maio 30, 2009

O V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA COMEÇA HOJE !!! + BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #59 COM CARLOS PESSOA A DIVULGAR O FIBDB NO PÚBLICO DE HOJE (30MAIO09)

Antes de partir para Beja há tempo ainda para um post.

publico21.bmp PUBLICO30MAIO09.jpg

Em Beja "alguma coisa mudou" por causa da BD

30.05.2009, Carlos Pessoa

Com pouco dinheiro e uma equipa reduzida, o festival tem dado a conhecer bons autores. Este ano, o italiano Lorenzo Mattotti é a estrela internacional

Nuno Figueira tinha cinco anos quando frequentou um curso de banda desenhada em Beja. "Descobrir um meio de contar uma história foi a melhor coisa que podia ter acontecido ao meu filho", diz Teresa Marujo, professora de Educação Visual. Nuno tem hoje nove anos e nada garante que venha a ser um dia autor profissional de BD. Mas, por agora, é um desenhador compulsivo, que enche cadernos com as suas histórias povoadas com monstros, fantasmas e situações de mistério.
O responsável por esta metamorfose foi Paulo Monteiro, monitor do atelier frequentado por Nuno Figueira nas férias da Páscoa de 2005. É o director da Bedeteca de Beja, criada no mesmo ano, e responsável pelo festival que desde há quatro anos - a quinta edição começa hoje e prolonga-se até 14 de Junho - tem dado a conhecer autores contemporâneos de todas as escolas e tendências internacionais de BD.
Duas semanas por ano, na Primavera, Beja torna-se capital portuguesa dos quadradinhos. Durante os restantes meses, de forma mais discreta mas não menos intencional, a Casa da Cultura abre as portas para exposições - dezena e meia só em 2008 -, cursos semanais do colectivo Toupeira (composto por autores da região, com existência desde 1996) e, nos meses de Verão, o atelier Submarino para os mais pequenos.

Tudo isto é feito por uma pequena equipa permanente - três pessoas, funcionários autárquicos. Na altura do festival, os organizadores contam com a máquina camarária e a colaboração de um sem-número de voluntários que ajudam a pôr as exposições de pé.
"A bedeteca é um equipamento municipal, mas nós damos resposta a todas as solicitações que nos chegam do país. Não conseguimos ir a todo o lado, mas fazemos uns milhares de quilómetros por ano", diz Paulo Monteiro. "Nas escolas sente-se que alguma coisa mudou ao nível do interesse dos alunos pela BD", reconhece Teresa Marujo, até há dois anos professora em Beja, onde reside. "A Bedeteca tem algumas dificuldades em chegar a todas as escolas, mas também é verdade que faz falta maior abertura dos professores em relação ao assunto."

Francisco da Cruz dos Santos, presidente da Câmara de Beja, é um homem satisfeito com os resultados obtidos pela bedeteca e com a
visibilidade ganha pela cidade na altura do festival: "Nessas duas semanas vem muita gente a Beja e desfaz mitos sobre o que são as cidades do Alentejo." O autarca fala da animação dos restaurantes e hotéis, da afirmação de autores locais de BD e da atracção de muitos jovens para esta área cultural.

Entradas duplicaram

O número de entradas no festival tem crescido de ano para ano. Em 2005, primeiro ano da iniciativa, foram registadas cerca de 3300 entradas. Em 2008, esse número praticamente duplicou (6500 visitas). A bedeteca, por seu lado, tem uma média anual de 1500 visitas.
À escala de uma cidade como Lisboa, estes números podem não parecer muito impressionantes. "Estamos em Beja, uma cidade com 30 mil habitantes, onde os eventos culturais têm sempre muita gente", contesta Carlos Pereira, jornalista do Diário do Alentejo. "A Câmara de Beja percebeu que o festival era importante e o efeito nota-se: fala-se da terra nos media e as pessoas ficam orgulhosas com isso."
Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo (ERTA), realça o "carácter peculiar" do festival, dirigido a "um segmento de mercado muito específico": "Permite promover o Alentejo, e Beja em particular, junto de mercados que nos interessam - os das pessoas interessadas no turismo cultural, que queremos que regressem mais tarde ao território com as famílias".
Em 2010, a ERTA será parceira da câmara na organização do festival. Este ano, contando apenas com as verbas disponibilizadas pela autarquia (15 mil euros), o V Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja apresenta 20 exposições com originais de mais de 70 autores da Bélgica, Brasil, Estados Unidos ou Espanha, sem esquecer uma forte representação portuguesa.
A filosofia é a mesma dos anos anteriores, diz Paulo Monteiro, director do festival: "Dar a conhecer autores consagrados e outros que dão os primeiros passos, com o objectivo de expor criadores de todas as escolas e correntes".

Os nomes internacionais mais sonantes na edição deste ano são Lorenzo Mattotti, Denis Deprez, Craig Thompson, Gary Erskine, Fernando Gonsalves e Alberto Vazquez. Entre os portugueses, destacam-se Alex Gozblau, Pedro Burgos, Richard Câmara, João Maia Pinto e Marco Mendes. Há ainda três exposições colectivas que revelam o trabalho de mais de quatro dezenas de artistas portugueses.

O festival quer "dar a conhecer autores consagrados [na página, imagens do italiano Lorenzo Mattotti] e outros que dão os primeiros passos com o objectivo de expor criadores de todas as escolas e correntes", diz Paulo Monteiro, director do festival

--------------------------------------------------------------------------------------------

E para quem não conhece os autores internacionais e lhes queira pedir autógrafos, aqui ficam fotos:

AUTORESESTRAN.jpg

CCBEJA.jpg
O Centro Cultural de Beja - nucleo central do Festival.

Publicado por jmachado em 09:52 AM | Comentários (14) | TrackBack

maio 29, 2009

O V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA COMEÇA AMANHÃ !!! + BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #58 COM CARLOS PESSOA A DIVULGAR O FIBDB NO PÚBLICO ONLINE

ANTES DE MAIS, OS BLOGUES:

novobeco.jpg

O BECO DAS IMAGENS TEM NOVO ENDEREÇO E VISUAL, VER AQUI! DEPOIS, O PEDRO CLETO INAUGUROU FINALMENTE UM BLOGUE, VER AQUI!

VAMOS ENTÃO À MATÉRIA V FIBDBeja 2009:

publico21.bmp ON LINE

Conta com 20 exposições e 70 autores

V FESTIVAL DE BEJA DE BD COMEÇA NO SÁBADO

27.05.2009 - 17h32 – Carlos Pessoa

O V Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja começa no próximo sábado na Casa da Cultura da cidade. A programação inclui 20 exposições e mais de 70 autores da Bélgica, Brasil, Estados Unidos ou Espanha, sem esquecer uma forte representação de criadores portugueses.

O festival é promovido pela Câmara de Beja e prolonga-se até 14 de Junho, com pólos na Biblioteca Municipal e no Museu Regional de Beja.

A filosofia é a mesma dos anos anteriores, disse ao PÚBLICO Paulo Monteiro, director do festival: “Dar a conhecer autores consagrados e outros que dão os primeiros passos, com o objectivo de expor criadores de todas as escolas e correntes”.

Os nomes internacionais mais sonantes na edição deste ano são Lorenzo Mattotti, Denis Deprez, Craig Thompson, Gary Erskine, Fernando Gonsalves e Alberto Vazquez. Entre os portugueses, destacam-se Alex Gozblau, Pedro Burgos, Richard Câmara, João Maia Pinto e Marco Mendes. Carlos Rocha e Rui Cardoso são outros autores portugueses com exposições que mostram os seus trabalhos dirigidos aos mais novos.

Há três exposições colectivas – All-Girlz, Venham+5 (esta, com autores do colectivo bejense Toupeira) e Voyager – que revelam o trabalho de mais de quatro dezenas de artistas portugueses. A presença e influência dos mangás (BD japonesa) na criação portuguesa são asseguradas pelas exposições All-Girlz Banzai, Luminus Box e Hugo Teixeira.

A animação paralela é uma aposta forte do festival, que programou uma série de iniciativas (debates, sessões de autógrafos, “workshops” sobre a linguagem da BD, exibição de longas-metragens que adaptam heróis de banda desenhada ao grande ecrã, lançamentos editoriais e concertos) ao longo dos 15 dias do festival, com maior relevo nos fins-de-semana.

fDIBDBPROGR.jpg
PARA VER A PROGRAMAÇÃO, CLICAR NA IMAGEM!

ADENDA PEDRANOCHARCO PUBLICAÇÕES:

A Pedranocharco não vai lançar qualquer BDjornal neste Festival de Beja, infelizmente. Infelizmente porque o BDj nasceu praticamente com este Festival em Abril de 2005. As dificuldades financeiras fazem-nos adiar todos os projectos de edição para o Festival da Amadora (inclusivé o BDjornal #25, que está mais ou menos pronto a entrar em produção). Em Beja vamos lançar apenas um pequeno fanzine em formato mangá (19 x 12,7 cm). Sim, um fanzine!! Quem não tem cão, caça com gato, não é? Se a coisa vender pode ser que haja livro...

Chama-se MONÓTONOS MONÓLOGOS DE UM VAGABUNDO - uma entrevista com Hugo Teixeira, vai ser vendido a € 5,00 (a produção em fotocópias revelou-se caríssima) e o Hugo vai dar autógrafos no Bang Bang #2 e neste fanzine.

CAPAENTREV.jpg

AUTOGRAFOSHTx.jpg

Com o tempo agradável que tem estado, não deixem de ir a Beja. Um Festival de Banda Desenhada que assume em cada ano que passa diferenças de estilo e de conceito abissais em relação ao Festival da Amadora. E é uma "peregrinação" muito interessante ao interior da planície alentejana!!

Até amanhã, em Beja.

Publicado por jmachado em 10:21 PM | Comentários (23) | TrackBack

maio 27, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #57 - LANÇAMENTO DO LIVRO "Jardim zoológico, 125 anos" DE JOSÉ GARCÊS, AMANHÃ DIA 28 + WILL EISNER NO DIÁRIO "i" + LUIZ BEIRA EM 2 JORNAIS DO ALENTEJO A DIVULGAR BD

publico21.bmp
publiczoo.jpg

ÁLBUM DE BD SOBRE ESPÉCIES EM VIAS DE EXTINÇÃO ASSINALA 125 ANOS DO ZOO DE LISBOA

Em defesa dos grandes mamíferos

Jardim Zoológico - 125Anos

Quinta-feira, 28 de Maio por + 6,50 euros

Carlos Pessoa

Gorila ocidental das terras baixas, gorila da montanha, jaguar, tigre de Sumatra e tigre da Sibéria são cinco espécies de grandes mamíferos em vias de extinção. As dificuldades que estes animais enfrentam nos respectivos habitats – com destaque especial para a caça ilegal – e os esforços desenvolvidos para os preservar são as linhas condutoras das cinco histórias de banda desenhada do desenhador e argumentista José Garcês que integram o álbum Jardim Zoológico -125 Anos.

A ideia é antiga e remonta ao tempo em que Garcês colaborou na revista Tintin, onde foi publicada uma história sua sobre o tigre de Bengala. Mas seria necessário aguardar até 1997, quando publicou o álbum A História do Jardim Zoológico de Lisboa, para que a ideia voltasse a ganhar força. "Comecei a trabalhar imediatamente a seguir à saída desse álbum", recorda o autor. Interpuseram-se, entretanto, outros projectos do autor relacionados com a História de Portugal - monografias de cidades e vilas portuguesas em banda desenhada - e a ideia ficou adormecida durante alguns anos. José Garcês não desistiu e quando surgiu a oportunidade de retomar o projecto, não hesitou. Além das cinco histórias deste álbum, o autor aproveitou para introduzir no trabalho os melhoramentos e alterações que tinham sido introduzidos nas instalações do Zoo de Lisboa depois da publicação daquele livro comemorativo.

Com Jardim Zoológico -125 Anos, uma edição conjunta PÚBLICO - ASA, pretende-se assinalar o aniversário daquela instituição - cada livro contém um bilhete de criança grátis para o zoo desde que acompanhado por um adulto - e, simultaneamente, chamar a atenção para a importância da preservação, conservação e reprodução de espécies selvagens ameaçadas de extinção.

O ÁLBUM

Jardim Zoológico -125 anos é um álbum de banda desenhada realizado por José Garcês. São cinco histórias sobre o gorila ocidental das terras baixas, o gorila da montanha, o jaguar, o tigre de Sumatra e o tigre da Sibéria, espécies em vias de extinção. Inclui uma introdução sobre a história do Zoo de Lisboa e contém um bilhete de criança grátis para o visitar na companhia de um adulto pagante.

ZOOGARCES.jpg

-----------------------------------------------------------------------------------------

i-d.jpg

Figura-i.jpg

22/05/2009.

ESPECIALISTA DE BD

CRISTOVÃO GOMES

Will Eisner artista sequencial

EM MEADOS do século passado a BD vivia os seus anos de ouro. Will Eisner era um dos que melhor exploravam o filão. Um desafio apareceu-lhe: criar uma série completamente nova que seria distribuída num destacável de jornal.
Apresentou rapidamente a sua ideia. O personagem que a encarnava chamar-se-ia The Spirit, tinha um passado mal explicado que remetia para os fundamentos do cristianismo – morreu e ressuscitou -, havia de mover-se nas entranhas de Nova Iorque, ainda que lhe chamasse Metropolis.

A administração do jornal remexeu-se nas cadeiras e alargou os colarinhos. Havia um mal-estar evidente: que era um risco muito grande lançar um herói sem uniforme. A anedota foi contada por Eisner para ilustrar a mentalidade que à época dominava o meio. Eram os anos dos super-heróis e a BD confundia-se com o género. Acabou por decidir que o personagem tinha uma mascara. Só queria uma desculpa que lhe permitisse retratar as histórias da cidade e dos que nela se perdem. Fê-lo tão bem que a maior parte das vezes dispensava o tal mascarado. A boa aceitação do seu The Spirit permitiu-lhe depois sonhar mais alto. Quando em 1978 edita «A Contract With God and Other Tenement Stories» cria o romance gráfico e aproxima-se da literatura. Depois ainda vai escrever manuais de BD. Persegue uma caução académica que acabe
com as dúvidas – é arte que Eisner produz. Morreu em 2005 sem que o mundo alguma vez tenha trocado os velhos comics pela nova Arte Sequencial.

------------------------------------------------------------------------------------------

Recebo todas as semanas o Diário do Alentejo e já aqui coloquei um post sobre o que Luiz Beira nele escreve. Aqui fica mais um. Mas o próprio Beira, teve a amabilidade de me enviar algumas cópias do Alentejo Popular (já do ano passado, é certo, mas com interesse), onde ele assina com o seu verdadeiro nome Armando Corrêa - porque Luiz Beira é nome de combate. Aqui fica também a cópia da página do Alentejo Popular de 25 de Setembro de 2008, com uma interessante curta entrevista a Cyril Pedrosa e uma prancha de Isabel Lobinho:

diario alentejo.jpg

bdalentejo1.jpg

Luís Beira

Novidades - Pedro Massano será o veterano homenageado pelo conjunto da obra, no salão internacional de Banda Desenhada de Viseu/2009. A 20 de Setembro, em devida cerimónia, receberá o Troféu Anim'arte.

Garcês dá música

Claro que este título é uma brincadeira. O certo é que a bela e tão pedagógica exposição "Desenhar a Música", de mestre José Garcês, esteve patente em Moura de 16 de Abril a 2 de Maio.
O que lamento é que o convite e a devida notícia tenham chegado tão tardiamente...
É um "hábito" que vai sendo frequente, não só de Moura. Ora, as notícias para divulgações de tão preciosos eventos - as exposições - devem ser indicadas com notória antecedência. Se não, lá se vai a força da validade. De qualquer modo, aqui registo a efeméride.

Deu-Ia-Deu Martins

Um trio bem atento, a professora Teresa Cardia e os desenhistas Rá (Rui Alves) e Sara Coelho, com apoio da Principia Editora e o patrocínio da Câmara Municipal de Monção, publicou abreve (são oito pranchas a cores) narrativa "Deu-La-Deu Martins".
O lançamento oficial foi na Casa do Curro/Paço do Alvarinho, a 25 de Abril. A distribuição é gratuita e destina-se essencialmente à Educação e ao Turismo. Com boa impressão, relata-nos com um agradável humor o feito de Deu-La-Deu (ou Deuladeu) Martins, mulher nobre e corajosa que com astúcia defendeu e salvou Monção das investidas castelhanas.
Este é o ponto de partida para um projecto similar por e para todos os concelhos do nosso País, versando lendas ou figuras histórico-lendárias locais. Muitos aplausos, pois, por tal iniciativa e por tal coragem.
Os interessados poderão solicitar a obra à Câmara Municipal de Monção, Largo de Camões, 4950-444 Monção.

Alexandre le Conquérant-1

Com texto, belas ilustrações soltas e algumas fotografias, a obra narra a existência excepcional de um dos homens mais célebres do mundo antigo, cuja personalidade e destino marcam como um dos mais notáveis personagens da história humana, Alexandre, rei da Macedónia.
Uma epopeia única, relatada de um modo bem documentado e com o apoio de uma muito rica iconografia.
É uma obra imperdível..

Editora: Casterman.
Autores: Jacques Monseu, Rik Dewulfe Marc Daniels.
Obra: "Alexandre,le Conquérant 1”, da série Les Voyages d'Alix.

LogoAlentejoPopular.jpg

bdalentejo2.jpg

alentejo popular - 25 DE SETEMBRO DE 2008

Através da banda desenhadaCoordenação de Armando Corrêa

ENTREVISTA COM UM AUTOR FRANCÊS DE RAÍZES PORTUGUESAS - Cyril Pedrosa

Nasceu em França, mas tem sangue nosso pois três dos seus avós eram nascidos em Portugal. Cyril nasceu em Poitiers, a 22 de Novembro de 1972, mas reside actualmente em Nantes com a esposa e os dois filhos. Em miúdo chegou a vir a Portugal, onde tem tios e primos. Mas foi em 2006, quando esteve como convidado especial no salão «Sobreda-BD», que se reencontrou realmente com o nosso pais, a tal ponto que neste ano corrente esteve entre nós de Julho a inícios de Setembro (entre Lisboa e a Figueira da Foz), não só com uma parte em férias como também para se documentar para o seu próximo álbum que versará a sua «descoberta» do pais das suas origens. Bravo!

Cyril é um dos mais notáveis valores da nova geração da Banda Desenhada francesa. Começou a desenhar ainda garoto. Chegou a colaborar para a Disney via Cinema de Animação. Foi um dos desenhistas de alto destaque no festival de Angoulême-2008. Na sua obra, contam-se as séries “Ring Circus” (cujo primeiro tomo saiu em português pela efémera editora Book Tree) em quatro tomos e “Shaolin Moussaka” em três tomos. E os álbuns: “Les Coeurs Solitaires” (esgotadíssimo), «Brigade Fantôme», «Premiêres Fois» (num colectivo rigorosamente para adultos), «Trois Ombres» (talvez uma autêntica obra-prima) e “Auto Bio”. «Trois Ombres» já está traduzido em diversos países, incluindo os Estados Unidos, donde já recebeu um alvitre para a sua adaptação ao Cinema, com actores de carne e osso. Como sempre, na nossa tão acomodada e medíocre «modorrinha nacional» (como citaria Fialho de Almeida), as nossas editoras BD, ante a obra de Cyril, assobiam para o lado. É sempre assim: Portugal, a nível cultural, há muito que se tornou num auto-falhanço!
E foi numa calma tarde do último Julho, numa esplanada do histórico Largo do Carmo (Lisboa), que aconteceu esta breve e exclusiva entrevista:

Escolheste Portugal para preparar a tua próxima obra.
Alguma razão especial?

Sim. A razão principal reside nas minhas origens portuguesas. Os meus avós paternos e a minha avó materna nasceram em Portugal. E, para mim, muitos aspectos neste sentido estavam «cortados». Quando cá estive para o salão da Sobreda em 2006, a primeira vez que aqui vim como adulto, isso foi para mim um grande choque emocional. Parece que despertei. E fiquei interessado em descobrir e encontrar o Portugal que afinal existe em mim. E estou ansioso por aprender o português e contar todas essas emoções escondidas ou adormecidas.

És considerado um dos grandes valores da nova geração francesa de banda desenhistas. Que tens a dizer sobre isto?

Penso que isso seja devido ao meu álbum «Trois Ombres» (Três Sombras) que teve grande êxito comercial e já está traduzido em diversos países. Antes disso, creio que não tinha ainda tal estatuto.
Assim tenho mais estímulo para continuar a fazer novos álbuns, pois as editoras têm agora muito mais confiança em mim.

Precisamente, «Trois Ombres». Está traduzido em tantos países. mas não em Portugal Foste esquecido?

Em Portugal, ainda não. Mas gostaria muito. E talvez nessa grande esperança, aceitei participar no próximo festival da Amadora... No entanto, o que mais espero é que o álbum que vou fazer sobre Portugal seja aqui traduzido e publicado.

Conheces a BD portuguesa?

Não, quase nada… Muito mal. Tenho grande dificuldade em registar os nomes dos autores. Conheci vários na Sobreda-2006, mas foi tudo apenas por três dias...

A nova geração da BD francesa é muito procurada pelas vossas editoras?

As editoras francesas são muito dinâmicas e desenvolvidas. Publicam, no conjunto, cerca de quatro mil títulos por ano. E há ainda os editores que, por eles próprios, procuram novos valores. E há os jovens que querem seguir tal carreira e arriscam contactar com os editores.
De qualquer modo, não se ganha muito com isso pois, de momento, os tempos estão difíceis. Muitos, para melhor solução, reúnem-se e constituem sindicatos de autores de Banda Desenhada, que protegem e apoiam os respectivos artistas em todos os aspectos profissionais.

Até breve, Cyril Pedrosa!

-----------------------------------------------------------------------------------------

fcbarcelona.jpg E VIVA O BARÇA !!!!!!!

Desculpem lá, mas tenho que meter a bola nisto, em dia de final dos Campeões Europeus!!!

O FCBarcelona joga como a selecção portuguesa o fazia antes do reinado do Escolario, aqui há uns anos, passes curtos e por aí fora, ainda se lembram? Embora o jogo não tivesse sido nada de espectacular (o Barça enleou o Manchester United de tal maneira, que nem o CR7 conseguiu libertar-se) e, mesmo que o FCB tenha chegado à final de forma um bocado manhosa (aquele árbitro no jogo contra o Chelsea devia ter ganho umas ma$$as valentes por colocar os catalães na final - lá estamos nós, portugas, a duvidar dos árbitros) até foi o justo vencedor da final: os ingleses dão-se mal com passes curtos...

Mas o que irrita mesmo é ter lido hoje no jornal A Bola (a santa bíblia dos justos deste país) a frase: "(...) treinado pelo espanhol Guardiola, que insiste em que é catalão (...)"! Que santa cretinice a dos saloios portugueses em adoptar insistentemente aquilo que os castelhanos querem que todo o mundo faça: que se chamem espanhóis a todos os povos ibéricos (se não tivesse havido o 1 de Dezembro de 1640, os portugueses estariam incluidos na coisa) e que chamem à lingua castelhana, espanhol, pois então.

Publicado por jmachado em 09:16 PM | Comentários (36) | TrackBack

maio 26, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #56 - CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN, NO PÚBLICO + PEDRO CLETO NO JORNAL DE NOTÍCIAS (sobre a edição de José Carlos Fernandes em França) + NOTÍCIA SOBRE JORGE COLOMBO NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

publico21.bmp

classpubl.jpg

CLOROFILA NO SEGUNDO ÁLBUM DA COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN

Uma fábula dos nossos dias

À VENDA Quarta-feira, 27 de Maio COM O PÚBLICO E + € 6,90

Carlos Pessoa

Um arganaz, um ratinho, uma lontra e uma ratazana são as personagens principais de Clorofila, a série de banda desenhada criada em 1954 por Raymond Macherot. Fazem parte de um delicioso universo zoológico que se inspira nos campos da Bélgica, mas que podia ser em qualquer parte do mundo em que a imaginação dos leitores o quisesse situar.

Ao dar voz aos animais da série, Macherot concebeu um pequeno mundo que funciona como uma metáfora dos tempos modernos, com os seus diversos tipos psico- sociológicos, as suas motivações, interesses e estratégias. Mas há algo de mais consistente nesta fábula dos nossos dias, que se prende com a ênfase posta no que é mais marcante no mundo animal – a lei pela sobrevivência. O artista não o ilude, mas fá-lo com um sentido de humor e do gag que vai a par com o encantamento e o maravilhoso que são característicos da tradição dos contos de fadas e das histórias tradicionais da literatura popular.

Bom conhecedor dos clássicos americanos anteriores à Segunda Guerra Mundial, mas também das bandas desenhadas mais modernas, como Pogo ou os Peanuts, Raymond Macherot exprime nas aventuras das suas personagens um sentido do divertimento que é único e inconfundível. Estamos, assim, perante um clássico que exala uma poesia muito particular e conserva uma frescura que resiste aos anos e às muitas modas estéticas e filões temáticos que se sucederam.

Menos de um ano depois de ter surgido nas páginas do Tintin belga, Clorofila começou a ser publicada, em Portugal, na revista Flecha. É na edição portuguesa do Tintin que Clorofila e os seus amigos registam uma presença mais regular e continuada, praticamente desde o início ao fim da publicação.

A fantasia e o sonho que atravessam as coloridas pranchas realizadas por Macherot desde os anos 50 do século passado eram rasgos luminosos no quotidiano de um mundo que tentava erguer-se sobre os escombros e o sofrimento deixados por um conflito mundial. Não é desprovido de sentido reler hoje tais aventuras.

O ÁLBUM

Clorofila contra os Ratos Negros (a primeira aventura da série) e Clorofila e os Conspiradores são as duas bandas desenhadas deste álbum. Criada por Raymond Macherot, a série Clorofila preenche o segundo volume da colecção Clássicos da revista Tintin, uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica de referência, que constituiu um suporte fundamental de publicação e divulgação de banda desenhada na segunda metade do século XX.

--------------------------------------------------------------------------------------------

clorofila.jpg
Os álbuns originais, Chlorophylle contre les rats noirs (Le Lombard, 1956) e Chlorophylle et les conspirateurs (Le Lombard, 1956)

macherot1.jpg
Raymond Macherot (1924 - 2008) e o seu autoretrato.

macherot2.jpg
Em 2006, o desenhador André Taymans ressuscitou Sibylline, outra criação de Macherot. Vemo-los nesta foto em pleno trabalho, Raymond Macherot já com 82 anos, faleceria em 2008.

Dados da responsabilidade do editor do Kuentro.

---------------------------------------------------------------------------------------------

jnlogo19.jpg

JOSÉ CARLOS FERNANDES EDITADO EM FRANÇA

26 Maio 2009 - 00h29m

F. CLETO E PINA

Chegou recentemente às livrarias francesas "Le plus mauvais groupe du Monde", a versão francesa de "A pior banda do Mundo", do autor português José Carlos Fernandes.

Várias vezes premiada em Portugal, esta série já se encontra editado em Espanha, Brasil e Polónia, onde foi bem recebida pela crítica e pelo público.
"A pior banda do Mundo", composta por episódios independentes de duas páginas, alguns dos quais já adaptados em curtas-metragens ou em teatro, que, qual mosaico, vão construindo um retrato alargado e consistente, é uma crónica mordaz do quotidiano bizarro e absurdo dos habitantes de uma cidade sem nome nem data, onde vivem os quatro componentes daquela banda: Sebastian Zorn, Ignacio Kagel, Idálio Alzheimer e Anatole Kopek, que demonstram uma total inépcia para a música. Cruzando referências literárias, musicais, arquitectónicas e políticas e uma escrita erudita e bem trabalhada, o autor, com um sentido de humor apurado e dirigido, critica o consumismo, o racionalismo, os tiques e as paranóias da sociedade actual.

Este volume, o primeiro, da responsabilidade da editora Cambourakis, compila os dois primeiros volumes da edição portuguesa da Devir, traduzidos directamente do Português por Dominique Nédellec. Um segundo volume, com os tomos 3 e 4 originais, deverá ser lançado no último trimestre do corrente ano e um terceiro em 2010.

Entretanto, está confirmada uma exposição de originais de José Carlos Fernandes, nascido em Loulé, em 1964, no Centro Belga de Banda Desenhada, em Bruxelas, entre 12 de Outubro e 14 de Novembro do corrente ano.

jcf.jpg
Capa "caçada" pelo editor do Kuentro AQUI

"ZITS" AGORA TAMBÉM EM VERSÃO ANIMADA

2009-05-24

F. CLETO E PINA

"Zits", uma das mais populares tiras diárias de imprensa da actualidade, criada em 1997, por Jerry Scott (argumento) e Jim Borgman (desenho), e publicada diariamente pelo "Jornal de Notícias", bem como por mais cerca de 1600 jornais de todo o Mundo, acaba de ganhar uma versão animada.
Uma mão-cheia de episódios dos "Zits Motion Comics" está já disponível gratuitamente na página da internet do King Features, na secção Comics Kingdom, uma plataforma online de distribuição de tiras diárias de imprensa para jornais locais norte-americanos, que inclui mais de meia centena de títulos, entre os quais "Spider-Man", "Baby Blues", "Hagar", "Mandrake", "Mutts" ou "Prince Valiant".
Os "Zits Motion Comics", disponibilizados semanalmente, são episódios com cerca de 30 segundos que adaptam algumas das pranchas dominicais originalmente publicadas nos jornais, dotando-as de movimento básico e som.

TARTARUGAS NINJA ADOLESCENTES HÁ 25 ANOS

00h30m

F. CLETO E PINA

Há 25 anos, eram publicadas pela primeira vez aquelas que seriam um dos maiores sucessos da história da BD e da animação: as Tartarugas Adolescentes Mutantes Ninja, que tornaram os seus jovens autores milionários.
Criadas um ano antes - por dois jovens norte-americanos, Kevin Eastman e Peter Laird, que então (sobre)viviam de ilustrações publicitárias e part-times -, as quatro tartarugas antropomórficas são uma homenagem e paródia aos 'comics' que os dois criadores mais apreciavam: "Demolidor" e "Ronin", ambos de Frank Miller.
Eastman e Laird deram-lhes carácter adolescente e o nome de grandes artistas renascentistas - Miguel Ângelo, Donatello, Leonardo e Rafael -, além de terem criado uma ratazana especialista em artes marciais e mutantes e extraterrestres como inimigos.
Como o traço dos dois autores era semelhante, ambos escreveram e desenharam as primeiras histórias, que enviaram para diversas editoras, sem qualquer resultado. Por isso, entre uma restituição fiscal e um empréstimo de um tio, juntaram 1200 dólares e imprimiram 3000 exemplares, a preto e branco. A ideia era vender as revistas pelo correio, mas uma página paga numa revista especializada e um dossiê enviado para estações de televisão e agências noticiosas originaram artigos em todo o país e inúmeras encomendas de lojas especializadas.
As sucessivas reedições ultrapassaram os 100 mil exemplares e tornaram-nas no maior sucesso das edições independentes nos EUA.
Os passos seguintes foram o fabrico de figuras de acção pela Playmates Toys, e os 194 episódios de uma série televisiva, entre 1987 e 1996. No cinema, protagonizaram três películas, em 1990, 1991 e 1993, e uma quarta, em animação computorizada, em 2007.

--------------------------------------------------------------------------------------------

DN2.jpg

JORGE COLOMBO DESENHA CAPA DA 'NEW YORKER' NO iPHONE

por PEDRO FONSECA Hoje

NEWYORKER.jpg

O artista português que rumou aos EUA há 25 anos, depois de ter estado em 'O Independente', aderiu àquilo que no meio muitos já chamaram de "iPhone art", ainda por cima numa revista de referência, a 'The New Yorker'.

Jorge Colombo é o autor da ilustração da capa da revista The New Yorker desta semana, mas a sua maior originalidade é que foi pintada num iPhone.

Colombo é um artista português, radicado nos Estados Unidos, onde tem ilustrado diversas publicações. As primeiras colaborações com a The New Yorker datam de 1994.

Para o desenho "Finger Painting", o autor gastou uma hora em frente ao Museu de Cera de Madame Tussaud, na Times Square, em Nova Iorque, para desenhar pessoas junto de uma banca de venda de comida.
O iPhone tem a enorme vantagem de lhe permitir desenhar em locais com reduzida iluminação ou com muitas pessoas em redor que simplesmente julgam que ele está a mexer no telemóvel.

"A experiência que trazia de desenhar anos e anos com lápis, com pincel, com aguarela", "além de imensas explorações fotográficas", permitiram-lhe evoluir facilmente para o pequeno iPhone. "No fundo a arte é a mesma, a ferramenta é que muda ligeiramente", explicou por email, ao DN.

Colombo colocou as imagens à venda num site que foram descobertas por Françoise Mouly, editora de arte da revista. "Reconheceu nelas uma tradição de imagens 'observadas', que existia nas capas da New Yorker desde 1925" e, no futuro, os desenhos "vão passar a ter lugar regular no website".
Apesar da cobertura mediática nos Estados Unidos desde que foi revelada a imagem do ilustrador lisboeta (além da New Yorker e de publicações online dedicadas à tecnologia ou arte, o New York Times ou a ABC News escreveram ontem sobre o assunto), Colombo já tinha sido detectado em Março nas páginas de arte do The Guardian. O jornal britânico denominava as imagens de "delicadas e vívidos", enquanto o site Craziest Gadgets as apelidava de "fantásticos desenhos". Outros chegaram a sugerir tratar-se de fotografias.
Colombo adquiriu o iPhone em Fevereiro e, pouco depois, a aplicação Brushes. Já a conhecia: "os primeiros desenhos que vi foram de um artista francês chamado Stephane Kardos, bastante anteriores aos meus e muito bonitos", explica. Kardos é director de arte na Walt Disney.

O software custa quase cinco dólares e permite desenhar como se o dedo fosse o pincel (há outra aplicação semelhante, o Colors). Desde o seu lançamento em Agosto passado, já foi adquirido por mais de 40 mil pessoas, assegura o seu criador Steve Sprang.

Uma aplicação paralela, a Brushes Viewer, permite registar todos os passos dados na concretização de um desenho e exportá-lo como vídeo. A New Yorker tem precisamente um pequeno filme com a concepção da capa de Colombo, onde é notória a sua técnica para as imagens surgirem, em diversas camadas. "Tem de se desenhar o palco antes das personagens", explicou à ABC News.

Colombo é mais um dos artistas a aderir à já denominada "iPhone art". "O David Hockney, por exemplo - um dos meus pintores favoritos de sempre - também anda a fazer desenhos no iPhone", lembra Colombo. "Aos 72 anos!"

NEWYORKER2.jpg
As ilustrações foram "caçadas" pelo editor do Kuentro na net (site da The New Yorker).

Publicado por jmachado em 07:07 PM | Comentários (1) | TrackBack

maio 25, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTER #10

É JÁ NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 30 QUE COMEÇA O V FIBDBeja 2009 !!!

news10.jpg

Exposições / Exhibitions

André Lemos
Filipe Abranches
Gianluca Costantini

dws.jpg
André Lemos, Filipe Abranches, Gianluca Costantini

Atelier de Serigrafia Mike goes West

studesc.jpg
Clicar em cima da foto.

Chegámos, por fim, à 20ª exposição! António Miguel Coelho abre-nos o seu Atelier para nos seduzir com as serigrafias de Alberto Corradi, Aleksandar Zograf, André Lemos, Filipe Abranches, Gianluca Costantini, João Maio Pinto, José Feitor, Luís Henriques, Marco Mendes, Max, Miguel Carneiro e Mike Diana...

Também já estamos on-line, em www.festivalbdbeja.net - Tudo sobre os autores, sobre a Programação Paralela (apresentação de projectos, conversas à volta da banda desenhada, cinema, concertos, lançamentos, noites temáticas, sessões de autógrafos, workshops, etc), como chegar, onde ficar, etc...

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Espaço VOL / Kuentro - Pedranocharco / Mundo Fantasma

cartazfibdb09.jpg
Cique no cartaz para ver o programa do V FIBDB 2009

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
Museu Jorge Vieira - Casa das Artes
Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

Publicado por jmachado em 08:01 PM | Comentários (7) | TrackBack

maio 23, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #55 - PÚBLICA (REVISTA DOMINICAL DO PÚBLICO): MARISA MARCHETTO RESPONDE EM DESENHOS A PERGUNTAS DE ENTREVISTA

A jornalista Margarida Santos Lopes, a propósito do livro CANCER VIXEN, de Marisa Acocella Marchetto, enviou à autora 10 perguntas sobre o livro. Marchetto respondeu-lhe com desenhos.

Marisa Marchetto, caroonista da New Yorker e da Glamour, esteve em Lisboa para a apresentação do livro CANCER VIXEN, um livro sobre o cancro da mama editado em Portugal pelas Edições ASA.

vyxen0.jpg

vyxen5.jpg

vyxen1.jpg
vyxen2.jpg

vyxen3.jpg
vyxen4.jpg

Publicado por jmachado em 04:07 PM | Comentários (24) | TrackBack

maio 19, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #54 - PÚBLICO: colecção Clássicos da Revista Tintin - SAI AMANHÃ O 1º ÁLBUM

publico345.jpg

Público • Sexta-feira 15 Maio 2009

Luc Orient no primeiro álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin

Ficção científica à europeia

A série é herdeira da melhor tradição americana da Época de Ouro e entronca numa filiação em que se inserem Flash Gordon ou Brick Bradford

Carlos Pessoa

A série Luc Orient está estreitamente ligada à renovação da revista Tintin sob a direcção de Greg. O movimento empreendido por este desenhador e argumentista visa "romper com o espírito excessivamente escutista" que tinha sido imposto por Hergé, como refere o jornalista e crítico Gilles Ratier. Um dos vectores dessa transformação é a ficção científica, até à data ausente das páginas da revista.

Greg conhecia Eddy Paape desde o início dos anos 1950, mas nunca tinham trabalhado juntos. O desafio chega na altura certa, pois Paape, já com 46 anos, estava em rota de colisão com a revista Spirou e a editora que a publicava (Dupuis), e pensava seriamente em abandonar a banda desenhada.

Luc Orient, que faz a sua aparição nas páginas da revista Tintin (edição belga) em 17 de Janeiro de 1967, não será o único exemplo dessa viragem editorial. Ao seu lado estão Bernard Prince, Olivier Rameau, Jugurtha, Martin Milan e outras séries de qualidade, que concorrem com as criações de referência da revista - Michel Vaillant, Alix, Corentin, Dan Cooper, Taka Takata e muitas outras.

A fórmula - um herói atlético (Luc Orient), uma bonita assistente (Lora) e um cientista experiente (Hugo Kala) - é herdeira da melhor tradição americana da Época de Ouro e entronca numa filiação em que se inserem os clássicos Flash Gordon (de Alex Raymond) ou Brick Bradford (de Clarence Gray e William Ritt) .

Os Dragões de Fogo e Os Sóis de Gelo, as aventuras inéditas em Portugal que compõem este primeiro álbum da colecção Clássicos da Revista Tintin, são exactamente as duas primeiras da série criada por Greg (argumento) e Eddy Paape (desenho).

O herói regista rapidamente uma apreciável adesão dos leitores (embora as vendas dos álbuns não tenham sido famosas) graças ao desenho realista de Paape, um experimentado criador que impõe um ritmo cada vez mais vivo e dinâmico às sucessivas aventuras da série. Mas seria de todo injusto não tornar•extensivos os méritos dessa popularidade a Greg, autor de argumentos "à medida" – como sublinha Patrick Gaumer, autor do Larousse de la BD,que – deixam uma grande liberdade de movimentos ao desenhador.

No apogeu de Luc Orient, Greg passa quatro anos nos Estados Unidos, entre 1982 e 1986. Propõe Gérard Jourd'hui como substituto, mas a solução revela-se desastrosa para a série, que nunca mais voltará a registar o mesmo fulgor.

O percurso do herói em Portugal é curto e surge numa fase relativamente tardia. A primeira aventura, O Senhor de Terango, surge na edição portuguesa da revista Tintin entre 22 de Março e 24 de Maio de 1969. Até 1982, data do desaparecimento desta publicação periódica, são divulgadas com regularidade mais 11 aventuras de Luc Orient, a última delas deixada incompleta.

A série criada por Greg e Eddy Paape só teve mais uma aparição (Os Esporos Misteriosos) em publicações periódicas, nas Selecções (Mundo de Aventuras), em Setembro de 1982. Em álbum, apenas a editora Livraria Bertrand se interessou pela série, publicando três álbuns - 24 Horas para o Planeta Terra (1974), O Segredo das 7 Luzes (1975) e O Senhor de Terango (1977).

O álbum

Os Dragões de Fogo e Os Sóis de Gelo são as duas aventuras, inéditas em Portugal, que compõem o álbum de banda desenhada consagrado ao herói da ficção científica Luc Orient. Com argumento de Greg e desenho de Eddy Paape, é o primeiro volume da colecção Clássicos da Revista Tintin. uma selecção dos melhores heróis clássicos daquela publicação periódica, um suporte de divulgação fundamental da segunda metade do século XX.

------------------------------------------------------------------------------------------


OS ÁLBUNS ORIGINAIS

LUCORIENT.jpg
LES DRAGONS DE FEU - Lombard, 1969 e LES SOLEILS DE GLACE – Lombard, 1970

OS AUTORES

gregepaape.jpg
Greg, ou melhor, Michel Régnier (1931-1999) e Eddy (Edouard) Paape (1920) - sim, sim, este senhor Paape tem mesmo 89 anos e foi homenageado ainda no ano passado na Bélgica natal.

Publicado por jmachado em 06:17 PM | Comentários (21) | TrackBack

maio 18, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #53 - Pedro Cleto no JN sobre EMINEN - João Miguel Lameiras no Diário As Beiras e recorte do diário "I"

jnlogo19.jpg
pcleto23.jpg

--------------------------------------------------------------------------------------------

ASBEIRAS8.jpg
16Maio2009

João Miguel Lameiras

BANDA DESENHADA

Gibrat regressa com Matteo

Depois de as Edições Asa terem editado "Destino Adiado" e "O Voo do Corvo", os dois anteriores trabalhos do francês Jean-Pierre Gibrat, coube à Vitamina BD editar a sua mais recente série, "Matteo", cujo primeiro volume acaba de chegar às livrarias.

Nascido em Paris em 1954, Gibrat não é um desconhecido para o público português, pois ainda antes da Asa, já a Meribérica, durante a década de 90 tinha editado "Pinóquia" e "Maré Baixa", dois trabalhos em que Gibrat era apenas ilustrador de argumentos alheios. O que não sucede no caso dos álbuns publicados pela Asa e deste "Matteo", em que Jean-Pierre Gibrat se assume como autor completo, com excelentes resultados.

Depois de "Destino Adiado" e o "Voo do Corvo", duas histórias passadas durante a 2.ª Guerra mundial, na França ocupada, Jean-Pierre Gibrat recua no tempo e escolhe o início da I Guerra Mundial como a época a revisitar neste primeiro volume de uma série de quatro, protagonizados por Matteo, um jovem pacifista, filho de um anarquista espanhol, a quem o destino leva a participar nos principais conflitos bélicos da primeira metade do século XX. Ou nas palavas do autor: "no fundo, trata-se do percurso de um antimilitarista que vai afinal participar em todas as guerras possiveis e imaginárias, um pouco contra a sua vontade mas também por motivos românticos". E é precisamente para conquistar o coração da bela Juliette, que Matteo parte como voluntário para a frente de batalha, uma decisão de que rapidamente se arrepende.

Retrato muito duro e realista da vida nas trincheiras durante a I Guerra Mundial, "Matteo", ao contrário dos anteriores trabalhos de Gibrat, tem por protagonista um homem, embora as presenças de Juliette, e sobretudo da enfermeira Amélie, nos recordem Cécile e Jeanne, as heroínas de "Destino Adiado" e "O Voo do Corvo", e duas das mais belas mulheres que a BD franco-belga já viu. E é bem evidente a preocupação de Gibrat em adequar o seu desenho a uma realidade bem mais sombria, com as cores suaves e luminosas, que lembram a fotografia do filme de Jean-Pierre Jeunet, "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", dos álbuns anteriores, a dar lugar em "Matteo" a uma paleta bastante mais escura.

Mesmo sem perder a sua grande elegância, o traço de Gibrat se altera, tornando-se mais nervoso, sensação que a aplicação impressionista da cor ajuda a acentuar. Também a nível do texto, embora a história continue a ser contada na primeira pessoa como nas séries anteriores, há uma maior preocupação literária, bem patente nas metáforas e imagens utilizadas por Matteo, que espero que a tradução portuguesa, da autoria deste vosso amigo, tenha conseguido preservar...
Ou seja, há uma preocupação muito grande da parte de Gibrat em se libertar do registo dos dois álbuns anteriores, sem abdicar do seu forte universo pessoal. E o resultado é um belo ponto de partida para o que, tudo indica, virá a ser uma excelente série, que se arrisca a pegar num período da história que, em termos de Banda Desenhada franco-belga, é imediatamente conotado com Tardi, sem nada perder na comparação.

("Matteo: Primeira Época (1914-1915)", de Jean-Pierre Gibrat, Vitamina BD, 64 págs., 15,50

matteo.jpg
À falta da capa da Vitamina BD, o editor mostra a capa original e uma prancha do álbum.

--------------------------------------------------------------------------------------------

O recorte seguinte foi enviado por Teresa Câmara Pestana, creio que da lavra de J.M.Lameiras no Diário As Beiras ou no blog da Dr Kartoon. Tudo por causa de uma polémica que está por aí a nascer: a desmesurada promoção da Chili com Carne pela Bedeteca de Lisboa. Vamos ouvir opiniões e depois faremos matéria disto. Entretanto fiquem com o recorte:

BANDA DESENHADA

Diversidade

O que une uma publicação institucional ilustrada por alguns dos maiores nomes da Banda Desenhada portuguesa contemporânea e um fanzine orgulhosamente amador, com colaborações de autores de diversos países? Com diferentes meios, objectivos e ambições, "Vencer os Medos" e "Gambuzine" # 1, os dois títulos que motivam este texto têm em comum o facto de darem a descobrir diferentes abordagens estéticas, dando bom exemplo da diversidade que a Banda Desenhada, enquanto linguagem, permite.

Editado pela Assírio & Alvim, com o apoio do IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento), "Vencer os Medos" tem como função, divulgar, através da Banda Desenhada, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a alcançar até 2015, estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas no ano 2000. Oito objectivos ambiciosos (e algo utópicos, face à falta de vontade política de quem realmente decide) que passam, por exemplo, por erradicar a pobreza extrema e a fome, reduzir a mortalidade infantil, promover a igualdade de género, combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças, entre outros.

São estes oito objectivos que João Paulo Cotrim, argumentista e coordenador deste livro, trata em outras tantas histórias ilustradas cada uma por um diferente desenhador, numa lista de peso, onde, para além da confirmação do talento dos colaboradores habituais de Cotrim, como João Fazenda, Pedro Burgos, Maria João Worm, Miguel Rocha e Alex Gozblau (que assina a magnífica capa), surgem também Rui Lacas e Susa Monteiro. Mas, para mim, a grande surpresa deste livro, foi a descoberta de Tiago Albuquerque, cujo trabalho, extremamente gráfico e de grande legibilidade, escolhi para ilustrar este artigo.

Se "Vencer os Medos" tem capa e impressão a cores, uma tiragem de 5.000 exemplares e distribuição nas livrarias, "Gambuzine", o fanzine (designação, derivada de "fanatic magazine", aplicada a publicações amadoras, em que os colaboradores não são pagos) editado por Teresa Câmara Pestana, apenas está à venda em alguns locais seleccionados (como a Livraria Dr. Kartoon), restando como alternativa a encomenda pelo correio, ou através do site da autora/editora.

Mantendo-se saudavelmente afastada dos meios institucionais, como a Bedeteca de Lisboa, que tanta divulgação dá à produção da distribuidora "Chili con Carne", neste primeiro número da segunda série do seu "Gambuzine", Teresa Câmara Pestana reúne um interessante leque de colaboradores internacionais, entre alemães, suíços, croatas, finlandeses, austríacos, eslovenos e americanas, a que se juntam alguns portugueses, como a própria Teresa, que assina uma história (autobiográfica?) bastante dura, passada na Alemanha, em finais dos anos 80, com um vizinho e o seu gato.

Mas a diversidade estética é o mote deste "Gambuzine", onde encontramos desde o traço hiper realista de Axel Blotlvogel, o desenho perversamente infantil de Claire Lenkova, aos estilos deliciosamente "cartoonie" de Lucas Weindinger e Rautie, até ao traço anguloso de João Sequeira. Mas o momento mais forte deste fanzine, verdadeiro murro no estômago, não pelo desenho, mas pela história, é "The Battalion of the Virgin Mary", da austríaca Ulli Lust, sobre o drama das crianças soldado, contado através de um pesadelo que retrata uma dura realidade que, dos Balcãs a África, se mantém bem viva.

("Vencer os Medos", Vários autores, Assírio & Alvim, 64 págs., 8,00 €
"Gambuzine" nº 1, Vários autores, Ed. De Teresa Câmara Pestana, 84 págs., 7,00 €. www.gambuzine.com)

medosgambuza.jpg

--------------------------------------------------------------------------------------------

Recorte do i enviado pelo nosso amigo João Manuel Pinto:

i2.jpg

JORNAL “I” DE 15/05/2009

ESPECIALISTA DE BD

CRISTOVÃO GOMES

Sonhos Desenhados

WINSOR MCCAY nasceu, como a banda desenhada, em data e local incertos na segunda metade do século 19. Em 1905, com o seu «Little Nemo in Slumberland», criou a BD tal como a conhecemos hoje. Recuemos até ao seu tempo para perceber o que era este novo meio até então: uma serie de quadros i1ustrados publicados em jornais ao domingo que descreviam situações cómicas e que se esgotavam naquele espaço e tempo. Foi McCay quem introduziu a ideia de continuidade.
Permitiu assim que as histórias que escrevia se espraiassem por várias semanas, dando-lhes assim uma nova complexidade. Apesar disso, nunca foram os argumentos a preocupação de McCay. Preferia explorar nos seus desenhos todas as potencialidades conferidas por situações bizarras que encontrava escondidas no subconsciente. É impossível lê-lo e não recordar a Alice de Lewis Carrol: desenhava o espírito do seu tempo. Retratou fobias, sonhos recorrentes e pesadelos obsessivos. A sua primeira série publicada nos jornais vivia dos espirros do pequeno Sammy. Durante dois anos e meio construiu, invariavelmente em seis pranchas, histórias que acabavam com o pequeno Sammy a espirrar.
Com «Dream of the Rarebit Fiend» desenhou os pesadelos provocados pela ingestão de um prato galês típico.
Foi ainda um dos pioneiros do cinema de animação. Exibia nas feiras os seus talentos, interagindo com «Bertie, The Dinosaup" perante o publico estupefacto. O seu «The Sinking of the Lusitania» é ainda hoje um exemplo de animação feita para adultos.
Morreu em 1934. A banda desenhada sobreviveu-lhe.


--------------------------------------------------------------------------------------------

E um recorte da revista do EXPRESSO de 16Maio09 que visitou o atelier de Pedro Zamith:

zamith.jpg

Publicado por jmachado em 06:43 PM | Comentários (37) | TrackBack

maio 17, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTERs #8 e #9

Exposições / Exhibitions

ALBERTO VÁZQUEZ

LORENZO MATTOTTI

vasquez.jpgAlberto Vázquez

mattotti.jpgLorenzo Mattotti

A banda desenhada europeia respira vitalidade por todos os poros. A comprová-lo a presença de dois grandes autores: Alberto Vázquez e Lorenzo Mattotti.

Alberto Vázquez é um dos talentos emergentes da moderna banda desenhada espanhola (em 2007 ganhou o Prémio do Público para o Melhor Desenho com El Evangelio de Judas, em Barcelona). Depois de expor o seu trabalho um pouco por todo o lado, de Buenos Aires a La Paz, passando por Nápoles, chega agora ao nosso país, para deslumbre dos olhares mais exigentes.

Quanto a Lorenzo Mattotti, é um ”gigante” da banda desenhada mundial, um dos autores mais significativos do nosso tempo. A exposição que traz a Beja constitui uma ocasião rara para observar de perto um autor incontornável, dono de um traço único e de uma poética muito pessoal.

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

ALL-GIRLZ - VENHAM + 5 - VOYAGER

algarlzevoyag.jpg
All-Girlz - Voyager

venha.jpg
Venham + 5

All-Girlz (com Ana Biscaia, Ana Freitas, Andreia Rechena, Carla Pott, Cláudia Dias, Inês Casais, Joana Pereira, Joana Sobrinho, Kati Zambito, Marta Monteiro, Rosa Baptista, Sara Franco, Sara Mena Gomes, Sofia Verdon e Sónia Oliveira); Venham + 5 (com Agonia Sampaio, Carlos Apolo Martins, Carlos Bruno, Diego Blanko, Diogo Campos, Inês Freitas, João Lam, Ken Niimura, Kike Benlloch, Lobato, Luís Guerreiro, Maria João Careto, Paulo Monteiro, Pedro Brito, Pedro Ganchinho, Pedro Rocha Nogueira, Susa Monteiro, Véte e Zé Pedro); e Voyager (com Diogo Campos, Diogo Carvalho, Luís Belerique, Luís Maiorgas, Nelson Nunes, Phermad, Ricardo Reis e Rui Ramos).

Muitos dos autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Espaço VOL / Kuentro-Pedranocharco / Mundo Fantasma

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
Museu Jorge Vieira - Casa das Artes
Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

Publicado por jmachado em 12:46 PM | Comentários (26) | TrackBack

maio 13, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #52 - Sara Figueiredo Costa na LER + Luís Salvado sobre X-MAN AS ORIGENS na Premiére e Carlos Pessoa no Público - A Colecção Clássicos da Revista Tintin

Mais uma de Recortes de Imprensa: Sara Figueiredo Costa na LER de Abril, Luís Salvado na PREMIÉRE de Maio e Carlos Pessoa no PÚBLICO de hoje!!! Amanhã vão ficar aqui as newsletters #8 e #9 do V FESTIVAL DE BD DE BEJA.

lerlogo.jpg
ler.jpg

[ Histórias e Apontamentos ]

Leituras: A banda desenhada do croata Igor Hofbauer em edição original.

FORA DAS GRADES

Igor Hofbauer, nascido na Croácia em 1974, tem trabalhado sobretudo na área do design, criando cartazes para eventos ligados à música, ao cinema e a outras artes, sobretudo nos meios conotados como underground. As linhas de força dessas criações, nitidamente influenciadas pelo trabalho de Aleksandr Rodchenko e do construtivismo soviético, transparecem na colectânea de histórias em banda-desenhada que a editora Mmmnnnrrrg acaba de publicar, com o preto e branco a organizar-se de modo equilibrado, separando claramente texto e imagem, com o vermelho a assinalar elementos dissonantes ou em destaque e com os traços obliquos a definirem a estrutura de vinhetas e pranchas.
As histórias de Hofbauer convocam reflexões sobre a sociedade, medos inerentes à condição humana e várias situações identificáveis com o antigo Bloco de Leste, mas sempre passíveis de uma abstracção universalizante.
Mesmo que algumas referências sejam óbvias, como a omnipresença do Muro de Berlim em «Band You Never Heard, Band You Never Saw», nenhuma história se fecha nos limites do enredo que a sustenta, permitindo leituras intemporais.
Para isso contribuem não só as reflexões que Hofbauer sugere, mas também as características dos personagens, híbridos onde o animal e o humano convivem num desconforto visível, e ainda a inexistência de um contexto que clarifique, sem margem para dúvidas, personagens e situações.
E apesar disso, a leitura não se ressente: não é preciso saber de onde vem o homem que habita a jaula de «My Prison Storie» para se perceber a metáfora da prisão-espectáculo, nem são necessários motivos claros para que nos apropriemos da angústia da mulher em fuga de “Nail Storie”.
“Olympia Storie" a história da antiga diva da canção que vive enjaulada e se alimenta das estrelas fugazes que o mundo do espectáculo produz a cada dia, apresenta uma estrutura mais clássica no que à narrativa diz respeito, com os dados para a compreensão do enredo a surgirem à medida que são necessários e como recurso a analepses bem definidas esclarecendo o passado. Contrastando com o conjunto formado pelas restantes histórias, mais evasivas, «Olympia Storie» acaba por ser o corolário de uma compilação que faz justiça ao trabalho de Hofbauer, marcado por um formalismo exemplar, cuja rigidez se esbate com a presença das inquietações, medos e dúvidas que assolam os personagens. Uma nota final sobre a edição, em inglês como a original, facilitando a circulação em festivais e livrarias estrangeiras, prática corrente na BD menos comercial.

Sara Figueiredo Costa

Igor Hotbauer, PRISON STORIES. Mmmnnnrrrg, 124 págs.

-------------------------------------------------------------------------------------------

premierelogo.jpg
premiere2.jpg

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE
***

T.O.: X-Men Origins: Wolverine ". Realização: Gavin Hood. Intérpretes: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Ryan Reynolds. Nacionalidade: EUA, 2009

Continua a dar bons resultados a opção de colocar filmes de super-heróis nas mãos de realizadores de talento 'aparentemente' avessos ao universo de homens voadores e trepadores de paredes: após Bryan Singer ter recriado os “X-Men”, Sam Raimi ter colocado o “Homem-Aranha” na estratosfera cinematográfica e Christopher Nolan ter feito renascer o Batman, o sul-africano Gavin Hood, que mereceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Tsotsi, atirou-se a uma versão das origens do mutante Wolverine e saiu-se a contendo da tarefa. Nem sempre a fórmula é à prova de erro - por um lado o quase sempre certeiro Ang Lee escorregou um pouco com Hulk, por outro o menos ambicioso Jon Favreau acertou em cheio com Homem de Ferro - mas o princípio é correcto: colocar à frente de um projecto de vulto e de risco um cineasta com uma visão original para os projectos e capacidade de os levar a bom porto.

Em X-Men Origens: Wolverine, a primeira de uma série de prequelas previstas à trilogia cinematográfica dos X-Men, a visão para o projecto parece ser tanto do realizador Gavin Hood como principalmente do produtor e protagonista Hugh Jackman. Embora, em termos de história e das personagens envolvidas, o filme seja coerente com tudo o que já fora antes apresentado do herói, mas quanto ao tom da fita há diferenças a apontar: em vez do look semi-futurista e sofisticado dos três primeiros filmes, aqui assume-se uma envolvência de filme acção musculada e larger than life, com heróis de barba rija e one-liners irónicos sempre prontos a aplicar, que não seriam desfasados na cinematografia dos anos 80. Vale Hugh Jackman, no centro de tudo, para dar a gravidade necessária à personagem e não fazer tudo cair num saco de acção inconsequente e sem qualquer relação com o espectador. Não ajuda, porém, a assumpção com que o filme parte de que o espectador já conhece aquelas personagens e os seus poderes mutantes. Quem aqui entre sem ter visto os filmes anteriores (e, no futuro, tratando-se de uma prequela, isso não é nada improvável), aterra-se aqui sem se saber, e sem nunca nos ser explicado, porque diabo é que Wolverine e Dentes-de-Sabre não envelhecem, porque é que tanta gente tem poderes e em que consistem os de cada um, e o que são, afinal, os mutantes. Para quem esteja por dentro das explicações, só tem de recostar-se na cadeira e apreciar duas horas de alegre pancadaria, com personagens carismáticas, cenas de acção muitíssimo bem encenadas e um argumento que, apesar de tudo, lá vai conseguindo surpreender, por mais excessiva que por vezes seja a premissa.

A história, já se adivinha pelo título, é a das origens de Wolverine, que na BD original foram inicialmente mantidas em segredo, para depois serem continuamente criadas, anuladas e reinventadas por sucessivos autores, fazendo uso da falta de memória do protagonista para as situações mais absurdas e desconexas. Aqui, Wolverine e Dentes-de-Sabre são meio-irmãos com poderes mutantes similares (a tal capacidade regenerativa, sentidos ultra-desenvolvidos, força e agilidade muito acima da média e um mau feitio de fugir) e que atravessam juntos todas as guerras em que os EUA se envolveram desde meados do século XIX. A aventura arranca mais a sério quando ambos são integrados numa equipa de elite de mutantes com finalidades pouco limpas, que levarão à saída de Wolverine. A relação de amor-ódio entre os irmãos e destes com o governo é o trampolim para muitas cenas de luta, explosões e o diabo a sete, com a explicação para o facto do esqueleto de Wolverine ser composto por um metal inquebrável que não fazia, na origem, parte das suas capacidades mutantes. Para os indefectíveis da BD, as piscadelas de olhos são mais que muitas, para os iniciados será preciso atenção que a acção é muita mas nem tudo é devidamente explicado.

De qualquer forma, Jackman e, principalmente, Liev Schreiber brilham a grande altura e, como filme de acção super-heróica e brutalista, dificilmente se verá melhor nos próximos tempos.

Luís SALVADO

O melhor: O carisma de Hugh Jackman e Liev Schreiber.
O pior: A falta de contextualização, que partir do princípio que todos já conhecem as personagens e o universo.

---------------------------------------------------------------------------------------------

publicoBD1.jpg

publicoBD2.jpg

Colecção Clássicos da Revista Tintin

O mistério de Luc Orient, a magia de Clorofila, a sensibilidade de Jonathan, a velocidade
de Michel Vaillant, o suspense de Rock Derby, a coragem de Bernard
Prince, a ironia de Clifton, a história de Vasco, o humor de Spaghetti, a inteligência
de Ric Hochet, a contemplação de Buddy Longway e a força de Lester Cockney.

São 12 álbuns com uma selecção dos melhores heróis clássicos da revista Tintin.

Todas as quartas um álbum duplo com o PÚBLICO por mais 6,90 euros.

Grandes clássicos da banda desenhada europeia

Os grandes heróis e as grandes aventuras da banda desenhada franco-belga estão de regresso.

Uma selecção de 12 álbuns duplos recupera para os nossos dias histórias, personagens e autores publicados, noutros tempos, pela revista Tintin. São criações que, em muitos casos, nunca foram publicadas em Portugal. Graças a esta edição conjunta PÚBLICO-ASA, são resgatadas ao esquecimento, permitindo a novas gerações de leitores de histórias aos quadradinhos tomarem conhecimento com a enorme riqueza, qualidade e diversidade de uma época áurea da BD. Desde o seu aparecimento na Bélgica, em 26 de Setembro de 1946, o Tintin foi uma referência incontornável nas cinco décadas seguintes (o fim chegou em Junho de 1993). Pode dizer-se que há um “antes” e um “depois” do aparecimento da revista, em grande medida responsável pela formatação de uma estética bem identificável e pela conformação de um gosto de massas, traduzido num consumo generalizado de heróis e séries. Por isso, a selecção de histórias que compõem a colecção Clássicos da Revista Tintin constitui uma amostra de alguns dos melhores heróis publicados.

Carlos Pessoa

publicoBD3.jpg

Álbum 1 - Luc Orient
20 de Maio

Os Dragões de Fogo
Os Sóis de Gelo

Argumento de Greg
Desenho de Eddy Paape

O aparecimento da série Luc Orient está estreitamente ligado à renovação da revista Tintin sob a direcção de Greg. O objectivo era alterar uma filosofia demasiado próxima do espírito escuta que fora imposta por Hergé. Um dos vectores dessa transformação é a ficção científica, até à data ausente das páginas da revista. A primeira aventura começa a ser publicada a 17 de Janeiro de 1967 (edição belga).
O herói regista rapidamente uma apreciável adesão dos leitores graças ao desenho realista de Paape e aos argumentos empolgantes de Greg.
As duas aventuras publicadas neste álbum são inéditas em Portugal.

Álbum 2 – Clorofila
27 de Maio

Clorofila Contra os Ratos Negros
Clorofila e os Conspiradores

Argumento e desenho de Raymond Macherot

Um arganaz, um ratinho, uma lontra e uma ratazana são as personagens principais da série. Fazem parte de um delicioso universo zoológico, que surgiu pela primeira vez na revista “Tintin” (edição belga) em 14 de Abril de 1954. Ao dar voz aos animais da série, o autor concebeu um pequeno mundo que funciona como uma metáfora dos tempos modernos. O artista apresenta esse universo com um sentido de humor e do gag que vai a par com o encantamento e o maravilhoso que são característicos da tradição dos contos de fadas. A primeira aventura está inédita em álbum em Portugal.

Álbum 3 – Jonathan
3 de Junho

O Sabor do Songrong
Ela ou Dez Mil Pirilampos

Argumento e desenho de Cosey

Jonathan aparece pela primeira vez na revista Tintin (4 de Fevereiro de 1975, edição belga) em busca da identidade e memória perdidas nos cumes dos Himalaias. No final do ano passado, encontramo-lo na Birmânia tutelada por uma ditadura militar. Entre os dois pólos de uma viagem constante, o herói nunca perde de vista aquele que é o seu objectivo maior - a demanda do sentido da vida e dos laços significativos que devem unir todos os seres. O seu percurso e as suas descobertas situam-se, sobretudo, numa geografia subjectiva que é proposto a cada leitor identificar e sentir. As duas aventuras são inéditas em Portugal.

Álbum 4 – Michel Vaillant
10 de Junho

O 8.º Piloto
Suspense em Indianápolis

Argumento e desenho de Jean Graton

Michel Vaillant é um bom exemplo de herói da BD popular. A série criada por Jean Graton (7 de Fevereiro de 1957, edição francesa da revista Tintin) está centrada no universo dos desportos motorizados, com destaque para a Fórmula 1, acompanhando de perto a vida e peripécias de um pequeno núcleo de personagens - o clã Vaillant. É uma obra de puro entretenimento, visando atingir o mais alargado espectro de leitores possível. A trama familiar é um dos factores de êxito da série. Estas duas aventuras são inéditas em Portugal.

Álbum 5 - Rock Derby
17 de Junho

Os Tubarões do Ringue
Os Ladrões de Bonecas
Pânico no Paraíso

Argumento e desenho de Greg

No início de 1960, Greg soube do interesse da revista Tintin em reforçar a publicação com novos materiais. Num ápice, executou duas pranchas da série e submeteu-as a apreciação. Na semana seguinte, surgiam as primeiras pranchas de Os Tubarões do Ringue, aventura inaugural da série (18 de Fevereiro de 1960, edição francesa). Grande admirador dos Estados Unidos, Greg concebe uma série e um herói dinâmicos. O traço solto e vivo serve às mil maravilhas as exigências das histórias, nas quais a acção desempenha um papel importante. A adesão dos leitores é imediata e Rock Derby passa a integrar a lista das séries mais populares de Tintin.

Álbum 6 – Bernard Prince
24 de Junho

A Fortaleza das Brumas
Objectivo Cormoran

Argumento de Greg
Desenho de Hermann

Bernard Prince, Barney Jordan e Djinn fazem um trio inconfundível. São uma criação da dupla Greg- Hermann e começaram por ser os protagonistas de curtas histórias surgidas na revista Tintin (edição belga), a partir de 4 de Janeiro de 1966.
Uma vez apresentados, puseram-se a correr mundo, vivendo situações em destinos cada vez mais exóticos.
Os adversários dos heróis são, em geral, gente dura e sem escrúpulos, traficantes ou simples bandoleiros, criminosos empedernidos ou personagens oblíquas sem ética. As duas aventuras estão inéditas em álbum em Portugal.

Álbum 7 - Clifton
1 de Julho

Meu Caro Wilkinson
O Rapto

Argumento de De Groot
Desenho de Turk

Um herói inglês criado por um belga não é comum na BD de expressão francesa. Mas existem alguns exemplos e Clifton (primeira aparição em 16 de Dezembro de 1959, na edição belga de Tintin), concebido por Raymond Macherot mas popularizado pela dupla De Groot-Turk, é um deles. Embora de recorte policial, Clifton é sobretudo uma série de humor em que o protagonista tem de resolver casos de polícia ou de espionagem. O herói é um oficial reformado do exército e líder escuta.
Vive sozinho no campo, rodeado de gatos e apoiado pela maternal Mrs. Partridge. A primeira aventura é inédita em álbum e a segunda nunca foi publicada em Portugal.

Álbum 8 - Vasco
8 de Julho

O Ouro e o Ferro
O Prisioneiro de Satanás

Argumento e desenho de Gilles Chaillet

A história e a banda desenhada são as duas paixões de Gilles Chaillet. É o próprio criador quem confessa as suas influências, com destaque para Chevalier Blanc (de Liliana e Fred Funcken), uma série situada na Idade Média. Outra influência, mais remota, aconteceu aos nove anos de idade, quando descobriu Alix através doepisódio A Tiara de Oribal. À leitura destas obras em distintos momentos da sua vida, o futuro criador de Vasco intuiu que a aventura, a reconstituição histórica e a banda desenhada caminhariam a par ao longo de toda a sua vida. A sua oportunidade surgiu numa fase já tardia da existência da revista Tintin (8 de Agosto de 1980). O artista faz tudo para apresentar nesta série atmosferas credíveis, apostando na reconstituição minuciosa e exigente de época.

Álbum 9 - Spaghetti
15 de Julho

Spaghetti e os Quadros a Óleo
Encontro de Ciclistas
Spaghetti em Paris

Argumento de Goscinny
Desenho de Dino Attanasio

O francês com forte acento do italiano Dino Attanasio encantou Goscinny quando lhe apresentou os primeiros esboços do Signor Spaghetti. Não terá sido por causa deste pormenor que o projecto foi em frente, mas o certo é que os dois criadores entenderam-se bem e Spaghetti nasceu na edição belga de Tintin em 16 de Outubro de 1957. Spaghetti é um homem que vive com uma “sombra” sempre no seu encalço: o seu primo Prosciutto, do qual tenta sempre fugir no final de cada aventura, para ser invariavelmente apanhado no início da seguinte. As duas primeiras aventuras estão inéditas em álbum em Portugal.

Álbum 10 - Ric Hochet
22 de Julho

Uma Armadilha para Ric Hochet
Ric Hochet Contra “O Serpente”

Argumento de Duchâteau
Desenho de Tibet

Ric Hochet começou a apresentar pequenos enigmas policiários aos leitores da revista Tintin e rapidamente se transformou num activo e proeminente repórter da banda desenhada franco-belga.
Vestido sempre da mesma maneira - jeans, camisola de gola alta vermelha e casaco pied-de-poule ou gabardina bege, conduzindo um Porscheamarelo que destrói regularmente - revela um agudo faro jornalístico ao serviço do La Rafale, virado quase exclusivamente para a solução de casos policiais. Surge pela primeira vez na edição belga da revista, em 30 de Março de 1955, e nunca mais parou até hoje. As duas aventuras deste álbum são inéditas em Portugal.

Álbum 11 - Buddy Longway
29 de Julho

O Vento Selvagem
O Manto Negro

Argumento e desenho de Derib

No panorama das séries western de banda desenhada, Buddy Longway é um caso à parte. Magnífica saga, que descreve o modo de vida índio e lança um olhar original sobre a natureza e a existência humana nesse ambiente, é obra do suíço Derib. O herói, que surge pela primeira vez na revista Tintin Sélection em Junho de 1972, começa por ser um homem solitário que quer manter-se afastado das multidões, para depois constituir família com uma jovem índia e ser pai de dois filhos. Os seus temas recorrentes são o ódio, o racismo, a intolerância e as suas múltiplas manifestações. As duas aventuras publicadas são inéditas em Portugal.

Álbum 12 – Lester Cockney
5 de Agosto

A Ruptura
Oregon Trail

Argumento e desenho de Franz

O ponto de partida para o desenvolvimento desta série foi a leitura, por parte de Franz, de uma obra sobre a guerra anglo-afegã.
Assim nasceu Lester Cockney, um irlandês ruivo corajoso e obstinado, sempre a braços com os rigores da disciplina militar. De facto, a sua entrada para o exército é tudo menos voluntária, fruto de um alistamento forçado que o leva até ao âmago do conflito que opunha os colonizadores ingleses e os povos autóctones do Afeganistão, no final do século XIX. O desenvolvimento das aventuras de Lester Cockney, que fizeram a sua aparição no Tintin a partir de 4 de Julho de 1980, leva o herói até à Índia. Parte para a Hungria, numa viagem que proporciona um olhar muito peculiar sobre realidades exóticas numa declinação superlativa do tema de aventuras.
As duas aventuras são inéditas em Portugal.

Publicado por jmachado em 06:54 PM | Comentários (86) | TrackBack

maio 11, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #51 - Carlos Pessoa no Público, ainda sobre Vasco Granja e sobre a nova colecção de BD do Público e ASA + Pedro Cleto no JN sobre os 70 anos de Batman e ainda Cristóvão Gomes no "i" sobre Pratt

publico21.bmpPUBLICOCAD24.jpg
vg7.jpg

P2 • Sábado 9 Maio 2009

1925-2009 Vasco Granja
ADEUS, AMIGUINHOS

Por Carlos Pessoa

João Oliveira leu 65 comentários à notícia on-line da morte de Vasco Granja e parou. Admirado, constatou que o obituário tinha conseguido "reunir a total convergência de sentimentos e expressões de apreço, admiração, doces lembranças". A banda desenhada, tal como antes o cineclubismo, foi uma das áreas onde Granja manteve intensa actividade durante longos anos.
Mas é sobretudo a evocação dos seus programas sobre cinema de animação na RTP, entre 1974 e 1988, que está sempre presente nas muitas dezenas de reacções dos leitores do PÚBLICO on-line, como João Oliveira. Há mais de 20 anos que Vasco Granja estava afastado da televisão. Neste período, marcado por transformações muito profundas no cenário mediático, outros actores subiram ao palco da divulgação dos quadradinhos e dos "bonecos" animados. Granja tinha ganho o direito a uma entrada em qualquer história da BD e da animação. Entretanto, era apenas alguém de quem se falava de vez em quando para confirmar que ainda estava vivo, embora bastante doente, apoiado mais de perto por um punhado de amigos próximos.

Na passada segunda-feira, porém, Vasco Granja morre e os media assinam o ponto com a inevitável notícia necrológica. Mas esta não foi uma morte assim tão igual a todas as outras. Milhares de portugueses davam-se conta de que desaparecia com Granja uma parte importante de si próprios, algo que irrompia abruptamente no campo da consciência a partir de uma brumosa memória infantil e juvenil afectivamente saturada, onde pululam coloridas figuras mágicas ou apenas divertidas - a Pantera Cor-de-Rosa, Bugs Bunny ou BipBip, os heróis de Disney ou os não tão calorosos desenhos animados experimentais e vanguardistas das escolas jugoslava, húngara ou checoslovaca, para já não falar de Norman Mclaren e das experiências da animação canadiana.

É de tudo isso que falam os comentários de leitores anónimos, para quem Vasco Granja é uma referência quase parental pela marca que imprimiu nas suas vidas a partir de um pequeno ecrã que durante muitos anos deu a conhecer a preto e branco a paleta de cores da fantasia animada. "Olá, amiguinhos" era como começava. Vasco Granja nasceu em Lisboa em 1925. Começou a trabalhar muito cedo como empregado de balcão, mas manifestou sempre uma fome insaciável de conhecimento. Pertencia a uma categoria que a educação de massas empurrou para a prateleira da arqueologia social - a dos autodidactas, que era frequente encontrar até aos anos 70 um pouco por todo o país.
Eram pessoas com interesses culturais difusos, receptivas a lerem tudo o que lhes passasse pelas mãos, disponíveis para a acção cultural, especialmente relevante nos pequenos meios de província onde a cultura era um bem raro. A intervenção cívica nunca estava muito longe no horizonte de preocupações destes homens - Granja era militante do PCP desde os anos 50, o que lhe valeu ter sido detido duas vezes pela PIDE e uma pena de prisão de 18 meses em 1963.
A ausência de uma educação formal continuada favorecia a expressão de um enciclopedismo generoso, que era uma espécie de "marca de água". No caso de Vasco Granja, isso traduziu-se numa diversificação de centros de interesse cultural ao longo da vida, com destaque para o cinema (e em particular o de animação) e a banda desenhada, cuja divulgação promoveu de forma quase obsessiva. "Não era exactamente um especialista, mas um grande divulgador", sintetiza o estudioso e crítico de banda desenhada Leonardo De Sá.

Avery sim, konec não

Muitos anos antes de se tornar uma figura pública na RTP, Vasco Granja já era conhecido pela sua colaboração em jornais e revistas com artigos sobre cinema e banda desenhada.
No caso dos quadradinhos, destaca-se a participação no Tintin entre 1970 e 1982 (foi director na fase final da revista), onde animava uma rubrica de informação e assegurou, a partir de 1970, o correio dos leitores.
Mas não foi tudo, pois empenhou-se em divulgar o trabalho dos novos desenhadores. Pedro Morais foi um deles: "Em 1981 mostrei-lhe os meus trabalhos e ele quis logo publicá-los no Tintin. Depois dessa primeira história curta, seguiram-se outras, num total de 36 pranchas". Quatro anos mais tarde, Morais seria um dos autores convidados do programa televisivo Imagem e Imagens que Granja animava na televisão pública. "Cheguei a apresentar um dos filmes exibidos", recorda. Tal como se lembra de visitar regularmente a casa na Damaia (Amadora), onde comprava livros e revistas de banda desenhada que Vasco Granja importava do estrangeiro. "Fazer hoje banda desenhada tem tudo a ver com o facto de ter conhecido Vasco Granja e ser publicado por ele quando comecei a desenhar", garante Pedro Morais. O caso de José Carlos Fernandes, outro autor de BD, é distinto. "Cheguei tarde à banda desenhada e quando comecei, no início da década de 90, ele já tinha saído de cena. Mas eu tinha um amigo que comprava a revista e depois passava-a para mim. Eu lia tudo o que Vasco Granja escrevia e isso deu-me um substrato de informação que mais tarde me seria útil", diz.

Luís Louro cresceu a ver o programa de Granja na televisão. Gostava dos filmes de Tex Avery e detestava os konec [fim, em eslavo], expressão com que ele e os amigos identificavam a cinematografia dos países europeus do Leste. "Para mim, ele era o homem dos desenhos animados e só quando comecei a coleccionar a revista Tintin descobri que ele trabalhava lá. Anos depois pedi-lhe para prefaciar um dos meus álbuns da série Jim deI Mónaco. Aceitou logo."

O estilo peculiar de Vasco Granja no pequeno ecrã não escapou a Herman José, que o satirizou no programa Herman Enciclopédia (1997). "Era um homem afável, dócil, com muito sentido de humor e uma forte componente autocrítica", diz o humorista. Herman ficou bem impressionado pela figura de Granja que, diz, "sabia muito bem das dificuldades em impor a arte alternativa do cinema de animação de Leste a um mercado configurado pela fogosidade mainstream de Woody Woodpecker e Bugs Bunny – ele dizia Bágues Báne com um sotaque muito Lauro Dérmio que eu não me cansava de imitar...". Para Herman, Granja era "um aristocrata de esquerda", alguém que, "apesar de não ser fundamentalista nos seus gostos, tinha o coração decididamente a Leste".

A marca que Vasco Granja deixou em várias gerações de portugueses fez mudar o rumo de José Miguel Ribeiro, um dos mais premiados realizadores portugueses de filmes de animação. "A minha paixão surgiu um pouco por causa do que via na televisão. Não falhava um programa de animação e, para não perder nada, sentava-me em frente do ecrã quando o programa TV Rural ainda estava no ar. Fiquei a saber imenso sobre rega..." Durante uma hora, via coisas muito diferentes - "um filme de Mickey e a seguir outro com papéis recortados", recorda - que no televisor de José Miguel Ribeiro não tinham cor, mas a magia do movimento. "O mais importante é que permitiram a abertura da minha formação visual e a capacidade de aceitar e compreender coisas que não eram muito fáceis de apreender." Vasco Granja foi essa referência primordial que se prolongou pela adolescência, quando fazia filmes em Super 8 com os amigos, mas aparentemente se dissipou durante os cinco anos do curso de Belas Artes. Um dia, José Miguel Ribeiro cruza-se com um "amigo dos Super 8" que o convida para o programa Rua Sésamo. A paixão pelo cinema de animação reacendeu-se e quando descobriu que "se calhar podia viver e pagar as despesas" a fazer aquilo de que gostava, nunca mais parou.

Um lado humanista

Fernando Galrito lembra-se de ver nos programas de Vasco Granja "tudo o que era cinema experimental". Aos 16 anos encontra-se com ele e mostra-lhe um filme feito por si directamente em película que depois foi mostrado na televisão. O futuro realizador de filmes vai estudar para França e passa a encontrar-se regularmente com Granja no festival de Annecy, dedicado à animação. Tudo isso ajudou a dar forma às opções profissionais de Galrito, actualmente professor de Arte e Design e director artístico da Monstra - Festival de Animação de Lisboa. De Vasco Granja guarda "o lado bastante humanista" e a imagem de alguém interessado em dar oportunidades aos futuros autores, "um pai mais velho que conhece e acompanha os problemas de quem está no meio". Vasco Granja era um apresentador de conteúdos, um comunicador. "Esse formato infelizmente está morto ou adormecido", considera o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres. "É um modelo didáctico que é visto pelo seu conteúdo, por mais incipiente que seja o comentário." Daí o "fascínio" que os programas provocaram naquela geração. "É uma questão de gosto pessoal, claro, mas a mim irritava-me um pouco", comenta Cintra Torres. "Alguns daqueles filmes eram passados mais por razões políticas do que artísticas, ou seja, havia um desequilíbrio entre a produção da Europa de Leste e do resto do mundo. Era uma opção editorial, o que não tinha problema nenhum."
Hoje teria sentido um programa como aqueles? Sim, responde o crítico de televisão. "Há mais técnicas que permitem uma comunicação mais desenvolta, com outro embrulho, mas o modelo seria o mesmo. Se existem programas de informação, de notícias, por que não há-de haver outros? As pessoas gostam de ouvir histórias e basta arranjar um bom comunicador para isso. Fazem muita falta debates sobre cinema, literatura ou teatro e assegurá-los seria serviço público."

-------------------------------------------------------------------------------------

Nem de propósito (quase como uma homenagem a Vasco Granja pelo seu trabalho na Tintin portuguesa), eis que o Público e as Edições ASA vão lançar uma colecção de BD dos Grandes Clássicos do Tintin:

publico21.bmp
colec.jpg

Público • Sexta-feira 8 Maio 2009

GRANDES CLÁSSICOS DA BANDA DESENHADA EUROPEIA - A PARTIR DE 20 DE MAIO

Nova colecção com heróis da revista Tintin
Muitas das histórias nunca foram publicadas em Portugal. Outras só surgiram nas páginas do Tintin português ou em outras publicações periódicas

Carlos Pessoa

Os grandes heróis e as grandes aventuras da banda desenhada franco-belga estão de regresso. Uma selecção de 12 álbuns duplos, a distribuir com o PÚBLICO a partir de 20 de Maio, recupera para os nossos dias histórias, personagens e autores publicados, noutros tempos, pela revista Tintin. Há séries para todos os gostos: a ficção científica com Luc Orient, a magia dos contos de fadas com Clorofila, a viagem de descoberta com Jonathan, os desportos motorizados com Michel Vaillant, o suspense e a acção com Rock Derby. Mas há também o exotismo geográfico de Bernard Prince, a ironia british de Clifton, o regresso ao passado de Vasco, o humor latino de Spaghetti, a investigação policial de Ric Hochet, o western “etnográfico” de Buddy Longway e, por fim, as aventuras do século XIX de Lester Cockney.

São criações que, em alguns casos, nunca foram publicadas em Portugal ou que apenas surgiram nas páginas da edição portuguesa do Tintin ou em outras publicações periódicas.

Graças a esta edição conjunta com as Edições Asa, as aventuras antologiadas são resgatadas ao esquecimento, permitindo a novas gerações de leitores de histórias aos quadradinhos tomarem conhecimento com a enorme riqueza, qualidade e diversidade de uma época áurea da banda desenhada mundial.

Desde o seu aparecimento na Bélgica, em 26 de Setembro de 1946 – a revista teve uma edição simultânea em flamengo que se manteve até 1993, a versão francesa surgiria dois anos mais tarde, a 28 de Outubro de 1948, enquanto a edição portuguesa começou apenas a 1 de Junho de 1968 – o Tintin foi uma referência incontornável nas cinco décadas seguintes (o fim chegou em Junho de 1993).

Durante esse longo período, no qual conheceu diversos formatos e nomes (tendo mesmo passado por uma fusão das edições francesa e belga), a publicação contribuiu para a afirmação, desenvolvimento e expansão internacional da banda desenhada europeia.
Graças a essa dinâmica criativa e editorial, a matriz franco-belga dos quadradinhos conheceu uma evidente diversificação e maturação gráfi ca e temática, além de se ter tornado um importante negócio.
Pode dizer-se que há um “antes” e um “depois” do aparecimento da revista Tintin, em grande medida responsável pela formatação de uma estética bem identificável e pela conformação de um gosto de massas, traduzido num consumo generalizado de heróis e séries.

Por isso, a selecção de histórias que compõem a colecção Clássicos da Revista Tintin constitui uma amostra de alguns dos melhores heróis publicados. Alguns, de forma relativamente efémera e temporalmente delimitada. Outros, resistindo à erosão do tempo e mantendo-se vivos e actuais até hoje. Todos eles, sem excepção, traduzindo o pulsar de uma actividade criativa vocacionada para o mero entretenimento ou, na sua expressão mais ambiciosa, para a expressão de uma consciência individual e colectiva mais livre e responsável.

A colecção

20 de Maio
Luc Orient, de Greg
e Eddy Paape
Os Dragões de Fogo
Os Sóis de Gelo

27 de Maio
Clorofila, de Raymond
Macherot
Clorofila Contra os Ratos Negros
Clorofila e os Conspiradores

3 de Junho
Jonathan, de Cosey
O Sabor do Songrong
Ela ou Dez Mil Pirilampos

10 de Junho
Michel Vaillant, de Jean Graton
O 8.º Piloto
Suspense em Indianápolis

17 de Junho
Rock Derby, de Greg
Os Tubarões do Ringue
Os Ladrões de Bonecas
Pânico no Paraíso

24 de Junho
Bernard Prince, de Greg
e Hermann
A Fortaleza das Brumas
Objectivo Cormoran

1 de Julho
Clifton, de De Groot e Turk
Meu Caro Wilkinson
O Rapto

8 de Julho
Vasco, de Gilles Chaillet
O Ouro e o Ferro
O Prisioneiro de Satanás

15 de Julho
Spaghetti, de Goscinny
e Attanasio
Spaghetti e os Quadros a Óleo
Encontro de Ciclistas
Spaghetti em Paris

22 de Julho
Ric Hochet, de Duchâteau
e Tibet
Uma Armadilha para Ric
Hochet
Ric Contra “O Serpente”

29 de Julho
Buddy Longway, de Derib
O Vento Selvagem
O Manto Negro

5 de Agosto
Lester Cockney, de Franz
A Ruptura
Oregon Trail

-----------------------------------------------------------------------------------------

jnlogo19.jpg

Batman faz setenta anos
Homem-morcego surgiu pela primeira vez na revista "Detective Comics" de Maio de 1939

10 de Maio de 2009

F. CLETO E PINA

Há 70 anos, a revista "Detective Comics " publicava a primeira banda desenhada de Batman, um dos mais célebres, populares e rentáveis heróis da indústria dos quadradinhos norte-americanos.

batman.jpg

Na capa, estava impressa a data de Maio de 1939, embora alguns estudiosos afirmem que foi posta à venda a 18 de Abril ao preço de 10 cêntimos - que teriam sido um óptimo investimento para quem tivesse guardado um exemplar em bom estado, pois hoje facilmente atingiria os 300 mil dólares (cerca de 225 mil euros).

Essa primeira BD, "The Case Of The Chemical Syndicate", gráfica e narrativamente ingénua para os nossos dias, "Bat-Man", era apresentado como "uma personagem misteriosa e aventureira que luta pelo bem e derrota malfeitores" e investigava uma série de roubos e assassinatos. O seu lado negro já estava patente, como demonstra o comentário feito após lançar acidentalmente um bandido para um tanque de ácido: "Um fim perfeito para a sua laia"!

Por detrás do herói, combinação improvável de Zorro com Drácula e os policiais negros então em voga, estavam Bob Kane (1915-1998), desenhador e responsável por muita da mitologia da personagem, e Bill Finger (1914-1974), argumentista (raramente creditado) a quem se devem o tom policial e a sua identidade secreta, desvendada na penúltima vinheta: "Bruce Wayne, um entediado jovem milionário".

Em oposição aos sempre "bons" Superman/Clark Kent (criados um ano antes e a quem vinha fazer concorrência), em Bruce Wayne/Batman, a dualidade é gritante. O primeiro é um playboy milionário, atormentado pela morte dos pais e o desejo de se vingar contra o mal em geral; o segundo, é o instrumento dessa vingança. Por outro lado, ao contrário do "rival" Superman e de quase todos os outros super-heróis que se seguiram, Batman não tinha super-poderes, assentando a sua acção na inteligência, numa apurada forma física e numa vasta gama de acessórios científicos e tecnológicos, que evoluíram com a passagem dos tempos. Assim, a proximidade com o leitor de quadradinhos, ávido por escapes ao quotidiano do país saído da recessão e a caminho de uma guerra mundial, fez com que a sua popularidade disparasse de imediato. Por isso, a par do aliado Robin, introduzido um ano depois, sucederam-se vilões marcantes: Joker, Pinguim, Duas Caras... A sua estreia no cinema deu-se em 1943, interpretado por Lewis Wilson e Douglas Croft, e na TV em 1966, numa série de culto com Adam West e Burt Ward.

Na BD, para além de Kane, dois nomes ficaram especialmente ligados ao cruzado mascarado: Jerry Robinson, que amenizou o tom soturno das histórias com a criação de Robin, durante as décadas de 40 e 50, e Neal Adams, que recuperou o seu lado mais negro, nos anos 70.
Foi esse mesmo lado mais negro que o (então) genial Frank Miller explorou em 1985 em "O Regresso do Cavaleiro das Trevas", uma BD que fez disparar a popularidade de um herói então pouco mais que moribundo e mostrou - juntamente com "Watchmen" - que os comics também podiam ser lidos por adultos cultos e exigentes.

Depois dele, nada ficou como dantes, com muitos autores a explorarem um Batman cujas melhores armas são o medo e o terror, privilegiando os fins, sejam quais forem os meios para lá chegar, confundindo-se muitas vezes a sua metodologia com a daqueles que combate, muitas vezes no limite (apenas?) entre a legalidade e o crime, defender a lei e fazer justiça, a sanidade e a loucura.

-------------------------------------------------------------------------------------

Para terminar, um recorte do novo diário i, enviado pelo nosso amigo José Manuel Pinto:

ipratt.jpg

O desenhador de Veneza

HUGO PRATT nasceu em 1927 em Itália, mas cedo percebeu que as fronteiras não podiam travar-lhe a imaginação. A verdadeira formação como autor de BD recebeu-a bem longe, na Argentina. Foi por lá que aprendeu a usar a falta de dinheiro e a pressão do tempo em favor do desenho. A preto e branco, criou um traço próprio e introduziu um elemento poético na composição que lhe permitia sugerir tudo o que deixava por desenhar. Quando voltou à Europa trazia já o reconhecimento como desenhador.
Faltava que o conhecessem como autor. Em 1967, quando a banda desenhada ainda vivia confinada aos limites das 64 páginas, estilhaçou as convenções com a ''Balada do Mar Salgado", cuja história se estende por mais de 160 páginas e apresenta Corto Maltese ao 'mundo. As obras seguintes haviam de tomar-se mais complexas, com um especial cuidado na criação da personalidade de Corto: o tal que nunca toma partido mas acaba sempre ao lado dos mais fracos.
O sucesso proporcionou- lhe cada vez maior liberdade formal, que juntou ao rigor histórico, de que nunca abdicava na construção da trama, e criou as suas obras mais conseguidas, como "Corto na Sibéria", "Tango" ou "A Casa Dourada de Samarcanda". Mas é em 1980, quando cria Jesuit Joe, espécie de síntese de Corto Maltese e do seu amigo Rasputine, que consegue reunir de forma mais notável o seu desenho, cada vez mais despojado, e a personagem amoral que buscava desde o início. Morreu em 1995, na Suíça. Por ironia no mesmo país onde pôs Corto Maltese a troçar da morte.

Cristóvão Gomes
Escreve à sexta-feira

Publicado por jmachado em 09:05 PM | Comentários (64) | TrackBack

maio 10, 2009

TERTÚLIA BD DE LISBOA – 297º ENCONTRO – ANO XXIII - 5 DE MAIO 2009

Este post sobre o último encontro da Tertúlia BD de Lisboa, a 5 de Maio, é um pouco diferente do habitual. A costumeira reportagem fotográfica, por exemplo, foi desta vez transformada em vídeo, ainda que sem grande nexo, dada a nabice do autor, estreante no género. Depois, extraímos da Folha Volante #230 dois textos que nos parecem pertinentes: o primeiro, publicado no Jornal de Notícias de 21 de Abril (não assinado, mas escrito talvez por Pedro Cleto) fala do lançamento da colecção Lendas de Portugal em BD, um projecto de Rui Ramos (ou Rá), que esteve ligado ao Grupo Bedéfilo Sobredense e às Jornadas de BD da Sobreda, Teresa Cardia e Sara Coelho e que Geraldes Lino apresentou nesta TBD, conforme se vê no vídeo (curiosamente recorrendo ao pregão Ouçam, ouçam, ouçam!!!! Fazendo lembrar os pregoeiros medievais que nas praças públicas de antanho apregoavam as novas ou os decretos reais). O segundo texto é o de João Miguel Lameiras sobre Osvaldo Medina, que o Diário As Beiras de 4 de Abril passado publicou – porque não conseguimos este texto em tempo útil de o incluir nos nossos Recortes. Isto serve também para recordar que o fanzine BDpress (e actualmente os recortes do Kuentro) foi buscar o seu modelo às Folhas Volantes da TBD, como Revista de Imprensa sobre BD.

progr297.jpg

Ciclo: Nova BD portuguesa (*)

Convidado Especial

JOÃO LEMOS

João Miguel Pereira Lemos nasceu em Cascais, em 1977, e desde sempre se lembra de sentir vontade de desenhar, talvez porque. ao lÇldo dos livros de História Natural, Geografia e Antropologia que havia em casa dos pais, ele encontrava álbuns de banda desenhada com Astérix, Schtroumpfs, Marvel, DC, obras de Bilal, Pratt (obviamente. de Corto Maltese), Moebius, e também uma revista portuguesa. Selecções BD.
Estudou na Escola António Arroio, participou nos cursos de BD e Animação no CITEN (afecto à Gulbenkian), sendo o de BD dirigido por Diniz Conefrey.

Já exerceu actividades em diversas áreas, designadamente no Departamento de Pedagogia do Museu Nacional de Arqueologia, e como livreiro. Numa ida a Angoulême, em 2005, estabeleceu ligação com o mercado americano de
BD, graças a um portfólio entregue a Joe Quesada.

Em 2008 foi-lhe publicada nos EUA a história curta Dance,pela Hero Initiative. bem como o primeiro número de Avengers Fairy Tales. com argumento de C.B.Cebulski.
Está envolvido em vários projectos, sendo Shiki o de maior envergadura, em que o argumento é feito numa parceria entre ele e C.B. Cebulski.

Tem feito ilustrações para romances e antologias de Poesia de Frederico Mira George.

(*) Este ciclo, a decorrer permanentemente desde Junho de 1985, tem a finalidade de distinguir, com DIPLOMA DE INCENTIVO, gente mais nova da BD, a vários níveis:

1) Autores jovens em princípio de carreira, mas com obra publicada - embora
escassa - quer em fanzines, jornais, revistas ou, eventualmente, em álbum (por
edição alternativa, seja com apoio autárquico ou de empresa privada, até mesmo em edição de autor).

2) Autores que, independentemente da sua idade, só começaram a fazer BD em
data recente.

3) Autores que fizeram banda desenhada, de forma esporádica, há uns tantos
anos, tendo desistido da BD e optado por diferente actividade (Incentivo de tipo
retroactivo).

4) Autores já com obra significativa, mas demasiado novos para serem
homenageados.

bio297.jpg
Autobiografia do Convidado Especial.

jaoalemos.jpg
João Lemos durante a sua intervenção, quase no final do encontro tertuliano.

Gerldes Lino distribuiu as Folhas Volantes #229 e #230:

fv229.jpg
Folha Volante #229 - Pranchas Na Terra como no Céu (episódio A Abstinência), de Nuno Saraiva in Semanário Sol, revista Tabu - 4 de Abril 2009.

fv230.jpg
Folha Volante #230 - Diversos recortes.

Lendas portuguesas em banda desenhada

Três autores portugueses vão criar uma colecção de lendas do país em banda desenhada, essencialmente vocacionada para o público infanto-juvenil, estando o lançamento do primeiro número marcado para o próximo sábado (25 de Abril), em Monção.

"A nossa intenção é trabalhar uma lenda por cada concelho, embora isso, naturalmente, dependa da adesão das respectivas câmaras municipais", explicou, à Lusa, Teresa Cardia, uma das autoras da colecção. Além de Teresa Cardia, a equipa integra Rui Alves e Sara Coelho, elementos com formação académica em áreas distintas que vão desde o ensino e educação ao design, passando pela arquitectura, entre outras.

O primeiro número retrata a Lenda de Deu-La-Deu Martins, heroína de Monção que, graças à sua sagacidade, livrou o concelho do cerco montado pelo exército galego.

DESCOBRINDO UM GRANDE DESENHADOR

João Miguel Lameiras in Diário As Beiras – 4 de Abril 2009

Mesmo em tempos de crise como os que vivemos, há sempre espaço para o aparecimento de novos desenhadores. Osvaldo Medina, que esteve em Coimbra no sábado passado, na Livraria Dr. Kartoon, a autografar “A Fórmula da Felicidade", o livro que motiva este texto, é um desses novos desenhadores e um grande desenhador!

Fazendo parte do núcleo de artistas dados a descobrir pela editora Kingpin Comics, tal corno aconteceu com GEvan.., Carlos Pedro e Eduardo Rebelo na série "Super Pig" e Filipe Teixeira na série "CAOS”, Osvaldo Medina tem formação técnico profissional na área do desenho e trabalha em cinema de animação. Trabalhar em Banda Desenhada foi algo que pretendia fazer há muito tempo, mas que só agora teve oportunidade de concretizar; colaborando com o argumentista Nuno Duarte (ligado às Produções Fictícias) neste "A Fórmula da Felicidade ", que nasceu como projecto para um filme de animação e que acabou por se transformar numa história em BD. Uma história de quase noventa páginas, que é publicada em dois volumes por razões editorais (publicar a história toda num só álbum de mais páginas e preço mais elevado, implicava um investimento inicial maior e era comercialmente mais arriscado).

"A Fórmula da Felicidade" conta-nos a história de Victor, um génio da matemática enterrado numa aldeia do Baixo Alentejo, onde vive com a mãe, uma antiga hippie toxicodependente, e que um dia descobre a fórmula matemática da felicidade, para rapidamente se aperceber que é bem mais fácil transmitir felicidade aos outros do que obtê-la para si.. Um ponto de partida interessante para uma história bem escrita e bem contada, mas que, por vezes, resvala perigosamente para um neo-realismo feito de um quotidiano de miséria e desgraças tão cultivado pelo cinema português e também pela nossa BD (veja-se "Obrigado, Patrão", de Rui Lacas, que além da paisagem alentejana partilha com “A Fórmula da Felicidade" a máxima de que uma desgraça nunca vem só...). Um aspecto que o recurso a animais antropomorfizados para personagens em vez de humanos vem atenuar; dando à história um ar de fàbula e uma maior expressividade, para o que contribui muito a qualidade do desenho de Medina, bem servido pelas cores suaves de Ana Freitas. Claro que depois de "Blacksad", de Guarnido e Canales, é impossível contar histórias com personagens metade humanas, metade animais, sem ser comparado a "Blacksad", mas a verdade é que, de Walt Disney a Art Spiegelrnan, passando por Calvo, a Banda Desenhada tem utilizado este recurso com frequência e normalmente com bons resultados.

Mesmo que não saibamos ainda como a história vai acabar, o argumento consegue prender-nos de forma a querermos saber o que vai acontecer e o livro tem várias soluções narrativas muito interessantes, como na página 18, em que o cenário se dissolve gradualmente à medida que Victor esquece tudo o que o rodeia para se concentrar em Cláudia, a gata do bar, ou o magnífico plano sequência que ocupa toda a página 34.

Embora este seja o primeiro livro desenhado por Osvaldo Medina a chegar às livrarias, não é o seu primeiro trabalho em BD, pois antes disto já tinha feito, num registo gráfico completamente diferente, “A Minha Carne é Má", com argumento de Pepdelrey que, apesar de ter sido exposto no Salão de BD de Beja do ano passado e da edição em inglês ter estado à venda no stand da Chili com Carne em Angouléme, ainda não teve direito a chegar às livrarias nacionais. E, no Festival da Amadora, além do 2º volume da "Fórmula da Felicidade", sairá mais um livro desenhado por Osvaldo Medina, neste caso uma história de terror chamada "Mucha", com argumento de David Soares, que assim regressa à Banda Desenhada. Ou seja, não faltarão razões para ainda este ano voltar a falar de Osvaldo Medina, um (grande) desenhador a descobrir.

("A Fórmula da Felicidade" Val. 1de 2, de Nuno Duarte e Osvaldo
Medina, Kingpin Comics, 44 págs., 12,95 €).

Foi também distribuído o Tertúlia BDzine #139, com uma BD (Esta é a tua Morte) de Helder Jotta:

tbdz139.jpg

Reportagem video - clicar na imagem:

tbdz139video.jpg

O próximo post do Kuentro regressará aos Recortes, com mais material do jornal Público - Carlos Pessoa ainda sobre Vasco Granja e a nova colecção de BD a editar pelo jornal, com as Edições Asa. E também o texto de Pedro Cleto no Jornal de Notícias de 9 de Maio, sobre os 70 anos de Batman.

Publicado por jmachado em 07:17 PM | Comentários (43) | TrackBack

maio 07, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #50 - That's Konec, amiguinhos! - MAIS VASCO GRANJA NO PÚBLICO

Mais um texto no Público sobre Vasco Granja que, pela qualidade e intenção, não podemos ignorar:

publico21.bmp

cronica.jpg

Crónica sem dor

That's !Konec, amiguinhos!

Rui Tavares*

Quando a televisão e a banda desenhada eram os pratos principais da dieta cultural das crianças, na segunda metade do século XX, havia muitos adultos que lamentavam o facto e choravam pelo fim da "cultura escrita". Mas havia também quem defendesse que a "cultura visual" tinha os seus méritos, a sua história, a sua forma de nos introduzir à riqueza do mundo. Essa foi a missão de Vasco Granja.
A tarefa era dificultada por estarmos a falar de "artes menores" - se se tratasse de quadros em museus toda a gente entenderia melhor o argumento. Mas Vasco Granja fez a revolução que tinha a fazer com humildade e bonomia. De tal forma que há gente que ainda não entende o alcance dela.
O papel de Vasco Granja não foi trazer-nos o cinema de animação experimental ou o cinema de animação comercial. Foi trazer-nos o cinema de animação que ele achava inventivo, original, estimulante. Ele falava com o mesmo empenho e encanto de Tex Avery como do mais recôndito realizador checo, da Pantera Cor-de-rosa como dos filmes do canadiano National Film Board. Porquf;', para ele, todos mereciam o seu empenho e encanto.

Sim, muitos miúdos desesperavam por ver chegar a palavra "konec", que assinalava o fim das animações nas línguas eslavas, e entristeciam-se quando aparecia o "that's alIfolks!" com que terminavam as animações da Looney Tunes. Mas a ideia era mesmo essa: dar variedade, amplitude e pluralismo. Juntar a arte de vanguarda com a arte de massas, como talvez pensasse Vasco Granja, ou a alta e a baixa cultura, ou o divertimento fácil e o pensamento difícil, até ao ponto em que se tornasse claro que as fronteiras entre ambos são - sempre foram - incertas.
Vasco Granja já tinha feito isso com a banda desenhada, como vim a saber depois. Foi depois de ter já visto centenas de vezes os desenhos das revistas Tintin dos meus irmãos, quando me resignei finalmente a ler as páginas que pareciam enfadonhas, porque eram a preto e branco e "só letras". Foi então que descobri, entre o espanto e a admiração, que elas eram escritas pelo mesmo Vasco Granja, e que ele ali me explicava tanta coisa sobre os mesmos Hergé, EdgarPierre Jacobs e Goscinny que tinham feito as histórias com que eu me deleitava, e que ele ali entrevistava, biografava e analisava. Aquelas imagens eram o meu mundo, e afinal podia escrever-se sobre ele.

Talvez outros miúdos também tenham descoberto aí que é possível escrever sobre imagens. Que a cultura visual e a cultura escrita não estão em oposição. Que ambas, como a cultura musical, teatral, e outras, são assim como um comentário à abundância, ironia e diversidade da vida. E sim, que Vasco Granja tinha razão: pode ser-se culto visualmente. Uma cultura visual rica pode conduzir a um gosto pelas coisas bem feitas e bem desenhadas, imaginativas e belas. Uma cultura visual rica pode dar-nos um mundo melhor, e isso pode começar a um sábado de manhã, com uma selecção de obras de arte muito diferentes umas das outras. Algumas que nos fazem sorrir imediatamente. Outras que ainda não esquecemos anos depois.

Na caixa de comentários do PÚBLICO que deu a notícia do falecimento de Granja, um leitor escreveu "konec”. Um pouco mais abaixo, outro já tinha escrito "that's alI folks!". Para várias gerações de portugueses, essas palavras só querem dizer uma coisa: obrigado, Vasco.

(*)Historiador (ruitavares.net)


Publicado por jmachado em 10:49 PM | Comentários (48) | TrackBack

maio 06, 2009

BDPRESS - RECORTES DE IMPRENSA #49 - Carlos Pessoa (no Público, edição impressa e Pedro Cleto (?) no JN

Mudei o nome da rúbrica para BDPress - Recortes de Imprensa, por ser mais consentâneo com a ideia inicial de prolongar aqui no Kuentro a filosofia do antigo fanzine BDPress (de que fiz 15 números em 2004/2005, antes de me aventurar no BDjornal.

E temos então o texto de Carlos Pessoa na edição impressa do Público (como vaticinei ontem - ou anteontem, já que passa da meia noite e acabei de chegar do 297º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa). Um texto um pouco diferente - mais completo - do que foi já transcrito aqui (da edição Público online). E de seguida, a notícia do Jornal de Notícias, penso que de Pedro Cleto, embora não me tenha chegado assinada.

vgpubl1.jpg

vgpubl2.jpg

Público • Terça-feira 5 Maio 2009

MORREU VASCO GRANJA, O PIONEIRO DA DIVULGAÇÃO DO CINEMA DE ANIMAÇÃO E DA BANDA DESENHADA EM PORTUGAL

Carlos Pessoa

Os desenhos animados e os heróis aos quadradinhos entraram na vida de várias gerações graças a Vasco Granja. Morreu ontem de madrugada em Cascais

Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, morreu na madrugada de segunda-feira numa casa de saúde em Cascais. Tinha 83 anos. O corpo está em câmara-ardente na capela da Damaia e segue hoje para o cemitério de Rio de Mouro às 15 horas, onde será cremado.

José Garcês, autor de banda desenhada, o último amigo a vê-lo vivo, há cerca de 10 dias. Encontrou-o já muito debilitado e só a espaços parecia reconhecer as pessoas. Outro criador de banda desenhada, José Ruy, foi colega de trabalho de Granja na Bertrand. “Ele estava na secção de publicidade e eu na sala de desenho, que era ao lado. Criámos logo boa relação, pois tinha muito sentido de humor e manifestava um enorme entusiasmo pela banda desenhada franco-belga”. Recorda-o também em situações menos convencionais: “Ele era macrobiótico e passava a hora de almoço a dar voltas ao quarteirão e a comer amendoins. Brincávamos com isso”. O estudioso de BD Leonardo de Sá tinha 16 nos quando conheceu Vasco Granja. “Ele aparecia no recém-criado Clube Português de Banda Desenhada com material que importava do estrangeiro e deixava em depósito.
Era um tipo muito convivial.” Artur Correia, autor de BD e de cinema de animação, realça “o coração extraordinário” de Vasco Granja – “ele dava o melhor de si para ajudar os amigos” –, que conheceu no Festival de Annecy (cinema de animação, França) em 1967: “Fomos de Portugal no meu Volkswagen para receber o prémio pelo melhor fi lme publicitário, com “O Melhor da Rua”, e, quando chegámos, ele já lá estava.”
Todos são unânimes em realçar a importância de Vasco Granja na divulgação da banda desenhada e da animação.
“Introduziu o termo banda desenhada em Portugal”, lembra José Ruy.

E fala da presença televisiva de Vasco Granja, que “aproveitou os programas sobre cinema de animação para introduzir a BD portuguesa junto do grande público”. Artur Correia concorda e fala do “apoio” dado à criação portuguesa nos festivais de Lucca (BD, Itália) e Cinanima (animação, Portugal): “Nós brincávamos pedindo-lhe para não passar apenas filmes do Leste e ele lá ia buscar um Tex Avery ou um filme do Norman McLaren. Ensinava como se podia fazer um filme e lançou muita gente.” Já para Leonardo de Sá, Granja “desempenhou um papel importante ao aparecer numa altura em que não havia praticamente mais ninguém a falar de banda desenhada nos jornais”.

Cineclubista e militante

Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da sua vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, ainda muito novo, nos antigos Grandes Armazéns do Chiado, e depois ao balcão da Tabacaria Travassos, na Baixa lisboeta – “a minha universidade”, disse anos mais tarde.

No início da década de 50, envolve-se no movimento cineclubista, tendo desempenhado funções directivas no Cine-Clube Imagem. Granja foi preso pela primeira vez pela PIDE em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação, nomeadamente na sequência da descoberta dos filmes experimentais do canadiano Norman McLaren. No início da década de 60, arranja trabalho na Livraria Bertrand, onde se manteve até à reforma, em 1990.

É preso de novo em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. O seu nome está associado à divulgação da BD em Portugal. Utiliza esta expressão pela primeira vez num artigo publicado pelo Diário Popular em 19 de Novembro de 1966. Integra a equipa fundadora da revista francesa de crítica e ensaio de banda desenhada “Phénix”, nos anos 60, e participa regularmente no Salone Internazionale dei Comics, em Lucca (Itália), o mais importante encontro do género nos anos 70. Intensifica a divulgação da banda desenhada a partir do aparecimento da “Tintin” portuguesa, em Junho de 1968. Mas a presença televisiva de Vasco Granja, que moldou o gosto cultural de várias gerações, deu-lhe outra projecção e visibilidade. Depois de 25 de Abril de 1974, mantém uma presença regular na RTP até 1988, com os programas Cinema de Animação (1974-1976), Mestres da Animação (1977-1984) e Imagem e Imagens (1985-1988), num total de mais de 1000 emissões. Infelizmente, o registo completo desses programas não existe, pois eram compostos por peças (os chamados filmes em trânsito) que não podiam voltar a ser emitidas.

------------------------------------------------------------------------------------------

jnlogo19.jpg

MORREU VASCO GRANJA, CÉLEBRE DIVULGADOR DE BD

05-05-2009 - 00h30m

Responsável pela divulgação de milhares de obras de banda desenhada e de cinema de animação junto de sucessivas gerações de pessoas, Vasco Granja faleceu ontem de madrugada, na sua residência, em Cascais. Contava 83 anos.

A televisão tornou o rosto de Vasco Granja familiar para milhões de pessoas. No entanto, apesar de ter conduzido na RTP mais de um milhar de programas dedicado à animação, o seu interesse por esta arte surgiu muito tempo antes, quando lia as revistas "O Mosquito" e "Tic-Tac" e passava horas nos cineclubes.
A paixão foi alimentada pelo facto de ter acumulado vários empregos ligados à área: trabalhou numa casa de fotografia, numa tabacaria ou Armazéns do Chiado e, finalmente, na livraria Bertrand, onde permaneceu quase trinta anos e dirigiu a revista "Tintin".
Apesar da histórica ligação à RTP, na qual colaborou entre 1974 e 1990, a verdade é que a maioria destes programas, intitulados "Cinema de animação", terá sido apagada dos arquivos da televisão pública.

Parte do sucesso do programa deveu-se ao esforço de Vasco Granja em mostrar a animação que havia para lá das portas do castelo de Walt Disney. Foi desse modo que deu a conhecer personagens como Bugs Bunny e a Pantera Cor-de-Rosa, mas também histórias de bonecos de plasticina, sombras chinesas ou com ursos de peluche animados, a maioria das quais provenientes da então pujante cinematografia de animação do Leste da Europa.

A sua faceta de divulgador foi ainda mais notória na banda desenhada, devendo-se ao seu esforço continuado a publicação de "Corto Maltese", de Hugo Pratt, pela Bertrand.
Cinéfilo apaixonado e militante do Partido Comunista, Vasco Granja foi detido duas vezes pela PIDE por organizar sessões de cinema, muitas delas com filmes que ia buscar por conta própria às embaixadas em Lisboa.

Da sua actividade consta também o papel determinante no arranque do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que o homenageou com um troféu de honra em 1996, bem como a frequência dos festivais de BD no estrangeiro ou a organização dos ciclos de cinema de animação, dois dos quais para os detidos na Cadeia do Linhó.

O corpo do divulgador de BD estará em câmara-ardente a partir das 18.30 horas de hoje na capela da Damaia, na Amadora. O funeral realiza-se hoje às 15 horas, rumo ao cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo será cremado.

------------------------------------------------------------------------------------------

E, o último encontro do editor do Kuentro, com Vasco Granja, no Festival da Amadora de 2006, quando lhe oferecia o nº15 do BDjornal:
VG1.jpg

Termina-se com o cartoon do Álvaro publicado no blogue da Moda Foca:

ERA O PAI DELA...
VG2.jpg
Vasco Granja (1925-2009)

Publicada por Alvaro em 4 de Maio de 2009 - 23:58h

Publicado por jmachado em 12:51 AM | Comentários (23) | TrackBack

maio 04, 2009

RECORTES 48 - Carlos Pessoa no PÚBLICO online sobre Vasco Granja

publico21.bmp

VGRANJA3.jpg

Foi o primeiro a usar o termo "banda desenhada"

VASCO GRANJA MORREU ESTA MADRUGADA EM CASCAIS

04.05.2009 - 16h04 Carlos Pessoa

Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, morreu esta madrugada em Cascais. Tinha 83 anos.

Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da sua vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, ainda muito novo, nos antigos Grandes Armazéns do Chiado, e depois ao balcão da Tabacaria Travassos, na baixa lisboeta, que consideraria, anos mais tarde, a sua universidade. O seu interesse pelo cinema surge na adolescência e aos 16 anos chegaria a ser admitido como segundo assistente de fotografia no filme “A Noiva do Brasli”, de Santos Neves.

No início da década de 50 envolve-se no movimento cineclubista, tendo desempenhado funções directivas no Cine-Clube Imagem. Granja foi preso pela primeira vez pela polícia política do Estado Novo em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses e quando foi libertado voltou às suas actividades cineclubísticas e à divulgação cultural na imprensa. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação, nomeadamente na sequência da descoberta dos filmes experimentais do canadiano Norman McLaren.

No início da década de 60 arranja trabalho na Livraria Bertrand, onde se manteve até à reforma.
É preso de novo em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. Quando foi libertado, em 1965, Vasco Granja retoma a sua actividade cultural, com artigos nos “media” sobre cinema e literatura.
O seu nome é habitualmente associado à divulgação da banda desenhada em Portugal. O termo “banda desenhada” é, aliás, utilizado pela primeira vez por Granja num artigo publicado pelo “Diário Popular” em 19 de Novembro de 1966.

Integra a equipa fundadora da revista francesa de crítica e ensaio de banda desenhada “Phénix”, nos anos 60 e participa regularmente no Salone Internazionale dei Comics, em Lucca (Itália), o mais importante encontro do género nos anos 70.

Em Portugal, a sua actividade de divulgação da banda desenhada intensifica-se a partir do aparecimento da edição portuguesa da revista “Tintin”, em Junho de 1968, onde escrevia e traduzia artigo, além de ter a responsabilidade da secção de cartas aos leitores. Foi director da segunda série da revista “Spirou” (edição portuguesa) e coordenador da edição de banda desenhada da Bertrand. Animou o “Quadrinhos”, um dos primeiros fanzines surgidos em Portugal, em 1972. Esteve ligado à fundação da primeira livraria especializada de BD em Lisboa, O Mundo da Banda Desenhada, em 1978.

Em 1974 e 1975 integra o júri do Salão Internacional de BD de Angoulême. Depois de 25 de Abril de 1974, Vasco Granja mantém um programa regular sobre cinema de animação na RTP, que teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género. Estava reformado desde 1990.

---------------------------------------------------------------------

QUASE DE CERTEZA, TEREMOS AQUI, AMANHÃ, UM POST COM ESTA NOTÍCIA NO PÚBLICO IMPRESSO, MAS DESCULPEM LÁ, O VASCO GRANJA NÃO MORRE TODOS OS DIAS.... FELIZMENTE PARA ELE.

Publicado por jmachado em 08:21 PM | Comentários (25) | TrackBack

RECORTES 47 - EXPRESSO ONLINE ÚLTIMA HORA - MORREU VASCO GRANJA!

VGRANJA1.jpgVasco Granja (1925-2009)

expresso3.gif Online

OBITUÁRIO
Vasco Granja (1925-2009) « Obituário « Actualidade « Página Inicial |

Vasco Granja (1925-2009)

Afastado do pequeno ecrã desde 1998, Vasco Granja, ficará para a história como um dos maiores divulgadores de sempre da animação e da banda desenhada em Portugal.

Morreu hoje em Cascais aos 83 anos, Vasco Granja , um dos maiores divulgadores de sempre da animação e da banda desenhada em Portugal.
Ficará para sempre como uma referência maior para toda uma geração que se habituou a vê-lo nos ecrãs da RTP a apresentar, "Cinema de Animação", espaço de divulgação, durante cerca de 16 anos (e dez mil emissões), de cinema de animação proveniente de todo o Mundo.

Nascido em Lisboa em 10 de Julho de 1925, cedo abandonou a escola tendo começado a trabalhar aos 15 anos nos Armazéns do Chiado, onde era responsável pelas amostras de seda que eram oferecidas às clientes.
A paixão pelo cinema terá nascido ainda durante a infância, tendo integrado o movimento cineclubista em Lisboa, nos anos 50. Durante o Estado Novo , este movimento organizava a projecção de filmes obtidos através das embaixadas, ajudando a financiar a resistência ao regime fascista através da venda dos bilhetes.

Em 1952 e 1960 chegou mesmo a ser detido pela PIDE , devido à sua ligação ao PCP, tendo cumprido 16 meses de prisão no Forte de Peniche.
A seguir à revolução de 25 de Abril de 1974 , fez dos desenhos animados a sua vida, tendo ajudado e criar a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.
Em 1998, regressou por breves instantes ao pequeno ecrã, tendo participado no programa humorístico "Herman Enciclopédia" (veja o vídeo no final deste artigo), onde parodiou os seus próprios programas sobre animação.
O corpo de Vasco Granja estará em câmara ardente a partir das 18h30 de hoje na capela da Damaia, na Amadora.

O funeral realiza-se terça-feira a partir das 15h00 para o Cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo será cremado.

REACÇÕES

"Morreu um grande divulgador que para o melhor e o pior teve um trabalho de estímulo para artes que eram na altura consideradas menores, e que hoje não são assim tão menores. Foi um grande pioneiro."
João Paulo Cotrim, investigador de BD

"Foi uma figura de charneira e sempre que alguém tivesse um projecto na área do cinema de animação era a ele que recorria. Infelizmente, o seu trabalho não teve continuidade. O que as crianças vêem agora são enlatados de animação."
António Costa Valente, director do Festival de Cinema de Avanca

"Era uma pessoa discreta, recatada, mas uma referência. O contacto com ele foi sempre cordial. Encontrávamo-nos nos festivais de banda desenhada, apesar dele nem sempre aparecer."
Luís Louro, desenhador

VGRANJA2.jpg

Publicado por jmachado em 07:17 PM | Comentários (134) | TrackBack

RECORTES 46 - DE NOVO O SANDOKAN DE HUGO PRATT + PEDRO CLETO NO JN + PLAYBOY PORTUGA (Os Desatinos de Palmela Andrade, de Nuno Saraiva)

SANDOK1.jpg

2 de Maio 2009 Banda desenhada

O SANDOKAN INACABADO DE HUGO PRATT

Estiveram inéditas quase 40 anos.
Agora, as 64 pranchas estão prestes a chegar às livrarias italianas.

Lucinda Canelas

Quando Alfredo Castelli, autor e estudioso de banda desenhada, revelou ter descoberto há pouco mais de um ano 64 pranchas originais de uma versão incompleta das aventuras de Sandokan desenhada por Hugo Pratt em 1971, o mundo da BD reagiu como se tivesse sido encontrado um tesouro.
Hoje, quando a primeira edição destas duas histórias inacabadas “Tigri di Mompracem” e “La Riconquista di Mompracem” - se prepara para chegar às livrarias italianas (a versão em francês só é lançada no Outono), a expectativa é ainda maior.
Sobretudo porque Castelli, que está envolvido nesta publicação com a chancela da editora italiana Rizzoli Lizard, revelou apenas a primeira das pranchas desenhadas por Pratt, o criador do indomável e romântico Corto Maltese e do pragmático Sgt. Kirk.
Basta uma pesquisa rápida na Internet para perceber que há muitos leitores de BD que esperam ansiosamente "as novas aventuras" da personagem criada pelo escritor Emilio Salgari (1862-1911) e que, na versão de Pratt, tem a sua história contada pelo guionista Mino Milani.

Segundo o El País de ontem, e a avaliar pela primeira das 64 pranchas originais - a única que Castelli acedeu a mostrar -, o aspecto do Sandokan de Pratt nada tem a ver com o da versão cinematográfica e televisiva celebrizada pelo actor indiano Kabir Bedi. Nestas duas tiras já conhecidas, o autor italiano prefere representar o príncipe malaio – um homem corajoso que se insurgia contra a tirania britânica, tinha uma namorada chamada Marianna e um amigo português - sem barba, sentado numa cadeira de vime numa pose muito semelhante às que podemos encontrar no próprio Corto Maltese.

O Sandokan de Pratt-Milani foi uma encomenda do Corriere dei Piccoli, o célebre suplemento infantil do diário italiano Corriere della Sera. Quando revelou a sua descoberta, que só pensou em publicar depois de receber autorização da Cong SA, a sociedade que detém os direitos da obra de Hugo Pratt, Castelli explicou aos jornalistas que a obra se manteve inédita porque o autor italiano não conseguiu cumprir os prazos de entrega que os editores do Corriere dei Piccoli tinham estipulado.

Johnny Depp, o actor que dá vida a Jack Sparrow, o desarmante corsário dos filmes da série Piratas das Caraíbas, disse já ter ido buscar inspiração a Sandokan para compor a sua personagem. Poderá vir a ser Depp o autor do prefácio do Sandokan de Pratt na edição francesa.

SANDOK2A.jpg

SANDOK2.jpg

Imagens de capa e pranchas recolhidas pelo editor do Kuentro na net.

---------------------------------------------------------------------------------------

jnlogo19.jpg
PCLETO1.jpg
PCLETO2.jpg

----------------------------------------------------------------------------------------

De facto, na muito light Playboy portuguesa, grande parte do interesse vai para a BD de Nuno Saraiva (PALM! Os Desatinos de Palmela Andrade), claro.

PLAYB1.jpg

PLAYB2.jpg

Publicado por jmachado em 06:37 PM | Comentários (47) | TrackBack

maio 01, 2009

V FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA - NEWSLETTER 7 + GLÖMP NA BEDETECA DE LISBOA + A LIBERDADE É UM RISCO

VFIBDBVII.jpg

Exposições / Exhibitions

GARY ERSKINE
GARY ERSKINE.jpg

Nos últimos vinte anos passaram pelas mãos de Gary Erskine séries notáveis como Judge Dredd, Hellblazer, The Authority ou Justice Society of America, entre outras. Um autor polivalente que ultimamente nos tem mostrado o seu talento com Dan Dare, escrito por Garth Ennis e publicado com o selo da Virgin Comics.

O autor estará presente em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

Organização / Organization:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja

Parceria / Partnership:
Museu Regional de Beja / Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja

Apoio à divulgação / Mailing support:
Bedeteca de Lisboa / BdMania / Central Comics / Dr. Kartoon / Espaço VOL / Kuentro-Pedranocharco / Mundo Fantasma

Núcleos do Festival / Festival Spaces:
Casa da Cultura
Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago
Museu Jorge Vieira - Casa das Artes
Museu Regional de Beja

Contactos / contacts:
bedetecadebeja@yahoo.com
Tel.: 00351 284 313 312

Bedeteca de Beja
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800-508 Beja
PORTUGAL

----------------------------------------------------------------------------------------

Dia 9 de Maio aparecemos publicamente de "cara lavada"!

A Bedeteca de Lisboa andou estas últimas semanas a ganhar forças e a limpar a c asa . Assim sendo, teremos salas da biblioteca maiores, mais arrejadas e organizadas, equipamento novo para as edições e para o público - sobretudo para o mais jovem... E na sala de exposições teremos uma exposição "fora do normal" - seria estranho se não fosse fora do normal vinda da Finlândia!

GLOMP.jpg

Trata-se de "bd a três dimensões" (instalações, esculpturas, animações, costura) publicadas na antologia finlandesa "Glömp" com trabalhos de Sami Aho, Jan Anderzén, Roope Eronen, Jyrki Heikkinen, Reijo Kärkkäinen, Jarno Latva-Nikkola, Hanneriina Moisseinen, Tommi Musturi, Pau liina Mäkelä, Aapo Rapi & Sonja Salomäki, Anna Sailamaa, Katri Sipiläinen, Janne Tervamäki e Amanda Vähämäki.

Mais tarde, para Junho durante a Feira Laica teremos as visitas dos autores Benjamin Bergman, Jarno Latva-Nikkola e Tommi Musturi.

A exposição fica patente até 31 de Julho.
...
Sobre a "Glömp":
é uma antologia anual de BD finlandesa lançada desde o ano de 1997. A publicação começou como um pequeno fanzine fotocopiado que foi crescendo de número para número. Destinada a ser um fórum para novos artistas finlandeses a publicação rapidamente se transformou num livro internacional anual. Glömp é editado, concebido e publicado pelo Tommi Musturi, que também contribui na antologia como artista. A publicação não pretende ser temática no seu conjunto mas tenta encontrar coerência nos seus contribuintes. A intenção é fazer publicações honestas, boas e atemporais. O editorial incentiva os artistas a experimentar. Frequentemente descrita como sendo "BD poética", Glömp tenta esticar os limites de representação da BD, e ser uma plataforma livre para os artistas convidados. Após nove números, Glömp tem representado 93 autores nas suas 1260 páginas.

Bedeteca de Lisboa
Palácio do Contador-Mor
Rua Cidade de Lobito, Olivais Sul
Olivais
1800-088 Lisboa
Portugal

Telefone 21 853 66 76
Fax 21 853 21 68
web www.bedeteca.com
Horário 2ª/6ª: 10h-19h
Transporte Carris: 10, 21 ... Metro: Olivais (Linha Vermelha)

--------------------------------------------------------------------------------------------

LIBERRISCO.jpg

A LIBERDADE É UM RISCO

Amnistia Internacional e a FecoPortugal promovem
tertúlia e exposição no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
A Amnistia Internacional - Portugal e a FecoPortugal – Associação de Cartoonistas vão organizar uma exposição de cartoons e uma tertúlia para comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, dia 3 de Maio. Este Dia, instituído pelas Nações Unidas, é uma oportunidade para celebrar os princípios fundamentais da liberdade de imprensa, para defender os meios de comunicação de ataques à sua independência e é também um tributo aos jornalistas que perderam a vida no exercício da profissão.

Para marcar o Dia Mundial da liberdade de Imprensa realiza-se, no dia 3 de Maio, uma tertúlia sobre esta temática e simultaneamente inaugura-se a exposição de cartoons.

Com esta exposição pretendemos, através do Humor, fazer reflectir acerca dos valores supremos da comunicação em liberdade. A FecoPortugal lançou um desafio aos cartoonistas de todo o mundo pedindo que enviassem trabalhos subordinados ao tema "A Liberdade é um Risco". Como resposta recebeu a adesão de 203 autores, que enviaram um total de 438 cartoons oriundos de 52 países. Destes, um júri escolheu os 142 que serão expostos.

A exposição decorrerá de 3 a 30 Maio.

Tertúlia “Liberdade de Imprensa”
Data e hora: 3 de Maio às 16h30
Local: Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras
(Abre com um Rec i Tal de cerca de 30 minutos, mais ou menos, por Manuel Freire, cantor e tal)

Exposição “A Liberdade é um Risco”
Data: 3 a 30 de Maio
Local: Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Telheiras

LIBERRISCO2.jpg

Publicado por jmachado em 06:44 PM | Comentários (33) | TrackBack