Os estados que aderiram ao Euro, assinaram também um Pacto de Estabilidade e Crescimento. Este pacto foi impulsionado pela Alemanha preocupada com a possibilidade de os países mediterrânicos terem grandes deficits orçamentais o que poderia criar problemas ao Euro, problemas esses a que a Alemanha era, ou pensava que era estranha.
É que, a partir do momento em que estes estados passaram a ter a mesma moeda, o deficit de cada estado passou a ser pouco importante e, o que passou a ser importante foi o deficit de toda a zona Euro.
Por exemplo, quando Portugal ainda tinha o Escudo, não era especialmente grave que regiões de Portugal, Madeira, por exemplo, tivessem um deficit, desde que esse deficit fosse compensado noutras regiões. O que interessava era o deficit orçamental de toda a zona Escudo.
Analogamente, não é muito importante que um país da Eurolândia tenha deficit, desde que outros o compensem para, no fim, as contas da Eurolândia ficarem mais ou menos a zero.
Há duas formas de resolver este problema, ou com um governo central forte que decida quais os Estados da Eurolândia que podem ter deficit e qual o seu volume ou o estabelecimento de regras iguais para todos.
Para já adoptou-se a segunda solução, a de regras iguais para todos, independentemente do grau de evolução da sua economia.
A injustiça desta medida é flagrante. Seria igual a, antes do Euro, Portugal impedir que as regiões menos desenvolvidas de Portugal, Madeira, Açores, Trás-os-Montes, etc., se desenvolvessem aplicando-lhes a mesma disciplina orçamental que se aplicaria à região de Lisboa.
Portanto a adesão ao Euro implicaria a prazo, se calhar não muito longo, que se evoluísse para um governo central forte que decidisse quais as zonas que, por estarem mais atrasadas, pudessem evoluir mais rapidamente e quais aquelas que travariam o seu crescimento de forma a permitir que as mais atrasadas as alcançassem.
Mas, evoluímos antes para uma situação de uma injustiça difícil de explicar, as regiões (ou Estados) mais avançados ficam com condiçõies de evoluir mais rapidamente à custa das regiões mais desfavorecidas com a "cenoura" de que quando essas regiões arrancarem a sério puxarão as mais atrasadas.
Claro que o que acontece é que as regiões mais evoluídas lá puxarão um pouco as mais atrasadas, mas evoluirão sempre mais depressa. Por outras palavras, o fosso entre "fortes" e "fracos" tenderá a crescer! E só será travado quando for tão grande que ocasione problemas sociais graves.
Por exemplo, quando o PIB per capita espanhol, ou francês, ou alemão for igual a três ou quatro vezes o português e quando o desemprego português for tão elevado que grande parte das famílias portuguesas deixem de ter condições para viver em Portugal, grande parte dessas famílias emigrarão, para Espanha, aqui tão perto, ou para França ou Alemanha e, já mostramos nos anos sessenta que temos capacidade para enviar mais de 100.000 emigrantes por ano para a Europa. Nessa altura é que começarão os problemas a sério...
Quanto à atitude absurda do Governo português em concordar que se autorize a França e a Alemanha a ultrapassarem o deficit que é permitido aos outros mas a fazer tudo o que pode e não pode para que Portugal não o ultrapasse, toca as raias do disparate. O deficit de Portugal não interessa a ninguém, interessa é o deficit da zona Euro e, com os deficits da França e da Alemanha parece que o deficit da zona Euro já ultrapassa os sacrossantos 3%!
Temos portanto todas as desvantagens de ter deficit, mas sem nenhuma das vantagens.