Ela olhava perdidamente pela janela. Sentia a dor como uma pressão permanente no seu peito. A última noite deixara-a anestesiada. Ainda não queria acreditar que o vira com a outra, beijando-a, provocando-a… ouvia os risos deles como estaladas constantes até ficar inanimada, catatónica, sem reacção…
Resolveu de forma automática arrumar o seu quarto. Chegara a meio da noite e caíra na cama adormecendo de seguida. Os comprimidos que tomara juntamente com as bebidas alcoólicas explicavam aquele sono, assim como a dor de cabeça com que acordara. Só se lembrava daquela cena e não do que fizera depois.
Algo caíu ao chão, quando despejava a carteira. Um cartão com um nome e um número. De quem? João? Continuou a sua rotina sem pensar mais naquilo. O cartão foi parar ao cesto do lixo.
No fim do pequeno almoço, que fez por tomar com alguma dificuldade, começou a sentir-se mais acordada e lembrou-se… “ah, era daquele moço do restaurante!” Sorriu.
Isabel tinha-o enganado facilmente. Ele acreditara que se chamava Sofia, que morava naquele prédio, que o queria voltar a ver. Contudo, agora sentia algum mal-estar com o que tinha feito. Na altura, pareceu-lhe o mais acertado para se ver livre dele. No meio da viagem de táxi, já pensava que afinal ele poderia ser interessante, mas já não podia voltar atrás e revelar que o enganara. Que fazer? Bem, deixar andar e esquecer o assunto.
Estava atrasada. Nesse dia só começava a trabalhar às 10 horas, mas tinha que se apressar. Antes de sair, recolheu o cartão que estava no lixo e voltou a guardá-lo. Não sabia por que razão o fazia, mas a intuição feminina não se explica.
Chegada ao seu gabinete, no 12º andar, com vistas sobre a cidade, consultou a sua agenda. Trabalhava numa editora. Avaliava livros candidatos para publicação de novos autores, entre outras funções próprias dum editor adjunto. Ela própria tinha já publicado um livro de histórias infantis, tendo outro em carteira, que tardava em concluir. A sua secretária ligou-lhe:
- Drª Isabel, chegou o senhor que tinha entrevista consigo às 10h30, posso mandar entrar?
- Pode, Mariana, obrigado.
Isabel deu um jeito ao cabelo com as mãos, olhando para um espelho que tinha no gabinete, preparando-se para receber a visita de pé no meio da sala.
- Dá-me licença – ouviu ela dizer quando um homem entrou, com um sorriso, estendendo-lhe a mão – sou João…
- Como está, sou Isabel… faz o favor de se sentar.
Ele agradeceu, mas ficou a olhar… reconheceu-a, mas não queria acreditar. Ela só passado dois segundos, com a insistência do olhar dele, é que reparou que o conhecia… sentindo algum rubor que, felizmente, não seria muito perceptível por causa da maquilhagem matinal.
- Desculpe, mas fiquei a pensar se não a conhecia já…
- A mim? Não me recordo, mas como apareço em muitos locais públicos…
Começo por agradecer as ideias que me deram, depois publicarei aqui os nomes de todos vós.
Agora, como acham que ela devia agir? Dizer a verdade, revelando-se? Manter o engano, fugindo à identificação? Dizer que tinha uma irmã chamada Sofia? Aceito sugestões… Obrigado. Claro que escreverei algo um pouco diferente do que me propuserem, para que haja novidade para todos.
Respondi à carta da Anamor:
www.angelbela.blogspot.com