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Nº 2 - Março - 2007

 

FORMAÇÃO DAS EQUIPAS  - PONTO DA SITUAÇÃO

 

Dados estatísticos sobre a formação, em BE, dos recursos humanos a exercerem funções nas Bibliotecas Escolares integradas no programa RBE, no ano lectivo 2006/07

 

 

João Paulo Proença
Gabinete da RBE

 

 

 

Este artigo teve por base a análise e tratamento de dois documentos com origem no Gabinete da RBE e aos quais foi solicitado, neste ano lectivo, o seu preenchimento pelo Coordenador da Biblioteca Escolar e Conselho Executivo: o primeiro diz respeito ao “perfil do coordenador” e do qual foram analisadas 1093 respostas (correspondente a 87% dos coordenadores). Deste primeiro documento fez-se a análise referente à formação dos professores coordenadores de todos os níveis de ensino. O segundo refere-se ao documento “recursos humanos” do qual foram analisadas respostas de 200 escolas (todas sem 1º Ciclo)1 o que corresponde a 21% das escolas integradas. Deste segundo documento, fizeram-se as análises referentes à formação da Equipa e Funcionários da BE.

 

 

1- Formação em BE dos coordenadores das BE

 

Gráfico estatístico sobre a formação dos Coordenadores das Bibliotecas Escolares

 

É significativo que, ao fim de dez de existência do programa RBE haja já cerca de 21% dos coordenadores com pelo menos uma formação, creditada, em BE com a duração de, no mínimo, 200h. Da amostra sobressai ainda que 9,7% dos coordenadores referem, explicitamente, ter uma formação correspondente a uma especialização, pós graduação ou mestrado em Áreas da BE e também que há um total de 83% dos coordenadores com formação contínua creditada em BE.

É digno de nota que não haja diferença significativa, no global, quanto à formação entre os docentes do 1º Ciclo e dos restantes níveis de ensino, apesar de os primeiros não terem as mesmas condições de trabalho na BE que os segundos2, já que se constata que 18,3% dos professores do 1º Ciclo têm, pelo menos, uma formação creditada com a duração de, no mínimo 200h, sendo este valor de 21,3% para os professores de outros níveis de ensino.

No entanto uma análise mais fina permite-nos verificar que a percentagem de formação especializada ou pós-graduada nos coordenadores do 1º Ciclo é de 6,4% contra 10,7% para os professores de outros níveis de ensino.

É interessante constatar que separando a amostra entre professores com zero a um anos de serviço em BE e com dois ou mais anos de serviço em BE se verifica que a formação em BE parece tornar-se uma aposta (e consequência também) para todos aqueles a quem são dadas condições de estabilidade no cargo3, pois é neste segundo grupo que a aposta na formação é mais significativa sendo de 25,2% a percentagem de professores com um nível de formação superior a 200 horas contra 6,11% nos professores com zero a um ano de serviço nas BE. É esta, quanto a nós, uma das explicações para que haja uma menor formação especializada ou pós-graduada nos coordenadores do 1º Ciclo, visto estes têm, em média, 2,3 anos de trabalho em Bibliotecas escolares contra 5,8 anos por parte dos docentes dos outros graus de ensino.

Por último, quanto à percentagem de coordenadores sem formação em BE, esta situa-se apenas em 17%, sendo notório que a realização de formação em BE, por parte dois coordenadores, está muito dependente das condições de estabilidade no cargo que lhe são oferecidas, pois, para os coordenadores com 2 ou mais anos de serviço em BE, a percentagem de professores sem formação é de, apenas 7,7%, subindo este valor para 48,1% nos professores que apenas se iniciaram no ano anterior ou neste, nas funções de coordenador da BE4.

 

 

2 – Formação em BE das equipas da BE

 

2.1. Docentes

 

Como foi referido acima, para esta análise, foram consideradas as respostas de 200 escolas do 2º e 3º Ciclos ou Secundárias, devido ao facto de a enorme maioria das escolas do 1º Ciclo, não ter podido constituir uma equipa para a BE:

Estas 200 escolas declararam ter um total de 574 professores a trabalhar na equipa5 da BE o que dá uma média de 2,9 professores por escola.

 

Gráfico estatístico sobre a formação dos professores das bibliotecas escolares 

 

Por comparação com os resultados obtidos para os professores coordenadores, podemos tirar as seguintes conclusões:

Apenas 2% dos membros das equipas refere possuir o grau académico de Doutor, mestre ou pós-graduado, contra 3% nos coordenadores.

Já quanto à formação especializada apenas 6% dos membros das equipas referem possuir este tipo de formação contra 18% dos coordenadores, sendo de referir que, no primeiro caso, o número de respostas se refere a apenas a formação especializada certificada e não a outros tipos de formação com mais de 200 horas (sem direito a certificado de formação especializada).

41% dos membros das equipas referem não ter formação em BE contra 17 % nos coordenadores. 

Em síntese, da comparação destes dados é muito claro que, quanto à formação em BE dos membros das equipas da BE, estes apresentam valores mais baixos. Estes valores ficam a dever-se, quanto a nós, à estabilidade que o cargo oferece, pois ao contrário dos coordenadores da BE a quem é dada uma maior estabilidade no exercício do cargo o que os motiva a fazer “carreira” e a se preocuparem com a sua formação, o facto de ser membro da equipa da BE ser uma tarefa menos estável e mais dependente das “contingências” da distribuição anual de serviço nas escolas leva estes professores a não investir na formação em BE por poderem considerar não valer a pena fazer esse investimento.

Esta conclusão pode ser confirmada pelo facto de 76% dos coordenadores estarem em continuidade de funções, pelo menos há dois anos, contra 59% dos membros das equipas que continuaram em funções na BE desde o ano lectivo anterior.

No entanto, não deixa de ser relevante referir que, apesar dos condicionalismos apontados, 60% destes professores já têm formação contínua e creditada em BE.

 

 

2.2. – Auxiliares de Acção Educativa

 

 

A amostra em análise foi, novamente, o universo de 200 escolas, pelos motivos já aduzidos. Estas 200 escolas declararam ter um total de 323 Auxiliares de Acção Educativa a exercer funções na BE (embora a exclusividade não seja total, pois das 35 horas do seu horário, apenas 30,6 horas, em média, são para a BE). Com este número de auxiliares de Acção Educativa, podemos obter uma média de 1,6 funcionários por Biblioteca.

 

Gráfico estatístico sobre a formação dos auxiliares de acção educativa das bibliotecas escolares

Parece-nos muito relevante que apenas um quinto das auxiliares não tenham formação em BE e que, aproximadamente, outro quinto desta amostra possua formação especializada para exercer funções na BE. Estes valores demonstram um investimento das escolas na BE, no respeitante às funcionárias, que pode ser manifesto, também, no facto de 87% das Auxiliares de Acção Educativa estarem em situação de continuidade de funções na BE, o que as leva (ou lhes foi imposto) a realizarem formação para o exercício destas funções.

 

Conclusão

 

Dos dados obtidos parecem-nos evidentes as seguintes conclusões:

1 – Há já um grupo muito significativo de professores e de auxiliares com qualificação de nível superior quanto a formação em Bibliotecas Escolares.

2 – A ordem de grandeza daqueles que, trabalhando em BE, não têm ainda formação específica para tal, anda na casa dos 20% à excepção dos membros das equipas das Bibliotecas escolares. Estes valores estão intimamente ligados com a continuidade em funções desses professores e/ou auxiliares. Àqueles que são dadas condições de continuidade é nítido um investimento dos próprios na formação em BE.

3 – Há já uma grande oferta de formação na área das BE, pois de outro modo não seriam possíveis valores de formação desta ordem de grandeza para docentes e Auxiliares de Acção Educativa.

 

Notas:

1. O facto de não terem sido consideradas as Escolas EB 1 neste estudo deve-se ao facto de a grande maioria delas não ter equipa constituída, nem funcionário adstrito à BE. Assim, quanto aos dados referentes ao coordenador estes foram obtidos através do 1º documento referenciado.

 

2. Ao coordenador da BE dos 2º, 3º Ciclos e Secundário é dada um crédito horário para o desempenho de funções na BE. É um facto que há docentes do 1º Ciclo com destacamento para acompanhar várias BE do 1º Ciclo, sendo que estes coordenadores correspondem a 51% do total da amostra do 1º Ciclo. Deste grupo a percentagem de coordenadores com pelo menos uma formação de 200h em BE é de 23,26% o que não sai fora da escala de valores apresentados.

 

3. Da amostra, 76% dos coordenadores têm dois ou mais anos de serviço em BE

 

4. Obviamente que seria desejável que todos os coordenadores tiverem formação em BE para poderem desempenhar melhor o seu cargo, mas também é conhecida a grande mobilidade dos recursos humanos nas escolas, o que leva a que a opção de realizar formação e fazer “carreira” na BE possa ser, para muitos, um sonho adiado.

 

5. Excluiu-se deste cálculo o coordenador da BE que teve um tratamento à parte.

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