Sábado, Julho 02, 2005

Caros...

Culpem os exames... Culpem a conjuntura! Culpem o sistema!
Eventualmente culpem-me a mim.
Andei indesculpavelmente longe destas andanças bloguísticas, sem desculpa aparente.
E agora venho aqui, na véspera da inauguração do meu Verão Arqueológico 2005 ... Dizer olá, desculpem lá, até para o mês.
Alguém que se encarregue de ir passando um espanador aqui pelos cantos, por favor. Alguém que dê um arzinho de sua graça a esta divisão, que já anda a ficar com teias de aranha nos cantos.

Eu, bom, eu vou-me, para Vila Nova de Paiva, depois para Fronteira, entregar-me à engrenagem do cansaço físico e da limpidez mental, da mão calejada e do raciocínio refrescado. Acordar, trabalhar, dormir, desemperrar. E divertir-me, claro.

Boas férias para todos.
Boas arqueologias aos que, como eu, vão fazendo as mochilas ou já estão no campo.
Até Agosto!

Segunda-feira, Maio 23, 2005

Então muitos parabéns, senhores benfiquistas.

Quinta-feira, Maio 19, 2005




É hoje!!!

Segunda-feira, Maio 16, 2005

oblivion

Não sabia se era o cansaço que lhe talhava os dias
se era uma não-vontade de ter vontade de fazer coisas, de dizer coisas, de rir coisas, de amar coisas, de estar nas coisas e nos momentos
se era simplesmente um vazio
se era um cigarro que deixava consumir-se num cinzeiro
um copo que deixava envelhecer, por beber
se era uma mão que deixava na inércia, fazendo as vezes do afago

Não sabia que cor tinha
que cheiro exalava
que carícia transbordava dos seus olhos

Só sabia deixar-se estar, ir estando
pelos corredores
pelas avenidas da sua (in)consciência
pelos becos abandonados, pelos arquivos da sua memória
(tantas coisas por fazer)
pelos ecos do seu passado que "ia pondo grelado nas paredes"

Deu por si num palco velho, quebradiço
e constatou que o público tinha adormecido
que os aplausos eram outro eco de outro momento em que já não estava
e deixou-se ficar
foi ficando
até os vendavais lhe toldarem a vista
até o último dos espectadores sucumbir à sua inexistência
até tudo tremeluzir
até tudo desaparecer

E mais uma vez ficou
foi ficando

E quando os olhos se fecharam era a sua sala, era o seu lençol, a sua dormência manchando a matéria que tocava.

Tinha saudades do ar - do frio e do calor na sua pele e nas suas ideias - tinha saudades de sentir as reverberações da sua voz penetrando os ouvidos dos outros, e dos ouvidos para o cérebro, e do cérebro para o espírito e daí para a resposta - tinha saudades de provocar reacções.

Esteve em todas as partes, viu coisas que já não eram e falam com outras que nunca foram; foi tudo, em todos os momentos, em todas as partes. E lentamente foi esquecendo o corpo que deixou atirado no sofá
a vida que esqueceu plantada numa esquina
e que se fartou de esperar
seguiu sem ela
ainda olhou para trás
para o lado
para baixo

só não olhou para cima

onde teria visto, com cuidado, um pequeno pronto informe plantado numa árvore.



do you see the way that tree bends?
does it inspire?
leaning out to catch the sun's rays
a lesson to be applied
are you getting something out of this all encompassing trip?
you can spend your time alone, redigesting past regrets, oh
or you can come to terms and realize
you're the only one who can't forgive yourself, oh
makes much more sense to live in the present tense
have you ideas on how this life ends?
checked your hands and studied the lines
have you the belief that the road ahead ascends off into the
light?
seems that needlessly it's getting harder
to find an approach and a way to live
are we getting something out of this all-encompassing trip?
you can spend your time alone redigesting past regrets, oh
or you can come to terms and realize
you're the only one who cannot forgive yourself, oh
makes much more sense to live in the present tense

Pearl Jam (Present Tense)

Domingo, Maio 15, 2005

Advogado do Diabo, parte III

Todos estes dias, estas horas.
Todo este enxovalhar constante do meu controlo.
Esta incapacidade do tamanho do mundo - de te dizer não.
Como tu fazes - com tada a facilidade, com toda a calma, com todo o autodomínio de quem tão candidamente nunca sentiu a pele começar chorar por te ter adivinhado.
E no entanto vens
precisas quimicamente dessa electricidade
desse quererem-te
desse precisarem-te

e nunca trazes nada para mim.

trazes-te

vens de mãos nos bolsos
e sabes que me chegas.




Take my time...not my life...

Terça-feira, Maio 10, 2005

"Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!"

(...)Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.(...)
Álvaro de Campos

Uma grande insónia apondera-se dos meus dias, das minhas horas, das monotias que insuflam os minutos... Catatónica, espreguiço-me nas responsabilidades, abafo o grito que se contorce nas vísceras, que sobe e se adensa e me comprime o diafragma e os pulmões e o coração e a alma...

Não quero mais


Não quero mais cio arqueológico

Não quero mais militância histérica

Não quero Não quero


Não quero

Não quero




Não quero


Hipocrisias de ocasião



Palmadinhas nas costas

Ficar sozinha


Esperar mais nada de mais ninguém

Ter sempre de ser o sorriso mais rasgado, a gargalhada mais sonante, a companhia mais surreal

Estar sempre impecavelmente pronta para comentar o Maio de 68


Dizer sempre que sim

Ou sempre que não

Ter sempre a opinião mais fundamentada

A conversa mais liofilizada


A piada mais arrogantona

O humor mais cáustico, mais negro

Querer sempre companhia

e nunca precisar de ninguém




de pertencer a um planeta


de ter uma língua uma cultura ter um código social ter que cumpri-lo mesmo quando não quero


mesmo quando quero coçar o nariz e não posso


mesmo quando quero chorar e não posso

mesmo quando quero

e não posso...


I'm sick of herd behaviour.

Sexta-feira, Maio 06, 2005

S.O.S.

De toda a bibliografia que consultei - sobretudo Prof. Alarcão, que seria o principal responsável pelo esclarecimento do conceito - não encontrei nenhuma definião sólida, objectiva e consistente do termo ciuvitates.
Nas palavras de A. Marques de Faria, debato-me com a "fluidez de que se reveste o próprio conceito".

Não compreendo ciuvitates.
Quero (e preciso de) compreendê-las, mas não encontro um pilar teórico seguro de que me possa socorrer.
E tantas outras dúvidas.


Este trabalho está-me a dar cabo do estômago.