na cidade do Salvador.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico se alterou, oferecendo produtos manufacturados europeus, os produtos eram contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais artigos fossem transportados em navios brasileiros.

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, passando a ser defendidas por guarnições inglesas as fortificações pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se colónia francesa a partir de 1892, obtendo a independência em 1 de Agosto de 1960, quando se transformou em República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colónia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de Julho do mesmo ano. Sem condições para oferecer resistência, o governo de Oliveira Salazar ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades do Daomé, vindo as suas instalações a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim (1967).

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo os trabalhos de recuperação e restauro do forte sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

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Via Google podemos "ver" as fortalezas referidas...

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A fortaleza de S. Jorge da Mina (Elmina) actualmente.

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S. João Baptista de Ajudá (Ouidah), na actualidade.
O traçado da fortaleza/feitoria de Ajudá pode ver-se na foto de satélite do Google...

Texto e fotos da responsabilidade de J. Machado-Dias.

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O CONVITE DE ANDRÉ OLIVEIRA

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Publicado por jmachado em setembro 15, 2009 09:40 PM | TrackBack
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