Terça-feira, Julho 19, 2005
A Aparição
Na parede de betão de uma passagem inferior de uma auto-estrada perto da cidade de Chicago, nos Estados Unidos, apareceu uma mancha proveniente de uma infiltração.Nos seus misteriosos desígnios, pelos vistos esta foi mais uma das formas que a Virgem Maria escolheu para se manifestar aos terráqueos, pois a mancha da infiltração é agora vista como uma imagem da mãe de Deus.
Então, desde que foi descoberta em Abril passado, a parede de betão tem sido um piedoso local de peregrinação para milhares de fiéis cristãos, que ali deixam velas, flores e até uma bonita e comovente imagem da Virgem Maria a abraçar o falecido Papa João Paulo II.

Se a fé move montanhas, espero bem que não mova também passagens inferiores, porque a auto-estrada deve ali fazer muita falta...
Segunda-feira, Julho 18, 2005
A Caminho da Morte
.


Estes quatro homens são os autores dos atentados de Londres do passado dia 7 de Julho.
Como tantos antes deles ao longo da História dos Homens, também eles caminham resolutamente para a morte, unidos por um objectivo comum e pela mais mortífera das causas:
Como tantos antes deles ao longo da História dos Homens, também eles caminham resolutamente para a morte, unidos por um objectivo comum e pela mais mortífera das causas:
O fanatismo religioso.
Sexta-feira, Julho 15, 2005
A Ironia do Destino

Depois do estrondoso sucesso do «Viagra» por todo o planeta, começaram recentemente a surgir medicamentos de efeito similar para serem usados pelas mulheres.
É o caso, por exemplo do «Big Blue» que se arroga grande eficácia no aumento da libido feminina.
Será talvez por ironia do destino que este miraculoso medicamento tem um pequeno efeito secundário para as mulheres:
- Causa-lhes dores de cabeça...
A Eucaristia

- Senhor padre, eu queria que o meu cão fizesse a primeira-comunhão...
- Está doido?
- Bem... Eu paguei ao padre anterior 100 euros pelo baptismo e 200 para o crismar...
- Bolas! Porque é que não disse logo que o bicho era católico?!
(Gamado ao Carlos Esperança no «Le Couchon Latin»)
Quinta-feira, Julho 14, 2005
A Sondagem
Uma sondagem da «Gallup» revela que um em cada três americanos acredita em fantasmas.De acordo com esta sondagem, nada menos do que 32% dos americanos adultos dizem acreditar que os fantasmas ou os espíritos das pessoas mortas «podem voltar»
Dos inquiridos, 48% não acreditam, embora 19% se mostrem cautelosos e, não vá o diabo tecê-las, dizem que «não têm a certeza».
Quando perguntados se pensam que uma casa pode ser assombrada, 37% dos inquiridos responderam afirmativamente.
Mas muito curioso é que a percentagem dos inquiridos que dizem acreditar em fantasmas e que, simultaneamente, se afirmam «liberais» sobe para 42%.
Não sei se será aqui que poderá ser encontrada uma explicação para a vitória eleitoral de George W. Bush.
Mas uma coisa é certa:
Não há dúvida que esta sondagem vem finalmente fornecer uma explicação para as opções políticas de muito boa gente...
Quarta-feira, Julho 13, 2005
Tornarei a fazer o mesmo. Exactamente o mesmo!
Terminou o julgamento de Mohammed Bouyeri, o homem de naturalidade marroquina, mas de nacionalidade holandesa, acusado do homicídio do cineasta holandês Theo van Gogh.A leitura da sentença está prevista para o próximo dia 26 de Julho.
Theo van Gogh foi assassinado em plena luz do dia numa rua de Amsterdão. Bouyeri desfechou-lhe 15 tiros à queima roupa. Depois apunhalou-o diversas vezes.
Indiferente às palavras do cineasta, que ainda lhe disse «podemos conversar sobre isto?», finalmente degolou-o.
Sobre o cadáver deixou uma carta com citações do Corão.
Durante o julgamento Mohammed Bouyeri afirmou ter actuado de acordo com as suas crenças religiosas
Depois, virou-se para a mãe de Theo van Gogh, presente na sala de audiências e disse-lhe:
«Tenho de admitir que não lamento por si. Não sinto a sua dor, porque não sei o que é perder um filho. Mas não lamento por si porque a senhora é uma infiel.
«Agi de acordo com as minhas convicções, não porque odiasse o seu filho.
Depois, com voz calma virou-se para toda a audiência presente na sala e declarou:
«E posso assegurar-vos que um dia, se vier a ser libertado, tornarei a fazer o mesmo. Exactamente o mesmo!».
Perante estas declarações, ou recordando as palavras do sheik Omar Bakri Mohammed que diz que «a vida de um descrente não tem qualquer valor», a pergunta que se coloca é esta:
Haverá, de facto, alguma maneira eficaz de se combater o fanatismo religioso, qualquer que ele seja?
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Desafio
Ainda com os atentados terroristas a Londres do passado dia 7 de Julho bem presentes, acabei por ir dar ao jornal online «Mosnews» e a esta notícia, já de Setembro de 2004:A polícia de Moscovo interceptou um automóvel que transportava explosivos, duas minas anti-pessoais, um “jerrycan” com 20 litros de gasolina e ainda detonadores e um equipamento electrónico não especificado.
Segundo a polícia de Moscovo, esta descoberta terá evitado que fosse consumado mais um ataque terrorista de nacionalistas chechenos à capital russa, que ainda não recuperou do trauma causado pelo ataque a uma escola primária, que causou a morte a 320 pessoas.
O suspeito foi detido e imediatamente interrogado pela polícia.
Os pormenores relatados pelo suspeito revelam bem a eficácia do interrogatório.
Tal foi a eficiência dos polícias, que o suspeito acabou mesmo por morrer, seis horas depois do interrogatório ter terminado, tendo a autópsia revelado que o homem foi espancado até à morte.
A questão é esta, caro leitor do «Random Precision», a quem deixo aqui o DESAFIO para responder na caixa de comentários:
Tendo em mente os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, de 11 de Março de 2004 em Madrid e de 7 de Julho de 2005 em Londres, se fosse convocado para ser jurado no julgamento daqueles polícias, que decisão tomava?
1 – O terrorismo tem de ser entendido na sua génese, para que se possam combater as suas verdadeiras causas. Só assim o mundo ocidental o derrotará definitivamente.
O terrorismo não pode ser combatido com as mesmas armas dos terroristas. No dia em que nos esquecermos disso, o terrorismo terá vencido;
Por isso, os polícias deverão ser condenados pelo crime que praticaram, com toda a severidade prevista na lei.
2 – Atendendo às circunstâncias especiais em que vivemos, o mundo ocidental tem direito a uma “legítima defesa” contra os terroristas. Por isso, a polícia tem obrigação de nos precaver dos ataques antes mesmo deles acontecerem.
Atendendo às circunstâncias especiais do caso, e uma vez que se tratava de salvar vidas inocentes, o comportamento dos polícias foi o adequado.
Por isso, os polícias deverão ser absolvidos.
3 – ....
Fica o desafio!
Um Fascista Grotesco
Eu sei!Eu bem sei que os fungos só se alimentam quando lhes damos de comer.
Mas não consegui resistir a reproduzir aqui o espectacular texto de Baptista Bastos no «Jornal de Negócios» que, só por si, merece bem que se volte ao assunto.
«Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.
Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.
Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».
A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha. Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?
O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.
A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo».
Sábado, Julho 09, 2005
A vida de um descrente não tem qualquer valor...
No «Rua da Judiaria» o Nuno Guerreiro recupera uma entrevista de Paulo Moura, jornalista do «Público», ao sheik Omar Bakri Mohammed, que vive pacificamente em Inglaterra e se arroga ser o “teórico da Al Qaeda na Europa” e o «líder do Londonistão».
Esta entrevista foi publicada na «Pública» de 18 de Abril de 2004.

“O terror é a linguagem do século XXI”
PÚBLICA: Acha que vai ocorrer algum grande atentado em Londres?
Omar Bakri Mohammed: É inevitável. Porque estão a ser preparados vários, por vários grupos.(…)
P. Há muitos desses grupos “free-lance” na Europa?
P. Há muitos desses grupos “free-lance” na Europa?
R. Cada vez mais. O que é perigoso, porque nem todos têm a preparação teórica adequada. Aqui em Londres há um grupo muito bem organizado, que se auto-intitula Al-Qaeda-Europa.
Divulgam, pela internet e email, muito material de propaganda e têm um apelo muito grande sobre os jovens muçulmanos. Sei que estão prestes a lançar uma grande operação.(…)
P. Como sabemos que um atentado é realmente da Al-Qaeda?
Divulgam, pela internet e email, muito material de propaganda e têm um apelo muito grande sobre os jovens muçulmanos. Sei que estão prestes a lançar uma grande operação.(…)
P. Como sabemos que um atentado é realmente da Al-Qaeda?
R. É fácil. Em primeiro lugar são sempre operações em grande escala. O texto divino é claro quanto à necessidade de provocar “o máximo dano possível". O operacional tem portanto de certificar-se de que mata o maior número de pessoas que pode matar. Se não o fizer, espera-o o fogo do Inferno. Em segundo lugar, a Al-Qaeda deixa sempre uma impressão digital: uma pista, como um carro com um Corão ou uma cassete, para ser encontrada pela Polícia. Terceiro, os ataques são feitos em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Finalmente, a linguagem. Nos comunicados, basta ler uma frase para se reconhecer o seu rigor teórico: não há nenhum sinal de nacionalismo, não se dizem árabes, nem palestinianos, apenas muçulmanos. Falam sempre do martírio, da morte.(…)
P. Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
P. Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?
R. Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.
P. Mas havia muçulmanos entre as vítimas.
P. Mas havia muçulmanos entre as vítimas.
R. Isso está previsto. Segundo o Islão, os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles. Deus mandou-lhes mensagens, os muçulmanos levaram-lhes mensagens, eles não acreditaram. Deus disse: “Quando os descrentes estão vivos, guia-os, persuade-os, faz o teu melhor. Mas quando morrem, não tenhas pena deles, nem que seja o teu pai ou mãe, porque o fogo do Inferno é o único lugar para eles".(…)
P. O Corão diz isso?
P. O Corão diz isso?
R. Sim. As pessoas não percebem, porque a televisão e os jornais só entrevistam os seculares. Não falam com quem sabe. Os seculares dizem que “o Islão é a religião do amor". É verdade. Mas o Islão também é a religião da guerra. Da paz, mas também do terrorismo. Maomé disse: “eu sou o profeta da misericórdia". Mas também disse: “Eu sou o profeta do massacre". A palavra “terrorismo” não é nova entre os muçulmanos. Maomé disse mais: “Eu sou o profeta que ri quando mata o seu inimigo". Não é portanto apenas uma questão de matar. É rir quando se está a matar.
P. Isso quer dizer que o terrorismo é natural e legítimo?
P. Isso quer dizer que o terrorismo é natural e legítimo?
R. Só é legítimo o terrorismo divino.(…)
P. O que pretende a Al-Qaeda?
P. O que pretende a Al-Qaeda?
R. O terror. Estão empenhados numa jihad defensiva, contra os que atacaram o Islão. E a longo prazo querem restabelecer o estado islâmico, o califado. E converter o mundo inteiro.(…)
P. Os EUA podem negociar com a Al-Qaeda?
P. Os EUA podem negociar com a Al-Qaeda?
R. A Al-Qaeda é por natureza uma entidade invisível, não é um Estado, por isso não pode dialogar com um Estado. O seu projecto é derrubar os governos corruptos dos países muçulmanos, substitui-los por governos islâmicos e reconstituir o califado. Nessa altura, como Estado, poderão negociar com os EUA, de igual para igual. Primeiro, tentarão um pacto de segurança com eles. Dirão: nós fornecemos o petróleo e viveremos em paz, mas na condição de podermos divulgar livremente o Islão no Ocidente. Se os americanos não permitirem isto, então o califado terá de lhes declarar guerra.(…)
Perante os atentados terroristas de 7 de Julho em Londres, a pergunta que toda a gente faz quando se sente indignada, ultrajada e violentada na sua liberdade por toda esta barbárie, é a seguinte:
- Mas quando é que tudo isto vai finalmente acabar e poderemos voltar a viver em paz?
Perante esta entrevista, a resposta parece óbvia...
Perante os atentados terroristas de 7 de Julho em Londres, a pergunta que toda a gente faz quando se sente indignada, ultrajada e violentada na sua liberdade por toda esta barbárie, é a seguinte:
- Mas quando é que tudo isto vai finalmente acabar e poderemos voltar a viver em paz?
Perante esta entrevista, a resposta parece óbvia...
Sexta-feira, Julho 08, 2005
O 7 de Julho
Os atentados de Londres do dia 7 de Julho, que foram reivindicados por uma facção da Al Qaeda, fizeram 37 mortos e mais de 700 feridos.A Al Qaeda é uma organização terrorista, aparentemente hierarquizada na figura de Osama Bin Laden, que encontra os seus seguidores exclusivamente em países árabes e baseia a sua eficácia no fundamentalismo muçulmano.
Ora, vivem em toda a Europa milhões de cidadãos muçulmanos originários de países árabes.
Fugidos de uma vida sem futuro e da pobreza extrema dos seus países de origem, foram acolhidos na Europa como cidadãos de pleno direito.
Cruzam-se connosco na rua, trabalham ao nosso lado e os seus filhos estudam nas escolas com os nossos filhos.
Em paz.
Como iguais.
Porque todos os países europeus consideram como princípio fundamental e como sinónimo de Estado de Direito a proibição absoluta de qualquer forma de discriminação em razão de ascendência, raça, língua, território de origem, religião, etc.
E então, precisamente no dia em que a Europa acolhe uma reunião fundamental dos países mais ricos do mundo, e debate a ajuda urgente aos países mais pobres e carenciados, muitos deles maioritariamente muçulmanos, uma organização terrorista, composta por cidadãos de origem árabe e muçulmana, e que acolhemos na Europa como iguais e como cidadãos de pleno direito, uma vez mais viola a nossa confiança, quebra a nossa paz e mata as nossas crianças.
Confesso que não entendo muito bem qual o objectivo de todos estes ataques terroristas, a Nova Iorque, a Madrid e agora a Londres.
Mesmo do ponto de vista da Al Qaeda, não os consigo entender.
Estas mortes, o caos, a insegurança colectiva, a raiva profunda que suscitam, visam um objectivo, ou são o objectivo em si?
Mas, em todo o caso, uma coisa é certa:
É inevitável que os europeus comecem a associar os ataques terroristas aos muçulmanos e aos árabes.
A todos eles, sem qualquer distinção.
Então, as primeiras vítimas do terrorismo serão os próprios cidadãos originários de países árabes ou de religião muçulmana que vivem na Europa.
Porque os primeiros vencedores serão os sentimentos racistas e xenófobos que, não tenho qualquer dúvida, irão começar a prevalecer.
E então, paradoxalmente, este terrorismo, que provém de países árabes e muçulmanos terá finalmente vencido!
Porque todos os países europeus consideram como princípio fundamental e como sinónimo de Estado de Direito a proibição absoluta de qualquer forma de discriminação em razão de ascendência, raça, língua, território de origem, religião, etc.
E então, precisamente no dia em que a Europa acolhe uma reunião fundamental dos países mais ricos do mundo, e debate a ajuda urgente aos países mais pobres e carenciados, muitos deles maioritariamente muçulmanos, uma organização terrorista, composta por cidadãos de origem árabe e muçulmana, e que acolhemos na Europa como iguais e como cidadãos de pleno direito, uma vez mais viola a nossa confiança, quebra a nossa paz e mata as nossas crianças.
Confesso que não entendo muito bem qual o objectivo de todos estes ataques terroristas, a Nova Iorque, a Madrid e agora a Londres.
Mesmo do ponto de vista da Al Qaeda, não os consigo entender.
Estas mortes, o caos, a insegurança colectiva, a raiva profunda que suscitam, visam um objectivo, ou são o objectivo em si?
Mas, em todo o caso, uma coisa é certa:
É inevitável que os europeus comecem a associar os ataques terroristas aos muçulmanos e aos árabes.
A todos eles, sem qualquer distinção.
Então, as primeiras vítimas do terrorismo serão os próprios cidadãos originários de países árabes ou de religião muçulmana que vivem na Europa.
Porque os primeiros vencedores serão os sentimentos racistas e xenófobos que, não tenho qualquer dúvida, irão começar a prevalecer.
E então, paradoxalmente, este terrorismo, que provém de países árabes e muçulmanos terá finalmente vencido!
Um embaraço colectivo
Recebi de um leitor assíduo do «Random Precision» este excelente texto, que não resisto a publicar:«Os comentários aqui produzidos há alguns dias sobre determinados protagonistas da cena política portuguesa, uns cuja honorabilidade se situa abaixo de qualquer suspeita, outros cuja falta de educação há muito está mais reconhecida do que assinatura em cartório notarial, se não posso dizer em consciência que me tenham causado grande perplexidade não deixaram, em todo o caso, de provocar algum desconforto.
O Eça de Queirós escreveu um dia que a única coisa que pretendia da monarquia portuguesa era que não o envergonhasse.
Ora, em Portugal há políticos no activo que não envergonham apenas aqueles que os elegeram. Envergonham-nos a todos, como cidadãos e compatriotas.
Pouco me importa se as criaturas em causa são eficientes a dar empregos, a estimular a economia, a construir estradas e túneis, a sacar dinheiro onde o possam ir buscar. Um mínimo de educação e de bom senso deveria ser não uma qualidade desejável para o exercício de um cargo público mas antes um pressuposto da elegibilidade para tal função.
Infelizmente, há pessoas em tais lugares que se arrogam o direito de ser ordinárias (no sentido mais amplo do termo), não por lhes faltar a consciência da sua falta de educação, mas porque se consideram acima de qualquer mecanismo punitivo desse seu comportamento anti-social.
E, por outro lado, não atingiram ainda o grau de maturidade suficiente para se absterem de tais atitudes apenas porque elas são incorrectas e não por recearem retaliações.
Discutir os méritos e as realizações de indivíduos desse calibre, como aqui aconteceu na «Enetation», e constatar que sempre aparecem eleitores a tentar encontrar justificações para o injustificável é francamente deprimente.
Mas faz algum sentido: afinal, ao procurarem justificar os actos daqueles que elegeram essas pessoas estão a justificar-se a si próprias por terem votado neles.
Porque, seguramente, também se sentem envergonhados: “Diz-me com quem andas (ou em quem votas) e...” ».
Quinta-feira, Julho 07, 2005
Assim de repente...
Tocou o telefone.Uma juíza de instrução criminal queria falar comigo com urgência, a propósito de um processo que patrocino.
Como é óbvio, a minha primeira impressão não podia ser outra:
- Mau! Já temos o caldo entornado!
Mas eis que a juíza começa por me cumprimentar com muita afabilidade e a pedir-me desculpa pelo incómodo.
Aí, comecei a pensar:
- Pronto! Meteu a pata na poça nalgum lado, e quer ver se se safa!
Mas não:
Explicou-me com grande naturalidade que se preparava para tomar algumas decisões no processo.
Contudo, e obviamente sem me adiantar quais eram essas decisões, referiu-me que a grande complexidade do processo crime em questão e o elevado número dos queixosos que patrocino (um estabelecimento de ensino superior e mais de uma dezena dos seus professores) poderia faze-la induzir em erro se nalguma parte estivesse a interpretar erradamente o conteúdo da minha acusação, ou até se não estivesse a entender perfeitamente a interacção entre os factos e as pessoas que intervinham no processo, quer da parte de quem acusa, quer da parte de quem é acusado.
Assim, se eu lhe tirasse algumas dúvidas e a ajudasse a entender melhor o processo na sua globalidade, sempre se evitava que eu, se eventualmente não concordasse com a sua decisão, viesse a reagir processualmente, nomeadamente requerendo a abertura da instrução.
Desse modo, disse-me, poderia abreviar-se a marcha do processo e ganhar-se muitos meses.
Como é óbvio, anuí prontamente.
Expliquei-lhe detalhadamente os meandros do caso.
Pelas perguntas que me fez mostrou conhecer a fundo o processo e foi extremamente cautelosa em não me revelar as suas intenções antecipadamente.
Depois, agradeceu-me a minha disponibilidade e desligou.
Já viram isto?
Anda aqui uma pessoa a clamar há uma data de tempo contra a justiça e contra a forma como as pessoas que nela trabalham a administram.
E, assim de repente, aparece-nos sem qualquer aviso uma juíza destas: interessada, inteligente, competente e que não se importa de descer do seu “pedestal” para decidir em consciência.
Mas onde é que isto vai parar?...
Quarta-feira, Julho 06, 2005
As Forças do Universo
Os cientistas da NASA dizem que o choque do “Deep Impact” não alterou de forma significativa a órbita do cometa à volta do Sol e que a experiência de recolha de dados provenientes dos detritos causado pelo impacto não implica qualquer perigo para a Terra.
Mas a astróloga não acredita nestas patranhas, e pede agora à NASA uma indemnização de 300 milhões de dólares (aproximadamente o custo da missão), pelos danos morais que sofreu e também pela alteração do seu horóscopo.
Uma coisa é certa:
Mesmo que não tenha sucesso na sua acção judicial, e depois desta brilhante iniciativa, esta inventiva astróloga terá sempre lugar garantido nos programas da manhã da R.T.P. 1.
Hell has frozen over!
.

David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright

David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright
Terça-feira, Julho 05, 2005
A Banalização do Poder
No seu livro «War Made Easy: How Presidents and Pundits Keep Spinning Us to Death», Norman Solomon relata o excerto de uma conversa havida entre o antigo presidente norte-americano Richard Nixon e o seu Secretário de Estado Henry Kissinger, e que foi captada pelo sistema de gravações de conversas mandado instalar na «Sala Oval» por Nixon, a propósito do bombardeamento maciço de novos objectivos que estava a ser planeado no Vietname do Norte:- Richard Nixon: "I still think we ought to take the dikes out....Will that drown people?"
- Henry Kissinger: "About 200,000 people."
- Richard Nixon: "No, no, no....I'd rather use the nuclear bomb....I just want you to think big, Henry, for Christ's sake."
Ao longo da História dos homens o exercício do poder acaba sempre por revelar a verdadeira natureza de quem o exerce.
Muitas vezes, tal como aconteceu com Richard Nixon e a conversa gravada tão bem documenta, a banalização da violência de uma guerra acaba por transformar uma pessoa respeitada e de bem, e revelar a personalidade de um assassino frio e calculista, que reduz a dimensão da vida humana a meros números numa estatística.
Outras vezes, um ministro ou um autarca que não resistiram à tentação da pequena ou da grande corrupção acabam por se transformar em vulgares delinquentes, com maior ou menor habilidade para pôr o seu pecúlio a recato numa conta de um banco suíço.
Foi exactamente o mesmo que também se passou com Alberto João Jardim.
A permanência por mais de duas décadas no desempenho do cargo de Presidente do Governo Regional da Madeira, rodeado de personagens medíocres que lhe devem a subsistência e que, por isso, não se atrevem sequer a contrariá-lo, revelou finalmente a exacta dimensão de Alberto João Jardim como homem: um palhaço boçal e um burgesso estúpido que perdeu há muito a noção do ridículo.
E, decerto, não merecerão outros qualificativos todos aqueles que acabam por lhe entregar a sua conivência: quer pelo voto acrítico que ao longo dos anos lhe vão dando, quer com o silêncio cúmplice da falta de dignidade e de coragem para uma clara e inequívoca oposição política!
Segunda-feira, Julho 04, 2005
A Ajuda a África
Segundo o «Telegraph News» a ajuda do conjunto dos países ocidentais a África totalizou nos últimos 40 anos a assombrosa quantia de 220 mil milhões de libras.Contudo, a “Economic and Financial Crimes Commission” da Nigéria anunciou que desde a sua independência da Inglaterra, em 1960, os responsáveis do regime militar que governou aquele país até 1999 se apropriaram da quantia de... 220 mil milhões de libras!
Calcula-se que só o General Sani Abacha, o falecido líder do regime militar nigeriano, se aboletou sozinho durante os 5 anos que esteve no poder com uma quantia que poderá aproximar-se do 3 mil milhões de libras.
Tudo cuidadosamente depositado a salvo em bancos ocidentais.
Entretanto, cerca de dois terços da população nigeriana vive na mais abjecta pobreza e cerca de 40% nem sequer tem acesso a água potável.
E, pelo que nos últimos anos tem sido repetidamente dito na comunicação social, estes números não passam de uma brincadeira de crianças para José Eduardo os Santos.
O presidente Angolano, feliz proprietário de um Boeing privado, luxuosamente transformado, é acusado de receber uma comissão por cada barril de petróleo vendido por Angola e de ter interesses directos, ainda que por intermédio de familiares, na produção diamantífera daquele país, para já não falar nas chorudas comissões dos negócios de armas, que talvez expliquem a longa duração da guerra com a UNITA.
O resultado é a vida faustosa destes nababos (com a curiosa coincidência de que o maior fausto parece provir precisamente dos presidentes dos países mais miseráveis e necessitados), e ainda as já famosas digressões para compras das suas mulheres, nas melhores e mais luxuosas lojas de Paris, Nova Iorque ou de Beverly Hills.
Só numa única visita ao Brasil a mulher de José Eduardo dos Santos gastou mais dinheiro do que o governo Angolano havia disponibilizado num ano para a abertura de uma linha de crédito às empresas do país, tendo ficado famosa a sua generosidade para conceder gorjetas de 10.000 dólares às empregadas dos hotéis em que vai ficando alojada.
Ou seja:
No rescaldo da fabulosa iniciativa que o «Live 8» constituiu, talvez se devesse chegar à conclusão que o perdão puro e simples da dívida externa do países africanos é bem capaz de não ser uma boa ideia.
Porque a maior parte da ajuda ocidental continuará sem chegar às populações que dela mais precisam, talvez esse perdão contribua somente para enriquecer e aumentar ainda mais o poder de compra dos líderes corruptos desses países, ou até para ajudar a permanência no poder de cleptocratas, como José Eduardo dos Santos, e até de assassinos sanguinários, como Robert Mugabe.
Muito melhor ideia seria, por exemplo, fazer persistir a obrigação do pagamento das dívidas, embora com a sua directa e imediata afectação a iniciativas de desenvolvimento e a programas humanitários muito concretos, através da UNICEF ou de outros organismos das Nações Unidas.
Mas, muito provavelmente, os líderes africanos considerariam essas iniciativas uma inaceitável ingerência nos assuntos internos dos seus países, e exigiriam continuar a ser eles próprios, como até agora, os únicos responsáveis pela administração dos fundos recebidos...
Sábado, Julho 02, 2005
Isto é que vai uma crise!
Sexta-feira, Julho 01, 2005
Nostradamus
.


Michel de Notredame
(14 de Dezembro de 1503 – 1 de Julho de 1566)
Michel de Notredame, mais conhecido por Nostradamus, é o autor das mais famosas profecias até hoje realizadas.
Nostradamus publicou as suas profecias no livro que intitulou «Les Propheties» e escreveu-as sobre a forma de verso, em enigmáticas quadras agrupadas em conjuntos de 100, a que chamou «centúrias».
É tudo menos pacífico o crédito atribuído às profecias de Nostradamus.
Mas o que é certo é que o seu livro é lido, interpretado e estudado a fundo há mais de quatro séculos e gerou uma corrente de fiéis e incondicionais seguidores, que o consideram um génio e não admitem discussão quanto ao acerto das suas profecias.
Nem sequer quando são confrontados com as profecias feitas para anos que já passaram, e que persistem teimosamente em não se realizar, os seus seguidores mudam de opinião.
E o argumento é simples: se Nostradamus previu a abertura pública do túmulo de São Pedro para 1986, se previu a completa destruição de uma grande cidade no dia 14 de Abril desse mesmo ano, ou uma gigantesca guerra mundial para 1999, e nenhuma dessas previsões se concretizou, então é porque estamos perante, não uma falha do Mestre, mas face a grosseiros erros do intérprete das suas quadras, que não soube rodear-se dos conhecimentos e dos estudos multidisciplinares que são necessários para a sua correcta análise.
Mas, de facto, os únicos conhecimentos que são necessários para o estudo das profecias de Nostradamus são aqueles que provêm unicamente... do senso comum!
Nostradamus foi um exímio e genial utilizador das mais básicas regras da «boa profecia».
Em toda a História da humanidade foi Nostradamus, decerto, quem melhor do que ninguém foi o mais eficaz seguidor dos «12 Mandamentos do Profeta»:
1 – Em primeiro lugar o profeta tem de fazer muitas e muitas previsões, de preferência dezenas delas: quantas mais previsões fizer, mais possibilidades se tem de acertar;
2 – De seguida, tem de esperar calma e pacientemente que algumas previsões se concretizem, mesmo que sejam as mais óbvias;
3 – Depois, caso alguma se verifique, tem de destacá-la efusivamente e com muito orgulho;
4 – Como é óbvio as previsões que não se verificarem tem imediatamente de ser descartadas e completamente ignoradas, nunca devendo ser mencionadas;
5 – Para se conquistar a atenção do intérprete da profecia, nada melhor que prever desgraças, infortúnios, grandes catástrofes, guerras e mortes misteriosas de parentes ou pessoas famosas;
6 – Nunca revelar o nome de uma pessoa cuja morte se disse ter previsto. Em caso de absoluta necessidade, dizer somente que é «uma pessoa idosa e de cabelos brancos»;
7 – Do mesmo modo, nunca revelar o nome de uma cidade que se previu que vai ser destruída por uma catástrofe natural. Em caso de absoluta necessidade, dizer somente que é «uma grande cidade do lado de lá do mar»;
8 – Quando perguntado se alguém se deve aventurar num negócio qualquer, o profeta deve responder peremptoriamente que não;
9 – Quando interrogado sobre as características da personalidade de uma pessoa, o profeta deve responder elogiosamente, de preferência usando lugares-comuns como «calmo e ponderado, embora às vezes se irrite», «paciente mas às vezes teimoso», «hábil, curioso e inteligente», «não suporta injustiças», «apegado à família e honesto», etc.
10 – É imprescindível o uso de simbolismos e de linguagem críptica e aparentemente esotérica, de preferência com termos que não signifiquem rigorosamente nada.
11 – É preciso saber que para uma boa previsão é absolutamente essencial ser vago e ambíguo, de forma que ela se aplique a diversas pessoas ou às mais diferentes situações.
12 – Quando se fazem previsões anuais é da tradição prever regularmente a morte do Papa.
Cumpridas as regras, o sucesso está garantido:
O fiel seguidor do profeta, dotado de uma inconsciente «clarividência retroactiva» se encarregará de analisar selectivamente os factos, para de seguida os encaixar nas geniais previsões do Mestre.
Ao fim ao cabo, o que fez Nostradamus com as suas previsões não é nada mais do que se faz ainda hoje, já quase cinco séculos depois, às vezes até em directo na televisão.
Se os mandamentos forem eficazmente cumpridos, a fidelidade acrítica das pessoas será indiscutível.
E então, o sucesso financeiro está garantido.
Qualquer que seja, como é óbvio, o signo astrológico do fiel seguidor...
(14 de Dezembro de 1503 – 1 de Julho de 1566)
Michel de Notredame, mais conhecido por Nostradamus, é o autor das mais famosas profecias até hoje realizadas.
Nostradamus publicou as suas profecias no livro que intitulou «Les Propheties» e escreveu-as sobre a forma de verso, em enigmáticas quadras agrupadas em conjuntos de 100, a que chamou «centúrias».
É tudo menos pacífico o crédito atribuído às profecias de Nostradamus.
Mas o que é certo é que o seu livro é lido, interpretado e estudado a fundo há mais de quatro séculos e gerou uma corrente de fiéis e incondicionais seguidores, que o consideram um génio e não admitem discussão quanto ao acerto das suas profecias.
Nem sequer quando são confrontados com as profecias feitas para anos que já passaram, e que persistem teimosamente em não se realizar, os seus seguidores mudam de opinião.
E o argumento é simples: se Nostradamus previu a abertura pública do túmulo de São Pedro para 1986, se previu a completa destruição de uma grande cidade no dia 14 de Abril desse mesmo ano, ou uma gigantesca guerra mundial para 1999, e nenhuma dessas previsões se concretizou, então é porque estamos perante, não uma falha do Mestre, mas face a grosseiros erros do intérprete das suas quadras, que não soube rodear-se dos conhecimentos e dos estudos multidisciplinares que são necessários para a sua correcta análise.
Mas, de facto, os únicos conhecimentos que são necessários para o estudo das profecias de Nostradamus são aqueles que provêm unicamente... do senso comum!
Nostradamus foi um exímio e genial utilizador das mais básicas regras da «boa profecia».
Em toda a História da humanidade foi Nostradamus, decerto, quem melhor do que ninguém foi o mais eficaz seguidor dos «12 Mandamentos do Profeta»:
1 – Em primeiro lugar o profeta tem de fazer muitas e muitas previsões, de preferência dezenas delas: quantas mais previsões fizer, mais possibilidades se tem de acertar;
2 – De seguida, tem de esperar calma e pacientemente que algumas previsões se concretizem, mesmo que sejam as mais óbvias;
3 – Depois, caso alguma se verifique, tem de destacá-la efusivamente e com muito orgulho;
4 – Como é óbvio as previsões que não se verificarem tem imediatamente de ser descartadas e completamente ignoradas, nunca devendo ser mencionadas;
5 – Para se conquistar a atenção do intérprete da profecia, nada melhor que prever desgraças, infortúnios, grandes catástrofes, guerras e mortes misteriosas de parentes ou pessoas famosas;
6 – Nunca revelar o nome de uma pessoa cuja morte se disse ter previsto. Em caso de absoluta necessidade, dizer somente que é «uma pessoa idosa e de cabelos brancos»;
7 – Do mesmo modo, nunca revelar o nome de uma cidade que se previu que vai ser destruída por uma catástrofe natural. Em caso de absoluta necessidade, dizer somente que é «uma grande cidade do lado de lá do mar»;
8 – Quando perguntado se alguém se deve aventurar num negócio qualquer, o profeta deve responder peremptoriamente que não;
9 – Quando interrogado sobre as características da personalidade de uma pessoa, o profeta deve responder elogiosamente, de preferência usando lugares-comuns como «calmo e ponderado, embora às vezes se irrite», «paciente mas às vezes teimoso», «hábil, curioso e inteligente», «não suporta injustiças», «apegado à família e honesto», etc.
10 – É imprescindível o uso de simbolismos e de linguagem críptica e aparentemente esotérica, de preferência com termos que não signifiquem rigorosamente nada.
11 – É preciso saber que para uma boa previsão é absolutamente essencial ser vago e ambíguo, de forma que ela se aplique a diversas pessoas ou às mais diferentes situações.
12 – Quando se fazem previsões anuais é da tradição prever regularmente a morte do Papa.
Cumpridas as regras, o sucesso está garantido:
O fiel seguidor do profeta, dotado de uma inconsciente «clarividência retroactiva» se encarregará de analisar selectivamente os factos, para de seguida os encaixar nas geniais previsões do Mestre.
Ao fim ao cabo, o que fez Nostradamus com as suas previsões não é nada mais do que se faz ainda hoje, já quase cinco séculos depois, às vezes até em directo na televisão.
Se os mandamentos forem eficazmente cumpridos, a fidelidade acrítica das pessoas será indiscutível.
E então, o sucesso financeiro está garantido.
Qualquer que seja, como é óbvio, o signo astrológico do fiel seguidor...
Férias Judiciais
O Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, reunido em plenário no dia 23 de Junho de 2005, deliberou, por unanimidade, manifestar publicamente a sua posição de discordância relativamente às medidas anunciadas pelo Senhor Ministro da Justiça, designadamente as referentes à redução das férias judiciais "a fim de aumentar a produtividade e a qualidade dos serviços prestados pelos Tribunais", por considerar que as mesmas têm carácter demagógico e não são aptas a reduzir as pendências judiciais, sendo absolutamente contra a alteração dos critérios de contagem dos prazos processuais, concretamente, a qualquer alteração do período de suspensão do prazos.Quinta-feira, Junho 30, 2005
Citações
É sempre interessante saber como os contemporâneos de Jesus o descrevem e nos transmitem a sua vida e os seus ensinamentos.
Principalmente se tais descrições nos chegam por escritos que não foram adulterados, e escaparam às adaptações e às conveniências de Constantino e de outros ilustres ideólogos do cristianismo.
Eis algumas citações, escolhidas ao acaso, do evangelho gnóstico do apóstolo Filipe:
«Alguns dizem que Maria concebeu do Espírito Santo.
Erram, não sabem o que dizem.
Quando é que uma mulher concebeu de uma mulher?»
«Um burro girando em redor de uma roda de moinho, percorreu cem milhas. Quando o soltaram, viu que ainda estava no mesmo sítio.
Há homens que percorrem grandes trajectos e não chegam a nenhum lugar. Quando são surpreendidos pelo entardecer não viram nem cidade nem aldeia, nem criação nem natureza, potência ou anjo.
Em vão se fatigaram, os infelizes».
«A quem a mulher ama assemelhar-se-ão os filhos que ela conceber.
Se é seu marido, assemelham-se ao marido.
Se é um adúltero, assemelham-se ao adúltero.
Frequentemente, se uma mulher se deitar obrigada com o seu marido, estando, porém, o seu coração com o adúltero com quem habitualmente coabita, o filho que concebe assemelha-se ao adúltero.
No que diz respeito a vós, que estais com o filho de Deus, não ameis o mundo, mas amai o Senhor, para os que gerardes não se assemelhem ao mundo, mas que se assemelhem ao Senhor».
«Deus criou o homem e os homens criaram deuses e adoram a sua criação.
Mais valeria que os deuses adorassem os homens».
«Três mulheres caminhavam sempre com o Senhor: Maria, a sua mãe; a irmã desta; e Madalena, que é denominada «sua companheira»
A companheira do salvador é Maria Madalena.
O salvador amava-a mais do que a todos os discípulos e beijava-a frequentemente na boca».

