Sexta-feira, Julho 22, 2005

As Fases Da Leitura De Uma Notícia Sobre Saúde 

Fase 1 - Interesse: "Uma jovem de 20 anos, de boas famílias entrou no Hospital às 4 da manhã com aspecto de ter snifado coca"









Fase 2 - Espanto: "A jovem afirma que foi violada pelo maqueiro de serviço enquanto aguardava numa maca no corredor do Hospital"





Fase 3 - Confusão: "Ouvida a secretária do assessor do chefe de gabinete do vogal da comissão, nesse dia o maqueiro de serviço era uma maqueira".





Fase 4 - Não percebo nada disto, um brilhosinho nos olhos para a gaja que está ao lado da notícia que estou a ler.





Fase 5 - Tribunal: Segundo apuramos a família vai levar o caso até às últimas consequências, pois não se admite que um jovem (que não quis ser fotografada) seja tratada assim. Como assim? A família vai fazer queixa na Paróquia de Cascais e aconselhar-se com o Pároco da Quinta da Marinha. só depois irão para o Tribunal.


Fase 6 - Não percebo nada disto, mas a culpa é do médico.






Fase 7 - Off: O Tio da jovem depois de "a culpa é do médico" lhe ter explicado que foram retirados dois vibradores daqui, um dali, outro dacolá e outro avulso.

Para Si, Intelectual Ansioso(a) Com A Febre Do Seu Filhote 

Leia este post de um jovem médico, ainda interno, mas que vai desabafando didacticamente aquelas noções básicas e importantíssimas que o comum dos mortais deveria saber, incluindo os meus amigos jornalistas... (que também têm filhos!)

Terça-feira, Julho 19, 2005

Atenção Médicos A Esta Linda Jovem 


Dela poderá sair um tiro certeiro............

Vou Comprar Um Colete À Prova De Bala 

Depois de ler a introdução a esta notícia do Diário de Notícias, tremi, chorei, e interroguei-me se amanhã deveria ir ou não trabalhar ou solicitar protecção para todos os médicos que, cada vez mais têm uma profissão de risco.

Não será esta notícia um incentivo ao crime? Ao assassínio? À justiça popular?

Que me diz a isto Ivone Marques, uma jornalista de quem gosto?


"O processo de Aida Edite dos Santos

"No outro dia, liguei para a TVI para dizer que percebo aquele homem que deu o tiro no médico para vingar a mulher. Se tivesse feito isso, já tinha saído da cadeia" O HCV não esclarece se houve inquérito interno para apurar responsabilidades "A actual Administração é absolutamente alheia à questão"


Em 21 de Outubro de 2004, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou a sentença de absolvição de dois médicos arguidos no processo de crime de homicídio por negligência de Aida dos Santos, morta em 25 de Novembro de 1995 devido a sepsis. A nulidade, suscitada por recurso dos filhos de Aida, assentou na inexistência de um exame crítico das provas que, nas palavras dos juízes da Relação, permita que "qualquer pessoa siga o juízo e presumivelmente se convença como o julgador". Ou seja, a absolvição não está fundamentada.

De facto, mesmo para um leigo, [deve ser o jornalista com saudades da Inquisição] a sentença evidencia aspectos contraditórios.

Pela leitura retiro uma conclusão: se até para os doutos juízes houve dificuldade em atingir as mesmas conclusões, o que compreendo, porque na realidade a Medicina não é bruxaria e nunca se adivinha o minuto seguinte a um qualquer procedimento, para o jornalista tudo se resolve com tiros e mais tiros.

A jornalista chama-se Fernanda Câncio.

Terça-feira, Julho 12, 2005

A Gale(rinha)ria da Fama 

A Sandra instrumentalizando o jornalista que está escondido. Será este jovem de cabelo liso? Ou será este o diabético? O jornalista escondido, poderia ser outro nome para este post...


O Jornal de Notícias E Este Jornalista Estão A Cometer Um Crime Contra A Ciência 

do qual podem resultar várias mortes!

É um artigo demagógico, mentiroso e coloca em risco todos os diabéticos jovens que podem morrer se abandonarem a terapêutica e seguirem o "jornalista" Carlos Rui Abreu.

Mais uma vez lá está a conta bancária.... e o jornalismo de m****.

Vou continuar a hibernar... e viva a Câmara de Fafe, pois com Fafe ninguém fanfa, nem o Carlos Rui Abreu!

"Criança diabética sem dinheiro para tratamento
apelo David Faria tem melhorado graças a medicina natural
Câmara Municipal impossibilitada de comparticipar

Família olha com cepticismo para o futuro de David Faria


Carlos Rui Abreu"

"Os médicos dizem que se o David continuar assim morre". A situação de David Faria com 14 anos, de Fafe e diabético desde os sete é preocupante, mas um tratamento baseado em produtos naturais está a dar os primeiros sinais de esperança a esta família que luta com todos os meios para conseguir pagar os tratamentos. "O David está a reagir muito bem a estes tratamentos, os valores têm baixado, ele está melhor, mas nós não temos dinheiro para continuar com isto", confessou ao JN Sandra Faria, irmã de David.

Este tratamento natural, de que a irmã teve conhecimento através de colegas de trabalho, é visto pela própria como a última solução para um caso que já foi acompanhado por clínicos do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, de onde o David saiu "zangado com o médico", e Hospital de S. João, sem que surgissem resultados práticos. A ausência de resultados é, em parte, da responsabilidade do próprio David. "Ele, fruto da idade, nunca aceitou a doença e cometia muitas asneiras com a alimentação fora de casa", explicou Sandra Faria.

Agora, com a mãe reformada por invalidez e o pai a auferir um rendimento de cerca de 500 euros, a família não está a conseguir suportar o encargo deste tratamento que fica em média por 250 euros mensais. "Já abrimos uma conta e estamos abertos a todo o tipo de apoio, porque este tratamento não tem limite para terminar e eu vejo-o como a única forma de manter o meu irmão vivo", apelou Sandra Faria. A conta de solidariedade está já aberta na CGD 003503000008010790096.

David Faria não será ajudado pelos serviços de acção social do Município de Fafe. O vereador Raul Cunha rejeitou dar qualquer apoio a este jovem, "porque é uma medicina alternativa e não temos competências para suportar". Para Raul Cunha o sucesso que este tratamento natural está a ter deve-se simplesmente "à motivação psicológica que a medicina natural pode causar", uma vez que as pessoas que ministram essa medicina natural "foram mais eficazes para ultrapassar a barreira psicológica que essa criança tinha".

Raul Cunha falou ao JN como vereador da autarquia fafense, mas na sua qualidade de médico tem "dúvidas de que esse tratamento natural seja útil para o doente a não ser na questão psicológica".

O vereador lamentou ainda que "os médicos que acompanham o jovem não fossem informados
".

Quinta-feira, Julho 07, 2005

Terror. Terrorismo. 


Quarta-feira, Julho 06, 2005

Nem a hibernar me deixam descansado! 

O melhor jornal português para usar na casa de banho de alguns hospitais que não estão completas, postulava ontem em grosso título:

"A Medicina portuguesa na lista negra da Europa", a propósito de um aspecto particularíssimo da Medicina.

Como prémio ao jornalista, ofereço este bilhete sobre chupões e que me deixem hibernar sossegado...

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Terça-feira, Junho 28, 2005

Não Vejo Nada ... 


Espreitadela 


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Domingo, Maio 29, 2005

Hibernação 

O Médico Explica Medicina A Intelectuais iniciou um período de hibernação com a sensação de que as suas explicações em nada contribuiram para a diminuição dos elevados índices de iliteracia científica...

Segunda-feira, Maio 23, 2005

"Relação de especial intimidade entre os médicos e os jornalistas" 

Dr. Francisco George, no jornal Tempo Medicina

A recente ameaça de gripe das aves serviu de mote à discussão sobre a problemática da comunicação do risco. Na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), médicos, responsáveis oficiais e jornalistas debateram formas de conseguir alcançar com êxito a difícil meta de informar sem alarmar.
No passado dia 18, a ENSP, em Lisboa, promoveu um painel debate sobre as dificuldades de comunicar em Saúde. Intitulado «Percepção do risco e comunicação em Saúde Pública – A gripe das aves», o evento partiu desta ameaça de pandemia para pensar a complexa problemática.
Integrado no curso de Mestrado em Saúde Pública da escola, o debate foi moderado pela Dr.ª Antónia Frasquilho, psiquiatra e Mestre em Pedagogia da Saúde. Neste painel participaram dois jornalistas – Manuel Acácio, da TSF, e Madalena Augusto, da SIC Notícias – e dois representantes de entidades oficiais, o Dr. Francisco George, Subdirector-Geral da Saúde, e a Prof.ª Teresa Paixão, virologista do Instituto Nacional de Saúde do Dr. Ricardo Jorge (INSA). Além destes, também deram os seus contributos o Prof. Paulo Moreira, especialista em Comunicação em Saúde, e a Dr.ª Isabel Marinho Falcão, que apresentou um estudo do INSA acerca do conhecimento da população portuguesa sobre a gripe das aves (ver caixa).
A moderadora abriu o debate enumerando quatro das muitas razões que explicam por que é importante que os especialistas e responsáveis da Saúde se aliem aos media, na comunicação de situações de perigo para a Saúde Pública. «Quando estamos perante uma situação de risco em Saúde, é preciso difundir a mensagem, ampliar o seu impacte, trabalhar com profissionais qualificados e também tonificar o impacte da notícia. Ora, os jornalistas são as pessoas indicadas para o fazer», afirmou a Dr.ª Antónia Frasquilho.
Contudo, nem sempre a comunicação do risco se processa da melhor forma, falhando sobretudo o último tópico mencionado, como demonstrou a moderadora, dando exemplos de notícias sobre a gripe das aves veiculadas pelos media nacionais. Segundo a Dr.ª António Frasquilho, «o medo e a dramatização são inimigos da boa comunicação do risco», enquanto o conhecimento e a sabedoria são os seus melhores aliados: «É importante informar, mas também é essencial criar conhecimento e ir para além do racional, ou seja, fazer a gestão das emoções. A contenção da população, a serenidade, são fundamentais e é aqui que a ética intervém», disse.
Já a Prof.ª Teresa Paixão, que expôs alguns factos e números da história da gripe das aves, sublinhou que esta «é uma realidade e um problema de Saúde Pública mundial, para o qual é preciso uma conjugação de esforços».

O desafio da nova Saúde Pública

O Dr. Francisco George defende que a «nova Saúde Pública» deve estabelecer com os meios de Comunicação Social uma «relação de especial intimidade». Segundo o Subdirector-Geral da Saúde, esta ligação tem que ser reforçada, até porque fenómenos como a gripe das aves, a SARS ou as ameaças bioterroristas «colocaram a Saúde Pública na linha da frente das preocupações nacionais e mundiais».
Por tudo isto, é essencial garantir a correcta informação à população, de modo a evitar o empolamento do problema. O Dr. Francisco George defende, nesse sentido, a disponibilização de informação, através da internet e de linhas telefónicas próprias e sempre disponíveis, mas esta deve funcionar apenas como um complemento do «imprescindível» trabalho efectuado pela Comunicação Social. «Sem os media não há comunicação do risco, nem adopção de medidas de Saúde Pública», sublinhou o responsável.
Já os jornalistas salientaram a importância de haver especialistas disponíveis para explicar os fenómenos e esclarecer a população, em tempo útil, uma das maiores dificuldades do trabalho jornalístico. «Nós temos uma pressão enorme em termos de tempo, e nem sempre os profissionais de saúde estão disponíveis para falar, quando uma notícia rebenta nas redacções. E nós precisámos de avançar a informação», explicou Madalena Augusto, que sublinhou a importância de media e especialistas de saúde fomentarem a referida «relação íntima». Por seu turno, Manuel Acácio frisou que «para os jornalistas, também é um risco dar notícias de saúde», pois estas têm um enorme impacte na opinião pública. Além disso, os dois profissionais da Comunicação Social alertaram para a importância de os especialistas de saúde saberem adaptar o seu discurso ao órgão para o qual estão a falar e terem em conta que quando se fala para as «massas» não se pode usar o «médiquês» e é preciso simplificar. «Tal como nós temos de saber fazer as perguntas certas, o lado da Saúde tem que ter a sabedoria de saber comunicar», afirmou o jornalista da TSF.
Por fim, o Prof. Paulo Moreira contou a sua experiência como relações públicas de um hospital para demonstrar que a comunicação de uma instituição de saúde deve ser não só reactiva, mas também pró-activa e que, em caso de risco ou crise, aquela deve estar preparada para reagir, 24 horas por dia, se necessário.

Maria F. Teixeira

Sexta-feira, Maio 13, 2005

Com A Falta De Inspiração Primaveril... 

iniciam os doentes a sua colaboração literária neste blogue.

Mas ao lerem, tenham em atenção que (eu sei Catarina II que não gostas que eu diga isto, mas tu ainda estás no início da profissão e para ti tudo ainida é poesia!) são estes doentes as grandes fontes de informação dos nossos jornalistas.

Primeira colaboração:

- "Senhor doutor meti um continente no ouvido e derramou logo sangue!"

Assim explicava a sua hemorragia traumática do canal auditivo externo.

Sábado, Maio 07, 2005

É Tão Fácil ... Não Morrer Aos 56 Anos 

... por lesões coronárias graves.

Há quanto tempo não mede a sua pressão arterial, só pedimos 2 x ano, para os saudáveis. Se for portador de doença hipertensiva, não esqueça que a terapêutica é diária e vitalícia (no actual estado do conhecimento científico).

E o colesterol? Sabe quais são os seus valores? Só pedimos o controle anual para os saudáveis. Para os outros depende do seu médico. Mas se tiver colesterol superior a 190 mg/dL, já sabe pode estar em risco de vir a padecer de lesões coronárias graves e das suas consequências.

Falar do tabaco diário? Não falo.

Admirava-o. É pena desaparecer.

Que o seu desaparecimento sirva para que amanhã alguém se dirija ao seu médico de família e peça uma análise ao colesterol. E meça a sua pressão arterial.

Não custa nada.

É pena que o "folclore" das picadas no dedo a que se assiste actualmente não se dirija a quem precisa. Não se dirija aos grupos de risco ainda não diagnosticados com factores de risco.

Não é a primeira vez que faço um post sobre alguém vip que desaparece precocemente por doenças evitáveis.

Não sei se você não será o próximo.... e os jornalistas serão um grupo de risco para a doença coronária.

Domingo, Maio 01, 2005

Do Interior Do Centro De Saúde De Cabeceiras De Basto 

J. S., habitual leitor deste blogue enviou-me esta mensagem:


----- Original Message -----
From: xxxxxxxxxxx@clix.pt
To: xxxxxxx@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, April 30, 2005 9:35 AM

"Só uma dica.

É mais um caso de guerrilha política (PS - autarca versus PSD - Directora do CS).

O caso já se arrasta há muito tempo com a divergência sobre a construção do Internamento do CS (recuperação do actual que está instalado num edifício da Misericórdia e em parceria com esta, já a pensar num regime de internamento para cuidados continuados, onde funciona o SAP - defendido pela Sub-Região e Directora do CS e um novo internamento em edifício anexo ao novo CS - defendido pelo autarca).

Os processos de "negligência" correm normalmente (inicialmente era 1) agora passam a 4, segundo parece, instigados pelo autarca.

Saúd...ações."


Senhores jornalistas façam jornalismo de investigação, não jornalismo de "pespegação"

O Conselho Regional Do Norte Da Ordem Dos Médicos A Reboque Da Comunicação Social 

O jornal "Tempo Medicina" também com a mesma agenda da comunicação social generalista escreve que o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos "pede intervenção do Colégio de MGF para verificar as condições do exercício da profissão médica no Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto"
É estranho que só agora o CRM da Ordem do Médicos se lembre de vir para a comunicação social pronunciar-se sobre assuntos que desconhece, representando com esta atitude mais uma "acha para atear a fogueira da negligência médica".
Melhor esteve o bastonário que não se pronunciou, não alimentando assim a especulação.
Era bom que os senhores jornalistas investigassem quem é o senhor que despoletou isto, que interesses se escondem por trás e que outras situações se passam em Cabeceiras de Bastos para o senhor prusidente ficar de repente tão interessado na negligência médica.
Preocupado ficava eu agora, pois nenhum médico pode actuar livremente e usar o seu raciocíneo clínico hipotético-dedutivo com o peso da suspeição em cima.
Se mais informações houver, serão partilhadas com os leitores.

Sexta-feira, Abril 29, 2005

O Folclore, O Comércio E A Ciência Lado A Lado Na Comunicação Social 

Feiras da Saúde. Coimbra. Tecnologias da saúde, brincar aos médicos, fazer diagnósticos displicentemente. Fomentar a ansiedade e depressão, para depois "parangonar" que se consomem muitos antidepressivos. Investigação sobre a influência do ruído ao nivel das células humanas e pulmões. Células estaminais. Guarda, compra, vende e troca.

Só que floclore ouve-se várias vezes e a ciência passa apenas uma vez e às 15 horas de Domingo.

Mas às 20 horas fiquei a saber que numa aldeia perdida da Eslovénia se fabricam sapatos ....

Terça-feira, Abril 26, 2005

Visícula!? Oh Senhores Jornalistas… 

… de tanto trabalhar para as classes mais desfavorecidas (para ser politicamente correcto) já a vossa linguagem se confunde com a do povo.

Visícula”!? “Escuzou-se”!?.
Oh Meu Deus! Já não chegam os dislates científicos. Agora são os dislates na nossa querida Língua Mãe.

E a notícia também mudou, como o vento: agora já não são 4 mortes 4, em 4 anos 4, mas 3 mortes 3, em 2 anos 2!

Senhor jornalista (que não assinou o artigo!) fique a saber que vesícula ambulacrária é uma das vesículas existentes na base dos pés ambulacrários dos equinodermes. Percebeu? Não. Está no dicionário. Se não fosse a sua asneira eu também não sabia que existia uma vesícula ambulacrária.

Mas a vesícula que nos interessa é a vesícula biliar.

Mas o senhor jornalista do SAPO/SIC pespegou o que ouviu: VISÍCULA ... e assim enganou milhares de leitores.
Que sorte as notícias não colocarem a nossa vida em perigo, senão veja lá quantos não teriam morrido já…

E para os intelectuais que procuram o esclarecimento científico, sempre digo que todas as doenças têm aquilo a que nós, os médicos, chamamos diagnóstico diferencial: e no caso de muitos doentes com suspeita de enfarte agudo do miocárdio, o diagnóstico diferencial da dor é feito com algumas doenças da vesícula, como colecistites, litíases biliares com cólicas ou outras patologias do foro biliar ou digestivo.

Vem nos nossos livros, não é invenção minha.

Acordar Ao Som Da Música "Negligência Médica" 

Está nos tops.

Até a TSF me acorda com a "caxa": 4 mortes 4, 4 mulheres 4, em 4 anos 4.

Isto é: a "negligência médica" agora é por grosso e retroactiva. Para a TSF, com uma reportagem e uma jornalista fazem 4 notícias 4.
"No poupar é que está o ganho", lá diz o nosso povo.

Não me pronuncio sobre se houve ou não negligência ou erro porque não tenho qualquer dado: apenas uma dor numa perna, um enfarte, uma provável peritonite e um feto morto "in-utero".

Pronuncio-me sobre os métodos. Agora entrevista-se o senhor presidente da câmara sobre as 4 mortes 4, 4 mulheres 4, em 4 anos 4.

Acreditem que me custa falar na morte.
Há 4 famílias de luto, a comunicação social explora desbragadamente estes sentimentos. Subiu-se de nível e entrevista-se, agora, o presidente da Câmara sobre se há ou não negligência médica.

Como o caso parece muito grave eu proponho ao senhor presidente que, até esclarecimento total se tomem as seguintes medidas:

1) encerramento imediato do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto até conclusão do inquérito e como medida preventiva.

2) impedimeto de todo o corpo clínico do referido centro de saúde de exercer quaquer acto médico até esclarecimento total, por um período nunca inferior a três anos.

3) aproveitar este período de três anos para facultar cursos, simpósios, congressos, jornadas credíveis aos médicos.

4) pagar de imediato e sem necessidade de receita médica, a cada habitante de Cabeceiras "uma restonância magnestética", "um taco ao corpo todo", "análises a tudo", "um antibiótico forte preventivo contra tudo" e "uma ida ao hospital de Braga, Guimarães ou Penafiel para todos os doentes que mostrem interesse nisso".

5) iniciar rapidamente a substituição de todos os médicos do referido Centro de Saúde por homeopatas, osteopatas, acupunctores, especialistas em musicoterapia e azinoterapia, florais de Bach, médicos tradicionais da China e África. As vagas restantes podem ser preenchidas pelas bruxas, endireitas e meninos-santos da região.

6) Ao fim destes três anos reformar compulsivamente a totalidade dos médicos do Centro de Saúde de Cabeceiras de Basto com o ordenado integral.

7) Propor à Ordem dos Médicos, por indicação da Inspeção-Geral de Saúde e da Associação da Imprensa Diária a proibição do exercício de Medicina a todos os médicos licenciados entre 1910 e 2005.

8) Alargar o "acto médico" a todas as pessoas que provem não serem médicos.

Com estas medidas irradiava-se a praga devastadora de negligência médica em Portugal e ninguém mais morreria no País.

Sábado, Abril 23, 2005

Bragança vs Póvoa de Varzim: As Duas Faces Da Mesma Moeda 

Image hosted by Photobucket.com O "aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento" que originou a morte de uma mulher jovem em Bragança (na foto um aneurisma dissecante extra-pericárdico) e a amiba da Póvoa (em baixo) que se introduziu numa criança provocando uma meningite e posteriormente a morte.

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A moeda é a condição raríssima destas duas situações.
Em relação à primeira, se um aneurisma já é pouco frequente, a sua dissecção ainda mais rara é, e se associarmos a situação aguda, intrapericárdica e numa jovem mulher, tornam-na presumo, talvêz tão rara como a da amiba (cerca de 100 casos descritos) . Segundo esta revista canadiana (aqui) a incidência desta patologia "in North America is about 5 to 10 cases per million people annually".
E o mais importante: "Incidence figures are generally based on autopsy studies. Unfortunately, TAD [thoracic aneurysm dissection] continues to be underdiagnosed before death."

Lá como cá.

Mas então que razões encontrou a Inspecção-Geral de Saúde para pronuncionar dois médicos em Bragança por negligência médica? Isto a notícia não esclarece e portanto também não me pronuncio sobre a eventual negligência. Aos jornalistas pespegantes (que pespegam, que não investigam porque não interessa.) também não interessa esclarecer. Só pespegar o que ouvem ou o que se vende. São pagos para isso. Coitados.

Mas interrogo-me: queixar-se-ia a paciente de uma dor lancinante, excruciante, "worst pain ever". Pelo que a jornalista do Público descreve não. Mas refere que a doente esteve internada três dias. É sinal de que os médicos queriam esclarecer a situação.

As doenças não trazem uma etiqueta com o seu nome pespegado. É preciso suspeitar delas. E a suspeita é em função de muitos factores e da prevalência dessas mesmas doenças.

Segundo o artigo científico referenciado, "typical TAD patients are 60 to 65 years old, have a history of hypertension, and are twice as likely to be men as women.", que como se pode ver eram sobreponíveis com as situações apresentadas em Bragança aos médicos.

Tenho mesmo uma curiosidade enorme em saber o que descortinou a IGS de negligente na actuação dos médicos ...
Queria louvar a atitude do delegado do Ministério Público ao ter arquivado o processo. Mas o facto de ter cedido às pressões dos media, dos advogados, da Inspecção-Geral de Saúde entristece-me.
A indepêndencia judicial falhou ...

E a amiba?

A amiba, talvez porque tenha um nome simpático foi mediática, apesar de ser assassina. Os médicos foram entrevistados na TV, deram entrevistas para os jornais, mas o paciente acabou por falecer.
Tenho a certeza que o diagnóstico não foi feito no primeiro dia da ida à urgência.

Se para a doença rara de Bragança há negligência, para a doença rara da Póvoa tem que haver uma medalha por serviços relevantes à causa da Ciência em Portugal. Talvez no próximo 10 de Junho sejam condecorados os médicos da Póvoa que descobriram a amiba e os juristas da IGS que descobriram o vírus da negligência médica num caso de "aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento".

Para terminar: afirma o marido da infausta jovem de 23 anos ao Público, (obviamente que já apareceu nas televisões e jornais): "Eu tenho um filho que na altura tinha apenas três anos. Mais tarde, quando começar a fazer mais perguntas, quero ter respostas para lhe dar e quero que saiba que o pai fez tudo para esclarecer as circunstâncias da morte da mãe".

Ainda não sabe?
Então eu volto a dizer: a sua esposa faleceu de um aneurisma dissecante da aorta intrapericárdica com tamponamento cardíaco.

Espero que este filho goste sempre do pai e que mais tarde reveja os minutos de fama que a morte da mãe deu ao seu pai, guardados com muito carinho numa fita VHS ou em DVD.
E um recado à jornalista Ana Fragoso: não sei o que quer dizer "intrapericatória".
Presumo que quereria dizer intrapericárdica.
A palavra pericatória, com ou sem intra não encontrei em lado nenhum.


E é o Público um jornal de referência...

Eu Bem Avisei: "Os Médicos Podem Ser As Próximas Vítimas" 

Quem o afirma não sou eu!

É um reconhecido jornalista e analista político, Dr Carlos Magno referido no jornal Tempo Medicina pelo jornalista Manuel Morato.


"Depois dos políticos e juízes, a prática já antiga nos Estados Unidos de processar médicos está a chegar a Portugal, e vai acontecer «de forma profissional, basta que alguém defina que esse é o alvo e decida o politicamente»".

"os médicos vão ser a próxima vítima do sistema mediático".

"Depois dos políticos e dos juristas, agora vêm os médicos, porque há uma desconfiança instalada», além de «um défice de contacto verbal e físico directo». E lança um desafio: «Da mesma maneira que há paradigmas no jornalismo, é preciso reinventar palavras que estimulem, inovem e alertem, porque as palavras estão gastas".

"As questões da saúde devem ser postas ao nível da ciência e da técnica, porque enquanto a linguagem da saúde está a perder força, a linguagem da tecnologia ganha espaço".

"Como sublinhou o Dr. Carlos Magno, hoje é muito difícil convencer a família de quem morreu num hospital de que não houve negligência. É que o «escândalo, quando não existe, inventa-se», explicou o comentador, que falou também das «imagens manipuláveis» da morte nos campos de futebol, argumentando como duas conhecidas citações: «”À velocidade da luz ninguém possui um corpo”». «As imagens não têm cheiro; portanto, temos que recuperar, através da palavra, o cheiro da imagem, porque isso de se dizer que “uma imagem vale mais do que mil palavras” é uma falácia».

"Para o analista político, também no sector das Saúde a imagem da racionalidade está a morrer na sociedade contemporânea. Por exemplo, como frisou, o discurso de alerta para o diagnóstico precoce tornou-se «absolutamente inócuo»: «Para reciclar a relação da Medicina com o cidadão, é preciso reciclar também a linguagem da saúde», reafirmou."

Sábado, Abril 16, 2005

Usem A Lupa, Não Esqueçam! 

No seguimento do post anterior ... outros erros, outras negligências, sem julgamentos.

E não é muito difícil encontrá-los.

Com uma lupa aparecem em qualquer jornal.

Na mesma página do DN de hoje pode ler-se (usem a lupa, não esqueçam!):

"Amostras de vírus desaparecidas

... amostras do vírus potencialmente mortal, H2N2, enviadas, por erro, pelos EUA a mais de 3 700 laboratórios em 18 países."

Sobre o incêndio num hotel de Paris:

"... segundo as autoridades, o hotel foi objecto de um controlo ao sistema de prevenção de incêndios há menos de um mês. Na altura, os peritos concluiram que o edifício de seis andares cumpria as normas de segurança."

Erros, Negligências E Julgamentos; Outros Erros, Outras Negligências, Sem Julgamentos 

Os jornais têm tido matéria farta estes dias sobre casos de julgamentos de médicos.

Ainda bem. É sinal de que a culpa não vai morrer solteira.

São médicos especialistas hospitalares. Ortopedistas, otorrinolaringologistas, anatomo-patologistas, radiologistas, cirurgiões e ginecologistas.
Todas elas muito requisitadas na medicina privada.
Talvez por isso a visibilidade mediática.

Num caso, ortopedistas e otorrinolaringologistas, especialidades bem cotadas na área privada, mas pelos vistos talvez não dando para todos, alguns dos meus colegas, para além do pagamento do SNS, incentivaram o pagamento particular em instituições do Serviço Nacional de Saúde.

Não é erro médico, nem negligência. É um mero caso de polícia.

Noutro caso, uma médica anatomo-patologista está ou foi condenada por negligência médica. De facto trata-se de um caso de negligência médica grosseira, pois essa médica mandou usar uma ampola de um medicamento (relaxante muscular) que lhe foi oferecido em Cuba e incluído na mala médica da seguradora.
É negligência médica grosseira, utilizar um medicamento desconhecido com tamanha facilidade. Talvez um paracetamol IM ou um opióide tivesse resolvido o problema.~

Mas a companhia de seguros, na minha óptica não se livra de responsabilidades: quem a mandou contratar uma médica anatomopatologista, isto é uma médica habituada a espreitar por um microscópio células doentes e saudáveis, sem prática clínica, chefiar uns serviços clínicos de uma companhia?
Seria muito mais aconselhado um médico com prática clínica habitual, quer generalista, quer hospitalar.

Mas este caso, para mim pecou pelas afirmações da juíza, que demonstrou não ter tido um juízo (raciocínio) independente, confessando indirectamente a pressão da comunicação social.

Este é um caso de negligência grosseira.

O último caso que envolve meia dúzia de médicos, radiologistas, cirurgiões e ginecologistas é um evidente caso de erro médico, até detectado pelos próprios durante o seu percurso, relacionado com erro de localização de determinada lesão maligna. Mas os peritos, que por certo o Tribunal ouvirá, melhor esclarecerão.

Este é um caso de erro médico, também passível de indemnização e até julgamento, mas será sempre um erro de localização.

Sintomático é que o JN encimou todos os casos durante vários dias, com o mesmo título: MÉDICOS ACUSADOS DE NEGLIGÊNCIA MÉDICA.

Tá a ver, cara amiga jornalista Ivone Marques, tenho ou não tenho razão de que vocês pespegam tudo sem qualquer rigor jornalístico ou científico?

Quinta-feira, Abril 14, 2005

31 De Maio - Dia Mundial Sem Tabaco 

Para comemorar este dia da OMS, FJV desfez-se dos seus charutos particulares e fez-mos chegar aqui, ao meu posto de trabalho, cumprindo uma velha promessa:

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Terça-feira, Abril 12, 2005

No Rescaldo Das Conversas Com A Sogra 

No rescaldo das conversas com a sogra, segundo o Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) nos países desenvolvidos o grau de adesão às terapêuticas crónicas será de cerca de 50% e ainda inferior nos países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento.

Em relação ao aviamento das prescrições, 6 a 20% dos doentes não aviam as receitas e dos que aviam, 30 a 50% não cumprem o esquema proposto, omitindo doses.

As explicações são muitas, desde as económicas até à iliteracia científica de muitos doentes.

Mas (evidentemente) o estudo da Associação Nacional de Farmácias realizado a uma centena de utentes de farmácias da zona centro concluiu que a culpa era do médico quando os doentes não cumpriam as terapêuticas.

Só não disseram que, esse dinheiro não foi para o lixo (para o lixo foram os medicamentos). Foram directamente para os lucros das farmácias. E os farmacêuticos bem podiam ajudar a melhorar a adesão à terapêutica, não se limitando a vender os medicamentos, mas explicando a necessidade fundamental de cumprir a terapêutica do médico.

Mas quantos farão isso, se consideram os médicos seus inimigos? (vide qualquer intervenção do Sr Dr João Cordeiro).

Domingo, Abril 10, 2005

Quem Diria Que Poderia Acontecer? 

"Segundo explicou ao DN fonte oficial do Infarmed, as fiscalizações "fazem parte da actividade normal e quotidiana" desta entidade e os resultados obtidos não traduzem qualquer indicador preocupante. Entre as irregularidades detectadas nas farmácias contam-se a venda de medicamentos fora do prazo legal e a ausência do nome dos requerentes em receitas de estupefacientes e psicotrópicos (como o multifenidato, a buprenorfina e a morfina)."


Isto é, foram aviados medicamentos fora de prazo e receitas sem identificação ...

O PÚBLICO Viajou A Convite Da ... Grunenthal 

A Grunenthal é um laboratório médico.
É um laboratório com muitos interesses em vários tipos de analgésicos.
Analgésicos usados em cuidados paliativos.
O PÚBLICO foi convidado pela Grunenthal "ao congresso da Associação Europeia para os Cuidados Paliativos a decorrer na cidade alemã de Aachen".
E para que não haja dúvida escreve no fim:
"O PÚBLICO viajou a convite da Grunenthal."
A minha única dúvida é sobre a iniciativa: de quem foi a iniciativa do convite?

Conversas Com A Sogra ... Paradigmáticas De Conversas Com A Ciência 

Título estranho, depois de o reler!

Mas são estes pequeno momentos que por vezes infirmam os postulados científicos.

O Domingo primaveril era convidativo a um almoço intimista, um bom naco de carne assada acompanhado por espumante Murganheira tinto de 1999.

Como sempre nos jantares com médicos e sogras, as doenças destas fazem sempre parte dos assuntos a discutir. Com a televisão a ajudar e a orientar o fluir dos pensamentos, falou-se de doenças e do médico santo que a curou e do médico excomungado que a não curou.

Palavra puxa palavra confessa que apenas faz metade da posologia que, quer o seu pneumologista, quer o seu médico de família a aconselham para a sua doença crónica.

Exclamei reflexa e subitamente:

- "Pois é. Aí está a explicação para as exacerbações nocturnas da sua doença!"
- "Você tem as exacerbações e eu as preocupações!"
- "Isso não se faz!", repliquei.
E acrescentei, sabendo que assistiu de manhã pela televisão à missa dominical:
- "Alguma vez reduziu as penitências do senhor padre?"
- "Ai, isso não!"
O que a Ciência nos diz através de inúmeros estudos é que os doentes portadores de doenças crónicas não cumprem as normas terapêuticas prescritas numa alta percentagem, apenas porque assumem que não é preciso. Que se sentem bem! Que a doença já era! Que não é necessário prevenir as exacerbações! E etc, etc, etc.
Mas o médico é que paga sempre... quando as coisas correm mal!

Sexta-feira, Abril 08, 2005

As Ondas de Solidariedade E A Imprensa 

Esta notícia d' O Comércio do Porto assinada pela "nossa" leitora jornalista Ivone Marques (que muito se chateou comigo uns posts atrás!), bem escrita, descreve uma onda de solidariedade, provavelmente de sua iniciativa, que gerou um movimento de pessoas anónimas para doação e colheita de medula óssea pelo Centro de Histocompatibilidade do Norte.

O Povo é, quase por definição, solidário com o próximo.
Estas ondas apenas precisam de visibilidade para se transformarem em maremotos benignos, e aí a imprensa (e os jornalistas) têm um papel fundamental.

A recolha de medula óssea, mesmo que não se encontre um dador que sirva ao pequeno Tiago, é sempre positiva, não só porque aumenta a base de dados de dadores disponíveis e indentificáveis, mas também porque, com as colheitas efectuadas, outros Tiagos que não tiveram a visibilidade deste, poderão ser ajudados.

Mas esta notícia, exemplarmente correcta, fez-me lembrar outras.

Outras notícias, com outras correntes, onde despudoradamente foram explorados os nobres sentimentos de solidariedade do povo português.

E essas correntes surgem baseadas em falsos pressupostos científicos e ampliadas pelos media, porque, muitas vezes, aos media apenas... lá vou eu dizer mal dos jornais, do lucro, da iliteracia.

Não. Fico por aqui e parabéns Ivone Marques.

Quinta-feira, Abril 07, 2005

Sob A Sotaina, Perdão, Sob A Bata-Branca Esconde-se O Assédio 

O assédio, qualquer assédio, é condenável. Por ser condenável, deixei a Inspecção-Geral da Saúde trabalhar e concluir que o médico foi "assediador" e que houve assediadas que se sentiram invadidas na sua intimidade e legitimamente protestaram.
Nada contra, tudo a favor.
Punir quem prevarica.
Julgar nos locais próprios.

Por essa razão não era minha intenção escrever qualquer linha sobre este assunto. Até que um colega leitor me enviou uma cópia da página do Correio da Manhã com um artigo pespegado por um jornalista pespegador.
Um Alexandre, de Évora, especializado em excitações.

Médicos e padres têm muito em comum, para além de assistirem a confissões, do sigilo, de perdoarem/curarem e até nas penitências: a dos padres sempre é mais barata do que aquelas ordenadas pelos médicos, mas cuja despesa fica na farmácia e na indústria farmacêutica. E para além de serem notícia quando assediam, têm também em comum o vestuário que pudicamente os cobre ou encobre.

Pudicamente, porque agora serão necessárias umas novas protecções para que o assédio não cresça sob essas vestes diabólicas.

O porno-jornalista do Correio da Manhã descobriu na sua investigação playboyniana que algumas doentes (talvez a loira da foto) notavam por baixo da sotaina do médico a prova de que estavam a ser assedidas.

Olhando para a minha bata-branca e para o meu assédio, (mesmo depois de ingerir duas pastilhas de viagra e de folhear mais umas porno-reportagens do porno-jornalista) fico triste, não noto que o meu assédio seja suficiente para bata se elevar!

Perguntei a uma enfermeira do lado de lá da enfermaria: "Senhora enfermeira, nota algum assédio por baixo da minha bata?"
Ao que me respondeu: "Não. Não noto nada! Mesmo nada. A sua bata está na mesma posição desde que a vestiu".

De lágrimas nos olhos, repito: "Mas não nota mesmo nada? Nem um cadechinho"

- "Pronto, fui enganado! Quem me mandou comprar o Viagra pela internet"

Fiquei descolhoado como se diz na minha terra.

Mas depois de interrogar a Loira-Oxigenada-De-Costas descubro que o assédio do dr X de Elvas é ainda maior que o do Frota, podendo assim ocupar os seus tempos livres da reforma a r

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Eu Juro Que Ouvi 

Uma jornalista da TSF (correspondente?) a falar na "pouco esclarecida morte do Papa".

Por outro lado, a Igreja que condena a eutanásia, permitiu que o Papa morresse devido à eutanásia passiva, ao não ser transferido para um hospital.

Sexta-feira, Abril 01, 2005

Últimas Notícias Sobre A Intrigante Agonia Papal 

Este blogue tem conhecimento de que um grupo de jornalistas portugueses especializados em explorar os sentimentos das vítimas de "negligência médica", já se encontra a caminho da Cidade do Vaticano para investigar um hipotético caso de negligência médica, pois segundo as suas fontes, as primeiras notícias referiam-se a uma infecção urinária e segundo as senhoras Cristete, Suzete e Elizabete, habituais assessoras científicas deste grupo de jornalistas, NINGUÉM MORRE DE INFECÇÕES URINÁRIAS, pois as próprias são portadoras de colibacilo crónico, automedicadas com as florentinas e nunca morreram.


Um segundo grupo tentará entrevistar os familiares mais próximos do Papa.
Uma hipotética esposa clandestina, uns filhos ocultos, os avós provavelmente ainda vivos, mesmo os pais polacos.

O chefe de redacção já comunicou que sem familiares, a investigação da hipotética provável presumida negligência médica suspeita não avançará.


Eu sei que o Sumo Pontífice lhes perdoará, como me perdoará este post.

Mil Desculpas À S. Alves... 

O catálogo apresentado no post anterior é da Senhora Dona Serrano, conhecida por ter vendido a sua gravidez a um banco...

Quarta-feira, Março 30, 2005

Novo Catálogo da Senhora Alves 

Apresento em primeira mão o novo catálogo da S. Alves para novas promoções.

Estes artigos encontram-se em leilão neste blogue e têm selo de garantia assinado pela S. Alves.

1) "A minha placenta conservada que alimentou o meu néné durante 40 semanas."

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2) "O primeiro piolho do meu néné, conservado vivo."

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3) "A primeira lombriga do meu néné, está solitária, mas não é a bicha solitária."
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Sábado, Março 26, 2005

A Saúde É Uma Marca Que Vende 

Escrevia-me há dias um jornalista com J, que a Saúde vende. Acrescento eu, como vendem sempre umas fotos mais arrojadas ou como em tempos vendeu o Benfica, ou outra marca qualquer. Tem saída. Vende-se. Publica-se!

Mas como a saúde vende, o que interessa é falar sempre de Saúde, dar conteúdo sério ou desenvolver as notícias para melhor se compreender,é um objectivo menor.

O que interessa é contar um caso (e para isso é necessário encontrá-lo, utilizando-se os olheiros, como no futebol), em que haja uma vítima que jaz na cama de um hospital e um familiar da vítima, por ordem de preferência filha, filho, conjuge, pais. Os honorários dependem muito do grau de parentesco entre o entrevistado e a vítima.

Os olheiros abordam as pessoas que saiem tristes ou a chorar dos hospitais.

Mas, se todos compreendessem um pouco de Medicina, muitas notícias passariam da secção Sociedade dos jornais, directamente para a secção de Humor

Lendo esta notícia do JN de fico sem saber qual é a notícia, qual é a negligência ou o motivo pelo qual a "Justiça poderá intervir num caso de alegada negligência médica" como postula o JN.

Imagino como surgiu a notícia:

- Tá lá! É do JN?

- É sim. Com quem deseja falar?

- Eu não quero falar com ninguém, mas é para porem aí no jornal que o meu pai depois de fazer um exame ficou pior do que estava. O meu pai foi vítima de negligência médica, é assim que se diz, não é?

- Eu sou de Chaves.

- Oh minha senhora, não desligue que atrás de si já está o nosso correspondente em Chaves com uma máquina digital e amanhã já está tudo no jornal com foto e tudo!
- Mas eu não quero foto porque não tenho tempo de ir ao cabeleireiro...

E a comprovar que este diálogo é verdadeiro está a notícia intitulada: "Exame ao pâncreas envolto em polémica" sem foto da filha da vítima de 76 anos que está entre a vida e a morte, embora não sei o que isto quer dizer: estará em coma? teve uma paragem cardíaca? Ou é para enfeitar a notícia?

Oh Amiga Ivone (que ficou muito chateada comigo por a ter incluído nos "jornalistas pespegantes"), isto que vai ler não é quebrar a privacidade?

Não é pespegar no jornal o que ouvem da boca dos outros? - "O paciente queixava-se de "dores de estômago" e "má disposição" frequentes".

"No entanto, a família garante que o hospital não informou a família nem o doente dos riscos do exame. E, por isso, prometeu recorrer à Justiça para responsabilizar o hospital pelo estado do doente. "Se tivessem informado dos gravíssimos riscos de vida que corria ao fazer o exame, ele teria consultado a minha mãe. O meu pai nunca assinou nenhum documento a autorizar o exame", assegurou Maria Teresa Esteves, filha do doente."

Oh senhora dona Maria Teresa Esteves, até uma simples injecção tem riscos que podem ser fatais.
Mas, se tivesse assinado o consentimento informado, já não era notícia, nem negligência.

Sendo assim, vou passar a pedir uma assinatura a todos os doentes à entrada para cada consulta, informando de todos os riscos que duma consulta e da terapêutica instituida podem resultar.

Ai vou, vou.

Sexta-feira, Março 25, 2005

E Porque É Que Isto Não Se Faz? 

1) porque a jovem não está doente e não precisa de ser medicalizada.

2) porque a função dos psicólogos é promover a psicoterapia recorrendo a terapêuticas não farmacológicas.

3) porque a jovem é pobre!

Terça-feira, Março 22, 2005

Isto Não Se Faz! 

São 18 anos risonhos e ao mesmo tempo envergonhados.


A vida não sorriu. A mãe faleceu de doença quando mais era precisa.


É natural que estes 18 anos tenham algumas carências. Mas por aquilo que pude hoje observar numa consulta de urgência, nada de grave.


Mas as escolas têm psicólogos.

Sou contra a "psiquiatrização" da juventude. É frequente hoje ouvir-se por tudo e por nada: "o pedopsiquiatra do meu filho."


Mas agora corre-se o risco da "psicologiarização".


Os psicólogos não são médicos. São muito importantes, mas as suas armas terapêuticas não são medicamentosas. Não podem prescrever!


O que ouvi hoje, deixou-me aterrado com a falta de ética (e de moral!) de um psicólogo de uma escola.


Quando perguntei à tia se a jovem tomava algum medicamento, a primeira reação foi negativa.
Mas depois diz a jovem:

- "Oh tia, e os medicamentos do psicólogo da escola?"

- "Tens razão. Senhor doutor, ela toma muitos produtos naturais receitados pelo psicólogo!"
- "E são muito caros! Têm que ser comprados sempre na mesma farmácia!"
Pois é, quanta ilegalidade: prescrição, produtos naturais, comissões, etc, etc.


E ainda perguntei:
- "E fala contigo a psicóloga? Conversa muito?"
- "Nem por isso!"

Domingo, Março 20, 2005

Tiro Ao Alvo: A Conspurcação De Um Artigo 

O artigo da Visão até se lia com agrado, embora aqui e ali se vislumbrasse a má-fé do jornalista com a utilização da palavra "doutores".

Mas o título "Tiro Ao Alvo", é o exemplo paradigmático de como os media, e obviamente os jornalistas, encaram os personagens das suas notícias sobre saúde, que se chamam médicos e não "doutores".

Porque doutores há muitos e uma mosca ...... na careca de um doutor, como em qualquer porcaria, que até pode ser jornalista, licenciado (isto é, tirou uma licença) para escrever notícias de faca e alguidar relacionadas com a saúde.

Mas essa do "Tiro Ao Alvo", sendo o alvo o médico, é obra.

Nem uma crítica, nem uma palavra sobre violência, a pequena nota até justifica e branqueia o comportamento do agressor: a justiça não avança!

Mas o senhor que escreveu o artigo é jornalista?

Sexta-feira, Março 18, 2005

Estou Num Congresso ... 

... em Italia.

Nestas convencoes e' que se trocam ideias.

Isto a proposito do meu ultimo post e de algumas mensagens que recebi, mas em nenhum congresso se discutem as "curas" de Cuba.

Era bom se fosse verdade.

Mas a vontade de curar e' muito forte e gastam-se fortunas para melhorias de 0,000001%. E os familiares acreditam nessas melhoras.

Eu acredito na mucosa nasal...

Terça-feira, Março 15, 2005

O Comércio Já Nos Habituou.... 

"Tetraplégico de Espinho precisa de 10 mil euros para se curar em Cuba."

Mas será que o Comércio não terá 2 000 contos para emprestar a este doente para se curar?Se a cura é tão certa... Vá lá jornalistas do Comércio, a dividir por todos não é quase nada e vocês garantem a cura, segundo o vosso título!
Ou será que estão a mentir? Será só para vender jornais?

E a explicação para a tetraplegia também não é correcta. Essa da asfixia originar tetraplegia é nova.

Fase II: Justiça Popular 

Os media publicitam e ampliam.
Transformam a dor em ódio.
Encontram SEMPRE culpados entre as batas brancas.

A entrevista em horário nobre é sinónimo de razão para o acusador.

A irracionalidade é fomentada inconscientemente pelos media audiovisuais.


14-03-2005 Lusa:
"Portimão: Médico atingido a tiro dentro do tribunal.

"Portimão - Um médico foi hoje atingido a tiro no Tribunal de Portimão por um homem que o responsabiliza pela morte da mulher em 2002 no Hospital do Barlavento Algarvio, disse à Agência Lusa fonte judicial.
O incidente ocorreu cerca das 14:20, quando o médico espanhol de 45 anos e o homem de perto de 60 aguardavam pela chegada da juíza, no âmbito de um processo que o autor dos disparos intentou contra o clínico do Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, e uma médica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) por homicídio por negligência, pela morte da mulher
."

Se o médico morresse já era notícia nobre.

Domingo, Março 13, 2005

O Record da RTP 1 - Se Deus Existir Vai Excomungá-La 

Ainda a sua filha luta contra a morte nas camas de um hospital, já a RTP 1, qual abutre, contrata (acredito que estas reportagens sejam sujeitas a contrato prévio, que até pode ser muito simples: dou-te 15 minutos de fama e vendes-te ao diabo) o pai para aparecer na televisão, bem penteado, roupinha domingueira a vociferar contra 4 médicos.
Repito quatro, four, quatre, agora a negrito quatro, agora com um tipo de letra mais visível: 4.
Sim. Foram quatro os médicos negligentes.
Que tenham errado, posso acreditar, embora seja difícil, mas como a Medicina não é uma ciência exacta, tudo é posssível.
Mas o que interessa é a notícia.
A ansiedade de projecção é tanta ...

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