A Torre de Babel

"Asseguram os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa excepção."

Jorge Luís Borges, A Biblioteca de Babel

 

 

Segunda-feira, Julho 18, 2005

Uma coisa que não entendo

Bom, uma é eufemistico (palavra que pode ou não ser acentuada, sendo que, de momento, não me lembro e não vou ver). Há uma catrefada de coisas que eu não percebo. A primeira das quais é a minha própria pessoa. Aspecto de somenos, o que sempre se pode provar, se a alguém fizer falta tal prova, do que se dúvida, atendendo a que questões deste foro são normalmente (des)tratadas por psicólogos e quejandos. Enfim, claudico. Ou melhor, disperso-me. Ou, talvez mais escorreitamente, estou (sou?) disperso. Em todo o caso, tenho a leve remniscência de que ia falar de alguma coisa. Não qualquer uma, note-se, uma que eu não entendo (está ali em cima no título). Ah ... sim, já sei.

Há uma coisa que não entendo: porque é que ainda ninguém percebeu que o novo terrorismo que nos tem sido imposto sob a forma da morte e mutilação de inocentes não é ditado por qualquer considerando político ou social, é apenas e tão só um problema de índole religiosa. Os infiéis somos nós, e por isso temos de morrer. Que se pense que é possível negociar com esta gente é de uma ingenuidade que não cessa de me espantar.

O Harry Potter and the Half-Blood Prince

deu-me uma tarde simpática e um início de semana de trabalho mais tolerável.

O novo rei da literatura light (fashion) esmagou segundo esta notícia o anterior. Parece que Harry Potter vendeu mais livros num dia que o Código Da Vinci num ano inteiro.

Acto falhado

Não propriamente "quase sempre sem atraso", mas mais propriamente, "fashionably late". Ainda assim, obrigado.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

Os limites da imperfeição

Uma novela-folhetim para os tempos correntes
[sai às quintas-feiras, quase sempre sem atraso]

(continuação)

V. PRISIONEIRO DE GUERRA

Entre mim e o leitor há assuntos por esclarecer. Estamos ainda na mesma terça-feira, que vem espraiada já por cinco semanas em que nos ocupámos da explicação dos feitios das personagens, e não tanto da crónica dos factos; mas eu julgo que hoje os leitores de folhetins não se preocupam muito com a ventura, digamos, de órfãos imaginários, nem possuem uma sensibilidade que lhes dê para sofrer de fastio ou de insónias enquanto não apareçam as cenas dos capítulos próximos. Há vida para além dos folhetins, louvado seja Zeus.
Neste momento, pela hora costumada, José aproxima-se enfim do seu destino, e os leitores recordar-se-ão talvez de que hoje é dia de mais fome.
Não há grande felicidade, como sabem, em alimentar-se alguém quotidianamente numa sopa dos pobres - que é ainda um resquício dos tempos em que a providência pública acudia com mais largueza às carências das gentes, oferecendo serviços utilíssimos que incluíam rodas para depósito de enjeitados e outras benfeitorias. No caso de José, porém, o infortúnio extremava-se: trazia-lhe menos sofrimento o ser pobre (a pobreza in re ipsa, se quisermos falar filosoficamente) do que o ter de comer dessa sopa que não era com exactidão uma instância da alta cozinha. Se neste folhetim houver causa para que o leitor piedoso verta duas ou três lágrimas, pois há-de ser esta: José gostava de comida como um padre gosta de escolas primárias. Logo pelos primeiros anos de sua juventude (na época em que ainda se acolhia ao tecto paterno que mais tarde viria a abandonar) dera-se no espírito de José como que uma epifania do garfo: alcandoravam-no ao êxtase a cabidela de galo capão ou o vol-au-vent de perdiz, o soufflé de bacalhau, a cassata napolitana feita em casa com grande aparato de natas e frutas frescas e vagens de baunilha, o pudim de ervilhas, as fatias de Tomar que se coziam numa panela especial que não servia senão para isso. Naqueles tempos, José chegava mesmo a jantar duas e três vezes na mesma noite, fazendo visitas às casas de suas tias, que ordenava segundo os horários (todos diferentes, mas sempre certos) por que se regiam essas mesas familiares. Tocava à campainha assim por volta das nove horas, como se estivesse de passagem, e fazia-se sempre surpreendido pelo convite.
- Entra, entra, Josezinho. Íamos agora começar a jantar: tu já comeste?
- Ainda não, tia.
- Então jantas connosco.
Mandava-se pôr mais um prato na mesa, e passados uns quarenta minutos José estava de novo na rua, trotando apressado em direcção ao bairro em que vivia uma outra tia em cuja casa se jantava só às dez horas da noite, porque o marido, que era advogado ou arquitecto, chegava mais tarde do escritório.
- Já jantaste, rapaz?
- Não, tia.
E tudo isto se perdera depois que José desertara do lar, deserção de que o leitor já tem conhecimento e que se fizera irreversível por causa do seu orgulho e da inflexibilidade de seu pai. Mas dessas excelentes comezainas José conservara memórias nítidas, bem como um palato apurado para os temperos e as ervas-de-cheiro que ainda hoje exercitava em conversa com as senhoras que distribuíam a sopa aos pobres.
- Então, senhor José? Que lhe pareceu a sopinha de ontem?
- Estava bem, dona Ema, estava bem. Mas há-de experimentar deitar-lhe uns raminhos de hortelã. Depois me dirá.
José, pois, vem chegando; e Álvaro aguarda já por ele, na esquina em que se encontram todos os dias. Este Álvaro, amigo de José, é pobre também, e frequentador da mesma sopa; só que muito mais feliz: não é um apaixonado das trufas ou da bouillabaisse, mas do vinho; e, por não ser esquisito, contenta-se com facilidade: qualquer líquido lhe dá alegria, posto que fermentado da uva. Álvaro lamentava apenas que a generosidade das Misericórdias nunca tivesse levado a que se instituísse o vinho dos pobres, ou coisa que o valha; e os amigos tratavam-no por Alvarinho, o que ele não levava a mal. Álvaro cumprimentou José com um aperto de mão.
- Até que enfim; vamos andando, que eu estou cheio de fome.
- Hoje é terça-feira, Alvarinho: vai tu, que eu fico aqui à espera.
E é chegado o momento de saberem os leitores por que razão não se atreve José a entrar na sopa dos pobres às terças-feiras. O caso é simples, e tem mesmo - diria eu, se não me arriscasse a incorrer em redundância literária - o seu quê de folhetinesco. Os leitores já foram informados de alguns sucessos que, se forem unidos na imaginação, lhes darão uma pintura quase completa das causas daquele insólito comportamento de José. Estarão de certo recordados da senhora Maria, que também vinha pela rua nesta terça-feira. Maria, uma vez por semana e há já uns meses, ajuda na distribuição da comida pelos pobres, praticando graciosamente essa caridade que também a entretém. Pois bem: na primeira terça-feira em que viu Maria atrás da bancada, José reconheceu-a em poucos instantes, apesar de não a ver havia muitos anos; e conseguiu sair, azafamadamente, sem que Maria desse por coisa alguma.
Maria era a criada de Amélia nos tempos em que José, por amor desta, decidira contradizer os decretos paternos; e talvez - pensou José, acertadamente - o fosse ainda. Se Maria o visse, logo daria conta a Amélia de que José sobrevivia a expensas de esmolas públicas. Ora José e Amélia não se falavam nem encontravam ia para mais de trinta anos, e a José não lhe interessava substituir a lembrança, boa ou má, que Amélia pudesse guardar dele pela imagem actualizada de um indigente andrajoso e sem ocupação. Maria vinha às terças-feiras auxiliar a servir a comida aos pobres, e nesses dias José deixara de comer. Orgulho, mais do que vergonha: eis o motivo que, no espírito de José, vencera a fome e a vontade de comer.
E todavia, nas últimas terças-feiras, José vinha rondando o edifício durante a hora do almoço, com um propósito só recentemente formulado mas que, por falta de coragem, não conseguira ainda executar. Decidira afinal anunciar-se a Maria, surpreendendo-a à saída da sopa dos pobres, e entregar-lhe um envelope que trazia no bolso. Dentro do envelope estava uma carta para Amélia.
(continua)

Não percebi

Qual a razão para o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique importar 1.860 camisolas dos "3 grandes" (1.260 camisolas do Sporting, 375 do FC Porto e 225 do Benfica)? E depois arrependeu-se???

Moçambique - Leiloadas camisolas clubes portugueses importadas por MNE

"Maputo, 15 Jul (Lusa) - Um lote com 1.860 camisolas do Benfica, FC Porto e Sporting foi leiloado esta semana pelas alfândegas moçambicanas, após a mercadoria ser abandonada pelo importador, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique (MINEC).
A estranha importação, seguida de abandono, foi hoje noticiada pelo semanário Savana, que refere que, além das camisolas dos principais clubes portugueses, o MINEC abandonou igualmente na alfândega roupas para bebés, DVD, livros e cigarreiras, entre outros.
Ouvida pelo jornal, uma fonte do MINEC afirmou desconhecer a situação, mas um anúncio publicado pela Direcção Regional Sul da Direcção Geral das Alfândegas de Moçambique identifica claramente as mercadorias que foram a hasta pública.
De acordo com esses dados, o MINEC importou 1.260 camisolas do Sporting, 375 do FC Porto e 225 do Benfica, representando direitos alfandegários avaliados em cerca de sete mil euros.
Os clubes portugueses estão na frente das preferências dos adeptos moçambicanos, que assistem aos jogos da Superliga através das emissões da televisão pública de Moçambique, TVM, ou da RTP-África.
Apesar de ter o lote menos numeroso de camisolas importadas pelo MINEC, o Benfica é o clube mais popular, graças às antigas "estrelas" Eusébio, Coluna e Costa Pereira, naturais do país quando este ainda era uma colónia portuguesa.
A vitória "encarnada" no último campeonato foi saudada com grande entusiasmo em Maputo e nas principais cidades de Moçambique."


Quem é que eles pensam que são?

Ouvi na TSF, à hora de almoço, que os agricultores pretendem, mais uma vez, recorrer ao crédito para cobrir os prejuízos do ano, em que tiveram mais despesa do que receita, sendo que boa parte da despesa tem a ver com o pagamento dos empréstimos pedidos noutros anos. Mais do mesmo, portanto.

Ora eu tinha para mim que Portugal já tem uma entidade assim, que se endivida para pagar as dívidas que já tinha e que não consegue pagar: o Estado. E já chega!
XMail Hard Drive

E a conta do Gmail passa a poder ser utilizada como uma network drive.

Numa palavra: "Outstanding"

57th Annual EMMY Awards: as grandes nomeadas

Outstanding Drama Series
The West Wing - NBC




Outstanding Comedy Series
Desperate Housewives - ABC

Coisas que não têm (de certeza) nada a ver

A greve da função pública e a quase total ausência de posts no Blasfémias (são 11:22 e só lá há um postezinho).

Evidências

Para se poder ser lido tem, primeiro, de se escrever.

E, sim, posso compreender que haja atenuantes. Como o facto de ser verosimil que possas estar retido numa coisa destas, contra a tua vontade, pelos próximos 150 anos:



Quinta-feira, Julho 14, 2005

Eu de facto não entendo as mulheres...

Em especial as americanas. Basta ver esta lista dos 10 carros que elas preferem.

Destaco, em 2.º lugar, o Suzuki Forenza e em 8.º, 9.º e 10.º estas pérolas:
8. Chrysler PT Cruiser convertible
9. Kia Rio sedan
10. Kia Optima

Eu podia tentar encontrar imagens dos automóveis mas tenho medo de cegar.

Já os homens têm um gosto impecável, mesmo nos Estados-Unidos. A prova? O Porsche 911 (modelos diferentes) aparece em 1.º e 10.º da lista.

E sim, o Porsche é sempre preferível na versão coupé.

A ser verdade

é grave o que aqui se escreve:

Era dos nervos

Teresa Sousa, ex-funcionária da PGR, foi condenada a quatros e meio de prisão. O juiz desvalorizou a ameaça que a arguida fez, durante as alegações finais, de que, caso fosse condenada, incriminaria elementos do Ministério Público. «Vamos esquecer a ameaça, partindo do princípio que estaria nervosa em excesso», declarou José Eduardo Martins.

Um mezinho passado

Convém reiterar, por causa disto, convém ter à mão os apontamentos, não se vá dar o caso, sobre o que é e significa a deflação.

Última Hora

Quarta-feira, Julho 13, 2005

Um outro mundo existe

Isto de vivermos aqui fechados no rectângulo, por vezes, limita-nos a visão. E, Portugal diz-se, e até é verdade, que toda e qualquer empresa pública é geradora de desperdício de dinehrio, dívidas gigantescas e atraso tecnológico. Mas isso não é sempre verdade.


A empresa que faz este e muitos outros pópós é uma empresa que tem capitais públicos ...

Garbage in, garbage out

Uma notícia mal feita, um blogger apressado. Duas asneiras.

O que o estudo diz (e cito a segunda metade da notícia, que ninguém leu):

"Nelson Lima referiu que as cerca de 1.100 crianças entre os três e os 12 anos que o Instituto da Inteligência estudou desde a sua fundação, em 1997, apresentaram uma clara apetência genética para a matemática (cerca de 500) ou para as letras (600)."

Ou seja, há crianças mais motivadas para letras e outras para as matématicas. Uma enorme novidade. Ninguém, diz, nem os autores do estudo (ilustres desconhecidos, por ignorância minha), que as 600 com mais predisposição para letras não são capazes de aprender matemática de liceu. Só nunca serão génios nessa área.

Terça-feira, Julho 12, 2005

Olhe que não, olhe que não, meu caro anónimo viperino

"A sua mãezinha também deve considerar que o/a 'irreflexões' é o/a supra-sumo 'do pingarelho'..!!"
Tinha ideia de que se dizia o supra-sumo da batatinha ou coisa que o valha. E, ademais, não se compreende de todo o também. Mas pronto, sempre foi um dos melhores insultos que recebi.

Post absolutamente extemporâneo

Depois de escrever esta prosa sobre o cada vez mais infame Presidente do Governo Regional da Madeira tinha intenções de a ilustrar devidamente, para que ninguém se esquecesse de quem é que estávamos a falar. Depois passou-me. Mas um tal galeria de imagens merece melhor destino. Aqui fica, estruturalmente organizada em:

Informal















Formal

É sempre bom

A verdade raramente vem à tona

Neste país. Mas, neste caso, como as comadres decidiram zangar-se na praça pública (aqui e aqui) pode ser que os mais incautos comecem a perceber quão prostituidos estão os nossos meios de comunicação social.

Está assegurada

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Post para cumprir calendário

Já está.

Domingo, Julho 10, 2005

Teoria da conspiração

Ainda em ritmo de fim-se-semana

Recomenda-se a primeira análise verdadeiramente estruturada do que se passou em Londres, na Newsweek.

Sexta-feira, Julho 08, 2005

Se calhar esta citação é mais apropriada...

Porque é bom rirmo-nos de nós próprios e porque me revejo aqui e ali...

Leiam isto. Para garantir que lêem nem que seja um bocadinho aqui fica a citação da praxe:

"Blogger: Term used to describe anyone with enough time or narcissism to document every tedious bit of minutia filling their uneventful lives. Possibly the most annoying thing about bloggers is the sense of self-importance they get after even the most modest of publicity. Sometimes it takes as little as a referral on a more popular blogger's website to set the lesser blogger's ego into orbit.

Then God forbid a blogger gets mentioned on CNN. If you thought it was impossible for a certain blogger to get more pious than he was, wait until you see the shit storm of self-righteous save-the-world bullshit after a network plug. Suddenly the boring, mild-mannered blogger you once knew will turn into Mother Theresa, and will single handedly take it upon himself to end world hunger with his stupid links to band websites and other smug blogger dipshits."

Leitura recomendada

Serviço Público: Humor

Não confundir por favor

Não é de cariz ideológico, é de cariz religioso.