junho 29, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #69 - João Miguel Lameiras no Diário “As Beiras” + Pedro Cleto no Jornal de Notícias + CONVITE PARA LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS DE JOSÉ RUY

João Miguel Lameiras no Diário “As Beiras” sobre o recém lançado livro A TEORIA DO GRÃO DE AREIA, de Schuiten e Peeters. Pedro Cleto no Jornal de Notícias, sobre a lenda de MOURA em BD por 16 autores portugueses; sobre a Exposição de Craig Thompson na Mundo Fantasma e sobre a última edição de Manuel Caldas: LANCE, Volume 2 (de 4). Depois o CONVITE para o Lançamento de dois Livros de José Ruy, OS LUSÍADAS EM BD (edição comemorativa dos 25 anos da publicação) e MIRANDÊS - HISTÓRIA DE UMA LÍNGUA E DE UM POVO EM BD, em edições em português e mirandês…

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BANDA DESENHADA

REGRESSO ÀS CIDADES OBSCURAS

João Miguel Lameiras

Uma das mais interessantes séries de banda desenhada europeia das últimas décadas, “As Cidades Obscuras”, de Schuiten e Peeters, nunca tiveram em Portugal a atenção constante que a qualidade da série justificava. Depois das Edições 70, Meribérica e Witloof, chegou a vez das edições Asa pegarem na série, editando a 1.ª parte de “A Teoria do Grão de Areia”, a mais recente incursão da dupla Schuiten e Peeters pelo universo das Cidades Obscuras, publicado originalmente em França em Setembro de 2007.

Série maior da BD franco-belga, que cedo ultrapassou os limites da própria banda desenhada, para dar origem a livros ilustrados, documentários, exposições, intervenções cenográficos e até um congresso em Coimbra (cujas actas deram origem ao livro “As Cidades Visíveis”), “As Cidades Obscuras” é um desses raros exemplos de que na BD também é possível criar universos complexos e coerentes. Nascida em 1983, nas páginas da revista (A Suivre) com “Les Murailles de Samaris” e o que era para ser uma história independente, de homenagem à Arte Nova e à arquitectura em “trompe l’oeil”, acabou por dar origem a uma série de histórias autónomas, passadas num universo que os próprios autores definem como sendo um reflexo deslocado da Terra. Um universo constituído por uma série de cidades fantásticas, como Urbicande, Samaris, Brussels, Xystos, ou Phary, verdadeiros protagonistas de histórias fascinantes, que têm como pano de fundo as relações entre a arquitectura e o poder.

Em “A Teoria do Grão de Areia”, álbum que as Edições Asa distribuíram nesta última quinta-feira com o jornal Público (mesmo que na véspera já estivesse à venda no El Corte Inglês de Lisboa…) e que em meados de Julho chegará ao mercado livreiro tradicional, é a cidade de Brusel (equivalente no universo das Cidades Obscuras a Bruxelas) que se vê afectada por estranhos fenómenos. Fenómenos esses que atraem a Brusel, Mary Von Rathen, a protagonista do álbum “A Menina Inclinada”, que agora aparece como uma investigadora de fenómenos paranormais, na linha de uma Dana Scully, da série “X Files – Ficheiros Secretos”. E Mary não é a única personagem recorrente na série a participar nesta aventura, pois também Constant Abeels, que conhecemos do álbum “Brusel” é uma das vítimas dos estranhos fenómenos, ao ver a sua casa invadida por milhares de pedras vindas do nada, de formato irregular, mas todas com o mesmo peso de 6.793 gramas.

Embora este álbum possa perfeitamente ser lido por quem não conheça a série, há uma série de referências que serão mais facilmente compreendidas por quem conhecer bem a obra de Schuiteen e Peeters e o universo das Cidades Obscuras, como é o caso do edifício, desenhado por Victor Horta onde vive a Senhora Autrique, que existe realmente em Bruxelas e que foi recentemente restaurado e dinamizado, muito por via do esforço de Schuiten e Peeters.

Apresentado num formato italiano (horizontal) pouco habitual, este álbum mostra um Schuiten a explorar a técnica do preto e branco a pincel, na linha dos grandes mestres da BD nos jornais, como Milton Caniff, ou Alex Raymond, com excelentes resultados, em que a opção por um papel em tons de cinzento realça ainda mais o branco das pedras e da areia que invadem as casas de Constant Abeels e da Senhora Antipova. Agora, resta esperar pela edição portuguesa do segundo volume (anunciado para 2010) para saber como acaba esta história que nos proporciona um regresso ao fascinante universo das Cidades Obscuras.

Se a Asa está de parabéns pela aposta numa série absolutamente fundamental, ainda para mais contando com a divulgação acrescida que lhe é dada pela distribuição com o jornal Público, só é pena que, em vez da “Teoria do Grão de Areia”, não tivesse começado com o 2.º volume de “A Fronteira Invisível”, a história anterior, de que em Portugal apenas saiu a primeira parte, devido à falência da editora Witloof. Os leitores que não sabem francês (os outros, há muito que desistiram de esperar pelas edições portuguesas) certamente agradeceriam…

(“A Teoria do Grão de Areia” vol 1, de Schuiten e Peeters, Edições Asa, 136 págs., 17,50 Ä)

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Jornal de Notícias, 24 de Junho de 2009

AUTORES PORTUGUESES RECONTAM LENDA DE MOURA EM BD

Pedro Cleto

Aproveitando o feriado municipal, a Câmara Municipal de Moura inaugura hoje, pelas 11 horas, no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, a exposição dos originais que compõem o álbum "Salúquia - A Lenda de Moura em Banda Desenhada", que ficará patente até dia 20 de Julho.

Obra colectiva, em gestação desde 2004, junta 15 desenhadores e um argumentista - Luís Afonso, Jorge Magalhães, Augusto Trigo, José Ruy, José Garcês, Artur Correia, Zé Manel, Carlos Alberto, Isabel Lobinho, Pedro Massano, Catherine Labey, José Abrantes, Baptista Mendes, Eugénio Silva, José Pires e José Antunes - já com muitas provas dadas na BD nacional, não só na temática histórica, mas também no campo do humor, do erotismo ou da ficção aos quadradinhos.

Apresentado hoje, o álbum, com 76 páginas, capa de Carlos Alberto e contra-capa de Isabel Lobinho, compila treze bandas desenhadas e duas ilustrações que são outras tantas versões, diferentes no estilo, nas técnicas e na abordagem, da lenda da moura Salúquia, que originou o actual nome da cidade de Moura.

Durante o lançamento e na inauguração da exposição, ocorrerão momentos musicais a cargo do Coro Polifónico "As Vozes da Moura" e de elementos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo - Secção de Moura.

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junho 25, 2009

FEIRA LAICA NA BEDETECA DE LISBOA 27 E 28 DE JUNHO + EXPOSIÇÃO "OS ILUSTRÁVEIS" EM OEIRAS

Aí está mais uma FEIRA LAICA no jardim (e não só) da BEDETECA DE LISBOA, no próximo fim-de-semana, dias 27 e 28. Encontram-se sempre algumas pechinchas entre o pessoal que leva livros que já não quer e outras coisas, claro. Depois, dia 29 inaugura no Palácio Ribamar, em Algés, a exposição OS ILUSTRÁVEIS: Vasco Gargalo (desenhos), André Oliveira (texto).

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Mais uma vez, como tem vindo a ser hábito, a Feira Laica invade os jardins da Bedeteca de Lisboa para mostrar a dinânima da edição independente portuguesa e estrangeira, naquela que será a única e MAIOR feira do género - tanto que neste ano tudo aumentaram o número de convidados estrangeiros, o número de editoras e o número de novidades editoriais.

Da Finlândia vem Benjamin Bergman, Jarno Latva-Nikkola e Tommi Musturi (que desenhou o cartaz da Feira) - ambos do colectivo finlandês Boing Being, com ligações ao jornal Kuti e à antologia Glömp. Da Eslovénia Kaja Avbersek e Gasper Rus do colectivo esloveno Stripcore que edita a revista Stripburger. A autora Kaja ilustrou o último número da revista "Entre o vivo, o Não-Vivo e o Morto".

De Portugal: revista Acto, Alexandre Esgaio, Atelier Toupeira / Bedeteca de Beja, Averno, Bela Trampa, Chili Com Carne, colectivo Pinopaco, El Pep, discos F.Leote, Os Gajos da Mula, Grain of Sound, zine O Hábito Faz O Monstro, Hülülülü, Imprensa Canalha, Lemur, Marvellous Tone, Massa Folhada, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, Opuntia Books, Piggy, Reject Zine (com All*Girlz zine, Doczine, Shock e Terminal), Skinpin Records,Sleep City, Thisco, Drome Video Zine, Zona Zero e zine Znok. A confirmar: Centro de Convergência, FlorCaveira e Raging Planet.

As novidades editoriais anunciadas:
- "Aguda" (Sleep City), zine;
- "Chthonic : Prose & Theory" (Chili Com Carne + Thisco), livro de Vadge Moore;
- "Crack On : 2nd Ponti Comix Anthology" (Chili Com Carne + Forte Pressa), antologia de bd;
- "Cult Pump" (Opuntia Books), grafzine de Zven Balslev;
- "Derby" (Imprensa Canalha + Mike Goes West), grafzine colectivo;
- "Dry and Free From Grease" (Opuntia Books), grafzine de André Lemos;
- "É fartar vilanagem!!" #2, zine bd de Alexandre Esgaio;
- "Old Age" (Skinpin), CD dos The Pope;
- "As Raças Humanas" (Imprensa Canalha), grafzine de José Feitor;
- serigrafia de Alberto Corradi (Mike Goes West);
- "Shock" #29, fanzine bd de Estrompa;
- T-shirt CCC #3 (O Hábito Faz O Monstro), de João Chambel;
- "Zona Zero", antologia de bd;
- "Znok" #2, zine bd de Filipe Duarte.

Este ano, a Feira Laica vai dar algum destaque ao meio aúdio-visual, aproveitando o auditório da Bedeteca para projectar, filmes de animação, vídeos e documentários sobre edição independente.
No Sábado, a partir das 14h30:
- "CTRL+ALT+TOONS : A collection of independent cartoon by Inguine.net" (66m, Itália, 2006) do colectivo de bd Inguine;
- "Carbage Goma" (26m, EUA, 2009) de David Lee Price - vídeo incluído no disco "Journey Into Amazing Caves" dos Zanzibar Snails);
- "20 ans de Fanzino" (49m, França, 2009) de Marika Boutou e Karel Pairemaure - ver Destaque de 15.06.09);
- "Doczine, vol. 1 e 2" (2h, Portugal, 2004/09) de José Lopes, com a presença do autor para questões após visionamento.
No Domingo, a partir das 14h30 - é o "dia do cinema de animação nacional" com vários filmes da produtora Animanostra (2h total, Portugal, 2000/09):
- "Histórias de Molero" de Afonso Cruz;
- "Algo importante" de João Fazenda;
- "Diário de uma inspectora do livro de recordes" de Tiago Albuquerque;
- "Um degrau pode ser um mundo" de Daniel Lima - estes últimos três filmes ambos com argumento de João Paulo Cotrim;
- "O Paciente", "Sem respirar" e "Sem dúvida, amanhã", ambos de Pedro Brito;
- "Januário e a Guerra" de André Ruivo;
- "Pássaros" de Filipe Abranches;
Para finalizar este dia Goran Titol (imagem) toca e mostra os seus filmes de animação num concerto para todo público.

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junho 23, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #68 - Carlos Pessoa no Público: LANÇAMENTOS - AMANHÃ MAIS UM VOLUME DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN E NA 5ª FEIRA "TEORIA DO GRÃO DE AREIA"

O jornal Público lança amanhã mais um livro da colecção Clássicos da revista Tintin, desta vez “Bernard Prince”, de Greg e Hermman. Na 5ª feira, também com o Público é lançado o livro “A Teoria do Grão de Areia”, de Benoit Peeters e François Schuiten. Tudo isto em colaboração com a ASA.

De referir que esta “A Teoria do Grão de Areia”, foi motivo de uma recensão crítica de Pedro Cleto no BDjornal #21 (Outubro/Dezembro de 2007) que, já agora incluímos aqui, bem como a referência à exposição em Bruxelas, aquando do lançamento do álbum.

Mas vamos por ordem de lançamentos:

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BERNARD PRINCE NO SEXTO ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN

TRÊS AVENTUREIROS NUM BARCO

Bernard Prince
Quarta-feira, 24 de Junho
Por + 6,90 euros

Carlos Pessoa

Bernard Prince, Barney Jordan e Djinn são os elementos residentes de uma banda desenhada popular de qualidade. Este trio inconfundível, com características complementares - de facto, a quem ocorreria associar um homem elegante, fleumático e com boa apresentação (Prince) a um colérico barrigudo, beberrão e mal vestido (Barney) e a uma criança? -, foi uma criação da dupla Greg - Hermann, dois talentos puros que iriam, nos anos seguintes, dar ainda muito que falar de si e do seu trabalho.

Quanto a Bernard Prince e seus companheiros, começaram por ser os protagonistas de curtas histórias que viram a luz do dia na revista Tintin (edição belga), a partir de 4 de Janeiro de 1966. Uma vez apresentados, puseram-se a correr mundo a bordo do seu navio Cormoran, vivendo situações em destinos cada vez mais exóticos.

A série filia-se, assim, na melhor tradição da BD de aventuras, tão ao gosto dos jovens leitores da revista que as acolheu, mas também de um público mais adulto que sabe apreciar uma boa série de acção.

Os adversários dos heróis são, em geral, gente dura e sem escrúpulos, traficantes ou simples bandoleiros, criminosos empedernidos ou personagens oblíquas sem ética. Ou seja, homens e mulheres pouco recomendáveis, para quem a vida humana pouco ou nada vale. Neste contexto tão adverso, os personagens respondem com a sua inteligência e coragem, frieza e audácia, condimentadas com a força física sempre que isso se revela necessário. O resultado final é convincente: realizadas na fase culminante do percurso da série, as duas aventuras seleccionadas ilustram bem essa capacidade de síntese dos ingredientes narrativos, sabiamente doseados pelos seus criadores.
A mão de Greg está presente na maturidade dos argumentos que escreve. Hermann revela, nesta primeira obra de uma longa série produzida nas décadas seguintes, um talento acima da média. Associando acção e dramatismo (Greg) num registo gráfico realista com grande força expressiva (Hermann), os dois criadores assinam uma das obras de referência da BD europeia da segunda metade do século XX. Infelizmente para todos, Hermann abandonará a série em 1977, para se dedicar a outros projectos.

A carreira de Bernard Prince em Portugal começa no dia 31 de Maio de 1969, quando a revista Tintin inicia a publicação de Tormenta sobre Coronado. Nesse mesmo ano surge o primeiro álbum da série - Os Piratas de Lokanga (inclui uma segunda história, O General Satã), com a chancela da Editorial Íbis. Além da Íbis, outras três editoras publicaram álbuns da série Bernard Prince. A Livraria Bertrand foi responsável pela saída de quatro livros entre 1973 e 1978 e a Distri Editora publicou dois em 1983. A Meribérica-Liber, por último, lançou três álbuns de Bernard Prince em 1987 e 1988 (um dos quais assinado por Dany e Greg).

A Fortaleza das Brumas e Objectivo Cormoran são as histórias que integram o sexto álbum da colecção Clássicos da revista Tintin, dedicado a Bernard Prince. Esta colecção é composta por uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação da banda desenhada na segunda metade do século XX. As duas aventuras (argumento de Greg e desenho de Hermann) estão inéditas em álbum em Portugal.

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A Teoria do Grão de Areia, BD inédita em Portugal em edição conjunta Público-ASA

ESTRANHOS ACONTECIMENTOS EM BRUXELAS

A TEORIA DO GRÃO DE AREIA (tomo 1)
Quinta-feira, 25 de Junho
Por +17,50euros

Carlos Pessoa

Último episódio do ciclo Cidades Obscuras, verdadeiros protagonistas de uma série que homenageia os grandes arquitectos do início do século XX

Constant Abeels passa o seu tempo a arrumar pedras que se materializam de forma misteriosa no seu apartamento. Apoucos quarteirões, a senhora Antipova debate-se com a lenta, mas inexorável, acumulação de areia nas divisões de sua casa, para grande alegria dos dois filhos. O chef Maurice debate-se com uma situação paradoxal- perde peso, ao ponto de ser obrigado a usar pesos para não flutuar, mas não emagrece...

A equação formulada pelo argumentista Benoit Peeters e pelo desenhador François Schuiten – autores do álbum de banda desenhada A Teoria do Grão de Areia que será distribuído pelo PÚBLICO no próximo dia 25 de Junho - completa-se com a presença de Mary Von Rathen, a antiga criança-inclinada de outra história desta dupla (L'Enfant Penchée), a quem compete investigar e resolver estes enigmas.

Esta banda desenhada, último episódio conhecido do ciclo Cidades Obscuras (a segunda parte da história será publicada em 2010) que os dois criadores desenvolvem desde 1982, é apresentada num belíssimo álbum (formato italiano e bicromia) dentro de caixa dura, uma fórmula inédita nesta série e pouco comum nas edições oriundas do mercado franco-belga.

Os vastos espaços arquitecturais do díptico anterior (A Fronteira Invisível, parcialmente publicado em Portugal) dão lugar a uma narrativa mais centrada em ambientes interiores, com recurso a técnicas gráficas que contribuem para manter o clima misterioso e apocalíptico que atravessa esta e outras histórias.
O projecto da dupla Peeters-Schuiten constitui uma singularidade no panorama da banda desenhada europeia. Samaris, Urbicanda, Armilia ou Bruxelas são, no seu esplendor urbanístico e arquitectónico, os verdadeiros protagonistas de uma série que é tanto uma homenagem aos grandes arquitectos dos primeiros anos do século XX, como a manifestação de uma utopia grandiosa em torno dos espaços balizadores de um grandioso mundo paralelo.

Os leitores terão de esperar pelo segundo tomo de A Teoria do Grão de Areia para saber que mistérios se ocultam por trás desta bizarra invasão de Bruxelas por areia e pedras, e que nexo existe com a perda de gravidade de alguns dos seus habitantes. Mas os dados estão lançados desde já: o acontecimento inquietantes que se desenvolvem em Bruxelas constituem um sério desafio à capacidade de entendimento colectivo, sugerindo a existência de espaços de resistência à compreensão das coisas que a ciência e a razão, chaves de leitura desta civilização e deste tempo, são aparentemente incapazes de derrubar.

Abanda desenhada A Teoria do Grão de Areia (tomo 1), de Benoit Peeters (argumento) e François Schuiten (desenho), é o último episódio do ciclo Cidades Obscuras, que aqueles criadores desenvolvem desde 1982 com grande sucesso. Numa iniciativa conjunta Público-ASA.

Esta obra inédita em Portugal é apresentada num álbum de formato italiano e bicromia, dentro de caixa dura, fórmula inédita na série e pouco comum nas edições oriundas do mercado franco-belga.

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A Teoria do Grão de Areia no BDjornal #21:

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LA THÉORIE DU GRAIN DE SABLE

François Schuiten (desenho) e Benoit Peeters (argumento)

Casterman

Universo fantástico, só possível em BD, paralelo ao nosso, com múltiplos pontos de contacto, referências ou desenvolvimentos, combinando presente, passado e futuro e dotado de cidades (quase) com vida própria - as verdadeiras protagonistas de cada livro - onde se distinguem alguns habitantes, atentos ou desencadeadores dos pormenores que despoletam cada história, a série "As cidades obscuras", associa o traço sumptuoso - mas extremamente legível e funcional - de François Schuiten, que cria e recria arquitecturas e mundos, e os argumentos inteligentes, ao mesmo tempo profundos e claros, de Benoit Peeters.

No mais recente álbum, "La Théorie du grain de sable", que começa com alguns factos insólitos aparentemente sem interligação, mas que se vão acentuando com o passar do tempo - a morte por atropelamento de um estrangeiro de aspecto bárbaro, a acumulação regular de grãos de areia num apartamento e de pedras de peso constante (6793 gramas, um número primo) noutra ou a progressiva perda de peso, sem que no entanto emagreça, por parte de um chefe de cozinha - mostrando o perigo do aumento descontrolado de pequenos problemas de fácil solução na sua origem, Peeters e Schuiten constroem uma fábula ecológica que alerta para os perigos do aquecimento global, ao mesmo tempo que mostram que o que vem de fora (da Europa comunitária…) não tem que ser obrigatoriamente mau, só porque é diferente.

Nele, reencontramos a (já não) pequena Mary Von Rathen (de "L'enfant penchée"), chamada de Phâry para conduzir o inquérito sobre os estranhos acontecimentos, e Constant Abeels (de "Brusel"), anos depois das histórias que (co-) protagonizaram, que vão ser observadores privilegiados dos insólitos fenómenos que dão um toque de fantástico, até aqui praticamente ausente na série, e que contrasta com o traço hiper-realista com que Schuiten, a pincel, construiu os cenários, e pontuam a acção deste livro, em formato italiano (deitado), que marca o regresso ao preto e branco (e branco - puro, uma "terceira" cor, de que só os leitores e Mary se apercebem, mas cuja mancha vai crescendo página a página), numa obra que reafirma a vontade de Schuiten e Peeters inovarem constantemente, pondo sempre em causa todas as soluções anteriormente experimentadas nas Cidades Obscuras e questionando continuamente o universo que criaram.

Como único senão fica o facto de ser apenas o primeiro de dois tomos, restando-nos aguardar pelo segundo. Com impaciência.

Pedro Cleto

EXPOSIÇÃO SOBRE “LA THÉORIE DU GRAIN DE SABLE”

Está patente até Março de 2008 uma exposição sobre este novo livro de François Schuiten e Benoit Peeters em Bruxelas na própria Maison Autrique, a casa criada por Victor Horta em 1893 para Eugene Autrique e que faz parte do livro La Théorie Du Grain De Sable. Pranchas e serigrafias originais (editadas pelos Archives Internationales), projecções de vídeo de um documentário-ficção – editado em DVD, etc...
Acresce que os autores estão, com esta exposição, também a promover a restauração do edifício.
Aconselhamos a visita ao site http://expograin.autrique.be/

J. Machado-Dias

O site da Exposição a que nos referimos neste texto do BDj #21 ainda pode (actualmente) ser visto AQUI.

Publicado por jmachado em 08:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 22, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #67 - Álbum "FERNANDO LOPES-GRAÇA, APONTAMENTOS DE UMA VIDA" TEXTO DE PEDRO CLETO NO JN + UM CONVITE PARA O LANÇAMENTO DE "SALÚQUIA – A LENDA DE MOURA" EM BANDA DESENHADA + O SEGUNDO VIDEO DE HUGO JESUS NO PORTO CANAL

Lançado pela Câmara Municipal de Tomar – Divisão de Animação Cultural, o livro FERNADO LOPES-GRAÇA – APONTAMENTOS DE UMA VIDA, de Ricardo Cabrita (texto e desenhos) foi motivo de um texto de Pedro Cleto no Jornal de Notícias. Eis a capa do álbum e o texto de PC.

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Vai ser lançado em Moura, no dia 24 (4ª feira) – dia de S.João e Feriado Municipal de Moura - o álbum SALÚQUIA – A LENDA DE MOURA EM BANDA DESENHADA.

No dizer de Carlos Rico, coordenador do Salão Internacional de BD de Moura:

(...)em relação a este projecto, posso dizer que a coisa nasceu em 2004 (quando o tema do Concurso de BD & "Cartoon" de Moura foi a... Moura Salúquia) mas só agora (o álbum) verá a luz do dia!
O critério de escolha dos participantes foi simples: todos os autores portugueses homenageados nas várias edições do Moura BD! Desses, e por questões de saúde, apenas 3 não puderam participar (José Manuel Soares, José Baptista e António Barata, este último, entretanto, já desaparecido, como se sabe). Temos, portanto, um total de 16 participantes (15 desenhadores e um argumentista), todos eles já homenageados em Moura, com uma única excepção: Zé Manel (dado que, no já citado Concurso de Moura, este autor tinha sido premiado e, portanto, a Câmara aproveitou para incluir no álbum a sua versão da lenda).

A capa do álbum é de Carlos Alberto Santos. A contra-capa é de Isabel Lobinho, sendo que a sua ilustração também figura como página de rosto e como logotipo da exposição de originais que inaugura no mesmo dia.

O dia e a hora do lançamento têm a ver com o facto de Moura festejar nesse dia o seu Feriado Municipal. Sendo um dia tão especial para os mourenses, haverá, a partir das 9:00 horas, uma série de iniciativas programadas (distribuição de flores à população, desfile de bandas de música, teatro de rua, visitas às Ruas Floridas) e que incluirão o lançamento do álbum e a inauguração da exposição. À tarde e à noite, haverá ainda um Concerto com o Grupo "Vá de Modas" e um Festival de Marchas Populares...

Portanto aqui fica o convite aos leitores para, se quiserem (e puderem), deslocar-se a Moura no dia 24 próximo, curtindo um pouco da planície alentejana – e da passagem pelo Alqueva, já agora - neste início de Verão meio titubeante – e participarem na Festa da cidade, vendo banda desenhada e comprarem o livro.

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E aqui fica também o 2º vídeo de Hugo Jesus na rubrica COMICZ no Porto Canal:

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Como de costume, clicar em cima de imagem para ver o vídeo!!

Publicado por jmachado em 08:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 20, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #66 - Zé Carlos Francisco na revista Anim’Arte + Cristovão Gomes no “i” + Hugo Jesus no Canal Porto

Zé Carlos Francisco na revista Anim’Arte de Abril/Maio/Junho de 2009, acerca dos 60 Anos de Tex no Festival da Amadora 2008, Cristovão Gomes no jornal “i” de 19 de Junho e um vídeo do programa Comicz, do Canal Porto, em que Hugo Jesus (da Central Comics) é entrevistado.

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60 ANOS DE TEX WILLER NO FIBDA 2008

Tex Willer, a carismática personagem da banda desenhada italiana, criada em 1948 pela dupla Giovanni Luigi Bonelli & Aurelio Galleppini e que teve a sua primeira exposição em Portugal, em 2005, por ocasião do 14º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, completou portanto em 2008, 60 anos de vida editorial e a efeméride foi condignamente comemorada no nosso país, integrada na 19ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), o mais consagrado do género em Portugal e um dos mais conceituados a nível internacional, que decorreu de 24 de Outubro a 9 de Novembro e cujo tema central apesar de ter sido a “Tecnologia e Ficção Científica”, organizou uma exposição dedicada ao sexagésimo aniversário desta personagem de aventuras da Editora Bonelli, mais precisamente uma mostra que incluiu páginas ORIGINAIS expostas pela primeira vez num país fora da Itália, o que mostra bem a consideração dada pela Sergio Bonelli Editore ao evento português, pois apesar de inúmeras exposições, realizadas em variados países, dedicadas ao inoxidável Ranger do Texas, tal nunca foi autorizado pelos responsáveis da editora italiana.

Estiveram expostas páginas originais que diziam respeito a toda a produção de 2008, com destaque para a história comemorativa dos 60 anos, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli, incluindo a exposição também originais da autoria de alguns dos mais consagrados desenhadores de Tex, como por exemplo o italiano Giovanni Ticci, o espanhol Alfonso Font ou o argentino Ernesto Garcia Seijas, mas igualmente pranchas desenhadas por alguns dos mais recentes elementos da equipa de desenhadores, como foram os casos de Marco Santucci, Marco Bianchini, Franco De Vescovi, Rossano Rossi ou Ugolino Cossu. Também estiveram patentes ao público algumas capas originais e respectivas provas de cor, todas da autoria de Claudio Villa, o herdeiro de Galleppini que se despediu dessa função desenhando um pouco antes da sua morte, a capa da edição nº 400.

A exposição teve ainda como hóspedes de honra, o ilustre e incansável Fabio Civitelli, precioso embaixador italiano de Tex, que regressou a Portugal, depois de ter sido o autor estrangeiro homenageado no Salão MouraBD2007, e o seu concidadão e colega, estreante no nosso país, Marco Bianchini, um dos mais antigos e mais conceituados desenhadores da Sergio Bonelli Editore, para onde entrou em 1985, tendo desenhado histórias de Mister No durante 20 anos até que foi promovido para o staff de Tex, tendo-se estreado na série italiana no passado mês de Outubro.
Ambos foram acolhidos com grande afecto por um público afável e bem informado, retribuindo com a sua simpatia e disponibilidade, presenteando os amantes da 9ª Arte com uma galeria de fantásticos desenhos feitos na ocasião, que a todos encantaram, não negando igualmente alguns minutos para falar, para ouvir e para trocar ideias sobre os mais variados assuntos, com as dezenas de ávidos texianos que os rodeavam durante as sessões de autógrafos, recompensando-os também deste modo, pela longa espera a que estiveram sujeitos devido ás longas filas, nunca negando inclusive um sorriso ou uma foto. Uma verdadeira lição de profissionalismo, humildade e amor pelos seus fãs e pelo seu trabalho que perdurarão, certamente, por muito tempo na memória daqueles que tiveram o privilégio de os viver, alguns dos quais vieram de longe, inclusive do estrangeiro, tudo por uma paixão comum: TEX.

A assinalar esta homenagem portuguesa aos 60 anos de Tex Willer, ocorrida no FIBDA foi produzido um gracioso pin oficial, feito propositadamente para o evento, com autorização da SBE e nele consta o logótipo tradicional de Tex, assim como a menção ao sexagésimo aniversário do Ranger e um desenho de Tex a cavalo da autoria de um dos mais consagrados desenhadores do mundo, o americano Joe Kubert!

E assim num curto espaço de tempo (2005-2008) TEX WILLER teve a sua terceira grande exposição no nosso país, facto de grande realce, inclusive porque Portugal é um país onde Tex não é publicado, embora recebendo desde 1971, as edições brasileiras, o que mostra bem o interesse, empenho e carinho dos texianos portugueses pelo lendário Ranger e mostra sobretudo a importância que a Sergio Bonelli Editore concede a Portugal, ao colaborar em exposições de tão alta importância, como bem atesta a mais recente, denominada "60 Anos de TEX", depois da “Nova vaga de desenhadores” ocorrida na cidade alentejana de Moura em 2007 ou a relativa aos “Autores de Tex Gigante”, em 2005 na nossa cidade, todas elas contribuindo para que a longa cavalgada de Tex continue ainda por muito tempo, nesta sua incansável luta ao serviço de uma causa justa, entre índios e mexicanos, rancheiros e pistoleiros: ontem nos desertos do Arizona, hoje nos pântanos da Florida, amanhã nas infinitas pradarias do Texas, porque depois deste histórico passado de seis décadas, continuará sem a menor dúvida, crescendo no futuro, cada vez mais, a lenda de Tex Willer, o Águia da Noite...

* José Carlos Pereira Francisco

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JORNAL “I” DE 19/06/2009.

ESPECIALISTA BD

CRISTÓVÃO GOMES

Art Spiegelman: Homens e Ratos

A CONFUSÃO que caracteriza os Zylberberg em 1948,o ano do nascimento de Arthur, tem uma causa bem identificada: a Segunda Guerra Mundial. Depois da libertação do campo de Aschwitz são recolhidos em Estocolmo como refugiados políticos. É lá que nasce Arthur. Mas aos 9 anos já vivem em Nova Iorque, com o apelido bem americanizado. Art descobre os comics e é neles que se refugia. A vida continua a ser difícil: passa pelo manicómio e vê a mãe suicidar-se. Que faz então o jovem Art? Escreve, desenha e expia as suas dores. Ganha nome entre os ilustradores e funda duas revistas fundamentais no crescimento dos comics: a Arcade e a RAW. Começa então a publicação da obra que havia de lhe mudar a vida: ''Maus'', onde narra a historia dos seus pais - judeus po1acos na Alemanha nazi. O reconhecimento foi imediato, o usa inteligente de uma fórmula próxima da fábula – os judeus como ratos, as nazis como gatos - o preto, o branco e a cinzento e uma história forte sobre as limitações da dignidade humana trouxeram à BD uma atenção que antes não merecera. Expõe até no MoMa de Nova Iorque e é-lhe atribuído o prémio Pulitzer. No fundo fez-se justiça, pois se foi um rato quem reduziu a BD a entretenimento juvenil, haviam de ser ratos a conferir-lhe reconhecimento artístico.

Em 2004 editou "In The Shaodow of No Towers", uma reflexão sobre a queda das Torres Gémeas, já que Art vive numa esquina próxima. Se há vidas que davam um filme a vida de Spiegelman parece escrita para ser desenhada.

Escreve à sexta-feira.

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Hugo Jesus no programa COMICZ, do Canal Porto

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junho 18, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #65 - 3 TEXTOS DE JOÃO RAMALHO SANTOS NO JL...

Três textos de João Ramalho Santos no JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias), já um bocadinho atrasados, mas que, nesta “guerra” informativa sobre o festival de Beja, o aniversário da tertúlia BD de Lisboa e alguns outros textos mais prementes, acabaram por ficar para trás. Mas não esquecidos! Aqui ficam então os textos de JRS nos JL de 3 de Julho e 20 e 6 de Maio, sobre 3 lançamentos da colecção “O filme da Minha Vida”, o filme Watchmen, de Zack Snyder e SILVER SURFER: REQUIEM, editado pela BDMania.

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3 - 16 Junho 2009 – JL

PONTES

João Ramalho Santos

As boas ideias têm o condão de ser óbvias «a posteriori». A série “O filme da minha vida”, é uma dessa ideia, por vários motivos. Primeiro porque é simples, desafiando vários ilustradores a adaptarem para banda desenhada um fiIme que o tenha influenciado. Segundo porque o resultado é breve (obrigando os autores a um esforço sinóptico-evocativo evidente) e barato, características que a BD tem perdido. Terceiro porque se destina claramente aos não-interessados por banda desenhada, não prega aos convertidos. Quarto porque não tem medo de usar o cinema (evocando as colunas de Bénard da Costa) como «atractor». Ou seja, num certo sentido (é triste dizer isto, mas não deixa de ser verdade) vai buscar validação aonde é mais fácil ser concedida por um público vasto. Não necessariamente um público genérico, note-se, mas eventualmente disponível. Trata-se pois um projecto-ponte que, lançado pela Associação Ao Norte, tem o cunho de um dos mais interessantes ilustradores narrativos portugueses, Tiago Manuel. Só quem não conhece o percurso de polinização múltipla deste autor poderia, de resto, ficar surpreendido.

“O filme da minha vida” implica ainda, para além da edição em si, exposições e acções pedagógicas junto de escolas. Ou seja, é um ideia-acção global que se saúda até por estar sediada fora dos locais «óbvios» (Bedetecas de Lisboa e Beja, CNBDI da Amadora).

Embora breves, há em cada livrinho três objectos, dois visíveis que evocam um terceiro, invisível.

Este último é, bem entendido, o filme em causa, projectado na altura do lançamento de cada obra, mas ausente a partir daí, a não ser, eventualmente, na cabeça do leitor. Apesar de cada obra incluir uma ficha técnica e sinopse do filme, bem como a biografia do realizador, isto obviamente não substitui o objecto em si. Por outro lado, concorde-se ou não com a substância (e talvez sobretudo o tom) dos textos introdutórios de João Paulo Cotrim a verdade é que se impõem como ponte entre o visível e o invocado (filme), contribuindo, por sua vez, para a ligação que um leitor faça com a BD; não só com cada BD específica, mas com a linguagem em geral.

Há várias maneiras de encarar um desafio deste género: recriar parte da atmosfera do filme, focar um momento marcante, jogar com alguma da simbologia icónica, procurar resumir a mensagem fundamental (gráfica ou narrativamente), ou, no limite, fazer algo totalmente distinto mas próximo em espírito (solução mais radical que era interessante alguns autores tentarem no futuro). E não é arriscado dizer que a recepção de cada projecto dependerá em grande medida do conhecimento prévio que cada leitor tenha do filmes em causa, e de quanto se aproximem dos seus filmes-referência (pode haver vários filmes de uma vida, e muitas vezes mudam).

O espaço é curto mesmo para uma sinopse, e claro que isso acarreta riscos. Ou seja, há sempre a possibilidade, muito comum neste tipo de projectos, de a ideia inicial ser mais fértil do que a sua concretização, algo que depende não só da escolha de intérpretes, mas da sua capacidade para gerir as coordenadas impostas. Nesse sentido a maturidade de “O filme da minha vida” vê-se no interesse dos seus falhanços.

“Aconteceu no Oeste” (Sergio Leone em cinema, André Lemos em BD) é um exercício menos interessante de um autor extremamente interessante pela simples razão de a sua redução (simbolico-icónica) ser, passe a redundância, profundamente redutora, no sentido em que tudo desaparece num vórtice de traço e a BD pouco diz por si mesma. Depuração extrema?

Se quiserem, há racionalizações para tudo. “O Deserto dos Tártaros” está uns furos acima, com Daniel Lima a captar reflexo da paranóia instalada num Forte isolado onde soldados esperam por um inimigo que nunca se sabe se vai atacar (ou, sequer, se existe); mas que se aguarda com um misto de medo, ansiedade e desejo. Uma escolha curiosa, de resto o filme de Valerio Zurlini (belíssimo em termos cinematográficos, desequilibrado pela multidão de personagens/motivações que tenta seguir) tem como ponto de partida o romance homónimo de Dino Buzzati, um autor com ligações à BD (veja-se o interessantissimo Poema afumetti sobre o mito de Orfeu), e Lima está pois a fazer uma espécie de invocação em terceiro grau.

Por sua vez “Sétimo Selo” de Ingmar Bergman é, não só a escolha cinefilamente mais «pacífica», mas aquela na qual a banda desenhada faz uma ligação mais clara com o filme, sendo de notar que Jorge Nesbitt é, dos três autores, o que tem desenvolvido menos em termos de BD, o que não será coincidência. No fundo Nesbitt recria com as suas ilustrações planos do filme (podiam quase ser fotogramas) e destila em termos de texto a sua essência, transcrevendo a parte mais marcante dos diálogos entre a Morte e Antonius Block (ou o monólogo interior de Bergman). Sinopse muito eficaz e conseguida, ou redundância? Falta apenas um momento crítico desse diálogo. Quando a Morte indaga «Nunca te cansas de fazer perguntas?», Block responde «Não, nunca». «Mas não obténs respostas... », replica a Morte. Pois, se calhar não, digo eu. Mas tenta-se.

O FILME DE MINHA VIDA I: Aconteceu no Oeste.
Argumento e desenhos de André Lemos. a partir do filme de Sergio Leone.
Ao Norte, 36 pp., 2 euros.
O FILME DE MINHA VIDA 2: O deserto dos Tártaros.
Argumento e desenhos de Daniel Lima, a partir do filme de Valeria Zurlini adaptando uma obra de Dino Buzzati. Ao Norte, 36 pp., 2 euros. •
O FILME DE MINHA VIDA 3: Sétimo Selo.
Argumento e desenhos de Jorge Nesbitt, a partir do filme de Ingmar Bergman.
Ao Norte, 36 pp., 2 euros.

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6 a 19 Maio 2009 JL

TRADUÇÕES

João Ramalho Santos

O fim da banda desenhada impressa «tradicional» está previsto desde há muito, com a possível excepção de uns focos nostálgicos em locais como a França/Bélgica ou o Japão, onde o fenómeno ultrapassa em muito o imaginável. As razões são múltiplas, incluindo as que parecem condenar a maioria do jornalismo «tradicional», onde sobreviverão, não necessariamente, como se propala com perversa ingenuidade, os bons, mas aqueles com mais recursos, ou os capazes de fixarem melhor a atenção de um público saturado de imagens e máximas de 140 caracteres ou menos (com «verdade» ou sem ela). Surgida em força com o Século XX, a BD perdeu para o contemporâneo Cinema em termos de capacidade de evocação simbólica de massas (sem esse princípio dificilmente haveria outros tipos de cinema, muito menos teorias de cinema). Mais recentemente perdeu para a internet a vantagem que sempre deteve sobre o Cinema: o baixo custo (impressão, distribuição). Por mim não vejo problemas de maior, adorando livros de papel espero ser surpreendido com o potencial da tela virtual infinita, sobre a qual já muito se falou mas ainda pouco se fez. E que há um limite de pachorra para as citações e desconstruções por onde passa muita BD contemporânea, por mais inteligentes que sejam, a certa altura tem de se começar a construir qualquer coisa diferente. Ou não?

A relação entre BD e Cinema foi sempre próxima, havendo a destacar as particularidades da BD em termos de jogos com a «seta de tempo» (numa mesma página o leitor pode estar exposto a vários momentos espacio-temporais em simultâneo, no cinema não-excepções como Timecode de Mike Figgis àparte), ou de potenciar o uso do desenho caricatural, algo difícil de se fazer bem com actores «reais» (ou mesmo híbridos real-CGI) sem cair, lá está, na caricatura, conotada tanto mais negativamente quanto maior a associação com o real.

Como o Cinema pede meças à realidade que a BD nunca pôde pedir, tem também de pagar a factura respectiva. O que é evocativo na BD The Fountain de Kent Williams, é pedante no filme de Darren Aronofsky. Neste caso a primeira derivou do segundo, mas a transição mais em voga recentemente é a oposta: BD para cinema. Não deixa de ser natural, muita BD contemporânea foi criada tendo explicitamente em conta códigos cinéfilos mais ou menos óbvios, mais ou menos desconstruídos. Frank Miller é um exemplo paradigmático, e não são de espantar que filmes baseados nas suas obras Sin City ao 300 tenham algum ritmo, uma alma, se bem que coxa. Como não é de espantar que a adaptação que Miller fez de The Spirit de Will Eisner, uma obra que nada tem a ver com o seu universo, e que tem tanta relação com o Teatro como com o Cinema (e nunca com o mesmo Cinema associado a Sin City), tenha sido um desastre a todos os níveis.

O mesmo destino não teve, no entanto, Watchmen, a épica metáfora politico-social disfarçada do obra de super-herois escrita por Alan Moore e desenhada por David Gibbons nos finais da década de 1980 e recentemente adaptada para cinema por Zack Snyder, o mesmo responsável pela adaptação de 300. Watchmen foi um sucesso de bilheteira e não é arriscado afirmar que a esmagadora maioria dos que a consideram uma das melhores BDs de sempre esperava um objecto fílmico menoríssimo. Foi o meu caso, e estava enganado.

Como filme Watchmen funciona, no sentido em que transmite o essencial da mensagem, disfarçada de entretenimento ligeiro com os maneirismos de um filme de super-heróis. Fá-lo com as mesmas ferramentas que Snyder utilizou em 300: a extrema fidelidade gráfica e, sobretudo, narrativa. Dizer, por exemplo, que (e para pegar apenas nos extremos) os actores que fazem os papéis de Comedian ou Rorschach se destacam, enquanto o que encarna Ozymandias é um canastrão, é irrelevante. Sem deixar de ser verdade, é irrelevante.

Leia-se o livro e perceba-se que não podia ser de outro modo, os primeiros são personagens vividas, o último, de facto, um canastrão da pior espécie. Até nesse sentido o casting é perfeito, ao recorrer (tal como em 300) a actores pouco identificáveis. Já agora, Sin City (realizado por Robert Rodriguez e Frank Miller com o inefável Tarantino) resultava com actores conhecidos na medida em que estes se adaptavam aos «bonecos-tipo» da BD de Miller, na verdade representando papéis semelhantes aos seus «tipos» habituais. Snyder aposta no «virtuosismo» gráfico (no fundo uma mera fidelidade ao material de base) tratando os actores exactamente do mesmo modo que Manoel de Oliveira. Menos como pessoas e mais como meros veículos não-autónomos para encher de palavras e conceitos.

Em Watchmen Snyder tem o privilégio de ter as falas de Alan Moore, em vez do discurso proto-épico-simplisto-fascista do Frank Miller de 300, filme que, ao tentar emular a BD, reforça o seu teor caricatural de um modo que se torna ridículo, um ridículo não suficientemente mau para ter piada. Se há coisa que se retira dos filmes de Snyder é que, honra lhe seja, leva a coisa a sério. É, no fundo, um encenador que segue à risca indicações dos dramaturgos. Em BD estas são, por definição, visuais. Já agora, o filme Watchmen lembra que é altura de se dar o devido mérito ao estilo sóbrio (e «rígido») de David Gibbons na BD original, sem ele talvez a grandiloquência inteligente de Moore não tivesse resultado tão bem, tão contida.

Sendo impossível traduzir a riqueza do original, Snyder tem ainda o mérito de ter conseguido modificar Watchmen nos sítios justos, criando um filme que inegavelmente funciona sem trair o essencial da mensagem. Que é, entre outras coisas, que estamos todos tramados (com «F» maiúsculo), que a realidade é uma criação mantida artificialmente, que o destino soçobra em pormenores, e que ninguém daqueles que supostamente nos «protegem» sabe o que anda a fazer; ou, se sabe, está profunda e generosamente enganado, na melhor das hipóteses.

Pensada em termos da Guerra Fria, a obra de Moore e Gibbons ecoa como se tivesse sido pensada para hoje, sinal da sua maioridade. Que Zack Snyder a tenha feito chegar de maneira aceitável a um público mais vasto não é um milagre, mas o resultado de um trabalho artesanal (no sentido não-elitista do termo) cuidado. No fundo a prova simples de que com boas ideias se fazem boas coisas, com pastelões pseudo-épicos faz-se isso mesmo. Essa é a diferença entre 300 e Watchmen. Se a BD só servir para isto será muito pouco, mas aceito o que vier de bom. Iron Man já foi interessante, Watchmen melhor, veremos o Tintin de Spielberg.

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20 Maio - 2 Junho 2009 JL

MORTE

João Ramalho Santos

O aforismo de (apenas) não haver remédio para a morte é recorrentemente desrespeitado na banda desenhada de super-heróis.

Houve já vários «eventos especiais» nos quais diferentes personagens encontraram o seu fim, e isso foi utilizado para glosar eventuais «fins de época» com as quais os heróis se identificariam, funcionando sobretudo como golpes publicitários para trazer um sub-género à atenção de um público mais vasto.

Emblemáticos exemplos recentes incluem o duo simbólico dos «Dois EUA», o Super-homem (e o anacronismo da sua presumida inocência invulnerável) ou o Capitão América (símbolo de uma América entre a paranóia da segurança interna e o intervencionismo), mas houve outros. Com a particularidade de muitos se terem revelado, de um modo ou outro, reversíveis: tal como o fim da História de Francis Fukuyama, ou os obituários de Mark Twain, relatos sobre o fim de alguns super-heróis foram algo prematuros. Curioso é notar que toda a discussão em torno de Super-homem por alturas da sua «morte» (o que representava enquanto ícone, qual a sua viabilidade contemporânea) foram esquecidas aquando da sua menos mediática «ressureição». À espera de serem recuperadas aquando da «próxima» morte? O que vale é que nestes dias de Alzheimer social precoce ninguém se lembra de ontem.

Ironicamente, este tipo de estratagemas esconde o facto de alguma BD de super-heróis (entendida num sentido lato) ter produzido da melhor ficção político-cultural contemporânea, oferecendo interpretações alegóricas sobre o vigilantismo, a relação de poderes, o equilíbrio entre os direitos à igualdade/diferença, a instrumentalização do conhecimento, os pequenos clubes exclusivos e forças invisíveis com agendas próprias (que tanto podem ser de empresários, como de super-vilões).

Para lá das inevitáveis menções a The Dark Knight Returns e Watchmen, alguns arcos (a qualidade oscilante é um problema das séries em continuidade) de Animal Man, Doom Patrol, The Authority, Invisibles, ou Planetary (ou seja, coisas escritas por Warren Ellis ou Grant Morrison), para lá da sátira niilista de Marshal Law (Pat Mills e Kevin O'Neil), ou dos mais celebratórios Marvels/Astro City (Kurt Busiek, Brent Anderson e Alex Ross), e ainda, embora a outro nível, momentos de Hellblazer, Transmetropolitan ou Preacher, merecem outro tipo de leitura, que não a displicente.

Mas voltemos à morte, nada de a ignorar, como é costume. Silver Surfer: Requiem é uma obra interessante, bem captada do ponto de vista gráfico, e, sobretudo, bem escrita por J. Michael Straczynski, que, tendo um universo menos erudito (no bom e mau sentido) e mais linear do que os de Ellis e, sobretudo, Morrison, consegue ter uma voz individual lúcida. Criador da série de FC Babylon 5, argumentista de várias séries de BD de super-heróis (conhecidos ou de criação própria como o interessante Midnight Nation) e argumentista de Changeling, dirigido por Clint Eastwood. Tal como Busiek, Straczynski é um cultor dos grandes clássicos/arquétipos americanos, aos quais junta uma componente de estranheza (extraterrestres, super-heróis, a troca de uma criança), mas sempre como parte integrante, nunca como um corpo estranho. Silver Surfer/Surfista Prateado é uma personagem curiosa, misto de uma liberdade descontraída simbolizada pela prancha de surf (como a California era vista de Nova Iorque, sede da Marvel Comics), e misticismo contemplativo. Arauto do grande Galactus, Devorador de Mundos (sim, sei muito bem como isto soa...) a missão de Norinn Rad/Surfista era garantir que Galactus apenas devorava mundos desabitados, até basicamente o stresse da função o ter levado a despedir-se/ser despedido, passando a navegar o cosmos em solitário, reflectindo na sua imensidão, e, como corolário, na pequenez da maioria dos problemas que atormentam as formas de vida inteligentes que o habitam.

Sem nunca se sentir um iluminado ou um Mestre (ao contrário do Dr Estranho, uma personagem com coordenadas similares), antes como alguém que sabe demais, mas ignora como transmitir esse conhecimento de forma convincente. Em muitas das suas melhores histórias é essa dificuldade o principal motor narrativo. A empatia angustiada do Surfista contrasta com a amoralidade distante de Galactus, uma força bruta que transcende tudo sem explicar nada; modos complementares de pensar o infinito. Tal como com outros super-heróis, o que conta aqui são os conceitos básicos, os «topoi» que de imediato definem um todo filosófico. As boas acções de Super-homem, a nocturnalidade de Batman, o Id descontrolado de Hulk, a marginalização judaico-racista) dos X-Men, a rotina diária do Homem-Aranha, as telenovelas familiares no Quarteto Fantástico, o Homem Tecnológico de Álvaro de Campos em Homem de Ferro. Mais do que a personagem, este é o requiem para uma era, a era que gerou o Surfista, e com a qual Straczynski tem óbvias afinidades (de Babylon 5 a Midnight Nation), tal como, por exemplo, Moebius, que também trabalhou o Surfista. O pendor cósmico supostamente libertário das filosofias orientais da década de 1960 foi-se aburguesando na reciclagem, performance-art e feng-shui, e há muito que as lamentações e lições do Surfista se tornaram cansativas, também pela gama limitada de recursos que, paradoxalmente, a imensidão do cosmos lhe dava. Straczynski sublima isso mesmo ao fazer daquilo que transformou Norinn Rad no Surfista a causa da sua morte. Resta pois um percurso iniciático em marcha-atrás (um recuo iniciático), no qual as particularidades da personagem são apresentadas por contraste com as de outros heróis, até ao inevitável (para já?). A planificação e desenho a cor sem linhas de Esad Ribic evocam grandiloquência com o toque melancólico apropriado (como raramente acontece em Alex Ross), numa espécie de garrida paleta «hippie» envelhecida, feita sudário. RIP.

SILVER SURFER: REQUIEM. Argumento de J. Michael Straczynski, desenhos de Esad Ribic. BDMania, 100 pp., 12,50 euros.

ATENÇÃO: FORAM ACRESCENTADOS NO POST ANTERIOR MAIS DOIS LINKS DO YOUTUBE COM VIDEOS DO FIBDBEJA 2009 !!!

Publicado por jmachado em 09:22 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 16, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2009 – ENCERRAMENTO – PRÉMIOS CENTRAL COMICS – ÚLTIMAS FOTOS – VÍDEO…

Encerrou no domingo, dia 14, o V Festival de Banda Desenhada de Beja 2009! O saldo, segundo uma breve conversa telefónica com Paulo Monteiro (o mentor e director do FIBDB), é largamente positivo, havendo já uma estimativa de cerca de 7.500 visitantes nesta edição, o que ultrapassa claramente a edição de 2008 – que teve 6.200.

Depois, a atribuição dos Troféus Central Comics – que, mais uma vez o digo, precisam ainda de uma boa afinação para se tornarem credíveis –, no último fim de semana do festival (integrando o programa), se tornam numa mais valia para os dois lados: para o Festival e para a CC. A primeira coisa a apontar a estes Troféus é que não é de estranhar o 2º lugar do BDjornal atamancado na categoria de “Melhor Publicação Técnica”, uma vez que o BDjornal NÃO É UMA PUBLICAÇÃO TÉCNICA e assim concorreu com catálogos de exposições e outros livros teóricos sobre BD. Portanto, são coisas destas (e outras de que me ocuparei em texto específico que surgirá mais tarde, no BDjornal #25 – e com a minha proposta de definição de categorias e arrumação das candidaturas) que precisam ser ajustadas, já agora por quem saiba o que está a fazer.

Aqui ficam então os vencedores dos Troféus Central Comics e as últimas fotos do FIBDB 2009, juntamente com um pequeno vídeo realizado no primeiro fim de semana, no qual chamo a atenção para o autógrafo de Gary Erskine (Batman) e a homenagem a Geraldes Lino pelo Presidente da Câmara Municipal de Beja no final do jantar de dia 30.

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Estas duas últimas fotos fixam a agradável conversa na manhã de domingo, dia 31 de Maio na esplanada do café Luís da Rocha e na espera para o almoço, com Lorenzo Mattotti, Carlos Pessoa (à direita na foto da esquerda), Clara Botelho e eu próprio.

VII TROFÉUS CENTRAL COMICS

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Melhor Editora
Edições Asa/O Público – 26%
BDmania – 23%
Vitamina BD – 21%
Gradiva – 13%
Edições Asa – 11%
Chili com Carne – 6%

Melhor Publicação Nacional
Camões, de vocês não conhecido nem sonhado? (Plátano) – 26%
Terra Incógnita – A Metrópole Feérica (Tinta da China) – 21%
O Menino Triste – A Essência (Qual Albatroz) – 19%
Venham+5 nº5 (Bedeteca de Beja) – 18%
Vencer os Medos (Assírio & Alvim) – 12%
O Futuro tem 100 anos (Bizâncio) – 4%

Melhor Publicação Estrangeira
Fábula de Bagdad (BDmania) – 37%
O Principezinho (Presença) – 24%
Silver Surfer – Requiem (BDmania) – 12%
Sonno Elefante – As paredes têm ouvidos (Campo das Letras) – 12%
Universal War One 4 – O Dilúvio (Vitamina BD) – 8%
Wanted (BDmania) – 7%

Melhor Publicação Cartoon
Mutts 4 – Shim! (Devir) – 35%
Hägar, o Horrendo 1 – Um Viking de Sorriso Inofensivo e Feliz (Librimprensa) – 28%
Cartoons do Ano 2007 (Assírio & Alvim) – 14%
Pérolas a Porcos 6 – Os Sopratos (Bizâncio) – 10%
Geração Lasca, BC – 50 Anos de Tiras de Johnny Hart (Bonecos Rebeldes) – 7%
Grimmy – Cão Fedorento (Gradiva) – 7%

Melhor Desenho Nacional
Jorge Miguel (Camões, de vocês não Conhecido nem Sonhado?) – 31%
Luís Henriques (Terra Incógnita – A Metrópole Feérica) – 28%
Susa Monteiro (Vencer os Medos) – 20%
Ricardo Ferrand (Venham+5 nº5) – 10%
Jorge Mateus (O Futuro tem 100 Anos) – 6%
Marco Mendes (Tomorrow the Chinese will deliver the Pandas) – 5%

Melhor Desenho Estrangeiro
Niko Henrichon (Fábula de Bagdad) – 34%
Xúlio Das Pastoras (Castaka – Dayal, o Primeiro Antepassado) – 23%
Mike Mignola (Hellboy 6 – O Verme Conquistador) – 15%
Esad Ribic (Silver Surfer – Requiem) – 13%
John Cassaday (Astonishing X-Men 1 – O Regresso) – 11%
Kim Jae-Hawn (Warcraft – Trilogia do Poço do Sol v1) – 4%

Melhor Argumento Nacional
José Carlos Fernandes (Terra Incógnita – A Metrópole Feérica) – 33%
Jorge Miguel (Camões, de vocês não conhecido nem sonhado?) – 26%
João Paulo Cotrim (Vencer os Medos) – 14%
Marco Mendes (Tomorrow the Chinese will deliver the Pandas) – 13%
Ricardo Ferrand (Venham+5 nº5) – 9%
Marcos Farrajota (Noitadas, Deprês e Bubas) – 5%

Melhor Argumento Estrangeiro
Brian K. Vaughan (Fábula de Bagdad) – 28%
Johann Sfar (O Principezinho) – 22%
Alessandro Jodorowsky (Castaka – Dayal, o Primeiro Antepassado) – 18%
Joe M. Straczinsky (Silver Surfer – Requiem) – 13%
Mark Millar (Wanted) – 12%
Denis Bajram (Universal War One 4 – O Dilúvio) – 7%

Melhor Publicação Técnica
Catálogo World Press Cartoon 2008 (vários) – 31%
BDjornal (Pedranocharco) – 23%
10º Porto Cartoon World Festival – Direitos Humanos (Afrontamento) – 21%
João Abel Manta – Caprichos e Desastres (Assírio & Alvim) – 14%
Catálogo 19º Festival Internacional BD da Amadora (CNBDI) – 7%
Arte Digital – Técnicas de Ilustração Digital (FCA) – 4%

Melhor Fanzine
Murmúrios das Profundezas (R’lyeh Dreams) – 23%
Cabeça de Ferro (Imprensa Canalha) – 22%
Colecção Toupeira 04 – A Carga (Bedeteca de Beja) – 18%
The Trute is Aute Der (Dr.Makete) – 14%
Efeméride 03 – Super-Homem no séc.XXI (Geraldes Lino) – 12%
Gambuzine (vol.2) 01 (Teresa Câmara Pestana) – 11%

Melhor Obra Curta
Analepse (Filipe Pina e Filipe Andrade; in Venham+5 nº5) – 27%
O Dia que o Mundo Acabou (José Lopes; in 4 Salas, 4 Filmes) – 20%
Cansado (Ricardo Cabral; in Efeméride 03) – 18%
Super-Carlos (Ken Nimura; in Venham+5 nº5) – 17%
A Luta Continua (Marco Mendes; in Efeméride 03) – 11%
Rádio Medo (Kike Benlloch e Paulo Monteiro; in Venham+5 nº5) – 7%

Melhor Projecto em BD
Plano editorial de publicações Mangá, da Edições Asa – 29%
Projecto BD de Fresco – Aldeia das Amoreiras, pelo Centro de Convergência de Odemira – 25%
Projecto Murmúrios das Profundezas, coord. Rui Ramos – 25%
Exposição Dave McKean – VI Festival Internacional de BD de Beja – 14%
Evento Furacão Mitra, coord. Chili Com Carne e Imprensa Canalha – 4%
Workshop Construção de Action Figures – VI FIBDB, cood. Filipe Messias – 3%

Fora do concurso, os membros do júri do evento – o crítico Pedro Cleto (Jornal de Noticias); o pedagogo e crítico Pedro Vieira Moura (blog LerBD e série documental VerBD); o bloguista Nuno Amado (Leituras de BD); e os co-organizadores Daniel Maia (autor) e Hugo Jesus (livreiro e argumentista) – atribuíram este ano, postumamente, o Troféu Especial ao escritor Dinis Machado, autor do seminal “O que diz Molero” e também um dos mais activos apoiantes da banda desenhada em Portugal, tendo apoiado Vasco Granja nas suas acções de divulgação da banda desenhada (embora mais a partir “dos bastidores”).

O seu contributo mais preponderante no sector bedéfilo nacional – e também internacional, tendo sido quem abriu inicialmente ao Portugal as portas dos grandes festivais europeus, que Granja soube explorar enquanto repórter – foi na revista Tintim, como chefe de redacção, durante quase 15 anos, e mais tarde no semanário Spirou, duas publicações que não só abriram os horizontes de toda uma nova geração de autores portugueses, como marcaram a introdução aos (agora clássicos) personagens franco-belgas para leitores de várias faixas etárias.
A derradeira entrevista de Dinis Machado deu-se para o programa VerBD, do Canal 2 (em breve disponível em DVD).

A votação deste VII TCC teve lugar entre 14 Fevereiro a 31 Março, tendo-se recolhido quatro centenas de votos online – um novo recorde para o evento! Do universo de leitores que participaram, 56% são homens, 38% mulheres, e 6% não-identificados (descartados do processo, conforme indica o regulamento). Ainda, deste total, 18% é profissional do sector, sejam autores, editores ou críticos.

A habitual mini-bedeteca de oferta aos votantes foi sorteada pelo dir. do festival, Paulo Monteiro, e deu este recheado cabaz a José Madeira, de Faro. No valor global superior a 650,00€, reúne livros, comics e merchandize cedidos pelos parceiros do evento - a quem agradecemos uma vez mais a amabilidade - as editoras Asa, Bedeteca de Beja, C.M. do Montijo, Centro de Convergência de Odemira, CNBDI, Devir, Pedranocharco, Qual Albatroz, Texto Editores, mais os selos editoriais Arga Warga, Dr.Makete, Terminal Studios, a revista A Peste e fanzine Zona Zero, assim como a livraria Central Comics e distribuidora Castello Lopes.

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Pode ver-se ver AQUI o site provisório da Central Comics.

O VIDEO DO V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA

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Clique na imagem para ver o video.

VER TAMBÉM OS VIDEOS PUBLICAÇÕES EM BEJA E VOYAJER

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junho 13, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #64 - Pedro Cleto no JN sobre os 75 anos de Mandrake e a edição do Príncipe Valente de M. Caldas nos EUA + Ainda Jorge Colombo e o 'i'Phone

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MAGIA DE MANDRAKE NASCEU HÁ 75 ANOS

11 Junho 2009 - 00h34m

F. CLETO E PINA

A 11 de Junho de 1934, saía a primeira tira de "Mandrake". Era a chegada à BD da magia que Houdini celebrizara e que constituiria mais uma válvula de escape para uns EUA ainda sob os efeitos da grande depressão de 1929.
Calmo, elegante, de bigodinho fino e belo porte, smoking, capa e cartola pretas, tendo aprendido as suas artes hipnóticas na escola de magia de seu pai, Theron, e vivendo na (sofisticada) mansão de Xanadu, com a bela princesa Narda, com quem casará décadas (!) mais tarde, Mandrake conta sempre com a ajuda (física) de Lotário, possivelmente o primeiro negro da história da BD, caricaturado com as suas roupas de peles de animais.

No início usando magia pura, que desapareceu por pressão de sectores cristãos sendo substituída por dotes telepáticos e hipnóticos, Mandrake desde cedo enfrentou ladrões e extraterrestres, contando-se entre os seus principais inimigos o seu gémeo Derek e o meio-irmão Lúcifer, mais conhecido como Cobra, e a associação criminosa "8". Recorrendo com frequência ao seu famoso "gesto hipnótico", o mágico conseguiu vencer os mais tenebrosos malfeitores.

Os seus autores foram Lee Falk (1911-1999) - que em 1936 criaria também o Fantasma - e Phil Davis (1906-1946), que se inspiraram no mágico (de carne o osso) Leon Mandrake, amigo de Davis. Juntos, prosseguiram com as aventuras do prestidigitador, até ao falecimento de Davis, que seria substituído por Fred Fredericks (1929), que desde 1999 também escreve esta série que acompanhou os leitores do Jornal de Notícias a partir de 1978, durante quase três décadas.

O êxito dos quadradinhos levou Mandrake à rádio e ao pequeno ecrã logo em 1939 e nos anos 60 Fellini, amigo de Falk, chegou a pensar levá-lo ao cinema.
Notícias recentes apontam de novo essa possibilidade, num filme dirigido por Mimi Leder, com Hayden Christensen (o jovem Anakin Skywalker/Darth Vader de Star Wars 2 e 3), como Mandrake, e Djimon Hounssou, como Lotário.

Resta saber é se na tela Madrake terá o glamour, a elegância que são suas características nas histórias aos quadradinhos. É que quando há cruzamentos entre a sétima e a nona arte, normalmente os heróis desta última não saem beneficiados. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com Fantasma...

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PRÍNCIPE VALENTE LUSO À VENDA NOS EUA

07Junho2009

F.CLETO E PINA

O site da editora norte-americana Fantagraphics Books destaca o livro "Prince Valiant Vol. 1: 1937-1938" anunciando que é "importado de Portugal" e que se trata de "uma edição especial de um fã" feita "com as melhores provas, cuidadosamente restauradas".

Esse fã do Príncipe Valente é Manuel Caldas, natural da Póvoa de Varzim e um dos maiores especialistas da obra-prima de Hal Foster, que explicou, ao JN, tratar-se de "uma edição que fiz para o mercado inglês", sob o selo Libri Impressi. No entanto, problemas com a sua colocação directa nas livrarias goraram as intenções de Caldas, que revela que se venderam apenas "uns 170 através do catálogo".

"Surpreendentemente", a Fantagraphics, responsável pela reedição de clássicos como os "Peanuts"," Popeye" ou o mesmo "Prince Valiant" a cores, encomendou 300 exemplares, agora disponibilizados. Mas que devem "esgotar, no máximo, em dois meses", prevê a editora, que espera ver "exemplares altamente inflacionados no eBay até ao final do ano".

E continua: "Trata-se de uma esplêndida edição de grande formato em capa dura e é uma emoção ver o traço sumptuoso de Foster reproduzido com tanta pureza. Todos os fãs de Foster têm de a possuir". Isto só vem confirmar a altíssima qualidade do trabalho de Caldas, que tem dedicado muitas horas à restauração de cada uma das pranchas, para recuperar o traço original a preto e branco.

Responsável pelos seis primeiros volumes (12 anos) da série, em Português e em Castelhano, Caldas revela que tem ainda "uma montanha de cópias da edição de 2000 exemplares", alguns dos quais têm servido para satisfazer "os espanhóis que me escrevem a pedir a edição espanhola, esgotadíssima".

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4 a 10 de Junho 2009

(TECNOLOGIA)

Não telefone, pinte!

Chamam-lhe iPhone Art e estreou-se na capa da revista New Yorker, pela mão de um português.

Nos últimos três meses, quem reparou em Jorge Colombo numa esquina de Nova Iorque a dedilhar o seu iPhone deve ter pensado que ele se entretinha a escrever um longo sms ou estava perdido numa miríade de contactos. Raros terão sido aqueles que perceberam o que mantinha o artista português, radicado há 20 anos nos Estados Unidos, concentrado durante tanto tempo, de olhos ora na rua ora no telemóvel. Só mesmo quem já ouvira falar do software Brushes, da Apple, juntou um mais um e concluiu que desenhava. Sem papel, aguarelas ou pincéis. Com o dedo e directamente no ecrã do seu iPhone comprado em Fevereiro.

Na última semana, quem se interessa por tecnologia não passou ao lado do burburinho gerado pela edição de Junho da New Yorker. Há quinze anos que Colombo colabora com a revista - mas a primeira vez que um desenho seu teve honras de capa saltou logo para as notícias.

A imagem de um vendedor de cachorros quentes junto do museu de cera Madame Tussauds, na Rua 42, não difere muito de outras cenas urbanas e nocturnas tão caras ao português. A novidade está no facto de ela ter sido feita num iPhone, com a aplicação criada em Agosto do ano passado por Steve Sprang, um programador freelance de 32 anos.

Num só dia - segunda-feira, 25 de Maio, data do lançamento da New Yorker - compraram-se 2700 cópias do Brushes, muitíssimo acima das habituais 60 a 70 diárias. A 4,99 dólares cada (3,5 euros), significaram um belo encaixe para a Apple e para Sprang (que, entretanto, baixou o preço em 1 dólar). A própria revista vendeu-se como nunca nesse dia. E o autor do desenho da capa - o primeiro iSketch nas bancas – começou a ser entrevistado a torto e a direito.

À VISÃO, Jorge Colombo, de 45 anos, desmistifica o feito, insiste que desenhar num iPhone «é canja» e aponta vantagens: «Tenho muito mais páginas em branco do que num caderno.» Ou ainda: com o Brushes é possível desenhar à noite e apagar as «pinceladas» erradas sempre que necessário. A única desvantagem, diz, é ter de recarregar a bateria de vez em quando.

Além da capa da edição de Junho da New Yorker, Jorge Colombo vai ter um desenho novo, todas as semanas, no site da revista

ROSA RUELA

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Todas as imagens são da responsabilidade do editor do Kuentro.

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junho 11, 2009

O 24º ANIVERSARIO DA TERTULIA BD DE LISBOA - 298º ENCONTRO, 2 DE JUNHO DE 2009

O 298º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, de dia 2 de Junho de 2009, em que se comemorou o 24º aniversário da TBDL, realizou-se no Restaurante Rodízio Grill (ao Campo Pequeno) e não no Parque Mayer como é habitual, uma vez que os Encontros de aniversário e de Natal se realizam sempre noutros locais, daí chamarem-se “Encontros Vadios”. Foram distribuídas as Folhas Volantes #231, #232 e #233 e o Tertúlia BDzine #140, com a BD “7 Vidas” de Sónia Carmo, que distribuiu o fanzine aos restantes tertulianos. E como tem sido habitual nos últimos encontros, houve mais uma prancha do comic jam, a 10º e que foi desenhada totalmente por autoras.
E o 24º aniversário da TBL teve direito a bolos, com Geraldes Lino a soprar as velas, claro.

Aqui ficam as imagens do material distribuído, algumas fotos e um pequeno vídeo de cerca de 5 minutos. A prancha do Comic Jam, assim como o texto que se lhe refere, foram sacados do blogue de Geraldes Lino (http://www.divulgandobd.blogspot.com/), com a devida vénia.

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O Comic Jam, tendo atingido neste mês de Junho, data do 24º aniversário da Tertúlia BD de Lisboa, a sua 10ª prancha - última das previstas por mim para o editar em fanzine de papel -, apresenta uma característica especial: a de ser preenchido por imagens executadas por desenhadoras.

De cima para baixo, e da esquerda para a direita, a banda desenhada improvisada tem por autoras as seguintes:
1ª vinheta - Inês Ramos
2ª vinheta - Ana Maria Baptista
3ª vinheta - Ana Saúde
4ª vinheta - Bárbara Carvalho
5ª vinheta - Mariana Perry
6ª vinheta - Sónia Carmo

Imagem e Texto de Geraldes Lino - VER AQUI

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Para ver o vídeo, CLICAR NESTA IMAGEM!

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junho 09, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #63 AMANHÃ, ÁLBUM DE MICHEL VAILLANT COM O PÚBLICO + Pedro Cleto no JN +

Um post cheio, mais uma vez: Carlos Pessoa escreve sobre o 4º álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin (Michel Vaillant); Pedro Cleto no suplemento IN do Jornal de Notícias sobre o álbum SILVER SURFER – REQUIEM, da BDMania e no próprio JN sobre os 75 anos do Pato Donald; Armando Corrêa (ou Luiz Beira) entrevista Rui Lacas na última edição do Alentejo Popular e publica uma prancha (a 7ª) do ZECA, de Rui de Oliveira Cosme e José Manuel Soares; finalmente o anúncio da exposição que André Oliveira inaugura amanhã (dia 10 de Junho) no nº 36, 3º Dto. da Praça Luís de Camões – de 10 a 12 de Junho, das 16 às 19 h. E ficam a faltar ainda dois textos de Pedro Cleto que ficam para amanhã…

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MICHEL VAILLANT NO QUARTO ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN
Mergulho total no desporto automóvel

Michel Vaillant
Quarta-feira, 10 de Junho
Por + 6,90 euros

Carlos Pessoa

Michel Vaillant é um bom exemplo de um herói da BD popular, mas que foi quase sempre desconsiderado por muitos críticos.

A série criada por Jean Graton nunca escondeu ao que vinha. Está inteiramente centrada no universo dos desportos motorizados, com destaque para a Fórmula 1, acompanhando de perto a vida e peripécias de um pequeno núcleo de personagens - o clã Vaillant.
Ou seja, é uma obra de puro entretenimento, visando atingir o mais alargado espectro de leitores possível.
A trama familiar é um dos factores de êxito da série, que trata os temas propostos com o máximo realismo e um exaustivo suporte documental. O patriarca Henri Vaillant, os irmãos Jean-Pierre e Michel Vaillant, o colérico americano Steve Warson e, mais tarde, Julie Wood (que teve série própria antes de ser integrada em Michel Vaillant) são os protagonistas centrais.
A fórmula pode parecer-nos hoje singela, mas à época em que surgiu foi verdadeiramente inovadora.
Os dois géneros em que assenta Michel Vaillant – aventuras desportivas e histórias de família - abriram um caminho que seria depois explorado por outros criadores. Mas coube a Jean Graton o mérito de ser o pioneiro.
Os argumentos com que impôs a sua obra à estima dos leitores são fáceis de enunciar: realismo dos veículos e das corridas; desenho de leitura simples e narrativa de compreensão fácil; histórias comuns centradas nos problemas, dramas, emoções e comportamentos das personagens; e imersão total no universo do desporto automóvel.

A série foi adaptada à televisão em 1967 e teve uma versão cinematográfica em 2003 - um protótipo Vaillant/Courage 41 com motor Porsche correu mesmo as 24 Horas de Le Mans em 1997, classificando-se em quarto lugar... Jean Graton já não desenha, mas conta com uma equipa de colaboradores (Christian Papazoglakis, Nedzad Kamenica e Robert Paquet) que asseguram a continuidade da série sob a égide do seu filho, Philippe Graton, que gere o filão Vaillant.

A série chegou a Portugal menos de dois anos após a primeira aparição na revista Tintin (edição belga): foi nas páginas do Cavaleiro Andante, que publicou entre 1de Novembro de 1958 e 10 de Outubro do ano seguinte a aventura O Grande Desafio (o herói chamava-se Miguel Gusmão).

Michel Vaillant ainda voltaria a marcar presença nesta mesma publicação em 1960, mas foi sobretudo a edição portuguesa de Tintin que contribuiu para a mais ampla divulgação da série em Portugal, entre Junho de 1968 (com O Circo Infernal) e Abril de 1977 (O Circo de São Francisco).
A personagem não foi privilégio daquelas duas revistas, tendo aparecido em outras publicações – O Falcão (em 1959), Bip-Bip (suplemento das revistas Foguetão e Cavaleiro Andante, 1961), Zorra (1964-65), Selecções (Mundo de Aventuras, 1980), Jornal da BD (1982), Almanaque Tintin (1983), Flecha 2000 (2ª série, suplemento do Diário Popular, 1985), Selecções BD (1ª série, 1988) e BDN (Diário de Noticias, 1990).

A primeira edição de Michel Vaillant em álbum é da Editorial Ibis, em 1969 (A Honra do Samuraí), sendo depois publicados mais álbuns por outros editores.

O ÁLBUM
O 8º Piloto e Suspense em Indianápolis são as duas aventuras do quarto álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin, dedicado a Michel Vaillant. Esta colecção é composta por uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação de banda desenhada na segunda metade do século XX. As duas aventuras, realizadas por Jean Graton. São inéditas em Portugal.

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Philippe Graton e Jean Graton

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Capa do DVD do filme e Michel Vaillant no Auto Sport

Estas imagens são da responsabilidade do Kuentro.

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6 de Junho 09

SILVER SURFER - REQUIEM
J.M. Straczvnki e Esad Ribic

BDMANIA

Contar e recontar origens e fins tem sido um dos filões explorados ciclicamente pela Marvel, seja para dar nova roupagem a um herói, relançá-lo pelas mão do autor do momento, interligá-lo com a mega-saga em curso, obter retorno mediático ou relançar vendas...

No caso deste Requiem, no entanto, o fim do surfista prateado faz todo o sentido. Desde logo porque ele é uma das personagens mais estranhas do universo Marvel, com uma grande carga mística e filosófica, e divagar sobre o sentido da (sua) vida como antecâmara da sua morte anunciada, na sequência de uma doença degenerativa incurável, surge como natural e lógico. Claro que só isso não seria suficiente, pois facilmente a história poderia descambar para o lamechas ou até o ridículo. Mas Straczynki, argumentista talentoso e competente que assinou o Homem-Aranha durante anos, consegue evitá-lo com um argumento seguro solidamente construído ancorado em textos de apoio que vão conduzindo a narrativa, levantando questões e apresentando algumas respostas. E ao mesmo tempo relembra o passado do herói, a sua chegada à Terra e a interacção com o Quarteto Fantástico.
E consegue ainda criar momentos marcantes como o (belo) presente de Mary Jane, a resolução (óbvia mas necessária) de um conflito cósmico milenar e, claro está, todo o epílogo em si.
Por seu lado, Ribic fez de cada vinheta uma autêntica pintura, reforçando com isso o clima dramático da trama, mas dotou-as também de movimento, expressividade e bons enquadramentos que permitem que a leitura vá fluindo ao rimo adequado. E a isto tudo há que acrescentar ainda o fantástico acabamento «metalizado» do protagonista, pleno de reflexos e cambiantes, que realça e torna mais traumática a sua degeneração final.

F CLETO E PINA

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Pato Donald faz 75 anos
Criação de Disney estreou-se no cinema e transformou-se num dos maiores heróis de sempre

F. CLETO E PINA
Há exactamente 75 anos, passava pela primeira vez nos ecrãs dos cinemas norte-americanos mais uma "Silly Symphonie" Disney, "The Wise Little Hen", onde se estreou um dos mais importantes heróis de sempre: o Pato Donald.
Curiosamente, "a saída do ovo" poderia ter acontecido mais cedo, uma vez que ele já é mencionado no guião de um storyboard escrito por Walt Disney em 1931, tendo mesmo Ferdinand Horvath feito alguns esboços.
Mas acabou por acontecer eram decorridos pouco mais de dois minutos daquela animação baseada na fábula de Esopo, então criado pelo animador Dick Lundy, e interpretando o papel de um dos preguiçosos que se recusam a ajudar a galinha que quer plantar milho para mais tarde ter alimento, surgindo apenas no final para (tentar) comer os frutos do trabalho dos outros. De personalidade ainda indefinida, já possuía a (semi-ininteligível) voz característica, da responsabilidade de Clarence Nash, que contribuiu bastante para o seu sucesso junto do público, embora fosse mais alto e pesadão e tivesse patas maiores.
De seu nome completo Donald Fauntleroy Duck, viria a revelar-se impulsivo, irascível, convencido, irritável, implicativo, explosivo, incapaz de pedir desculpa e reconhecer os seus erros, certo de ter sempre razão e um grande azarado . Veio também a descobrir-se sobrinho do pato mais rico do mundo apesar de pobretão, tio dos irrequietos Huguinho, Zezinho e Luizinho (surgidos em 1937) e eterno namorado de Margarida (1940). Na origem, já vestia o chapéu e camisa de marinheiro azuis com lista branca que se tornariam a sua imagem de marca, mas ainda não soltava os seus inconfundíveis quacks!
Da sua carreira, constam cerca de 200 filmes animados, 12 nomeações para o Óscar e um conquistado (com "A face do Fuehrer", de 1943) e milhares de histórias de banda desenhada, onde se estreou no mesmo ano de 1934, numa adaptação de "The wise little hen", escrita por Ted Osborne e desenhada por Al Taliaferro, sendo datada de 1938 a primeira revista com o seu nome. Seria no entanto apenas com Carl Barks, que desenhou mais de 500 das suas histórias entre 1942 e 1967, que se tornaria tal qual o conhecemos hoje. Barks, com o seu humor sarcástico, humanizou o pato, dotando-o de alguns dos maiores defeitos do ser humano, usando-o para criticar a sociedade e os seus vícios, e tornando-o assim numa inesgotável fonte de gargalhadas. E foi na BD também que, mais tarde, surgiu como alter-ego do Superpato e interpretou, emulando Indiana Jones, os Duck Tales.
Hoje, se as histórias aos quadradinhos estão em perda há muito (com excepções como os países nórdicos, a Itália, a Alemanha ou a Índia) e a participação em filmes animados diminuiu drasticamente, substituído por heróis do momento, de enorme mas breve êxito, a sua popularidade mantém-se (quase) intacta, identificado por milhões de pessoas e continua a aparecer em milhares de produtos licenciados um pouco por todo o mundo.

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Entrevista com Rui Lacas
Um jovem talento da BD portuguesa

Armando Corrêa

Pertence àquela que já é uma geração de trintões da BD portuguesa, como Ricardo Bianco, Pedro Brito, Agonia Sampaio, André Carrilho, João Fazenda, Ana Cortesão, Eliseu Gouveia (Zeu), Irene Trigo, etc..
Editado e premiado em França e em Portugal, Rui Lacas (de nome próprio Rui Miguel Rodrigues), nasceu em Lisboa a 9 de Maio de 1974. Colaborou com ilustrações e banda desenhada em diversas publicações. Da sua já notável obra, destacam-se os álbuns: «Maldita Cocaína», «A Cauda do Tigre», «A Filha do Caranguejo», «O Que é Feito do Meu Natal?» e «Obrigada, Patrão!» (publicado e premiado em França, antes de o ser em Portugal).
E aqui vai a entrevista:

«Obrigada, Patrão!», editado em França e em Portugal. Premiado em França e em Portugal. Como te sentes com este triunfo invejável?
Sinto-me muito bem. Este livro já ganhou cinco prémios. Trabalhei e consegui fazer o que pode chamar de «um livro completo». E com um argumento muito forte, baseado numa ideia de Vasquito Lourenço.

Como te surgiu a hipótese de seres editado em França, antes mesmo que no teu País?
A Asa já andava interessada. Mas foi tardando e entretanto, enveredei por outros caminhos. Fui a França e pesquisei editoras. Das duas que procurei, a Paquet, após duas semanas, contactou comigo, dizendo que a minha história fora aceite. Curiosamente, quando fui propor o meu trabalho, havia muitos concorrentes na mesma situação e depois vim a saber que afinal, fui o único escolhido, o que me encheu de orgulho.

No entanto, anteriormente, já tinhas sido premiado em Portugal, não foi?
Sim, no primeiro concurso em que participei, em 1990, no Salão da Sobreda.
Depois, quase logo a seguir, ganhei o primeiro prémio no concurso da Amadora.

Como vês o panorama editorial-BD em Portugal?
Eu nem me posso queixar... A BD nacional teve os seus tempos áureos, mas continua com um mercado muito pequeno. E até temos muitos valores. Eu não tenho grandes ilusões e tudo o que faço tenho conseguido publicar. Mas aqui não consideram muito os artistas da BD, pormenor que não acontece em Espanha, França, Bélgica... Os nossos editores apostam muito pouco, com pouca coragem. Mas não falo por mim, pois até agora tenho tido sempre sorte.

Alguma vez pensaste em criar uma série com heróis?
Neste momento, tenho uma série com heróis. É a «Asteroid Fighters», que já está muito adiantada. Aliás, aproximam-se muito mais aos super-heróis. A série, ainda inédita, comportará seis tomos, dos quais três já estão prontos.

Sentes que a nossa nova geração de desenhistas «ignora» as gerações e saberes dos veteranos?
Essa é a pergunta do sim e não... Não temos escolas de Banda Desenhada. As gerações dos anos 80 rebelaram-se um pouco contra as bds, que estavam institucionalizadas. Mas daí a haver falta de respeito, isso não. Agora há os «cristianos ronaldos» e os «mourinhos» e já não estamos sempre colados aos «eusébios»... O nosso «escape» porém, de modo algum significa falta de respeito.

Rui Lacas concluiu recentemente, para a colecção «BD e Música/Rock Português», a história da «Sétima Legião».

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junho 08, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - PUBLICAÇÕES DO PRÓPRIO E OUTRAS EDIÇÕES + FOTOS

O V Festival Internacional de BD de Beja 2009 lançou as suas publicações habituais, além do Programa, o Splaft, o Venham + 5 #6 – este ano sem a volumetria das duzentas e tal páginas do ano passado, mas apenas com umas normais 66 – em que figuram Agonia Sampaio, Carlos Apolo, Carlos Bruno, Diego Blanco, Diogo Campos, Inês Freitas, João Lam, Ken Nimura, Kike Benlloch, Luís Guerreiro, Paulo Monteiro, Pedro Brito, Pedro Rocha Nogueira, Susa Monteiro e Véte. E o #5 da Colecção Toupeira, este ano com O Maior de Todos os Tesouros, de Carlos Rocha.

Depois, foram lançados, ou relançados, DEFIER n1, de Ricardo Venâncio e MOCIFÃO, de Nuno Duarte, Untxura e Nuno Silva, ambos editados pela Elpep; A FÓRMULA DA FELICIDADE, de Nuno Duarte, Osvaldo Medina e Ana Feitas, editado pela Kingpin Books; SALAZAR 40 ANOS?, desenhos do exílio do arqueólogo Claudio Torres com a colaboração de Faustino Torres, editado pela Afrontamento e finalmente, nós próprios Pedranocharco Publicações lançámos MONÓTONOS MONÓLOGOS DE UM VAGABINDO – Entrevista com Hugo Teixeira.

Aqui ficam as capas das publicações acima enumeradas e mais alguns blocos de fotografias do Festival.

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Como curiosidade deixo-vos aqui as Ementas dos jantares deste ano (o que é sempre uma das mais curiosas e apreciadas iniciativas da animação paralela do Festival - tratam-se de ementas originárias dos países de origem dos autores, escolhidas pelos próprios. E ficam também as editoras presentes no Mercado do Livro.

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Publicado por jmachado em 07:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 07, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #62 - O FESTIVAL DE BEJA NA IMPRENSA ALENTEJANA (2) + JMLameiras no "Diário As Beiras" + Luís Beira no "Diário do Alentejo" e Luís Chambel na "Voz de Ermesinde".

Depois de uma pequena falha técnica na 6ª feira, que nos impediu de postar a matéria preparada, aqui fica então o que foi publicado até agora sobre o Festival de BD de Beja 2009 - desta vez no Diário do Alentejo. Mais abaixo o texto de João Miguel Lameiras no Diário As Beiras de 30 de Maio. E finalizando com a matéria de Luiz Beira no Diário do Alentejo de 29 de Maio e de Luís Chambel na Voz de Ermesinde de 31 de Maio, sobre o novo album de Enki Bilal, ANIMAL'Z (acerca do qual Luiz Beira também dá opinião - já agora comparem).

Diário do Alentejo, 29 de Maio2009
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PISCAR O OLHO AOS "PÚBLICOS PERIFÉRICOS"

O primeiro fim-de-semana do evento será particularmente intenso ao nível da programação paralela, que este ano adopta uma dinâmica mais abrangente, no sentido de "agarrar uma série de gente que não está directamente ligada a este universo, públicos periféricos que, muitas vezes, não sentem interesse ou curiosidade pela BD por mero acaso", referiu Paulo Monteiro.

Exemplos disso são as apresentações dos livros “Espírito das Luzes” (amanhã, pelas 17 horas), um projecto de Octávio dos Santos cuja capa é da autoria de Alex Gozblau, um dos autores expostos, e “Salazar, 40 anos?” (domingo, 31, pelas 15 horas), com desenhos do exílio do arqueólogo Cláudio Torres. Ou ainda as sessões ininterruptas de 45 minutos de filmes da série "O Patinho", personagem criada por Rui Cardoso há uma década, que também inspira uma oficina de desenho e pintura.

No que toca ao cinema, o programa oferece duas exibições no Teatro Municipal Pax Julia, introduzidas pelo próprio Paulo Monteiro. "Hellboy – O Exército Dourado", de Guillermo del Toro, segundo a obra de Mike Mignola (dia 2, pelas 21 e 30 horas), e "Spirit", de Frank Miller, com base na criação de Will Eisner (dia 9, pelas 21 e 30 horas) são exemplos de como as histórias aos quadradinhos podem, muitas vezes, chegar à grande tela.
Sessões de autógrafos e conversas com vários dos autores convidados, entre eles as atracções internacionais Denis Deprez (Bélgica), Gary Erskine (Escócia), Lorenzo Mattotti (Itália), Craig Thompson (EUA) e Fernando Gonsales (Brasil), workshops, lançamentos de fanzines e livros, um torneio de Magic the Gathering, um quiz de BD, serões musicais na Galeria do Desassossego (Million Dollar Lips, amanhã, sábado, e uma Noite de Fados, no domingo), que também se associa a esta festa da nona arte, são outras das propostas ao longo do primeiro fim-de-semana.

Na galeria exterior da Casa da Cultura funcionará também, como em anos anteriores, o Mercado do Livro de BD, com mais de 60 editores presentes, 13 deles estrangeiros, e quatro lojas representadas. Um espaço para espreitar ou mesmo adquirir as novidades, os clássicos, trabalhos originais, além das serigrafias do Atelier Mike goes West.

Diário do Alentejo, 5 de Junho2009
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Programação prossegue até dia 14
V FESTIVAL DE BD DE BEJA INAUGURADO POR MIL VISITANTES

Foi o fim-de-semana mais concorrido de todas as edições-, reconhece Paulo Monteiro, director da Bedeteca de beja, que organiza o evento.
O V Festival Internacional de BD de Beja. que se distribui pela Casa da Cultura. Biblioteca Municipal José Saramago, Museu Regional e Museu Jorge Vieira - Casa das Artes, mantém patentes, até ao próximo dia 14 duas dezenas de exposições, seis delas colectivas, assentes no traço de 71 autores de sete países, para além de Portugal.

Perto de mil pessoas visitaram o V Festival Internacional de BD de Beja ao longo dos seus primeiros dois dias (30 e 31 de Maio), naquele que foi "o fim-de-semana mais concorrido de todas as edições".
Uma afluência que, segundo Paulo Monteiro, director da Bedeteca de Beja, a organizadora do evento, se deve a um "melhor 'aproveitamento' dos autores estrangeiros presentes, em conversas e sessões de autógrafos, e a uma aposta na diversificação da oferta paralela, na tentativa de atrair outros públicos".
Até à última quarta-feira, 3, (dia do fecho desta edição), a organização registava uma média diária de 300 visitantes, e uma "opinião unânime", recolhida em blogs e sites dedicados à BD, que é elogiosa do "carácter familiar" do festival bejense. "Como a cidade é pequena e o festival tem um carácter informal muito grande, facilmente os visitantes falam com os autores, fazem perguntas, pedem autógrafos ou desenhos e os próprios autores acham isso fantástico, porque não é muito comum", acrescentou o responsável.
Recorde-se que o V Festival Internacional de BD de Beja, que se distribui pela Casa da Cultura, Biblioteca Municipal José Saramago, Museu Regional e Museu Jorge Vieira – Casa das Artes, mantém patentes, até ao próximo dia 14, duas dezenas de exposições, seis delas colectivas, assentes no traço de 71 autores de sete países, para além de Portugal. Entre as referências internacionais, destacam-se o norte-americano Craig Thompson, o italiano Lorenzo Mattotti, o brasileiro Fernando Gonsales e o belga Denis Deprez, distinguindo-se, do panorama nacional, nomes como os de Alex Gozblau, Pedro Burgos ou ainda Marco Mendes.
A iniciativa, marcada pelo ecletismo - une autores consagrados e principiantes e dá destaque aos vários estilos, tendências e sensibilidades estéticas no que ao universo da nona arte diz respeito - prossegue também, até ao próximo dia 14, com uma programação paralela pensada para todos os públicos. Hoje mesmo, sexta-feira, há ainda tempo para assistir à segunda sessão da oficina de cinema de animação "Um videoclip em desenho animado", dinamizada por Rossana Torres, entre as 20 e as 22 horas, na Bedeteca de Beja (Casa da Cultura), espaço que acolhe amanhã, sábado, a partir das 15 horas, uma sessão de conversa com Ricardo Andrade e Matril Santos, da NCreatures, que farão uma introdução à mangá japonesa e ao animé, com sessão de cinema ilustrativa. No domingo, 7, Gastão Travado tem à sua responsabilidade um workshop sobre "Imagens 3D - Técnicas práticas para criar imagens anaglíficas e lenticulares" (das 17 às 18 horas), ficando a manhã de segunda-feira, 8, na Bedeteca de Beja, por conta de Paulo Monteiro, rosto principal da organização do festival e também ilustrador, que propõe, entre as 10 e as 11 e 30 horas, uma "Viagem pela Banda Desenhada" em diapositivos comentados.

Na terça-feira, 9, cinema e BD voltam a cruzar-se no filme "Spirit", de Frank Miller (segundo a obra de Will Eisner) que terá exibição no Teatro Municipal Pax Julia, pelas 21 e 30 horas, enquanto que, no dia 10, feriado nacional, a rubrica Histórias Desenhadas, conduzida por Nadja Pinto, irá debruçar-se sobre “A Mosca”, de Lewis Trondheim, numa sessão a decorrer na Casa da Cultura, entre as 15 e as 16 horas.
Entre 11 e 14, o festival entra na recta final, oferecendo um dia especialmente recheado no sábado, 13, com a cerimónia de entrega dos VII Troféus Central Comics (15 horas) e uma Noite de Terror que, entre as 23 horas e as quatro da manhã, contempla a sessão de poesia "(Poe) mas Malditos!", pelo Atelier de Escrita Criativa da Casa da Cultura, e uma conversa sobre "Zé do Caixão no imaginário brasileiro", dinamizada por José Carlos Oliveira, entre outras propostas igualmente arrepiantes.

Na galeria exterior da Casa da Cultura, prossegue também, como em anos anteriores, o Mercado do Livro da BD, com mais de 60 editores presentes, 13 deles estrangeiros, e quatro lojas representadas. Uma montra de novidades, clássicos e trabalhos originais.

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Diário “As Beiras” de 30 de Maio de 2009

João Miguel Lameiras

BANDA DESENHADA
Mattotti e Craig Thompson no regresso da BD a Beja

Abre hoje ao público a quinta edição do Festival Internacional de BD de Beja, evento incontornável no cada vez mais pobre calendário bedéfilo nacional. Embora o Festival tenha mudado de data em relação aos anos anteriores, de modo a não coincidir com a Ovibeja, mas acabando por cair em cima do Salão de Barcelona, mantém-se a aposta em grandes nomes da BD contemporânea, como Mattotti e Craig Thompson, entre os mais de 70 autores de 8 países, cujos trabalhos estão representados nas 20 exposições previstas para a edição deste ano.

Como nos anos anteriores, o Festival mantém o seu núcleo principal na Casa da Cultura de Beja, onde está a Bedeteca, dinamizada por Paulo Monteiro, director e a alma deste Festival. É ai que estão as exposições dos autores estrangeiros que, além do norte americano Craig Thompson, autor do magnífico "Blankets" e do mestre da côr e da "linha frágil", o italiano Lorenzo Mattotti, compreendem também mostras do galego Alberto Vasquéz, que já tinha estado em Beja no ano anterior, integrado numa exposição colectiva dedicada à BD galega; do belga Denis Deprez, cujo talento pictórico está bem patente nas adaptações de textos literários que fez em cor directa; do brasileiro Fernando Gomsales, criador do divertidíssimo rato Niquel Náusea, e do escocês Gary Erskine, actual desenhador de "Dan Dare" e colaborador habitual de Warren Ellis e Grant Morrison.

Mas também há espaço para os autores portugueses na Casa da Cultura. Aí estão as exposições dedicadas a Carlos Rocha, Pedro Burgos, Richard Câmara, Rui Cardoso (criador da serie de animação "O Patinho") e João Maio Pinto, para além de duas exposições colectivas de autoras de BD, coordenadas por Daniel Maia ("All-Girlz" e "All-Girlz Banzai") que mostram como a BD pode ser conjugada no feminino por um eclético grupo de criadoras, que inclui uma autora de Coimbra, Selma Pimentel.

Saíndo da Casa da Cultura e percorrendo o centro histórico da cidade, como se fazia em Coimbra nos bons velhos tempos dos Encontros de Fotografia, temos o resto das exposições que enchem o programa deste Festival. Bem perto, na Biblioteca Municipal José Saramago, há três exposições colectivas, dedicadas aos projectos "Luminus Box", "Voyager" e "Venham + 5!" e uma exposição individual de Hugo Teixeira, autor da série de inspiração mangá, "Bang Bang". Além disso, temos ainda uma mostra dedicada a Alex Gozblau no Museu Regional de Beja, enquanto que o Museu Jorge Vieira – Casa das Artes acolhe o trabalho autobiográfico de Marco Mendes, autor nascido em Coimbra.

Se a tudo isso, e à presença descontraída dos autores para sessões de autógrafos, juntarmos a programação paralela, que inclui workshops e debates com autores, um atelier de serigrafia, lançamentos editoriais, festas com Djs, sessões de cinema e, no último fim de semana, a entrega dos troféus Central Comics, não faltam motivos para os fãs de Banda Desenhada passarem por Beja até dia 14 de Junho. Eu cá, quando lerem este texto, já estarei em Beja, aproveitando a fantástica hospitalidade e simpatia das gentes do Sul!

V Festival Internacional de BD de Beja, Casa da cultura de Beja, de 30 de Maio a 14 de Junho de 2009.

Mais informações em http://www.festivalbdbeja.net/.

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ESPAÇO BD – Luiz Beira

Novidades: “L’Arbre de Deux Printemps” – Sob edição Lombard. é um belíssimo álbum colectivo, elaborado com ternura e emoção por diversos autores como Walthery. Hermann, Derib, Roba. Mézieres, Dany. Etc… etc…

Na loucura de Bilal

O desenhista e cineasta sérvio Enki Bilal tem uma obra muito peculiar, sendo também bastante amargo e confuso. Será dele mesmo essa crise existencial permanente ou será que a inventou apenas para a sua obra?
De sua autoria, o álbum "Animal'z", foi recentemente editado pela Casterman. O grafismo e o enredo, sem uma "luz" positiva, navegam por alucinações e paranóias.
São coisas lá do artista, que nos deixam bem neutros, nem contra nem a favor.

Big-Boss Requiem

Editora: Lombard.
Autores: Jean-Philippe Dugand e Denys.
Obra: 'Big-Boss Requiem', terceiro tomo da serie 'Distriet 77'.

Violento e mortal, por todo um caos de uma luta definitiva e em trégua entre mafioso e a polícia, com uma jovem justiceira perdida no meio das balas. Nãoo há qualquer regra nem lei. Apenas o furor implacável de parte a parte, bem explosivo e impiedoso.
Para quem aprecia o estilo, que e delicie, mas acautele-se e vá também aconselhar-se junto de um psiquiatra, não vá haver alguma encrenca a canalizar o seu gosto para violência deste calibre.

Les Neoquantiques

Editora: Delcourt.
Autores: Fred Duval e Philippe Ogakl.
Obra: 'les Neoquantiques', segundo tomo da série 'Meteors'.

A "Inteligências Artificiais" serão bem-vinda ou serão verdugo da Humanidade? Ou não será apenas esta a questão a pôr-se ante um futuro assustador que nos vai chegando a galope?

As "I.A." inquietam-se ante a anomalia detectada no exame ao cadáver de um cosmonauta russo... Qualquer testemunha torna-se incómoda. Duas facções do reino digital estão prestes a fazer estoirar uma guerra... E se as "I.A." não puderem controlar mais o conjunto do Espaço? E se o Homem puder reencontrar outras inteligências fora do comum? •

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31 de Maio de 2009
SECÇÃO: Arte Nona

A CATÁSTROFE CLIMÁTICA

Senhor de uma assombrosa capacidade de desenho, que tornaria absolutamente redutor e contraproducente simplificar os traços, aligeirando e “clarificando” as suas vinhetas, Enki Bilal, autor de origem jugoslava há muito radicado em França, é também um dos grandes nomes da Banda Desenhada europeia em que os temas de ficção científica estão mais presentes.
É ainda um dos autores em que perpassa com mais intensidade uma tensão dramática ou poética.
Provavelmente um dos livros em que tanto esta dimensão poética inquietante, como a aproximação a um mundo projectado (futuro, paralelo, seja o que for...) são mais assumidos é o muito recente “Animal’z”, publicado já em 2009 pela editora Casterman, obra que, apesar de tudo, nos pareceu... um pouco hermética.

A obra de Enki Bilal é, quanto ao estilo gráfico e dos argumentos, muito diversa. Mais realista quando desenha as estórias de Pierre Christin, mais onírica, fantasista (mas uma fantasia rebuscada e muito sofisticada, algures entre a heroic phantasy e a science fiction), quando trabalha sobre os próprios argumentos.

É o caso de “Animal’z”, um destes processos “apocalípticos”.

Logo no início, num texto intitulado “En guise de prologue” (À Guisa de Prólogo), Bilal introduz o meio ambiente: «O Golpe de Sangue é o nome do desregramento climático brutal e generalizado que se abateu sobre a Terra. O planeta está totalmente desorientado, devastado, ferido por catástrofes naturais além da norma.

Nalgumas semanas, o Mundo perdeu todo o ar de coerência. A natureza desencadeou a sua cólera. Mais do que nunca, a sobrevivência é um assunto individual. A procura de água doce potável torna-se a primeira preocupação, cada um por si.
Apenas alguns Eldorados, reunindo todas as condições de sobrevivência, subsistem ainda (lugares geográficos improváveis, preservados pelos acontecimentos). Os homens estariam em vias de se reorganizar aí.

Comunicações desreguladas, transportes terrestres perigosos, transportes aéreos raros, só o mar oferece a alguns o meio de alcançar estes lugares.
O estreito D17 é uma destas passagens.
A história começa aqui.
Perfeito!
Apercebemo-nos depois que este prólogo é essencial, pois a história vai-se desenvolvendo de uma forma impenetrável, como a espessuara dos elementos envenenados que povoam o planeta.
A Poesia é, por sua vez, invocada, como quando, logo após o prólogo, se cita Jean Baudrillard: «A água em pó: basta juntar um pouco de água para obter água».
E são também convocados Gustave Flaubert, Samuel Beckett, Kafka, Albert Camus, Samuel Beckett, Dostoioevski, Nietzche, Céline.

Estranhas simbioses animais (entre elas as de cetáceos/humanos) povoam este universo espesso e estranho, a um tempo natural, mutante e cibernético.
Quanto aos grafismos, são frugais na cor, aqui ou ali aparece esporadicamente uma pequena superfície vermelha, castanha ou azul, nada mais. Tudo o resto fica sob o império do lápis, que Bilal potencia como só ele sabe e é capaz de fazer.
Sucedem-se os planos, mais ou menos abertos, os corpos circulam nesta espécie de inverno nuclear pesado e omnipresente.

E novos animais míticos ou mais ou menos reais, como os golfinhos que voam, as zebras usadas como animal de transporte, mansos ursos polares, etc..
Um mundo inquietante e híbrido aguarda que se lhe descubram os seus segredos sombrios e... continua a desmoronar-se.

Por: Luís Chambel

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A imagem é da responsabilidade do Kuentro.

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junho 03, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #61 - O FESTIVAL DE BEJA NA IMPRENSA ALENTEJANA + DIVULGAÇÃO DE BD NO "ALENTEJO POPULAR" + AS PRIMEIRAS FOTOS DO FESTIVAL

A imprensa no Alentejo divulgou o V Festival Internacional de BD de Beja 2009 em grande estilo. Aqui fica a matéria do Alentejo Popular que teve 2 páginas inteiras, mais a 1ª página dedicadas à BD. Duas delas sobre o Festival e a habitual de Armando Corrêa, de divulgação. Aqui ficam todas estas páginas e também as primeiras fotos do evento bedéfilo alentejano.

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28 DE MAIO DE 2009
através da banda desenhada

Coordenação de Armando Corrêa

THOR - Da mitologia à BD e ao cinema

Na mitologia germano-escandinava Thor é um dos mais significativos deuses, pleno de super poderes.
Pelos germanos, era mais conhecido pelo nome de Donar. Alguns autores da velha Roma tentaram justapô-lo como Júpiter (o Zeus dos gregos) ou como Hércules (o Héracles dos gregos). O seu culto, como Thor, era mais intenso nos territórios escandinavos (Dinamarca, Suécia, Noruega e Islândia), sobretudo na Noruega. Muitos noruegueses davam o seu nome aos filhos, para que assim ficassem melhor protegidos pelo deus em questão.
Thor, alto loiro e musculado, tinha como sua arma o «Mjolnim», um martelo mágico. No entanto, este martelo também funcionava para consagrar solenemente tratados públicos ou particulares, sobretudo os casamentos. Um dos principais inimigos de Thor era o eu pérfido e invejoso irmão Loki.
Em Agosto de 192, com criação de Stan Lee, Larry Lieber Jack Kirby e Joe Sinnot, os norte-americanos (pois quem mais havia de ser?) estrearam Thor como super-herói da Banda Desenhada.
Imortal e com todos os poderes mitológicos, faz parte do grupo de superheróis «Os Vingadores», ao lado de Capitão América, HuIk, Hércules, Balder, Bili Raio Beta, etc.. Pela editora Marvel Comics ai funciona toda uma série comercialmente conveniente (e tantas vezes disparatada) onde Thor, às vezes, é um mero «humano», como Dr. Donald Blake, Jack Olson e outras bizarras identidades.
Finalmente, muito em breve, começa a rodagem da longa metragem «Thor», com estreia mundial prevista para 2011, sob realização do actor-realizador inglês (natural de Belfast, Irlanda do Norte) Kenneth Branagh.
Para o papel de Thor está indigitado o conceituado jovem actor sueco Alexander Skarsgard, nascido em Estocolmo a 25 de Agosto de 1976.
Pois que venha de lá esse filme!

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AS FOTOS (1)

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junho 02, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #60 - AMANHÃ SAI O 3º ÁLBUM DA COLECÇÃO "CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN" COM O JORNAL PÚBLICO

No jornal Público de dia 29 de Maio, Carlos Pessoa apresentou o 3º álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin e publicou também um texto sobre a própria revista Tintin. É a matéria que se apresenta abaixo. As fotos de Cosey e as pranchas de Jonathan assim com as capas dos números 1 da revista Tintin belga e portuguesa, são da responsabilidade do Kuentro.

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Jonathan no terceiro álbum da colecção Clássicos da revista Tintin

O PRAZER DA VIAGEM

Cosey é um dos mais originais e criativos autores europeus de banda desenhada, mas também um dos menos conhecidos em Portugal. Duas aventuras inéditas ajudam a conhecer este herói inquieto e sensível

Carlos Pessoa

Em 1975, Jonathan aparece pela primeira vez na revista Tintin (edição belga) em busca da identidade e memória perdidas nos cumes dos Himalaias. No final do ano passado, encontramo-lo na Birmânia tutelada por uma ditadura militar.

Entre os dois pólos de uma viagem constante, o herói nunca perde de vista aquele que é o seu objectivo maior - a demanda do sentido da vida e dos laços significativos que unem (ou devem unir) todos os seres. Mais do que a mera ligação física entre dois pontos geográficos, o que parece animar Jonathan é o prazer da descoberta do que está para além do acidental e do efémero. Por outras palavras, o seu percurso e as suas descobertas situam-se, sobretudo, numa geografia subjectiva que é proposto a cada leitor identificar
e sentir.

Tais reptos realçam a singularidade da série, caracterizada por um grafismo quente e afectivo, onde a cor assume uma importância crucial, Pode dizer-se que é graças a essa "ferramenta" que Cosey procura exprimir estados de alma, fazendo partilhar os leitores de atmosferas e ambientes que tanto são dos personagens como dos espaços - quase sempre a poderosa imensidão dos Himalaias - onde decorre a acção.

Do interesse do artista pelo Tibete - "talvez em virtude do meu gosto pela montanha", afirmou um dia - nasceu em boa parte a ideia de uma personagem que vive as suas aventuras tão longe.
A"originalidade" do budismo tibetano (a expressão é do próprio desenhador) e as visíveis influências da viajante Alexandra David-Neel, da filosofia vedanta, de Jung e de Sri Aurobindo fazem o resto, lançando o herói para uma saga que está longe de ter atingido o seu fim.
Pelo caminho, ele vai encontrando os marcos fundamentais do seu próprio percurso - Drolma, a rebelde criança tibetana, a guerrilheira Shangarila, o oficial britânico reformado Stamford Westmacott, o psiquiatra autodidacta Casimir Forel, Neal e o seu amigo invisível Sylvester. .. Há ainda a coronel Lan do Exército chinês, a bela jovem americana Kate encontrada em Srinagar ("um jungiano diria que é a minha anima", refere a propósito Cosey) ou a enigmática Sabei-Jasmim da mais recente aventura. São os rostos visíveis de uma sempre procurada e nunca alcançada unidade, manifestações da força irreprimível e impronunciável de um desejo mais profundo e pleno de realização individual.

Cosey é um dos mais originais e criativos autores europeus de banda desenhada, mas também um dos menos conhecidos em Portugal. Até agora, apenas sete das 14 aventuras já editadas de Jonathan, o seu alter ego heróico, foram publicadas em publicações periódicas, mas nunca em álbum.
Saíram todas entre Outubro de 1976 e Julho de 1982 nas páginas da edição portuguesa da revista Tintin - Lembra-te, Jonathan... ; Pés Descalços sob os Rododendros; O Berço de Bodhisatva; O Espaço Azul entre as Nuvens; Douniacha, Há Muito Tempo Atrás; Kate; e O Privilégio da Serpente. Da restante produção do artista suíço, apenas foram editadas duas obras - Viagem a Itália (dois álbuns, 1990 e 1991, Meribérica-Liber) e Orquídea (editora Witloof, 2003).

O ÁLBUM

O Sabor do Songrong e Ela ou Dez Mil Pirilampos são as bandas desenhadas do terceiro álbum da colecção Clássicos da revista Tintin, uma selecção dos melhores heróis " clássicos daquela publicação periódica de referência que constituiu um suporte fundamental de divulgação de banda desenhada na segunda metade do século XX. Realizadas pelo suíço Cosey, estas duas aventuras são inéditas em Portugal.

Jonathan
Quarta-feira,3 de Junho
Por + 6,90 euros

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Revista Tintin, um marco europeu

No dia 26 de Setembro de 1946 chegava às bancas de Bruxelas o primeiro número da revista Tintin.
As 12 páginas iniciais da edição semanal mal chegavam para incluir as aventuras de heróis que iriam preencher o imaginário de gerações sucessivas de leitores - Blake e Mortirner e Corentin, além do próprio Tintin.

A adesão dos leitores foi imediata, a publicação cresceu em páginas, heróis e autores, tornando-se uma referência fundamental da BD europeia. Não surpreende, por isso que, pouco mais de dois anos depois, saía a versão francesa, a 28 de Outubro de 1948,

É fácil estabelecer o início da revista, mas não é tão simples dizer quando acabou. A edição belga francófona publicou-se até 29 de Novembro de 1988, num total de 2202 números. Quanto à edição francesa, terminou em 4 de Janeiro de 1973, no número 1262.
Mas a revista não acabou aqui, pois surgiria com um novo titulo - Tintin (L'Hebdoptimiste) - em 9 de Janeiro de 1973, saindo com alguns ajustes de fórmula até 9 de Setembro de 1975. A 16 de Setembro desse ano deu lugar ao Nouveau Tintin, que se publicou até 29 de Novembro de 1988.
Em 9 de Dezembro de 1988 saía Tintin Repórter (com conteúdos similares para Bélgica e França), que só durou até 28 de Julho do ano seguinte. Sucedeu-lhe, em 26 de Setembro de 1989, Hello Bédé, que terminou em 29 de Julho de 1993. É de referir ainda a existência de uma edição flamenga de Tintin (Kuijje em flamengo), que surgiu também em 26 de Setembro de 1946 e só deixaria de se publicar em 29 de Junho de 1993, sem qualquer interrupção.

O Tintin português teve um percurso próprio, tendo surgido em 1de Junho de 1968. Acabou em 2 de Outubro de 1982 com um total de 749 números. Publicou as mais importantes e significativas séries da publicação-mãe, mas também um conjunto relevante de autores portugueses, entre os quais José Ruy, Vítor Péon, Fernando Relvas, José Garcês, Pedro Morais, Paulo Nisa, J. Pitágoras, Estrompa, Augusto Trigo e Mimi. Teve ainda uma edição especial para o Brasil em 1969, com traduções adequadas ao léxico local, que durou apenas 26 números.

Carlos Pessoa

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junho 01, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA COMEÇA HOJE !!! + BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #59 + BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #59 - Pedro Cleto na IN sobre o V FIBDBeja e a INAUGURAÇÃO, AMANHÃ, DO MUSEU HERGÉ

Caríssimos Kuentrófilos, como devem calcular, é difícil gerir as doses de informação em qualquer meio de comunicação, sob pena de os potenciais informados se fartarem dela. Portanto, mesmo os mais empedernidos bedéfilos estarão um bocadinho cansados da quantidade de informação (sobretudo de recolhas de recortes da imprensa) que aqui tenho editado. Isso não quer dizer, como todos sabem, que o mercado da BD neste país esteja delirantemente em alta, nem nada que se pareça com isso. Mas a informação sobre BD sim. Há muita gente a batalhar para que a banda desenhada não perca visibilidade, no meio da pasmaceira da baixa de vendas de livros, desinteresse generalizado das novas gerações, etc…

Bem, isto tudo para dizer que começa hoje uma semana cheia até mais não... de informação bedéfila. Por isso peço antecipadamente desculpas pela chuva de avisos (newsletters) de posts editados, que vai acontecer inevitavelmente. Mas, foi o início do Festival de Beja, que provocará intenso acompanhamento dos escribas, que estão habitualmente atentos aos eventos que se produzem pelo país fora. Depois, amanhã, mais um aniversário da Tertúlia BD de Lisboa, o 24º, que terá aqui a habitual reportagem. Depois, o álbum Público/ASA, que sai na 4ª feira – o Jonathan, de Cosey. Depois, enfim… veremos.

Para já, aqui fica a notícia (da Lusa, via Expresso on line) da inauguração, amanhã do Museu Hergé em Louvain-la-Neuve (penso que perto de Bruxelas). Depois, a matéria que o Pedro Cleto fez para a revista “IN” do Jornal de Notícias e Diário de Notícias de sábado passado, sobre o Festival de Beja. E junta-se o habitual pequeno texto do Cristóvão Gomes no “i” de sexta feira, que o nosso amigo e atento leitor José Manuel Pinto nos envia regularmente.

Sobre a reportagem do Festival de Beja, ainda não tive tempo para a trabalhar, mas vai incluir uma série de fotografias, informação sobre as edições lançadas e um pequeno filme, onde se poderá ver com destaques, a realização de um autógrafo de Gary Erskine e o momento ímpar da justíssima homenagem a Geraldes Lino (de que só muito poucos sabíamos) pelo Presidente da Câmara de Beja, com a oferta de 4 medalhas da cidade e placa alusiva à homenagem. Mas isto será talvez na quarta feira…

Já agora, informo quem for amanhã ao Encontro Vadio de Aniversário da Tertúlia, que terei alguns fanzines MONÓTONOS MONÓLOGOS DE UM VAGABUNDO – ENTREVISTA COM HUGO TEIXEIRA, que esgotaram em Beja, para venda. O Hugo estará lá para os autografar!!!

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Bruxelas, 31 Mai (Lusa)

O Museu Hergé, que abre ao público terça-feira, visa dar a conhecer as "múltiplas facetas" do artista belga, mas ao longo das diversas salas de exposição Georges Remi tem sempre a "concorrência" da sua mais notável criação, Tintim.

Responsáveis pela concepção e gestão do novo museu, localizado nos arredores de Bruxelas, explicaram à Agência Lusa que a ideia do museu é dar a conhecer a vida e obra de Hergé, tentando mostrar às pessoas os diversos trabalhos e criações do artista.

No entanto, os mesmos "hergeólogos" admitem que Tintim é e será sempre a grande "atracção", porque é também "a maior criação" de Hergé, e garantem que os visitantes que se deslocarem a Louvain-la-Neuve para ver o famoso personagem de banda desenhada também não ficarão desiludidos, porque Tintim está "omnipresente" no museu dedicado ao homem que o criou.

A ideia deste novo museu - há muito "reclamado" pelos amantes das "histórias aos quadradinhos" - é mostrar o génio de Hergé, para além das "Aventuras de Tintim".
"É por isso que se chama Museu Hergé e não Museu Tintim", aponta Charles Dierick, um dos grandes conhecedores da obra de Georges Remi e responsável por uma das salas de exposição do Museu.

"Muita gente pergunta: 'porquê Museu Hergé e não Museu Tintim? Toda a gente conhece Tintim...'. Mas acontece que Hergé fez muitas outras coisas, na banda desenhada e fora dela, além de Tintim. Se ele produziu BD como o fez foi também porque teve outras ocupações e mestrias que adquiriu ao fazer o trabalho de ilustração, de publicitário, de grafismo...", observou o antigo director do Centro Belga de Banda Desenhada.

Desse modo, explicou à Lusa o director do Museu, Laurent de Froberville, o museu foi pensado de forma a que os visitantes tenham "uma ideia de quem era o homem, qual era sua forma de vida, quais eram as suas paixões" e conheçam também outros trabalhos e criações de Georges Remi.

"Conhecemos Tintim, mas não conhecemos Quike, Flupke, Jo, Zette e Jocko, todas as outras personagens que ele criou, e algumas delas também muito cativantes", apontou, acrescentando que "há tantas as coisas a dizer sobre Hergé que se poderia duplicar a superfície deste museu".

Um dos especialistas de Hergé que mais pode dizer sobre a vida e obra de Georges Remi é Philippe Goddin, autor de uma biografia do artista ("Hergé - Lignes de Vie"), que "pensou" e ajudou a criar o museu.
Goddin sublinhou também a preocupação em permitir aos visitantes "descobrir a diversidade" do artista, apontando que para tal se procurou "que todos os aspectos da criação e da personalidade de Hergé estejam ilustrados, de uma maneira ou de outra".

"Aqueles que vierem aqui pelo Tintim serão bem servidos, porque o Tintim está evidentemente presente no conjunto do museu. Aqueles que ficarem surpreendidos por Hergé ser autor de outras séries vão também poder descobri-las", resumiu o antigo secretário-geral da outrora Fundação Hergé (agora "Estúdios Hergé") entre 1989 e 1999.

Uma das "descobertas" ao dispor dos visitantes será a forma como o cinema influenciou a obra de Hergé que, segundo Laurent de Froberville, "realizava as aventuras de Tintim, como se realiza um filme, com um cenário de partida, uma 'mise en scéne', um ritmo que era extraordinário, onde há momentos de tensão, de suspense e momentos mais calmos".

A influência do cinema sobre Hergé é o mote para uma das oito salas temáticas do Museu, pensada por Charles Dierrick, que aguarda agora a resposta do público a um espaço que "tinha de existir" e acaba de nascer.

"O Museu deve evoluir, viver e ganhar o seu espaço, por um lado, num quadro dos museus de banda desenhada, por outro lado, num quadro internacional de museus consagrados à arte contemporânea", afirmou.

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ACC.

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JORNAL “I” DE 29/05/2009.

ESPECIALISTA DE BD
CRISTOVÃO GOMES

A gargalhada do deprimido

O QUE É QUE há no humor que o liga tão intimamente melancolia? Andre Franquin (1924-1997) foi um desses deprimidos cuja tristeza se fez gargalhada. Sem educação formal em desenho, a Segunda Guerra interrompeu-lhe os estudos. Juntou-se a Morris, Will e Jijé e entre todos criaram um estilo gráfico conhecido como a escola de Marcinelle – uma reacção contra a linha clara de Hergé, que passava pela introdução de movimento no desenho ao contrário do que acontecia no estilo mais contemplativo do criador do Tintin. Ainda por causa da guerra, fica encarregado de continuar o Spirou de Rob-Vel. Confere-lhe densidade e introduz personagens secundários inesquecíveis como o Marsupilami e o inenarrável presidente da Câmara. No auge do sucesso deprime-se. Cria então o primeiro herói sem qualidades da história da BD: Gaston Lagaffe. A sua capacidade para recriar num desenho todas as características do humor físico e notável. Lagaffe torna caótica a situação mais ordeira e tem um talento único para inventar objectos estranhos e inúteis. Ao mesmo tempo, Franquin ri de si mesmo. Numa das suas histórias, Fantásio tem um ataque de nervos perante mais uma das invenções de Gaston.
Solução:"Tomar um desses antidepressivos que 0 Franquin deixa par ai."
Com o passar dos anos, o seu humor torna-se mais desencantado. Surgem as suas «ideias negras», um manancial de cinismo, ideias soltas que reflectem a amargura de um homem que tenta rir, desesperadamente.
Morreu em 1997,com uma gargalhada triste, e quase certo.

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Gary Erskine, autografando...

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