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Nº 2 - Março - 2007


EDITORIAL

 

 

Fernando do Carmo
Gabinete da RBE

 

 

Numa sociedade onde o acesso à informação e a capacidade de a usar é determinante para o progresso dos indivíduos e para a sua inclusão social, a biblioteca escolar é o lugar certo para o discurso das literacias e o espaço privilegiado onde se cruzam as actividades curriculares, extracurriculares e lúdicas.

 

O sucesso da sua missão depende de vários factores: das instalações, dos equipamentos, do fundo documental e essencialmente dos recursos humanos que a gerem e a utilizam e da sua plena integração no projecto de escola.

 

A biblioteca não é uma entidade independente e autónoma dentro da escola e a sua capacidade de resposta não se limita, nessa medida, às capacidades organizacionais, projectivas e executivas da equipa, pois está intimamente dependente da visão estratégica que os órgãos directivos (executivos e pedagógicos) têm da sua missão, no contexto global da escola, e da sua integração no apoio às actividades curriculares e extracurriculares que os professores projectam no desempenho da sua missão.

 

É do conhecimento exacto das responsabilidades que cabem a cada um destes actores na organização, gestão e utilização da biblioteca que resulta o êxito desta na formação dos alunos, no desenvolvimento das competências previstas no currículo nacional e na sua preparação para a aprendizagem ao longo da vida.

 

Passados dez anos temos que reconhecer que, apesar de muito se ter feito, continua na ordem do dia a necessidade de dar resposta, em termos de formação, quer a de nível superior quer a que diz respeito à formação contínua, a quatro níveis principais: aos professores que desempenham funções directivas (executivas e pedagógicas), “aos professores que integram a equipa educativa, ao professor que coordena essa equipa e aos professores da escola que têm de “aprender” a utilizar de modo adequado e pertinente, a biblioteca escolar”.

 

A carência de formação, nesta área, é transversal a todos os níveis de ensino embora - atendendo às diferenças resultantes da natureza da sua missão, do aprofundamento curricular, do nível das competências a desenvolver, da maturidade dos alunos e da complexidade dos meios e dos processos - existam alguns aspectos particulares a considerar nos diferentes níveis de ensino, mais ligadas à forma e às estratégias do que aos conteúdos.

 

A Biblioteca não existe fora do sistema educativo, do regime de autonomia e, por conseguinte, do regulamento interno, do projecto educativo, do projecto curricular, do plano de formação de escola e de aspectos essenciais de organização e gestão da biblioteca e da informação, bem como do seu papel no desenvolvimento do currículo e das literacias, nomeadamente da leitura e da informação e no desenvolvimento de redes internas, locais e exteriores à comunidade que a escola serve.

 

Qualquer plano de formação terá que ter em conta estas premissas e compete essencialmente às equipas e ao coordenador a sua implementação dentro da escola.

 

A formação contínua em contexto é aquela que melhor se adequa às necessidades das equipas e dos professores em geral. Na formação dirigida essencialmente às equipas e nas regiões onde os destinatários dificilmente permitem um número de formandos exigido pelas oficinas, círculo de estudos e projecto o estágio poderá ser a melhor solução, uma vez que pode ser realizado com 2 a 5 formandos e decorrer na própria biblioteca, o espaço ideal para as sessões presenciais e autónomas, permitindo uma metodologia que corresponda especificamente às necessidades dos formandos e da sua biblioteca, princípio básico deste tipo de modalidades.

 

Nesta Newsletter quisemos dar relevo à formação realizada, uma vez que no presente ano as bibliotecas escolares foram consideradas uma área prioritária de formação, a nível nacional, tendo o Gabinete elaborado um Plano de Formação para 2007, organizado em torno de quatro áreas essenciais, cuja análise podem seguir através do artigo de Odília Baleiro.

 

Os Centros de Formação e algumas Instituições de Ensino Superior e outras, têm correspondido, ao longo destes dez anos, às necessidades apresentadas pelas escolas e pelos professores e auxiliares de acção educativa, motivo que justifica o testemunho de algumas delas nestas páginas: Centro de Formação de Oliveira de Azeméis, Centro de Formação Maria Borges de Medeiros, Universidade Aberta e Theka - Projecto Gulbenkian de Formação de Professores para o desenvolvimento de Bibliotecas Escolares. A qualidade e a continuidade do trabalho desenvolvido justificam a sua presença, ficando de fora, no entanto, muitas outras instituições que teriam igual direito de se fazerem representar, mas o espaço e o tempo não o permitem. Mas outras oportunidades surgirão para aqui estarem.

 

Quisemos, também, destacar um projecto de grande sucesso que nasceu exactamente da formação empreendida no Centro de Formação João de Deus, no Porto, e que Adão Carvalho nos descreve. Gostaríamos de ver esta iniciativa multiplicada pelo país fora. O Gabinete constituiu um grupo de trabalho com o objectivo de criar algumas condições que estimulem o surgimento de projectos semelhantes.

 

As Bibliotecas Municipais, através do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE), têm desempenhado um papel importante na formação das equipas tanto a título formal, em parceria com Centros de Formação, como a título informal, por iniciativa própria. Poderíamos trazer os exemplos clássicos das bibliotecas pioneiras desta intervenção, fica para outra newsletter uma abordagem mais específica do que tem sido esse trabalho, hoje deixamos o testemunho de uma biblioteca de um concelho que estabeleceu recentemente (2005) protocolo com a RBE - a Biblioteca Municipal de Palmela.

 

Independentemente do que falta fazer, muito trabalho foi realizado nesta área, a prova desta afirmação é-nos dada no artigo do João Paulo Proença que, ao realizar o levantamento da situação dos Coordenadores e das equipas das BE, chegou a conclusões bastante positivas, pois traduzem o empenhamento e a aposta na qualificação que têm vindo a promover as equipas, nomeadamente os seus coordenadores.

 

Se este foi o tema mobilizador desta publicação, não quisemos, nem queremos, de futuro, deixar de incluir as secções das boas práticas e das boas páginas cujos exemplos são sempre fonte de inspiração para as equipas e material formativo por excelência. Um dos objectivos é exactamente a troca de experiências e de conhecimentos e o estímulo à participação das escolas.

 

Deixamos aqui o repto, enviem-nos uma pequena descrição das vossas actividades e e façam-na acompanhar dos materiais de apoio que produziram, num formato publicável e de qualidade.

 

Até à próxima newsletter, em Junho, entretanto ficamos à espera das vossas sugestões que podem enviar para Fernando do Carmo:

E-mail: fernando.carmo@rbe.min-edu.pt

Telef.: 213895197

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