Casa em construção...

Médico interno aguarda (im)pacientemente a instalação da ligação à Internet cá em Casa, o lançamento do primeiro álbum dos Colombia, um rumo mais liberal na política do nosso País e a extinção das touradas. Regressado de Timor Leste e da Austrália, as aventuras continuam em Braga. Ui! Que emoção...
João Moreira Pinto

.: Espaço publicitário para uma empresa farmacêutica rica e poderosa interessada em
pagar-me umas valentes férias depois do exame de acesso à especialidade (data por confirmar) :.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

Fura greves. Até prova em contrário, sou contra as greves. Razão principal: as greves são uma forma de contestação tão batida e previsível que não afecta em nada quem nos governa, mas, pelo contrário, afecta sim que usufruem dos serviços em greve e, na maioria dos casos, aumenta o trabalho dos colegas que não fazem a dita.

Não. Não me vou vitimizar por esta última. Primeiro, sou apenas um interno, vulgo "estagiário", ou seja, ajudo no que posso, mas aquele trabalho-que-tem-mesmo-que-ser-feito não depende de mim. Segundo, os médicos em geral não aderem às greves, julgo eu porque as doenças não dão intervalos de descanso aos doentes. É preciso observá-los e tomar atitutdes terapêuticas mesmo em dias de greve.

Agora, este que vos escreve, e de resto TODOS os Portugueses, são vítimas desta função pública paralizada. Na verdade, paralizada ou no seu estado hemiparético normal, mas isto são outras contas. Facto é que, em Braga, existe um único local para o pagamento do imposto automóvel de veículos registrados fora do concelho. É na Loja do Cidadão. Passei por lá para "comprar o selo". Surpresa! Fui recebido pelos serviços mínimos que, de tão minimizados, couberam num página A4. «Fechado por motivo de Greve». Eu fui vítima desta greve.

Voltando ao impacto da greve, faço desde já as minhas apostas. O Governo sairá completamente ileso, nem um arranhão. Os grevistas grevistas talvez ganhem um bronze. Os restantes Portugueses ficarão (como sempre) a perder. A PSP e a GNR talvez ganhem qualquer coisinha, se me mandarem parar para mostrar o "selo".



Para a malta não se aborrecer fazemos assim: pessoal da Grande Lisboa vai ao D&, para a festa da malta quase famosa; o resto do País, faz favor de rumar ao rio Douro. Hoje, às 24h no Porto Rio (aka Barco), tocam os Colombia. Roqueria nacional por 3€.

Quinta-feira, Julho 14, 2005


Antes de lerem os posts desta Casa, dêem-se ao trabalho de ler os posts do Fernando Albino - um amigo que trabalha em Londres. Ele está lá!

Falhas. Nos dias 1, 2, 7 e 8 deste mês falhei aniversários. Ontem falhei outro.

A todos e a cada um dos bloguitas, Parabéns! Não vou esconder que não vos tenho lido, mas ainda cá estão no Blogroll, no rol dos poucos que ainda vou lendo quando dou um intervalo no estudo.

No País eternamente adiado, o exame de acesso à especialidade é também adiado. 13 de Dezembro é a data indicada como provável. Provável, porque neste País nunca se sabe... Nunca se sabe a data. Nunca se sabe quando escolhemos a colocação. Nunca se sabe se temos concurso aberto ou fechado (apenas para os IACs*). Nunca se sabe o mapa das vagas. Nunca se sabe se há vagas. Nunca se sabe quantos clínicos gerais são necessários junto à fronteira com Espanha. Ali no Interior, esse País eternamente esquecido, esse País eternamente adiado.

*IACs = Internos do Ano Comum. É assim que os formados em 2004 são chamados. Os Iacs! Assim em jeito de vómito. Um vómito que pode cair aqui no Porto, em Lisboa, em Coimbra ou em Viana do Castelo. Um vómito adiado.

Novas entradas no Blogroll. Três na categoria "Colegas".

Blog da ANMI. A Associação Nacional do Médico Interno traz notícias. «IAC: exame em Dezembro só para IACs, restante burocracia sem data definida para anúncio - embora se preveja entrada na especialidade em Março. Promessa de manutenção da proprorcionalidade entre número de vagas para as diferentes especialidades entre cocncursos. Após AC mantêm vínculo ao hospital onde estão e farão o que este entender até entrarem para a especialidade. Tanto P2 como IAC como todos os outros médicos de pleno direito poderão fazer exame em Janeiro de 2006, como já foi dito.»

Três dedos de conversa. O "blog terrorista" de há dias. Como seria de prever, está a tornar-se cada vez mais o blog pessoal de Sérgio Figueiredo. A culpa não é dele. É da inércia do costume. Ninguém quer comentar, ninguém quer debater, até porque, se o quisessem fazer, fariam-no no Blog da AEICBAS. Portanto, "Três dedos de conversa" um blog anti-terrorista, anti-israelita, anti-touradas, anti-época-de-setembro,...

Meninos de Colo*. O Blog é de Tiago Costa (a.k.a. Jorge P.) Se se derem ao trabalho de ler esta caixa de comentários, perceberão que: 1. P. poderá ser a abreviatura para "Panillas" (aguarda-se confirmação); 2. Tiago Costa não sabe que já não é preciso passaporte para ir a Espanha para consumar o matrimónio com o líder; 3. esta Casa já tem direito ao seu próprio covil de hienas, onde covardemente se comenta e ri sobre o que cá se escreve.

* É claro que não coloquei este no Blogroll. Foi uma mentirinha de breves segundos. De qualquer maneira fica o link mais uns dias, quiça meses, dada a frequência com que tenho actualizado o Blog. Até lá, podem usar este saco de boxe para libertarem esses recalcamentos. Força!

Ainda cá estou. Um bocadinho ausente, é verdade! Passei no início do mês para a Cirurgia, que promete ser a melhor valência de todo o Internato. E agora, para impressionar as meninas, fica um breve relatório de actividades:

2 hemitiroidectomias (excisão de meia tiróide)
1 hemorróide trombosada
1 excisão de lipoma no hemicrânio direito
1 excisão de quisto sebácio na axila
1 remoção de catéter venoso central
1 sutura do antebraço
1 sutura do dedo.

Uma boa dose de lidocaína e não custa nada! Pelo menos ao doente.

Sábado, Julho 02, 2005



I like to move it, Move it
I like to move it , Move it
I like to move it, Move it
Ya like to (MOVE IT!)

I like to move it, move it
I like to move it, move it
I like to move it, move it
I like to move it, move it
I like to move it, move it
You like to move it, move it
He like to move it, move it
She like to... (MOVE IT!!!)

(Speaking Part)
All the girls all over the world,
I like it when they like to move their bodies
'Cause when you move your body,
You move it nice and sweet and sassy like this ya!


A versão do filme é de Sacha Baron Cohen (aka Ali G). Neste website podem ouvir a música na íntegra.



Cuiroso o tipo de desenhos animados que hoje em dia se fazem para as crianças. Quatro animais fogem do Zoo. Lançam o pânico na cidade. São capturados e a pena? Enviados para a ilha da Madeira, onde o líder local promove caranavais todos os dias. Os estrangeiros estranham, mas vão se adaptando... até que se acomodam.

Sábado, Junho 25, 2005


Agora vou jantar uma daquelas galinhas sem bico, sem penas entupidas com rações trangénicas, super baratinhas, com molho espetacular e batatas fritas até ficarem carregadinhas de "castrol", que entope os vasos sanguíneos das criancinhas obesas. Depois, de volta ao meu estudo!

É São João VII. Os posts anteriores (ou que se seguem, para os leitores que lêem o Blog de cima para baixo) roçam a violência gratuita. São as respostas a provocações lançadas na caixa de comentários de um post do Blog da Associação de Estudantes a que presidi em tempos. Os que me lêem por outras razões passem, por favor, à frente. Aaah! Já tinha saudades de uma boa discussão associativa.

Quanto aos direitos de resposta, já devem ter reparado que "comentar" só via e-mail. Não tenho caixa de comentários, porque não gosto de ser insultado na minha própria Casa. De qualquer maneira, leio e respondo às mensagens que me enviarem, desde que se apresentem e despeçam com cordialidade e educação (não como fez, por duas vezes, a Teresa Ramôa, que nem um beijinho me mandou no fim :-().

E, lembrem-se, posso parecer pouco "politicamente correcto", mas é que o meu "politicamente correcto" pode não ser o vosso "politicamente correcto". Percebem? É uma questão mais qualitativa que quantitativa.

É São João VI. As quinta e sexta marteladas vão para o Bruno Maia. Uma vai pela brilhante forma como "obriga" o administrador do Blog da AEICBAS a adicionar o Blog Brucsinha à lista de ligações (06.20.05 - 9:47 pm). O Bruno reclama ser um dos autores deste Blog. Uma busca cuidada à procura dos últimos posts escritos por BCMaia leva-nos até Abril de 2004. Surpreendentemente, os dois posts escritos pelo Bruno são os únicos que ele alguma vez escreveu. Chamo a atenção que Abril de 2004 foi há mais de 1 ano e que um dos dois únicos posts (repito) é uma transcrição. Que transcrição? Pois é o poema já tem dono - é a letra de um música de Zeca Afonso.

Oh, Bruno é muito fácil juntar uma malta, criar um Blog, cruzar os bracinhos à espera que os outros teclem os posts e depois reclamar a quinta parte dos louros. É o que eu chamo comunismo. E tu nem "O Cantor" poupas!

A outra martelada é pela derrota por 150 votos nas eleições. Quem conhece o procedimento das eleições para uma AE percebe que a oposição é muito fácil de fazer. Quem não conhece, faça o favor de ler o post da polémica. O Bruno era o vice-presidente da lista I (a derrotada) e o bloquista de serviço. Quero com isto dizer que, pegando em alguém com sede de protagonismo suficiente para dar a cara como Presidente, o Bruno fez uma lista e manipulou toda a acção política num deita-a-baixo esquerdista sem escrúpulos. A campanha foi o reflexo disso, a ressaca da mesma também. Num mau perder sem precedentes, o Bruno lança a acção terrorista sobre o Blog da AEICBAS, agora com 3 fiéis discípulos ao seu lado (o Sérgio até já tem um Blog pronto a fazer oposição todo o ano!). É o que eu chamo comunismo.

É São João V. Confesso que me irritou a forma altiva como o Tiago Costa se refere a mim como «senhor construtor» (06.20.05 - 8:24 pm), mas a martelada não é por isso. O Tiago tem vontade em apagar o meu link do Blog da AEICBAS. Diz ele que esta Casa «deixou de ter interesse para a comunidade em geral». Apresento-vos então o Tiago Costa, ilustre derrotado da lista I, mas que continua a achar que representa os interesses da «comunidade em geral». É o que eu chamo comunismo.

É São João IV. Uma segunda martelada, agora para um tal de Sérgio Figueiredo (06.22.05 - 12:59 am), pela censura que faz às minhas opiniões políticas, nomeadamente à campanha pelo CDS-PP. Caro Sérgio, o meu ideal de democracia recria-se num ambiente em que as pessoas podem falar das suas opiniões políticas da mesma forma que falam e assumem as suas preferências futebolísticas - não com a mesma falta de seriedade, mas com o mesmo à vontade.

Em Portugal, tem-se por hábito censurar quem se mostra apoiante deste ou daquele ideário, acusa-se de falta de independência quem é militante deste ou daquele partido, apelidela-se de carneirada os que por convicção dão apoio a esta ou aquela política. É esta forma de encarar a política em Portugal que leva à falta de discussão, ao debate oco do "politicamente correcto", à apatia instalada. Assim o Povo não reflecte, abstem-se de opinar, existe já quem pense e decida por ele - o Estado. É o que eu chamo comunismo.

Uma terceira martelada também no Sérgio. E estou a ser condescendente, porque acho que merecia uma por cada vez que escreve a «minha humilde opinião». Analisemos em separado. No fim de cada comentário escrito, o Sérgio afirma que aquela é a sua opinião e que a mesma é humilde. Ora bem, Sérgio, se o comentário não fosse teu, ele seria de quem? do Partido, de alguma associação recreativa a que pretences, de algum grupo de escuteiros. Quando as pessoas lêem um comentário assinado por ti, não estão á espera que seja uma opinião feita por outros. Ou devem estar?

Quanto ao humilde, a táctica é antiga (30 anos no mínimo). Ai que eu sou tão humilde, pobrezinho e insignificante. A minha opinião conta para quase nada, porque eu, ao contrário dos ricos e poderosos, emito a minha opinião mas ela cai num silêncio ensurdecedor. Eu sou humilde, sou pequeno, penso e opino mas sei que "eles" os grandes não vão permitir mudar o status quo. Eu que sou um entre tantos, eu que sou a voz dos oprimidos, que falo em nome das imensas minorias. É o que eu chamo comunismo.

É São João III. E já que comecei com Pedro Caiano Gil pode ir para ele a primeira martelada. O Pedro começa com esta falácia, com sustenta a sua argumentária, que está, por isso, errada: «Associação de Estudantes (que, como representante de TODOS os alunos que é, deve respeitar as diferentes opiniões de cada aluno, mantendo-se o mais imparcial possível)». Ficas a saber que a AEICBAS não é nem deve ser imparcial (nem me refiro à relatividade com que dizes «quanto possível», porque se é ou imparcial ou não. Não existe meio termo). A Associação de Estudantes tem que tomar posições sobre diversos temas (maioritariamente sobre ensino superior), tem que debater, tem que tomar partido. É parcial.

A Direcção da AEICBAS emite pareceres, faz campanhas, contesta decisões, etc. Toma o partido dos estudantes por ela representados. Como sabes (ou deverias saber), estes não estão sempre de acordo uns com os outros e para isso é que existe uma Assembleia Geral de Estudantes (AGE) onde são discutidas as diferentes opiniões e votadas as diferentes propostas. A vencedora passa automaticamente a ser a posição da AEICBAS e da sua Direcção, mesmo que vá de encontro a parte substancial mas não maioritária dos estudantes ou mesmo contra a sua posição anterior à AGE.

A AEs não são nem podem ser imparciais, porque se o fossem não haveria a quem pedir a opinião dos estudantes sobre esta ou aquela matéria, não haveria uma vós dos estudantes na discussão de decretos-lei para o ensino superior. Se as AEs não tivessem as tais opiniões, não debatessem, não tomassem partido, o Estado tomaria as decisões baseadas no que ele acharia melhor para os cidadãos. E, como os cidadãos votaram naquele Estado, ele teria a legitimidade para legislar o que bem entendesse. É o que eu chamo comunismo.

Mais, num processo eleitoral, o único orgão que tem de ser imparcial é a Comissão Eleitoral presidida pelo Presidente da Mesa da AGE. A Direcção em funções pode tomar partido de uma das listas, nomeadamente, se achar que existem projectos que só podem ser continuado se determinada equipa for eleita. A Direcção pode usar dos meios ao seu dispor para apoiar esta ou aquela lista e o Blog é um desses meios. Se o deve fazer ou não, cabe à Direcção decidir ou à AGE, se para isso for convocada. Neste caso nem foi preciso, porque a Direcção cessante não entendeu publicitar o voto na lista A, o que eu concordo, embora (conhecendo a Presidente Raquelinha ;-)) terá sido por razões diferentes.

É São João II. Quem geralmente acompanha os escritos cá de Casa percebeu com certeza que fui sarcástico. É demasiado óbvio para explicar, mas eu tento. Este Blog é escrito por mim (João Moreira Pinto) e reflecte o que eu penso, escrito quando eu bem quiser e me apetecer, com a filtragem que eu decida aplicar, com os devaneios linguísticos que eu bem entenda usar, com os erros ortográficos que involuntariamente surjam quando não me apetecer passar um corrector ortográfico. Este é o meu Blog.

Lê e/ou linka para esta Casa quem bem entender, porque é um espaço público. Nunca eu condicionaria o que escrevo pelas ligações que ligam leitores de outros Blogs a esta Casa. Até porque cá vêm pessoas vindas de Blogs tão estranhos e/ou alheios como: do Bicho de Carpinteiro (uma malta bloquista, onde se inclui a deputada Joana Amaral Dias), dum Estaleiro (do Partido Socialista), do Tranquil Escapes (um belíssimo condomínio a 15 Km de Albufeira).

Mas o que suscita esta reflexão é o link cá para Casa da Associação de Estudantes do ICBAS. Como já escrevi cá várias vezes, pertenci a esta AE e fui até eu que criei o dito Blog. Quando mais tarde comecei esta Casa, entendeu a Direcção que ficou a tomar conta da AE adicioná-la à sua lista de Ligações. A razão principal para esta ligação foi obviamente a viajem a Timor como voluntário da AMI, mas, da mesma forma que eu venho mantendo este Blog, o link do Blog da AEICBAS foi também se mantendo. E porquê? Se calhar por ter sido Presidente daquela AE, se calhar por manter muitos amigos fora e dentro dela, se calhar pela mesma razão que eu vou mantendo esta Casa - nenhuma razão em especial.

Um Pedro Caiano Gil escandaliza-se (na caixa de comentários, 06.20.05 - 6:28 pm) com o meu post de apoio a uma das listas. Um escândalo! Então, não é que eu escrevi dois posts de apoio a uma das listas? Disse mal da lista opositora? E como não bastasse ainda felicitei a sua vitória? Mais, apelidei-os de "os bons", o que não tem o significado implícito de que os outros sejam "os maus", embora neste caso específico até tem. Caros, enviados-via-Blog-da-AEICBAS, este que vos escreve tem opiniões, apoia quem entende apoiar. É (sou) um amante da democracia e até faz (faço) campanha em pleno período eleitoral (não é para o que ele serve?).

Sexta-feira, Junho 24, 2005



É São João I. E, se é São João, é tempo de marteladas. Os meus amigos leitores não se importarão, com certeza, que eu use este Casa, que é tão minha como de todos vós, para acertar em "meia-dúzia~"* de alunos da "minha"** anterior faculdade. Eu tenho uma justificação para esta arrojada impertinência e falta de pudor. Basta lerem os comentários a este post no Blog da AEICBAS.

Mas, atenção!, como não quero fazer uso deste Blog de uma forma que possa eventualmente ser ofensiva aos amigos leitores, vou dar um tempinho para escutar o auditório antes de começar a mandar as postas. Está a contar...

* entre aspas, porque pode não chegar aos seis, salvaguardo assim que não cometo o erro de mentir aos amigos leitores;
** entre aspas, porque na verdade ela não é mesmo minha; é uma forma de dizer que lá tirei o curso.

Domingo, Junho 19, 2005

Breve interrupção à interrupção deste Blog. Para dar notícia de que os bons ganharam. Parabéns!

Quinta-feira, Junho 09, 2005



Não esperava outro tipo de campanha que não o populismo sem escrúpulos, mas aquela do "papá" roça o trabalho infantil.



«Mas a Europa cristã e civilizadora de que Portugal foi paladino e a quem deve a sua existência conhece agora os grilhões das dificuldades materiais, e a muito custo se entendem os partidos de opinião. O mundo materialista impôs-se porque as ideias do Bem são imperfeitas, ou imperfeitamente ensinadas; e então é de novo verdade que todos temos a obrigação de proteger os nossos sentimentos, a nossa aventura pessoal, cultivando a antiga ideia de amor, de todas a mais fértil, a mais prolixa.»

Pedro Ayres Magalhães, no posfácio de um livro de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira.

Ainda sobre as eleições para os órgãos da AEICBAS. Vota A!

Segunda-feira, Junho 06, 2005



Dois apontamentos sobre o ICBAS. Hoje revisitei alguns colegas da faculdade. Foi através da Praça da Alegria (RTP), que a Tuna Académica de Biomédicas a lançar o seu primeiro álbum com uma actuação em directo. Fico feliz, porque vi nascer esta Tuna, já eu andava nas lides associativas. (Se algum deles ainda me lê, Parabéns!)

O segundo apontamento é exactamente sobre as lides associativas. A Direcção da AEICBAS ogulha-se de ter uma lista de continuidade de 4 anos. As eleições serão por estes dias e, como já se depreendia da ambição pessoal de alguns incompetentes subtilmente afastados (nota-se que não gosto deles e não quero escondê-lo), existe uma lista de oposição. Claro que fazer oposição é sempre fácil. O trabalho associativo é feito por alunos que abdicam do seu tempo livre para o dedicar à organização de actividades para os colegas, a defender os seus interesses, a tentar melhorar a vida académica de todos e, consequentemente, está cheio de erros e hesitações facilmente denunciáveis por quem quer ser "alternativa" (oposição é um termo muito agressivo, demasiado real).

Mas há aqui um mas. Sem a continuidade que existe e quer fazer 5 anos de existência, não haveriam com certeza: patrocinadores (que confiam no trabalho que tem sido feito), professores e directores sempre dispostos a ouvir a opinião dos alunos (porque sabem que ela é responsvável), actividades organizadas com um nível quase-profissional (porque não é fácil ter um Curso de Iniciação à Medicina Legal grátis e para cerca de 150 alunos, não é fácil arranjar estágios médicos em férias dentro de Portugal e por esse Mundo fora, não é fácil organizar uma Semana Cultural com direito a artigo de opinião do Professor Nuno Grande) e não haveria, com a certeza absoluta de quem viu o projecto nascer, uma sala de alunos e cacifos no Hospital de Santo António (porque não é um projecto que a AEICBAS, único motor do mesmo, consiguisse realizar num ano).

Adorei trabalhar na Direcção da AEICBAS. Adorei o trabalho que ficou feito e o que foi continuado, durante este ano. Estive a pensar nisto e desejei que os colegas que ainda por lá deixei votassem na equipa disposta a continuá-lo. Lá está! Não se muda o que está bem. E como já ouvi o Pe. Luís Borga (que também estava no programa) dizer: «mudança não significa evolução.»

PS - Queria escrever vota ..., mas não sei o nome da lista. Peço desculpa aos desiludidos com um texto tão lamechas, principalmente porque não se trata mesmo de um texto de encomenda.

Domingo, Junho 05, 2005

fui. Para todos os efeitos ainda sou estudante de Medicina. Logo, adoro ler. Chego ao ponto (doentio, como já me disseram) de intervalar o estudo do Harrison com a leitura de romances. Não queriam que me pusesse a ler biografias de grandes pensadores ou respectivos pensamentos, pois não?

Sábado, Junho 04, 2005

Tenho andado às voltas com o projecto europeu III. Ler o Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa (o original).

Tenho andado às voltas com o projecto europeu II. Primeira premissa: podemos votar não. O discurso de que o referendo terá que ser favorável e que só poderemos dizer Sim ao "Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa" caso contrário é a morte da União Europeia, tem que acabar e por duas razões óbvias. Uma, porque não é verdade. Se o tratado for mau, ele pode ser reformulado. Se ele for mesmo muito mau, os tratados europeus existentes podem ser melhorados e tratados para áreas específicas podem ser criados de novo. Em qualquer dos casos, a minimalização do debate leva a que os Portugueses votem Sim ou Não, sem manifestarem ou até sem saberem bem o porquê do seu voto. E esta é a segunda razão.

Em Portugal, falava-se até há bem pouco tempo do projecto europeu como uma coisa inevitável. O referendo estava aí, mas como um pro forma. Acho que só por estes dias, com a reprovação do tratado no referendo em França, é que a sociedade e os jornalistas, em especial, acordaram para a existência do segundo quadradinho no boletim de voto.

Finalmente os argumentos pelo Sim e pelo Não vão surgir de uma forma mais fluida e acessível aos eleitores, porque eles vão ter mesmo que ser persuadidos. Eu por cá, vou avisando, a soberania, as fronteiras, a identidade nacional, a Europa são temas onde sou conservador convicto. Logo, na dúvida voto Não.

Tenho andado às voltas com o projecto europeu. Vou lendo o que aparece na minha imprensa habitual e nos blogues aqui do lado. O que mais se lê por aí é: por um lado, a crítica aos argumentos catastróficos dos favoráveis ao sim, que se não aprovarmos o "Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa" a dita pára e não terá outro fim que não seja defenhar; por outro lado, a crítica aos argumentos catastróficos dos favoráveis ao não, que se aprovamos uma Constituição Europeia, adeus soberania, não há travão que pare este comboio que atropela tudo e todos, começando pelos mais "pequenos".

Ora, não me surpreende a catastrofização e a radicalização dos argumentos. É típico da sociedade sensacionalista em que nos vamos tornando. Não me surpeende mas aborrece-me, porque o debate acaba por sair enfraquecido. E, o que seria uma boa altura de repensar que rumo queremos para a União Europeia e, mais importante do que isso, que papel queremos que Portugal tenha dentro da mesma, está a ser mal aproveitada, devido a esta minimilização dos argumentos de cada um dos lados.

Agora, este é exactamente um daqueles posts a criticar a crítica e a criticar os argumentos catastróficos que eu próprio critico neste mesmo post. Este é um mau post. Por isso, acaba por aqui e começo de novo...

Sábado, Maio 28, 2005


Uma fotografia que não é minha, onde nem sequer sou protagonista, mas que cortei para ilustrar um fim de tarde Qualquer. Não é preciso andar sempre focado, tão pouco sempre enquadrado.
(Praia da Mariana, Viana do Castelo)

Estou a remodelar o Blogroll aqui ao lado. O Destreza das Dúvidas de Luís Aguiar Conraria vai ser retirado, porque fechou. De qualquer maneira, gostaria de transcrever o seu penúltimo post.
«Incrível como todos aceitamos a merda de médicos que temos. Incrível como estes cabrões reduzem uma pessoa a um tubo de ensaio ou a uma análise. Incrível como conseguem ter tão má-vontade, ser tão cabrões e ainda terem a lata de passar uma imagem de devotos da causa pública. Puta que os pariu a todos. Do meio desta merda toda sobra uma consolação. Farei o que tenho a fazer nos EUA. E quem não tem dinheiro ou capacidade para sair da merda deste país? A resposta é simples. Esses fodem-se. E já se sabe que a culpa é do sistema. A culpa NUNCA é do caralho do médico que não move uma palha para fazer o que tem de ser feito. E assim têm estes cabrões a vida de alguém suspensa no resultado de uma análise que se recusam a fazer.»

Justo e inspirador.

Que raio de sentido de democracia. A Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos está a fazer uma consulta interna sobre o Acto Médico. Enviaram uma carta a explicar o tema e a apresentar uma proposta para um decreto-lei que defina o dito Acto. A correspondência incluía ainda um boletim de voto com um envelope RSF para os médicos votarem se concordavam ou não com a definição proposta. Concordo com a consulta feita aos médicos, concordo até com a proposta apresentada, mas não concordo que a carta tenha escrito "VOTE E VOTE SIM". Eu não voto, ainda que quisesse votar sim.

Sexta-feira, Maio 27, 2005


Saiu ontem.

2 Anos de Jaquinzinhos (ou talvez seja melhor substituir o número de visitas pelo número de insultos quando se avalia o sucesso de um blogue). Parabéns!

Parabéns também à Vovó Edith que, apesar do nome, é mais novinha (1 ano) e, apesar de a festa ser dela, presenteou-nos há dias com esta:
Muitas vezes ouve-se dizer que as mulheres falam demais. No entanto, não parece existir qualquer problema nisso, porque o ouvido masculino é selectivo.

Quando a mulher diz:
"Esta casa está numa desordem, Amor!
Tu e eu precisamos de limpar isto.
As tuas coisas estão espalhadas no chão.
Ainda ficas sem roupas para usar
se não as lavares agora!"

O homem só ouve:
"blá, blá, blá, blá, Amor
blá, blá, blá, blá, Tu e eu
blá, blá, blá, blá, no chão
blá, blá, blá, blá, sem roupas
blá, blá, blá, blá, agora!"

O sentido da sua recordação, atendendo ao que recorda, mantém-se tão inviolável quanto o é, por exemplo, a razão profunda do pêssego. Nessa matéria, é um erro imaginar que as pessoas sejam superiores às aves, às trutas ou aos pêssegos. No pêssego, como em qualquer outro corpo, tudo converge para um caroço inquebrável que existe dentro e fora de todo o caroço, e que não se vê nem se acha na implosão dos frutos, nem na explosão deles até às coisas siderais. Sabe bem como um pêssego peludo, no meio dum prato, é um razoável mistério.

PS - Lá encontrei uma entrevista com a autora do livro. Note-se que é no Acção Socialista. Ando muito politicamente correcto por estes dias, não ando? Isto passa já.



É engraçado como andava pelo Google à procura de entrevistas com Lídia Jorge e encontrei este texto de um Professor Brasileiro:
«Em uma entrevista concedida ao jornal A Folha de São Paulo (05/04/98), quando comentou sobre a literatura de guerra em Portugal, disse: “... Penso que esta questão está tão viva dentro do povo português que as obras sobre a guerra colonial só vão aparecer agora. Parece-me que é o período equilibrado para começarem a aparecer as obras com o distanciamento suficiente e, portanto, a brecha da estética pode-se introduzir".»

Eis aqui uma citação que resume quase tudo o que queria dizer sobre o livro. A estética da narrativa é linda. Envolve. A crítica à guerra colonial está lá, mas como pano de fundo. Uma distância temporal necessária, para não cair no ataque histérico, na denúncia fácil, no anti-patriotismo patético. Há de certo uma reprovação pelo que aconteceu em África na década de 70, mas há a calma e o diálogo com as emoções que por lá habitavam nessa época.

Recomendo e posso até emprestá-lo, porque estou mesmo a acabar de o ler. Falta o despiste automóvel do alferes.

Segunda-feira, Maio 23, 2005

Tentativa falhada. A minha única ambição, em termos de cultura futebolística, resumia-se a saber a hora do jogo Benfica-Boavista para evitar a confusão ao chegar a casa. Nem isso consegui.

Sábado, Maio 21, 2005



Ambiente de trabalho para portistas, sportinguistas-anti-benfiquistas, benfiquistas-masoquistas e alguns boavisteiros. Força aí!

Regra básica para recém-licenciados II. Se atendeste o telefone a um colega na sexta-feira à tarde e vais ter que trabalhar na manhã seguinte, fecha-te em casa. A probabilidade de o dia piorar ainda mais é alta e podem acontecer coisas muito muito más, como "perder" o tal telefone na mesa de um bar que ali em Massarelos chamado Bazaar.

PS - Escusam de ligar. Durante os próximos dias, só comunico por e-mail.

Regra básica para recém-licenciados I. Se atenderes o telefone a um colega de trabalho numa sexta-feira à tarde, é muito provável que estejas a trabalhar no sábado de manhã seguinte.



Alguns leitores (na verdade, um dos 40 que ainda mantenho apesar da ausência prolongada) mostraram uma certa admiração pela minhas postas de ontem.

Amigos leitores, é óbvio que na última estava a ser irónico. Espanta-me que queiram falar de sexo nas escolas como quem fala de Biologia, Física, Química, etc.. Acho a ideia tão absurda que me custa arranjar argumentos para contestá-la. As crianças acedem a informação variadíssima pelos meios de comunicação. Não precisam que venham joviais professoras ensiná-los a masturbar-se, por exemplo. Para além disso, o papel primordial da escola, que deverá ser a formação técnica das crianças, é cada vez mais posto em causa. Não deveríam estar os professores mais preocupados em ensinar bem a ler, a escrever, a fazer contas, do que ensinar a "fazer o sexo"? É que sobre este tema, nunca faltaram pais ou mães, tios ou tias, revistas ou revistas dos tios, vídeos, canais de televisão ou Internet, onde procurar a informação, que acaba por ser mais dirigida à realidade socio-cultural onde o adolescente se insere e, mais importante de tudo, é absorvida ao seu próprio ritmo, sem pressões pedagógicas.

Sobre os aniversários, não houve admiração. Mas aproveito para enviar os Parabéns ao Geraldo, que faz hoje 1 ano.

Quanto a Sócrates, estou mesmo convencido que este seu silêncio é um bom pronúncio. Mais, segundo li no Arte da Fuga, o Expresso traz uma notícia que confirma a minha suspeita. O ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, pode deixar o ministério que tutela por não estar disposto a abdicar do conjunto de medidas que considera absolutamente indispensáveis para combater o descontrolo das finanças públicas. Talvez seja este o «o tipo que com binóculos vê um bocadinho mais além e dá indicações ao homem do leme». Neste caso, indicações para que as tais medidas impopulares sejam mesmo tomadas. Mais, ainda no Arte da Fuga, vemos como a gestão do silêncio pode durar até às autárquicas, com uma ou outra fuga de informação estrategicamente promovida por Jorge Coelho. Isto é política. E, desde que seja feita com inteligência e a bem de Portugal, por mim, tudo bem.

Sexta-feira, Maio 20, 2005

Masturbemos (ou Digamos Sim à Educação Sexual). Ora aí está o bom e velho comunismo. Vamos lá educar o povão cá com as nossas ideias. Vamos ensinar a populaça como se faz sexo. Meia dúzia de regras básicas, assim como na Matemática, na Física ou na Química. Aliás, poderiamos até passar o capítulo da contracepção e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis à frente. Sobre esse os pais já têm uma noção e podem perfeitamente discutir ao jantar com os meninos. Agora, masturbação, novas famílias, sexualidade alternativa? Sobre estes temas o povo não sabe falar. O povo é conservador. O sacana do Povo. Soberano?... aaaargh!

Longe de Casa, acabei por passar ao lado dos aniversários blogosféricos. Falhei este, este e ainda este. Com o respectivo pedido de desculpas pela falta de presença:



Temos em alvoroço os comentadores políticos pela falta de comunicação do novo Governo. Seria de estranhar o contrário. Se comunicam medidas e/ou intenções é publicidade, se não se comunicam é secretismo. De facto, tirando a iniciativa de colocar os medicamentos não sujeitos a prescrição médica à venda nos hipermercados, José Sócrates tem mantido o silêncio sobre o que é que vai ser preciso fazer para que este nossa Nação saia da banca rota, da cauda da Europa, do 3º Mundo, do 4º, ou seja lá onde temos andado nas últimas décadas.

Se por seu lado os mais críticos vêm nisso um sinal de inactivadade e de falta de ideias para o País, os pró-socráticos começam a ficar preocupados com a falta das tão anunciadas promessas socialistas. Ora, eu, por cá, vejo nisto um bom pronúncio, e por duas razões principais. A primeira, José Sócrates parece ter percebido que as medidas a tomar não vão agradar a sociedade esquerdizada que o elegeu, pelo que vai optar por gerir este silêncio até as eleições autárquicas e (se possível) as eleições presidenciais estejam ultrapassadas. A segunda, José Sócrates (ou alguém por ele) percebeu isto, o que é sinal de inteligência. Portugal precisa de gente inteligente no papel de homem do leme, ou pelo menos, no papel do tipo que com binóculos vê um bocadinho mais além e dá indicações ao homem do leme.

Aprofundando. José Sócrates percebeu que, para controlar o défice, não basta falar de tangas. É preciso cortar ainda mais. Por saber que os cortes nas autarquias têm que continuar, mantem o silêncio e evita conflitos antes dos seus autarcas serem eleitos. Por saber que Portugal precisa de uma economia mais dinâmica e liberal, mantem o silêncio e evita que os sindicatos saiam à rua. Por saber que a segurança social caminha para a falência, mantem o silêncio e evita melindrar o eleitorado perto da idade da reforma. Por saber que isto e muito mais, José Sócrates mantem o silêncio, para evitar o anúncio de medidas impopulares que afectariam os próximos escurtínios.

Quanto tempo durará o silêncio? Um ano? Ano e meio no máximo? É certo que as medidas deveriam ser tomadas quanto antes, mas mais importante do que isso é que sejam efectivamente tomadas. É certo que o País estará adiado mais um tempinho (adoro estes clichés), mas mais vale tarde que nunca (este também é bom). Resumindo e concluindo: vejo no silêncio de José Sócrates um sinal de inteligência e um bom pronúncio. Espero então até às autárquicas, para ver se o tal rumo leva Portugal a bom porto.

Estou de volta. Ou melhor: estarei de volta dentro de minutos e a elogiar José Sócrates. Me aguardem...