Sexta-feira, Julho 15, 2005

A ler excelente artigo Algures, perto de si, de JPP no Público e hoje afixado no Abrupto.
A não confundir a lucidez com alarmismo.

Um pouco à margem do teor do artigo apetece-me repetir o que escrevi há muitos meses: em tempo de guerra há lados, há posições a tomar. E há quem desde cedo tenha definido o seu lado e quem prefira o limbo.

*

Ainda sobre Terrorismo e os Atentados em Londres também é reconfortante participar no Porto de Abrigo . Não fossem alguns oásis e poderia pensar que sou uma intolerante, incapaz de perceber as razões das matanças de inocentes.

Terça-feira, Julho 12, 2005

Depois de quase 12 horas de trabalho sabe bem abrir a porta a quem nos traz (em rigor, a quem nos vende) livros. O spread, a taxa de juro, os despachos, as escrituras, os prazos, as urgências, pufff... evaporam-se quando se começa a ler...

Ouve, Noite

(E o vento trouxe este coro de presos de Aljube)

«Ouve, Noite:
só nós, os que não acreditamos no céu,
tivemos coragem de gritar a esta carcaça a fingir de vida: NÃO!

Nós, sem morte nem mundo, para aqui a apodrecer nas tumbas do sol secreto
e a sonhar com um céu para os outros na Terra
que só o ódio vê.

E é esta a nossa guerra.
E é esta a nossa fé.»

José Gomes Ferreira, Poeta Militante II

Sexta-feira, Julho 08, 2005

Atentados em Londres

Para quem tenta perceber as razões e os procedimentos habituais dos atentados passados e dos vindouros, aconselho a leitura do Rua da Judiaria, que transcreve trechos de uma entrevista a Omar Bakri Mohammed à Pública, em Abril de 2004. Entre outras pérolas o animal diz que Maomé ensina o seguinte: “Eu sou o profeta que ri quando mata o seu inimigo".

Sábado, Julho 02, 2005

Depois de tantos anos de separação é extraordinário ver os Pink Floyd reunidos no palco do Live 8. David Gilmour e Roger Waters cantaram juntos o Wish you Were here, de 1975 (cuja letra já aqui publiquei) e ainda...

Comfortably Numb

Hello,
Is there anybody in there?
Just nod if you can hear me
Is there anyone at home?

Come on now
I hear you're feeling down
I can ease your pain
And get you on your feet again

Relax
I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts

There is no pain, you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two balloons

Now I've got that feeling once again
I can't explain, you would not understand
This is not how I am
Ahhh!… I have become comfortably numb

Ahhh!… I have become comfortably numb

O.K.
Just a little pin prick
There'll be no more aaaaaaaah!
But you may feel a little sick
Can you stand up?
I do belive it's working, good
That'll keep you going, through the show
Come on it's time to go.

There is no pain you are receding
A distant ship's smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move, but I can't hear what you're saying
When I was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And IIIIII… have become
Comfortably numb.


(Composição: Waters e Gilmour, 1979)
Jornal de Negócios, ontem.

Lista das 740 empresas que vão ser investigadas pelo Fisco

O director-geral dos Impostos deu a ordem e ontem foi cumprida: foi publicado em Diário da República uma listagem de 740 empresas que vão merecer especial atenção de uma unidade de investigação do Fisco. O Jornal de Negócios publica aqui a lista completa de todas as companhias bem como o despacho de Paulo Macedo...

(alerta de Manuel Magalhães)

*

Por mero acaso presto serviços a duas das Instituições investigadas ;)

Quarta-feira, Junho 29, 2005

Amanhã, no último dia do prazo o Governo apresentará o "choque tecnológico", seja lá o que isso for.
Finalmente!

Será desta que o execrável Jorge Van Kriken aprende que não se pode brincar impunemente com a vida de crianças ou jovens publicando os nomes das testemunhas do processo Casa Pia na pocilga virtual que mantém para defesa de Carlos Cruz e pandilha?

Parece que desta vez a Juíza do processo deu ouvidos ao advogado José Maria Martins.

Parece que desta vez haverá um processo crime contra quem comete crimes e não contra quem denuncia crimes.

Sábado, Junho 18, 2005

Portugal Africano, Fórum Nacional ou aqui.

Como se pode ver por estes exemplos, a ESTUPIDEZ não está na cor, branca ou negra, nalguns casos é mútua, prende-se com factores económicos, com a desintegração, políticas de emigração irrefletidas, políticas de educação, choques de culturas, falta de objectivos na vida, a necessidade de afirmação à custa do outro, a promoção da violência.

A adolescência é marcada pela tendência para aquilo que é diferente, para a negação, para a revolta e não raras vezes para a estupidez. À falta duma educação de base que imponha o respeito pelo outro, à falta de causas honestas e objectivos de vida sobram estes logros e a violência. Assim germinam estes "jovens idiotas" brancos ou negros promotores de radicalismos.

E hoje, à semelhança do que acontece por essa Europa fora, vamos ver, em Lisboa, os resultados desta neurose. Com o patrocínio da comunicação social que toda a semana promoveu a manifestação da Frente Nacional e as suas reacções.

Segunda-feira, Junho 13, 2005

Hoje, nos Prós e Contras (RTP), Zita Seabra revelou um facto que eu desconhecia. Em 1969, Álvaro Cunhal emitiu um comunicado para impôr o cumprimento do serviço militar pelos militantes comunistas.

Uma estratégia bem sucedida.

Sempre achei que havia qualquer coisa de choro nestes "brincos de princesa".
Morreu Álvaro Cunhal.

Temos - os portugueses - uma dívida de gradidão com este homem pelo que fez até 1974!
Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade

*

Deixou-nos...

as palavras.

Domingo, Junho 12, 2005



*

Boa semana de trabalho.
Homens do futuro

Homens do futuro:

ouvi, ouvi este poeta ignorado
que cá de longe fechado numa gaveta
no suor do século vinte
rodeado de chamas e de trovões,
vai atirar para o mundo
versos duros e sonâmbulos como eu.
Versos afiados como dentes duma serra em mãos de injúria.
Versos agrestes como azorragues de nojo.
Versos rudes como machados de decepar.
Versos de lâmina contra a Paisagem do mundo
— essa prostituta que parece andar às ordens dos ricos
para adormecer os poetas.


Fora, fora do planeta,
tu, mulher lânguida
de braços verdes
e cantos de pássaros no coração!


Fora, fora as árvores inúteis
— ninfas paradas
para o cio dos faunos
escondidos no vento...


Fora, fora o céu
com nuvens onde não há chuva
mas cores para quadros de exposição!


Fora, fora os poentes
com sangue sem cadáveres
a iludiremos de campos de batalha suspensos!

Fora, fora as rosas vermelhas,
flâmulas de revolta para enterros na primavera
dos revolucionários mortos na cama!


Fora, fora as fontes
com água envenenada da solidão
para adormecer o desespero dos homens!

Fora, fora as heras nos muros
a vestirem de luz verde as sombras dos nossos mortos sempre
de pé!


Fora, fora os rios
a esquecerem-nos as lágrimas dos pobres!

Fora, fora as papoilas,
tão contentes de parecerem o rosto de sangue heróico dum
fantasma ferido!

Fora, fora tudo o que amoleça de afrodites
a teima das nossas garras
curvas de futuro!


Fora! Fora! Fora! Fora!

Deixem-nos o planeta descarnado e áspero
para vermos bem os esqueletos de tudo, até das nuvens.
Deixem-nos um planeta sem vales rumorosos de ecos úmidos
nem mulheres de flores nas planícies estendidas.
Uma planeta feito de lágrimas e montes de sucata
com morcegos a trazerem nas asas a penumbra das tocas.
E estrelas que rompem do ferro fundente dos fornos!
E cavalos negros nas nuvens de fumo das fábricas!
E flores de punhos cerrados das multidões em alma!
E barracões, e vielas, e vícios, e escravos
a suarem um simulacro de vida
entre bolor, fome, mãos de súplica e cadáveres,
montes de cadáveres, milhões de cadáveres, silêncios de cadáveres
e pedras!


Deixem-nos um planeta sem árvores de estrelas
a nós os poetas que estrangulamos os pássaros
para ouvirmos mais alto o silêncio dos homens
— terríveis, à espera, na sombra do chão
sujo da nossa morte.


José Gomes Ferreira

Segunda-feira, Junho 06, 2005

Desanuviando com a criatividade brasileira... no mais correcto português

Esta é uma redacção feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco - Recife) e que obteve vitória num concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco á tona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: óptimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a movimentar-se: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente.Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois géneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objecto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular: ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício.Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjectivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois olharam-se, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.

Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objectos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."
Correio da Manhã de 2005-06-04

«Há vítimas do processo Casa Pia que estão a ser ameaçadas para não confirmarem durante o julgamento o que disseram na fase de inquérito sobre as pessoas que estiveram envolvidas nos abusos sexuais com alunos da instituição.»

Sábado, Junho 04, 2005


Tablas de Daimiel
Nem toda a publicidade endereçada é má; hoje, tive uma boa surpresa ao entrar no email: AccuClassical.

Aproveito e, entre outros, oiço* Debussy, pelas mãos de Moura Lympany e Brahms, interpretado por Lang Lang.

(oiço e não ouço em atenção à musicalidade.)
Humor

Um ministro português recebeu, em Lisboa, um ministro moçambicano.

Simpático, o ministro português convidou o outro a ir lá a casa. O ministro moçambicano foi e ficou espantado com a bela vivenda. Em bairro chiquérrimo e com piscina. Com o informalíssimo dos africanos pôs-se a fazer perguntas.

- Com um ordenado que não chega a mil contos limpos, como é que o meu amigo conseguiu tudo isto? Não me diga que era rico antes de ir para o Governo?

O ministro português sorriu, disse que não, antes não era rico. E em jeito de quem quer dar explicações, convidou o outro a ir até à janela.

- Está a ver aquela auto-estrada?

- Sim - respondeu o moçambicano.

- Pois ela foi adjudicada por 100 milhões. Mas, na verdade, só custou 90... disse o português, piscando o olho.

Semanas depois, o ministro português foi de viagem a Maputo. O moçambicano quis retribuir a simpatia e convidou-o a ir lá a casa. Era um palácio, com varandas viradas para o nascer-do-Sol do Polana, jardins japoneses e piscinas em cascata. O português nem queria acreditar, gaguejou perguntas sobre como era possível um homem público ter uma mansão daquelas. O moçambicano levou-o à janela.

- Está a ver aquela auto-estrada?

- Não.

- Pois...


(reencaminhado por Manuel Magalhães)

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Excitações:

Eu, em dois meses e meio no Governo, fiz mais pela melhoria de vida dos portugueses do que faria em 4 anos na Presidência da República.

*

Presunção e água benta cada um toma a que quer.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou prejuízos fiscais em 2004 e voltará a registá-los em 2005, não tendo, por isso, que pagar qualquer IRC referente a esses dois exercícios, noticia o «Diário Económico»
Só me apetecia ganir

Xolinho

*

Percebo.
Fiquei curiosa e fui procurar informação. Encontrei a causa: a decisão de Bagão Félix de usar o Fundo de Pensões da CGD para ‘tapar’ o défice de 2004 importa (pelo menos) dois anos de não pagamento de imposto pela Caixa.

Domingo, Maio 29, 2005

Vinda dum anoitecer na Cantareira junto ao rio, faltava a cereja em cima do bolo... e eis que chegou: os franceses disseram Não. Não, não queremos este Tratado da Constituição Europeia. Que este seja um novo começo no caminho da construção europeia, menos precipitado, menos voluntarioso, mais criterioso, mais ciente da necessidade da aproximação das instituições às populações europeias, mais respeitador dos procedimentos.

E porque a sabedoria popular é sempre boa conselheira porque não dizer: "depressa e bem há pouco quem". É bom parar e ver o que correu mal, não é perda de tempo, pelo contrário é tempo ganho em participação popular, em cidadania, em democracia.

*

Uma boa semana, gentes.

Sábado, Maio 28, 2005

O dos Castelos

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.


Fernando Pessoa, Mensagem

*

Na esperança que os franceses digam NÃO no referendo sobre o Tratado da Constituição Europeia redigido por quem foi escolhido de forma não democrática e votado sem debate. Na esperança que sejam os franceses a impôr um novo respeito pelas populações europeias e (porque não?) um novo respeito por todos aqueles que questionam o procedimento e o teor do documento. Na esperança que sejam os franceses - para quem curiosamente a dita Constituição foi ajustada - a repôr alguma democraticidade na construção europeia.

Sexta-feira, Maio 27, 2005

Ouvindo Expresso da Meia Noite, na Sic Notícias, fiquei a saber que está em estudo uma taxa única de IVA, aconselhada por organismos internacionais. Se em abstrato a medida parece boa, o facto é que não confio minimamente da política redistributiva dos governos portugueses e prevejo injustiça do ponto de vista social. Os consumidores dos produtos taxados pelo valor mínimo serão penalizados e não verão contrapartidas do Estado através duma mais equitativa distribuição das receitas arrecadadas com a cobrança do imposto.

A taxa mínima - quando se der a reforma - deveria-se-ia manter para alguns bens básicos.

(Bem sei que há produtos cuja classificação como bens de primeira necessidade é questionável, mas isto levanta outras questões: de bom senso e competência.)

Quinta-feira, Maio 26, 2005

Não gosto de cair em demagogias, mas estando nós em época de contenção e num momento em que o Governo tomou medidas que implicam sacrificos para o grosso dos porugueses a troco duma mísera baixa de aproximadamente seis décimas no défice, não resisto a deixar por cá o mail reencaminhado por Manuel Magalhães:

Nem tudo vai mal nesta nossa República

(Pelo menos para alguns)

Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230 deputados não foram eleitos.
Os que saíram regressaram às suas anteriores actividades. Sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos.
Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um subsídio que dizem de reintegração:
- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia ou
governo.
Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980 euros).
Feitas as contas e os deputados que saíram o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros.
No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou
pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos). Estas são atribuídas aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.
Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como: - Almeida Santos ........................... 4.400, euros;
- Medeiros Ferreira ....................... 2.800, euros;
- Manuela Aguiar .......................... 2.800, euros;
- Pedro Roseta ................................ 2.800, euros;
- Helena Roseta .............................. 2.800, euros;
- Narana Coissoró ........................... 2.800, euros;
- Álvaro Barreto .............................. 3.500, euros;
-Vieira de Castro ............................. 2.800, euros;
- Leonor Beleza .............................. 2.200, euros;
- Isabel Castro ................................. 2.200, euros;
- José Leitão .................................... 2.400, >euros;
- Artur Penedos ............................... 1.800, euros;
- Bagão Félix ................................... 1.800, euros.

Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos os seguintes:
- Luís Filipe Pereira ........................ 26.89, euros / 9 anos de serviço;
- Sónia Fortuzinhos ........................ 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço;
- Maria Santos ................................ 62.000, euros /9 anos de Serviço;
- Paulo Pedroso ............................. 48.000, euros /7 anos e meio de serviço;

- David Justino ............................... 38.000, euros /5 anos e meio de serviço;
- Ana Benavente ............................ 62.000, euros/9 anos de serviço;
- Mª Carmo Romão ...................... 62.000, euros /9 anos de serviço;
- Luís Nobre Guedes ..................... 62.000, euros/ 9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente a
última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca
de 20.000, euros cada.

É assim a nossa República !!!!!!!!!!!!!!!!..............
Tanto sacrificio para isto?

«Foi preciso a oposição insistir muito, repetir a pergunta, feita por deputados de esquerda e de direita, para arrancar de José Sócrates a resposta 6,2% é o valor estimado pelo Governo para o défice das contas públicas no fim deste ano, já depois de entrarem em vigor as medidas de contenção ontem anunciadas pelo primeiro-ministro.»
DN

Quarta-feira, Maio 25, 2005

Dia 25.05.05

Hora de entrada no local de trabalho: 8.40h

Hora de saída do local de trabalho: 20.05h.

:(

Segunda-feira, Maio 23, 2005

A maravilha dos números

2001

«Sobe, sobe, balão sobe
Em menos de um ano a avaliação do défice de 2001 subiu de 1.1% para os 4.1%. O governo de António Guterres falhou as previsões, a Comissão Europeia fez várias estimativas que também não acertaram.»
TSF

António Guterres - Alice : o que é que estou aqui a fazer? Caí num pantano? Resta-me dialogar com os animais que me rodeiam.

2002

Portugal conseguiu fazer descer o défice orçamental de 4.3% atingido em 2001 para um nível inferior a 3% do PIB, embora em parte através de uma amnistia fiscal e de operações extraordinárias de última hora.
(http://www.cmecp.org/fo/images/PrevisoesdeNovembrodaOCDE.doc)
Durão Barroso - O coelho: Deixa cá resolver os problemas do País nem que seja em cima do joelho, tenho pressa.

2003
"Em 2003, a contracção da actividade interrompeu a redução do défice. O controlo da despesa corrente manteve-se na sequência das medidas aprovadas em 2002, mas as receitas fiscais foram bastantes inferiores ao esperado. Como resultado, o défice orçamental de 2003 poderá regressar a valores bastante acima do limite de 3%. Porém, uma decisão recente do Eurostat que permite o registo de transferências extraordinárias (de 0.7% do PIB) como receitas de Estado permitirá manter o défice abaixo de 3% do PIB em 2003 1)."
(http://www.cmecp.org/fo/images/PrevisoesdeNovembrodaOCDE.doc)

Também Durão Barroso.
Com o recurso a receitas extraordinárias voltou-se a contornar a respeitar o limite imposto.

2004

A previsão de uma comissão independente aponta para 6,83%.)

Durão Barroso/Santana Lopes - (o segundo) O estranho bebé filho da Duquesa: deixa cá quantas conferências de imprensa e entrevistas vou dar hoje! A minha verdadeira vocação era o teatro mas caí na política ao acaso. Bom, tenho que pegar na minha deixa. Quanto ao País não tenho preocupações, a retoma está aí...
... no País das Maravilhas.

Domingo, Maio 22, 2005

Viver junto ao Estádio do Bessa tem os seus inconvenientes. Irra, que vermelhão barulhento!

Domingo, Maio 15, 2005

Este fim-de-semana ouvi Ella Fitzgerald e acabo de encontrar isto:

Times have changed,
And we’ve ofter rewound the clock
Since the puritans got a shock
When they landed on plymouth rock
If today any shock they might try to stem
’stead of landing of plymouth rock
Plymouth rock would land on them.

In olden days a glimpse of stocking
Was looked on as something shocking
But now God knows
Anything goes

Good authors to
Who once knew better words
Now only use four letter words
Writing prose
Anyhting goes

If driving fast cars you like
If low bars you like
If old hymns you like
If bare limbs you like
If mae west you like
Or me undressed you like
Why nobody will oppose

When every night
The set thats smart
Is intruding on nudist parties
In studios
Anything goes

When mrs. ned mcclean God bless her
Can get russian reds to yes her
Than I suppose
Anything goes

When rockafeller still can hoard
Enough money to let max gordon
Produce his shows
Anything goes

The world has gone mad today
And good’s bad today
And black’s white today
And days night today
And that gent today
You gave a cent today
Once owned several chateaus

When folks
Who still can ride in jitney’s
Find out vanderbilts and whitney’s
Lack baby clo’es
Anything goes

When sam goldwyn
Can with great conviction
Instruct anna sten in diction
Than anna shows
Anything goes

When you hear that
Lady mendl standing up
Now turns a handspring landing up-
On her toes
Anything goes

Just think of those shocks you’ve got
And those knocks you’ve got
And those blues you’ve got
>from those news you’ve got
And those pains you’ve got
(if any brains you’ve got)
>from those little radios

So mrs. r.
With all her trimmin’s
Can broacast a bed from simmon’s
Cause franklin knows
Anything goes.

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Boa semana, gentes.

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Porque o assunto é importante trago do lusco-fusco da caixa de comentários uma opinião de uma nossa visitante:

Nigel Farage insurgiu-se contra a recusa do presidente da Comissão Europeia em explicar as «férias milionárias»

Um pedido de moção de censura à Comissão Europeia presidida por José Manuel Durão Barroso com 74 assinaturas foi apresentado hoje, em Estrasburgo, disse à Agência Lusa o porta-voz do Parlamento Europeu.

Até la fora eles sao vigaristas, devagar se vai sabendo como isto andava a saque. arrreeeeeeeeeeee


Xolinha

*

E aproveito para opinar também...

Há muita gente anda distraída sem reparar que a França (e a Alemanha) anda agastada com Durão Barroso por este estar a cumprir o que prometeu: investir numa Europa equilibrada, i.e, numa Europa em que não mandem os grandes os pequenos calem.

Parece que os portugueses não se apercebem da areia que lhes é atirada para os olhos e vão alinhando nas manobras de diversão de quem os quer engolir. Mais campanhas anti-Barroso virão até o homem vergar a coluna, o que significa até haver prejuízo para os pequenos países da União Europeia. Mas essa parte da "notícia" interessa" pouco aos orgãos de comunicação social e, ao que parece, aos portugueses.

Segunda-feira, Maio 09, 2005

Andei por aí... em visita aos blogs UmPiropoPorDia e ACavernaObscura.
There is no reason to accept the doctrines crafted to sustain power and privilege, or to believe that we are constrained by mysterious and unknown social laws. These are simply decisions made within institutions that are subject to human will and that must face the test of legitimacy. And if they do not meet the test, they can be replaced by other institutions that are more free and more just, as has happened often in the past.
-Noam Chomsky, linguist, foreign policy critic
What good fortune for those of us in power that people do not think.
-Adolf Hitler, mass murderer, politician


ARRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR! AAAAAAAAAAAARRRR!

"There is eloquence in screaming."

AHHHHHHHRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR

Domingo, Maio 08, 2005

Deveria ter "escrevinhado" qualquer coisa este final de semana, mas deu-me uma "preguicite aguda". É a ressaca desta vida de gente que madruga para trabalhar... não estava habituada.

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Os médicos e as máquinas

Um dos temas do dia de hoje por estas bandas foi o desvario da política de saúde. Sabia que não havia vagas em Medicina, sabia que vinham médicos espanhois suprir as nossas falhas, o que não sabia é que havia hospitais espalhados pelo País bem equipados sem médicos competentes. Um dos casos é o Hospital de Penafiel. Parece que os doentes até poderiam ser melhor tratados lá do que no Porto, caso houvesse médicos capazes de funcionarem com o equipamento moderno instalado. Como não, das duas uma: ou os médicos vão do Porto a Penafiel, os ou doentes vêm para cá. Irreal!

Agora uma questão colateral. A falta de médicos no interior.

Não era o Prof. Cavaco que queria obrigar as colocações dos médicos fora dos grandes centros? Pois era... Mas nas coorporações de médicos e advogados já se sabe que não se pode tocar. Que tal um regime para os médicos semelhante ao dos Professores?

Segunda-feira, Maio 02, 2005

Até amanhã


Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de epunha
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, eijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.


Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias



Eugénio de Andrade

Claude Monet, Nymphéas, Harmonie Verte
Em breve voltamos à pintura.

Domingo, Maio 01, 2005

Espero

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.


Sophia de Mello Breyner

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Uma boa semana, gentes.
Ribeiro e Castro está a ser entrevistado na RTP 2. É bom ver um CDS com um líder sensato e credível. Há muitos anos que o partido estava entregue às urtigas, seja pela mão de Manuel Monteiro, seja pela mão de Paulo Portas. Agora reconheço a existência duma força política da qual podemos esperar qualquer coisa positiva.

Sábado, Abril 30, 2005

Parabéns José Mourinho. Campeão da Liga Inglesa!!!
A arte de bem desenhar em russo, no Виртуальные открытки, aqui.

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Bom fim-de-semana, gentes boas ;)

Sexta-feira, Abril 22, 2005

Rindo...

(22h27. A liga a B)

- Prof. Mariano Gago? 'Tás bom, pá? É o Zé Sócrates. Oh, pá, ajuda-me aqui. Comprei um computador, mas não consigo entrar na Internet! Estará fechada?

- Desculpa?....

- Aquilo fecha a que horas?

- Estás a gozar, ou quê? Ok, não estás... Hmmm...meteste a password?

- Sim! Quer dizer, copiei a do Freitas.

- E não entra?

- Não, pá!

- ...Deixa-me ver... qual é a password dele?

- É uma série de estrelas pequeninas, cinco, acho eu...

- Pooooooo....Bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te. E o resto, funciona?

- Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: "Cannot find printer"! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo em frente ao monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!

- (incompreeensível)....Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão.

(22h30.Fim da chamada)

(22h32. A liga novamente a B)

- Mariano, já posso dar a ordem de impressão?

- Olha lá, porque é que desligaste o telefone?

- Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?

- (incompreeensível)...Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta.

- Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?

- Oh, Zé...poooooooo....Eh, pá! esquece....Vamos fazer assim: clica no "Start" e depois...

- Mais devagar, mais devagar, pá! Não sou o Bill Gates...

- Pois não...(incompreensível) Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí...Olha lá, e já tentaste enviar um mail?

- Eu bem queria, pá!, mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do "a".

- O circulozinho...pois.... Bom...vamos voltar a tentar aquilo da impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas.

- Ok, espera aí...

- ...Zé?...estás aí?...

- Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?

- Não, quero que te sentes, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito?

- Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...

- Pooooooo....poooooooo....Zé, olha para a porra do monitor e vê se me consegues ao menos dizer isto: o que é que diz na parte de baixo do écran?

- Samsung.

- Eh, pá! Vai para o....


(22h37. B desliga)

- Mariano?... Mariano?...'Tá lá?...Desligou...


(enviado por Manuel Magalhães)

Quarta-feira, Abril 20, 2005

Coisas de (nós) Judeus

O Talmud é um livro onde se encontram condensados todos os depoimentos, ditados e frases pronunciadas pelos Rabinos através dos tempos. Há um que termina assim: "Cuida-te quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas. A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser espezinhada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual... debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada."

(enviado por Manuel Magalhães)

Terça-feira, Abril 19, 2005

Carta de Étienne Chouarde, subscrita por Thomas Lemahieu, a propósito da Constituição Europeia, sob o título Une mauvaise constitution qui révèle un secret cancer de notre démocratie. Versão quase integral no Guarita.

Retiro 5 pontos essenciais da dita carta:

1. Une Constitution doit être lisible pour permettre un vote populaire : ce texte-là est illisible.
2. Une Constitution doit être politiquement neutre : ce texte-là est partisan.
3. Une Constitution est révisable : ce texte-là est verrouillé par une exigence de double unanimité.
4. Une Constitution protège de la tyrannie par la séparation des pouvoirs et par le contrôle des pouvoirs : ce texte-là organise un Parlement sans pouvoir face à un exécutif tout puissant
et largement irresponsable.
5. Une Constitution n’est pas octroyée par les puissants, elle est établie par le peuple lui-même, précisément pour se protéger de l’arbitraire des puissants, à travers une assemblée constituante, indépendante, élue pour ça et révoquée après : ce texte-là entérine des institutions européennes qui ont été écrites depuis cinquante ans par les hommes au pouvoir, à la fois juges et parties.


(enviado por Manuel Magalhães)

Bela imagem hoje. O que nos leva às imagens belas?

(conversa com os meus botões)

Domingo, Abril 17, 2005

Ouvindo Peter Tchaikovsky... numa tarde chuvosa.

Sexta-feira, Abril 15, 2005

Golpe de sorte

No dia 15 de Março respondi a um anúncio de emprego em Lisboa publicado na net. Ligaram-me esta semana. Na quarta-feira madruguei, apresentei-me na entrevista e num golpe de sorte fui informada que, apesar de não terem anunciado, havia vaga para a mesma função no Porto. Marcaram-me nova entrevista no Porto. Fui aceite, começo na próxima segunda-feira. E assim regresso à área financeira, desta vez com funções do foro jurídico. A 20 minutos (a pé) de casa.