Domingo, Julho 17, 2005
#3*
apago o teu silêncio com o meu silêncio
sombras nos lugares dos espelhos
perdas à superfície das coisas
Sandra Costa
apago o teu silêncio com o meu silêncio
sombras nos lugares dos espelhos
perdas à superfície das coisas
Sandra Costa
Quarta-feira, Julho 13, 2005
-'V'-*
por que sorris na berma do abismo
quando raíz nenhuma para te segurar?
quem te disse que o perigo não existe
e que não há quedas maiores depois do amor
nem mais definitivas?
é mentira
e lembra-te
tu não és uma árvore
cláudia caetano
Leaning out over
The dreadful precipice,
One contemptuous tree.
W.H.Auden
The dreadful precipice,
One contemptuous tree.
W.H.Auden
por que sorris na berma do abismo
quando raíz nenhuma para te segurar?
quem te disse que o perigo não existe
e que não há quedas maiores depois do amor
nem mais definitivas?
é mentira
e lembra-te
tu não és uma árvore
cláudia caetano
Domingo, Julho 10, 2005
#2*
descendo
dos deuses que foram criados
ao ritmo das fábulas e dos pesadelos
em mim
encontro flores secas e silêncios acumulados
o torpor de um cavalo que não existe como
a morte
Sandra Costa
descendo
dos deuses que foram criados
ao ritmo das fábulas e dos pesadelos
em mim
encontro flores secas e silêncios acumulados
o torpor de um cavalo que não existe como
a morte
Sandra Costa
#1*
aguardo os dias
que não se demoram na janela
como as flores das cerejeiras
se me abandono
Sandra Costa
aguardo os dias
que não se demoram na janela
como as flores das cerejeiras
se me abandono
Sandra Costa
Quinta-feira, Julho 07, 2005
dualidades mínimas #65
e fico ausente de ideias
de juízo fico tonta de chão sem centro de mim
longe tão longe de tudo
cláudia caetano
e fico ausente de ideias
de juízo fico tonta de chão sem centro de mim
longe tão longe de tudo
cláudia caetano
Quarta-feira, Julho 06, 2005
dão-me licença que volte lá atrás?*
só me arranjam chatices, agora de cada vez que que uma pessoa diz que vai à praia, lá vão as avozinhas a correr pôr velinhas a queimar, em sobressalto e de mãos postas até que a pessoa em causa volte sã e salva. vá-se lá dizer que às tantas nem foi bem assim e que o medo é uma coisa perigosa, tanto mais quando vem de fundo duvidoso.
hoje chegou-me este site, é óbvio que é menos emocionante do que o noticiado no dia 10. para alguns pode até ser um bocadinho maçador. afinal, quem quer saber da notícia de um acontecimento que não só não terá acontecido, como a ter acontecido não terá tido interesse nenhum?
era uma vez um arrastão, um vídeo de diana andringa.
só me arranjam chatices, agora de cada vez que que uma pessoa diz que vai à praia, lá vão as avozinhas a correr pôr velinhas a queimar, em sobressalto e de mãos postas até que a pessoa em causa volte sã e salva. vá-se lá dizer que às tantas nem foi bem assim e que o medo é uma coisa perigosa, tanto mais quando vem de fundo duvidoso.
hoje chegou-me este site, é óbvio que é menos emocionante do que o noticiado no dia 10. para alguns pode até ser um bocadinho maçador. afinal, quem quer saber da notícia de um acontecimento que não só não terá acontecido, como a ter acontecido não terá tido interesse nenhum?
era uma vez um arrastão, um vídeo de diana andringa.
Quarta-feira, Junho 29, 2005
dualidades mínimas #64
em certos fragmentos da noite
dou por mim tão longe que se olho
não há sombras por onde ela vai
Sandra Costa
[dedicado ao Mal]
[e a nós que deixamos de fazer anos]
em certos fragmentos da noite
dou por mim tão longe que se olho
não há sombras por onde ela vai
Sandra Costa
[dedicado ao Mal]
[e a nós que deixamos de fazer anos]
Segunda-feira, Junho 27, 2005
fly me to the moon #14

The Blues, Nina Simone
"I want a little sugar
In my bowl
I want a little sweetness
Down in my soul
I could stand some lovin’
Oh so bad
Feel so lonely and I feel so sad
..."

The Blues, Nina Simone
"I want a little sugar
In my bowl
I want a little sweetness
Down in my soul
I could stand some lovin’
Oh so bad
Feel so lonely and I feel so sad
..."
Sábado, Junho 25, 2005
eros #14

Gustav Klimt, Danae
o teu rosto como ouro
no meu colo
recriem-se os corpos em imprevistas formas
sejas chuva seja o teu rosto
tão molhado
no meu colo
cláudia caetano

Gustav Klimt, Danae
o teu rosto como ouro
no meu colo
recriem-se os corpos em imprevistas formas
sejas chuva seja o teu rosto
tão molhado
no meu colo
cláudia caetano
Segunda-feira, Junho 20, 2005
imagias #28

Willem de Kooning, Whose Name Was Writ In Water
entardece cedo
seja verão e ainda assim tão cedo
quando o sol é centro de coisa nenhuma
e a única luz aceitável avança para a noite
........tão cedo no dia
................te vais
cláudia caetano

Willem de Kooning, Whose Name Was Writ In Water
entardece cedo
seja verão e ainda assim tão cedo
quando o sol é centro de coisa nenhuma
e a única luz aceitável avança para a noite
........tão cedo no dia
................te vais
cláudia caetano
Segunda-feira, Junho 13, 2005
nos teus dedos nasceram horizontes*
Cantas. E fica a vida suspensa.
É como se um rio cantasse:
em redor é tudo teu;
mas quando cessa o teu canto
o silêncio é todo meu.
Eugénio de Andrade, As mãos e os frutos (1948)
[Profundamente triste.]
Cantas. E fica a vida suspensa.
É como se um rio cantasse:
em redor é tudo teu;
mas quando cessa o teu canto
o silêncio é todo meu.
Eugénio de Andrade, As mãos e os frutos (1948)
[Profundamente triste.]
and thus he took the light*
(...)
Quando mais envelheço mais pueril é a luz
mas essa vai comigo.
(...)
Quando mais envelheço mais pueril é a luz
mas essa vai comigo.
Eugénio de Andrade
