Quarta-feira, Julho 20, 2005

11 de Outubro 

António que nunca tinha provado o borrego, pede meia dose. O empregado meio zarolho, olha-o com ar de desdém e do alto do seu metro e quarenta riposta:
- O Sr. quer o quê?!...
- Meia dose de borrego, se faz favor. – Com um ar intimidado.
- Como queira.... – Cuspe no lápis e aponta o pedido no seu bloco infecto, com as pontas castanhas da gordura.
- Se não se importar, o meu amigo também queria pedir, pode ser? – Ainda mais subserviente.
- Calma pá!! Só tenho dois braços! Ora portanto, uma de borrego e para o Sr o que vai ser...? – Apontando a cabeça para mim.
- Eu queria uma omelete de camarão.
- Hãn? De quê?
- Camarão.
- Vou ver se temos. – com modos de taberneiro mal cheiroso.
- Com certeza. – volto-me para o António e pergunto – Ó António, diz-me lá uma coisa.
- Diz lá
- Quando disseste que íamos comer, referiste que íamos também parar ao hospital? – com tom irónico.
- Porque dizes isso?
- Estamos num dos lugares mais finos e caros de Santa Margarida do Azorro e começo a achar que este tipo não gosta muito de água, muito menos de estar aqui a servir.
- Óh isso, não te preocupes, o Sr. Amaro é assim mas é boa pessoa.
- Acredito António, julgo é que ele não sabes disso.
- Não sejas assim tão incrédulo, Martins. Tem mais fé nas pessoas.
- Gostava, mas às vezes julgo que não, em especial quando me deparo com situações como esta e sabendo disso tento a todo custo evita-las.
- Isso é que fazes mal. Se sabes de ante mão que as situações podem ser assim porque razão tentas encara-las e ao mesmo tempo evita-las?
- Mas meu amigo, este situação foi inesperada. Eu julgava estar num restaurante de 5 estralas e o que vejo? Um taberneiro que me ameaça batatada e cospe para lápis como que se do pénis se tratasse, acho que isto é sinónimo de um atendimento personalizado e de alto gabarito?
- Mas julguei...
- Cala-te! Eu estou muito arrependido de estar aqui contigo! Sempre julguei que fosses mais selectivo nas tuas opções e o que vejo eu? Hãn? Um qualquer restaurante vão de escada, perdido no meio de um aldeia Serrana, onde o frio transparece por entre as pedras da calçada branca, como que se quisesse apoderar dos teus malditos joanetes!
- Ilário? Ilário Martins? Allô? Chama Ilário Martins à terra... Allô?!?
- ... e como que por entre a bruma, serrada pelo nevoeiro, húmido, carregado de morte...
- Martins? Já chega! Estás e começar a assustar-me, basta! Volta!!
- Posso ser útil n’alguma coisa? – Pergunta o empregado imundo.
- Nada Sr. Amaro, muito obrigado. Muito gentil da sua parte.
- ... em nada se transforma quando se tenta alterar, em nada se converte quando se tenta alimentar, o luar carregado....
- MARTINS!!! BASTA!!! – e com estas duras palavras, sacode-me, provocando um colapso no meu minúsculo cérebro, que riposta dentro da minha pequena caixa craniana.
- ... Hãn?! O que foi?! Onde estou!? - com o olhos alucinados e raiados de loucura, despertei. – António? És tu? O que se passou?
- Não sei Martins, não sei... mas fiquei apavorado, mesmo muito. – Com a sua mão magra e gelada, António passa-a pelo meu rosto. – Pronto já está tudo bem, pronto... como te sentes?
- Não sei, muito confuso, como que o meu corpo tivesse sido invadido por outro ser, sinto-me conspurcado, sem alma, vazio. Como que sentisse que este não é o meu cheiro, este não é o meu casaco.
- Bem estranho Martins, bem estranho... – comentado isto com comigo e olhando para o Sr. Amaro evidenciando loucura da minha parte.
E com estas palavras, saiu e dirige-se para a sala de encontro. Aí passa cerca de dez minutos, tempo suficiente para rever o golpe final. Mas eu que antecipara um final feliz, de um só gesto revi todos os passos do amigo António, não me fiz rogado e passei ao ataque. Sabendo de ante mão o que me trazia aquele lugar, resolvi fazer o que tinha em mente. Fiz de conta que me sentia mal e fui até ao bar. Esperei pacientemente que o meu amigo António se livrasse do empregado sebento. Mais quinze ou vinte minutos e tudo aquilo iria terminar. António que dava conversar ao empregado e ao chefe de mesa pedindo desculpa pelo sucedido. Consegui por entre a conversa perceber que tudo estava esclarecido. Nada tinha alterado o plano. Voltei para junto dele.
- Então, tudo mais calmo, amigo Martins? – Colocando a sua mão sobre o meu ombro, enquanto me sentava.
- Tudo melhor agora... Olha lá, António. Tens a certeza que ele vem?
- Martins? A rosa está vermelha...
- Sim, mas eu estou a começar a ficar com suores frios.
- Martins, o que foi que te disse o meu padrinho? Se isso acontecer, é porque Ele está lá em cima a olhar por nós.
- Sei! Mas tenho receio que não cumpra a minha parte.
- Deixa estar, eu ajudo-te. – e com estas palavras tudo ficou claro na minha cabeça.
Todo o plano estava exactamente como planeado, tudo! Era impressionante, quase um sonho, uma realidade abstracta, lindo, o paraíso estava a dois minutos de distância.
- Martins, o tipo acabou de chegar.
- Óptimo António! Está tudo a compor-se, estou calmo, já vi tudo. – disse-o com um olhar apaixonado.
- Isso, já vi que sim. É muito bonito não é?!
- É lindo António! É lindo!
- Estás pronto Martins?
- Sim estou...
- Sentes o saco de baixo da mesa?
- Estou com ele na mão e estou a sentir o detonador.
- AGORA!!!
E os dois bem alto gritam: Ala!!
Mais de 40 mortos, entre eles um dirigente político interveniente nas negociações, cerca de 200 feridos, o meu amigo António ao meu lado desfeito e eu no céu observo, no entanto, penso que nada daquilo tem muito sentido, pois o sangue é todo da mesma cor...

Terça-feira, Julho 19, 2005

A razão 

A besta imensa que divide a minha razão é comparada só, única e exclusivamente, a um elefante cheio de vontade de copular com uma cadela sem o cio.
Se acham isto bárbaro ou sem sentido, tentem falar com o meu dermatologista, após uma consulta de rotina. É virtualmente impossível tentar compreender ou encontrar qualquer tipo de sentido, seja ele nefasto e concreto, nas palavras do homem. Tudo quando julgavam conhecer e mesmo o que julgo não conhecer, é vos posto à vossa frente na forma verbal, para além disso há os indícios físicos de que algo vai rebentar dentro dele. Os olhos saem das orbitas, as veias jugulares transformam-se em grandes mangueiras de bombeiros, os dedos e unhas cravam-se nas almofadas do cadeirão, a a saliva em forma de espuma escorre abundantemente nos cantos da boca e por entre esta estado de espirito saem palavras como: eczematosas, psoríase, disidrose, vesiculante, Streptococcus pyogenes grupo A, estreptococos ou até estafilococos, misturadas com palavrões para além do aceitável, a roçar o fantástico. Isto tudo porque fui à praia de Cruz Quebrada.
Por isso estão a ver como está a minha razão, basicamente está eczematosas, psoríase, com disidrose, vesiculante, com streptococcus pyogenes grupo A, cheia de estreptococos ou até estafilococos, mas por outro lado sei muito bem quando estou feliz.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

... 

Se deus fosse uma pedra, seria surdo que nem uma porta.

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Manual de boas práticas 

No cinema:
- Perguntar à pessoa que está a vender os bilhetes se tem trocos. Se responder que sim, pague com Multibanco, se responder que não, faça um sinal para o fundo da sala e vá-se embora.
- Quando estiver a comprar o bilhete pergunte se as cadeiras estão equipadas com algálias.
- Entre na sala dois minutos atrasados e gritem: “Porra! Deixei o telemóvel no frigorifico.”
- Quando lhe estiverem a indicar o lugar, iniciem um choro nervoso e digam que não querem aquele lugar, que preferem o lugar do morto.
- Depois de sentados e passados 30 segundos, finjam que estão a dormir.
- De 10 em 10 minutos levantem-se, no caso dos Srs. ajeitem o cabelo e no das as Sras. ajeitem o cabelo.
- Baixinho vão chamando a pessoa que está no outro lado da sala, com um pssst e aos poucos intensifiquem o psst.
- Caso optaram pela sala de cinema pipoca, encham a boca de muitas pipocas e depois prenunciem a palavra Afonso, mas com muita força.
- Se for um drama, entrem na sala com um rolo de papel higiénico e apontem, para a pessoa que vai a vossa frente.
- Se for um filme de acção, quando estiverem a entra da sala, benzam-se.
- Se for uma comédia, entrem na sala antes de começar o filme a rir às gargalhadas e quando alguém se rir durante o filme, mandem a calar, evocando surdez.
- Se for um outro filme qualquer, não vão ver.
- Se for um outro filme qualquer, mas queiram lhe dar um tema, façam o mesmo.
- Se for a primeira vez que vão ao cinema com aquela pessoa, digam que sofrem de claustrofobia, após o final do filme.
- A meio do filme ponham o braço no ar e esperem que alguém chegue junto de vós. Se isso acontecer, peçam um Vodka Martini, com duas pedras.
- Antes de desligarem o telemóvel, experimentem todas as melodias do vosso telemóvel. Se isso demorar mais que duas horas, peçam desculpa no fim.
- Quando as luzes se apagarem, gritem de pânico. E digam alto e bom som: Não fui eu!
- Caso tenham um chapéu alto, tragam-no e exibam-no com vaidade antes de se sentar. Olhem nos olhos da pessoa que está a trás de vós e digam-lhes com um sorriso nos lábios: Boa noite.
- Mesmo que tenham idade para ver o filme que vão ver, comentem isso com a pessoa que está a obliterar o bilhete, de uma forma tímida.
- Caso seja Verão, antes de entrar na sala vistam um sobretudo e façam um ar austero.
- Se depois disto, ninguém reclama, ou ainda está na sala, saia e diga em alto e bom som, olhando para o proteccionista: “Nem um homem, quanto mais...”
- Se alguém o expulsar, desculpe-se. Diga que tem gases. Quando estiver cá fora, pergunte as horas e compre o bilhete para a próxima sessão.
- Muita atenção: Por nada interrompa o visionamento da película se estiver muito “à rasca” para urinar. Faça nas no local onde está sentado, caso a sala estiver equipada com algálias; se não estiver, não sei o que deve fazer.

Bom filme!

Atenção 

À quanto tempo não olham para a Lua? Já reparam que está diferente. Vejam bem.

Quarta-feira, Julho 13, 2005

Rap’parta! 

A seiva que corre do pinheiro,
Dá sempre muito dinheiro
Como uma lagosta por inteiro
No meu carro a pilhas verdadeiro

A gruta era mesmo funda
Do tamanho de uma bunda
Mesmo muito profunda
E Tinha um ar muita chunga

Fui apanhar macacos para o Ruanda
Montado na grande chanca
A tua grande tranca
Vai estripar a minha baganha

Meteste a tua prima
No meio de uma ravina
Tenho o dedo numa tina
E ou outro na tua vagina

Já me disseram que era aldrabão
Mas não quis acreditar
Só tenho uma mão
Para me coçar

Assim de longe
Até pareces um monge
Mas mais de perto
Não passas de um feto

Desde pequeno que tenho a mania
De que a minha tia
Tem a panela fria
Mas era só azia

Vi a tua sogra
A comprar dois quilos de soda
Tinha ainda de sobra
Mas quis comprar mais

Estive na lareira do anormal
Estava lá um marsupial
A fazer tricô
Quanto eu brincava com o iô-iô

Já me disseram que era aldrabão
Mas não quis acreditar
Só tenho uma mão
Para me coçar

Terça-feira, Julho 12, 2005

À pois é!! 

9 da manhã, ligo a televisão, como bom cidadão que sou, vejo as notícias nacionais e do mundo.
Fenómenos estranhos, alterações climatéricas, finanças, política; enquanto me preparo para mais uma dia de árdua labuta, vou ouvindo tudo com muita atenção. Eis que se não quando uma notícia, aparentemente inofensiva, chama-me à sala e se torna num verdadeiro sonho:

Ainda com a barba meia por desfazer, não penso duas vezes; hoje não vou trabalhar!
E por volta das 13:30...:


Amanhã, dia 3, será um novo dia, com ele os passarinhos voltaram e cantaram de alegria, uns por estarem mesmo felizes, outros porque nós achamos que sim.

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Grito 

No dia 25, saí, na noite difusa, corpos esvoaçantes de desejo, misturam-se na bruma do fumo do tabaco, que conspurca a pele, limpa, lavada, perfumada, suave. Algo me impele para o bar; serão as luzes, o olhar, o som, a sede. Tento não pensar muito nisso e dirijo-me autonomamente, sem dar contas a ninguém, nem se quer a mim. Olhos fixos na rapariga do bar e peço, sem tremer as mãos, sem soluçar, sem hesitações.
Um copo de água, por favor.
Contorcia-me ao som da música.
Sai, fui à casa de banho.
Quando voltei as pessoas estavam muito diferentes, só depois me apercebi que a música tinha mudado, bem como as luzes. Já a rapariga que me seguia para todo o lado, inclusive para a casa de banho, essa mantinha-se na mesma, como que se não fosse necessário dizer que eu estou ali, mas ela não teria que estar, mas estava e nada disso iria mudar a minha forma de pensar. De qualquer forma, mantinha a mesma postura desde à três horas. Calada, olhava-me, tocava-me no ombro e pedia algo, mas eu não compreendia, eu não a conseguia ouvir. Fiz um pequeno esforço, contudo ela ao ver que eu estaria interessado em saber o que ela teria para me dizer, ou pedir, correu e de um só salto, mergulhou na noite, caindo no chão, sem um único som. Saltou da varanda, sorte a do idoso que por ali passava.
Saí, fui à casa de banho.
No bar, pedi um copo de água.
A musica era cada vez mais intensa.
Com a alarido provocado pela garota, nada pude fazer, se não tentar encontrar alguém que a substituísse. Tarefa árdua, impossível, mesmo desesperante, até que por um milagre (coisa que não acredito), aparece um anjo. As vestes que trazia identificavam um sabor tórrido, seco e sem sal. Mas os olhos, tenros, e negros como a noite sem luar, transpareciam um súbito ar de desdém, que aos poucos se convertia em sufoco. Mais uma vez, nada pude fazer. Tal como a primeira, esta, ficou a meu lado, de uma forma diferente, mais colada, mais junta, por certo seria da idade. Em tudo diferente, mas em tudo igual, não só por ser um mulher, como eu sou o mesmo.
A música, aí esta música!
E vai mais uma copo de água...
A casa de banho, fica tão longe.
Sem querer deixar arrefecer muito a noite, passei ao ataque. Tentei por várias vezes prenunciar o meu nome, mas não sai nada, só grunhidos, sons sem sentido, ao que ela, respondia, “Prazer...”. Desde logo percebi que a comunicação estava condenada ao olhar. Dancei mais um pouco, já não sentia o chão, digo-vos que não é uma sensação fantástica, é mais na onda do surreal, do ‘se-bem! Tão juntos, tão fundidos, que pensei que tinha mudado de sexo. Julguei-me fora de mim, dentro dela, senti o meu sexo em mim. Assim que os meus lábios penetraram nos dela, tudo mudou, nada ficou, desde essa hora até ao dia seguinte e dentro dos próximos dois mil, trezentos, oitenta e 3 anos, não mais os vou largar, bem... posso fazer uma pausa de dois mil, trezentos, oitenta e 3 anos, menos duas semanas.
Bebi um shot de urina.
Dancei a casa de banho.
E, paguei a música.
Quando me dei conta das horas, soltei um grito lancinante!

Nax saca dex nhima mãri 

Nax saca dex nhima mãri, iv mua nhaara, aer drange, merone, otã drange equ sox hsolo rmae dox nhomata dex rintenasga. Solvire ud-ala oa ijdriam closae sima imóxipra. Ifo mnteportane aitece. Canun sima ax iv, daiand johe nhote daesduas elad...

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