setembro 25, 2009

"SEBASTIÃO REENCARNADO, O GRANDE ENEVOADO" - UMA BD DE ALVARO PARA O DIA DE REFLEXAO

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VER REVISTA ModaFoca.

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setembro 22, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #88 - MAIS BD NO PÚBLICO + UM NÃO RECORTE: UM ANÚNCIO DA CHILICOMCARNE PARA SÁBADO PRÓXIMO.

Carlos Pessoa no Público de dia 18 fala sobre o álbum (o 4º) de “Os Passageiros do vento”, “A Hora da Serpente”, que sai amanhã, quarta feira com o jornal. E a ChiliComCarne convida o pessoal bedéfilo a ir até ao jardim Visconde da Luz em Cascais (no meio do caos acústico de VRBLS e Feedback My Homeboy - concertos que deverão decorrer pelas 18h) para apresentar a nova antologia de BD da CCC, com pistas para os que querem participar.

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Público • Sexta-feira 18 Setembro 2009

A Hora da Serpente, quarto álbum da colecção “Os Passageiros do Vento”

CHOQUE DE CULTURAS

“A Hora da Serpente”
Quarta-feira, 23 de Setembro
Por + 6,50euros

Carlos Pessoa

Em Agosto de 1781, Isa viaja para Abomey, capital do reino africano de Kpengla. Formalmente, a embaixada ocidental irá assistir ao julgamento de duas das mulheres do rei. Na prática, a corte é o palco de um braço-de-ferro diplomático em que está em jogo a vida da heroína e de Hoel, o seu companheiro de aventura.

A Hora da Serpente, quarto volume do ciclo Os Passageiros do Vento, proporciona um novo confronto das personagens da narrativa com a História. Animada por um espírito de equidade e independência, Isa tenta amenizar o seu funesto destino africano com a recolha sistemática de informação sobre o tráfico de escravos.

A compilação desses dados ao longo da viagem permitirá denunciar no futuro uma actividade eticamente condenável, mas que tanto proveito trouxe às potências europeias. Mas é sobretudo a luta pela sobrevivência individual, na espuma do choque de culturas em pleno palco tropical, que confere à saga de Bourgeon toda a sua grandeza dramática. O regresso de Isa à Europa a bordo de um navio negreiro é um virar de página no percurso dos protagonistas.

Aouan é o grande aliado de Isa nesta passagem por África. Diz de si próprio que "não é mais do que umpreto", mas o porte altivo e a segurança de conduta desmentem por completo tal autoavaliação. É um homem orgulhoso da sua condição, que nutre um profundo desprezo pelos costumes dos brancos corruptos e esclavagistas, mas que também não esconde a distância face aos da sua raça. Objectivamente, é um negro assimilado que ganha a vida prestando serviços aos brancos, cujos tiques soube interiorizar. Nesse sentido, incarna a figura do colonizado que, por mimetismo, se comporta quase como um ocidental. A relação entre Isa e Aouan rege-se por um pragmatismo total, mas não é isenta de um mal disfarçado fascínio recíproco, bem traduzido pela repetida expressão do africano "Mamisa não é mais do que uma mulher e Aouan é só um preto". O vínculo que os liga ínterrompe-se brutalmente neste episódio, quando perde a vida para defender a heroína do ataque de um leão.

O ÁLBUM

Isa desloca-se à corte de Kpengla. onde assiste a um julgamento em que duas das esposas do rei africano são condenadas à morte por adultério. De facto. é submetida a uma prova depois de ter estado envolvida na morte de dois súbditos do rei. Sai-se tão bem que fica sob a protecção de Kpengla. sendo-lhe oferecida uma escrava que ajudará a recuperar Hoel. vítima de envenenamento por parte dos inimigos da heroína.

“A Hora da Serpente” quarto volume da série Os Passageiros do Vento (argumento e desenho de François Bourgeon). foi publicado pela primeira vez na revista Circus (Dezembro de 1981 a Junho de 1982).

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Capa da edição da Meribérica.

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Imagens da responsabilidade do Kuentro.

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A Chili Com Carne prepara nova antologia de banda desenhada para lançar ainda este ano - a ideia será aparesentada já este Sábado, no Jardim Visconde da Luz em Cascais, no meio do caos acústico de VRBLS e Feedback My Homeboy - concertos que deverão decorrer pelas 18h.

Antes disso, desde as 16h, a CCC estará no Jardim com as suas edições e dos seus associados (Bela Trampa, El Pep, Hülülülü, Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG, Opuntia Books) para mostrar trabalho feito e explicar de forma pessoal o que se pretende desta nova antologia.

Para quem não pode esperar, eis a proposta:

Costuma-se dizer que nos anos zero dos séculos (e dos milénios) não costuma "acontecer nada" que marque a História. Engane-se aquele quem quiser ser enganado porque pelos menos desta vez, os dez primeiros anos do Novo Milénio foram cheios de acontecimentos trágicos e geradores de paradigmas.

É neste espaço que propomos uma antologia de bd que não querendo ser um documento histórico dos primeiros 10 anos do milénio 2000 nem um compêndio de futurologia bacoca, quer apanhar pelo menos 10 novos autores da banda desenhada portuguesa para refletirem a sua existência nestes tempos "estranhos" (os tempos não são sempre estranhos?) já que a produção nacional, devido a demasiados defeitos para agora aqui referir, quase nunca reflecte o zeitgeist.

Pedimos trabalhos
- de bd
- pelo menos de 4 páginas, sem limite máximo
- a duas cores (entregar em CD, ficheiros TIFF com layers das cores separadas)
- a autores portugueses (residentes ou não) ou autores estrangeiros residentes em Portugal (temporáriamente ou não)
- com menos de 30 anos (mas pode desenvolver parcerias autores com idade superior, quer em argumento/texto quer na parte gráfica)
- e sem trabalhos profissionais monográficos publicados
- para trabalharem num tema lacto senso como este "entre 2001 e 2010"
- com ou sem astrologia barata ou kabalas ou outras superstições do século passado!
- evitem enviar caricaturas do Bush/Osama/Obama que não estamos para aí virados...
- e entreguem no dia 30 do mês de Outubro do ano do Senhor de 2009!

AH! - num ficheiro à parte enviem traduções em inglês, sff, que pensamos ter a edição bilingue (português / inglês no fundo das páginas)
Ah! (2) - oferta de 10 exemplares a cada participante inscrito na CCC (5 exemplares caso não faça parte da CCC)
...

Destruição ou como foi horrível viver entre 2001 e 2010 em bd
antologia de BD, volume 10 da Colecção CCC
PVP previsto: 10€ (50% desconto para sócios)
para lançar em Dezembro 2009
apoios da Câmara Municipal de Cascais, Hülülülü e Instituto Português de Juventude

www.chilicomcarne.com

Publicado por jmachado em 09:09 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 20, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #87 - TEXTOS DE PEDRO CLETO (NO JN E NO SUPLEMENTO NS DO JN DE 12 DE SETEMBRO) + CRISTÓVÃO GOMES NO “I” E BD DE AUTORES PORTUGUESES SOBRE O 11 DE SETEMBRO NO “i”.

Recortes de textos e bandas desenhadas: Pedro Cleto sobre 1934 (o ano de todos os quadradinhos) no suplemento do Jornal de Notícias de 12 de Setembro, depois ainda de Pedro Cleto, sobre os 75 anos do Reizinho.

De seguida os dois recortes dos textos de Cristóvão Gomes no jornal “i”, de 11 de Setembro, sobre Lewis Trondheim e de 18 de Setembro, sobre Peter Kupe.

Espaço ainda para a BD que saiu no jornal “i” – DESENHADORES PORTUGUESES DA MARVEL RECORDAM O 11 DE SETEMBRO EM BD PARA O “i”. São pranchas de Jorge Coelho, Patrícia Furtado e Ricardo Venâncio, sob argumento de Nuno Duarte.
Estes recortes do “i” foram enviados por José Manuel Pinto como habitualmente.

Resta dizer em relação à BD sobre o 11 de Setembro que sacámos também a composição (arrumação das pranchas) original do site do Jorge Coelho, que pode ser visto AQUI.

Ao que parece está em vistas a constituição do www.thelisbonstudio.com que ainda está em construção e só ostenta os nomes de 17 autores. Sobre este Estúdio de Lisboa não sabemos ainda grande coisa…

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1934, o ano de todos os quadradinhos

F. Cleto e Pina

1934. Nos Estados Unidos, o presidente Franklin Rosevelt abria o ano informando que a recuperação da economia, devido à Grande Depressão de 1929, teria um custo de 10,5 mil milhões de dólares. Ramsay MacDonald era primeiro-ministro em Inglaterra, as ditaduras consolidavam-se na Alemanha (com Hitler que atribuía a si mesmo o título de fuhrer), Itália (Mussolini), Espanha (Franco), Portugal (Salazar) e União Soviética (Estaline), ou estabeleciam-se, como no Brasil (Getúlio Vargas).

Se Marie Curie e Von Hindenburg chegavam ao fim dos seus dias, o ano via nascer Yuri Gagarine, Francisco Sá Carneiro, Carl Sagan, Shirley MacLaine, Sydney Pollack ou Sophia Loren. Pirandello recebia o Nobel da Literatura, Fred Astaire cantava “Night & Day”, o monumento ao marquês de Pombal era inaugurado em Lisboa, onde tinha lugar a 1ª Exposição Colonial Portuguesa, e eram publicados “Tender is the Night” (de F. Scott Fitzgerald), “Murder in Three Acts” (Agatha Christie) e “A mensagem” (Fernando Pessoa). Portugal realizava o seu primeiro campeonato de futebol, (já então) ganho pelo F. C. Porto e a Itália sagrava-se Campeã Mundial da modalidade. A prisão de Alcatraz era inaugurada em São Francisco, o FBI matava John Dillinger, Bonnie e Clyde, o monstro do Loch Ness era fotografado pela primeira vez e, para deleite de pequenos e grandes, um carpinteiro da Dinamarca criava (em madeira) aqueles que viriam a ser os populares Legos. Aspectos múltiplos de um mundo em constante evolução, que (sem o saber?) caminhava a passos largos para (mais) uma Guerra Mundial.

Acompanhava-o – em muitos casos andando (bem) à sua frente – a banda desenhada, que “oficiosamente”, mais tarde, em 1989, num encontro de especialistas, entre os quais Vasco Granja, em Lucca, veria a sua data de nascimento ser fixada a 18 de Outubro de 1896. Com esta data, celebrava a inclusão de imagens sequenciais e de balões em “The Yellow Kid”, de Richard F. Outcault, e a crescente popularização dos quadradinhos graças à imprensa. E preparava a mediatização do (então) próximo centenário.

Mas em 1934, prosseguindo uma evolução que viria a demonstrar-se imparável, a banda desenhada continuava com uma impressionante pujança, e via surgir novos autores, (também) na sequência de uma espécie de concurso para descoberta de novos talentos e temas para tiras de imprensa, promovido pelo King Features Syndicate, que experimentavam novos caminhos, novas técnicas, novos estilos, novas temáticas. O humor que estivera na origem do termo que ainda hoje define a 9ª arte nos EUA – comics – se não dava lugar, pelo menos compartilhava o espaço disponível com outros géneros: cinco anos antes, a 7 de Janeiro de 1929, “Tarzan”, de Harold Foster, e “Buck Rogers no Século XXV”, de Philip Nowlans e Dick Calkins assinalavam o início da BD em estilo realista e também a introdução nos quadradinhos de mundos fantásticos e exóticos. Duas semanas mais tarde, Popeye fazia a primeira aparição em “The Thimble Theatre”, criado por Elzie Crisler Segar uma década antes, lançando a famosa frase “Eu sou o que sou!”, e introduzindo um tom surpreendentemente surreal nos quadradinhos. Um ano depois, as mudanças em “Blondie”, de Chic Young, forçadas pelo casamento da protagonista, transformavam-na na primeira BD de contornos familiares…

Estavam, assim, criadas as bases para um período fértil em criações fabulosas, do ponto de vista temático, artístico e literário, que contribuíram como nunca para fazer sonhar e fugir do deprimente quotidiano um país profundamente abalado pela crise económica, as enormes perdas na bolsa, altas taxas de desemprego, quedas abruptas da produção e do consumo, falência de bancos e fábricas, aumento galopante da inflação, generalização da pobreza e crescimento da criminalidade organizada. Um cenário norte-americano que o mundo também (já) seguia.

Esta é, aliás, outra das explicações para que tantas criações marcantes tenham aportado aos quadradinhos neste período. Com estes heróis – invencíveis, invulneráveis, corajosos, audazes, musculados e/ou inteligentes, capazes de enfrentar e vencer os piores inimigos e os mais inimagináveis perigos, apenas para conseguir a vitória do bem, restaurar a ordem e conquistar/libertar as suas belas (e quase sempre eternas…) noivas, – os norte-americanos e, na sua peugada, progressivamente, muitos outros, vibravam dia-a-dia com as suas façanhas, sofriam com os seus revezes, descobriam (e sonhavam com) universos exóticos e deslumbrantes, reencontravam, em suma, razões para esquecer a realidade diária, para sonhar, acreditar, ter esperança.

Por isso, na trilha dos já citados, surgiriam “Dick Tracy” (criado por Chester Gould, em 1931), “Pete the Tramp” (Clarence Russell, 1932), “Alley Oop” (Vincent Hamlin, 1933) ou “Brick Bradford” (William Ritt e Clarence Gray, 1933).
Mas, voltemos a 1934, um ano de colheita único no que à BD norte-americana diz respeito. Logo em Janeiro, os jornais estreavam “Flash Gordon”, “Jungle Jim” e “Secret Agent X-9”; depois, ao longo dos meses, suceder-se-iam a magia de “Mandrake”, a sensual “Betty Boop”, “Li’l Abner”, “The Little King”. “Terry e os Piratas”… De comum a (quase) todos eles, encontramos a aventura, quase sempre em estado puro, a sede de liberdade, a defesa do bem, a capacidade de fazer sonhar…

Claro está, se hoje, 75 anos depois, podemos – simbolicamente, apenas – comemorar (um)as Bodas de Diamante (de parte) da BD norte-americana, isso não pode fazer esquecer, injustamente, as muitas outras criações de uma década fantástica e incontornável. 1935, por exemplo, trouxe-nos “King of the Royal Mounted”, de Zane Grey e Allen Dean, e “Little Lulu”, de Marjorie Henderson Bell. No ano seguinte, “Donald Duck” chegava à BD, pela mão de Ted Osborne e Al Taliaferro, e apareciam “Steve Ropper”, de Elmer Woggon, e “The Phantom”, de Lee Falk e Ray Moore. O “Príncipe Valente”, de Hal Foster, é o marco de 1937, enquanto que no ano seguinte, “Superman”, de Jerry Siegel e Joe Shuster marca a génese de um novo género, os super-heróis, que acolheriam “Batman”, de Bob Kane, em 1939. E depois veio a guerra, onde muitos deles lutaram contra as forças do Eixo… Mas isso, bom, isso são (muitas) outras (e maravilhosas) histórias… aos quadradinhos!

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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JORNAL “i” DE 11/09/2009.

ESPECIALISTA BD

Cristovão Gomes

LEWIS TRONDHEIM APROXIMADAMENTE

LEWIS TRONDHEIM é o pseudónimo de Laurent Chabosy, autor francês, nascido em 1964, cuja obra é marcada por uma originalidade que, afinal, é só um reflexo da sua vida. Aprendeu a fazer BD desenhando as próprias histórias e, antes de ter publicado qualquer delas, já tinha fundado com seis amigos a L'Association, uma editora que havia de ser fundamental na história da nova banda desenhada francesa. Por lá pública "Psychanalyse", mas é quando resolve tirar da gaveta os primeiros desenhos que se lhe descobre a voz. Aparece então Lapinot, um coelho traçado de forma rudimentar, próxima do grotesco, que salta entre géneros para viver situações absurdas. A primeira edição consistia num volume de 500 páginas a preto e branco. Estava visto que Trondheim não seguia o normal curso das coisas. Mais evidente ficou essa tendência quando se juntou a Joann Sfar para dar vida a Donjon, uma paródia do jogo Dungeons and Dragons que acabou por se tomar uma série de culto. Entretanto, enquanto a criatividade lhe brotava dos poros e publicava a um ritmo diabólico, recebe um convite para escrever uma série para o público japonês. Como odeia intermediários - não é por acaso que prefere não dar entrevistas - recorre à linguagem primordial e recusa o verbo. "La Mouche" narra sem palavras a história de uma mosca, bastando-se com o desenho. Em 2004 decidiu abrandar o ritmo, mas não deixou de publicar. Nem de dar os seus autógrafos, em que depois de grafar o nome inscreve uma nota: «Aproximadamente.»

Escreve à sexta-feira
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Esta última imagem é da responsabilidade do Kuentro.

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JORNAL “i” DE 18/09/2009.

ESPECIALISTA DE BD

Cristovão Gomes

PETER KUPER: SE ISTO É ARTE

A BD É ANTES DE MAIS uma ideia. Sendo uma reunião de duas formas de arte, não se reduz à qualidade técnica de quem a produz, é preciso que saiba para onde vai. Peter Kuper trilha o seu caminho com uma obstinada paciência.
Em 1980 criou a”World War 3 IIIustrated", uma revista que mostrava um autor empenhado em passar uma ideia do mundo. A sua qualidade como desenhador foi notada, tendo sido convidado para ilustrar diversas revistas. Mas não era isso que o movia. Kuper queria passar a fronteira que separa o entretenimento da arte. Tentou fazê-lo adaptando autores que admirava: Upton Sinclair em "The Jungle", Kafka em"Give it Up and Other Short Stories" e "A Metamorfose". Mas há ali um problema primeiro neste tipo de soluções: invariavelmente, a obra adaptada é muito maior do que a adaptação. Foi com a tira que publicou no "New York Times" que descobriu por onde ir. Era a primeira vez que o NYT publicava uma tira de BD e Kuper optou por desenhá-la sem palavras para que os editores não lhe alterassem o texto. Obrigado a explorar cada desenho de modo que pudesse ser visto e lido ao mesmo tempo, Kuper excedeu-se e criou um conceito complexo que ia contra a ideia que existia do que era a BD e, ao mesmo tempo, mostrava todas as suas possibilidades narrativas. Em "The System", de 1997, torna a essa ideia e explora-a de forma magnífica. Já "Stop Forgetting to Remember", a sua obra autobiográfica de 2007, está cheia de palavras. Palavras e caminhos, porque é preciso continuar a escolhê-los.

Escreve à sexta-feira

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setembro 15, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #86 - CARLOS PESSOA NO PÚBLICO DE 11 DE SETEMBRO: O LANÇAMENTO DO TERCEIRO ÁLBUM DE “OS PASSAGEIROS DO VENTO” DE BOURGEON: “A FEITORIA DE JUDÁ”.

Depois do recorte do Público, introduzimos “um pouco de História”, já agora, uma vez que no álbum se fala da “feitoria do portugueses” e foram de facto os portugueses a assentar lugar na “costa do ouro” do Golfo da Guiné sobretudo para negociar ouro! Também escravos, claro, que faziam parte da economia da época (aliás desde a mais remota antiguidade). E foi por causa dos escravos – para o Brasil – que se construiu a fortaleza de S.João Baptista de Ajudá…

Fica também o convite de André Oliveira para o lançamento do seu livro “Senhora Nossa Mãe”.

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Público • Sexta-feira 11 Setembro 2009

“A Feitoria de Judá”, terceiro álbum da série “Os Passageiros do Vento”

AO ENCONTRO DE ÁFRICA

A FEITORIA DE JUDÁ
Quarta-feira, 16 de Setembro
Por + 6,50 euros


Carlos Pessoa

Com a partida do porto francês de Nantes, inicia-se o ciclo africano das aventuras de Isa, Roei e demais companheiros de viagem. O destino é a baía de Judá, onde os heróis vão ter o primeiro contacto directo com a problemática colonial, os seus tráficos vários e códigos particulares. Praticamente lado a lado, encontram-se os fortes de Saint-Louis de Grégory e William. Franceses e ingleses, que se digladiam no palco europeu pela supremacia militar e económica, são obrigados a coexistir num território, também marcado pela presença portuguesa em S.João de Ajudá, onde a complexidade do real acaba por se reduzir a uma equação simples: "Aqui, antes de mais nada, ou se é branco ou negro... rico ou pobre... livre ou escravo!", diz um dos tripulantes, à vista da costa africana.

Para realizar este episódio, François Bourgeon vasculhou nos arquivos históricos uma vez mais para proporcionar aos seus leitores uma recriação, admiravelmente minuciosa, dos palcos da aventura. Na concretização das fortificações, das paisagens africanas, dos hábitos ou do vestuário, encontrar-se-á a mesma exigência de autenticidade e verosimilhança já observada na abordagem dos ambientes de marinha do século XVIII.

Tendo aparecido no álbum O Pontão, Mary vai rapidamente ocupar um lugar de destaque no desenvolvimento da série. A biografia desta personagem é reduzida. Como Isa, não tem mãe, mas o pai é um rico e poderoso comerciante inglês, com interesses na produção de armamento do seu pais. Pertence, pois, a uma classe social que não deixará de se afirmar nas décadas seguintes. Loira e de olhos verdes, começa por se comportar como uma criança mimada, mas rapidamente se apercebe do efeito que o seu ar felino exerce sobre os que a rodeiam. Tal como lsa, é uma mulher que desperta paixões e suscita cobiça, às quais responde com uma personalidade muito forte. Mary não esconde o corpo nem disfarça os seus afectos, irradiando uma poderosa carga erótica que constitui um dos motores essenciais da narrativa. Simultaneamente mãe e amante, meiga e áspera, é possivelmente a mais voluntariosa das personagens de Os Passageiros do Vento.

O Álbum

Isa, Roei, Mary, John e a filha dos dois últimos, Enora, viajam a bordo de um navio negreiro.
Comandado pelo capitão Boisboeuf, o Marie-Caroline dirige-se para o reino do Daomé para embarcar escravos. À chegada ao Forte Saint-Louis de Grégory, Estienne de Viaroux, Olivier de Montaguere e Louis Paul de Genest, três elementos da administração colonial francesa, fazem uma aposta sobre Isa, que o primeiro tentará seduzir em troca da anulação das dívidas de jogo... A Feitoria de Judá, terceiro capitulo da série Os Passageiros do Vento, foi publicado pela primeira vez na revista Circus entre Novembro de 1980 e Maio de 1981.

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Capa da Edição Meribérica e prancha.
Imagens da responsabilidade do Kuentro.

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UM POUCO DE HISTÓRIA…

A fortaleza de S. Jorge da Mina, em Aldeia das Duas Partes – actual Elmina, lugar turístico hoje obrigatório da república do Gana, foi mandada construir por D.João II em 1482. Foi ocupada pelos holandeses em 1637 e pelos ingleses em 1873. Foi construída segundo traça característica dos castelos de fronteira portugueses, com material pré-fabricado em Portugal (pedra, madeiras aparelhadas, etc…), transportado em caravelas e urcas e montada no lugar em cerca de 30 dias. Considerada a mais antiga das fortificações europeias ao Sul do deserto do Saara, foi declarada Património Mundial pela Unesco e tem sido objecto de sucessivos trabalhos de conservação e restauro pelo Governo do Gana.

Ali passaram a ser trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas ("zimbo"), por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI. O comércio do ouro da Mina, foi a fonte principal do financiamento da empresa da Índia no reinado de D.Manuel I. Os escravos vieram sobretudo com o desenvolvimento do Brasil, a que está ligada a construção de São João Baptista de Ajudá.

Esta é uma das fortalezas (feitoria referida como a “dos portugueses”) que aparece no álbum “A Feitoria de Judá” data do final do século XVIII. O rei D.Pedro II de Portugal (1667-1705) incumbiu o Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo Abreu, de erguer uma fortificação na povoação de Ouidah (daí o nome de Ajudá), para proteger os embarques de escravos (1680 ou 1681). Posteriormente reformulado, entre 1721 e 1730 com uma nova estrutura, com obras a cargo do comerciante brasileiro de escravos José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais arrecadados pelos comerciantes da capitania da Bahia, mediante a cobrança de um imposto sobre os escravos africanos desembarcados na cidade do Salvador.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico se alterou, oferecendo produtos manufacturados europeus, os produtos eram contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais artigos fossem transportados em navios brasileiros.

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, passando a ser defendidas por guarnições inglesas as fortificações pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se colónia francesa a partir de 1892, obtendo a independência em 1 de Agosto de 1960, quando se transformou em República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colónia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de Julho do mesmo ano. Sem condições para oferecer resistência, o governo de Oliveira Salazar ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades do Daomé, vindo as suas instalações a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim (1967).

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo os trabalhos de recuperação e restauro do forte sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

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Via Google podemos "ver" as fortalezas referidas...

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A fortaleza de S. Jorge da Mina (Elmina) actualmente.

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S. João Baptista de Ajudá (Ouidah), na actualidade.
O traçado da fortaleza/feitoria de Ajudá pode ver-se na foto de satélite do Google...

Texto e fotos da responsabilidade de J. Machado-Dias.

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O CONVITE DE ANDRÉ OLIVEIRA

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Publicado por jmachado em 09:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 13, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #85 - TEXTOS DE PEDRO CLETO NO JORNAL DE NOTÍCIAS: SOBRE “COMO OBÉLIX CAÍU…

TEXTOS DE PEDRO CLETO NO JORNAL DE NOTÍCIAS: SOBRE “COMO OBÉLIX CAÍU NO CALDEIRÃO DO DRUÍDA QUANDO ERA PEQUENO”, O LANÇAMENTO DA REVISTA “ZONA NEGRA” E SOBRE A BIBLIO”TEX” DE JOSÉ CARLOS FRANCISCO.

Depois o texto de Cristovão Gomes no “i” de 4 de Setembro e um curioso texto de Claudia Luís, no Jornal de Notícias de 28 de Agosto, sobre os SIMPSONS EM ANGOLA COM NOVA IMAGEM! Estes dois últimos recortes, enviados por José Manuel Pinto.

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Texto para a revista In’ de 15 de Agosto de 2009

Texto ilustrado
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COMO OBÉLIX CAIU NO CALDEIRÃO DO DRUIDA QUANDO ERA PEQUENO
René Goscinny (argumento) e Albert Uderzo (desenho)
ASA

Enquanto se aguarda pelo álbum de histórias curtas inéditas de Astérix que marcará os 50 anos do seu nascimento (em Outubro próximo), acaba de ser reeditado este título, que regista uma das raras “traições” do pequeno guerreiro gaulês à banda desenhada. Lançado pela primeira vez em português no início da década de 90 e há muito esgotado, este texto ilustrado data de 1965 – dava Astérix os primeiros indícios de que poderia ser o enorme sucesso que hoje se conhece -, e foi publicado pela primeira vez na revista “Pilote”, num número dedicado ao período galo-romano.

Na sua origem, está a resposta a uma pergunta que, certamente, muitos fizeram ao longo dos tempos: como caiu Obélix no caldeirão do druida quando era pequeno, conseguindo assim a força sobre-humana que o distingue? A resposta é dada com o (reconhecido) humor contagiante e irresistível de Goscinny, num texto em que (já) demonstra algumas das características que o distinguiram: o recurso à repetição de situações (a alusão ao javali assado) ao longo da obra com um efeito cómico crescente, gags imaginativos e bem conseguidos (como a bem-humorada aritmética gaulesa), ou a criação de cumplicidades com o leitor através de referências ao imaginário da série (o medo que o céu lhes caia em cima da cabeça ou a aversão aos romanos).

E, acima de tudo, com muita ternura, que Uderzo, já um excelente desenhador, consegue transmitir e fazer-nos visualizar através das belas aguarelas que ilustram o texto e nos revelam os heróis de todos conhecidos como crianças pequenas, rechonchudas e traquinas.

F. Cleto e Pina

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Texto para a secção Cultura de 4 de Setembro

REVISTA DE BD DE TERROR LANÇADA HOJE

F. Cleto e Pina

A revista de banda desenhada “Zona Negra” é lançada hoje, sexta-feira, às 19h15 no cinema S. Jorge, em Lisboa, com a presença de alguns dos seus colaboradores, estando a apresentação a cargo de João Maio Pinto.

Esta é a segunda edição do projecto independente Zona, que publica ilustrações e bandas desenhadas de jovens autores portugueses, com o objectivo de motivar a produção de novos trabalhos e o desenvolvimento artístico dos autores participantes.

Depois da boa aceitação do inicial “Zona Zero”, datado de Junho último, surge este número temático, dedicado ao terror aos quadradinhos, ou não esteja o seu lançamento integrado na programação do festival de cinema MOTELx 2009, que até ao próximo domingo divulga a mais recente produção internacional de cinema de terror, incluindo a estreia mundial, hoje, às 19h30, do filme “Viva la Muerte! – Autopsie du Nouveau Cinéma Fantastique Espagnol”, do francês Yves Montmayeur.

A “Zona Negra”, que ficará depois disponível em livrarias especializadas, tem meia centena de páginas a preto e branco, contando com a colaboração, entre outros, de Eduardo Monteiro (que assina a capa), Hugo Teixeira, Maria João Careto ou Roberto Macedo Alves. Para o final do ano está previsto o lançamento do terceiro número, denominado “Zona Gráfica”.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

Informação mais detalhada sobre a ZONA NEGRA, pode ser vista AQUI, e AQUI

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Texto para a revista In’ de 4 de Setembro 2009

NA BIBLIOTECA DE… JOSÉ CARLOS FRANCISCO
Um dos maiores coleccionadores mundiais de Tex Willer

Pedro Cleto

Tem 41 anos, mora na Malaposta e nasceu “no meio da banda desenhada - Disney, Astérix, Lucky Luke, Tintin, mais tarde, Mundo de Aventuras, Falcão, Condor, Tarzan…” - que lia no quiosque da mãe, em Moçambique.

Em 1980, ao ajudar os avós a mudar de residência, descobriu “no sótão muitas revistas de BD, entre elas o Tex #94”. Uma vez lido, foi “uma paixão arrebatadora, o exemplo vivo de amor à primeira vista!” Nesse mesmo dia foi à procura de números anteriores e passou a comprar todas as aventuras de Tex Willer, ranger e chefe dos índios navajos, criado em 1948 por G.L. Bonelli e Galep, e base do império Bonelli de BD popular, de cujos estúdios em Milão é visita regular, o que lhe permitiu mostrar na Amadora, pela primeira vez fora de Itália, originais da série.

Representante em Portugal da brasileira Mythos, que distribui nos nossos quiosques os vários títulos do ranger, afirma que “quem lê Tex não consegue ficar indiferente, pois podemos rever-nos nos seus princípios, nos seus actos e na sua coragem, sempre em prol da justiça”, e destaca “a excelência da série, excepcional pelos seus longos enredos, muitos deles permeados de factos e personagens históricos, e com magníficos desenhadores”.

Um dos maiores coleccionadores mundiais, possui perto de 2300 livros e revistas de Tex, incluindo “as colecções completas italiana e brasileira e álbuns em mais 22 línguas”. O seu acervo também inclui “tudo o que tenha a ver com o cowboy: camisolas, estátuas, puzzles, selos, cadernos, porta-chaves, cromos, um raríssimo maço de cigarros brasileiro pirata e inúmeros desenhos, emoldurados e expostos pela casa”. O artigo mais difícil de conseguir foi o número inicial “da colecção brasileira, que há uma dezena de anos custou 100 dólares”, bem caro para uma pequena revista (14 x 18 cm), a preto e branco e papel de fraca qualidade… O seu “sonho é conseguir o nº 1 italiano, de 1948”.

A biblioteca de J. C. Francisco, alberga também centenas de títulos de “Blueberry, Astérix ou Michel Vaillant e de outras personagens Bonelli - Mágico Vento, Zagor, Júlia. Mister No… ”. Como o espaço já não abunda, tem “milhares de edições Disney e dos super-heróis da Marvel e da DC Comics” em casa dos pais.

Sendo evidente a paixão com que fala do sua “biblioTex”, “devidamente organizada em estantes, confeccionadas por medida”, entre muitas histórias, destaca “uma recente visita pascal”, em que “o sacerdote observou detalhadamente a colecção, enquanto todos aguardavam para beijar o compasso, e, admirado, confidenciou que nunca tinha visto um santuário assim!”.


(Caixa)
Uma nota

UM MUSEU TEX EM PORTUGAL

Os seus bens mais valiosos são, “o argumento original do recente “Tex Gigante - Patagónia”, as 220 páginas do guião de “Terre maledette”, escritas por Mauro Boselli, e um original de Claudio Villa”, mas José Carlos Francisco sonha ter “a totalidade das pranchas originais de uma história” do ranger, ou seja, no mínimo, umas 140 páginas desenhadas. Tem noção que “isso é quase impossível de ser conseguido”, mas como a sua ambição é “criar em Portugal um museu dedicado a Tex”, confia que um dos desenhadores “faça essa doação”.

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JORNAL “I” DE 04/09/2009.

ESPECIALISTA BD

Cristovão Gomes

SHANNON WHEELER, CAFÉ E CIGARROS

OS COMICS americanos nasceram para os jornais. Habituaram-se por' isso a conviver com uma série de regras diferentes daquelas que haviam de fundar a BD europeia. Embora não exista uma ideia pacífica sobre como tudo isto começou, podemos recuar até ao Yellow Kid de Richard F. Outcault para vislumbrar os seus primórdios: um só quadro e uma narrativa que tinha de esconder-se nos pormenores. Tudo isto para falar sobre Shannon Wheeler, herdeiro directo dessa tradição. Nascido em 1966, foi no final da década de 1980 que começou a construir as suas próprias revistas. Fazia tudo sozinho, desenhava, fotocopiava e agrafava. Em pouco tempo tinha a sua personagem: Too Much Coffee Man. Concebido inicialmente como urna paródia aos super-heróis - vai buscar os seus poderes à ingestão excessiva de cafeína e tabaco - Wheeler desenvolveu a sua criação de maneira a reflectir sobre a sociedade e o seu tempo. E fê-lo com um cinismo que deixa um esgar em cada leitor, indeciso que fica entre a gargalhada e a testa franzida. O sucesso permitiu-lhe experimentar a animação, a música e até a ópera. Mas, em determinada altura decidiu fazer outras coisas. Chegou então o convite do ''The Onion" para desenhar uma tira. Aceitou, apesar do pouco espaço que lhe concediam. Recuperou então a tal tradição do quadro único e desenhou os ''Postage Stamps Funnies", uma série brilhante que nos faz olhar uma e outra vez cada desenho em busca da razão que nos faz rir.
Afinal, foi essa a razão pela qual os comics nasceram.

Escreve à sexta-feira

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“Jornal de Notícias” de 24/08/09

Simpsons em Angola com nova imagem

Agência publicitária transforma a família amarela em típicos angolanos

CLAUDIA LUÍS
claudialuis@jn.pt

A agência publicitária encarregada de promover a chegada da serie de animação “Os Simpsons" a Angola transformou a famosa família amarela num clã tipicamente angolano. A mudança limita-se à promoção do formato.

A imensa cabeleira azul de Marge é agora uma enorme 'afro'; Lisa e Maggie fizeram rastas; Bart tem uma carapinha bem alisada e Homer já não bebe uma cerveja Duff, antes uma Cuca angolana. Mas a diferença mais notória da família de Springfteld à chegada a Luanda e mesmo a cor da pele - "Os Simpsons", bonecos famosos também por serem todos amarelos, surgem agora castanhos.

O director criativo da agência publicitária, António Páscoa, explica, à Reuters, que o objectivo era "adaptar a paródia satírica da típica família de classe média norte-americana para Angola". Sobre as críticas que entretanto se levantaram, o responsável pelo Luanda Executive Center responde de forma directa: "Se as pessoas não gostarem, então julgo que não têm um sentido de humor grande o suficiente para gostar de ver 'Os Simpsons"'.

Note-se que esta imagem serve apenas a campanha publicitária da série. Uma vez no ar pela televisão por satélite DStv, mantém-se o original de Matt Groening.

Sob o ‘slogan’ "Os Simpsons agora em Angola" há mais adaptações. Todos calçam chinelos típicos, vestem roupas com motivos africanos e usam adereços locais; o quadro com o veleiro na parede da sala deu lugar a uma pintura de uma paisagem africana.

"Os Simpsons" nasceram em 1989.Chegaram a cerca de 90 países. Foram dobrados em 20 idiomas, aproximadamente. Este ano, celebram 20 anos e reforçam o êxito daquela que e a série animada mais internacional de sempre.

Outras transformações marcantes

• The Beatles e Nirvana

A recriação das capas dos discos "Abbey Road" e "Sgt. Peppers Lonely hearts club band", dos Beatles, e de "Nevermind", dos Nirvana fizeram a história dos bonecos amarelos no rock'n'roIl.

• Marge vestida por Chanel

No episódio "Cenas da luta de classes em Springfield", a lendária marca Chanel veste Marge, que deixa deslumbrar-se pelo gamouroso estilo de vida.

• A versão "Família Adams"

Marge transformada em Morticia, Homer num curioso Gomez e Bart, Lisa e Maggie em crianças arrepiantes foi uma das transformações imagéticas de "Os Simpsons" associadas a series e filmes. O mesmo sucedeu com "Matrix" e "A guerra das Estrelas”.

Publicado por jmachado em 05:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 08, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #84 - Carlos Pessoa no Público de 4 de Setembro: NOVO LIVRO DE bd À VENDA COM O JORNAL DE DIA 9, “O PONTÃO” – SEGUNDO ÁLBUM DA SÉRIE “OS PASSAGEIROS DO VENTO”

Carlos Pessoa no Público de 4 de Setembro: NOVO LIVRO DE bd À VENDA COM O JORNAL DE DIA 9, “O PONTÃO” – SEGUNDO ÁLBUM DA SÉRIE “OS PASSAGEIROS DO VENTO” - E TAMBÉM UMA LIGAÇÃO DIRECTA AO BLOGUE DO PEDRO CLETO!

Os heróis em viagem

Um navio-prisão britânico é o palco central da aventura. Hoel, antigo
marinheiro da Armada francesa, aprende a sobreviver enquanto espera o
momento de se evadir com a ajuda de Isa

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O PONTÃO
Quarta-feira, 9 de Setembro
Por + 6,50euros

Carlos Pessoa

A rigorosa reconstituição dos ambientes de época é uma das marcas de água da série Os Passageiros do Vento, escrita e desenhada por François Bourgeon. O talento do desenhador exprime-se na habilidade com que faz a justaposição das imagens em cada prancha para dar a ver um espaço, mostrar o confinamento das personagens ou traduzir a sensação de vertigem no interior dos navios. Foi assim a bordo do navio Foudroyant no primeiro episódio da série e essa atmosfera volta a estar presente neste álbum.

Em O Pontão, quase metade da aventura decorre num navio-prisão encalhado no litoral do Kent, nas Ilhas Britânicas. É, em tudo, idêntico ao de 74 canhões apresentado em A Rapariga no Tombadilho; a grande diferença é que a embarcação, abatida ao activo, está seriamente degradada, tendo sido adaptada para receber a bordo um grande número de homens que vivem em condições miseráveis.

François Bourgeon inspirou-se numa gravura de 1829 que apresenta o York, um navio de 74 canhões construído em1807 e colocado ao serviço em 1819. Para a recriação dos espaços interiores, o autor baseou-se num manuscrito do comandante Pillet, que descreve os arranjos efectuados a bordo para acolher presos de guerra franceses.

A figura central deste episódio é Hoel, antigo marinheiro do navio de guerra francês Foudroyant. O seu destino cruza-se acidentalmente com o de Isa, protagonista da série, e uma atracção física recíproca está na origem de uma duradoura mas quase sempre atribulada relação. Ao contrário da aristocrata, o marinheiro não tem passado nem história. Sabe-se apenas que não tem pais e que cresceu num orfanato onde era proibido falar bretão. A cumplicidade que se estabelece entre duas personagens com origens sociais tão antagónicas é explicada pela necessidade - Isa precisou de Hoel para abandonar o navio e este, depois de matar o comandante do navio, necessita do apoio da heroína para sobreviver.

O pragmatismo da aliança corrói a relação entre os dois jovens e os conflitos não tardam a emergir. Hoel é um homem do mar, incapaz de se adaptar à vida de terra. Isa, por seu lado, fala de um modo que ele não compreende e surpreende-se com o discurso anti-esclavagista da rapariga.
Para o próprio François Bourgeon, Hoel era "alguém pouco complicado" mas que, reconhecia o autor, lhe "escapava um pouco", sugerindo com essa afirmação que nada estava previamente decidido na economia da série. De facto. Isa e Hoel acabarão por se separar, o que não tem nada de invulgar ou inverosímil: não pertencem ao mesmo mundo.

Em O Pontão, uma vez chegados ao continente, os protagonistas da aventura abrigam-se numa residência de campo do pai de Mary e, a seguir, num porto francês (Noirmoutier).

Para realizar esta parte da aventura, Bourgeon percorreu demoradamente a região e apoiou-se em gravuras e mapas do século XVIll. O resultado é uma imersão total dos
leitores no passado.

Nos primeiros dias de Abril de 1781, os heróis estão de novo em viagem - desta vez embarcam no Marie Caroline com rumo a África, onde a sua força de carácter e convicções individuais vão ser sujeitas a rude prova, no confronto directo com um esclavagismo sem limites, a arrogância dos colonos brancos, a violência do clima e a estranha singularidade da cultura negra.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

O Álbum

Hoel e o major Michel de Saint Quentin estão presos num velho navio transformado em prisão ao largo da cidade inglesa de Chatham. Isa conseguiu ficar livre e obter uma autorização de residência. trabalhando como preceptora de francês em casa de Mary Hereford. Na sequência de um motim, são mortos vários presos. Aproveitando o transporte dos cadáveres para terra, Hoel e Saint Quentin introduzem-se nos caixões com a cumplicidade do tenente John Smolett, amante de Mary.
Refugiam-se numa casa de campo pertencente à família. esperando uma oportunidade de abandonar o país. Conseguem chegar a Noirmoutier. perto de Nantes (França), onde embarcam num navio negreiro em direcção a África. A história O Pontão, publicada pela primeira vez na revista Circus entre Fevereiro e Julho de 1980. é o segundo episódio da série Os Passageiros do Vento escrita e desenhada por François Bourgeon.

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Do Pedro Cleto recebemos este aviso: Durante esta semana (pelo menos...) as bandas desenhadas que o atentado de 11 de Setembro de 2001 inspirou, no blog As Leituras do Pedro: LER AQUI

setembro 01, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #83 - DE NOVO A COMPRA DA MARVEL PELA DISNEY, MAS AGORA COM MAIS ALGUM SUMO, NO PÚBLICO DE HOJE E DE NOVO “OS PASSAGEIROS DO VENTO”, MAS AGORA SOBRE O PRIMEIRO ÁLBUM…

Saíu hoje no Público matéria um pouco mais desenvolvida sobre a compra da Marvel pela Disney, em texto de Ana Rita Faria. Depois o texto de Carlos Pessoa sobre o primeiro volume de “Os Passageiros do Vento” – “A Rapariga no Tombadilho” que sai amanhã!

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Público• Terça-feira 1Setembro 2009

DISNEY COMPRA A MARVEL EJUNTA À SUA COLECÇÃO ÊXITOS COMO O HOMEM-ARANHA E IRON MAN

Ana Rita Faria

Por 2,8 mil milhões de euros, a Walt Disney vai tornar-se dona das 5000 personagens da Marvel. Muitas poderão vir a entrar nos seus estúdios e parques temáticos

Em breve, as personagens do Homem-Aranha, do Homem de Ferro ou do Incrível Hulk vão figurar ao lado das do velhinho rato Mickey ou da recente Hannah Montana e, talvez, viver novas aventuras a partir dos estúdios da Disney. A empresa norte americana fundada em 1923 por Walt Disney acordou ontem a compra da Marvel Entertainment, o grupo que nasceu como editora de banda desenhada, por quatro mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros).

O negócio, que terá ainda de ser aprovado pela autoridade da concorrência, transfere para a Disney a propriedade das 5000 personagens da Marvel, entre as quais o Homem Aranha (Spiderman), o Homem de Ferro (IrQn Man), o X-men, o Incrível Hulk e o Quarteto Fantástico, que resultaram em grandes êxitos de bilheteira.

Um conteúdo mais do que apetecível para a Disney e que poderá vir a entrar brevemente nos seus estúdios, parques temáticos e canais de televisão para crianças.

"Acrescentar a Marvel ao portefólio de mercado único da Disney garante uma oportunidade significativa de crescimento a longo prazo, além de gerar valor", afirmou o presidente executivo da Disney, Bob Iger. A empresa poderá não só trazer algumas das personagens mais famosas da Marvel para os 'seus parques temáticos e lojas, mas também produzir e/ou distribuir novos sucessos de bilheteira com base nos super-heróis e histórias da Marvel, a partir dos seus estúdios próprios ou até da Pixar Animation Studios, empresa de animação comprada pela Disney em 2006 e que trouxe à tela do cinema filmes como Toy Story ou Ratatui. Até aqui, os principais filmes da Marvel - Homem-Aranha e Homem de Ferro - foram feitos por outros estúdios.

"A Disney é a casa perfeita para a fantástica colecção de personagens da Marvel, dada a sua capacidade comprovada de expandir a criação de conteúdos e o negócio de licenças", admitiu ontem Ike Perlmutter, presidente da Marvel, que irá permanecer à frente da actividade da empresa e ajudar à integração dos dois negócios.

A oferta de quatro mil milhões de dólares feita pela Disney representa um prémio de 29 por cento sobre o preço de fecho das acções da empresa na sexta-feira e marca a quarta maior aquisição da Disney (a maior foi a compra da empresa de media Capital Cities/ABC por 19,5 mil milhões de dólares). De acordo com a proposta de compra, cada accionista da Marvel vai receber por cada acção que detém um total de 30 dólares em dinheiro, além de 0,745 acções da Walt Disney.

Lucros abalados - Marvel e Disney têm enfrentado quebras nas receitas

Apesar de estarem envolvidas num negócio de vários milhares de milhões. nem a Disney nem a Marvel podem vangloriar-se de estar de perfeita saúde financeira. A crise também não lhes está a passar ao lado.
Nos três meses terminados a 30 de Junho, a Marvel viu os seus lucros cair 38 por cento. para os 29 milhões de dólares, devido sobretudo a uma queda nas receitas geradas pelo licenciamento das suas personagens - 2008 tinha sido o ano dos grandes êxitos Homem de Ferro e O Incrível Hulk.

Já a Walt Disney fechou o segundo trimestre com um lucro de 954 milhões de dólares, menos 26 por cento do que em 2008, devido à descida das receitas dos filmes e dos parques temáticos do grupo.

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A Rapariga no Tombadilho, primeiro álbum da série Os Passageiros do Vento

A RECRIAÇÃO DA HISTÓRIA

A obsessão do detalhe e o rigor na reconstituição histórica de ambientes são características que fazem desta série um fresco histórico único na banda desenhada europeia

A Rapariga do Tombadilho
Quarta-feira, 2 de Setembro
Por + 6,50 euros

Carlos Pessoa

"O que importa é que uma certa veracidade contribua para a criação do clima pretendido pelo autor". A afirmação é de François Bourgeon, argumentista e desenhador da série Os Passageiros do Vento, e pode ajudar a compreender a obsessão do detalhe que ressalta das aventuras deste fresco setecentista. E bastaria a leitura do primeiro episódio, A Rapariga no Tombadilho, para o confirmar.

É a bordo de uma fragata da marinha real francesa que decorre praticamente toda a acção deste primeiro episódio. Para recriar o ambiente de bordo em todos os seus detalhes e, assim, construir uma atmosfera tão peculiar, o autor inspirou-se nos pianos de uma embarcação de maior envergadura - um navio de duas pontes e 74 peças - a que teve acesso em 1977.

Bourgeon não se limita a tirar partido, com maior ou menor detalhe, dos mapas encontrados ou dos estudos daquele autor para alguns dos espaços interiores. De facto, há uma mais-valia evidente no labor criativo do autor, a quem ficamos a dever uma muito realista reconstituição da câmara de oficiais ou dos porões onde os marinheiros se amontoam em condições degradantes, por exemplo.

Noutros casos, não dispondo sequer de informação específica, Bourgeon não hesita em arriscar na recriação, como acontece na cena. do hospital de campanha.

Na galeria de personagens da série, Isa é a verdadeira heroína. Na melhor tradição da banda desenhada de aventuras, consegue sempre sair airosamente das situações mais difíceis. Tão hábil a manusear a pistola como o fuzil ou a faca, revela-se, no contexto histórico do final do século XVIII, uma mulher livre, para quem a condição feminina não é uma limitação.

A liberdade de acção e de ideias, que exibe com orgulho num mundo de homens, fazem dela uma criatura que seria mais provável nos primórdios dos movimentos de emancipação feminista do século XX. François Bourgeon defende a sua personagem com convicção: "Não me parece de todo impossível que pudesse é encontrar-se a mesma sensibilidade [das feministas] em certas mulheres do século XVIII".

Antes de ser heróica, a história de Isa é trágica: ao trocar a roupa com a sua amiga de infância, Isa torna-se Agnes e esta usurpa-lhe o estatuto e a condição de fidalguia. Ao perder o seu lugar natural no mundo, a heroína é encerrada num convento e será, anos mais tarde, violada pelo seu próprio irmão. Começa então um percurso, quase sempre tenaz e por vezes brutal, para recuperar a identidade perdida.

O resultado final é assim sintetizado por Michel Thiebaut numa obra consagrada à construção da série (Les Chantiers d'une Aventure): "O trabalho do autor começa frequentemente onde acaba a documentação, cuja qualidade é uma condição necessária, mas não suficiente. (...) O seu olhar desloca-se no espaço para melhor nos levar a descobri-lo sob diferentes ângulos. Será necessário sublinhar que um tal modo de ver exige infinitamente mais trabalho do que uma simples sucessão de planos, mais ou menos relacionados, sob um mesmo ângulo?"

O álbum

Hoel, marinheiro do Foudroyant, um navio de guerra francês, julga ver duas raparigas no tombadilho. A curiosidade leva-o a investigar numa zona proibida à tripulação. mas é apanhado e posto a ferros. Recebe a visita de um jovem que é, afinal, Isa uma das duas mulheres instaladas abordo em segredo.

Estabelece-se uma cumplicidade entre ambos e a passageira revela a Hoel que, por brincadeira, trocara de identidade com a sua companheira de viagem quando eram pequenas. O jogo custou-lhe a posição na família e uma severa educação num estabelecimento religioso...

A Rapariga no Tombadilho publicada pela primeira vez na revista Circus nos anos de 1979-80 é o primeiro episódio da série Os Passageiros do Vento. Escrita e desenhada por François Bourgeon.

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Capa da edição da Meribérica (1987).
Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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Publicado por jmachado em 07:03 PM | Comentários (0) | TrackBack