agosto 28, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #81 - AUTORA LUSO SUECA PUBLICA MANGÁ PARA ADULTOS NA SUÉCIA + ENTREVISTA COM DAVID RUBIN POR PEDRO CLETO NO JN DE HOJE.

Aqui ficam os textos de Américo Sarmenio no Jornal de Notícias de 21/08/09 sobre uma luso-sueca que está a fazer furor na Suécia com as suas mangás para adultos. Depois Cristóvão Gomes no jornal “i” sobre Marjane Satrapi (já agora sobre o que escreveu Cristóvão Gomes no último texto dele que aqui postámos, vejam o comentário que o Marcos Farrajota lá deixou), enviados pelo nosso caríssimo amigo José Manuel Pinto. Uma entrevista com David Rubín, por Pedro Cleto no JN de hoje mesmo (28Agosto) enviado agorinha mesmo – ainda está quente! E fica também o texto que Armando Corrêa publicou na última edição do Alentejo Popular.

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MANGA VIRADA PARA ADULTOS - UMA SUECA COM NOME PORTUGUÊS

Natália Batista nasceu em Lund, na Suécia, há 23 anos, filha de um português, radicado na Suécia desde a década de 70; e de uma polaca. Estudou na Malmo Comic School e, para além de se dedicar ao desenho de manga, é igualmente professora deste estilo em livrarias, escolas e museus. É presidente do "Mangakai Lund" e ilustradora da revista sueca de música "Okej”. Natália é uma das fundadoras do "Nosebleed Studio", que fomenta o desenvolvimento da manga na Europa. A.S.

Natália Batista é sueca de ascendência portuguesa que ganha notoriedade na banda desenhada

Americo Sarmenio
cultura@jn.pt

Sueca, filha de pai português, Natália Batista é um dos nomes europeus de referenda da manga - um estilo de banda desenhada oriunda do Japão. E lançou um livro de manga que não é aconselhável a crianças.

Muitos de nos crescemos a ver filmes animados de origem japonesa. "Marco" e "Heidi" foram dos primeiros grandes exemplos de grande sucesso deste estilo de desenho - manga -, que conquistou os mais novos nos quatro cantos do Mundo. Um estilo que marcou gerações de crianças e que continua a ser uma marca da escola japonesa, mas que se alargou a muitos outros países, nomeadamente na Europa. Muitas das crianças de ontem são, hoje, dedicados desenhadores de manga. Em alguns países da Europa, como na Suécia, a exemplo do Japão, surgiram escolas com cursos especializados em desenho manga, permitindo o surgimento de uma nova geração de cartunistas.

É o que acontece com Natália Batista, uma jovem sueca de 23 anos, filha de pai português e mãe polaca. Natália é mesmo considerada uma das principais desenhadoras do movimento "euromanga", que envolve um largo número de cartunistas europeus. Recentemente, lançou um livro de banda desenhada, "A song for Elise", que está a alcançar grande êxito, mas também alguma polémica, pois a publicação é dedicada aos adultos, isto num estilo de desenho diferente, associado ao público infantil e adolescente.

Embora a manga proibida a crianças não seja novidade, pois existem filmes e livros com manga erótica e pornográfica – o que, aliás, acontece com todos os géneros de banda desenhada -, esta variante e vista pela comunidade internacional de desenhadores como algo quase pirata, que não é devidamente reconhecido. Mas com “A song for Elise", Natália Batista lança"pela primeira vez "um livro de manga para adultos, mas com uma temática completamente diferente, elogiado e reconhecido pelos "puristas". Um novo estilo temático, que até já tem nome japonês, naturalmente: "Yaoni manga".

“Cresci a ler e a ver filmes de manga, mas como as crianças crescem, a manga, naturalmente, também deve evoluir", comentou ao JN Natália Batista, admitindo que "a manga é sempre associada às crianças", pelo que o seu livro surpreende, mas "pode levar até aos jovens assuntos que os interessam, num estilo de desenho de que sempre gostaram".

A sua paixão pela manga é de inteira dedicação: estudou este estilo numa escola de artes sueca, em Malmo, e profissionalizou-se neste tipo de desenho. O estudo da língua e cultura japonesas é outro dos seus principais interesses, pois "a manga continua a ser uma imagem de marca japonesa". Mas também com uma larga legião de seguidores na Europa. O movimento "euromanga" já chegou a Portugal, sobretudo através das publicações "NCreatures".
Em “Song for Elise", a autora aborda questões como o suicídio e a homossexualidade, construindo uma história a volta de três personagens, Andi, Marcus e Ellse, que, revelou, se baseia "em situações semelhantes" vividas por amigos seus. O livro,"o primeiro deste tipo a ser publicado na Europa", pretende ser "um reflexo das questões actuais da nossa sociedade, envolvendo ambientes e situações próprias dos jovens de hoje". Com desenhos a preto e branco e texto em Inglês, “Song for Elise" esta disponível na Internet, em www.asongforelise.smackjeeves.com.

A comunidade de desenhadores de manga é crescente na Europa, "contactamos uns com os outros", e Portugal não e excepção. Já com uma publicação traduzida para Português, "Only you", Natália Batista espera que este novo livro possa chegar a um largo número de jovens adultos, pois a sua manga cresceu como eles, prolongando nos desenhos os seus sonhos e ansiedades.

Natália é já considerada uma das principais desenhadoras do movimento “euromanga".

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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JORNAL “I” DE 21/08/2009.

ESPECIALISTA BD

Cristovão Gomes

Marjane Satrapi - Revolução silenciosa

Marjane Satrapi nasceu em 1969 em Rasht, no Irão, no seio de uma família privilegiada, cujas raízes se estendem até Nasser al-Din Saha, xá da Pérsia entre 1848 e 1896. Tinha nove anos quando viveu a Revolução Islâmica e guardou dela as mem6rias que uma criança da sua idade pode conservar: uma série de hábitos que mudaram palavras que passaram a ser sussurradas. Aos 14 foi estudar para Viena, mas foi em Estrasburgo que se formou, em Comunicação Visual. Foi depois do divórcio que decidiu contar a sua história - que afinal se cruzava com um período tão importante da história do seu país. Por ser difícil escrevê-la, ilustrou-a. E fê-lo com a parcimónia que a sua memória justificava; num preto e branco austero povoado por figuras que parecem desenhos incompletos, usando cenários simples que evitam distracções. Persépolis, assim ficou a chamar-se a sua obra, depois do sucesso do volume inicial espraiou-se por outros três. É verdade que ajuda ter uma história assim para contar, mas o que é mais surpreendente na obra de Satrapi é a contenção e a eficácia que consegue através desse esforço de se limitar ao essencial. Escreve pouco, desenha pouco, deixa que o resto seja adivinhado, descobrindo as pequenas fendas no quotidiano que se altera. E resulta na perfeição. De tal maneira que em 2007 transpôs o livro para o cinema e acabou por ser premiada em Cannes. Vive hoje em dia em Paris, onde prepara a adaptação do seu livro "Poulet aux Prunes" ao cinema. No tempo que lhe resta ilustra livros infantis.

Escreve à sexta-feira

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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"A BD É MAIS PODEROSA DO QUE QUALQUER OUTRA FORMA DE EXPRESSÃO”

Afirma David Rubin, autor galego de banda desenhada

F. Cleto e Pina

Chama-se David Rubin, nasceu em Ourense em 1977, e, de passagem pelo Porto, para inaugurar exposições de originais na Biblioteca Municipal de Gaia (até 31 de Agosto) e na livraria/galeria Mundo Fantasma (C.C. Brasília, até 13 de Setembro), conversou com o JN sobre a BD galega. Ou melhor, sobre a “BD feita na Galiza, onde há autores a trabalhar para lá, para Espanha, França, Estados Unidos, mas não em histórias com vacas ou castros.” A existir uma “BD galega”, ela distinguir-se-á pela maneira “de escrever, de sentir, como se expressam as personagens, que é o que torna as obras autênticas e perduráveis no tempo”. Co-fundador do colectivo Polaquia, que edita a revista “Barsowia”, afirma que a 9ª arte na Galiza “está no seu melhor momento porque nunca houve tantos autores no activo, tantas propostas editoriais, tantos não galegos publicados em galego”. Apesar disso, não “há que lançar foguetes, pois ainda há muito para avançar”.

Conversador agradável, finalista do Prémio Nacional de Comic espanhol em 2007, por “La teteria del oso malayo” (Astiberri), define-se “antes de tudo como um autor de BD que também faz cinema e ilustração” e considera os quadradinhos “mais complexos e poderosos que qualquer outra forma de expressão, seja a literatura, o cinema, o teatro…”, pois “um autor de BD é escritor, desenhador, pintor, encenador, iluminador, monta, marca o ritmo, planifica, define a velocidade de leitura…”

Apesar de ter feito “o primeiro comic aos 7 anos”, acredita que com “cada livro aprende e dá um pouco mais do que no anterior”. E se a sua ambição é viver da banda desenhada, mesmo que pudesse “não deixaria a animação ou a ilustração”, pois não quer “confinar-se a um único meio e ficar limitado”.
Nas suas histórias, Rubin fala do que o “inquieta, preocupa ou diverte”, sem ter que agradar a editores, leitores ou modas. O que não impede que tenha aceite o desafio de adaptar em apenas 30 pranchas “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, ou “O Monte das Almas”, de Gustavo Bécquer, com os quais aprendeu “a usar a sombra e a cor como elementos narrativos e a dar a primazia ao relato em relação ao desenho”. O que é fundamental, pois “os comics são sobretudo um meio narrativo”.

Define-se como “um criador visceral, que trabalha com as tripas e o coração, deixando que a arte flua sem controle”, pelo que por vezes o resultado o surpreende. Gosta de reler o trabalho impresso, para verificar “se tudo saiu bem” e folheia-o “de vez em quando para ver a evolução, pois ela não se planeia; conforme se avança na vida, experimentam-se coisas diferentes que afectam o desenho e as formas de contar histórias”.

Tendo estado nos festivais de BD de Beja e da Amadora, acredita no potencial destes encontros em que se “vão formando pontes que beneficiam todos” e lhe permitiram descobrir e apreciar autores portugueses (que nomeia sem dificuldade) como Paulo e Susa Monteiro – que já publicou na “Barsowia” – Miguel Rocha, Filipe Abranches, José Carlos Fernandes, Pedro Brito ou Pedro Nora. E defende maiores intercâmbios entre festivais portugueses e galegos e até edições conjuntas.

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

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Henri-Joseph Reculé nasceu em Viña del Mar (Chile) a 2 de Junho de 1970, filho de mãe chilena e de pai belga. Em 1984, ele e a sua família vieram residir para a Bélgica, onde ele cursou no Instituto de Belas Artes de Saint-Luc, em Liége.

Em 1990, em parceria com Jean-Luc Sala, estreou-se na Banda Desenhada, criando «Le Grand Veneur», obra que logo lhe valeu o 1.º prémio num concurso da revista «Jet». Esta parceria realiza ainda «L’Ombre de la Croix» e, em 1993, «La Légende de Kynam».

A solo, pois Reculé também é argumentista, criou logo a seguir a série medieval «Castel Amer», já com cinco tomos. Associa-se depois ao notável guionista Stephen Desberg, donde resultam as séries: «Le Crépuscule des Anges» (dois tomos), «Le Dernier Livre de la Jungle» (em cinco tomos, uma revisitação curiosa a «O Livro da Selva» de Rudyard Kipling), «Les Immortels» (cinco tomos) e «Cassio» (que já vai no segundo tomo). Mas, de permeio, colaborou ainda para as séries «Le Cercle des Sentinelles» e «Empire USA».

Na linha realista e com o seu traço dinâmico, Henri Reculé é já um dos grandes novos valores da BD europeia. E a sua obra bem merecia conhecer edições em português, se as nossas editoras não fossem tão inconscientes e não passassem suas edições traduzidas (normalmente, se bem que nem sempre) a esparramar-se em mediocridades. Brada aos céus tamanha e voluntária miopia!

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Imagem da responsabilidade do Kuentro.

Publicado por jmachado em agosto 28, 2009 07:58 PM | TrackBack
Comentários

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Afixado por: jsenbqt em agosto 31, 2009 09:19 AM
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