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"Unde sapientia venit et quis est locus intelligentiae?" |
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7.3.04
Curioso constatar que podemos “existir” de maneiras tão diversas além da existência corpórea. Para muitos, eu não passo disto aqui – um blog. Não tenho rosto, voz, corpo, nada. Apenas uma tela brilhante onde se lêem coisas. Cada vez mais estamos nos tornando isso mesmo. E a nossa existência corpórea nada mais é do que uma extensão desta existência que chamam virtual. Novidade? Sinal dos novos tempos? Não. Mais curioso é constatar que a existência incorpórea é tão antiga quanto o homem. O que é a lembrança, a memória, a saudade do que a existência virtual de alguém dentro de nós? A cabeça é um banco de dados onde se armazenam dados de sentimentos. Isso é tudo o que eu sou hoje; um banco de dados onde armazeno lembranças, que de tão recentes e intensas me parecem antiquíssimas e patinadas pelo tempo. Toda uma revolução corre neste momento. Minha mente é um banco de dados e meu peito mais parece um campo de batalha, onde mata-se e morre-se. Tudo aqui dentro explode, sangra, se abre em trincheiras sob o fogo da metralha. Há uma verdadeira guerra dentro de mim. Estouraram guerras ao longo da História pelos mais diversos motivos. Até um amor já suscitou batalhas. Cheguei tarde. A Guerra de Tróia me antecipou. Existe um mundo aqui fora que pulsa e convulsiona-se. O que me importa? Todo tempo está congelado num único e fugaz momento, entre duas poltronas de um cinema vazio. Encontros e desencontros. Encontrei uma boca antes apenas imaginada nessa existência de telas brilhantes e imagens incorpóreas. E o abstrato tornou-se concreto, em toques de mãos, carícias, olhares e beijos. Nada pôde ser mais real do que aquele estremecimento. Agora tudo é desencontro. Desencontro e medo. Medo de que tudo tenha sido apenas isso, só isso. Não, eu não quero que seja só isso! Eu quero muito mais. Quero aquele estremecimento de novo, quero aquelas mãos de novo. Quero uma mulher como nunca quis nada nesta vida, como um náufrago quer a terra, como o sedento deseja a água, como o choro do filho deseja o seio da mãe. “Há um alguém que eu muito amaria”, diz ela. Para mim não há um alguém, só há ela. E só há o cheiro de seus cabelos em meu nariz e o gosto de sua boca na minha. Que o mundo lá fora se convulsione, azar do mundo! O meu mundo é mais real do que o resto do mundo. Meu mundo é ela e é só. É ela e as marcas que ela deixou em mim, é a sua pele sob a minha pele, é o seu toque sobre o meu toque. É o seu olhar tão junto ao meu que forma um único olhar, sobre a ausência de cores com que ela neblina a sua vida. Black and white. Quero a minha vida em gris junto a ela e isso é tudo o que eu quero agora. 22.2.04
TROQUEM O SOFÁ! A notícia me chegou via e-mail. Uma editora da cidade de Campinas, SP entrou com uma queixa-crime contra as editoras que publicam os dicionários Houaiss; Aurélio (Nova Fronteira) e a Encyclopedia e Diccionario Internacional W.M. Jackson por causa do significado de um verbete. O “crime”: Atribuir à palavra judeu o significado popular de sovina, usurário e pão-duro. Não vou entrar no mérito da questão se a palavra judeu e se os judeus merecem este epíteto ou não. Ou melhor, vou entrar sim! É mais do que sabido que a fama do judeu usurário já se enraizou no inconsciente coletivo. As razões são antiquíssimas e muito bem explicadas e desmistificadas por inúmeras obras históricas sobre o assunto. A verdade é que hoje o mito do judeu usurário se presta muito mais ao humor do que à razões propriamente preconceituosas. Não que o preconceito e o anti-semitismo sejam coisas do passado. Não, não são, muito pelo contrário. Mas eu sou um judeu que não me furto ouvir e contar uma piadinha boa sobre judeus, que se utilize do mito. Tudo é intenção. A mesma piada que pode apenas divertir e brincar com velhos preconceitos pode muito bem servir ao exato oposto. Mas isso vai de cada um, que as conte e as ouça. É impossível determinar de que maneira o mito será usado. Fora que o dicionário não cria palavras nem seus significados. A língua é tão viva quanto um bicho ou uma planta. Nasce, cresce, se reproduz e se dissemina naturalmente, organicamente. Se o dicionário atribui à palavra “judeu” o significado de usurário, é porque este mesmo significado nasceu e se desenvolveu muito antes, na boca do povo. Cabe ao dicionário apenas compilar as palavras e os significados que elas já têm. Não o inverso. Se alguém tivesse que ser implicado nesse “crime”, então que se processasse o povo, uma entidade disforme e incorpórea, se isso fosse possível. Processe-se a História, a mitologia, as tradições, não os dicionários, hom´essa! Nada a favor de velhos preconceitos. Nem aos novos. Mas querer impedir que o dicionário dê a um verbete um significado que já é popular e disseminado há séculos é a mesma coisa que aquele marido da anedota fez quando flagrou a sua mulher no sofá com o amante. Trocou o sofá. Troquem o sofá. Recolham todos os aurélios das prateleiras e passem tinta preta no verbete judeu. Mas se assim esperam apagar do inconsciente coletivo esse velho mito, então esse pessoal tem muito o que aprender da vida. Fora que a fonte da queixa-crime é no mínimo inusitada. A tal editora de Campinas que quer levar os dicionários para o banco dos réus nada mais é a mesma editora que há três anos publicou uma revista chamada Humanus, que deu franco apoio aos chamados “revisionistas históricos” da editora Revisão, pertencente àquele mesmo Siegfried “Castan” Ellwanger, condenado recentemente pelo STF pelo crime de... racismo! Ora, na hora de dar apoio à publicações que reacendem preconceitos perigosíssimos e mentiras há décadas desfeitas, a editora Humanus segue em frente numa boa. Mas contra os pobres dicionários, a coisa fede! É impressão minha mas tem um enorme contra-senso no meio desse imbróglio? Outra coisa que me irrita é a verdadeira caçada que algumas pessoas fazem ao verbo “judiar”. E essa caçada, infelizmente, parte de gente da própria Comunidade Judaica. Sinto vergonha. E o pior é que o tal verbo judiar nem tem uma origem propriamente preconceituosa. Isso nasceu quando se via o que a Igreja Católica fazia com os judeus na época da Inquisição. Dizia-se que alguém fora maltratado “como um judeu”. Daí “judiou-se” daquela pessoa. O verbo nada mais é do que uma dolorosa lembrança daqueles tempos felizmente extintos. Fora que é palavra em franco desuso. Ainda é bastante usada no interior, mas obviamente sem nenhum ranço de preconceito. Mas conheço gente que caça o verbo judiar com uma fúria inaudita, como se aquele conjunto de seis letras trouxesse consigo a peste e a fome. É o cúmulo do “Politicamente Correto”! Curioso é que muitas dessas pessoas façam ouvidos de mercador a inúmeras outras manifestações preconceituosas muito mais perigosas do que um verbo caipira. Mas “taca pedra na Geni”. Queime-se o verbo judiar como um judas em Sábado de Aleluia! Mas peraí. Esse negócio de Judas, não tem nada de preconceituoso aí? Na dúvida, troquemos de sofá mais uma vez. Só mesmo todo o ócio que o tríduo momesco provoca neste sujeitinho de poucas simpatias pelo carnaval para me arrancar do isolamento e vir aqui ver se este blog ainda sobrevive, mesmo sem eu lhe dar comida há semanas. Como naquele samba, agoniza mas não morre. Vejo que muita gente boa esteve aqui. Alexandre Soares Silva, cá esteve, junto com o Sudo e mais algumas boas almas. Por falar em Alexandre, vai abaixo o convite para o lançamento de seu novo livro. Esse cara ainda vai me fazer morrer engasgado de inveja! Não quero me estender muito. Sei que se me der corda vou acabar escrevendo besteira (mais). Sei lá o que houve comigo que não tenho mais o que falar, escrever, nada! Culpo a falta de tempo e o tempo realmente me falta desde o início deste ano. Volta ás aulas na faculdade, trabalho, isso e aquilo... Das duas, uma: Ou escrever em blogs é ofício de desocupados ou fui eu que sequei mesmo da pouquíssima inspiração que ainda tinha antigamente. Mas... santos desocupados estes que ainda escrevem blogs e escrevem blogs de qualidade! Não, este mundo não me pertence! 9.2.04
DICA DE PRESENTE PARA SI MESMO A indicação vale por duas: Uma literária e outra de audição. Mas nenhum de vocês três (meus três leitores) deve perder No Ar PRK-30, de Paulo Perdigão. Indicação que vale por duas porque trata-se de um livro que vem com dois CDs. Antes, é preciso que eu explique: PRK-30 foi um dos programas humorísticos pioneiros do rádio brasileiro. Estreou em 1942, ainda com o nome de PRK-20 e passou a ser 30 em 44, depois que a dupla Lauro Borges e Castro Barbosa deixou a rádio Club do Brasil e foi trabalhar na Nacional. “Até aí morreu o Neves”, dirão vocês. Mas aqueles que apreciam o bom humor não podem perder o livro-CD. PRK-30 não fica a dever nada aos melhores humoristas de todos os tempos. No rádio, nada a excedeu em matéria de qualidade, durabilidade e inteligência. A dupla Lauro Borges e Castro Barbosa desenvolveu um programa que está para o rádio como o Barão de Itararé está para o humor escrito. Itararé só seria superado décadas depois no humor escrito pelo pessoal da Casseta & Planeta. E o humor surreal e non sense de PRK-30 só encontrou equivalente na saudosa TV Pirata do final dos anos 80. Conheci a PRK-30 através de minha avó, que ouvia o programa quando este era transmitido semanalmente no rádio. Ela vivia cantando as paródias de músicas de sucesso da época e descrevendo como era engraçado o programa. Até que um dia, fuçando na discoteca de minha mãe, encontrei um LP com gravações originais dos programas. Um detalhe: muitas das piadas só serão entendidas em sua totalidade se o ouvinte tiver uma noção da época em que foram feitas. Elas abordam fatos que vão do final da Segunda Guerra à ascensão da Bossa Nova e do Rock-and-Roll. E brincam muito com as músicas de sucesso da época, as marchinhas carnavalescas, as novelas de rádio, os noticiários etc. Mas ainda assim, é imperdível! Por mais que eu fale aqui, nada vai dar a devida noção a vocês do que é o humor da PRK-30. Vão à livraria mais próxima e comprem o livro de Paulo Perdigão (R$ 49,00). Depois venham aqui me dizer o que acharam. No ar: PRK-30! de Paulo Perdigão - Casa da Palavra, R$ 49,00 25.1.04
Efemérides 450 anos da cidade de São Paulo e dois anos de blog. Essa é para entrar para a história! Aliás, esse blog é paulistano de nascimento... 22.1.04
Que o governo petista está fazendo a maior mudança de cargos e postos estatais na história do Brasil desde a Ditadura Militar, todo mundo sabe.Que a cada troca de governo, colocações sejam remanejadas para que se acomode gente “de confiança”, é coisa que acontece sempre e em qualquer governo. Mas que até as vagas numa fila de espera de transplantes de medula estejam sendo alteradas tendo em vista interesses políticos e dando preferência a quem tem pistolão, isso já é demais! Mas... Isso é Brasil. E isso é o Brasil de São Lula. O Instituto Nacional do Câncer, sediado na Praça da Cruz Vermelha no centro velho do Rio, é um lugar que eu não desejo que ninguém um dia venha a conhecer. Eu, entretanto, conheço-o muito bem. Por dez anos de minha vida, o INCa fez parte de minha vida e de meu cotidiano. É uma história que um dia ainda contarei aqui, em pormenores. Mas nos dez anos decorridos entre 1991 e 2001, eu fui testemunha ocular da transformação daquele hospital. Ao entrar lá pela primeira vez, me deparei com um retrato típico da rede hospitalar pública brasileira. Baratas passeando céleres pelas paredes, corredores e salas lúgubres, mofados, destruídos, equipamento inutilizado, utensílios depredados... Tudo à volta só contribuía para piorar a agonia dos que lá estavam internados. Lembro-me de uma enfermaria do setor de cabeça e pescoço onde havia uma parede, onde deveria haver uma pia, em que esta havia se perdido e só restara um buraco fétido, donde vazava água incessantemente. A umidade se espalhava pela sala e na parede esburacada crescia limo e o cheiro de mofo, misturado ao natural odor de éter dos hospitais fazia o ambiente insuportável. Essa situação duraria mais um tempo, até os idos de 1994 ou 95. Foi em 94, agora me recordo bem, que assumiu a presidência do INCa o Dr. Jacob Kliegerman, já notório por ser uma sumidade na área da oncologia. Foram muitos anos de obras, que modificaram todos os ambientes do hospital. Onde antes havia corredores cinzentos e opressores, surgiram ambientes claros, limpos e funcionais. Mais do que uma simples maquiagem, as obras que o Dr. Kliegerman levou adiante em sua administração deram dignidade ao INCa e aos que lá padeciam. Quem hoje lá entra, vê um hospital que nada deve a qualquer nosocômio (eu sabia que um dia teria oportunidade de usar essa palavra!) particular. Difícil crer que se está num hospital da rede pública. Mas se hoje o INCa pode orgulhar-se de oferecer um ambiente digno, há algo ali dentro que obra nenhuma pode ocultar. O padecimento dos que sofrem de câncer e de seus familiares. Perco a conta quando tento me lembrar do número de pessoas que conheci ali dentro e, que em uma semana passavam de um aparente estado de normalidade para uma morte horrenda. De alguns, eu soube dos destinos. Outros simplesmente sumiam e só restava especular se aquela pessoa tivera alta ou se seu sofrimento cessara com a morte. Também era bastante incômodo ter de passar pelos setores onde havia uma maior concentração de gente mutilada, com partes de seus corpos horrivelmente amputadas ou deformadas, num verdadeiro circo de horrores. Por ser um hospital de referência, o INCa recebe gente de todas as classes. Mas os pobres são a imensa maioria dos internados. Eles vêm de longe, em Kombis de prefeituras de cidades miseráveis e longínquas, enfrentando às vezes algumas horas de desconfortável viagem. E ali dentro, a pobreza aparece ainda mais. A pobreza tem um cheiro, uma cor que a torna inconfundível. O INCa é um hospital de gente pobre de recursos e de esperanças. Poucos casos ali têm alguma esperança. Um dos setores onde ainda se encontra esperança é o de leucemia, que foi justamente onde eu mais passei meu tempo. A maior parte dos casos de leucemia se dá em crianças e adolescentes. Como todos os cânceres, a leucemia debilita e mata. Mas as crianças e jovens têm mais vida, têm uma esperança diferente, duradoura e que é fundamental na sobrevida. Quantas vezes me vi brincando com crianças completamente glabras por conta do tratamento com quimioterapia, que corriam por aqueles corredores carregando o porta-soro consigo? Ou não me compadeci com jovens que ali entravam fortes e bonitos e viram fenecer toda a sua vitalidade em meio ao tratamento? Uma em especial me tocou, que foi uma menina que deveria ter entre 18 e 22 anos de idade que lá entrou com belíssimos cabelos longos e louros. Na mesma semana ela já estava careca mas ainda conservava sua beleza. A vi ainda algumas vezes mas depois não soube mais dela. Não sei se seu tratamento teve sucesso e se ela teve oportunidade de ver seus lindos cabelos crescerem novamente. E prefiro até não saber, com o medo que eu tenho da resposta... É por pensar em toda a experiência que tive dentro das paredes daquele hospital e por ter essa história tão particular com o INCa que a notícia, divulgada no meio do ano, de que o corpo médico do hospital estava em greve em protesto pelos desmandos que a nova administração estava cometendo, me doeu como um tapa na cara. Jamil Hadad, ex-prefeito do Rio e membro do PSB, havia nomeado a esposa de um deputado do PDT, Sami Jorge, como diretora de uma parte vital do funcionamento do hospital. Esta senhora, uma certa Zélia Abdulmacih, que em governos estaduais anteriores ocupou funções absolutamente díspares, fez tanta merda que prejudicou o fornecimento de remédios aos pacientes. Remédios são vitais para qualquer tipo de paciente. Mas os remédios de um portador de câncer às vezes têm apenas uma função: Livra-los de uma dor insuportável. Estou falando de dores em que até a morfina é insuficiente para aplaca-las. E graças a um acordo fisiológico, para empregar uma vagabunda de uma esposa de deputado, os doentes do INCa ficaram sem seus remédios. O escândalo caiu na imprensa e as providências de praxe foram tomadas. Fingiu-se uma rápida indignação e pronto. Agora é o médico Daniel Tabak, outra sumidade em sua área (a de transplantes de medula óssea) que tem de pedir demissão para chamar a atenção das pessoas para o que estão fazendo com o INCa: Pacientes que estavam na fila do transplante perderam a vez por causa de gente apadrinhada do vice-presidente da República, o mesmo José Alencar que outro dia almoçava na casa de um vizinho meu. O transplante de medula óssea é a única salvação para grande parte dos casos de leucemia. Um transplante de medula óssea talvez tenha salvo a vida e devolvido os cabelos àquela menina de que eu falava acima. A falta de uma medula compatível ou a demora no procedimento talvez a tenha matado. O PT de São Lula, bem como toda a esquerda tupiniquim (onde cabem o Sr. vice-presidente da República, o PDT de Sami Jorge e esposa e o PSB de Jamil Hadad) passaram décadas martelando a cabeça de Deus e o mundo afirmando que eles eram os paladinos da moralidade e do anti-fisiologismo. Fossem os citados acima membros do PFL, estaríamos todos aqui balindo em coro algumas imprecações contra “esses notórios corruptos da direita”. Mas eis-nos aqui a discutir direita e esquerda. Eis o governo aí a se preocupar em fichar turistas americanos que desembarcam em nossas praias e “salvar a honra nacional”. Onde eu encontrarei alguém que saiba o que é o INCa realmente além de mim e dos que lá estiveram e precisaram dele um dia? Teria alguém da nomenklatura petista que já precisou de um transplante de medula? Essas são possibilidades de discussão bastante pertinentes, mas que não dizem nada a quem lá está nesse momento, e precisa de uma ampola de morfina ou de uma medula compatível e não tem. Mas vai explicar para essa pessoa que ela não tem morfina e nem medula porque o governo precisa empregar a esposa de um deputado ou furar a fila para algum apadrinhado do vice-presidente? 20.1.04
Do site do UOL: Aos 104, arara de Churchill continua xingando Hitler e os nazistas 15h47 - 19/01/2004 ![]() Mais de cem anos de idade, e sem papas na língua. "Charlie", a arara que pertenceu a Winston Churchill, continua soltando cobras e lagartos quando se refere a Adolf Hitler e aos nazistas. Embora a soberba plumagem azul e ouro da ave tenha perdido um pouco de seu fulgor com os anos, "Charlie" manteve na velhice, pelo menos aparentemente, todas as suas faculdades. Entre suas expressões favoritas, estão "maldito Hitler" e "malditos nazistas", que repete com o sotaque característico de Churchill. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo "Daily Mirror". Churchill comprou o pássaro em 1937 e logo ensinou-a a xingar. "Churchill não está mais entre nós, mas graças a 'Charlie', seu espírito, seu palavreado e sua determinação perduram", disse James Humes, especialista em vida e obra do histórico primeiro-ministro, citado pelo "Daily Mirror". Fonte: AFP Introspectiva 2003 O ano-velho acabou há quase um mês; minha vida mergulhou numa tremenda roda-viva de compromissos, projetos e deveres; me falta tempo para qualquer coisa e apesar disso (ou por causa disso mesmo) a cabeça não pára de fervilhar em conjecturas e reflexões acerca de passado, presente e futuro. Passado, presente e futuro meus. Eu julgava que apenas uma pessoa nesse mundo me conhecesse de fato. Essa uma pessoa não sou eu (eu sou a pessoa que menos me conheço!) mas constatei, meio decepcionado afinal, que ela não conhecia era nada sobre mim! Nada mesmo! Ora, se eu não me conheço e se a única pessoa que eu julgava capaz de me conhecer também não, então quem me conhece nesse raio de mundo afinal? Já fui idealista e sonhador. A vida me fez cínico, o cinismo me fez pragmático e o pragmatismo me fez reacionário. Estranhamente o reacionarismo nada tem de reacionário, pois não reage a nada, entregue ao seu próprio pragmatismo. Tudo roda roda roda e acaba no mesmo ponto. Por isso, longe de minha verve aparentemente explosiva, existe na verdade um conformado cidadão pacato, que julga que não há mérito e riqueza mior nessa vida do que cultivar amigos. E amigos tenho às pencas, aos magotes. Quando eu era idealista e sonhador eu era misantropo. O cinismo matou a misantropia e saí pelo mundo a abrir-me feito as páginas de um jornal a qualquer um que se disponha a fazer o mesmo. Sou pragmático mas franco, e vira e mexe eu me vejo confiando em quem não mereceria a minha confiança. Estranhamente, os tropeções em uma ou outra deslealdade não amainam a minha convicção. Continuo transparente e franco, continuo sem segredos, sem disfarces e máscaras e ainda assim, parece que ninguém me conhece na verdade. Talvez seja aí que esteja a rsposta: Só me conhecem aqueles que eu sempre pensei que não me conhecessem e me desconhecem completamente aqueles em que confiei. Feito aquela brincadeira de escravos de Jó, tudo troca de lugar. Amo meus amigos, mas descobri que algum deles, ou melhor dizendo, alguém que eu julgava ser meu amigo, foi o responsável pelo engano que fez com que a pessoa em quem eu um dia mais confiei se transformasse numa criatura absolutamente irrascível e desconhecida. O que fazer daqui pra frente? Passar o meu extenso círculo de amizades por uma peneira e determinar quem é realmente amigo e quem está bancando o Judas? Abrir-me menos e preservar-me mais? Desconfiar de tudo e de todos, buscando em cada sombra um possível semeador de calúnias? Não sei se nada disso seria possível. Porque eu posso não conhecer nada de mim, mas sei que se eu adotar qualquer medida dessas, eu não serei mais eu. E que os outros todos me conheçam mais do que eu próprio, continuo achando bom. Apesar dos pesares, apesar dos traidores que sempre surgem, ter meus amigos ao meu redor ainda é um objetivo de vida meu. Não sei se foi Maquiavel que disse "tenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda". Como diria Odorico Paraguassu "se não disse, pensou!" Melhor que meu inimigo esteja mesmo entre meus amigos. Porque assim eu tenho a chance de conhece-lo também. 17.1.04
Aforismos Liberais "No meio de um povo corrupto a liberdade não pode durar muito." (Edmund Burke) "O político é capaz de prever o que acontecerá amanhã, no próximo mês e no ano que vem, e de explicar depois por que não aconteceu." (Winston Churchill) "O mais corrupto dos Estados tem o maior número de leis." (Caio Cornélio Tácito) "Nenhum homem é bom o bastante para governar os outros sem seu consentimento." (Abraham Lincoln) "O capital é como água; sempre flui por onde encontra menos obstáculos." (Antônio Delfim Netto) "As más leis constituem a pior espécie de tirania." (Edmund Burke) "A possessão do poder inevitavelmente dilapida o livre uso da razão." (Immanuel Kant) "Onde quer que alguém tenha alguma coisa a distribuir, não esquecerá de si mesmo." (Leon Trotsky) "O drama dos países subdesenvolvidos é que neles até o pensamento de esquerda é subdesenvolvido." (Paul Baran) "O governo é mais perigoso quando o desejo que temos de que ele nos ajude nos torna cegos quanto ao imenso poder que ele tem de nos prejudicar." (Ronald Reagan) "É verdade que há vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e devem estar bem representados." (Hubert Humphrey) "O socialismo é o altruísmo imposto pela polícia." (J. O. de Meira Penna) "O nacionalismo é a cultura dos incultos, e eles são uma multidão." (Mario Vargas Llosa) "O socialismo pode servir para ensinar, bem brutal e impositivamente, o perigo de todos os acúmulos de poder estatal e, nessa medida, infundir desconfiança diante do próprio Estado." (Friedrich Nietzsche) "Errar é humano. Culpar outra pessoa é política." (Hubert Humphrey) "Um partido é a loucura de muitos em benefício de uns poucos." (Alexander Pope) "O marxismo é o ópio dos fanáticos." (Jorge Luis Borges) "O subdesenvolvimento é a aliança entre o isolamento e o arcaísmo." (Alain Peyrefitte) "A capacidade destrutiva do indivíduo, por mais perverso que seja, é pequena; a do Estado, por melhor intencionado que seja, quase ilimitada." (Paul Johnson) "O elefante é uma borboleta construída segundo especificações governamentais." (George Will) "Empresa privada é a controlada pelo governo; empresa pública é a que ninguém controla." (Roberto Campos) "A ilusão fatal do socialismo é pensar que se pode apressar o momento da recompensa encurtando o momento do esforço." (Roberto Campos) "A inflação está não no mau funcionamento do mercado e sim no mau comportamento do governo." (Milton Friedman) "O socialismo trata de planos de governo e da necessidade de as pessoas a eles se ajustarem; e se esquece do dever fundamental do governo de servir à dignidade fundamental, à liberdade do indivíduo." (Margaret Thatcher) "O socialismo é a doutrina dos intelectuais que têm a arrogância de acreditar que eles podem planejar melhor a vida de cada indivíduo." (Margaret Thatcher) "Aquele que procura a salvação das almas, sua e do próximo, não deve procurá-la nas avenidas da política." (Max Weber) "A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso." (John Kenneth Galbraith) "Deve-se governar uma grande nação como se cozinha um pequeno peixe. Sem exagero." (Lao Tsé) "O nacionalismo é uma medíocre revolta da geografia contra a história." (Mario Vargas Llosa) "As revoluções logo se evaporam e o que fica é apenas o lodo de uma nova burocracia." (Franz Kafka) "Não há nada tão conservador quanto um revolucionário no poder." (Ernesto Sábato) "Nenhum homem pode ser, para outro, apenas meio; cada homem é um fim em si mesmo." (Immanuel Kant) "Todos reclamam reformas, mas ninguém quer se reformar." (André Malraux) "A propriedade privada é indissoluvelmente ligada à civilização." (Ludwig von Mises) "Palavras de ordem são tautologias: não podem ser refutadas nem cofirmadas." (Karl Popper) "No Brasil as patrulhas ideológicas criticam sem ler e silenciam por cálculo." (Miguel Reale) "O vício intrínseco do capitalismo é a distribuição desigual do sucesso; o vício intrínseco do socialismo é a distribuição eqüitativa do fracasso." (Winston Churchill) "Nenhum regime, nenhum Estado, tem o direito de agir como intérprete soberano da verdade, subjugando as consciências individuais, pois é nestas, e não nele, que vive e esplende o dom da inteligência." (Olavo de Carvalho) "A democracia não é um método de eleger os melhores, é um método para evitar que os piores se perpetuem no poder." (Karl Popper) "Liberal não é o simpatizante de um determinado partido político, mas aquele que valoriza a liberdade individual e que é sensível aos perigos intrínsecos de todas as formas do poder e da autoridade." (Karl Popper) "O liberal esforça-se por agir segundo as lições, por incertas que sejam, da experiência histórica, conforme as verdades parciais que ele recolhe, mais que por referência a uma visão falsamente total." (Raymond Aron) "A liberdade é vazia enquanto não visa à verdade da qual jorra e à qual há de servir." (Karl Jaspers) "Toda ideologia revolucionária, seja nazista ou comunista, é monstruosa, porque revolução, por trás das belas palavras, consiste sempre em matar pessoas." (Olavo de Carvalho) "Os revolucionários são com freqüência motivados pelo ódio sem se darem conta disso; a destruição do que odeiam é o seu verdadeiro propósito, e eles são comparativamente indiferentes à questão do que virá depois." (Bertrand Russell) "É raro que qualquer espécie de liberdade seja perdida de uma só vez." (David Hume) "O que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno na terra foram precisamente as tentativas para transformá-lo num paraíso." (Friedrich Hölderlin) "O controle da produção da riqueza é o controle da própria existência humana." (Hilaire Belloc) "O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente." (Lord Acton) "É significativo que a nacionalização do pensamento tenha por toda parte caminhado pari passu com a nacionalização da indústria." (E. H. Carr) "Liberal é aquele que admite que o mundo obedece a leis que nós não dominamos." (Friedrich Hayek) "A tirania sobre o espírito é a forma mais completa e brutal de tirania - todas as outras começam e terminam com ela." (Milovan Djilas) "O liberalismo, antes de ser uma questão de mais ou de menos política, é uma idéia radical sobre a vida: é crer que cada ser humano deve permanecer desimpedido para preencher seu individual e intransferível destino." (José Ortega y Gasset) "O pensador ideológico cria uma linguagem para expressar não a realidade, mas a sua alienação dela." (Eric Voegelin) "Os homens que pretendem descarregar sobre a coletividade seus deveres ou seus riscos se condenam a também entregar a ela seus direitos." (George Bernanos) "A liberdade de pensamento é a única garantia contra a infecção dos povos pelos mitos de massa que, nas mãos de hipócritas e demagogos traiçoeiros, pode se transformar em ditaduras sangrentas." (Andriei Sakharov) "Há limites para o bem que o Estado pode fazer à economia, porém não ao mal que pode fazer." (Keit Joseph) "Não existe arte que os governos aprendam mais rapidamente uns dos outros do que sugar dinheiro do bolso do povo." (Adam Smith) "Por mais que busque a verdade nas massas, não a encontro; somente a encontro nos indivíduos." (Eugène Delacroix) "A democracia tem pelo menos um mérito: um representante do povo não pode ser mais idiota que seus eleitores, já que, por mais idiota que seja, os outros são necessariamente mais idiotas ainda por tê-lo eleito." (Bertrand Russell) "O meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado." (Albert Einstein) "O comunismo é uma espécie de alfaiate que quando a roupa não fica boa faz alterações no cliente." (Millôr Fernandes) "Revoluções são idealizadas por utópicos, realizadas por fanáticos e exploradas por patifes." (Thomas Carlyle) "Quem procura na liberdade outra coisa que não seja a própria liberdade é feito para servir." (Alexis de Tocqueville) 3.1.04
E eis que depois de muita espera, 2004 está aí. "O melhor da festa é esperar por ela", já dizia a minha avó. Estava correta a velhinha mais uma vez. Hoje já é dia 3 de janeiro e eu não faço a menor idéia de por onde começar meu ano. Tenho tanta coisa pendente, tanta coisa por começar, tanto projeto por criar, tanto compromisso por cumprir que decidir onde está a ponta do novelo e destrincha-lo às vezes parece impossível. Como toda catarse, o reveillon teve seus altos e baixos. Acho que falei aqui sobre a festança que daria dia 31 de dezembro, não? Se não falei, estou a falar agora. Fiz a festa e ela foi um tremendo sucesso no saldo geral. No saldo mais particular, duas surpresas. Uma boa e outra péssima. A boa eu já meio que esperava. Parece-me que 2004 será um bom ano para mim no campo amoroso. A má surpresa ainda me lateja e me assalta a mente de vez em quando ao me lembrar da puta decepção que tive ao final da mesma festa. Me sobe à boca um gosto amargo, misto de raiva e estupefação. Mas não quero levar essa história muito além destes três primeiros dias de 2004. Agora é seguir com a partida. Devo continuar nesse ritmo meio sacana com vocês, meus três leitores, de publicação aqui no Quando eu digo... Tempo me falta e me faltará ainda mais daqui pra frente. Mas o Brasil e o mundo ainda parecem de porre neste 3 de janeiro e me dão muitos motivos para continuar a escrever aqui. Aliás, estavam de porre quando inventaram o Brasil. Já já falarei disso... 24.12.03
POR UMA NOVA ERA DE LUZES ![]() Se há uma palavra que defina o clima do Natal é luz. É a proliferação das luzes de todos os tamanhos, formas e cores que nos faz lembrar que chegou o Natal. O efeito plástico é sempre gratificante, mas a escolha da luz como símbolo desta época não é aleatória ou apenas estética. O Natal, como representação do nascimento de uma nova era para o povo cristão com a vinda de Jesus, encontrou nas luzes a mais perfeita tradução da esperança que se renova. Coincidentemente, os judeus comemoram agora a festividade de Chanuká [pronuncia-se ranucá]. Chanuká é a Festa das Luzes, representada pelo candelabro de nove velas em que cada chama é acesa uma vez por dia, até que se tem todo o candelabro ardendo. É o ápice da comemoração, onde se renovam os votos de iluminação espiritual dos fiéis na palavra divina. Natal e Chanuká não são apenas duas efemérides religiosas. Simbolizam a eterna busca do Homem pela centelha da sabedoria, da justiça e da paz. O Homem sempre buscou na luz o abrigo contra a barbárie e a opressão. Este ano de 2003 será por toda a eternidade o ano-símbolo do início de uma luta por mais luz no mundo. Cristãos e judeus buscam unidos o caminho para uma paz duradoura contra a escuridão do obscurantismo. Fatos como a queda e prisão de um déspota como Saddam Husseim são símbolos desta nova era de luzes que chegará. Cada luz que se acende em torno de um presépio ou de um candelabro significa a esperança de uma Terra mais livre, regida por homens livres do domínio da opressão. Fica com isso, os meus votos de um feliz Natal e de um feliz Chanuká Sameach para todos os leitores do Quando eu digo... Que em 2004 nós vejamos mais e mais luzes a guiar o caminho dos povos rumo à verdadeira liberdade. 21.12.03
THANK'S SIR Esse blog ficará devendo gratidão eterna aos leitores Wendel Marcelino e Fábio Mascarenhas. Depois de me resolverem o problema dos caracteres acentuados, agora eu devo a reinstalação do sistema de comments também a eles. Em especial a Sir McWendell, que bem merece ganhar o título de padrinho desta obra. Com isso, o Quando eu digo... fica praticamente pronto. Ainda quero acrescentar e resolver umas coisinhas, mas tudo isso ficará para 2004. Portanto, fica aqui o meu agradecimento aos leitores pela paciência. Valeu gente! 16.12.03
Não há outra palavra para definir meu estado de espírito na volta desta viagem. Feliz. Estou feliz.De tudo o que planejei fazer em São Paulo, fiz tudo e mais um pouco. E não foi pouca coisa que eu programei para este fim de semana. Antes de mais nada eu preciso cumprir um dever que me impus no sábado: Falar aqui e indicar a todos a exposição De Volta à Luz - Imagens nunca vistas do Imperador que está na sede do Banco Santos na rua Hungria, 1100. O Banco Santos, na figura de seu presidente Edemar Cid Ferreira patrocinou a recuperação do acervo fotográfico legado por D. Pedro II à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (a famosa Coleção Teresa Cristina Maria) e agora expõe as fotos que permaneceram trancadas e desconhecidas por mais de um século dentro de caixas metálicas na Biblioteca. Todo o capricho na montagem da exposição tornam a visita uma experiência emocionante. Temos uma primeira parte, de imagens da Família Imperial desde os primórdios do Segundo Império, quando o jovem D. Pedro II patrocinou a implementação da novidade tecnológica em nossas terras até imagens raras e desconhecidas da Princesa Isabel e do Conde d'Eu no exílio, abrangendo quase cem anos de história. A segunda parte é dedicada às fotos das três viagens do Imperador ao estrangeiro, com imagens belíssimas de suas visitas a Nova Iorque, Europa e Oriente Médio. A terceira, intitulada Enroladinhas mostra as fotos que foram restauradas e recuperadas graças ao patrocínio do Banco Santos. "Enroladinhas" porque era neste estado em que elas se encontravam nas tais caixas metálicas ao serem redescobertas recentemente. Uma vez desenroladas, as mais de quinhentas imagens revelaram fotos maravilhosamente belas dos lugares visitados por D. Pedro II. Vistas de Pompéia e do Campo Santo de Milão; das pirâmides do Egito e das vielas de Damasco e de lugares santos em Jerusalém. Ainda há espaço para belas surpresas, como ver o pince-nez original do Imperador exposto ao lado de uma fotografia onde o próprio aparece nas mãos de D. Pedro II tirada na Filadélfia em 1876. Deixa-se a exposição, que ficará aberta até o dia 28 de dezembro, com uma sensação de deslumbre. Se você é de São Paulo ou estará lá até o dia 28, por favor, visite o espaço cultural do Banco Santos e tenha a mesma sensação que tive. Não é um pedido, é uma ordem! Outra exposição belíssima é a do acervo permanente do MASP, na Avenida Paulista. Apesar do ingresso caro (Dez reais), o acervo que Assis Chateaubriand amealhou ao final da Segunda Guerra e legou à cidade de São Paulo é magnífico. E eu nunca havia estado no MASP! Outra coisa que fiz em São Paulo foi o roteiro gastronômico. Comi pizzas deliciosas, comida japonesa por um preço irrisório na Liberdade e me diverti horrores! Mas nada foi mais gostoso do que saber da prisão de Saddam Husseim estando em plena Hebraica! De repente, os alto falantes do clube interromperam a música para anunciar: As tropas americanas de libertação prenderam o ex-ditador do Iraque. Passada a alegria inicial, veio a constatação: Ali estava eu em meio a um clube judaico, durante um festival de folclore judaico, cercado de judeus recebendo a notícia da prisão de um déspota que jurara acabar com os judeus. Isso só fez redobrar a minha alegria! Ainda mais ao ver as pessoas se abraçando e comemorando, enquanto já se comentava o óbvio: Bush está reeleito! Mas como nem tudo são flores, houve um único problema: A viagem de volta. O ônibus da Expresso Brasileiro quebrou o ar condicionado na metade do caminho e eu cheguei ao Rio ensopado de suor, mal humorado e indisposto. Ainda estou assim, diga-se de passagem. E uma coisa é certa: Viajar em ônibus da Expresso Brasileiro nunca mais! Porém não tenho do que reclamar. Fiz a necessária higiene mental que precisava. Agora é só esperar esse annus horribilis terminar. 11.12.03
Uma notícia que de tão boa, até parecia mentira: A Gol está lançando passagens aéreas noturnas com preço de bilhete de ônibus.Tendo eu que ir a São Paulo hoje, é óbvio que fui atrás da notícia. Segundo o noticiário do UOL, a Gol ganhou o direito de explorar até fevereiro os vôos da madrugada, liberados pelo D.A.C. As aeronaves partirão de Porto Alegre e farão pousos em várias capitais pelo caminho rumo ao Nordeste. Um bilhete Rio/São Paulo poderia sair por até 50 reais nessas condições. Mas alegria de pobre dura mesmo pouco. Os vôos só começarão no dia 21 de dezembro. Mas ainda assim fui atrás de bilhetes na página eletrônica da companhia e, pasmem, todos os bilhetes já estão "esgotados". Ora, como isso é possível? Tá na cara que há alguma empulhação braba no meio disso tudo! E eu, que tenho que estar na tarde de hoje em Higienópolis, terei que desembolsar quase 300 reais se quiser voar hoje na Ponte Aérea. Como isso é absolutamente impossível para minhas combalidas finanças, terei de encarar as habituais seis horas de Via Dutra a bordo de um ônibus qualquer. E falando em viagem, volto apenas na segunda-feira, dia 15. Comportem-se até lá, heim? |
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