Só em 2004, 19,2 milhões de pessoas tiveram que abandonar as suas casas, transformando-se em refugiados, asilados, etc.
Destes 19,2 milhões, 40% vivem (ou viviam) em países africanos.
E há ainda uma multidão muito maior de desgraçados que, não sendo refugiados oficiais, fogem para onde podem, vão atrás de uma vida melhor do que aquela que podem ter num dos inúmeros países depauperados e aviltados por séculos de colonialismo europeu.
Quando afastados dos seus países de origem, este deslocados fazem os trabalhos mais duros e vivem nas zonas mais degradadas, sendo as principais vítimas da violência que ali regularmente eclode, fruto, pelo menos em parte, dos fenómenos de exclusão.
Como se podia ver em qualquer imagem, uma boa parte dos frequentadores da praia de Carcavelos aquando do recente arrastão tinha a pele escura – como Machado de Assis, Pelé, Luther King, Michael Jordan ou Kofi Annan. Do mesmo modo, uma boa parte dos passageiros da linha que Queluz onde ontem sucedeu um assalto violento era de origem africana. Alguns seriam ucranianos, romenos, bielorussos, etc. Iam de casa para o trabalho, cansados, como qualquer emigrante português em Paris, em Hamburgo, no Ulster.
Foi contra estes perigosos estrangeiros e a sua respectiva invasão que os fascistas portugueses se manifestaram no passado sábado.
Se ser português é aquilo, se ser patriota é desbocar estupidamente pregões contra os estrangeiros, então eu quero ser guineense.