Nº 28 Jan. 2012
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FCT inaugura Arquivo de Ciência e Tecnologia
17-12-2011 
 
Jornalista: Lúcia Vinheiras Alves / Imagem e Edição: António Manuel
© TV Ciência
FCT abre ao público e a historiadores Arquivo onde se encontram documentos dos últimos 50 anos sobre a história da política de ciência em Portugal e Mariano Gago cede dois núcleos do espólio pessoal.
Na data em que é inaugurado o Arquivo de Ciência e Tecnologia pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) é assinado um protocolo com o Professor Mariano Gago, antigo Ministro da Ciência, para a cedência de dois núcleos do espólio pessoal ao Arquivo da FCT.

Mariano Gago explica que num dos núcleos encontram-se «cópias da documentação que foi produzida para as Jornadas Nacionais de Investigação Científica e Tecnológica que juntaram a comunidade científica nacional em 1987. Houve sessões em todas as áreas, foram produzidos por muitos cientistas documentos para essas Jornadas, alguns dos quais foram distribuídos nas próprias Jornadas, não havia nessa altura internet. E essa documentação em papel ocupa muitas dezenas de pastas. É uma cópia de todas essas pastas que está aqui».

O outro núcleo «diz respeito à preparação que foi logo a seguir às Jornadas, daquilo a que se chamou o Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia que no fundo condicionou a atribuição de financiamentos e o desenvolvimento do financiamento por parte da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT), nessa altura, à Ciência em Portugal. Ai estão muitos documentos preparatórios: estudos, trabalhos prévios que foram feitos em diferentes áreas e que eu conduzi na altura enquanto Presidente da JNICT pedindo contribuição a muitas pessoas no país e no estrangeiro».

Para além da documentação que vai já transitar para a FCT há ainda muita outra que Mariano Gago pretende vir também a ceder para integrar o Arquivo de Ciência e Tecnologia.

«Progressivamente será o resto e o mais interessante certamente não está nesses dois núcleos principais. O mais interessante é com certeza tudo o que diga respeito a correspondência, a arquivo pessoal, notas, etc. Uma parte do arquivo fotográfico também o entreguei aqui na FCT», explica Mariano Gago.

O antigo Ministro explica que: «em todos os anos que estive no Governo procurei que este trabalho já não fosse preciso. Procurei que toda a documentação que existisse em forma de papel e que pudesse ser divulgada fosse editada e, portanto, foram feitas em todos os períodos que estive no Governo, foram feitos livros em pequeno número de exemplares que foram depositados em todas as principais bibliotecas públicas e foram feitos discos em formato digital que foram também distribuídos pelas bibliotecas», sendo que «desses períodos aquilo que há mais é correspondência de natureza pessoal e são notas pessoais, que têm de ser vistas uma a uma e que têm de ser juntas progressivamente até integrarem este Arquivo».

Para o tratamento de digitalização foi assinado um protocolo com a Fundação Mário Soares. João Sentieiro, Presidente da FCT explica que «o projeto é disponibilizar e dar a possibilidade de as pessoas consultarem via internet uma parte significativa dessas publicações. Podem consultá-las aqui diretamente, portanto, nós temos aqui instalações e Gabinetes onde as pessoas podem vir recolher documentação, estudá-la, tratá-la. Aceder a ela sobre forma digital ou mesmo em papel».

O Arquivo de Ciência e Tecnologia possui já mais de 40 mil pastas de documentos sobre muitas das ações administrativas de ciência. João Sentieiro explica que o arquivo «é muito variado. Estão desde, por exemplo, processos de bolsas de bolseiros da FCT. Está toda a documentação que resultou das decisões políticas que o Governo tomou sobre matéria científica, as Atas dos Conselhos Diretivos da FCT e da JNICT, onde foram tomadas decisões, estão as Atas dos Conselhos Científicos também que produziram pareceres sobre matérias diversas, estão os projetos que foram aprovados e os relatórios que foram feitos».

«Portanto, está praticamente tudo aquilo que a Fundação ou os seus antecessores JNICT e Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC) e outros Fundos, porque nós aqui juntamos para além dos fundos relativos ao INIC e ao JNICT, estão cá os Fundos da Junta de Energia Nuclear que estão a ser trados, os Fundos da Comissão Instaladora e da Comissão de Extinção do Instituto de Física de Partículas e está cá toda a documentação relacionada com a Comissão INVOTAN, toda a documentação relacionada com o Instituto de Cooperação Internacional em C&T, do Gabinete de Relações Internacionais de Ciência e Ensino Superior. Portanto, tudo o que foi acumulado ao longo destes anos e que estava disperso por armazéns em Lisboa, na Ajuda, em Queluz, na maioria dos casos sem sequer se saber exatamente o que é que lá estava, hoje está tudo identificado, tratado e preservado aqui neste arquivo central», explica o Presidente.

Para Nuno Crato, atual Ministro da Educação e Ciência esta informação é importante e vai permitir uma visão histórica dos últimos anos da ciência em Portugal.

«A Ciência é isso mesmo, é mostrar-se a si própria. É uma espécie de transposição do espirito científico de mostrar-se a si próprio que se passa aqui agora em relação a estes arquivos. A difusão à população e a toda a gente, neste caso sobretudo aos especialistas interessados dos documentos fundamentais da nossa história, é uma coisa fundamental para que se faça história e se perceba onde houve os sucessos e onde houve os insucessos. A história da ciência tem ainda um outro grande papel que é o papel de se mostrar como se faz a ciência e dar exemplos, dar referências aos mais jovens que começam a interessar-se pela Ciência. Isso claro que não surgirá diretamente dos arquivos daqui, mas o facto de se começar a estudar ciência e começar a estudar como se faz Ciência em Portugal e como se organiza a Ciência vai de certeza ser um dos fatores importantes para que haja mais interesse pela Ciência», afirma Nuno Crato.

Importa à Ciência não perder o passado, mesmo que ainda esteja presente em muitos dos intervenientes principais, para isso Mariano Gago, deixa uma sugestão.

«Se eu tivesse de complementar este aquivo e tudo aquilo que virá para cá com outra informação, sobretudo das últimas décadas, diria que aquilo que talvez seja importante vir a fazer é recorrer a instrumentos de história oral e enquanto as pessoas estão vivas e ativas, registar os seus depoimentos, porque para lá do que está escrito, há muito que nunca foi escrito».

Mas Mariano Gago acrescenta que «o outro aspeto é o da atividade científica que tem de ser escolhida, de alguns cientistas, que desempenharam ou tiveram um papel muito relevante para o desenvolvimento da Ciência. Estou a pensar num Corino de Andrade, em matemáticos iminentes em Portugal, etc. Pessoas que no momento em que foram mais ativos do ponto de vista da produção e da atividade científica tiveram um papel charneira e, portanto, compreender bem esses desenvolvimentos é importante para a própria história da Ciência».

Mas Mariano Gago defende que a recolha da memória científica deve envolver, e mesmo ser liderada, por os atuais atores que nas universidades e nos laboratórios coabitam com essa memória.

«Grande parte desse trabalho deve ser feito pelas instituições a que eles pertenceram. Porque em principio deve ser nas Universidades e nos Laboratórios em que eles estão que está grande parte dessa memória, e essa memória não é apenas os documentos que eles deixaram, é toda a correspondência científica que eles trocaram com colegas em Portugal e no estrangeiro, é o registo fotográfico do ambiente de trabalho, que raramente era feito na altura mas que por vezes pode-se encontrar ainda, é o relato oral quer dos próprios cientistas, quer dos colegas e antigos colegas. É o depoimento de pessoas de outros países que tiveram contato com eles. Tudo isso faz parte da história científica, propriamente dita, e esse trabalho é um trabalho que tem de ser desenvolvido», explica Mariano Gago.

Para impulsionar o interesse pelo estudo da história da ciência e da política de ciência, a FCT cria duas bolsas: uma de mestrado e outra de doutoramento. Bolsas a que deu o nome de José Mattoso para a investigação em história. O concurso para atribuição das bolsas deve ser aberto ainda em Dezembro de 2011.

(Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico)

(Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico)
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impulsionar o interesse pelo estudo da história da ciência e da política de ciência, a FCT cria duas bolsas: uma de mestrado e outra de doutoramento. Bolsas a que deu o nome de José Mattoso para a investigação em história. O concurso para atribuição das bolsas deve ser aberto ainda em Dezembro de 2011.

(Este texto foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico)