2005-07-18
Tenho muita pena
Mas quem não o viu gatinhar perdeu de vez a oportunidade, é que agora é só andar, é uma delícia apreciá-lo com os braços meio erguidos, vá-se lá saber se é para melhor equilíbrio ou para se defender de dar com o nariz no soalho, com passinhos curtos e sempre em aparente desiquilibrio correr tudo, já consegue mudar de direcção, transportar objectos sem se atrapalhar (muito). Hoje dei com a formiga a caminhar enquanto dava umas chupas no biberão do leite, é um domínio que só visto. Depois temos ainda o bónus de, quando nos intrometemos no meio do passeio e lhe oferecemos os braços abertos, ele acelerar o passo (ainda mais desiquilibrado) na nossa direcção como se estivesse à beira de ganhar os cem metros, e chegado até nós a satisfação dele (e a nossa) é a mesma de quem ganha uma medalha.
Mas quem não o viu gatinhar perdeu de vez a oportunidade, é que agora é só andar, é uma delícia apreciá-lo com os braços meio erguidos, vá-se lá saber se é para melhor equilíbrio ou para se defender de dar com o nariz no soalho, com passinhos curtos e sempre em aparente desiquilibrio correr tudo, já consegue mudar de direcção, transportar objectos sem se atrapalhar (muito). Hoje dei com a formiga a caminhar enquanto dava umas chupas no biberão do leite, é um domínio que só visto. Depois temos ainda o bónus de, quando nos intrometemos no meio do passeio e lhe oferecemos os braços abertos, ele acelerar o passo (ainda mais desiquilibrado) na nossa direcção como se estivesse à beira de ganhar os cem metros, e chegado até nós a satisfação dele (e a nossa) é a mesma de quem ganha uma medalha.
Ás vezes penso que deveria mudar o nome disto para Muro das Lamentações.
Contra a corrente
(...) o Governo, tem, obrigatoriamente, de ter um papel, decisivo, dinamizador, na economia. Se ficamos à espera da iniciativa privada... Nesse contexto, parecem-me do maior interesse iniciativas como os planos de investimento anunciados pelo Governo.
(...). Como pode um país com um défice deste tamanho, fazer investimentos avultados? A minha resposta é outra pergunta: devemos, então, ficar quietinhos à espera que o défice se resolva e que tudo à nossa volta apodreça.
A boa gente que acha uma heresia esta linha de pensamento está convenientemente resguardada dos solavancos da economia, daí que se possa dar ao luxo de advogar que se deixe funcionar o mercado, eufemismo para deixar passivamente cair a malta no esgoto.
(...) o Governo, tem, obrigatoriamente, de ter um papel, decisivo, dinamizador, na economia. Se ficamos à espera da iniciativa privada... Nesse contexto, parecem-me do maior interesse iniciativas como os planos de investimento anunciados pelo Governo.
(...). Como pode um país com um défice deste tamanho, fazer investimentos avultados? A minha resposta é outra pergunta: devemos, então, ficar quietinhos à espera que o défice se resolva e que tudo à nossa volta apodreça.
A boa gente que acha uma heresia esta linha de pensamento está convenientemente resguardada dos solavancos da economia, daí que se possa dar ao luxo de advogar que se deixe funcionar o mercado, eufemismo para deixar passivamente cair a malta no esgoto.
2005-07-15
Efectivamente
Há alguns anos (quase vinte??) por alturas do Natal pediram-me um favor, queriam dar uma prenda a um jovem da minha idade, perguntaram-me o que é que estava a dar em termos musicais, eu inocentemente sugeri o album dos GNR que rodava na altura - aquele com o mergulho para o rio na Ribeira -, pediram-me então se o comprava, e assim foi. Nesse Natal recebi de prenda um embrulho estranho, leve demais para o volume que ostentava, fui abrindo e do meio de uma carrada de papeis para encher saiu a dita cassete. Recebi também um leitor de cassetes daqueles só com um altifalante e que nem rádio tinham.
Resumindo: durante muito tempo tinha o leitor e só tinha uma cassete, o que fez com que esta seja talvez a música que mais vezes tenha ouvido , ou então esta, a minha preferida da cassete.
Cerimónias
Então. Sempre ouvi dizer a vida a dois é um osso duro de roer
e de enterrar e esgravatar para cheirar e confirmar o lugar
o asilo o lar doce lar
excepção feita aos onanistas
só ligam ás fotos das revistas
Tu lavas eu limpo
tu sonhas eu durmo
tu branco e eu tinto
tu sabes eu invento
tu calas eu minto
arrumas e eu rego
retocas eu pinto
cozinhamos para três
tu mordes eu trinco
detestas eu gosto
magoas eu brinco
Criámos sob um tecto um monstro de mutismo
e o tédio escorre das paredes como num túmulo para alugar para habitar
inventamos maldades por puro exibicionismo
suportamo-nos apenas por diletantismo
discussões de mercearia
só apagamos a luz ao nascer dum novo dia
-mas se me morres eu sinto-
Letra: Rui Reininho
In: "Psicopátria", GNR 1986
Há alguns anos (quase vinte??) por alturas do Natal pediram-me um favor, queriam dar uma prenda a um jovem da minha idade, perguntaram-me o que é que estava a dar em termos musicais, eu inocentemente sugeri o album dos GNR que rodava na altura - aquele com o mergulho para o rio na Ribeira -, pediram-me então se o comprava, e assim foi. Nesse Natal recebi de prenda um embrulho estranho, leve demais para o volume que ostentava, fui abrindo e do meio de uma carrada de papeis para encher saiu a dita cassete. Recebi também um leitor de cassetes daqueles só com um altifalante e que nem rádio tinham.
Resumindo: durante muito tempo tinha o leitor e só tinha uma cassete, o que fez com que esta seja talvez a música que mais vezes tenha ouvido , ou então esta, a minha preferida da cassete.
Cerimónias
Então. Sempre ouvi dizer a vida a dois é um osso duro de roere de enterrar e esgravatar para cheirar e confirmar o lugar
o asilo o lar doce lar
excepção feita aos onanistas
só ligam ás fotos das revistas
Tu lavas eu limpo
tu sonhas eu durmo
tu branco e eu tinto
tu sabes eu invento
tu calas eu minto
arrumas e eu rego
retocas eu pinto
cozinhamos para três
tu mordes eu trinco
detestas eu gosto
magoas eu brinco
Criámos sob um tecto um monstro de mutismo
e o tédio escorre das paredes como num túmulo para alugar para habitar
inventamos maldades por puro exibicionismo
suportamo-nos apenas por diletantismo
discussões de mercearia
só apagamos a luz ao nascer dum novo dia
-mas se me morres eu sinto-
Letra: Rui Reininho
In: "Psicopátria", GNR 1986
O vergonhoso folhetim do mensalão brasileiro vem trazer um inesperado argumento contra a redução do número de deputados no parlamento, é que quanto maior o número de deputados mais difícil se torna comprá-los todos.
2005-07-12
Foi bonita a festa pá

Pena amanhã ser terça-feira, a cerveja também podia estar mais fresca, é o custo da festa a seguir ao fim de semana, o frigorifico está apinhado de tralha, para a próxima nem que andemos toda a semana a comer atum e salsichas, a cerveja há-de ter o lugar que merece reservado no frio.
Quase fomos surpreendidos pela voracidade da horda de convivas que por cá passaram, normalmente ficámos atulhados de comida que sobra para quinze dias, desta vez limparam tudo.
O aniversariante distribuiu charme e, não cedendo ao cansaço, aguentou firme até ao fim da festa, como bom anfitrião acompanhou os últimos convidados à porta.
Excusado será dizer que as bochechas foram massacradas todo o tempo com beijos do mais repenicado.

Pena amanhã ser terça-feira, a cerveja também podia estar mais fresca, é o custo da festa a seguir ao fim de semana, o frigorifico está apinhado de tralha, para a próxima nem que andemos toda a semana a comer atum e salsichas, a cerveja há-de ter o lugar que merece reservado no frio.
Quase fomos surpreendidos pela voracidade da horda de convivas que por cá passaram, normalmente ficámos atulhados de comida que sobra para quinze dias, desta vez limparam tudo.O aniversariante distribuiu charme e, não cedendo ao cansaço, aguentou firme até ao fim da festa, como bom anfitrião acompanhou os últimos convidados à porta.
Excusado será dizer que as bochechas foram massacradas todo o tempo com beijos do mais repenicado.
2005-07-11
2005-07-09

É seguir sempre em frente, chegando às portas da igreja de S.Nicolau vira-se à esquerda caminha-de uma vintena de metros e volta-se à direita, já com o rio à vista, siga-se sempre em frente até não poder mais e, por aí, devem haver uns poisos onde se possa aliviar do calor desta noite (destas há poucas, há que aproveitar).
-Ó fachavor! o meu pode ser com um dedo de groselha.
2005-07-07
«Qualquer dia um gajo chega a casa e nem tem força p´ra foder»
Dizia alguém, visivelmente alterado, ao meu interlocutor do outro lado da linha. Concordo perfeitamente com a queixa, sugiro até mais ambição; reclamava também chegar a casa a tempo de jantar com as crias.
Como diria o defunto camarada Cunhal - O patronato apanha boleia do desfalecimento da economia para espremer o povo trabalhador.
E com isto vêm-me à memória ensinamentos sábios do Engº. Belmiro, desta vez no último prós-e-contras, não entendo, dizia ele, a exigências que as pessoas fazem em trabalhar menos uma, duas horas o que é que isso adianta, para depois ficarem a ver mais televisão. O contra-argumento, ainda que mais próprio do tempo em que não havia televisão, está no início. A lata deste Engº. em querer comandar o pouco tempo de liberdade que sobra depois de um dia de trabalho, tenha ele certeza que qualquer novela mesmo daquelas dobradas, ou qualquer jogo de futebol mesmo a feijões, são bem melhores que uma ou duas horas a esfregar os artigos no laser da caixa de um Continente.
É certo que todos temos que comer, e que o dinheiro não cai do céu, blá, blá,blá...mas também é certo que todos deviamos comer, senão pela mesmo medida, pelo menos por uma mais justa, e também não será menos certo que há vida para além do trabalho.
Dizia alguém, visivelmente alterado, ao meu interlocutor do outro lado da linha. Concordo perfeitamente com a queixa, sugiro até mais ambição; reclamava também chegar a casa a tempo de jantar com as crias.
Como diria o defunto camarada Cunhal - O patronato apanha boleia do desfalecimento da economia para espremer o povo trabalhador.
E com isto vêm-me à memória ensinamentos sábios do Engº. Belmiro, desta vez no último prós-e-contras, não entendo, dizia ele, a exigências que as pessoas fazem em trabalhar menos uma, duas horas o que é que isso adianta, para depois ficarem a ver mais televisão. O contra-argumento, ainda que mais próprio do tempo em que não havia televisão, está no início. A lata deste Engº. em querer comandar o pouco tempo de liberdade que sobra depois de um dia de trabalho, tenha ele certeza que qualquer novela mesmo daquelas dobradas, ou qualquer jogo de futebol mesmo a feijões, são bem melhores que uma ou duas horas a esfregar os artigos no laser da caixa de um Continente.
É certo que todos temos que comer, e que o dinheiro não cai do céu, blá, blá,blá...mas também é certo que todos deviamos comer, senão pela mesmo medida, pelo menos por uma mais justa, e também não será menos certo que há vida para além do trabalho.
2005-07-05
Ao camarada Fiel depositário
Já vi este filme
Há vinte anos o Live Aid apanhou-nos em cheio, naquela fase em que se respira a música dos tops, e como tal, foi com intensidade e muita crença que se acompanhou aquele dia de Julho de 1985, os cromos eram outros, parece-me a mim com bastante mais consistência que hoje, dou como exemplos Springsteen e Sting, que ainda por cá cantam, hoje as estrelas da pop são mais fugazes, vivem numa órbita apertada em relação às editoras que põe e dispõe das carreiras dos artistas fabricados nos estúdios.
We are the world ... foi o refrão que até ouvimos até ao vómito meses a fio no primeiro lugar do top de vendas.
Vinte anos é muito tempo e, perante uma situação que parece apenas depender da boa vontade de meia dúzia, feito o balanço , parece-me que infelizmente está tudo na mesma ou pior daí que pouco mais que indiferença e alguma sobranceria me tenha despertado o Live 8 de Sábado passado.
É preciso uma boa dose esperança para não atirar a toalha e dizer cinicamente «Até daqui a vinte anos».
Já vi este filme
Há vinte anos o Live Aid apanhou-nos em cheio, naquela fase em que se respira a música dos tops, e como tal, foi com intensidade e muita crença que se acompanhou aquele dia de Julho de 1985, os cromos eram outros, parece-me a mim com bastante mais consistência que hoje, dou como exemplos Springsteen e Sting, que ainda por cá cantam, hoje as estrelas da pop são mais fugazes, vivem numa órbita apertada em relação às editoras que põe e dispõe das carreiras dos artistas fabricados nos estúdios.
We are the world ... foi o refrão que até ouvimos até ao vómito meses a fio no primeiro lugar do top de vendas.
Vinte anos é muito tempo e, perante uma situação que parece apenas depender da boa vontade de meia dúzia, feito o balanço , parece-me que infelizmente está tudo na mesma ou pior daí que pouco mais que indiferença e alguma sobranceria me tenha despertado o Live 8 de Sábado passado.
É preciso uma boa dose esperança para não atirar a toalha e dizer cinicamente «Até daqui a vinte anos».


