Bibliografia Consultada:

CABELLO, JORGE (Direcção) - Grandes Museus de Portugal - Público Com. Social + Ed. Presença, Lisboa, 1992.

MACHADO, JOSÉ PEDRO - Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa - Livros Horizonte, Lisboa, 1987.

MECO, JOSÉ - Azulejaria Portuguesa - Bertrand Ed., Lisboa, 1985.

SIMÕES, J. DOS SANTOS - Azulejaria em Portugal nos Séculos XV e XV - Fund. Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1990.

Zul > Zulej > Az'lij > … Azulejo

Origem da palavra AZULEJO

A proveniência do termo levanta polémicas entre os etimologistas, porém, num ponto eles parecem concordar:

  • o substantivo Azulejo teria tido origem persa, de raiz mesopotâmica, no adjectivo Lazurd (azul) , que descreve uma pedra semipreciosa, de cor forte e já então conhecida e utilizada - o Lápis-lazúli.

> Do adjectivo Lazurd, que passou a Zul, derivou a forma verbal Zulej que define " um objecto polido escorregadio e brilhante " .

> De Zulej transformou-se, no Norte de África, em Zulij. Deram-se entretanto as invasões. E estes, no seu alcance territorial, foram deparando com os mosaicos latinos - as tessere - que muito os impressionaram e aos quais eles passaram a chamar Zulij.

> Foi de Zulij que saiu o substantivo Azzelij que, por comodidade fonética, haveria de se pronunciar Az'lij ou Az-zullaiju.

> É já esta forma que encontramos na Península Ibérica muçulmana até que, finalmente no séc.XIII, aparece o termo Azulejo, na sua forma definitiva.

A TÉCNICA TRADICIONAL

(Utilizada na Azulejaria Artística Guerreiro)

Embora haja várias técnicas para a fabricação, vidragem e pintura do azulejo, a técnica tradicional é ainda utilizada e pouco se alterou. Pode ser explicada pelas seguintes fases: preparação da pasta e conformação (chacota); vidragem e decoração; cozedura do vidrado.

  • A Chacota - é a base onde vai ser pintada a decoração, composta por argilas, caulinos, areia, calcite e dolomite, que, depois de homogeneamente misturados, dará uma pasta a ser conformada e seca. (Actualmente, na maioria dos casos, é comprada pronta para posterior vidragem.)

  • A Vidragem - esta fase tem por fim recobrir as peças de uma camada de pó (vidro) que lhes confere impermeabilização.

A Decoração - composição do desenho e da cor. Tintas à base de vidro.

  • A Cozedura - as peças são levadas a cozer, em forno especial sob altas temperaturas, por forma a possibilitar que o vidrado aplicado (à chacota e o das tintas) se funda e adira à peça, constituindo um só corpo.

Revestimento de Cozinha com azulejo de figura avulsa

Lisboa- Palácio Pimenta (séc. XVIII)

A partir do último quartel do séc. XVI impõe-se uma nova orientação estética, ainda ligada ao Renascimento. A Flandres (então província espanhola) recebera inúmeros ceramistas e oleiros italianos que aí divulgaram o azulejo. Quando, algum tempo depois, vários artistas flamengos emigraram para a Península Ibérica trouxeram na bagagem essas novas possibilidades técnicas além de um gosto renovado, devido à ignorância da intensa herança mourisca. Mantiveram, contudo, a monumentalidade alcançada pelos revestimentos destes azulejos e combinaram-na com os temas livres e erudizantes da nova estética, de onde resultaram painéis figurativos, painéis historiados e complexas composições ornamentais. Portugal não opôs resistência a esse fascínio, que rapidamente se espalhou.

Painel policromo do séc.XVI

Influência Flamenga

Embora  a sua origem não seja portuguesa, o azulejo foi, e é, uma das expressões artísticas que teve no nosso país um desenvolvimento intenso e, por isso, foi empregado culturalmente como em nenhum outro.

Na Península Ibérica, é bastante provável que o azulejo se tenha aplicado inicialmente na Andaluzia dos séc. XIII e XIV, quando começou a ser comum a decoração das construções com cerâmica (os alicatados - placas , em vários tamanhos, de barro vidrado de cor lisa, recortadas a alicate), na época hispano-mourisca que se intensificou no séc. XIV. Em Portugal, só em meados do séc. XV é que este tipo de azulejo é introduzido, sendo que as mais antigas referências escritas datam do séc. XVI, nos forais manuelinos.

Painel com as armas do

Duque D. Jaime de Bragança

( 1510 ) -técnica de aresta

O  AZULEJO - Uma das expressões mais populares e simultaneamente, mais requintadas da arte que se faz em Portugal.

   O azulejo tem raízes antiquíssimas e foi utilizado por muitos povos. Entretanto, parece terem sido os persas os primeiros a dar um carácter artístico a esse material, sendo, inclusive, os responsáveis pela origem da palavra azulejo . No azulejo, produzido por esse povo, bem como na sua cerâmica, predomina a cor azul. Tudo leva a crer que tenha sido deles que os bizantinos e os árabes os tomaram e, quando estes invadiram a Península Ibérica, trouxeram-nos consigo.

   A azulejaria é o ramo da cerâmica cujos produtos se destinam à decoração, no sentido estrito do termo e cuja aplicação é especificamente o revestimento de superfícies parientais: há normalmente, portanto, um contexto na sua aplicação, ao contrário da pintura, daí a sua importância na arquitectura

Azulejos Hispano-Árabes (séc.XIII)

Igreja Matriz de Alhos

Vedros

A  partir dos anos 30 a sua produção manual (pintura a pincel) diminuiu, devido à introdução de maquinaria e à incrementação de técnicas mais rápidas e baratas - entre outros factores - ,como a estampagem ou a serigrafia, o que, se por um lado, tornou o produto mais acessível, por outro, o industrializou.

No entanto, e sempre, alguns artistas lutaram, e lutam, por manter viva a tradição da pintura manual, como é o caso de Luís Guerreiro, que utiliza a técnica tradicional , adaptando-a tanto à temática popular como à Clássica (Linha Clássica), além da concepção de peças (painéis) únicas, de sua autoria, onde experimenta livremente a mistura de diversas inovações (Linha Livre).

Assistimos desde meados do séc. XVI e , principalmente, durante todo o séc. XVII, a um sistemático movimento do emprego de azulejos em proporções, perfeição técnica e riqueza decorativa que podem ser considerados notáveis.

É no séc. XVIII que a policromia de outrora (o azul, o verde, o vinhático, o laranja e os amarelos) cede lugar  ao azul cobalto e branco, sob a influência da grande quantidade de porcelana que nos chegava do Oriente, e os temas são historiados, agora, por representação da liturgia.

Ao longo do séc. XIX, a produção azulejar continuou a ser a base da expressão de vários artistas, tendo alcançado, nos primeiros 30 anos do séc. XX, uma qualidade excepcional, numa expressão tardia do Romantismo Português, como se pode confirmar na decoração das diversas estações dos caminhos de ferro existentes em Portugal.