abril 29, 2009

RECORTES 45 - J.M.Lameiras (in Diário As Beiras - sobre "QUATRO?" de Enki Bilal) e outras coisas...

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Sábado, 25 de Abril 2009

O FIM DE UM CICLO

João Miguel Lameiras

Depois de uma distribuição inicial com o jornal "Público" nos quiosques, em meados de Março, eis que chega finalmente às livrarias "Quatro?", o capítulo final da história iniciada por Bilal com o álbum "O Sono do Monstro".
Inicialmente concebido como uma trilogia, este ciclo, que se estendeu por quatro álbuns, levou nove anos a ser concluído, mesmo que, pelo meio, Bilal tenha realizado o filme "Imortal Ad Vitam" (ver "Diário As Beiras" de 23/07/2005), uma adaptação (muito) livre da "Trilogia Nikopol", a sua anterior série a solo.

Em "O Sono do Monstro", título que abre este ciclo, Bilal reflectia sobre o desmembramento do seu país, através da memória de três órfãos de guerra, nascidos durante o bombardeamento de Sarajevo, em 1993. No segundo capítulo, "32 de Dezembro" prossegue a narrativa tripartida mas, cinco anos depois, os conflitos étnicos passam para segundo plano, face ao horror e à espectacularidade de um acontecimento como os atentados de 11 de Setembro de 2003. Uma tragédia à qual Bilal não poderia nunca ficar indiferente, mas cuja dimensão de happening artístico, dada pela repetição da queda das Torres Gémeas nas televisões, é sublinhada no livro pela personagem de Optus Warhole, que o próprio Bilal define como "uma mistura de Bin Laden e de Andy Warhol".

Em "Encontro em Paris", o terceiro capítulo, em que impera uma fragmentação da narrativa, a esperada reunião dos três órfãs da guerra da ex-Jugoslávia, é mais uma vez adiada para um quarto capítulo, o que leva a pensar que "Desencontro em Paris" seria talvez um título mais apropriado para um capítulo que acaba por adiar a conclusão da história.
Desenhados de seguida, depois da pausa que o filme "Imortal..." impôs à série e à actividade de Bilal na BD, estes dois últimos capítulos revelam uma nova faceta artística de Bilal, em que o pintor ocupa cada vez mais o espaço que nos seus primeiros trabalhos era do argumentista e desenhador...

Na verdade, pela forma como articula texto e imagem, o trabalho de Bilal nestes dois álbuns está muito próximo do livro ilustrado. Até porque, ao trabalhar cada vinheta como se de um quadro se tratasse, optando posteriormente por montar a prancha no computador (tarefa que desde "Encontro em Paris" já nem sequer é feita por ele, mas por Camille Hourdeaux), as suas páginas perderam em fluidez narrativa o que ganharam em espectacularidade.
E esta tendência, perfeitamente detectável em "32 de Dezembro", acentua-se ainda mais nos dois capítulos finais da tetralogia, com as suas imagens de grandes dimensões, que não permitem mais do que dois ou três quadrados por página, pintadas directamente a acrílico e a pastel sobre o desenho a lápis. Uma tendência que Bilal abandonou no seu último livro, "Animal'z", acabado de sair em França e ainda inédito em Portugal, em que o trabalho da cor dá lugar a um redescobrir do prazer do traço através da grafite e onde a principal sugestão de cor é dada pela textura do papel.

Mas voltando a "Quatro?", álbum que saiu finalmente em português quase dois anos depois da edição francesa, estamos perante um dos mais optimistas álbuns da carreira de Bilal, com um final feliz e cheio de esperança e uns toques de humor, como a orgia espacial a caminho de Marte, ou a homenagem ao filme "O Desprezo" de Godard, com Leyla e Nike nos lugares de Brigitte Bardot e Michel Piccoli, não faltando a crítica aos fanatismos religiosos, venham de que lado vierem.

Mesmo que, para mim, o melhor de Bilal esteja na sua colaboração com Christin em álbuns como "A Caçada" e "As Falanges da Ordem Negra", a tetralogia que termina com este "Quatro?" tem, entre outros méritos, o de nos permitir perceber como a obra de Bilal reflecte como poucas, as mudanças deste mundo em permanente convulsão.

"Quatro?" de Enki Bilal,
Edições Asa,
64 págs., 14,00 €

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QUATRO?
Enki Bilal
Tradução de Pedro Cleto
Adaptação de Cristina Santos Costa e Paula Caetano
Legendagem de Maria Lopes
Edições ASA II, S.A.
2009

Ilustração com a capa do livro adquirido com o jornal Público e ficha, do editor do Kuentro.

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Ainda sobre o cão d’água português dos Obama, o Leonardo De Sá enviou-me um esclarecimento (e uma outra reprodução das tiras em causa, que não postamos de novo, uma vez que já toda a gente deve ter visto), bem à maneira do seu Dicionário Universal de Banda Desenhada:

“Sim, era a primeira tira desta sequência de apenas quatro, mas o textozeco do Expresso tinha outros erros, pois não indicava que se trata de uma série, nem sequer o título, e que não é apenas publicada num só jornal, o The Providence Journal que referenciam. Na realidade a série do Mike Peters chama-se “Mother Goose & Grimm” (alusão aos contos de fadas da Mother Goose e dos irmãos Grimm) e é distribuída pelo King Features Syndicate, aparecendo quotidianamente nuns 500 a 800 jornais (dependendo das fontes). Surgiu em Portugal num primeiro álbum da Gradiva, intitulado Cão Fedorento, publicado em Novembro do ano passado — uma simples busca na Net poderia esclarecer os jornalistas expressos.”

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Por sua vez, a Teresa Câmara Pestana enviou-nos o link para The ZoomQuilt II (A collaborative art Project), que é uma verdadeira maravilha. Vejam AQUI.

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Inaugura amanhã, dia 30, a 79ª FEIRA DO LIVRO DE LISBOA 2009. A Pedranocharco vai estar presente nos Stands da NOVA VEGA.

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Eis o novo aspecto da coisa...

Publicado por jmachado em 12:31 PM | Comentários (8) | TrackBack

abril 27, 2009

RECORTES 44 - Carlos Pessoa in suplemento P2 do Público, sobre "O irmão adoptivo de Tintin" - e a integral do "Cão d'água português de Obama"

Não sei porquê (às vezes acontece) não comprei o Público no dia 21 deste mês, mas o Leonardo De Sá já me tinha alertado para este texto (embora não me tenha dito que era sobre Hergé) - O "irmão" adoptivo de Tintin. Felizmente, Carlos Pessoa, o autor do texto lembrou-se de me o enviar. E aqui vai ele para os leitores deste blogue que não o tenham lido no P2 do Público desse dia - é mais uma achega para a biografia do pai de Tintin. Depois, o Álvaro (que leu o post kuentrino de ontem) enviou-me as quatro tiras do Cão d'água português de Obama, de Mike Peters, em resolução que se veja. E tenho que pedir desculpas aos leitores e ao Expresso (e eu prá'qui armado em "melhor que o Expresso" etc... Sorry!), porque, de facto aquela era mesmo a primeira tira da série, publicada em 13 de Abril - as outras foram de 14, 15 e 16.

Aqui vão eles, os Recortes:

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P2 • Terça-feira 21 Abril 2009

Polémica

O “IRMÃO” ADOPTIVO DE TINTIN

Hergé não podia ter filhos e sofria com isso.
Um biógrafo diz que ele tentou adoptar uma criança, mas não aguentou e devolveu-a passados 15 dias.
“Não acreditamos”, dizem a família e outros biógrafos

No final da década de 1940, o tormentoso casamento de Hergé conheceu uma fase de acalmia. Por insistência da então sua mulher, Germaine Kieckens, o criador de Tintin aceitou adoptar um órfão de sete ou oito anos, de um país distante. Mas Hergé não suportou a presença da criança, que foi devolvida ao fim de 15 dias.

Esta história é contada por Pierre Assouline em 1996 numa biografia sobre Hergé (Hergé, editora Plon). Ao comentá-la, o autor não poupa as palavras: “Nesse dia, Totor C.P., Quick e Flupke, Tintin e o pequeno Tchang não devem ter fi cado muito orgulhosos do seu papá.”

Os anos passaram e a história parecia enterrada. Mas a polémica regressou em força no fim de Março, quando a revista francesa L’Express publicou um perfil de Pierre Assouline. O episódio da adopção é novamente posto em destaque, incluindo uma áspera reacção do biógrafo: “Há anos que me chateiam com essa história, que não ocupa mais de dez linhas num livro de 800 páginas!”
À data da sua revelação, o episódio gerou vivas reacções dos sobrinhos e da segunda mulher de Hergé. Alguns críticos e especialistas na obra do criador belga manifestaram as suas dúvidas.

Mas o biógrafo manteve o que escreveu, negando-se, no entanto, a revelar a fonte de informação. Dois anos mais tarde, quando o livro foi reeditado em edição de bolso, Assouline não alterou uma linha.
Agora, no depoimento prestado à jornalista Delphine Peras, o biógrafo de Hergé reafirma a sua “versão da adopção” e fala, pela primeira vez, de quem lhe contou o episódio: “A minha fonte, que falava em off , já não está viva. Hoje posso revelar o seu nome: trata-se de Germaine, que me confessou a esterilidade de Hergé. Quando falei de adopção, ela contou-me, muito incomodada, essa infeliz tentativa [de adopção].”

Como explicar o alegado comportamento do criador de Tintin? “Hergé não gosta de crianças. Quer isso remonte à sua própria infância, quando reagiu muito mal ao nascimento do seu irmão, rapidamente festejado pelos pais como um herói, ou quer seja algo mais recente, o facto é que ele não suporta a sua companhia”, garante Assouline na biografia.

História inventada

Outros reputados estudiosos da obra de Hergé não perderam tempo a contestar Assouline.

Num comunicado conjunto, Benoît Peeters e Philippe Goddin lamentam que esta história, tão “deplorável para a imagem do ‘pai’ de Tintin”, volte a ser evocada.
Quanto à “revelação tão tardia” da fonte de Assouline, não escondem o seu cepticismo: “Como é que um acontecimento tão importante como uma tentativa de adopção pode ser completamente ocultado no diário mantido por Germaine ao longo dos anos 40 e 50, quando ela relata em pormenor, sem temer o despudor, as dificuldades do casal até à separação em 1960? É inverosímil aos olhos dos que, como nós, esmiuçaram esses documentos privados.”
Peeters e Goddin – que, apesar do episódio da adopção, consideram o livro de Assouline “notável” – também acham estranho que a primeira mulher de Hergé, entrevistada várias vezes por ambos na década de 1980, nunca tenha feito a menor alusão ao assunto.

“O seu modo de se exprimir sem papas na língua e o despeito de mulher abandonada mantinham-se intactos, enquanto a glória do ex-marido suscitava na velha senhora mais ironia e amargura do que admiração”, acrescentam.
O site Actua BD abre um debate sobre o assunto. Os três biógrafos refutam argumentos. “Porque insistem em que inventei uma tal história? A única questão que coloco hoje é: porque a teria inventado?”, interroga-se Assouline. “Muito simplesmente, não podemos acreditar que Germaine lhe tenha contado”, replicam Peeters e Goddin.

Em declarações ao P2, Benoît Peeters reafirma a posição dos dois especialistas: “Negamos categoricamente esta história. Pierre Assouline não faz mais do que difundir um rumor malévolo e isso deixa-me desolado.”

Imagem beliscada

Os dois biógrafos cépticos estão cientes de que não conseguirão convencer o interlocutor quanto à falsidade da adopção. Por isso, decidiram pôr termo ao debate que, entretanto, trouxe outros comentadores. “Domfouch” é um deles: “Verdadeira ou falsa, esta história marcou infelizmente e de forma duradoura a nossa percepção do autor. Eu diria mesmo que o mal está feito... Mas devemos por isso rejeitar a sua obra?”

Até que ponto esta controversa história afecta a imagem de Hergé como homem e criador? “Hergé não podia ter filhos e sofreu com isso”, responde Benoît Peeters. “Passou quase todas as manhãs, durante 30 anos, a responder pessoalmente, e muitas vezes de forma extensa, às crianças que lhe escreviam de todo o mundo. Recebeu muitas nos Estúdios Hergé. Era frequente enviar álbuns como prenda a crianças que estavam em situações difíceis e lhos pediam. Não quero transformar Hergé num ‘santo’.
Tinha os seus defeitos e humores. Mas faço questão de defender a sua memória contra as mentiras e as calúnias.”

Outros críticos de banda desenhada ouvidos pelo P2 parecem não dar muita importância ao assunto, a avaliar pelas respostas lacónicas. “Pessoalmente, não acredito muito na história da adopção falhada de Hergé”, responde Gilles Ratier, secretáriogeral da Associação de Críticos e Jornalistas de Banda Desenhada e colaborador do site BDzoom.

Yves Frémion, da revista Papiers Nickelés, pronuncia-se no mesmo sentido. “Parece pouco provável que a história seja verdadeira. É difícil pronunciarmo-nos sem elementos de prova, que não existem. Benoît Peeters é um homem sério e inclino-me a aceitar a sua posição neste assunto.”

Carlos Pessoa

AFP

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E os cartoons sobre Crimm e o Cão d'água português da família Obama:

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Publicado por jmachado em 08:47 PM | Comentários (18) | TrackBack

abril 26, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTER #6 + RECORTES 43 (O CÃO PORTUGUÊS DE OBAMA)

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Exposições / Exhibitions

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CARLOS ROCHA

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RUI CARDOSO

E porque o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja é um Festival aberto a todas as tendências e a todos os públicos, não podíamos esquecer as exposições para os mais pequenos: Carlos Rocha e Rui Cardoso.

Carlos Rocha é um talentoso autor algarvio (que verá lançado pela Bedeteca de Beja o livro "O Maior de Todos os Tesouros", logo no segundo dia do Festival).

Rui Cardoso é talvez o mais popular autor de banda desenhada e cinema de animação português entre os mais novos... Quem é que nunca ouviu falar n'Os Patinhos?

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Espaço VOL / Kuentro-Pedranocharco / Mundo Fantasma

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura, Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

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EXPRESSO online - 0:01 Sábado, 25 de Abr de 2009

HUMOR: Portugal e o cão de Obama: Primeira tira

A página de banda desenhada do jornal americano "The Providence Journal" publicou quatro tiras, de Mike Peters, sobre o cão de Obama onde Portugal é referido com humor. Esta é a primeira de uma série de quatro.

Nota
Como originalmente duas das quatro tiras têm piadas que recorrem a trocadilhos com a língua inglesa, num caso, e misturam português, noutro, o Expresso resolveu publicar a versão original e a tradução.

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Encontrámos as quatro tiras de Mike Peters (numa pesquisa do Kuentro) sobre o cão d'água português de Obama AQUI. E corrigindo a notícia do Expresso, adiantamos que a tira em questão não é a primeira, mas a última das quatro. No entanto a resolução das tiras copiadas é tão reduzida que não dá para as reproduzir no post. As tiras pertencem à série Mother Goose and Grimm.

Publicado por jmachado em 07:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 25, 2009

25 DE ABRIL, 35 ANOS DEPOIS E... RECORTES 42 - J.M.Lameiras (in Diário As Beiras, 18ABR09) e Pedro Cleto (in Jornal de Notícias, 21ABR09)

Mas antes dos RECORTES 42 propriamente ditos e, como hoje é 25 de Abril (35 anos depois), oiçam a nova dos Xutos e Pontapés: SEM EIRA NEM BEIRA, bem no centro da actualidade. E vivam os VAMPIROS (último concerto de Zeca Afonso em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu)!!! (A inclusão destas duas canções partiu das ideias da MODA FOCA, para comemorar os 35 anos do 25ABR74).

Mas nada como este encore, para reavivar memórias:
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Cliquem em cima do cravo, por favor!!!

E vamos então aos RECORTES 42:

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Diário As Beiras, 18 de Abril de 2009

UM EUROPEU ENTRE OS ZAPATISTAS

João Miguel Lameiras

Mesmo num mercado em crise, como é o nosso, ainda vai havendo espaço para surpresas, como a aposta em novos autores, cujas características fogem ao alinhamento habitual do catálogo da editora. Uma das mais recentes, ainda mais surpreendente porque a editora diminuiu significamente o ritmo de edição para as livrarias, deixando séries de autores consagrados paradas durante anos, foi a publicação pela Asa de “O Cachimbo de Marcos”, primeiro volumes de “As Viagens de Juan Sem Terra”, da autoria do basco Javier de Isusi.

Nascido em Bilbau em 1972, Isusi estudou arquitectura em San Sebastian e Lisboa, mas embora tenha terminado o curso e ainda tenha trabalhado algum tempo como arquitecto, acabou por decidir tornar-se autor de Banda Desenhada.

Essa importante e arriscada decisão nasceu durante uma viagem de meses pela América Latina, durante os anos de 2000 e 2001, que Javier fez depois de acabar a Licenciatura e antes de entrar no mercado de trabalho. Foi também durante essa viagem que teve a ideia para a série “As Viagens de Juan sem Terra”, uma história em quatro volumes (em Espanha já estão publicados os dois primeiros: “O Cachimbo de Marcos” e “La Isla de Nunca Jamás”), que podem ser lidos de forma autónoma e que correspondem a outras tantas etapas da sua viagem.

Embora Juan sem Terra dê nome à série, neste primeiro volume ele nem sequer aparece, passando o protagonismo para Vasco, um assumido discípulo de Corto Maltese, até nas longas patilhas. Curiosamente, Vasco, além da obra de Pratt, está também duplamente ligado a Portugal, como podemos perceber pelas palavras do seu criador: “Vasco nasceu de um sonho que eu tive em 1997, quando vivia em Lisboa. Nesse sonho, o protagonista era eu mas não era eu, no sonho era um marinheiro, um contrabandista. Em suma, uma espécie de Corto Maltese. Foi um belo sonho. Escrevi um argumento para uma BD baseado nesse sonho, mas nunca a cheguei a desenhar, mas o personagem ficou sempre comigo e retomei-o anos mais tarde. Chamei-lhe Vasco por causa de um colega de curso. Era português e chamava-se assim e também me costumava chamar”Vasco” a mim, porque sou do país basco.”

E é Vasco que acompanhamos numa viagem até Chiapas, no méxico , no coração da guerrilha Zapatista, onde Juan sem Terra terá estado. Uma viagem que o leva a uma aldeia chamada “La Realidad” (um nome demasiado bom para ser verdadeiro) onde, mais do que a realidade encontramos um clima de “realismo mágico”, propício a um jogo de espelhos em que nunca sabemos bem quem é realmente quem (a começar pelo famoso sub-comandante Marcos, lider dos Zapatistas, cujo cachimbo dá nome à história) e onde as perguntas raramente tem respostas.

Trabalho de estreia de Javier de Isusi, “O Cachimbo de Marcos” é uma história bem escrita e bem construida, guiada pela sombra tutelar de Hugo Pratt, e que, mais do que procurar dar respostas, que não tem, sobre uma realidade demasiado complexa, nos mostra essa mesma realidade na perspectiva de um europeu, que tanto pode ser Vasco, como o leitor. Em suma, um belo livro que nos permite conhecer um pouco melhor a guerrilha zapatista e que poderia ser ainda melhor, se o desenho estivesse à altura do argumento. Embora expressivo e, por vezes, surpreendentemente eficaz, ainda falta ao traço semi-caricatural de Javier Isusi outra maturidade, que só o tempo lhe trará.

Depois de Giorgio Fratini com “As Paredes têm Ouvidos”, (ver Diário As Beiras de 31/05/2008), Javier de Isusi é um segundo estrangeiro estudante de Arquitectura que, depois de fazer Erasmus em Lisboa, se torna autor de Banda Desenhada. Tendo em conta os bons resultados destas duas experiências, esperemos que a moda pegue!

“As Viagens de Juan Sem Terra 1: O Cachimbo de Marcos” de Javier de Isusi, Edições Asa, 136 pags, 15€

Copyright: © 2009 Diário As Beiras; João Miguel Lameiras

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Imagens do editor do Kuentroff - do exemplar enviado pela ASA.

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KURT COBAIN VIVE NA BD

Banda desenhada evoca líder dos Nirvana. Em Portugal, há uma colecção dedicada a músicos

21 de Abril 2009 - 00h30m

F. CLETO E PINA

Cumpre-se neste mês 15 anos sobre a morte de Kurt Cobain, líder dos Nirvana. A revista "The Village Voice" decidiu assinalar a data de forma original, através de uma banda desenhada, que está disponível no site da publicação.

Intitulada "In Bloom: The Alternate History of Kurt Cobain" ("In Bloom" é uma alusão a uma música que Cobain compôs em 1991, para o álbum "Nevermind"), é da autoria do cartoonista norte-americano Ward Sutton, num estilo que combina traço caricatural e fotografia, ao longo de 17 páginas de vinheta única. Num tom divertido e algo provocador, Sutton divaga sobre o que teria sido a vida de Cobain se ele não se tivesse suicidado, com um tiro de espingarda. Para isso, Sutton mostra inicialmente Cobain como um ídolo desaparecido, com falta de inspiração e dificuldade em compor, recorrendo à provocação para obter algum mediatismo, mas acabando por se integrar no sistema que tanto atacou - entrega, por exemplo, um prémio MTV aos Backstret Boys -, até morrer, tranquilamente, de velhice, aos 84 anos. Pelo meio, há contribuições involuntárias de Neil Young, Bob Dylan ou Courtney Love.

Cobain, para alguns, um dos maiores nomes da cena rock dos anos 90, já tinha despertado a atenção da BD em 2003, quando a Omnibus Press lançou "GodSpeed - The Kurt Cobain Graphic", um romance gráfico com quase uma centena de páginas, escrito por Barnaby Legg e Jim McCarthy e desenhado por Flameboy. Numa narrativa envolvente, que entrecruza dados biográficos e a ficção inspirada no imaginário popular criado em torno da figura do artista, os autores contam a sua infância tranquila, a sua ascensão meteórica ao estrelato e o sombrio declínio que se lhe seguiu, até à morte, que alguns alegam ter sido provocada a mando da esposa, Courtney Love.

Esta não é a primeira vez, longe disso, que a 9ª arte se interessa pelos ídolos musicais, ilustrando as suas criações ou contando a(s) sua(s) histórias. Entre os exemplos mais marcantes, contam-se "The Rolling Stones: Voodoo Lounge" (Marvel Music, 1995), a adaptação aos quadradinhos do álbum homónimo pelo britânico Dave McKean, com o seu estilo característico, misto de fotografia, desenho e colagem, ou a trilogia "Alice Cooper: The Last Temptation" (Marvel Music, 1994), com texto de Neil Gaiman ("Sandman", "Stardust", "Coraline", …), desenhos de Michael Zulli e capas de McKean.
Abordagem distinta tem o mais recente "Freddie & Me", em que Mike Dawson narra em tom autobiográfico mas também documental, os episódios reais da sua relação de fã com Freddy Mercury, o vocalista da banda britânica Queen.

Diferentes são três casos em que os musicos passaram para o "outro lado", escrevendo argumentos de bandas desenhadas. Courtney Love baseou-se na sua experiência na cena musical para criar, com DJ Milky e Ai Yazawa, "Princess Ai", um manga para leitoras adolescentes que conta a história de uma inteligente, talentosa e controversa jovem artista, que é, na realidade, uma princesa exilada de um planeta distante e que encontra refúgio na música. Destinatárias e estilo idênticos escolheu Avril Lavigne, que surge como inspiradora (de Joshua Dysart e Camilla d'Errico) e protagonista de "Pede 5 desejos" (dois volumes com edição nacional da Gradiva), a história de Hana, uma adolescente introvertida e solitária, que compra num site um demónio que lhe concede cinco desejos cuja concretização se revela bem diferente do esperado.

E, finalmente, um dos últimos grandes êxitos dos comics norte-americanos, "The Umbrella Academy", um grupo composto por sete crianças com poderes especiais, muito longe dos clichés habituais do género, com assinatura de Gerard Way, líder dos My Chemical Romance, e do desenhador brasileiro Gabriel Bá.

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Publicado por jmachado em 08:40 PM | Comentários (8) | TrackBack

abril 23, 2009

RECORTES 41 - BD E CINEMA NA PREMIERE DE ABRIL (2)

E aí fica o resto do material sacado da Premiere, que era para ter saido aqui ontem, mas surgiu aquele "última hora" do Carlos Pessoa e não vos quis assoberbar com matéria em excesso.

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X-MEN - ORIGENS

Bruno Santos

A primeira investida a solo da besta. O mutante mais idolatrado da companhia 'X-Men' desembainha as garras e dá inicio à temporada de "blockbusters" com um valente rugido. Em menos de uma década, Hugh Jackman veste pela quarta vez a pele - e os dentes afiados de Wolverine. Mais negro, proeminente, e irritado do que nunca, esta promete ser a aventura mais cortante de um filme Marvel.

A HISTÓRIA

Com a acção a decorrer cerca de vinte anos antes da formação 'X-Men: o filme de Gavin Hood centra-se no passado violento de Wolverine (Jackman) e nos seus primeiros encontros com William Stryker (Danny Huston). O programa 'Weapon X' e as interacções com outros mutantes também fazem parte da ementa, incluindo a relação com o seu meio-irmão, Victor Creed, mais tarde Sabretooth (Liev Schreiber), a quem pretende vingar a morte da sua namorada.

ORIGENS

Com o nome surgem as primeiras questões. Spin-off ou prequela? Ao que parece, um pouco de ambos. Como o título sugere, o filme relata acontecimentos anteriores aos dos transpostos para o grande ecrã com a trilogia X-Men. Ao mesmo tempo, não deixa de ser um olhar mais pormenorizado sobre uma dada personagem. Por sinal, aquela com mais peso em toda a saga. E com tanto por explorar na vida deste mutante - aqui com um esqueleto ainda sem o indestrutível metal 'Adamantium' -, o mais certo é estarmos perante uma prequela com direito a sequelas.

Mas tudo a seu tempo. Nada de apressarmos o que deve ser apreciado lenta e serenamente. Sim, porque a temporada de blockbusters só tem um início. E se nos distraímos com trivialidades, podemos passar ao lado dos bramidos de Wolverine. “Watchmen - Os Guardiões” foi um aperitivo capaz. Porém, o one man shaw de Hugh Jackman promete ditar uma outra cadência para um Verão alucinante que nos reserva ainda, entre outros, títulos como “Transformers: Revenge of the Fallen”, “Star Trek”, “G.I.Joe: The Rise of Cobra” e “Terminator Salvation”. No entanto, Wolverine só pode ser o primeiro desta lista de 2009 porque, há oito anos, um tenaz David Benioff, fã dos comics da Marvel, começou a perseguir o projecto. Apenas três anos mais tarde, em Outubro de 2004, Benioff (“A Última Hora”, “O Menino de Cabul”) viria a ser contratado para redigir o argumento. Como preparação para a árdua tarefa que avizinhava, releu Weapon X (1991), a história de Barry Windsor-Smith, bem como as limitadas séries baseadas na personagem lançadas em 1982 por Chris Claremont e Frank. Miller - as suas preferidas. Hugh Jackman nunca escondeu o quanto desejava um guião mais dedicado à personagem, ao contrário do que aconteceu nos filmes X-Men. Em última instância, Benioff acabou por ambicionar um título mais negro do que Jackman tinha concebido e escreveu o guião tendo em mente um filme que recebesse a classificação 'R' da MPAA (Motion Picture Association of America), o que significaria que jovens com menos de 17 anos apenas poderiam entrar nas salas acompanhados por adultos. Jackman não viu necessidade de ir tão longe. Benioff não foi, mudou de ideias e pegou em Deadpool, personagem que esteve prestes a ter o seu próprio filme com Ryan Reynolds e David S. Goyer em 2003, pela mão da New Line Cinema.

No entanto, o enfoque em Blade: Trinity impôs o fim prematuro do projecto. Benioff não se fez rogado e inseriu a personagem de uma forma que agradou a Jackman. Gambit (Taylor Kitsch), que também esteve para entrar na saga X-Men, faz aqui a sua primeira aparição ao lado de Wolverine. A relação que se desenvolve entre ambos é semelhante àquele que Wolverine tem com Pyro na trilogia, afirma Hugh Jackman.

Benioff concluiu o guião dois anos depois de ter assinado com a Fox. Oito meses depois, Gavin Hood foi anunciado como realizador. Bryan Singer (X-Men, X-Men 2) e Brett Ratner (X-Men: O Confronto Final, manifestaram interesse em regressar alturas houve em que Singer esteve mais indeciso do que outra coisa. O estúdio é que não pareceu para aí virado. E, enquanto Zack Snyder rejeitava o convite devido às filmagens de Watchmen - Os Guardiões, Hugh Jackman encontrou paralelismos entre o Logan do seu Wolverine e a personagem principal de Tsotsi. Hood não perdeu tempo a admitir que não era grande fã de comics. Porém, parecia conhecer bem a história e o seu protagonista. Creio que o grande chamariz de Wolverine reside no facto de ele ser alguém marcado, de certa forma, por uma culpabilização autónoma, e que permanece constantemente em guerra consigo mesmo, devido à sua natureza. Hugh Jackman partilhou desta opinião. Estava encontrado o realizador.

BESTA SENSUAL

Quando Len Wein e Johnny Romita arquitectaram e desenharam a mítica personagem, nos idos anos 70, estavam longe de pensar que esta seria transposta para o grande ecrã pelo actor que, no mesmo ano, é eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People, e apresenta a cerimónia dos Oscar. Nada mau para um mutante que chega a ter o seu quê de quezilento. Com este título, Jackman torna-se no primeiro actor a interpretar um herói de comics em quatro filmes consecutivos desde Christopher Reeve na saga Super-Homem. E depois de X-Men: OConfronto Final, esta é segunda obra que produz ao lado de John Palermo, com a companhia de ambos, a Seed Productions. Jackman entregou-se a este projecto como a nenhum outro, em toda a sua carreira. Para isso, muito terá contribuído o cachet de 20 milhões de dólares. O actor submeteu-se a um intensivo treino e a um regime alimentar rigoroso, de forma a atingir o esplendor físico que a personagem exige. Exercícios cardiovasculares e alterações drásticas aos hábitos corporais foram apenas alguns dos passos. Durante bastante tempo, foi necessário marcar o despertador para as quatro da manhã, altura em que devia ingerir as poucas proteínas a que tinha direito diariamente.

O objectivo era reincarnar o espírito com que se deu a conhecer ao mundo naquela cena inicial de X-Men, dentro da jauJa. A inspiração, Robert De Niro, em O Cabo do Medo (1991). Tínhamos medo dele assim que tirava a t-shirt, diz o actor, que considera que a personagem amoleceu no último capítulo da saga e ambicionava um registo mais negro desta vez. E com tanta gente a querer puxar a 'brasa à sua sardinha', foi com naturalidade que os embates que deveriam apenas desenrolar-se na tela passassem para o set de rodagem. Sejamos claros, afirma Jackman, há quem diga terem existido discussões entre Gavin e o estúdio, mas também houve discussões entre mim e o Gavin, e mim e o estúdio. Não estou com isto a querer esconder nada. Existe também por aí a crença, errada, de que o estúdio pretendia um filme diferente daquele que Gavin pretendia rodar. Ou daquele que eu imaginava para a personagem. Mas essa não é a verdade, sublinha o actor.

Eles contrataram David Benioff. Ele é um argumentista de topo. Topo. Personagem, personagem, personagem, e o argumento que me chegou às mãos é do melhor que se pode encontrar por aí, sombrio, espinhoso e duro. Mais audaz do que qualquer guião dos filmes anteriores, admite. Falei com o David. Encontrámos sempre um ponto de equilíbrio. Nunca chegaremos a um acordo de 100%, mas sempre procurámos o mesmo tom.

IDENTIDADE

A amizade entre Hugh Jackman e Liev Schreiber esteve por detrás da selecção deste último para o papel de Victor Creed, que mais tarde se tornará Dentes de Sabre. No início, Schreiber foi considerado para dar vida a Stryker. Contudo, o actor manifestou mais interesse em vestir a pele do meio-irmão de Logan. O que, fisicamente, levantou algumas complicações. Uma vez que era necessário equiparar o porte dos dois rivais, foi primeiramente dado a Schreiber um fato de músculo que devia vestir em todas as ocasiões, igual àquele que Vinnie Jones utilizou em X-Men: O Confronto Final. Porém, o actor sentiu-se humilhado.
O termo foi utilizado pelo próprio. Schreiber pediu então tempo para ganhar músculo real, da forma mais tradicional possível. Ginásio e dieta. Na Lituânia, durante três meses, sempre que os intervalos de Resistentes (2008) o permitiam, o actor treinava. Quando chegou à Austrália, começou a treinar com Jackman, que lhe alterou alguns pontos da dieta, acrescentando mais proteínas. Schreiber chamou a este método 'O Genocídio das Galinhas'.

No final, o actor viu-se obrigado a mudar quase todo o seu guarda-roupa. Não podemos alargar as costas e esperar vestir a mesma camisa. Schreiber trouxe consigo ideias muito próprias, e alterou pontos de vista no set.
Contudo, para Jackman, a relação entre as duas personagens nunca poderia fugir muito da dependência estranhamente agradável.

Li o livro de John McEnroe You Cannot Be Serious e lembro-me como ele disse ter entrado em depressão quando o Bjóm Borg abandonou a modalidade, por ninguém ser capaz de defrontá-lo. Era Borg que trazia o melhor dele, e que mais o fazia gritar. E Wolverine e Dentes de Sabre estão ligados também dessa maneira - para sempre. Eles querem matar-se um ao outro, mas também precisam um do outro, revela o actor. Sem deixarem de ter em mente que este tem de ser um blockbuster, os principais envolvidos esperam que o filme seja diferente de tudo aquilo que uma sala de cinema já teve para oferecer. Espero que estas ideias confiram à película um maior poder emocional, afirma o realizador. No entanto, não podemos descurar a acção, a boa energia, e o espectáculo, porque estes filmes são como ir ao circo - tanto no sentido moderno como romano. Todos sabemos que o circo é uma coisa itinerante. Talvez por isso comecem a surgir rumores de um novo filme com Wolverine, passado no Japão. Mas tudo a seu tempo.

Vejamos primeiro como se sai a origem de todas as origens.

ESTREIA 30 de ABRIL
T.O. X-Men Origins: Wolverine Real: Gavin Hood. Interpretações: Hugh Jackman.
live Schreiber. Ryan Reynolds. Dominic Monaghan. Taylor Kitsch. Nacionalidade:
EUA/Nova Zelândia/Austrália. Género: Acção. Duração: 120 mino Dist.: Castello
Lopes Multimédia.
SITE X MEN

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Megan e Scarlett: pela BD mais sexy

Megan Fox e Scarlett Johansson estão a apertar as suas curvas para as próximas adaptações de comics. Fox será Lella, pistoleira e objecto de desejo de Jonah Hex na versão de BD de John Albano eTony Oezuniga que dirigirá Jimmy Hayward (Horton e o Mundo dos Quem?) com.Josh BroIin e John Malkovich. Depois vamos vê-Ia em Fathom, estreia de Michael Turner com guião do criador do vídeo Jogo Prince of Persia, Jordan Mechner, que James Cameron já quis em tempos adaptar. Scarlett Johansson, por sua vez, derrotou Emily Blunt e Eliza Dushku (da série Dollhouse) eencarnará a sedutora Viúva Negra tanto no próximo filme de lron Man que Jon Favreau irá realizar em breve como para um sem número de novos filmes que irão ser adaptados da Marvel.

Publicado por jmachado em 09:41 PM | Comentários (41) | TrackBack

abril 22, 2009

RECORTES 42 - CARLOS PESSOA IN PÚBLICO - ÚLTIMA HORA: QUINO SUSPENDE PUBLICAÇÃO DE CARTOONS

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DESENHADOR QUINO SUSPENDE PUBLICAÇÃO DE CARTOONS

Argentino não quer que as suas histórias continuem a ser republicadas

2009-04-20 17:45:00
Carlos Pessoa

Quino decidiu suspender temporariamente a sua presença nas páginas de Viva, o suplemento do diário argentino Clarín. São mais de 50 anos de carreira como cartoonista, desenhador de imprensa e autor de banda desenhada que agora sofrem uma interrupção “temporária”. O criador de Mafalda justifica esta decisão de não continuar a repetir os seus trabalhos por considerar que isso “seria uma falta de respeito não apenas aos leitores, mas também a uma longa carreira”.

"Como sabem, desde há alguns anos que esta querida revista está a republicar páginas minhas, algumas delas já desenhadas há muito tempo, outras nem por isso”, escreve Quino numa carta aos leitores que ocupa o espaço habitualmente preenchido pelos seus desenhos. O cartoonista lembra que a repetição dos seus desenhos surgiu no dia em que se apercebeu de que também é afectado “pelo mesmo mal” de se repetir “nos temas e no estilo de desenho”.

Apesar de tudo, sublinha Quino, a repetição de cartoons não é forçosamente uma coisa negativa: “Foi interessante voltar a vê-los pela assombrosa actualidade que apresentam muitos deles, o que prova que tantos problemas que hoje nos preocupam continuam a repetir-se graças ao talento que a sociedade tem em reciclar os seus erros”.

Fronteira do humor

Quino, nascido na cidade argentina de Mendoza há 76 anos, explica que decidiu deixar passar algum tempo até “encontrar algum modo de renovar o enfoque das minhas ideias ou, pelo menos, novas formas do meu estilo gráfico”. O desenhador pede depois aos leitores que não interpretem esta paragem como “uma despedida, mas como uma ausência temporária que espero que seja breve”. Conclui dizendo que não lhe “agrada nada a ideia de que os meus desenhos deixem de aparecer nestas páginas”.

No final de 2001, entrevistado pelo PÚBLICO, Quino confessara que havia limites para o seu próprio trabalho satírico e de humor:

“Há temas sobre os quais é impossível trabalhar. Eu, pelo menos, não consigo. Por exemplo, mantenho uma velha discussão com a Amnistia Internacional, que me convidou a participar em campanhas. Ora, eu acho que um desenhador de humor não pode dizer nada com o seu trabalho sobre os presos políticos, a tortura, a violação dos direitos humanos. E isso, porque as pessoas serão levadas a concluir que, afinal, essas coisas talvez não sejam assim tão terríveis como as pintam. Acontece que ficam surpreendidos quando me recuso a colaborar com o que consideram uma causa tão nobre. Não posso, há uma fronteira que não quero ultrapassar. Veja-se o caso da Argentina, o meu país: desapareceu muita gente e houve tortura sistemática de presos políticos. Não é possível fazer uma piada sobre a condição do presidiário...”

No rescaldo dos atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque, Quino identificava explicitamente essa “fronteira”, sugerindo de algum modo aquilo que agora se tornou realidade:

Depois dos atentados, é como se vivêssemos todos em Israel ou no País Basco. Felizmente para mim, deixei o meu trabalho bastante adiantado antes de vir. Mas, mais tarde ou mais cedo, vou ter de continuar a fazer cartoons. E quando isso acontecer, estou certo de que alguma coisa mudará, embora não saiba quando e como é que isso vai acontecer.”

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Nota: os oportuníssimos (dado o momento português que se vive) desenhos são incluídos pelo editor do Kuentroff!!

Já agora dêem uma olhada ao Blog do Geraldes Lino (DIVULGANDOBD) - post de domingo, dia 19. Sobre os preservativos e o papa, ou vice versa, BD de Nuno Saraiva e comentários da teresa Câmara Pestana e do Álvaro.

Publicado por jmachado em 08:42 PM | Comentários (5) | TrackBack

abril 21, 2009

RECORTES 41 - BD E CINEMA NA PREMIERE DE ABRIL (1)

A revista PREMIERE, #7 (2ª série), de Abril, publica algumas matérias sobre bandas desenhadas adapatadas para cinema e que vamos aqui postar em duas partes: 1- Críticas a WATCMEN - OS GUARDIÕES, por Francisco Toscano Silva e a THE SPIRIT, por Luís Salvado. Amanhã, postaremos a parte 2- sobre X-MEN - ORIGENS, que estreia a 30 de Abril, por Bruno Ramos e um lamiré sobre Megan Fox e Scarlett Johansson que vão interpretar heroínas saídas do papel, em mais filmes que adapatam BDs...

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WATCHMEN - OS GUARDIÕES
*****

T.O.: Watchmen • Realização: Zack Snyder .
Intérpretes: Patrick Wilson, Malin Akerman, Billy
Crudup, Jackie Earle Haley, Jeffery Dean Morgan'
Nacionalidade: EUA, 2009

E o “impossível” aconteceu. Perdão, o “infilmável”.
Contra toda as expectativas, Watchmen - Os Guardiões, a obra seminal da banda desenhada que todos (a começar pelo seu criador Alan Moore) consideravam intransponível para o grande ecrã, surge nos caminhos da Sétima Arte, na mais perfeita e desencantada das criações do género. O filme assenta a sua base em dois pressupostos de vital necessidade para a sua sobrevivência. Por um lado, temos o conceito da adaptação, onde verificamos aqui a autenticidade e fidelidade à obra original, a mais aclamada graphic novel de todos o tempos, que oferecia a década de 80 com uma guerra nuclear iminente como cenário principal e a visão decadente do mundo pelo olho de super-heróis, que outrora foram glorificados, mas que nesse presente tinham sido extintos pelo próprio poder político. No lado oposto, encontra-se aquilo a que podemos chamar de nível de arrojo (entenda-se criativo), que se atesta pela força e vivacidade que o filme tem de conter, independentemente da adaptação em causa, para que este se transforme numa fita de qualidade. Watchmen - Os Guardiões é, por isso, uma espantosa e fiel construção a partir das vinhetas de David Gibbons (algumas sequências são, incrivelmente, saídas do livro) e da história e diálogos complexos e inteligentes de Alan Moore, tal como, ao mesmo tempo, é um filme com vida própria, que respira por si e contorna em algumas situações a sua origem, mas que se mantém fidedignamente assente na moral e conceito em que a obra nasceu. É certo que o livro é extremamente 'cinematográfico', mas isso acabou por funcionar mais como um apoio do que um obstáculo, e volvidos mais de 20 anos sobre a dificuldade de levar esta obra ao cinema (foram tantos os nomes e tentativas) e de todas as questões que isso acarretava consigo, é absolutamente admirável quando percebemos que Zack Snyder (que se revela um nome a reter) conseguiu misturar e entrelaçar estes dois pontos chave e fazer, sem sombras de dúvidas, um épico sem precedentes. Com um grupo de actores relativamente conhecidos e com o apoio incondicional de Dave Gibbons, Snyder consegue captar, sem qualquer quebra de ritmo, os cenários, adereços e “plots” que se situam entre os anos 40 e 80 (veja-se o magnífico genérico), onde um diverso e fascinante leque de personagens habita. De todos os Guardiões , talvez a Espectro da Seda (Malin Akerman) e o Ozymandias (Matthew Goode) necessitassem um pouco mais de profundidade, mas nada disso afecta o resultado, que é equilibrado pelos pratos fortes servidos por um espantoso Coruja Nocturna (Patrick Wilson), um frágil Rorschach (Jackie Earle Haley), um dúbio Dr. Manhattan (Billy Crudup) e um complexo Comediante (Jeffrey Dean Morgan). Numa estrutura que integra uma brilhante encenação, que cruza a continuidade temporal (a história que arranca com a morte do Comediante) com a descontinuidade (os flashbacks que nos revelam cirurgicamente o passado das personagens chave), Snyder filma como poucos um thriller com toques da pintura das vinhetas habilmente saturada pelos cenários e ambientes do cinema noir (onde, por exemplo, Rorschach nos relembra Philip Marlowe, que caminha por ruas que parecem saídas de Taxi Driver), e não se poupou a retratar a violência física e psicológica a que todo são ou foram submetidos ao longo da história. É assim um verdadeiro deleite para todos (os que leram e não leram a BD) contemplar este objecto feito com um sentido de compromisso e paixão pela sua origem que é irrepreensível e admirável, nesta parábola sobre o poder e a justiça que foi filmada na sua plenitude, sem preocupações que não as temáticas (veja-se a complexidade intacta e a sua longa duração). Estamos perante um dos grandes filmes do ano e um dos objecto mais fascinantes e arrojados dos últimos tempos.

Francisco Toscano Silva

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THE SPIRIT
*

Realização: Frank Miller• Intérpretes: Gabriel Macht, Samuel L. Jackson, Eva Mendes. Scarlett Johansson • Nacionalidade: EUA, 2008

Entre 1940 e 1952 , Will Eisner revolucionou a banda desenhada com a série The Spirit, sobre um vigilante mascarado que combatia o crime em Central City, em que cruzava, parodiava e subvertia os códigos da histórias de super-heróis e do romance negro.
Hoje há muito que consideram The Spirit o Citizen Kane da BD, já que a série, tal como o filme de Orson Welles, congregou tudo o que se fizera no passado em termos de convenções narrativas e reinventou-as para o futuro de forma singular, marcando tudo o que viria para a frente. Claro que não se esperava que o filme que agora chegou aos cinemas pela mão de outro grande mestre da BD, Frank Miller, tivesse no grande ecrã o impacto gigantesco que a série teve nas histórias aos quadradinhos. Mas também não se pensava que o resultado fosse tão disparatado e inconsequente. O realizador, discípulo confesso e amigo pessoal do já falecido Eisner, infantilizou e descaracterizou a personagem, num filme completamente vazio de sentimentos e emoções. Na verdade, e para além de todas a inovações formais do Spirit da BD, o que lhe deu perenidade foi a verdadeira lição de humanidade que se desprendia de cada história, sempre de oito páginas, que fez de Eisner o melhor contista da história da BD. Miller teve de desenvolver o argumento para sustentar um filme de hora e meia, pegando numa suposta vertente super-heróica da personagem e dando-lhe um super-poder de invulnerabilidade que nunca foi sequer questionado na origem.
Spirit destacou-se pela diferença de combater o pequeno crime e reflectir nos pequenos dramas urbanos e o filme descaracteriza-o completamente, colocando-o a enfrentar uma ameaça larger than life na figura demencial do arqui-vilão Octopus, encarnado por Samuel L. Jackson. Claro que a falta de fidelidade não seria de todo grave se o filme fosse bom, mesmo que diferente. Só que não é. A estética de imagens de alto contraste, usada em Sin City mas com a adição de algumas manchas de cor, enche o olho mas acaba por não ter real significado no contexto do filme, a não ser a de dar a entender que todo ele foi pensado em termos de imagem mas não de conteúdo. Triste fim para o Spirit.

Luís Salvado

Publicado por jmachado em 07:55 PM | Comentários (64) | TrackBack

RECORTES 40 - ISABEL COUTINHO IN ÍPSILON-PÚBLICO SOBRE "VOYAGER"

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Ciberescritas

A PERSONAGEM QUE FOI DA BD PARA O TWITTER

Ora por cá também já há quem esteja a utilizar o Twitter para contar histórias. Na crónica da semana passada anunciávamos a primeira "twitterização" de um romance brasileiro, "Santos Dwnont Número 8". do brasileiro Cláuctio Soares. Esta semana vamos falar do projecto português VoyagerBD no Twitter, que até começou a funcionar um dia antes do projecto brasileiro.

O Voyager passou para o Twitter a 31 de Março e este serviço de rede social descrito como "microblogging" está a ser utilizado para contar histórias de uma personagem originalmente criada para BD. O coordenador do projecto é Rui Ramos, geólogo de formação, autodidacta em BD, para quem o Twitter se está a revelar "um excelente meio para desenvolver personagens para além dos meios originais para os quais foram criados, nomeadamente romances e BDs."

Tudo começou o ano passado quando uma equipa de argumentistas e artistas portugueses a viver em vários pontos do país, e que trocavam esboços das histórias por correio electrónico, se estreou com um projecto de BD inspirada no imaginário de H. P. Lovecraft. Tratava-se de "Murmúrios das Profundezas" que teve edição em livro, com uma tiragem de 200 exemplares, e acabou por ser nomeado para os Troféus da Central Comics deste ano (nas categorias de melhor fanzine e melhor projecto de BD).

Inspirados pelo Universo macabro criado por Lovecralt, oito artistas uniram-se para criar seis contos de terror fantástico em BD, "povoados por segredos horripilantes, monstros e seitas adoradoras de Deuses Ancestrais sedentos por sangue", explicam num "post" do blogue que criaram para divulgar a obra. "Murmúrios das Profundezas" reúne contos escritos e desenhados por Rui Ramos, Diogo Campos, Flávio Gonçalves, Luís Belerique, Ricardo Reis, Diogo carvalho, Phermad e Vanessa Bettencourt.

Após o inesperado sucesso deste livro de estreia ("Murmúrios das Profundezas" está esgotado), explica Rui Ramos, a mesma equipa decidiu começar a trabalhar num novo projecto de BD original de ficção-científica: o "Voyager". Conta as aventuras de um turista acidental que tem a capacidade de viajar de uma dimensão para a outra. Está a ser publicado mensalmente "on-line" – uma prancha por mês que se pode ver no blogue - e estas aventuras mensais irão ser compiladas, em conjunto com um conto inédito, num livro a publicar ainda este ano.

Entretanto, enquanto os episódios mensais são desenhados, decidiram utilizar o Twitter como ferramenta para contar "em primeira mão e em tempo real" mais aventuras inéditas do Voyager.

Quando se segue o "Voyager" no Twitter lêem-se mensagens de 140 caracteres ou até menos. É como se estivéssemos a ler um diário da personagem, o tal turista acidental que tem a capacidade de viajar de uma dimensão para a outra. Por exemplo: "Ouço passos no corredor lá fora... Aproxima-se alguém..." e dias depois, "Raptado! Arrastaram-me do meu quarto até uma espécie de dirigível e levaram-me pelos céus de Faluhdja, rumo a parte incerta!"

"O Twitter é um complemento à BD, uma forma que encontramos para contar mais peripécias e desenvolver um pouquinho mais a personagem e, quem sabe. Cativar audiência que não é propriamente apreciadora de BD", explica Rui Ramos a um dos leitores que colocou um comentário no blogue em que dizia que embirrava com o Twitter. ''Assim, esperamos mostrar que o V não se esgota na BD, nem no Twjtter. Quem sabe que novas formas de contar histórias não aparecem por aí?"

isabel.coutinho@publico.pt

Murmúrios das Profundezas

VoyagerBD

Voyager no Twitter

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Publicado por jmachado em 05:10 PM | Comentários (3) | TrackBack

abril 16, 2009

RECORTES 39 - Pedro Cleto na revista IN do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias - 11 de Abril 2009

O Pedro Cleto envia-me os recortes em baixa resolução, de maneira que não há como fazer um OCR em condições, de modo que as coisas lêem-se mal. A solução vai ser comprar o DN aos sábados e sacar os recortes.

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Nota: As ilustrações grandes foram tiradas da net pelo editor do blog.

Publicado por jmachado em 09:02 PM | Comentários (27) | TrackBack

abril 15, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTERS #4 E #5

Como recebi as duas newsletters quase em cima uma da outra posto-as aqui em simultâneo.

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Exposições / Exhibitions

FERNANDO GONSALES

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Fernando Gonsales é, sem dúvida, um dos mais geniais autores de banda desenhada do país irmão. As piadas com as tiras de Níquel Náusea, o rato de esgoto que queria ser o Mickey no lugar do Mickey, têm feito rir os mais mal-humorados um pouco por todo o lado… Além do Níquel, a galeria de Gonsales é composta pelo Rato Ruter (um rato mutante, gordo como um gato), pelo Sábio do Buraco (rato velho, entendido em várias matérias), pela rata Gatinha (quem tem ninhadas de dez em dez minutos), pela barata Fliti (viciada em Baratox), e por dezenas de personagens… humanos.

O autor estará presente em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Exposições / Exhibitions

Alex Gozblau
Pedro Burgos
Richard Câmara

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Alex Gozblau

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Pedro Burgos

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Richard Câmara

Moderna, inventiva, excitante, arrojada. A Banda Desenhada portuguesa é tudo isso. Alex Gozblau, Pedro Burgos e Richard Câmara têm-nos mostrado que a riqueza da nossa Banda Desenhada reside essencialmente na sua diversidade, mais do que em escolas ou movimentos… Passando pelas texturas “aveludadas” de Gozblau, pelas pranchas “metropolitanas” de Burgos ou pelo desenho de “linha clara” de Câmara, são muitas as direcções apontadas… E muitos também os atalhos e encruzilhadas.

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Kuentro / Mundo Fantasma / Espaço VOL

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
Museu Jorge Vieira - Casa das Artes
Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

Publicado por jmachado em 10:22 PM | Comentários (48) | TrackBack

abril 12, 2009

RETOMANDO AS GASTRONOMIAS NO KUENTRO - FOLAR DE CARNES DA PÁSCOA

Chegados à Pascoa, eis-nos perante mais um conjunto de antiquíssimas festividades, duplamente aproveitadas pela cristandade em geral e pela igreja católica em particular. Duplamente porque, segundo os escritos e tradição cristãs, Yeshua, o Cristo [em grego Christós, ou seja, "Ungido" – que é uma tradução literal do hebraico Messias (mashiach)], terá morrido numa sexta feira – quase de certeza a 7 de Abril do ano 30, antes da Pessach (Páscoa) judaica e “ressuscitado”, no domingo seguinte, o da dita Páscoa. Mas a Páscoa e o Pessach (palavra hebraica que significa a passagem do anjo exterminador que matou os filhos varões dos egípcios) são eventos diferentes que não devem ser confundidos. Assumir o nome de Páscoa, que seria a tradução original de Pessach, para os eventos da Páscoa cristã, é algo razoavelmente confuso, que foi produzido intencionalmente com a finalidade de substituir um grande evento da religião judaica por outro grande evento da religião católica.

Ora a Pessach, para os judeus, significa a comemoração da fuga do povo escravizado do Egipto.

Por outro lado, a data está também intimamente ligada às antiquíssimas celebrações pagãs da passagem do inverno para a primavera, na altura da primeira Sexta-feira de lua cheia após o equinócio da primavera, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

São pois duas comemorações diferentes, mas que os cristãos (melhor dizendo, a igreja católica) misturaram e aproveitaram, porque que coincidem com a morte do Cristo, para instituírem a Páscoa cristã.

Esta pequena introdução serve apenas para mostrar que percebendo-se estes subtis aproveitamentos de eventos anteriores à sua existência, percebe-se melhor a grande adesão que o catolicismo veio a desencadear.

Manda a tradição da Páscoa cristã, que se ofereçam os célebres ovos, actualmente de chocolate, mas que são também uma antiquíssima tradição pagã (muito anterior à Páscoa cristã), de oferecer ovos de galinha profusamente decorados – e que não serviam para comer - representando a fertilidade e o renascimento da vida, que se associa ao início da primavera. Assim, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21 de Março) era um costume que celebrava o fim do Inverno e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Para obterem uma boa colheita, os agricultores enterravam também ovos nas terras de cultivo.

A história dos Folares da Páscoa, em Portugal é um pouco diferente, embora encadeada na tradição dos ovos, e também muito antiga - mas talvez apenas medieval -, baseada numa lenda que tem mais a ver com casamentos e reconciliações (em que “no Domingo de Ramos os afilhados oferecem aos padrinhos um ramo de flores e recebem o folar no Dia de Páscoa”), constando de um bolo com ovos inteiros, que todos conhecemos.
Pode dizer-se que os Folares da Páscoa se integram na tradição dos pastéis e bôlas de carnes do nordeste português (Beira e Trás-os-Montes).

Como achamos aqui por casa (eu e a Clara), que o tradicional Folar de Páscoa, com ovos, é um bocado sensaborão, resolvemos fazer um Folar de Carnes à maneira de Valpaços – Trás-os-Montes – que é, nem mais nem menos o mais conhecido do país e que serve mesmo para promover a região através de uma feira (Feira do Folar da Páscoa de Valpaços) que atrai milhares de pessoas. Ver AQUI.

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Um Folar de Valpaços

E retomando uma tendência que este blogue cultivou nos seus inícios, já lá vão cinco anos, vamos então às comidas, com reportagem fotográfica das suas preparações.

Comecemos pela receita:
Ingredientes:
• 1 kg de farinha ;
• 12 ovos mais uma gema ;
• 350 g de gordura (150 g de manteiga, 150 g de banha, 50 g de azeite) ;
• 30 g de fermento de padeiro ;
• 1 frango pequeno corado* ;
• 1 salpicão pequeno ;
• 200 g de presunto ;
• 1 chouriço de carne (linguiça) ;
• salsa

(*) Aqui improvisámos um pouco e, como com este Folar se queria uma espécie de resumo de tradições das comidas pascais (ovo, bolos, carnes de cabrito…) resolvemos acrescentar ao frango uma pequena pá-de-porco desossada – porque pessoalmente abomino o cabrito –, que dá sempre uma outra consistência às coisas. Assim o frango e a carne de porco (que estiveram 24 horas em vinha-de-alhos) foram previamente assadas em cama de cebolas e azeite e depois de frias, desmanchadas em pedaços.

Confecção:
Peneira-se a farinha com um pouco de sal fino para um alguidar e faz-se uma cova no meio. Desfaz-se o fermento de padeiro em 0,5 dl de água tépida, deita-se na cova da farinha e vai-se envolvendo nela.
Colocam-se os ovos inteiros com a casca numa tigela e cobrem-se com água morna (não quente). Alguns minutos depois, abrem-se para dentro da farinha (sempre ao centro) e vai-se fazendo absorver a farinha trabalhando-a a partir do centro.
Juntam-se as gorduras e põem-se a derreter sobre lume brando. Juntam-se à massa e trabalha-se tudo adicionando a quantidade de água necessária para se obter uma massa fina. Em seguida, bate-se a massa com as duas mãos até esta se desprender completamente do alguidar. A massa considera-se bem batida quando à superfície aparecerem umas bolhas. Nesta altura polvilha-se a massa com um pouco de farinha, cobre-se com um pano e envolve-se o alguidar com um cobertor. Coloca-se num local tépido e onde possa receber mesmo uma certa quantidade de calor, mas indirectamente. Nestas circunstâncias, a massa leva mais ou menos 2 horas a levedar.
A massa está levedada quando atingir o dobro do volume e quando ao abrir apresentar um aspecto rendado.
Tem-se um tabuleiro rectangular, cujos bordos não devem exceder 8 cm de altura, muito bem untado com banha. Cortam-se o chouriço e o salpicão ás rodelas, o presunto ás tiras e desossa-se o frango limpando-o de peles e ossos e desfazendo-o em febras.
Divide-se a massa em três partes, devendo uma delas ser um pouco maior. Estende-se esta parte maior e forram-se com ela o fundo e os lados do tabuleiro. Espalha-se por cima metade da porção das carnes e salsa e cobre-se com a segunda parte da massa, sobre a qual se dispõem as restantes carnes. Finalmente, tapa-se o folar com a terceira parte da massa e unem-se os bordos a esta camada final.
Deixa-se o folar levedar novamente até aparecerem à superfície umas bolhinhas. Nesta altura, pincela-se com gema de ovo e leva-se a cozer em forno bem quente durante cerca de 45 minutos.

E aqui vai a habitual reportagem foto, sem legendas, porque basta seguir o prescrito na confecção. Mas acrescento, desde já, que amassar aquela massa não foi tarefa fácil e levou quase uma hora de voltas, murros, batimentos, etc... acho que ela amanhã não vai sentir os braços nem as mãos.

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E eis o belo Folar, que deve ser acompanhado por um belo tinto duriense, apesar de eu o acompanhar com tinto alentejano.

BOA PÁSCOA PARA TODOS, QUE É COMO QUEM DIZ (SENDO ATEU, GRAÇAS A DEUS), UMA BOA PRIMAVERA!!!

Publicado por jmachado em 01:29 PM | Comentários (1) | TrackBack

abril 11, 2009

APRESENTAÇÃO DO PROJECTO "MESSALINA" NA REVISTA ZIPO

Quem gostar de uma "cenazita" mais picante, pode ver esta entrada no blogue da BDVoyeur.

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RECORTES 38 - LUIZ BEIRA in DIÁRIO DO ALENTEJO - 10 DE ABRIL 2009

O nosso querido amigo Luiz Beira, mentor e organizador, durante muito tempo, das Jornadas da Sobreda - que vieram posteriormente a "abrir o leque" para os Salões de BD de Moura e de Viseu, para onde as exposições da Sobreda viajaram durante alguns anos - escreveu regularmente (todas as semanas) um espaço dedicado à BD no Jornal de Almada. Contudo, à poucos anos, "mudou-se" para o Diário do Alentejo onde, também semanalmente, mantém um Espaço BD.

Vamos começar a postar aqui os recortes semanais que vai produzindo, começando pelo do passado dia 10.

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A respectiva transcrição:

Novidades A BD Romena marcará posição no próximo salão de Viseu (Setembro), contando-se com as presenças de Dado Nitá, Marian Radu e Alexandru Ciubotariu.

OGRANDE REGRESSO

O "Herói Eternus 9" aguçou bem a curiosidade e a admiração dos bedéfilos nacionais quando, em 1975, a sua primeira narrativa, "Um Filho do Cosmos", começou a ser publicada na saudosa revista "Visão". Mas ficou-se pelas primeiríssimas pranchas...
Houve que aguardar alguns anos e, em 1979, surge na íntegra (em álbum portanto) pela MeribéricaLíber e, em 1983, em edição francesa pela belga Editions du Lombard.
Tudo, ao que parece, esgotado. Com um toque de "obra incompleta", para frustração dos leitores.
Finalmente, em finais de 2008, surge uma bem digna reedição, pela Gradiva, desta criação magnífica de Victor Mesquita. E anuncia-se para breve, o segundo tomo... Oxalá! Nesta edição pela Gradiva, consta ainda um prefácio apresentação por Carlos Pessoa, nosso colega do jornal "Público".
Quanto à obra, para os que então a leram, há que voltar a fazê-lo. Os mais jovens leitores, esses, têm agora ocasião para admirar uma criação especial, concebida com mestria e sem paralelo no panorama da Banda Desenhada portuguesa.

Ó LUA QUE VAIS TÃO ALTA...

Jules Verne imaginou os selenitas, os indígenas da Lua. Mestre Hergé defendeu a existência de gelo no interior do nosso único satélite natural. Já em 2009, o guionista Mathieu Gabela e o desenhista Patrick Tandiang, apoiados pelo colorista Yves Lencot, imaginaram a Lua com outras funções e situações, quiçá mais tenebrosas... No tomo "Sept Prisonniers" da série "Sept...", pelas Éditions Delcourt, a Lua é a mais segura prisão para terríveis e irredutíveis criminosos.
Escapar daí é missão quase impossível. E, no entanto, no seu interior, há intensa e violenta vida (inspiração em "Viagem ao Centro da Terra", de Jules Verne?), com a humanidade dividida em três clãs: os brancos, os negros e os asiáticos.
E, afinal, que busca nesse "inferno", o bilionário Laroche Galouseau com mais seis companheiros?

SPOOT & NIK

Editora: Lombard.
Autor: MO/CDM.
Obra: 'Spoot &Nik, Explorateurs Intersidérants•.

Dois cidadãos, Spoot e Nik (se juntarmos os dois nomes de uma assentada, apanhamos o termo russo "sputnik"), são enviados a explorar todos os planetas e mais algum pelo infindável cosmos.
As situações, bem loucas e absurdas, são hilariantes.
Aconselha-se vivamente este álbum àqueles que gostam de aventuras pelo Espaço e que ainda sofram de algum azedume na alma. A boa disposição aparece, saudável, num instante.

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Acontece que na última página do Diário do Alentejo, publica-se também a tira RIBANHO, assinada por Luca contracção dos nomes LUís Afonso e CArlos Rico):

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Publicado por jmachado em 04:14 PM | Comentários (64) | TrackBack

abril 10, 2009

TERTÚLIA BD DE LISBOA - SUPLEMENTO - O "COMIC JAM"

A ideia de realizar uma prancha de BD em cada Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, apareceu no Encontro de Agosto de 2008, como Geraldes Lino explica no texto, abaixo reproduzido, do seu blogue divulgandobandadesenhada.blogspot.com.
Como infelizmente não fiz no Kuentro o post desse Encontro e tenho sido um bocado irregular em matéria de posts da Tertúlia, ainda não tinha apresentado aqui essa obra colectiva em progresso. Aqui fica a correcção do lapso, devida a uma ideia que me parece interessante, não só pelos resultados, como especialmente pela animação que gera na própria Tertúlia. Saquei alguns excertos de textos de Geraldes Lino para explicação da coisa, do seu já referido blogue e que pode ser consultado AQUI.

O Dia em que o Zé Oliveira foi...

Assim se intitulou o "Comic Jam" (uma espécie de "cadavre exquis", a célebre brincadeira dos surrelistas, em que cada participante escreve ou desenha algo sem saber o que está antes) realizado no 288º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, de 5 de Agosto de 2008 e que tem tido sequência regular.
Foi uma ideia de Mário José Teixeira, ilustrador, cartunista e autor de banda desenhada que viveu muitos anos no Canadá, em Toronto, onde este divertimento artístico/literário estava muito em voga há uns anos. Pondo a dita ideia em prática, ele próprio iniciou a banda desenhada, que foi passando de mão em mão entre seis autores-artistas.
"Claro que a ideia que imediatamente surge é a de ser editado um fanzine, quando houver quantidade de pranchas que o justifiquem".
Nesta altura do começar a pôr em prática a ideia do Comic Jam, foi esse o lampejo que tive (alguns visitantes, que não leram o texto até ao fim, vieram sugerir-me "seria giro que fizesses um fanzine...). Entretanto, as ideias foram-se concretizando, e o que decidi fazer foi o seguinte:
Ao fim de 10 meses haverá 10 pranchas feitas. Será essa dezena de pranchas, em que colaborarão umas dezenas de autores (uma vinheta cada, até agora tenho conseguido que não haja repetições), cuja última prancha será uma surpresa. que constituirá o fanzine "Comic Jam" nº 1, que terá data de Junho 2009. A tiragem será de 100 exemplares, para ser um para cada colaborador, dois para o Depósito Legal da Biblioteca Nacional, e umas dezenas para venda ao público fanzinista.

Geraldes Lino

Eis as pranchas e os nomes dos autores:

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Prancha 1 - Autores das vinhetas:
1ª: Mário Teixeira (M.Tx)
2ª: Rodrigo
3ª: Álvaro
4ª: A.Rechena
5ª: Zé Manel
6ª: Zé Oliveira

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Autores das vinhetas da segunda prancha:
1ª: Sara Franco (visto em picado, de grande altura, vê-se alguém a passear um cão num jardim)
2ª: Nuno Duarte (ou "Outro Nuno")
3ª: Falcato (ou Miguel Falcato)
4ª: Hugo Teixeira
5ª: Inês Barros
6ª: Guilherme Mendes

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3ª Prancha do Comic Jam
Data da realização: 7 Outubro (290º encontro da tertúlia)
Autores das vinhetas:
1ª: André Oliveira (Convidado Especial da TBDL neste dia)
2ª: Ricardo Reis
3ª: Mariana Perry
4ª: Vasco Gargalo
5ª: Ana Saúde
6ª: Pedro Alves

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4ª Prancha do Comic Jam
Data da realização: 4 Novembro (291º encontro da tertúlia)
Autores da vinhetas:
1ª: Diogo Carvalho (Convidado Especial da TBDL neste dia)
2ª: Sónia Carmo
3ª: João Leal
4ª: José Lopes
5ª: Paulo Marques
6ª: Miguel Marreiros

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5ª prancha do Comic Jam
Data da realização: 6 Janeiro 2009
Autores das vinhetas:
1ª: Artur Varela (Homenageado neste dia, ele mesmo a iniciar o "jam" com uma das personagens recorrentes nas suas bandas desenhadas, o burro (1), retratando-se ele próprio, e dizendo: "hoje vou ser ó menageado" (2)
2ª: Ricardo Cabral
3ª: Ana Maria Baptista
4ª: Ricardo Correia
5ª: Nelson Martins
6ª: J. Mascarenhas

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6ª Prancha do "Comic Jam" – vinhetas realizadas por:
1ª - Mário Freitas (o Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa no dia 3 Fev. 09)
2ª - Inês Ramos (designer e ilustradora, aqui a fazer uma "perninha" na BD)
3ª - Carlos Pedro
4ª - David Soares (sim, ele agora está dedicado à Literatura, mas não esquece a BD...)
5ª - Filipe Teixeira
6ª - João Martins

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Comic Jam 7ª Prancha
A presente prancha teve a participação de:
1º vinheta - Renato Abreu, o autor homenageado a 3/3/09, pela Tertúlia BD de Lisboa (para saber mais acerca dele, ver o "post" anterior)
2ª vinheta - Inês Casais, a.k.a. "Tetris" (foi também a autora da bd publicada no fanzine Tertúlia BDzine distribuído gratuitamente aos participantes deste encontro)
3ª vinheta - Daniel Maia, ou Dan Maia, ou, simplesmente "Dan" (a sério, é mesmo o Dan, aleluia, ele veio à grande cidade, e participou na tertúlia, terá havido, claro, uma forte razão para ele largar o Montijo, onde está grudado a maior parte do tempo...
4ª vinheta - Bárbara Carvalho
5ª vinheta - João Ataíde
6ª vinheta - José Girão

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Quarta-feira, Abril 08, 2009
Comic Jam - 8ª prancha
276ª edição da Tertúlia BD de Lisboa. Eis os nomes dos autores:
1ª vinheta - Sá-Chaves (o próprio Convidado Especial da TBDL, João Paulo Sá-Chaves)
2ª vinheta - André Reis
3ª vinheta - Filipe Duarte [Gonçalves]
4ª vinheta - Fil [Luís Filipe Lopes]
5ª vinheta - Falcato [Miguel Falcato Alves]
6ª vinheta - Nuno Duarte (o "Outro Nuno", como às vezes ele se identifica, visto haver um homónimo argumentista de BD, já muito conhecido, além de colaborador das Produções Fictícias.

Continuaremos a postar aqui as pranchas do Comic Jam da TBDL, nos próprios posts das próximas Tertúlias.

E respondendo ao Comentário de Geraldes Lino ao post anterior, devo dizer-lhe que já ando com alguma saudade das snookeradas pós tertulianas e está-me a pular o pézinho para ir convosco no próximo Encontro da TBDL.

Publicado por jmachado em 06:52 PM | Comentários (60) | TrackBack

abril 09, 2009

TERTÚLIA BD DE LISBOA - 296º ENCONTRO (ANO XXIII) - 7 DE ABRIL DE 2009 - INCLUI RECORTE 37 DE IMPRENSA

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Após dois meses de ausência, regressei à Tertúlia BD de Lisboa para o 296º Encontro e encontrei grandes melhorias no Restaurante do Parque Mayer onde habitualmente se realiza a TBDL – contrariando aquela velha profecia de que o dito velho e anquilosado Parque, vai encerrar para obras, não se sabe é quando. Assim, com a esplanada agora arranjada e coberta, a zona de “grelhagem” mais funcional e arejada, algumas cadeiras substituídas e, sobretudo, com o novo dístico “para fumadores”, a coisa promete.

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Como em qualquer outro lado, a Tertúlia BD de Lisboa tem, entre os seus frequentadores, os habituais “cromos”, ou seja – como explica a Time Out Lisboa numa das suas últimas edições – personagens que, pelas suas características peculiares, seja no modo de se vestirem, de se exprimirem (ou não), pela teatralidade da sua postura, ou por qualquer tique que os torna mais notados que os outros, etc… combinadas com a sua assídua presença nos encontros tertulianos, dão cor e uma certa familiaridade ao ambiente. Atenção, portanto, que quando digo que Fulano Tal é um habitual “cromo” da TBDL, não estou a escarnecer nem a insultar ninguém. É até com algum carinho que utilizo tal expressão.

Isto para dizer que neste 296º Encontro da TBDL, Geraldes Lino resolveu apresentar como Convidado Especial um dos “cromos” tertulianos mais típicos, o bedéfilo Chá-Chaves… perdão Sá-Chaves que, para além de uma notável cultura na área da História e Arqueologia, é autor de BD e apresenta, como característica principal, um tom coloquial e algo teatral no modo como se exprime. E para além de atravessar períodos de mutismo que ninguém consegue quebrar (quando está, por exemplo, absolutamente concentrado em deglutir o que tem no prato, ou mesmo a desenhar um qualquer boneco), ou de falar ininterrupta e exaustivamente sobre qualquer assunto (quando lhe dão oportunidade) mesmo quando ninguém lhe está já a prestar atenção, apresenta também a pitoresca característica dos tímidos, que é o de ficar vermelho que nem um tomate, de cada vez que tem de falar em público.

Assim, o sacrossanto “discurso” do Convidado Especial, seguido do período de perguntas e respostas (uma espécie de conferência de imprensa à la carte) foi absolutamente delicioso, ainda por cima com a participação especial de um outro “cromo” da TBDL, o meu queridíssimo amigo e jornalista e poeta e escritor e quase actor Luís Graça, que, quando está bem disposto, converte qualquer pomposa conferência num acto burlesco onde pontificam sempre sonoras gargalhadas.

Passemos então ao material impresso distribuído por Geraldes Lino e às fotos:

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AUTOBIOGRAFIA DO CONVIDADO ESPECIAL:
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FOLHAS VOLANTES #227 e #228:
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NÃO FOI DISTRIBUÍDO O TERTÚLIA BDzine!!!

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Tal como disse acima, esteve à venda o CELACANTO #1, Ecozine sobre o Albatroz, que já noticiámos aqui no Kuentro:
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Pode ser adquirido AQUI, na loja virtual da QualAlbatroz.

Geraldes Lino distribuiu também a revista da ACMP:
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Eis o texto:

TINTIM E O LOTUS AZUL

Na Índia, Tinim recebe a visita de um mensageiro, mas o homem é atingido por uma seta envenenada com radjaijah (o veneno da loucura) e consegue balbuciar apenas as palavras "Xangai" e "Mitsuhirato ". Em busca de explicação, o repórter e Milu partem para a China, sem saber que correm grande perigo ao envolverem-se numa disputa entre traficantes japoneses, policiais ingleses e o povo chinês.

MANUEL DE FIGUEIREDO

Esta aventura desenrola-se no Oriente e, logo no início, (Fig 1) Tintim é assaltado mas isso evita que seja atropelado. Depois aparece uma ambulância (Fig 2) que é chamada para ir prestar serviço na prisão de St. James.
Surge depois uma limusina (marca???) (Fig 3) onde se nota Tintim pendurado na roda sobressalente existente na traseira da viatura em que se desloca o senhor Mitsuhirato e outro. Estes vão dinamitar a linha férrea. Noutra cena, aparece um Oldmobile Sport 1932 (?) (Fig 4). Mais tarde, vestido de chinês, desloca-se numa bicicleta e choca no lado de uma viatura de carga em cuja caixa ele fica sem que o condutor se aperceba disso. (Camião Messe 1930) (Fig. 5).
Numa fase já adiantada desta aventura, Tintim exige que um chauffeur que se diz particular o conduz numa limusina Renault Reinastela (Fig 6) até ao palácio do Sr. Wang. Depois de obtido o objectivo desta aventura, que consistiu em encontrar e libertar o Professor Fan SeYeng, Tintim regressa num bom transatlântico.

E PRÓ MÊS QUE VEM HÁ MAIS...

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abril 03, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTER 3

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EXPOSIÇÕES / EXHIBITIONS

MANGAKAS PORTUGUESES NO VFIBDBEJA2009

All-Girlz Banzai:
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Joana Lafuente e Selma Pimentel

Luminus Box:
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Luminus Box

Hugo Teixeira:
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Hugo Teixeira

Nos últimos anos a Mangá invadiu a Europa, e Portugal não foi excepção. Três exposições – três maneiras de encarar a “Grande Onda do Japão” em português: All-Girlz Banzai (com Joana Lafuente e Selma Pimentel), Luminus Box (com Catarina Guerreiro, Tânia Guita e Telma Guita) e Hugo Teixeira

As autoras e o autor das exposições estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Kuentro / Mundo Fantasma / Espaço VOL

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
Museu Jorge Vieira - Casa das Artes
Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

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