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Terça-feira, Julho 19, 2005
![]() Magritte Dunyazade @ 1:36 PM
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O homem de pedra. Já que o foi na vida, assim permanecerá até ao final dos tempos. Estou cansada. Nestas alturas é habitual a minha imaginação divagar. Saio do corpo, quase. O espírito solta-se e desliza, viaja para o mar onde escuto o eclodir oceânico das ondas, uma após outra, e me vejo sentada na areia, olhando a água e a espuma. Sozinha, sem ninguém ao redor. Posso ali ficar horas. Na praia, no interior da mente. Aníbal cortou o pulso esquerdo com a faca, deixou escorrer o sangue para o copo e passou-o pelas barras. Evangeline aceitou-o fitando-o com um olhar sério e, em seguida, mordeu a mão, o monte de Vénus, fechou o punho, virou-o para o copo e os dois sangues misturaram-se. Devolveu o copo a Aníbal que bebeu avidamente. Ela deixou-o beber em êxtase arrebatado. Viu-o lamber o copo. Retirar com o dedo o mínimo vestígio de sangue. Observou-o, ávida, e na fisionomia o discreto sorriso da vingança animou-se, qual raiar de sol na paisagem invernosa. Aníbal sentiu-se subitamente indisposto, pensou que era de esperar, porém a náusea veloz cobriu-lhe a extensão da carne em segundos. Não compreendia. Evangeline nunca lhe descrevera isto. E num relampejar de consciência percebeu o que ela lhe fizera. Fitou-a de olhos arregalados, enclavinhando a mão enrugada no estômago. Percebeu que ela não lhe deu a vida, mas a morte. Vai morrer à mesma. Zonzo, cambaleou. “Porquê?”, exclamou, débil. Não atingiu haver pessoas que preferem a morte a cederem. Mas Evangeline não estava derrotada ainda. Quando ele se virou para o túnel ela projectou as mãos por entre a cela, agarrou o casaco e tentou prendê-lo, mas Aníbal escapou-se. Fugiu, aos arrastos, pelo chão frio do túnel. E agora tem até ao fim deste ciclo temporal para se perguntar: porquê?, porquê? Porque o fez? (Continua.) Dunyazade @ 1:28 PM
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Sexta-feira, Julho 15, 2005
Parabéns! :) Aqui fica a 1001. Para andar, basta pôr um pé à frente do outro, e para se chegar ao fim, basta mais um passo. Escrever não é diferente, seja uma pequena história ou mil. Dunyazade @ 10:31 AM
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Quinta-feira, Julho 14, 2005
A 13 de Abril de 2004 enviei o manuscrito à editora Difel – recusa; mandei-o à Temas e Debates a 17 de Maio e obtive recusa novamente; concorri ao prémio literário de Loures – não ganhei; remeti-o à Oficina do Livro - e de novo lá veio a carta de recusa; despachei-o para a Âmbar (a recusa veio a 13 de Janeiro de 2005) e Asa a 9 de Novembro’04, a Asa devolveu-o a 15 de Novembro sem sequer o ter lido; a 19 de Novembro enviei-o para a Bertrand Editora e até hoje espero resposta, tal como a espero da Bizâncio desde 27 de Novembro de 2004; encaminhei o manuscrito, mais uma vez, para outra editora – a Cotovia – a 29 de Novembro’04 e conheci a recusa a 2 de Fevereiro de 2005; mandei o Senhor Bentley para a Caixotim a 13 de Fevereiro e a recusa chegou a 13 de Maio’05; da editora Âncora ela veio a 9 de Maio de 2005, depois de lhes ter enviado o livro a 10 de Março’05. Bom, vou ser mais sucinta. Afrontamento: mandei a 21 de Março de 2005, recusa a 6 de Abril. Editorial Caminho: remeti o livro a 22 de Março de 2005. Sem resposta até hoje. Relógio D’Água: 28 de Março de 2005. Sem resposta. Presença: 15 de Abril’05. Recusa. Editorial Notícias: 20 Abril’05. Sem resposta. Edições Saída de Emergência: mandei o livro a 22 de Abril de 2005. Sem grande fé, esperando resultados idênticos aos anteriores. Mas logo no dia a seguir ao editor ter recebido o manuscrito obtenho uma resposta positiva! Em princípio Senhor Bentley, o Enraba-Passarinhos sairá no primeiro trimestre do ano de 2006. P.S. Não contem. Eu poupo-vos o trabalho: foram 15. [Correção: 16, aliás. A editora Q de 9 demonstrou interesse inicial, mas depois mudou de ideias. Até hoje não sei porquê.] [Adenda: afinal foram 17. Esqueci-me de adicionar a editora Amores Perfeitos que queria que eu pagasse metade da edição.] Dunyazade @ 10:44 AM
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Quarta-feira, Julho 13, 2005
Com os pormenores todos. Mas! Trocando o nome dos intervenientes por outros. Tipo, chamo ao, coff, aquele gajo que tem um nome, tipo, assim, metalizado - chamo-lhe, por hipótese (estamos ao nível do hipotético, meus lindos), o Farruscas. Posso fazer isto sem correr o risco de ser processada por difamação? Porque não há €€€€€ para andar a pagar a advogados e sei lá mais o quê. Ou terei de esperar pela conclusão do julgamento? Mas aquela porcaria Nunca Mais Acaba! Vou esperar, quê, Dez Anos?!?!?!? Quem tiver conhecimentos jurídicos, por favor elucide-me. Se me disserem "não, não podes", lá chegarei à conclusão que afinal eu vivo em Portugal - a 24 de Abril de 1974. Obrigada. [Nevermind: parece que sim, que posso falar sobre o caso, hehe. * Does wicked smile*] Dunyazade @ 10:02 AM
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Terça-feira, Julho 12, 2005
'Tou contentiii... :D (E graças a Deus que foi assinado antes de Mercúrio Retrógado...) Dunyazade @ 2:40 PM
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Brendan Behan LOLOLOL. Dunyazade @ 12:07 PM
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A ler. Urgentemente. Merda de país. Dunyazade @ 10:03 AM
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Sábado, Julho 09, 2005
Dear norway visitor: who the hell are you? Dunyazade @ 11:24 AM
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De quando em quando, cidadãos portugueses que vivem nos EUA desde os dois ou três anos de idade, e que nem português sabem falar, são deportados para Portugal (geralmente para os Açores) por via de algum crime cometido em solo americano. Quando isto acontece os portugueses indignam-se. E com razão. Afinal alguém que vive nos EUA desde os 2 anos de idade é um produto da sociedade americana, e não é correcto obrigar Portugal a receber essas pessoas que nem português sabem falar. Frequentemente, cidadãos não-portugueses que nasceram em Portugal, e outra língua não sabem que não o português, são deportados de Portugal (geralmente para algum país africano) por terem cometido algum crime em solo português. Poucos se indignam. Não são notícia de abertura dos telejornais. Afinal, se é para causar distúrbios, que voltem para a terra deles. Não gosto de preconceitos. Quando identifico um em mim tenho vergonha. E acho inconcebível que se usem argumentos rotos como a recusa do "politicamente correcto" ou a "criminalidade" ou a tal da "insegurança" para desculpar comportamentos e opiniões racistas e preconceituosos. Nós não temos vergonha (nós, portugueses) em sê-lo. Ao contrário, por exemplo, dos ingleses. Enfim, ao contrário de povos verdadeiramente civilizados. Nós ainda não somos civilizados. Para lá caminhamos. Mas vai levar o seu tempo. Estar na Europa é o que nos safa. De outra maneira não haveria salvação para o crónico atraso luso. Atraso em tudo, não só económico, mas espiritual, emocional, Ético, etc., etc., etc. Às vezes é tão bom saber que não sou a única a pensar e sentir desta maneira. Não estou sozinha. Porque, em ocasiões, dá-me a sensação que estou. É por isso que ponho este texto aqui. (trackback) Dunyazade @ 11:05 AM
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Sexta-feira, Julho 08, 2005
'Tão bonzinhos, gaijos? Sim? Isso é o que se quer. Saúde, saudinha é o que se quer! Dunyazade @ 8:53 AM
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Quinta-feira, Julho 07, 2005
Dunyazade @ 11:54 PM
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Tenho pena desta mulher. Pela primeira vez vejo-a como humana e não somente ser imortal, talvez superior aos mortais por ter vivido tanto. Uma deusa menor – era como a via. Entendo que as suas limitações são as limitações humanas. Entendo que ainda é humana. Nas palavras doridas intuo o rubro da alma. É forçoso que tenha alma, mas aprisionada naquele delgado corpo e carne pálida e bela, enredando-se nos cabelos áureos, e impossibilitada de escapar. Os meus sentimentos de terror e desconfiança abrandam, juntamente com o bater do coração. Há quantas horas aqui permaneço? Não sei. Ela tem-me presa sem me prender. Poucos, até hoje, tiveram esse poder sobre mim. Aníbal tentou efemeramente persuadi-la a dar-lhe a imortalidade. Era o único meio de enganar a morte. Franzo a testa. Que homem idiota. Prefere perder a alma a ganhar a verdadeira liberdade, pois que a morte traz a alforria, o cortar das limitações terrenas e fúteis. A morte despe e deixa à vista o espírito nu. Tentou convencê-la por meio de palavras doces, vitimizadas súplicas, ameaças – sem êxito. Evangeline devolvia-lhe um olhar duro, imóvel, de ódio puro que substituíra o antigo amor, nada mais que a ilusão a que se pendera para poder lidar com a vida. Algures existia um homem que a amara e esse amor passado sustentara-lhe os dias. A cruel realidade impunha-se, extirpando ficções com a dor da faca a esfolar pele viva. E agora era o asco que a alimentava e lhe escorava as horas. Aníbal tem de a manter em boas condições físicas caso contrário a seiva de Evangeline não terá força suficiente para torná-lo num vampiro poderoso. O sangue fraco faria dele imortal, mas sofrendo à mesma de maleitas humanas, sem protegê-lo da intensa dor. Por isso trazia-lhe comida. Rapazinhos e rapariguinhas para saciar a sua sede. - O melhor sangue é o dos jovens – revela num malévolo tom espraiado dos olhos azuis em setas luzentes. – O vigor da juventude inunda-me e chego a sentir a capa da inocência que veste as crianças. É superior a todos. Um arrepio palmilha-me de cima a baixo; os pêlos do corpo alvoram. - Deus... – sussurro. (Continua) Dunyazade @ 1:14 PM
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A ler. Dunyazade @ 8:58 AM
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Quarta-feira, Julho 06, 2005
Histórias da Justiça real Em 2001, um indivíduo ouve o alarme do seu veículo, acorre e apanha o assaltante que agarra e apresenta à polícia a quem participa o crime. Em 2003, batem à porta do mesmo indivíduo e ele verifica que se trata dum agente da autoridade que o vem notificar para comparecer em tribunal a fim de testemunhar no julgamento. Para seu espanto, a audiência para que é notificado, está marcada para Maio de 2005. Em Junho de 2005, recebe uma notificação do tribunal comunicando-lhe que foi condenado na multa de 200 euros por não ter comparecido na referida audiência. Desloca-se ao tribunal para explicar porque se esquecera da data (dois anos é muito tempo) e fica a saber que o assaltante foi absolvido por falta de prova uma vez que ele era a testemunha da acusação. Isto dá-me para rir para não ter de chorar. Dunyazade @ 10:21 AM
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