Quinta-feira, Julho 14, 2005
Aqui
vemos o que pintamos...

La condition humaine, René Magritte
E é impossível que seja o contrário. Não há enganos.

La condition humaine, René Magritte
E é impossível que seja o contrário. Não há enganos.
Terça-feira, Junho 28, 2005
O que nos salva?
O que nos salva de nos amarrarmos a um baloiço demasiado pequeno para nós?
O que nos salva de derramar encanto aos olhos de quem não vê?
O que nos salva de levar ao forno o cheiro de um bolo que não se sente?
O que nos salva de ver em blocos de betão estrelas e ondas rebentando em sincronismo?
Quem nos atirou um sussurro e ficou de fisga na mão esperando pelo eco da salvação?
Quem não preferiu afundar-se em castelos de areia em vez de os construir?
Quem nunca quis trepar uma árvore, sabendo que as asas estão agrafadas em livros?
Quem utilizou acetatos para mostrar a alma quando podia ter utilizado o olhar?
Quando ficou o céu tão cinzento que me apaixonei por ele?
Quando se soprou a vela a si mesma e correu o mundo?
Quando ficou o mar tão perto que fez com que eu mudasse de estação de rádio e o visse?
Quando roubaram a antena do meu carro?
Onde foi parar a pequena canção que musicava a enxaqueca de noites?
Onde se afundou o tormento que fermentou a insónia de dias?
Onde caiu o anjo que se esqueceu de prender as asas à camisola?
Onde se escondeu o santo que perdeu a auréola num bar de alterne?
Almejaremos ser salvos do destino de crianças, homens, mulheres, adultos, apaixonados, apáticos, revoltados, anjos, demónios ou santos?
Quem não se afunda propositadamente, com esperanças de voltar a emergir?
O que nos salva de derramar encanto aos olhos de quem não vê?
O que nos salva de levar ao forno o cheiro de um bolo que não se sente?
O que nos salva de ver em blocos de betão estrelas e ondas rebentando em sincronismo?
Quem nos atirou um sussurro e ficou de fisga na mão esperando pelo eco da salvação?
Quem não preferiu afundar-se em castelos de areia em vez de os construir?
Quem nunca quis trepar uma árvore, sabendo que as asas estão agrafadas em livros?
Quem utilizou acetatos para mostrar a alma quando podia ter utilizado o olhar?
Quando ficou o céu tão cinzento que me apaixonei por ele?
Quando se soprou a vela a si mesma e correu o mundo?
Quando ficou o mar tão perto que fez com que eu mudasse de estação de rádio e o visse?
Quando roubaram a antena do meu carro?
Onde foi parar a pequena canção que musicava a enxaqueca de noites?
Onde se afundou o tormento que fermentou a insónia de dias?
Onde caiu o anjo que se esqueceu de prender as asas à camisola?
Onde se escondeu o santo que perdeu a auréola num bar de alterne?
Almejaremos ser salvos do destino de crianças, homens, mulheres, adultos, apaixonados, apáticos, revoltados, anjos, demónios ou santos?
Quem não se afunda propositadamente, com esperanças de voltar a emergir?
Sexta-feira, Junho 24, 2005
É mesmo isso.
O que fará de nós maiores ou menores, se posso olhar para um simples lago e querer mergulhar nele da mesma forma que o gato preto que me estragou o jardim? Não gostamos da água, só queremos mergulhar nela com os olhos, sem correr o risco de afundar as nossas esperanças, com a química das sensações a remoer-nos a alma em turbilhões confusos. "Em que livro aprendeste isso, gato preto?"
Talvez possamos ser quem quisermos sem o canudo na mão. Mas quando mudas, brilhas, crias, proclamas e és tu, não o fazes prevendo uma folha enrolada no fim dos teus dias de tinta-da-china. Fazes porque és tu. Porque te quiseste empurrar no mundo da maneira que soubeste.
Só espero que nenhum canudo cegue olhos abertos ao mundo, que não corrompa mentes sinceras, que não tire fotocópias baratas da boa vontade sem selo autenticado, que não carimbe mentes formatadas, quadradas, pentagonais, fuscas, pantagónicas, com carimbos de criatividade. Só desejo que a cartola não espere que dela saiam coelhos mirabolantes...
A todos aqueles que continuam a lutar por algo que querem ou que sentem que devem lutar: força.
O que fará de nós maiores ou menores, se posso olhar para um simples lago e querer mergulhar nele da mesma forma que o gato preto que me estragou o jardim? Não gostamos da água, só queremos mergulhar nela com os olhos, sem correr o risco de afundar as nossas esperanças, com a química das sensações a remoer-nos a alma em turbilhões confusos. "Em que livro aprendeste isso, gato preto?"
Talvez possamos ser quem quisermos sem o canudo na mão. Mas quando mudas, brilhas, crias, proclamas e és tu, não o fazes prevendo uma folha enrolada no fim dos teus dias de tinta-da-china. Fazes porque és tu. Porque te quiseste empurrar no mundo da maneira que soubeste.
Só espero que nenhum canudo cegue olhos abertos ao mundo, que não corrompa mentes sinceras, que não tire fotocópias baratas da boa vontade sem selo autenticado, que não carimbe mentes formatadas, quadradas, pentagonais, fuscas, pantagónicas, com carimbos de criatividade. Só desejo que a cartola não espere que dela saiam coelhos mirabolantes...
A todos aqueles que continuam a lutar por algo que querem ou que sentem que devem lutar: força.
Terça-feira, Junho 21, 2005
Esticar
Que acordou no fundo e fingiu ser bóia até se afogarem as palavras.
Porque tentou.
O fundo continua limpo,
Que as pedras rolam e desabam no mutualismo.
Porque acordou o peixe,
As conchas perceberam que não podem trepar as árvores.
Treparam-nas pelos afogados.
Porque tentou.
O fundo continua limpo,
Que as pedras rolam e desabam no mutualismo.
Porque acordou o peixe,
As conchas perceberam que não podem trepar as árvores.
Treparam-nas pelos afogados.
Segunda-feira, Junho 13, 2005
Voou José, ficou Eugénio
Entre a folha branca e o gume do olhar
a boca envelhece.
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama.
Assim se morre dizias tu,
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura,
Na porosa fronteira do silêncio,
a mão ilumina a terra imaculada.
Interminavelmente.
Eugénio de Andrade
Obrigado.
a boca envelhece.
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama.
Assim se morre dizias tu,
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura,
Na porosa fronteira do silêncio,
a mão ilumina a terra imaculada.
Interminavelmente.
Eugénio de Andrade
Obrigado.
Segunda-feira, Junho 06, 2005
Everything is broken up and dances
Awake
Shake dreams from your hair
My pretty child, my sweet one.
Choose the day and choose the sign of your day
The day's divinity
First thing you see.
A vast radiant beach in a cool jeweled moon
Couples naked race down by it's quiet side
And we laugh like soft, mad children
Smug in the wooly cotton brains of infancy
The music and voices are all around us.
Choose they croon the Ancient Ones
The time has come again
Choose now, they croon
Beneath the moon
Beside an ancient lake
Enter again the sweet forest
Enter the hot dream
Come with us
Everything is broken up and dances.
Ghost Song, An American Prayer, Jim Morrison
Shake dreams from your hair
My pretty child, my sweet one.
Choose the day and choose the sign of your day
The day's divinity
First thing you see.
A vast radiant beach in a cool jeweled moon
Couples naked race down by it's quiet side
And we laugh like soft, mad children
Smug in the wooly cotton brains of infancy
The music and voices are all around us.
Choose they croon the Ancient Ones
The time has come again
Choose now, they croon
Beneath the moon
Beside an ancient lake
Enter again the sweet forest
Enter the hot dream
Come with us
Everything is broken up and dances.
Ghost Song, An American Prayer, Jim Morrison
Sexta-feira, Maio 27, 2005
Pela Ribeira

Tu, que me alucinas,
Que preenches o que vai entre a inspiração e o expirar,
Que encontras em mim um arrepio de quem viu o invisível...
Tu existes nas piores manhãs,
Quando não sei quem sou por falta de relógio.
Consumo-te em copos de plástico que espremo;
Consumo-te nas palavras que exprimo,
Em cada olhar tímido e reprimido,
Ao volante de um carro sem rádio.
Vejo-te e quero-te.
Mas não consigo mergulhar na tua tinta incógnita.
Socalcas-me a alma e ela renasce.
E num cacho de uvas me revejo:
Sobre ti, longe de ti, nunca sem ti.
Sou a moeda que atiraram ao acaso
E que se ficou pela tua margem, Douro.
Sou um comboio apitando com atraso
Numa ponte de sorrisos loucos.