março 31, 2009

RECORTES 36 - Pedro Cleto (JN) e LANÇAMENTOS (ELPEP E CCC)

Um texto de Pedro Cleto no Jornal de Notícias de hoje (BD À PROCURA DO FUTURO) e os Lançamentos da ElPep (DEFIER) e ChiliComCarne (PRISION STORIES), no dia 4 de Abril.

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BD À PROCURA DO FUTURO
Criadores procuram alternativas que permitam contornar limitações do mercado português

F. CLETO E PINA – 31Março2009

O contexto de crise e as limitações de um mercado livreiro onde a BD sempre foi um nicho estão a levar autores e pequenos editores portugueses de banda desenhada a criar uma rede de alternativas à edição tradicional.

Soluções paralelas aos livros convencionais não faltam, até "porque se quer editar e se acha preciso", justifica Marcos Farrajota, da Chili com Carne. E a verdade é que por títulos como "Mocifão", "Defier", "Virgin's trip", "Fato de macaco", "Postais de viagem" ou "Noitadas, deprês e bubas" têm passado algumas (das mais?) interessantes propostas dos quadradinhos portugueses.

Comuns a todos são as tiragens reduzidas - raramente atingem os 500 exemplares - e o circuito de distribuição restrito: "alfarrabistas, festivais de BD", enumera Geraldes Lino, completando Farrajota, com "lojas especializadas em BD ou design e eventos ligados à edição independente". E acrescenta ainda "algumas livrarias, onde (com raras excepções) existe um desdém por estas edições, que são escondidas e nunca repostas", o que é corroborado por Pepedelrey, da El Pep, que referencia um circuito de distribuição "atribulado, com os lojistas a bloquearem constantemente as iniciativas". E, claro, vendas online, cultivadas por quase todos, e trocas com editores similares de outros países.

Por isso, e porque a inércia é grande, os stocks podem demorar 1, 2, 3 anos a escoar… Excepção foi "Murmúrios das profundezas", colectânea de BD inspiradas em Lovecraft, cujos 200 exemplares "voaram" em "dois rápidos meses devido à expectativa que criámos junto dos potenciais leitores", revela Rui Ramos, o mentor do projecto. Mas sem reedição prevista, uma vez que a opção foi o offset e não a impressão digital, "a alma do negócio" da El Pep, pois permite "imprimir de novo quando se esgota uma tiragem".

Perante tudo isto, "os autores, infelizmente, são pagos só em géneros", diz Teresa Pestana, ou usam o "dinheiro dos lucros para financiar novos livros", exemplifica Rui Ramos. A solução, para Pepedelrey, seria "criar o tão desejado mercado nacional de BD: existem autores, editores e consumidores; faltam as estruturas de distribuição e promoção correctas".

Comum a todos, também, é a enorme vontade - concretizada - de ser e criar. Por isso, trabalha-se sempre em novos projectos: G. Lino, prepara "o n.º 4 do fanzine Efeméride, dedicado ao Tintin" e o Gambuzine #2 "sai em Novembro, com colaborações de alguns poetas portugueses vivos". A equipa dos "Murmúrios…" editará ainda este ano "Voyager", a MMMNNNRRRG "O pénis assassino", e a Chili com carne" uma antologia internacional com o festival Crack (Roma), para Junho". Em busca de outros mercados, a El Pep que "a partir de agora só fará edições em Inglês", a lançar "nos principais encontros internacionais e só depois em Portugal, está a produzir "A tua carne é má" e "Defier #2".

Tantos títulos parecem contrariar a afirmação convicta de G. Lino de que "a BD portuguesa não tem futuro", o que se deve "a uma fatal conjunção de desinteresses, descrédito e a um meio demasiado pequeno e amiguista que neutraliza à partida qualquer objectividade e evolução", corrobora Teresa Pestana.

Na dúvida, Farrajota acredita que este será o caminho "se houver futuro", enquanto Pepedelrey pensa que "é um caminho válido e o único que tem contribuindo para o desenvolvimento desta expressão artística". Conclui Rui Ramos: "O futuro vai depender acima de tudo da imaginação, inovação e capacidade de organização, empenho e produção dos autores nacionais e da sua capacidade de captar a atenção do público".

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Dia 04 de Abril vai inaugurar às 17h00 a exposição de originais do livro de BD DEFIER editado pela El Pep em Janeiro deste ano e com o lançamento internacional em Angoulême, sendo neste dia feita a apresentação nacional dos livros DEFIER e MOCIFÃO. Para além da inauguração da exposição, será apresentado pelo David Soares o livro PRISON STORIES e serão feitas sessões de autógrafos dos autores Ricardo Venâncio, Nuno Duarte e Untxura. A exposição dos originais encerrará no dia 18 de Abril.

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Lançamento de PRISON STORIES de Igor Hofbauer, editado pela MMMNNNRRRG,apesar de já ter sido no Festival de BD de Angoulême faltava o lançamento português que será no dia 4 de Abril na CHILI com uma apresentação de David Soares.

Sobre a edição: terceira edição, aumentada e melhorada, EM INGLÊS, com uma tiragem de 500 exemplares de 120p. a preto e branco + belo vermelho. Dim: 16,5x23cm. Papel: Renovaprint Creme 100g. Capa mole 240g Cromo.

O livro já se encontra à venda na Cave, CHILI, BdMania, Fábrica Features, Kingpin Books, Letra Livre (Lisboa), Mundo Fantasma (Porto), Rastilho (mail-order), Shop Suey(Leiria) e Corndog (UK)

Sobre o livro: Apesar dos esforços do colectivo esloveno Stripcore em divulgar a bd da "outra Europa", parece que poucos autores têm-se afirmado na Europa de Leste. Para além dos sérvios Aleksandar Zograf e Wostok e o esloveno Jakob Klemencic, estranhamente não tem havido muitos mais autores que tenham impressionado ou saltado como referências no amplo mundo da edição de bd alternativa. O croata Hofbauer será um dos autores que provavelmente irá compor mais o quadro.
Conhecido pelos seus cartazes de concertos Rock do clube Močvara que, segundo reza a lenda, empestam a cidade de Zagrev, é muito recente a sua escolha criativa ter recaído para a bd - apesar dos cartazes terem sempre mostrado apetência para o figurativo da bd Pop-Vintage. Aliás, este seu primeiro livro é uma antologia de sete histórias - na primeira edição, pela Otompotom de 2006, só haviam três bd's - que resumem a sua obra bedéfila. Algumas tem apenas 4 páginas outras vão pelas 30 acima. Duas delas publicadas na revistaStripburger e republicadas em outras revistas pelo mundo fora - e já agora, uma delas foi mostrada na confusa exposição da "bd do resto do mundo" no Festival da Amadora em 2006.
Tendo como elo comum a prisão ou a falta de liberdade em ambientes que invocam o totalitarismo (seja ele comunista ou capitalista) e o seu folclore: uma história relata sobre uma cantora romântica do regime que canibaliza outras artistas, outra bd é sobre uma banda Rock que percorre os tempos em que o Rock era proibido nos países comunistas, passando pela "abertura de Leste" até aos massacres dos Balcãs, e por fim, mais uma alegoria Pop que envolve um macacoíde junkie e um simulacro do Andy Warhol. O texto em inglês tem algumas gralhas, algumas semânticas que dão ainda mais estranheza à coisa.
...
sobre o autor: Igor Hofbauer (Zagreb, 1974) is an underground illustrator, comic artist (member of the collective Komikaze) and poster drawer - well known for his work for the Club Močvara. He graduate painting on the Academy of Fine Arts in Zagreb. As an artist Hofbauer finds in underground music scene very close to his mode of expression not just as an isnpiration for his visual art but also as a musician (he's a drummer). He composed music for several dance productions. He has exhibited his works in Italy, Slovenia, Croatia, Greece, Netherlands and Portugal. Hofbauer's poster was included in the respectable book The Art of Modern Rock : The Poster Explosion (2004) which include the finest work from more than 350 international studios and artists. Together with writer Edo Popović, Hofbauer published four volumes of illustrated stories: Klub, Ako vam se jednom..., Gospa od Bluda and Betonske priče.
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feedback: great antologic volume of short stories in the same nocturnal world printed in grey, black and some red touches... hipnotic, magical and intriguing Passenger Press

CCC chilicomcarne.com
MMMNNNRRRG gentebruta.pt.vu

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CHILICOMCARNE: Rua dos Fanqueiros, 174 – 1º Esq. - LISBOA

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março 30, 2009

RECORTES 35 - J.M.Lameiras (Diário As Beiras) e Pedro Cleto (JN)

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OS MANGÁS DA ASA

João Miguel Lameiras - SÁBADO 14 MARÇO 2009

Com a publicação dos terceiros volumes de cada uma das três séries iniciadas em Setembro de 2008, chega ao fim a primeira fornada de mangás (nome que designa a BD feita no Japão, ou neste caso, à maneira japonesa) com que as Edições Asa se estrearam na edição deste tipo de Banda Desenhada, que tanto sucesso tem junto do público mais novo.

As três séries escolhidas pela Asa nesta sua primeira investida no género, tem em comum a particularidade de nenhuma delas ser efectivamente japonesa e o formato mangá (livros de tamanho pequeno e sobrecapa, a preto e branco e com mais de 100 páginas), mas para além disso, tudo o resto as separa, incluindo o público-alvo de cada uma.

Assim, temos duas séries de “Shoujo Mangá” (BD destinada preferencialmente às raparigas adolescentes) e uma de “Shounen Mangá, destinada mais aos rapazes. São elas “A Princesa Pêssego”, de Lindsay Cibos e Jared Hodges, dois jovens autores americanos vencedores do concurso da Tokiopop para novos autores de mangá, que constroem um livro simpático sobre uma menina de 9 anos que tem um furão como animal de estimação, destinada a um público mais infantil, e “Dramacon”, de Svetlana Chmakova, uma autora russa, que narra com desenvoltura uma história de amor adolescente passada num Festival de Anime (o cinema de animação japonês).

Dirigido a um público mais adulto do que a “Princesa Pêssego”, “Dramacon” confirmou- se como uma agradável surpresa e, para mim, o mais interessante dos três títulos lançados pela Asa, com Svetlana a misturar muito bem o drama romântico com o humor, provando que domina perfeitamente as convenções do “shoujo mangá”.

Por último temos “Warcraft”, de Knaak e Kim, que tecnicamente é um “manhwa” (a BD coreana) que adapta ao formato mangá o célebre jogo de computador e que, tendo em conta o desenho vistoso e pormenorizado do coreano Kim e a familiaridade do público com o universo do jogo, foi muito provavelmenteo título de maior sucesso comercial.

O facto de o preço dos livros ter subido dois euros entre o segundo e o terceiro volumes, permite especular que as vendas não terão sido famosas, sendo necessário aumentar o preço para recuperar o investimento. Teoria plausível, até porque os mais de três meses que medearam entre a saída do 2.º volume (publicado em Outubro) e do 3.º (lançado em fins de Fevereiro) deu tempo para a editora ter números concretos de vendas (e, mais importante, de devoluções) e organizar a sua estratégia comercial em conformidade.

Face à (cada vez maior) pequenez do mercado editorial nacional, que o torna pouco, ou nada interessante para as editoras japonesas, seria muito difícil à Asa obter os direitos para séries de top como “Naruto” e “Bleach”. Daí o recurso ao catálogo da editora Tokio Pop (uma das mais afectadas pela recente crise financeira mundial) para a entrada na edição de mangá. De qualquer modo, mesmo que o sucesso não tenha sido o comercialmente esperado (e ainda pode haver quem, escaldado com o mercado nacional, onde não faltam as séries que ficam incompletas, só agora compre estas colecções, depois de terminadas), estão já previstos dois novos lançamentos: as séries “Warcraft: Legends” e “Hellgate London”.

Esperemos que estas edições ajudem a abrir à Asa as portas do mercado japonês, para que um dia possamos ver também em português as grandes séries de mangá que tanto sucesso fazem por todo o mundo.

“Dramacon” vol 3, de Svetlana Chmakova, Edições Asa,
208 págs., 9,50 ¤

“A Princesa Pêssego” vol 3, de Lindsay Cibos e Jared Hodges,
Edições Asa, 184 págs., 9,50 ¤

“Warcraft: Trilogia do Poço do Sol” Vol 3, de Richard A. Knaak
e Jae-Hwan Kim, Edições Asa, 176 págs., 9,50

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THE SPIRIT, DA BD PARA O CINEMA

João Miguel Lameiras - Sábado 21 Março 2009

Quinze dias depois de "Watchmen" eis que chega às salas de cinema portuguesas mais uma adaptação de uma Banda Desenhada ao cinema, em que Frank Miller, na sua estreia a solo como realizador, transpõe para o grande ecrã "The Spirit", a série de culto de Will Eisner.
Publicado originalmente entre 1940 e 1952 no suplemento dominical de uma série de jornais americanos, a série "The Spirit" era constituida por histórias curtas independentes protagonizadas por um ex-polícia, Denny Colt, que depois de ser dado como morto, decide continuar a combater o crime como o Spirit, um detective mascarado. E se o ponto de partida da série está próximo de qualquer história de super heróis, a forma como Eisner o desenvolveu faz toda a diferença, com o autor a utilizar o seu herói mais como um mero catalisador de intrigas, que vão muito para além das simples histórias policiais, do que como verdadeiro protagonista da serie.

Basta ver dois dos melhores episódios do Spirit, em que este praticamente não intervém. Refiro-me às histórias de Gerhald Shnobble, o obscuro vigia que conseguiu voar, e de Socrate Grime, empregado comercial a quem nem a morte impediu de cumprir os seus deveres fiscais. Dois notáveis momentos de "realismo mágico", protagonizados por gente vulgar na grande cidade, que já deixavam antever a temática posteriormente desenvolvida por Eisner nas suas graphic novels.

Face às afinidades entre ambos (Miller era amigo e discípulo de Eisner, cuja influência é bem visível no seu trabalho) e ao sucesso de "Sin City" e "300", dois filmes baseados em BDs de Frank Miller, a escolha de Miller para levar o Spirit ao cinema, parecia uma boa ideia, mas o filme, que estreou nos EUA no dia de Natal, dividiu a crítica e foi um verdadeiro fiasco de bilheteira.

Visualmente espectacular, graças ao uso da tecnologia digital utilizada em "Sin City" e "300", "The Spirit" é um filme desiquilibrado, oscilando entre o registo do policial negro (com o herói a narrar a história em voz off na primeira pessoa, o que não acontece na BD, e os cenários urbanos filmados de forma expressionista) e a comédia negra versão "Looney Toons" (com os irritantes clones que servem de homens de mão a Octopus e os combates entre o Spirit e o Octopus, a parecerem saídos mais de um desenho animado de Bugs Bunny ou Willie E. Coiote, do que de um filme de acção). Um desiquilibrio reforçado pela actuação completamente "over the top" de Samuel L. Jackson como Octopus, personagem que na BD se resume a um par de luvas e um rosto escondido pelas sombras.

Mesmo que este seja muito mais o Spirit de Frank Miller do que de Will Eisner, o filme reflecte o amor que ambos têm pela cidade de Nova Iorque (de que Central City, tal como Sin City, é uma versão idealizada) e pelas mulheres. E, quanto a mulheres, estamos muitissimo bem servidos, num elenco de luxo que inclui Eva Mendes como Sand Saref (personagem que serviu de inspiração a Miller para criar a ninja Elektra), Scarlett Johansson, Jamie King, Stana Katic, Paz Vega e Sara Paulson, que faz uma excelente Ellen Dolan.

Para além das mulheres de sonho, também não faltam as piscadelas de olhos e as homenagens aos colaboradores de Eisner, com vários nomes de ruas, empresas ou personagens, a remeterem para autores de BD, mas todos estes elementos não são suficientes para fazer de "The Spirit" um filme à altura do que a obra de Eisner merecia, muito por via da dificuldade sentida por Miller em articular de forma coerente todos os elementos que queria meter no filme.

Ou seja, na sua estreia como realizador a solo (tinha co-dirigido "Sin City", com Robert Rodriguez e Quentin Tarantino) Frank Miller teve mais olhos que barriga e o resultado acabou por sair algo indigesto...

("The Spirit", de Frank Miller, com Gabriel Match, Samuel L. Jackson,
Scarlett Johansson; Eva Mendes e Paz Vega, Lions Gate/ Odd
Lot Entertainment, em exibição em Coimbra nos cinemas Zon
Lusomundo Coimbra Fórum. Mais informações em
http://www.mycityscreams.com/).

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Publicado por jmachado em 06:37 PM | Comentários (308) | TrackBack

março 26, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTER #2

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Exposições / Exhibitions

João Maio Pinto
Marco Mendes

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Pranchas de João Maio Pinto e Marco Mendes

João Maio Pinto e Marco Mendes têm trilhado um caminho profundamente original no contexto da moderna Banda Desenhada portuguesa (cada um à sua maneira). Dois autores singulares que nos mostram que a Banda Desenhada é feita de muitas perspectivas e merecedora de múltiplas leituras.

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Espaço VOL / Kuentro / Mundo Fantasma

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura, Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

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março 24, 2009

BANDA DESENHADA NO "PORTO CANAL" E... OS VII TROFÉUS CENTRAL COMICS.

Visitando o site da Central Comics, deparámo-nos com esta notícia: a CC promove no Porto Canal, uma rúbrica sobre BD. EXCELENTE, Hugo Jesus!!! Parabéns!!!

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Escrito por Central Comics

18-Mar-2009

Depois do portal, depois da loja virtual, depois dos Troféus e da loja física, a Central Comics chega agora à Televisão. Estreia amanhã (estreou dia 19 de Março - 5ª feira passada) uma rubrica quinzenal de Banda Desenhada no programa "Zona Interdita" no Porto Canal.
"Zona Interdita" é um programa apresentado por Pedro Nunes e Bárbara Magalhães, que recebe diariamente convidados em estúdio, abordando temas relacionados com a cultura juvenil.

Para além de video-clips, todos os dias são apresentadas rubricas diferentes - notícias polémicas, música, cultura urbana, cinema e video-jogos… e, a partir de amanhã, Banda Desenhada!

O espaço será gerido e apresentado por Hugo Jesus e terá uma duração prevista de 15 minutos.

O programa é diário, de Segunda a Sexta, das 16h às 18h, e a rubrica de BD irá para o ar às Quintas-Feiras.

O Porto Canal está acessível para todos os clientes Zon TvCabo que possuam uma Power Box ou Zon Box (posição 13).

A não perder!

Blog: http://www.zonainterditaportocanal.blogspot.com

Decorrem, entretanto as votações para os VII Troféus Central Comics, até 31 de Março.

Tenho novamente que “cair em cima” da organização, por causa da falta de tino na organização das coisas. Continuo a não concordar com a titulatura das categorias e depois, bem, e depois… o Venham +5 #5 não concorreu o ano passado e não ganhou o troféu “melhor fanzine”? Então e é de novo candidato este ano como "melhor publicação" ??? E, já agora, o BDjornal aparece na categoria "melhor publicação técnica" ?????

Bem, haverá que repensar tudo isto muito a sério durante o “defeso”, entre os VII e os VIII troféus.

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Apesar de tudo, VOTEM!!! - AQUI

Publicado por jmachado em 09:04 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 19, 2009

AÍ ESTÁ JÁ UM CHEIRINHO DO V FIBDBEJA 2009..

O V Festival Internacional de BD de Beja 2009, começa a revelar-se, aqui fica a 1ª nota de imprensa:

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Exposições / Exhibitions
Craig Thompson
Denis Deprez

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(Nota do Kuentro: Lembremos que BLANKETS, de Craig Thompson foi Prémio da Crítica - atribuido pela ACBD - no Festival de Angoulême de 2005)

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Prancha de BLANKETS.

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Prancha de FRANKENSTEIN, de Denis Deprez.

Sobre o belga Denis Deprez, ver o que Pedro Moura escreveu no seu blogue LerBD.

Craig Thompson, o autor de Goodbye, Chunky Rice e Blankets, e Denis Deprez, autor de Frankenstein e Moby Dick, entre outras obras, são dois dos mais excitantes artistas da actualidade. O primeiro pela visão poética e intimista que imprime às suas histórias. O segundo, pelas atmosferas muito vincadas com que impregna as suas pranchas, muitas vezes a rasar o impressionismo.

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Espaço VOL / Mundo Fantasma

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura, Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

Publicado por jmachado em 06:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 16, 2009

QUAL ALBATROZ LANÇA "CELACANTO" + RECORTE 34 A PROPÓSITO

Já o dissemos aqui, há uns meses atrás: o Marc Parchow pôs todo o carinho neste projecto - um fanzine dedicado ao perigo de extinção dos albatrozes! E aí está a ideia consumada. No dia 18 (4.feira) pelas 18:00h no Aquário Vasco da Gama, Sessão de lançamento para toda a gente, amigos ou não dos albatrozes... mas se forem amigos, é melhor, claro!

OK, Marc, já emendei tudo e vou reenviar para o mailling. Sorry a todos, mas quando um tipo está nas últimas de cansaço, devia mesmo era ficar quieto. (17/03/09).

Aqui fica o convite:

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E a nova TVI24, noticiou a coisa:

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Eis o texto:

ALBATROZ: UMA ESPÉCIE AMEAÇADA

Primeiro número da Celacanto, revista apoiada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, dedica especial atenção e esta ave marinha

Por: Redacção /PP | 16-03-2009 09: 21

O albatroz foi a espécie ameaçada escolhida para tema do primeiro número da Celacanto, publicação apoiada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves que será lançada quarta-feira no Aquário Vasco da Gama, em Lisboa, escreve a Lusa.

«Das 22 espécies de albatrozes existentes no mundo, 18 estão actualmente ameaçadas de extinção», explica uma nota introdutória da obra, segundo a qual estas aves são vítimas dos engenhos de pesca dos navios-fábrica, ficando muitas vezes presas nos anzóis dos espinhéis e acabando por morrer afogadas.
Albatrozes põem apenas um ovo por ano.

As características reprodutivas da espécie também não facilitam a sua sobrevivência pois, apesar da longevidade (podem viver oito décadas), os albatrozes põem apenas um ovo por ano, tendo os progenitores de o defender de predadores como o rato durante os 80 dias da incubação.

Segundo a Qual Albatroz, que dá chancela à publicação, este número dedicado à «maior e mais ameaçada ave marinha do mundo» teve como parceiros de edição a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, coordenadora do Programa Marinho Europeu, e a organização Birdlife International.

Apesar da coincidência entre o nome da editora e o tema do primeiro número da Celacanto, a Qual Albatroz pretende vir a abordar a situação de outras espécies e já tem escolhido um animal diferente para o segundo número deste «ecozine» (resultante da união dos conceitos de fanzine e magazine ecológico).

O próximo bicho

A sessão de apresentação, agendada para as 18:00, terá a presença de Luís Costa e Iván Ramírez, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Marc Parchow Figueiredo, da editora Qual Albatroz, e Paulo Marques, autor de banda desenhada que estará na mesa em representação dos participantes.

«Também estará lá alguém para dizer umas palavras sobre o próximo bicho», contou Marc Parchow Figueiredo à agência Lusa, adiantando apenas que se trata de «uma espécie em risco de extinção que ocorre em Portugal e não é uma ave» e que já assegurou, para o próximo número, «o apoio do grupo dedicado a protecção desse animal».

No comunicado da editora, Iván Ramírez salienta que «a Qual Albatroz e a SPEA conseguiram conjugar nesta publicação duas práticas que habitualmente não andam juntas: a criação artística e a consciencialização ambiental», o que faz acreditar na possibilidade de «replicar esta experiência noutros países do mundo».

Delineado a partir de Novembro de 2008, o primeiro número da Celacanto, que terá periodicidade anual, reúne 37 colaborações que vão do ensaio à poesia ou à banda desenhada e inclui trabalhos maioritariamente de Portugal mas também de países como o Brasil ou a Polónia.

Nome de peixe

A capa é um desenho do autor de banda desenhada José Carlos Fernandes realizado exclusivamente para a publicação, fazendo ainda parte do leque de participantes Alice PriNa, Constança Lucas, Daniela Figueiredo, Diogo Carvalho, Fernando Wintermantel, Gastão Travado, GEvan, Inês Costa Lopes, Irina Seves, Jakub Jankowski, José Abrantes, José Carlos Dias, Luciano Irrthum e Nádia Cardoso, entre outros.

A Celacanto deve o seu nome a um peixe pré-histórico que foi considerado extinto até aos anos 40, sendo conhecido apenas pelos fósseis encontrados.
«Quando, em 1938, um celacanto vivo foi descoberto junto à costa da África do Sul, o mundo científico ficou eufórico e foi nesse espírito que escolhemos o nome para este projecto - é um sinal de optimismo e um brasão para sonhadores», de acordo com Marc Parchow Figueiredo.

Com um preço de capa de três euros, metade do dinheiro das vendas do primeiro Celacanto reverterá para a campanha «Salvem o Albatroz», promovida pela BirdLife International.

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AVISO AOS COMENTARISTAS IMBECIS: CARO "THORR", PARECE QUE TENS UM PROBLEMA QUALQUER MAL RESOLVIDO COM O PÚBLICO, OK, ATÉ ACEITO QUE TODA AGENTE TEM O DIREITO DE DESABAFAR! MAS POR CAUSA DESSES VÓMITOS IMBECIS À LAIA DE DESABAFOS ESCONDIDOS ATRÁS DE NIKNAME - OU LÁ COMO SE CHAMA A ESSA TRETA - NOS COMENTÁRIOS DESTE BLOGUE, (E É PÚBLICO QUE NÃO TENHO PACHORRA PARA ATURAR COISAS DESTE GÉNERO A CRETINOS NÃO IDENTIFICADOS), VOU APAGAR TODOS OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TENHAM NOME E EMAIL VÁLIDO QUE APAREÇAM POR AQUI, OK? PORTANTO ESCUSAS DE ESTAR A GASTAR MAIS OS TEUS PRECIOSOS (?) DEDOS A TECLAR COISAS DESTE GÉNERO !!!!!!!!!!!!!!!! (ver comentário ao post anterior - que deixei ficar para que toda a gente perceba do que estou a falar)

Publicado por jmachado em 09:09 PM | Comentários (6) | TrackBack

março 15, 2009

RECORTES 33 – No Público, Carlos Pessoa sobre Susa Monteiro e Joana Amaral Cardoso sobre a nova Batwoman e Pedro Cleto na IN do Jornal de Notícias, sobre “A FORMULA DA FELICIADE” #1

De novo o jornal Público com matérias sobre BD. Hoje, Carlos Pessoa escreve sobre Susa Monteiro na Pública, Joana Amaral Cardoso sobre a nova Batwoman e na edição Público on line (e também na edição impressa), uma nota – via agência Lusa – sobre a venda o número 1 de Superman, pela módica quantia de € 245.000,00 (317.200 dólares) em leilão on line. Mas também Pedro Cleto escreveu ontem na IN, a revista do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias sobre A FÓRMULA DA FELICIDADE #1, de Nuno Duarte, Osvaldo Medina e Ana Freitas, edição KingpinBooks.

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Pública• 15 Março 2009

perfis do futuro

SUSA MONTEIRO
trocou o teatro pela bd

Mudou-se para Beja e tem tido a sorte de publicar com regularidade. Mas sabe que está próximo o momento de abandonar a história curta para se aventurar por obras de maior fôlego. Formula um desejo: contar uma história a que os leitores se deixem prender.

Texto Carlos Pessoa. Fotografia Enric Vives-Rubio

O que faz alguém mandar às urtigas a formação em teatro e um ano de trabalho para se entregar de corpo e alma à banda desenhada? No caso de Susa Monteiro, a resposta é curta e directa: "Sempre desenhei e fiz ilustração, mas o corte aconteceu com a vinda para Beja e a minha entrada no colectivo Toupeira." Ainda pensou em ir para o estrangeiro, mas afastar-se de Beja era-lhe impossível.

O regresso à cidade onde nasceu, sim, podia ser - "Gosto muito do campo e de uma vida tranquila." Assim aconteceu depois de ter estado três anos em Lisboa mas com o fito em Beja, para onde sempre quis voltar. A decisão seguinte foi a entrada, em 2002, no atelier de banda desenhada Toupeira existente desde 1997, que esteve na origem do núcleo que hoje anima a Bedeteca de Beja e realiza um importante festival de BD na mesma cidade.

Susa Monteiro ainda não o sabia, mas foi nesse momento que o seu destino ficou traçado.
Viver no interior alentejano não a preocupa. Estar fora dos grandes centros habitacionais, onde, aparentemente, pouco ou nada acontece em termos culturais, não é problema para esta jovem autora de banda desenhada. "O acesso mais fácil à cultura nos grandes centros não é sinónimo de melhor qualidade de vida", diz. E, sempre que o deseja, Lisboa ou outro qualquer destino nem sequer estão assim tão longe.

O mais paradoxal é que Susa Monteiro não gostava de banda desenhada e não conhecia nada do universo das histórias aos quadradinhos. Mas havia as pessoas, que achou "muito mais interessantes, sinceras e simples", e que estavam em sintonia com aquilo que ela própria pretendia fazer na vida. É claro que a criação de histórias aos quadradinhos é um processo solitário, mas como gosta de trabalhar em equipa - é um dos elementos mais activos do núcleo que realiza anualmente o Festival Internacional de Beja, na Primavera -, o Toupeira proporciona-lhe a oportunidade de partilhar "sonhos, vontades e esforços".
Não fazia a mínima ideia do que se podia fazer na BD. "Aprendi literalmente com eles a contar histórias, desenhar sequências, incluir balões, em suma, a fazer bandas desenhadas", diz. Susa Monteiro não tem qualquer problema em assumir-se como autodidacta e acha que isso, no seu caso, até foi uma "vantagem", pois pôde começar a fazer o seu próprio percurso sem "nenhuma ambição especial". E depois há a referir as surpresas agradáveis ligadas à descoberta dos grandes nomes da BD.

Para Susa, eles chamam-se David B, Sfar, Christophe Blain e, sobretudo, Gipi: "O trabalho que eu gostaria de fazer algum dia é o de Gipi. Gosto imenso dos seus desenhos, das suas histórias do quotidiano com elementos de surrealismo e de sonho."

Desde que publicou a sua primeira história, no número inaugural do fanzine Venham+5, em 2005, Susa Monteiro tem tido facilidade em publicar.
A palavra "facilidade" é da própria autora, que se considera "muito sortuda": "As pessoas gostaram, desde sempre, do meu trabalho e nunca precisei de ir às editoras apresentar as minhas bandas desenhadas."
Histórias curtas e a preto e branco são a matriz dominante na bibliografia da criadora alentejana, dadas à estampa em publicações portuguesas, mas também da Galiza. Razões? É o formato em que se sente mais à vontade, pois não exige planificação. Além disso, é de mais fácil publicação. A aguarela preta constitui a sua opção gráfica favorita, porque lhe permite "um domínio total sobre o que está a fazer": "Sinto que é o que mais se adequa ao que eu prefiro fazer. Consigo realizar histórias luminosas ou escuras através do
preto e branco." Já a cor ("só em computador") é mais complicada, pois a artista não se sente com capacidade técnica suficiente para produzir trabalho de qualidade com esse meio. Ainda assim, é de referir a realização de uma biografia de Jorge Palma (Biografias BD Pop Rock Português, edição Tugaland, já este ano), enquanto ultima um volume do projecto Black Box Stories, de José Carlos Fernandes.

Com o tempo dividido entre a organização do festival e a resposta aos pedidos de colaboração, está ciente de que mais cedo ou mais tarde terá de abandonar o casulo da história curta ("ainda não consegui dedicar-me a um projecto próprio") e aventurar-se pelos territórios da obra de maior fôlego. Para isso, terá de deixar de lado a improvisação que tem caracterizado o seu método de trabalho ("habitualmente, começo a desenhar sem nenhuma ideia, faço uma vinheta e depois vou avançando") e encontrar a futura história a contar. Pressente-se alguma apreensão e ansiedade quando Susa Monteiro fala disso, sobretudo porque é visível a dificuldade para explicitar aquilo que pretende fazer num futuro próximo:

"Gostaria de fazer uma história de contornos poéticos que prendesse o leitor, não exclusivamente realista, mas sonhadora. A realidade pode ser o ponto de partida, mas o mais importante para mim é que fosse algo que causasse surpresa aos leitores, que estes se deixassem prender e levar pelo que é contado. Sei o que me interessa a mim contar, mas não sei se serei capaz de pôr as pessoas a pensar. Confrontá-las com isso, sim."
Susa Monteiro tem mais facilidade em dizer o que fará quando tiver a história pronta: "Vou procurar editor, começando por aquele de quem gosto mais."

Nome, Susa Monteiro
Idade, 29 anos
Naturalidade, Beja
Formação, Bacharelato em Realização Plástica do Espectáculo pela Escola Superior de Teatro e Cinema; Curso de Cinema de Animação do Centro de Imagem e Técnicas Narrativas do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian

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DCComics

A BATWOMAN VAI VOLTAR.
E É LÉSBICA. E DEPOIS?

A personagem da DC Comics vai ter uma série em nome próprio. Esta série, agendada para o Verão, torna-se a que maior visibilidade dá a um super-herói gay.

Joana Amaral Cardoso – 15Março2009

• Há informações que parecem desenhadas para fazer splash. A revelação de que a DC Comics vai publicar uma série de pelo menos doze livros dedicada à Batwoman, para desenvolver e dar a conhecer verdadeiramente a personagem, é uma bela notícia para o sector.

Quando se detalha que a superheroína vai prosseguir o seu caminho, já estabelecido há alguns anos, como lésbica e combatente do crime, torna-se alvo da atenção de quase todas as publicações do mundo. Splash.

Esta será a mais visível aparição de um super-herói gay no catálogo da DC Comics (Batman, Super-Homem), e não é bem uma novidade. É um regresso. Kathy Kane/Batwoman surge nos comics em 1956 como namorada de Batman. Ereza a história que foi apresentada como paixão do caped crusader para afastar as interpretações recorrentes da dupla Batman e Robín como referências gay encapotadas. (A Batwoman foi morta em 1979, "reapareceu na série 52 da DC Comics, em 2006, e volta agora a reaparecer no hiato gerado pela suposta morte/ desaparecimento de Bruce Wayne/Batman no número 681, de Novembro de 2008.)

Aliás, na origem da Comics Code Authority, uma espécie de entidade reguladora dos conteúdos dos livros de BD nos EUA, está o livro Seduction of the Innocent (1954), do psiquiatra Fredric Wertham, que defendia que os comics incitavam os jovens leitores ao que ele considerava actos desviantes - da delinquência à homossexualidade. Na obra, Wertham dizia que a história de Batman podia levar as crianças a ter "fantasias homossexuais".

Fast-forward para 2009 e Greg Rucka, argumentista, JH Williams III, ilustrador, e Dave Stewart, colorista, vão pegar na Batwoman e contar a sua história. Rucka, em entrevista ao site Comic Book Resources na sequência da apresentação do projecto na convenção ComicCon de Nova Iorque, é firme na descrição da sua intenção. "Sim, ela é lésbica. Ela também é ruiva. É um elemento da sua personagem, Não é a sua personagem".
É que em 2006, quando "se soube", em Gotham (ou seja, na série 52), que a Batwoman tinha uma relação com a detective Renee Montoya, o New York Times escreveu sobre o assunto e rapidamente havia mais de 500 mil entradas na Internet a discutir a homossexualidade da superheroína (com prós, contras e muitas piadas). No seu blogue, o guionista deixa escapar algum cepticismo em relação à abordagem entusiástica dos media pela orientação sexual da personagem. "Eis o novo Capitão América. Eele é 'hetero'!", lê-se nos comentários do blogue, crítica ao "sensacionalismo" da imprensa. a entrevista ao Comic Book Resources, Rucka recorda que "quando a Wonder Woman cortou o cabelo, isso foi notícia. Por isso, [Batwoman] será o que tiver de ser. O nosso trabalho é fazer os melhores números da Detective que pudermos".

Mas tendo em conta a escassez da diversidade sexual na BD mainstream americana e a política que envolve cada tentativa de introdução de personagens gay pela Marvel e DC Comics, bem como a importância da representação de etnias, sexualidades e handicaps diversas em qualquer meio, esta série da Detective Comics tem, inevitavelmente, significado mediático. "

Mas, no mundo da BD norteamericana, o factor splash pode dar origem a um tsunami de falatório, mas não origínar mais do que um chapinhar no mercado. Foi o caso com o Rawhide Kid, personagem dos anos 1950 recuperada em 2003 pela Marvel para uma míni-série de cinco livros (Slap Leather) e que mostrava a sua homossexualidade.
O Rawhide Kid tornou-se a primeira personagem gay a ter a sua própria revista no mainstream dos comics americanos e do género super-heróis (a destrinça é relevante, pois a diversidade é muito maior nos meios alternativos e underground).
Mas não teve grande sucesso comercial. Há outros exemplos. A Marvel tinha uma série com a personagem North Star, que desde os anos 1980 se mostrava pouco interessado em mulheres.

Em 1992, North Star "saiu do armário". Também na Marvel e no seio da irmandade de mutantes X-Men, a vilã Mystique passou as última décadas envolvida com outra vilã, Destiny. Em 1990 houve a primeira referência ao romance e, em 2001, abriu-se o jogo sobre a relação das duas mulheres. O rol de personagens gay nos livros de banda desenhada americanos não surgiu facilmente.

Depois do livro de Fredric Waltham e da pressão do regulador que chegou a ser censor, os grupos conservadores pressionavam as editoras sempre que os temas eram abordados - a Marvel chegou a ter um dístico nos livros com tais personagens que os limitava a adultos, fruto das reacções negativas desencadeadas pelo Rawhide Kid. Entretanto, a editora do Homem-Aranha deixou de apresentar essa recomendação e lançou, em 2005, a série The Young Avengers, escrita pelo guionista gay Allan Heinberg e em que dois dos jovens protagonistas são namorados. Que ganhou um prémio da Gay & Lesbian Alliance Against Defamation.

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Leilão
EXEMPLAR DA PRIMEIRA BD DO SUPER-HOMEM VENDIDO POR 245 MIL EUROS

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14.03.2009 - 09h23 Lusa, PÚBLICO

A cópia original do álbum de banda desenhada onde aparece pela primeira vez o Super-Homem, que custava 10 cêntimos em 1938, foi vendido ontem em Nova Iorque por 317.200 dólares (cerca de 245 mil euros) em leilão na Internet. O exemplar do número um do “Action Comics” é considerado o “Santo Graal” da BD.

Os lances começaram a ser feitos há duas semanas na página do Comic Commet, um site que medeia a negociação entre os compradores de BD e os vendedores, e atingiram imediatamente os 200 mil dólares.

Foram feitas 89 ofertas e o site prolongou a venda por alguns minutos, após ter aparecido um lance de surpresa superior a 300.000 dólares.

O vendedor e o comprador não foram identificados.

A capa deste exemplar raro e não restaurado mostra o herói com o seu fato de sempre - azul com capa vermelha e o "S" ao peito - a segurar a pulso um automóvel verde perante a surpresa dos transeuntes.

Escondido na cave

Criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, o álbum de BD “Action Comics” apareceu pela primeira vez em Junho de 1938 e era vendido por 10 cêntimos de dólar. A personagem com maior destaque era o Super-Homem. Pela primeira vez, nesta BD, foram também apresentadas ao público Lois Lane e Zatara, outras célebres personagens da série.

Cerca de 12 anos depois de ser lançado, o exemplar, que agora foi leiloado, foi comprado por 35 cêntimos por um rapaz numa loja de segunda mão. Até 1966, o livro ficou esquecido na cave da casa da mãe do dono, que não foi identificado. Desde então que o livro tem sido guardado com a intenção de fazer subir o seu valor.

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março 14, 2009

RECORTES 32 - Jornal PÚBLICO lança "QUATRO?" de Enki Bilal (texto de Carlos Pessoa) e... Texto sobre o filme TINTIN - O SEGREDO DO UNICÓRNIO, de Steven Spielberg

O jornal Público continua na senda da BD, no actual deserto da banda desenhada em Portugal. De novo em parceria com as Edições ASA, vai lançar com o jornal no dia 19, QUATRO?, de Enki Bilal.

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ÚLTIMO ÁLBUM DA TETRALOGIA DO MONSTRO

Viagem de Bilal até ao fundo da condição humana.
A realidade é fragmentada, nunca se cansa o artista de lembrar aos leitores. É essa ânsia de unidade e de coerência que 'parece mover os três protagonistas pelos caminhos da vida.

Carlos Pessoa (13Março2009)

• Para quem apreciou a banda desenhada O Sono do Monstro, integrada no álbum consagrado a Enki Bilal da colecção Grandes Autores de BD do Público (Fevereiro de 2008), a leitura de Quatro? será o corolário final da experiência então iniciada.

Recordemos brevemente o começo de tudo. A Jugoslávia unificada pelo marechal Tito agoniza numa irremediável desintegração que deixa atrás de si um rasto de morte, desolação e dor Bilal, nascido em 1951 em Belgrado, capital de um país que deixou de existir, faz o seu luto pessoal dando início a um novo projecto que levará 12 anos a concluir. O Sono do Monstro, 32 de Dezembro, Encontro em Paris e agora Quatro? - publicado em parceria com as Edições ASA e com uma capa exclusiva para esta edição - são as quatro estações de uma tetralogia que acompanha de perto o percurso atribulado e sofrido de três órfãos nascidos no inferno de Sarajevo, em 1993.

O artista começou por colocar em palco Nike, reenviado aos 33 anos pela sua memória hipertrofiada para os momentos dificeis do próprio nascimento no início da história. Acompanham-no Leyla e Amir, vizinhos de berço e depois da vida. Agora, todos voltam a ser os protagonistas neste álbum que funciona como epílogo e remate de uma viagem atravessada pela presença de Optus Warhole, que se auto-intitula "Incarnação do Mal Supremo".

O ambiente desta banda desenhada inédita em português é o de um futuro próximo - o ano 2027 - povoado por clones meio humanos que colonizarão Marte e onde as equipas de futebol, sinal dos tempos, já não representam países, mas religiões. A realidade é fragmentada, nunca se cansa o artista de lembrar aos leitores; e é essa ânsia de unidade coerente que parece mover os protagonistas.

O fantástico e a ficção científica que constituíram, quase sempre, uma das imagens de marca deste talentoso criador, encontram um meio de expressão no admirável desenho do artista, mais pictórico do que gráfico.
Os azuis acinzentados de fundo proporcionam inconfundíveis atmosferas frias e reforçam a presença difusa dos personagens das histórias de Bilal. As cores quentes das sequências mais íntimas expõem, com toda a crueza, seres que tentam, apesar de todas as vicissitudes e adversidades, sobreviver no caos instalado.

A atmosfera das bandas desenhadas de Bilal, sobretudo a partir do momento em que assumiu as responsabilidades do argumento e do desenho, não mais deixou de traduzir o pessimismo, a depressão e o vazio da condição humana. Vale a pena relembrar as palavras do autor a propósito do aparecimento do título inaugural desta tetralogia, quase proféticas:

"O sono do monstro quer dizer muita coisa. Em primeiro lugar, o monstro que dorme em cada um de nós. E não posso deixar de considerar monstruoso e aberrante que alguém se torne o assassino do seu vizinho simplesmente porque soube que não são ambos da mesma etnia. Projectado à escala planeta, isso significa: 'Vocês não pensam como eu, por isso mato-vos...'
Imaginemos que se leva até ao extremo um pouco do que se vê por toda a parte, que se puxa ao limite a ascensão dos sectarismos, das máfias, da intolerância… chegar-se-á fatalmente a um mundo bipolar. É esse um pouco o tema do álbum em que, de uma assentada, uma ditadura espiritual se transforma num monstro de intolerância à escala do planeta, contra o pensamento, o conhecimento e a memória..."

O álbum

QUATRO?

É o último capitulo da Tetralogia do Monstro, a mais recente BD de Enki Bilal. História a três vozes que acompanha Nike, Leyla e Amirpelos caminhos do mundo, numa viagem em busca da memória perdida e da identidade estilhaçada. Narrado em cores sombrias e em ambientes crepusculares, confirma a mestria de um autor de excepção. É uma edição conjunta do PÚBLICO e das Edições ASA, com capa exclusiva.

QUATRO?
Quinta-feira 19 de Março
Por mais14€

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Capa e prancha de QUATRO? na edição original da Casterman (P.Kuentro)

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Enki Bilal

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13 de Março, 2009

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QUEM É O REALIZADOR DE "TINTIN?"

Steven Spielberg terminou os 32 dias de filmagens, utilizando a técnica "motion capture", de "The Adventures of Tintin: Secret of the Unicorn", o filme de animação 3D baseado no ícone de BD criado pelo belga Georges Prosper Remi - ou, como era mais conhecido, Hergé.
Agora, passa o testemunho a Peter Jackson, realizador de "O Senhor dos Anéis", que irá tratar do material digitalmente durante os próximos 18 meses, revela a "Variety", para um resultado final que deverá ser semelhante ao de "Beowulf" de Robert Zemeckis. O americano filmou com actores "reais" e forneceu a Jackson a matéria de base para o neozelandês poder agora fantasiar.

Comparando o tempo que o projecto passará nas mãos de cada um, parece que "Tintin e o Segredo do Unicórnioo" pertence mais a Jackson do que a Spielberg, mas este vai ser o único realizador de Unicórnio -, diz ainda a revista.

Kathleen Kennedy, produtora de "Tintin e o Segredo do Unicórnio" e de outros filmes de Spielberg, insiste que o filme não vai expor as diferenças entre os dois realizadores e que estes estão a colaborar melhor do que Spielberg e Lucas nos filmes de "Indiana Jones".
Spielberg e Kennedy adquiriram os direitos de "Tintin" em 1983, depois de "Os Salteadores da Arca Perdida" ser repetidamente comparado às aventuras de "Tintin" pela forma como levava Indiana Jones para locais exóticos. O projecto apenas pôde avançar quando a tecnologia de animação conseguiu responder às exigências da história. É possível que "Tintin e o Segredo do Unicórnio" tenha semelhanças com "Beowulf" de Zemeckis, ou mesmo com "O Homem Duplo" de Richard Linklater, dois filmes que também utilizaram técnicas de "motion capture" e – com tratamento digital. O entanto, a produção garante que o filme será algo completamente novo. Martin Levy, porta voz de Spielberg, disse à revista norte americana que a tecnologia utilizada tem que ser vista para ser compreendida e que "não pode realmente ser descrita".

Especula-se que as aventuras do jovem jornalista se tornem numa trilogia e que Spielberg apenas fique com os créditos de realização no primeiro filme, porque Jackson será o realizador do segundo. No entanto, uma sequela ainda não está confirmada.

O elenco de "Tintin e o Segredo do Unicórnio" inclui Jarnie Bell ("Billy Elliot") no papel do jovem jornalista, Craig Daniel como o pirata Rackham, os comediantes britânicos Simon Pegg e Nick Frost serão a dupla Dupont e Dupond, Andy Serkis (o "Gollum" de "O Senhor dos Anéis") interpretará Capitão Haddock e TobyJones (o "Dobby" dos filmes de "Harry Potter") será o professor Girassol. "Tintin e o Segredo do Unicórnio" tem estreia agendada para 2010.

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Foto promocional (P. Kuentro).

No Diário As Beiras, João Miguel Lameiras escreveu hoje, sobre as edições mangá da ASA. Mas só teremos esse RECORTE na 3ª feira.

Publicado por jmachado em 05:43 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 10, 2009

RECORTES 31 - DIVERSOS

Alguns recortes ficaram por editar aqui. Ei-los:

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JAMES STURM VEM A PORTUGAL

06.03.2009 | Arte & Design | Banda Desenhada

O autor de referência de banda desenhada encontra-se em Portugal, onde participa numa conferência e num workshop sobre a sua arte.

James Sturm, um dos nomes incontornáveis da banda desenhada, está em Portugal no decorrer de uma iniciativa conjunta entre a ESAD, em Matosinhos, e a livraria Mundo Fantasma, e prepara-se para realizar uma oficina e uma conferência entre 9 e 11 deste mês. A vinda do autor norte-americano a terras lusas também comporta a inauguração de uma exposição de originais da sua obra America, que terá lugar no dia 11, às 18h00, na galeria da livraria Mundo Fantasma, na Boavista.

A oficina intitula-se Exploring Comics, e debruça-se sobre os fundamentos da construção da BD. No primeiro dia os participantes vêem abordadas e debatidas questões criativas relacionadas com vários artistas e, no dia seguinte, os formandos serão desafiados por James Sturm a criar uma BD completa, cujo processo de elaboração conta com curtas apresentações.

No dia 11, pelas 15h00, James Sturm dá uma conferência no auditório da ESAD, intitulada A Life in Comics, onde falará acerca do seu percurso individual e da banda desenhada em geral, estando ao dispôr da audiência para responder a questões.

James Sturm é o actual director do Center for Cartoon Studies, em Vermont, e um dos fundadores da National Association of Comics Art Educator. Da sua vastíssima obra destaca-se Fantastic Four – Unstable Molecules (2003), editado pela Marvel, que lhe valeu um Eisner Award.

A oficina está aberta ao público em geral, devendo as inscrições ser feitas até esta sexta-feira através do endereço lab@easd.pt. O custo da participação varia entre os 64 (alunos da ESAD) e os 80 euros (público em geral), e as inscrições estão limitadas a 20 participantes.

In http://www.rascunho.net/

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O SÉTIMO SELO EM BANDA DESENHADA

Pedro Cleto

O terceiro livro da colecção de banda desenhada "O Filme da Minha Vida", foi apresentado no passado dia 27, em Viana do Castelo. Intitulado "O Sétimo Selo" e inspirado pelo filme homónimo de Ingmar Bergman, de 1972, é da autoria de Jorge Nesbitt, que esteve presente para falar da obra e inaugurar uma exposição dos seus originais, que estará patente até 30 de Abril no Espaço Ao Norte, naquela cidade.

Nesbitt, artista plástico e ilustrador, com formação de Artes Plásticas pelo Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação Visual, onde é também professor, inspirou-se na célebre cena do jogo de xadrez entre a Morte e Block, o cruzado cansado, mantendo a disputa "mas sem peças ou tabuleiro, sem acção, apenas diálogo", escreve na introdução da obra o crítico e especialista de BD João Paulo Cotrim.

Lançada em Maio do ano passado, esta colecção, dirigida pelo artista plástico Tiago Manuel, com design gráfico de Luís Mendonça, é uma iniciativa da associação Ao Norte - Audiovisuais que desafiou dez desenhadores portugueses a inspirarem-se num filme que os tenha marcado para criarem uma obra autónoma em 32 páginas de BD, em formato A5, a preto e branco, criando assim mais laços entre duas artes já com tanto em comum. Os dois primeiros volumes foram "O Percutor Harmónico" (inspirado em "Aconteceu no Oeste, de Sérgio Leone), e "Epifanias do Inimigo Invisível" (O Deserto dos Tártaros, de Valério Zurlini), assinados respectivamente por André Lemos e Daniel Lima. No próximo volume, João Fazenda revisitará "Vertigo", de Alfred Hitchcock.

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SILÊNCIO

João Ramalho Santos

Após um início com a sua mais dilecta obsessão Príncipe Valente (na edição do qual já não participa), a actividade do editor Manuel Caldas, agora na editora Libri lmpressi, tem sido um misto de naturalidade e imprevisibilidade.
Na primeira categoria inclui-se Lance de Warren Tufts (trabalho que tem óbvias afinidades com o Valiant de Hal Foster), na segunda as séries humorísticas Hagar, o Horrendo e Ferd'nand. Da primeira (dois volumes editados) já se disse o essencial: é um exemplo típico de uma série familiar de classe média (“deslocalizada” para o tempo dos Vikings), da qual se reconhecem como herdeiros contemporâneos tiras como FoxTrot ou 90% das séries televisivas humorísticas familiares norte-americanas. O trabalho de Dik Browne é muito competente enquanto entretenimento bem educado, e há uma qualidade média apreciável. Falta empolgamento, falta questionar e transcender a fórmula que se vai transformando em espartilho com o decurso da leitura. Ferd'nand, pelo contrário, tem alguns laivos de revelação. Da autoria do dinamarquês Mik (Henning Dahl Mikkelsen) e iniciada em 1937, a tira foi concebida como uma série de «gags» mudos, de modo a facilitar a sua posterior introdução noutros mercados, como veio aliás a suceder. Evitando o problema da língua, Mik procurava uma comunicação com leitores que fosse universal (desde que assente em pressupostos culturais partilhados), nesse sentido antecipando o trabalho de autores subsequentes (Peter Kuper, por exemplo). lndirectamente esta característica é também benéfica para a editora em termos de tradução, e permite neste caso uma edição «bilingue», com um texto introdutório em português e castelhano. Por último, o formato quadrado típico das colectâneas de tiras (não seguido em Hagar) pode ajudar Ferd'nand a encontrar um público interessado nas constantes vicissitudes de um protagonista bonacheirão e voluntarioso com dificuldades para se impor num mundo de hábitos e objectos que não colaboram. Numa tira Mik usa um estratagema notável na sua simplicidade para definir a personagem como à margem de tudo. Noutra, essa sim verdadeiramente brilhante, Ferd'nand realiza uma exposição de pintura, mas o único "quadro" que consegue vender é uma janela, com vista para uma paisagem semelhante às retratadas nos quadros «verdadeiros» (e, evidente apenas para um leitor, desenhada no mesmo estilo). Sem mercado para a sua «ficção», a personagem só consegue «vender» um caixilho emoldurando realidade. Parábola minimal sobre os riscos da representação a tira evoca também o enquadramento particular da BD (ou literatura) autobiográfica, em que, por mais que alguns dos seus cultores pensem de outro modo, o fulcro reside no facto de, teoricamente, estar ali retratado algo de «real». Grande parte do interesse «voyeuristico» dos leitores desvanecer-se-ia caso a obra-evento (é disso que se trata) fosse subitamente «despromovida» a «ficção» (pense-se em James Frey). Ferd'nand não é homogeneamente interessante, ao depender de um humor «físico» mudo, sem recurso a «muletas», talvez não fosse de esperar outra coisa. Podia pôr-se a hipótese de se editar uma colectânea com uma selecção de tiras, de resto uma estratégia comum. Mas a opção pela integridade respeita-se. Mesmo irregular, Ferd'nand cativa com a sua pesquisa incessante e inteligente sobre como fazer humor sem palavras. E, mais ainda, pelos pequenos tesouros que se escondem nas suas tiras.•

SURGE... FERD'NAND (tiras de 1937).
Argumento e desenhos de Mik. Libri 1mpressi, 110 pp., 12,5 Euros.

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Sexo

TINTIN FORA DO ARMÁRIO

Nuno Nodin*

Alguma uma vez suspeitou de que o Noddy e o Orelhas eram mais do que apenas "bons amigos"? Que o homoerotismo descarado do filme Batman e Robin (1997) não deixava de ter um quê de verdade? Ou que a amizade entre Ásterix e Óbelix era um pouco suspeita? Pois bem, a mais recente personagem de banda desenhada a ser arrancada do armário poderá deixar alguns de boca aberta, mas, francamente, apenas os mais distraídos.

Matthew Parris, jornalista britânico, juntou dois e dois e afirmou que, sim senhor, Tintin era gay. Tudo a tempo de celebrar os 80 anos do carismático personagem. Num artigo publicado no The Times no início deste ano, Parris faz uma lista exaustiva dos sinais que apontam nesse sentido, por exemplo, o estilo impecável de Tintin; a sua androginia; e um Fox Terrier chamado Milou.

Mas, para lá de estereótipos, Parris refere ainda que apenas dois por cento das personagens que se cruzam com o repórter ao longo das suas aventuras são mulheres, com completa ausência de moçoilas atraentes que pudessem ser bons partidos para o rapaz. Pelo contrário, Tintin desenvolve uma suspeita amizade com Chang, um rapaz chinês pelo qual chora num dos raros momentos em que a personagem deixa cair lágrimas por alguém.

A única amiga que ele tem é Castafiore, uma diva de ópera! Mas, fugindo mais uma vez a clichés, a prova gritante para tal argumento surge n'O Caranguejo das Tenazes de Ouro (1941). Nessa história, Tintin muda-se de armas, bagagens e Milou para a mansão do capitão Haddock, que, por essas alturas, é um instável alcoólico inveterado.
Porém, ao longo do tempo e após tal mudança de vida, Haddock vai acalmando.

Decerto há quem discorde veementemente de tal tese. Apesar de o autor de Tintin, Hergé, ser belga, foi em França que surgiu uma tempestade de contestações à teoria de Parris. Areacção gaulesa é tanto mais inesperada quanto os franceses são, regra geral, bastante liberais. Porém, a homofobia espreita por todos os cantos e, como este episódio demonstra, continua bem viva. Afinal, por que deverá ser problemática a sexualidade do rapaz? Ou de qualquer rapaz ou rapariga? Pois. Infelizmente, actos homossexuais continuam a ser motivo para que homens e mulheres sejam condenados à morte ou à prisão em muitos países. Indivíduos gays são vítimas de discriminação e violência todos os dias e continuamos a ouvir altas e baixas individualidades da Igreja dizer que a homossexualidade não é normal.

Nesse cenário, é de louvar J. K. Rowling, que voluntariamente revelou que Dumbledore, personagem de Harry Potter, é gay. Evitou assim que outros tivessem de interpretar uma evidência não óbvia, mas nem por isso menos verdadeira, tal como a sexualidade de Tintin.

E, enquanto isso, ninguém fez a pergunta fundamental: afinal Tintin era louro ou ruivo?

(*) Psicólogo e professor universitário
Pode enviar-nos as suas questões para
nunonodin@gmail.com

Publicado por jmachado em 07:03 PM | Comentários (3) | TrackBack

março 09, 2009

RECORTES 30 - "WATCHMEN" - O FILME - TEXTOS DE PEDRO CLETO (Jornal de Notícias), Mário Freitas (Parq) e J.M. Lameiras (Diário As Beiras)

A propósito da estreia do filme WATCHMEN, preparámos um post com duas antevisões - Pedro Cleto no Jornal de Notícias de dia 5/03/09 - e Mário Freitas (da Kongpin Books) na revista PARQ e uma opinião sobre o filme, de João Miguel Lameiras (que já viu o filme) no Diário as Beiras, de dia 7.

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EM “WATCHMEN”, RICHARD NIXON, EM ALTA APÓS A VITÓRIA NA GUERRA DO VIETNAME, PERPETUA-SE NA PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS GRAÇAS À APROVAÇÃO DE UMA LEGISLAÇÃO ESPECIAL QUE POSSIBILITA A SUA RECANDIDATURA PARA ALÉM DE DOIS MANDATOS. SITUAÇÃO PRECISAMENTE ANÁLOGA À QUE SE VIVE AGORA NA VENEZUELA.

Mário Freitas

Editado em 1987, quando os últimos dias do Guerra-Fria se aproximavam, “Watchmen” marca a viragem definitiva na abordagem narrativa à BD de super-heróis, desmontando e desconstruindo todos os clichés e romantismos associados ao género, muitos deles vigentes desde a sua massificação a partir do final da década de 30. Desde a primeira vinheta, a obra suprema dos britânicos Alan Moore e Dave Gibbons marca indelevelmente um estilo: o Comediante morreu, e a sua imagem de marca, um crachá amarelo com um simples smiley, jaz ensanguentado numa sarjeta de uma rua de Nova Iorque. É o fim da inocência dos super-heróis. Em “Watchmen” os super-humanos envelhecem, têm falhas de carácter, dúvidas, depressões, caem em desgraça, matam e morrem.
Paradoxalmente, o impacto de “Watchmen” na BD americana foi tal que gerou uma pletora de cópias e imitações baratas - repletas de estilo, mas sem qualquer substância - que quase arruinaram a indústria durante a década seguinte.
A história transporta-nos a1985. Os Estados Unidos venceram a guerra do Vietname e Richard Nixon ainda é presidente. Dr.Manhattan, o super-herói quântico supremo, é a pedra basilar do poderio militar americano que, no auge da Guerra-Fria, mantém o eterno inimigo russo em constante cheque. Porém, os ponteiros do relógio do Juízo Final estão fixados em permanência nas 5 para a meia-noite. Primeiro, os super-humanos foram ilegalizados; agora, começam a ser suprimidos. Num mundo mergulhado num estado de aparente letargia, a morte do Comediante poderá ser o gatilho que colocará todo o sistema instituído e, em última instância, a própria humanidade, em causa. E caberá aos regressados e restantes watchmen (guardiões) evitá-lo a todo o custo, mesmo que o preço seja a sua própria humanidade. Ou a sua alma.
Em termos visuais, “Watchmen” assenta apropriadamente numa estrutura básica de 9 vinhetas por páginas, numa grelha em registo clássico que confere uma rigidez imprescindível ao tom narrativo, denso e quase claustrofóbico. A solidez artística de Dave
Gibbons e a sua atenção ao mais ínfimo dos detalhes são perfeitamente complementados pela palete de John Higgins. Este fugiu deliberadamente às cores primárias usualmente associadas ao estilo, optando antes por tons secundários que poucos à partida imaginariam resultar, como castanhos, roxos, acres, rosas e laranjas.
Outra das experiências mais curiosas no livro é a inclusão de narrativas paralelas, em clara analogia com a trama principal. Num mundo em que os super-heróis fazem parte do quotidiano, histórias sobre o tema não exercem qualquer apelo e os leitores viram-se sobretudo para, imagine-se, comics de piratas, habilmente recriados e incluídos por Moore e Gibbons no contexto da própria narrativa centraI. Adicionalmente, no final de cada capítulo, Moore faz uso de apêndices em texto que enriquecem a experiência de leitura, conferindo toda uma envolvência histórica que dá à obra um carácter quase real, através de trechos de livros ou recortes de jornais imaginários das épocas que antecedem o presente de “Watchmen”.
Dentro da contextualização histórica, os paralelismos políticos assumem particular significado e é curioso verificar como tanta vez a realidade imita, tardiamente, a ficção, revelando bem à sociedade a capacidade visionária de Alan Moore, o fleumático inglês que se tornou no mais premiado argumentista de sempre da BD... americana. Em “Watchmen”, Richard Nixon, em alta após a vitória na guerra do Vietname, perpetua-se na presidência dos Estados Unidos graças à aprovação de uma legislação especial que possibilita a sua recandidatura para além de dois mandatos. Situação precisamente análoga à que se vive agora na Venezuela com a tentativa bem sucedida de Hugo Chávez em se perpetuar no poder via reeleições sucessivas supostamente democráticas.
Aliás, a forma como Moore reescreve a verdadeira história dos Estados Unidos chega a assumir laivos de uma malvadez subtil. Qualquer leitor mais distraído poderá passar ao lado da breve menção ao assassinato de Woodward e Bernstein, os dois jornalistas do Washington Post que investigaram e tornaram público a caso Watergate, que viria a determinar a renúncia de Nixon a meio do seu segundo mandato. Na realidade alternativa de “Watchmen”, a supressão estratégica dos dois repórteres implica o abafamento do mediático escândalo, salvaguardando Nixon de quaisquer consequências. Porém, no mundo reinventado por Moore, o Nixon de 1985 já não é o homem firme e determinado de outrora, antes parecendo uma bizarra fusão entre a versão pré-alzheimer do presidente americano Ronald Reagan e a "Dama de Ferro” britânica dos anos 80, a então primeiro-ministro Margaret Thatcher - talvez as duas figuras mais odiadas pelo liberalismo e pela esquerda britânicos da época, que Alan Moore tão bem personifica.
Aliás, esta quase militância anti-sistema de Moore tem-no colocado em permanente confronto quer com as grandes editoras americanos, quer com os estúdios de Hollywood que têm adaptado as suas obras ao cinema, com resultados no mínimo pouco brilhantes. Depois do inenarrável “Liga dos Cavalheiros Extraordinários”, do incipiente “From Hell – A Verdadeira História de Jack, O Estripador” e do razoável, mas adulterado, “V for Vendetta”, o realizador Zack Snyder, que adaptou “300” de Frank Miller ao grande ecrã, foi o escolhido para dirigir a mais ambiciosa adaptação de sempre, com um orçamento que parece acompanhar as enormes expectativas. Depois de quase 18 anos de disputas legais entre a Warner e a Fox pelos direitos da adaptação, e uma derradeira investida da segunda que quase liquidou a estreia para a data prevista, a margem para erro é praticamente nula.
A versão cinematográfica de “300” era fria e plástica, demasiadamente digital para recriar a brutalidade das batalhas entre Espartanos e Persas. Mas “Watchmen”, além de um orçamento largamente superior, conta com a eloquência cínica e os diálogos fluidos de Alan Moore que contrastam bem com o discurso “duro de rins” e ostensivamente estereotipado de Miller. E isto poderá servir melhor a transposição de “Watchmen” para o cinema. Os dois trailers já lançados prometem: a verosimilhança de guarda-roupas, cenários e situações parecem indiciar uma adaptação respeitosa do livro. Mas o sucesso, pelo menos crítico, do filme, estará na sua capacidade de transmitir as subtilezas narrativas que transformaram “Watchmen” na obra de referência que é hoje. Recriar as montanhas de Morte ou a fortaleza polar de Ozymandias, o “Homem mais inteligente do mundo” não será tarefa difícil. Mas até no cinema, “Deus encontra-se nos detalhes”, mesmo que, neste caso, Deus se chame afinal Doutor Manhattan.

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WATCHMEN, DA BD PARA O CINEMA

João Miguel Lameiras – 07/Março/2009

Vinte e três anos após a publicação da Banda Desenhada original, “Watchmen”, a BD de culto de Alan Moore e Dave Gibbons que muitos, incluíndo o próprio Moore, consideravam impossível de filmar, chega finalmente aos cinemas pela mão de Zack Znyder que, depois de “300” de Frank Miller, volta a adaptar uma BD ao cinema.

Publicada originalmente em 1986 como uma mini-série de 12 números, “Watchmen”, a par com “The Dark Knight Returns” de Frank Miller e “Maus”, de Art Spiegelman, também de 1986, veio mudar a forma como a Banda Desenhada era encarada pelo público americano, provando que é possível contar histórias adultas e complexas através da BD. No caso, Moore reflecte sobre as consequências da existência de super-heróis no mundo real, numa história em que o assassinato de um antigo super-herói leva um dos seus antigos colegas a investigar as causas dessa morte, para concluir que não passavam de peões de uma conspiração muito mais vasta.

Passada em 1985, mas numa realidade paralela, em que os EUA tinham vencido a guerra do Vietname, graças aos super-heróis e em que Nixon continua no poder e o confronto nuclear com a URSS está eminente, “Watchmen” é uma história extremamente complexa e cheia de informação, construída com a precisão de um mecanismo de relojoaria, o que dificultava, e muito, uma adaptação cinematográfica.
Apesar disso, sucederam-se as tentativas falhadas ao longo dos últimos vinte anos de levar o livro ao cinema. Finalmente, seria Zack Znyder, escudado no grande sucesso de “300” a concretizar o sonho de muitos fãs (e o pesadelo de Alan Moore que, de relações cortadas com a DC, a editora do livro, e com Hollywood, não quer nem ouvir falar do filme) de levar “Watchmen” ao grande ecrã.
E o resultado é um filme denso e visualmente espectacular, que consegue transmitir muita informação de forma eficaz (veja-se o notável genérico, ao som de “The Times are a Changing” de Bob Dylan) bastante fiel à BD original e que faz justiça ao livro de Moore e Gibbons, de que recria inúmeras imagens e uma grande quantidade de diálogos, com a principal alteração em relação à BD, em termos do final - com a criatura espacial lovecraftiana que no livro destroi Nova Iorque a ser substituida, com vantagem, por uma explosão nuclear atribuída ao Dr. Manhattan - a funcionar bastante bem.

Com um excelente leque de actores pouco conhecidos, com destaque para Jackie Earle Haley que faz um notável Rorschach e para o espectacular Dr. Manhattan digital, os únicos problemas em termos de casting são Matthew Goode como Ozymandias (o papel exigia um actor com outra presença) e a caracterização do actor que faz de Nixon, que parece quase um boneco da “Contra Informação”.

Zack Zinyder disse que já ficaria contente se o seu filme funcionasse como um trailler de 2h30m que levasse as pessoas a comprar o livro de Moore e Gibbons e, se esse objectivo já foi amplamente cumprido, não foi o único.
Mesmo que o director’cut a sair em DVD no Verão, com mais meia hora de filme, a animação de “Tales of the Black Freighter”, (a história de piratas que um dos personagens lê no livro e que funciona como contraponto e comentário à acção principal) e o documentário “Under the Hood”, que conta a origem dos Minutemen, vá permitir uma experiência ainda mais próxima da BD original, tal como chegou às salas de cinema, o “Watchmen” de Zack Znyder não desilude os fãs e confirma ao grande público algo que o “Dark Knight” de Nolan já tinha deixado perceber: que os filmes de super-heróis não precisam de ser um mero divertimento inconsequente.

(“Watchmen - Os Guardiões”, de Zack Snyder,
com Carla Gugino, Jeffrey Dean Morgan, Jackie Earle Haley
e Patrick Wilson, Warner Bros/ Legendary Pictures.)

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Carla Gugino e Patrick Wilson

Publicado por jmachado em 07:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 01, 2009

RECORTES 29 - ANDRÉ LEMOS EM EXPOSIÇÃO NOS EUA (Jornal de Notícias 28Fevereiro09) E DIFERR TRABALHA COM O CRIADOR DE ALIX (JN 24/2/09)

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ANDRÉ LEMOS EXPÕE EM MOSTRA COLECTIVA NOS ESTADOS UNIDOS

28 Fevereiro 2009

O ilustrador André Lemos é o único português que marcará presença numa exposição colectiva de banda desenhada que inaugura em Março nos Estados Unidos, disse à agência Lusa Pedro Moura, um dos comissários da mostra.
"Impera et Divide" estará patente entre 06 de Março e 25 de Abril na Second Street Gallery, em Charlottesville (Virgínia), e recupera uma exposição que foi concebida inicialmente para o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA).
Pedro Moura, estudioso de banda desenhada, foi convidado em 2007 para comissariar uma exposição para o FIBDA com autores de todo o mundo cujo trabalho transgredisse as fronteiras da banda desenhada e evidenciasse uma experimentação desta arte.

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Intitulada na altura "Divide et impera", a mostra revelou o trabalho de Frédéric Coché (França), Fábio Zimbres (Brasil), Ilan Manouach (Grécia), Aerim Lee (Coreia do Sul) e Warren Craghead III (Estados Unidos).
Dois anos depois, Warren Craghead III manteve-se em contacto com Pedro Moura e foi sugerida uma itinerância internacional da exposição, mas reformulada com dois novos autores: Andrei Molotiu (Alemanha) e o português André Lemos, que marcará presença em Charlottesville.
"Os autores que se reúnem nesta exposição aproximam-se não por aspectos superficiais de estilo ou de temas, muito menos por critérios políticos como a nacionalidade ou outros. O que os une é um princípio abstracto, conceptual, teórico: o da desagregação", escreveu Pedro Moura na nota de intenções.
André Lemos foi escolhido por ser o que "tem feito banda desenhada mais experimental" entre os portugueses, explicou Pedro Moura.
Nascido em Lisboa em 1971, André Lemos tem trabalho editado em publicações como Bíblia, Mutate & Survive, Público, Umbigo, e dirige a editora independente Opuntia Books.

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Já a 25 do mês passado, Pedro Moura havia postado no seu blogue LerBD, um texto sobre esta exposição. Com a devida vénia a Pedro Vieira Moura, deixamos aqui esse texto, por oportuno em relação à notícia do JN:

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25 de Fevereiro de 2009

IMPERA ET DIVIDE. EXPOSIÇÃO EM CHARLOTTESVILLE, EUA.

Recordar-se-ão da exposição Divide et Impera, que tive o prazer de comissariar, integrada na 18ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.
Em conversa com o artista norte-americano Warren Craghead III, resolveu-se reescrever a ideia original da exposição e apresentá-la nos Estados Unidos. Não só se tornou possível, como falta muito pouco tempo para lhe dar início. A Impera & Divide estreará no dia 6 de Março, na Second Street Gallery, em Charlottesville, estado da Virgínia, Estados Unidos. E estará patente até dia 25 de Abril. Se alguém tiver a oportunidade de apanhar o autocarro até lá, estão mais que convidados...

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Esta nova exposição foi comissariada pelo Warren e por mim, contando com os artistas da exposição anterior, a saber, Frédéric Coché, Fábio Zimbres, Ilan Manouach e Aerim Lee, acrescentando-se o Andrei Molotiu (de quem mostro o trabalho que ilustra o flyer ) e o nosso André Lemos.
O Warren Craghead preparou um blog relativo a esta nova exposição, aqui.
Ficam os agradecimentos ao pessoal da Second Street Gallery, por tornarem esta exposição possível. À Brigitte Nègrier, da Galerie La Ferronnerie, por providenciar à presença dos trabalhos de Frédéric Coché. À FIBDA, especialmente ao Nelson Dona, pelo convite ao desafio inicial e apoio moral a este novo capítulo.
Agradeço ainda à Escola Superior Artística do Porto, extensão de Guimarães, pela acomodação das datas das minhas aulas face à minha ausência. A todos os alunos, pela paciência (e felicidade) dessa ausência.
A Direcção-Geral das Artes e a Fundação Calouste Gulbenkian, através do seu programa Acordo (agora) Bipartido, tornaram possível a minha viagem e a do artista André Lemos.
Os meus agradecimentos estendem-se a todos os artistas que tornaram isto possível, assim como os muitos amigos que apoiaram a acção das mais diversas formas.
Prevê-se a edição de um livro-companheiro, estreia da Montesinos, de que se darão notícias em breve.

Pedro Moura in http://lerbd.blogspot.com/

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Já agora, outra notícia. Esta também no JN, por Pedro Cleto:

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Jornal de Notícias, 24 de Fevereiro de 2009

CRIADOR DE ALIX TRABALHA COM DESENHADOR PORTUGUÊS

Pedro Cleto

O desenhador português Luís Filipe Diferr está a ilustrar o segundo tomo da série “Les Voyages de Lois”, escrito por Jacques Martin, o criador de Alix, um dos grandes clássicos da banda desenhada franco-belga. Inicialmente anunciado pela Casterman para finais de Março o álbum só deverá chegar ao mercado francófono próximo do Verão, pois Diferr, que já concluiu o desenho a preto e branco, revelou ao JN que ainda está a trabalhar na aplicação da cor.
Nesta colecção, Martin explora os ambientes mágicos e faustosos das mais poderosas nações do mundo nos séculos XVII e XVIII, sendo este volume, subintitulado “Le Portugal”, sobre a vida na capital lusa naquele período. A par do cuidado posto na reconstituição de época, ao nível do vestuário, veículos e utensílios, é dado especial ênfase a monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém ou o Convento de Mafra.
Diferr, nascido em Angola em 1956, é diplomado em arquitectura, professor de desenho e autor de bandas desenhadas como “As aventuras de Herb Krox” ou “Dakar o Minotauro”. De momento não está prevista a edição portuguesa desta obra.
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O Luís Filipe Diferr bem merece este trabalho!!!

Publicado por jmachado em 01:09 PM | Comentários (7) | TrackBack