Outros alertas
julho 15, 2005 |
A nossa Causa
Há tempos li uma entrevista, em que se perguntava a alguém se era capaz de morrer por uma Causa. De pronto, o entrevistado disse que sim. Na altura pareceu-me um bocado absurdo, simplesmente porque nas sociedades ditas civilizadas, estamos longe de saber o que é lutar por uma Causa, quanto mais morrer por ela.
Hoje, pensando melhor, acho que qualquer um seria capaz de morrer por uma Causa, se ela nos viesse um dia parar às mãos.
O problema é que estamos longe de saber o que é isso de lutar por uma Causa. Vivemos numa sociedade tão organizada, onde a comida não falta, a televisão e os dvd's também não, os telemóveis novos de seis em seis meses também não, os carros também não, as roupas e os relógios de marca também não, e onde não faltam sequer os iogurtes com alohe vera e bífidos activos. E temos esperança de viver até aos cem anos.
Ou seja, para a esmagadora maioria das pessoas das sociedades ocidentais ditas civilizadas e modernas, a luta até à morte, é um conceito extremamente difícil de compreender pois a distracção impede-os de ter verdadeiras Causas para lutar e porque há demasiado a perder para nos envolvermos em verdadeiras lutas.
É melhor estarmos quietos, arranjarmos umas pequeníssimas, minúsculas causas que confundimos com Causas e nos convencermos assim de que temos uma vida preenchida com futilidades, sim senhor, mas que também temos e lutamos pelos nossos próprios princípios e dessa forma nos sentirmos um bocadinho menos patéticos: não comer carne por causa dos animaizinhos; ser contra quem compra roupa de couro por causa dos animaizinhos; ser contra as touradas por causa dos animaizinhos; deitar os vidros no vidrão por causa da natureza; não fumar e ser cegamente anti-fumador por causa da poluição; ser contra os produtos transgénicos por causa da saúde e da natureza; e mais uma infinidade delas.
E depois existem as sociedades, onde há pessoas que lutam por Causas.
Ainda as vão havendo um pouco pelo mundo inteiro, e nós, temos sentido na pele algumas delas: os terroristas islâmicos.
Penso sinceramente que a esmagadora maioria das pessoas não compreendeu ainda a verdadeira dimensão da ameaça. Não compreendeu ainda que os terroristas lutam por uma Causa que entendem ser à escala mundial, que lutam sem medo de morrer eles próprios e que não terão por isso o menor problema em matar qualquer um, seja criança, homem ou mulher, dez, vinte ou cem mil duma assentada, durante dez, cem ou mil anos.
Não têm nada a perder, nem a vida que estão dispostos a deixar ir, porque consideram eles, já não a têm.
Por isso revoltam-me os António Vitorinos para quem o terrorismo se resume a uma cambada de fanáticos que querem matar pessoas e aparecer na televisão. Isso não existe. Existem pessoas que excederam o limite, lutadores de uma Causa, dispostas a morrer numa luta incessante para mudar o mundo.
Por isso, os argumentos de que o terrorismo se combate com mais vigilância, com escutas telefónicas, com câmaras espalhadas por todo o lado, com respostas violentas, guerras, etc, etc, parecem-me um absurdo. Lembremo-nos dos vírus informáticos: para cada novo antídoto, há um novo bicharoco; lembremo-nos das tv boxes piratas: para cada novo código, há um novo descodificador; lembremo-nos de que temos milhões de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro para vigiar, e que os indivíduos que queremos identificar, se escondem, se dissimulam, se disfarçam precisamente para não serem detectados; lembremo-nos de que os mesmos líderes que dizem que não abdicaremos da nossa liberdade, são os primeiros a dizerem-nos que vão pôr toda a gente sob escuta e sob o olhar de câmaras escondidas e que com isso, são eles próprios a porem em causa a nossa liberdade transformando-nos a todos em potenciais suspeitos, com todos os riscos que isso pode acarretar; lembremo-nos que descobrir depois quem arquitectou e operou um atentado através de telefonemas e filmagens gravadas, não é com certeza uma medida preventiva. E que depois de os identificarmos e prender, vamos puni-los como? Com prisão perpétua? Com a pena de morte? Eles põem bombas à cintura! Não sejamos ridículos; lembremo-nos que guerras prepotentes como a do Iraque, só atiçam mais a besta; lembremo-nos que ao alimentarmos o ódio com declarações como as que vemos todos os dias, só faz com que as comunidades islâmicas espalhadas pelo mundo sejam alvo de acções racistas e violentas, fomentando assim a escalada de violência.
E ainda há os que dizem com orgulho “Não vamos mudar o nosso estilo de vida e o nosso quotidiano”. É claro que não! Mudar como? Em que aspecto? Quando, de manhã quando vamos trabalhar, ou à noite quando vamos ao cinema? à segunda e à terça, ou ao fim de semana? O terrorismo, é como um terramoto: nós sabemos que ele pode acontecer, mas não sabemos quando nem onde, por isso, temos que continuar com o nosso dia-a-dia, como se nenhuma ameaça pairasse sobre nós. É a única coisa que podemos fazer, não é nenhum feito extraordinário.
A mim parece-me que a luta se faz apartir do conhecimento da Causa que os move, para que depois se possa combater o resultado. Isto não é necessariamente o mesmo que dialogar e negociar rebaixadoramente. Isto é tentar encontrar a essência do veneno e depois o verdadeiro antídoto. Isto também é vontade de resolver o problema pela raíz e se assim fizéssemos, podíamos orgulhar-nos de termos uma boa Causa.
-MJL-
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julho 12, 2005 |
Explicações há poucas
Ora bem, portanto, todos os anos temos a mesma quente notícia: o fogo anda aí a monte.
E todos os anos não temos explicações, soluções, prevenções.
É que, se é fogo posto, o que é que se anda a fazer para descobrir e punir os culpados e evitar que outros o façam? se não é fogo posto, o que é que se anda a fazer para vigiar essas combustões espontâneas? Se é floresta com pouca higiene, o que é que se anda a fazer para que ela se torne mais limpa? Se é falta de vigilância, o que é que se anda a fazer para pôr vigilantes?
E depois, particularmente neste ano de seca, (ainda) há a água que se gasta para afogar esses fogos do tamanho de gigantes.
O que raio se passa que justifique esta enormidade de terra ardida? Sinceramente gostava que alguém fosse capaz de me dar uma explicação e gostava também de ver um destes dias um (ou mais) responsável do governo a vir falar-nos sobre isto.
P.S. Senhores responsáveis: caso estejam sem ideias, vi há tempos na televisão um documentário sobre uma equipa especializada na detecção antecipada de incêndios e que diz que tinha cerca de 80% de eficácia e que foi considerada uma das melhores da Europa (ou talvez do mundo, já não tenho bem a certeza). Foi nos anos oitenta e era aqui em Portugal.
-MJL-
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julho 06, 2005 |
Paragens
A minha participação no alerta parou. Não sei se é definitivo, se provisório. Contudo, fica a ameaça: vou andar por aí.
-AC-
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julho 04, 2005 |
Embuste é maneira de dizer

O extraordinário Delgado é com zelo que, nos seus textos, faz comparação e analogia com casos políticos norte-americanos, muito especialmente, com a família Bush, sua preferida. Notavelmente, o “Bush pai” é o mais citado, responsável até por um efeito baptizado de ex-presidente.
Um dos seus últimos artigos, chama-se «o embuste está na moda». Com esta prosa denuncia o uso e o abuso da referida palavra, que diz ter-se tornado «state of the art». No segundo parágrafo do artigo, não resistiu, e lá sacou do Bush-pai para fora, exibindo-o com galhardia. Mas apesar das críticas que faz a esta palavra, ao embuste, a verdade é que este termo poderá ser fonte de prazer para o comentador. A chave está na pronúncia. Deverá, o Delgado, articular o vocábulo com um leve sotaque (mais state of the art) e silabado deste modo: em-Bush-te.
Será a palavra mais «united state of the art» de todas.
-AC-
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Candidatos de peso 2
isaltinoparaoeiras.blogspot.com tem um link para o alerta amarelo, facto pelo qual somos totalmente isentos de responsabilidades. No entanto, acho interessante que mandem o Isaltino para Oeiras. Eu, até o mandava para mais longe, mas não quero ser mal educado.
-AC-
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junho 30, 2005 |
Candidatos de peso
Elsa Raposo foi anunciada como a candidata do PPM (Partido Popular Monárquico) à Câmara de Cascais. Uma escolha acertadíssima e que revela uma grande maturidade. Os restantes partidos deveriam mesmo seguir esta lógica de grande responsabilidade política. A CDU poderia, por exemplo, propôr Sofia Aparício como cabeça de lista à Câmara de Oeiras. O PSD, propunha Santana Lopes para Lisboa, e até Manuel Maria Carrilho poderia ser o candidato do PS à mesma autarquia. -LL-
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Outros mundos: o planeta Saraiva

Ninguém sabe se é composto por gases ou se, pelo contrário, não passa dum calhau. Garantias, só mesmo no que concerne à vida inteligente: não há lá nenhuma. (a ler na Quinta coluna)
-AC-
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Os últimos dias duma livraria

Hoje é o último dia para fazer compras na Byblos, que vai fechar e tem a livralhada toda a metade do preço. É aproveitar, amanhã já não há.
-AC-
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Emídio, Guerreiro (1899-2005)

-AC-
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junho 29, 2005 |
Mito urbano

Santana não vai demolir a casa de Almeida Garrett, cujo derribamento já tinha começado há uma semana. Assim, deixa a batata quente para o próximo, deixa o ministro Manuel Pinho (que é o dono da casa e principal interessado que ela vá abaixo) irritado, e deixa um problema ético se o PS vier a ganhar a Câmara de Lisboa: se optarem por demolir a casa será que não irão ser acusados de favorecer o ministro que tem as mesmas cores? E se optarem por deixar a casa em pé, será que não o farão para evitar polémicas? E nesse caso o que fará o Pinho?
Não demolir, aluir, desmantelar, é para Santana uma atitude contrária à sua natureza, uma bizarria de quem, por inclinação, deita por terra tudo o que toca: uma espécie de Midas ao contrário.
-AC-
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Dia 29 de Junho: nasceu Saint-Exupéry

«Já viste inclinação para o mar que não se transformasse em navio?» ("Cidadela", Saint-Exupéry, trad. Ruy Belo, Ed. Presença)
-AC-
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Coisas boas
Porque será que a 9ª Sinfonia de Beethoven faz com que a pele se mexa e todos os poros se elevem como se quisessem colocar-se em bicos de pés?
Porquê o arrepio?
Arre, que bonito pio!
-BS-
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junho 28, 2005 |
Sem título, porque sou incapaz de criar um que não ofenda.
Diz quem traz notícias frescas do Festival de Publicidade de Cannes, que os norte-americanos, estão seriamente a pensar proibir que se façam emendas, em textos e afins, com canetas vermelhas.
Parece que é muito violento.
-MJL-
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O Boi Impossível

-BS-
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Números são números

O Sapo acrescentou mecanismos anti-spam, nos comentários, com letras e números que era preciso transcrever. O sistema não funcionava muito bem, havia parecenças entre as letras, coisas ambíguas, nevoentas, por isso teve melhoramentos: a partir de agora, é só números, o que torna tudo mais fácil, sem enganos ou hesitações. Excepto, talvez, para o ministro das Finanças.
-AC-
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A questão do abre-latas

Autoridades norte-americanas detiveram dezenas de muçulmanos, sem provas, após os atentados de 11/9. Uns, por terem frequentado uma mesquita que também era visitada por um terrorista, outro, bem mais grave, porque tinha um abre-latas.
Conheci dois desses muçulmanos, que por acaso até eram cristãos. Foram presos por serem sírios que é crime tão grave como ousar ter abre-latas ao mesmo tempo que se é muçulmano.
Assim, tudo leva a crer que se, no iraque, tivessem procurado nas gavetas das cozinhas teriam encontrado motivos para justificar a invasão.
-AC-
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1421 e a saga dos eunucos
"Se eu encontrei alguma informação que lhes escapou, foi apenas porque eu sabia interpretar aqueles extraordinários mapas e cartas que revelam o percurso e a extensão das viagens que as grandes frotas chinesas fizeram entre 1421 e 1423.
Colombo, Gama, Magalhães e Cook iriam posteriormente fazer as mesmas "descobertas" e reclamá-las como sendo suas, mas todos eles sabiam que estavam apenas a seguir pisadas de outros porque, quando partiram para as suas próprias viagens em direcção ao "desconhecido", levaram consigo cópias dos mapas chineses. Parafraseando uma citação famosa: se eles conseguiram ver mais além do que todos os outros foi porque estavam em cima dos ombros de gigantes."
Gavin Menzies, "1421 - O ano em que a China descobriu o mundo", Dom Quixote.
-BS-
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junho 27, 2005 |
Traduttore, traditore
Luciano de Samósata (125-192) escreveu a História verdadeira, obra que foi traduzida por Perrot d’Ablancourt (1606-1664). Algumas das notas deste último à sua própria tradução:
Nota de Perrot: “Ponho hipogrifos em vez de hipogipes porque este nome soa mal, além de que grifo é mais belo do que abutre para quimeras.”
Nota de Perrot: “Com asas de erva.” Comentário de Perrot: “Não vou dizer que as asas eram cobertas de folhas de alface pois isso seria demasiado ridículo”.
Nota de Perrot: “Não digo que depois disso se tornam homens para não insistir na sordidez, além de que se entende bem.”
Nota de Perrot: “As baleias não têm dentes, mas isto é uma fábula.”
Perrot põe “garças reais” em vez de “gaivotas”. Observação: “Escolhi uma ave conhecida”.
No texto grego são os companheiros de Luciano que tomam a iniciativa do último combate. Nota de Perrot: “É melhor como eu pus do que os fazer atacar de novo.”
Nota de Perrot: “Em grego está cipreste, mas para nós é melhor falar em pinheiros visto desconhecermos aqueles grandes ciprestes existentes na Ásia.”
Nota de Perrot: “Em grego está esponjas, que acho demasiado ridículo, bem como depois âncoras de vidro que retirei.”
Perrot substitui por rubis e diamantes o berilo de Luciano. Observação de Perrot: “Sendo as muralhas da cidade esmeraldas, não fazia sentido serem os templos dos deuses de berilo, que não é pedra preciosa, nem muito conhecida.”
Luciano refere-se a sete rios de leite e oito de vinho. Nota de Perrot: “Indicar o número não diz nada e é insípido.”
Nota de Perrot: “Não quis pôr que eles se acariciavam diante de toda a gente por achar demasiado imoral.”
Nota de Perrot: “Acrescentei esta parte para disfarçar esta acção que acho indecente.”
Luciano menciona também “ossos de chocos”. Nota de Perrot: “Digo olhos de caranguejo e não de chocos , pois isso não teria nenhuma graça entre nós.”
Nota de Perrot: “Não acrescento que se rompeu… pois já há tolices a mais.”
(Luciano, “História verdadeira”, ed. Estampa)
-AC-
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Sintomatologia do crime
Na semana passada, os polícias, manifestaram-se nas ruas, aos milhares. Prometeram deixar de passar multas caso o Governo não volte atrás. E com isto, este Executivo viu dois desejos do cidadão médio tornarem-se realidade: uma caterva de polícia nas ruas e a escapadela à coima.
Outras das medidas anunciadas pelas forças da autoridade será, além da greve à multa, o uso da imaginação para organizar novas formas de luta. Uma ameaça que é mais outra forma de descansar o Governo.
E por falar em cidadão médio, ontem, o prof. Marcelo disse qualquer coisa do tipo: é preciso mais polícia na rua para prevenir o assalto. Eu, nas minhas utopias quotidianas, julgava que para prevenir este tipo de furto, o essencial seria reduzir as causas que levam certas pessoas à marginalidade (e outras à indigência). Afinal, o melhor é prendê-las.
-AC-
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junho 24, 2005 |
Compras

Esqueçam o e-bay. Coisas espantosas compram-se no D-Mail. Para lá chegar, vai-se por aqui ou, ainda melhor, por aqui.
-AC-
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Lilliput mesmo aqui no centro da capital
Mesmo do outro lado da rua da minha casa há um cartaz do Carmona. Não é grande vizinhança, mas já se sabe que esses espaços para outdoors são muito mal frequentados.
Vejo-o a ele, daqui da minha janela, com uma chusma de figurantes à volta, todos sorridentes, tacha arreganhada, achatados no papel do cartaz. Mas, perto do Carmona, todos eles são mais pequenos, de proporção modesta e pigmeia, uns homúnculos – repare-se especialmente no sujeito que está à direita do candidato.

O Carmona parece ser das poucas coisas, cá em Portugal, em franco crescimento: exibe muitos centímetros de espinhaço, uma grande área de fato escuro enfadonho, um tórax que não é nada pequeno e uma cachola de Behemot. Percebemos a intenção dos responsáveis pela campanha: no meio das gentes era preciso reparar no irreparável, no Carmona. Por isso, o candidato parece gigantizado e volumado, tipo fenómeno do Entroncamento ou frango de aviário e, os outros, os enfezados de sorriso fácil, é com dificuldade que lhe chegam aos ombros. Com isto, não sei se lhes trataram das medidas no photoshop ou se são da família do Marques Mendes.
Se a intenção, com estes tamanhos, era mostrar o Carmona, obrigadinho, já o tínhamos visto. Porque agora o que salta aos olhos é um homem que se proporciona numa escala maior do que as pessoas que quer servir. Ele está lá em cima, cheio de granduras, o resto está lá em baixo, diz-nos o cartaz. É um outdoor que minimiza o lisboeta, pelo menos em centímetros.
E por falar em altura, há que acrescentar que esta não é altura para diminuir o cidadão: isso, normalmente, deixa-se para depois das eleições.
-AC-
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Ovo

«- A minha galinha não põe ovos de ouro, mas uma coisa que nem o senhor nem eu podemos pôr. Põe dias, semanas e anos. Em cada manhã põe, por exemplo, uma sexta-feira ou uma terça-feira. O ovo de hoje contém uma quinta-feira, em vez da gema. O ovo de amanhã conterá uma quarta-feira. Ao invés de um pintainho, sairá dele um dia de vida para o seu proprietário! E que vida! Esses ovos não são, portanto, de ouro, mas são feitos de tempo. E estou propondo-lhe um, bem baratinho. Nesse ovo, meu senhor, encontra-se um dia da sua vida. Ele está encerrado nele e depende de si que ele saia ou não.
- Mesmo que acreditasse na sua história, porque compraria um dia que já tenho?
- Use a cabeça, senhor. Como pode não compreender? O senhor por acaso raciocina com as orelhas? Todos os nossos problemas neste mundo vêm do facto de termos de gastar os dias tal como chegam. Do facto de não podermos saltar os piores. Esse é o problema. Com o meu ovo no bolso, o senhor está protegido das desgraças. Quando o senhor perceber que o dia que se aproxima é demasiado negro, quebra tranquilamente o seu ovo e evitará todos os seus desprazeres. No final, é verdade, terá menos um dia para viver, mas em compensação poderá fazer de um dia feio uma boa omelete.» (Milorad Pavic, "Dicionário Khazar", Dom Quixote)
-AC-
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Notas de São João
Em primeiro lugar devo salientar que já cheira a sardinha assada.
Depois, continuando o tom festivo, exprimir o meu mais fundo regozijo pela recente “polémica” que empalhou a Presidência da República, a Banca e a Comunicação Social. Folgo em saber que Jorge Sampaio lê o Alerta Amarelo.
-BS-
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Diálogos do dia-a-dia IX

À saída dum hospital, ouvi uma moça dizer assim, depois de lhe terem dado alta:
- Preferia ter estado a trabalhar a ter passado o dia nas urgências.
Por este desabafo, se percebe o estado dos nossos serviços hospitalares.
-AC-
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Alerta geral
[Alerta daqui]
[Alerta dali]
[Alerta ao molho]
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