Grande Loja do Queijo Limiano

Não deixe que a Verdade estrague uma boa história

Curiosidades de além mar

Sábado, Julho 23, 2005

Corrijam-me se me engano.
Nos Estados Unidos da América o combate ao défice orçamental do Estado Federal é motivo de distinção política: os republicanos estão-se pouco lixando com o amanhã e rebentam alegremente com as finanças públicas, reduzindo os impostos que recaem sobre os rendimentos dos mais abastados e investindo exorbitâncias na área da defesa, por exemplo, enquanto minam tudo o que é função social do Estado (cuidados de saúde, segurança social, meios de comunicação social públicos, escolas públicas...), bem como, o estatuto dos funcionários públicos retirando-lhes regalias e direitos adquiridos.
Por lá são apenas os liberais (democratas) que erguem a bandeira do equilíbrio orçamental propondo a reposição da carga fiscal do passado, racionalizando as despesas militares (tentando pela via diplomática arranjar cofinanciamento para as soluções das aventuras militares que desencadearam quase unilateralmente), liberalizando o mercado dos medicamentos (um pouco na linha do que o actual governo português se está a preparar para fazer) e reafirmando o carácter universal dos cuidados médicos, entre outros. Reconhecem contudo que o equilíbrio das contas públicas é condição necessária para ser possível ter um estado interventivo e capaz de assumir as responsabilidades sociais e o carácter regulador, políticass mais caras à esquerda. No ar fica mesmo a sensação de que o desequilíbrio orçamental que George W. Bush iniciou ainda antes do 11 de Setembro de 2001 faz parte da agenda conservadora: não há nada mais eficaz do que rebentar com o Estado levando-o ao ponto de serem necessários varios anos de políticas com o fito quase exclusivo de equilibrar as contas para garantir que o Estado não terá condições de meter o bedelho onde os lobbys que dominam as políticas conservadores não querem.
Sendo ou não verídica esta interpretação o resultado prático das políticas dos republicanos terá inevitavelmente esta consequência.

Por cá, é virtualmente impossível perceber diferenças a este nível. Por cá, seguramente a esquerda não teve o seu Bill Clinton que conquistou um superavite em período de crescimento económico. Por cá todos, da esquerda à direita se preocupam com o défice, todos são corresponsáveis pela situação actual, todos apresentam as mesmas (más) soluções para o problema.
Pior que o ridículo tabu de Cavaco sobre as presidenciais (mais um, igualmente revelador do calibre da figura) é o tabu latente que se encontra na esquerda em querer enfrentar o problema pelo lado das despesas estruturais e definir e assumir os seus valores políticos.
Tão cedo não haverá outra maioria absoluta do PS, perante o desafio nacional existente e o singular ciclo eleitoral (com mais de três anos de poder executivo após as próximas autárquicas e presidenciais) tudo o resto deveria ser pouco mais que insignificante

Políticos com vistas largas perceberiam que esse também é o melhor interesse do partido socialista e, acima de tudo, do país.
(.)

jobs for the sons



Segundo o último O Independente a PT emprega, ou empregou, filhos de António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, Francisco Pinto Balsemão e... Otelo Saraiva de Carvalho. O Estado é grande e manifesta-se das formas mais curiosas.

mel com fel



A opinião publicável.

ah...



Campanhas na feira são «do terceiro mundo»

A candidata do CDS-PP à câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, afirmou hoje que não fará visitas a feiras e mercados e condenou essas acções de campanha, considerando-as típicas "do terceiro mundo". (...) "Nunca andarei em mercados, ir incomodar as pessoas, dar sacos de plástico. Acho isso tudo muito mau. Tudo isso, só no terceiro mundo, onde não queremos estar", acrescentou a candidata à Câmara Municipal de Lisboa.

O anterior presidente do CDS-PP, Paulo Portas, destacou-se nas campanhas eleitorais para as europeias de 1999, para as legislativas desse ano e de 2002 e para as autárquicas de 2001, como candidato a presidente da câmara de Lisboa, pelas constantes visitas a feiras e mercados. Pelas frequentes visitas que fazia, o ex-ministro da Defesa ficou conhecido como o "Paulinho das Feiras". (...)

Sublinhou que "há 20 anos que não há uma mulher candidata à câmara de Lisboa", Maria José Nogueira Pinto defendeu uma maior participação das mulheres na política, considerando que "estão habituadas a gerir despesas escassas" e são "muito criteriosas" a fazê- lo.

As mulheres, prosseguiu, "estabelecem prioridades", enquanto "os homens estão mais habituados a comprar tudo a prestações" e, além disso, "efabulam mais, gostam muito de pensar o futuro", ao passo que "as mulheres pensam o presente".

Como razões para a sua pouca participação política, Maria José Nogueira Pinto apontou que, como no seu caso, "as mulheres ainda tomam conta da casa" e que "ainda é pelas mães que os filhos chamam quando estão aflitos".

in Portugal Diário

nós por cá todos bem...




[Daily Telegraph]

V - for Vendetta





enquanto não chega o filme
(da mesma equipa de Matrix) espreite o trailer. Se apenas acha piada ao título, actualize-se.

as escolhas de Rio



Ainda não foi ontem que se ficou a saber tudo, sendo bem provável que nos próximos dias haja grandes surpresas. Pese o lugar nominalmente entregue a Castelo Branco, e ao PP, ainda está vago o lugar do verdadeiro número dois político da lista de Rui Rio à CMP. Um lugar que tanto poderá vir a ser ocupado por Paulo Rangel como por... Poças Martins, ainda número dois de Luis Filipe Menezes na Câmara de Gaia, e com quem anda - presentemente - de candeias às avessas. O que já toda a gente, e nisso o evento de ontem foi sintomático - percebeu é quem se está a preparar para ser o próximo líder distrital do PSD/Porto.

a pólvora



Vem no Expresso, vem no DN, na TSF, e Medeiros Ferreira perora e delira - Mário Soares será (!) o candidato presidencial federador das esquerdas, o salvador que impedirá a segunda vinda de Cavaco.

Confesso que a ideia me atrai, quase tanto como ver o Dr. Lopes ou Sr. Alberto da Madeira candidatos. Mas, em nome de alguma honestidade intelectual, convém dizer que - até do ponto de vista da(s) esquerda(s) - a ideia é profundamente limitada e imbecil.

Não falo da provecta idade do Dr. Soares, 81 anos, mas tão somente do perfil do homem, e da presente conjuntura. Eu percebo que a esquerda trema de pavor com o cenário de Cavaco em Belém mas, convenhámos, tudo - rigorosamente tudo - aquilo que de "indesejável" a esquerda teme em Cavaco - desde a ingerência à dissolução - é, infinitamente, mais susceptivel de acontecer com Soares, já que ao contrário de Soares, Cavaco não tem uma verdadeira corte, pesem os alegados cavaquistas, não tem um partido - se é que alguma vez realmente teve - e tem - coerente e consistentemente - uma visão previsivel e determínistica dos cargos e das funções.

O que une a esquerda em torno de Soares é o desejo de uma fiscalização ideológica, pura e dura, da maioria absoluta de Sócrates, a esquerda, que tolera, mas não confia, em Sócrates, vê em Soares o tutor ideal, o Padrinho. Fosse por absurdo Soares eleito e os Conselhos de Ministros passariam a ser em Belém.

Dito isto, não deixa de ser poético ouvir Medeiros Ferreira, o qual, não se sabe sobre influência de que substâncias, até antevê que se Soares avançar, Cavaco o não fará. Também não deixa de ser irónico ver - agora - Soares, que pôs, em tempos, Eanes a as suas derivas no sítio deixar-se utilizar na mais pura deriva e lógica eanista/messiânica, mas as coisas são o que são.

Nos entretantos, parece que o programa - o Homem tem afinal um programa - do PS, que foi sufragado e tudo, é para tomar à letra, e que quem o não tomar à letra leva. Há - et pour cause - o banalíssimo detalhe de que muitos dos mesmos que agora o recordam omitiram o mesmo aquando da recente subida de impostos. Muito menos, mas isso sou eu um distraído - ouvi algum analista dizer - antes, durante ou após as últimas legislativas - que o PS iria ganhar por causa do seu programa. Mais, estou para ver um qualquer estudo que diga que houve mais gente a votar no PS por via da promessa da Ota e do TGV do que a votarem no PS por via da promessa de não aumentar os impostos (e que foram aumentados), sendo que até um cepo percebe que a esmagadora maioria votou no PS porque não queria ver mais à frente o Dr. Lopes.

Voltando às presidenciais, avance Dr. Soares, avance mesmo! Você talvez não mereça, pelo seu passado, pelo muito que já deu ao país, mas os seus seus - desesperados - apoiantes merecem com toda a certeza uma lição monumental.

recalcamentos



Emagrecer depois de amigo ser é dizer não
Henrique ser ou não Henrique ser é a questão
Enriquecer depois de Henrique ser é o perdão?

Banda do Casaco, LP Dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios, 1974.




Recalcamentos há muitos e sobre estes assuntos da corrupção em larga escala, ainda mais!…

Hoje, o Expresso traz uma notícia sobre um denúncia, bem recalcada, de um director da DCICCEF da PJ, o organismo mais vocacionado para a repressão recalcada do fenómeno. Diz o juiz (?!) Mouraz Lopes que...
O excesso de poder dos funcionários das câmaras municipais que trabalham anos a fio na mesma função e as relações privilegiadas destes com empresários e construtores civis são os principais focos de corrupção nas autarquias.
Continua a notícia, dizendo que há 350 inquéritos pendentes na PJ sobre corrupção e peculato em autarquias e a maioria envolve funcionários superiores e vereadores. E Mouraz Lopes (?) esclarece que...
São normalmente funcionários superiores em que os autarcas acabam por confiar quase cegamente. E adquirem grande poder de decisão, apresentando os dossiês prontos a assinar aos vereadores e presidentes.
Sobre a investigação, acrescenta a notícia que...
é quase sempre demorada. Em muitos casos é necessário proceder a uma técnica de investigação chamada “following paper trial” , de extrema complexidade, que consiste em seguir o percurso do dinheiro. “ Quando nos deparamos com sociedades off shore chegamos a estar seis meses à espera de respostas das autoridades dos paraísos fiscais onde estão sedeadas.”

É isto, o recalcamento do juiz (?) Mouraz Lopes e da PJ?!

Não sei bem. Apenas sei que não há resultados visíveis, palpáveis nesta investigação de “seguir o rasto dos papéis”. Como se adivinha, é investigação desecretária e por isso, há de facto um recalcamento que advém da frustração de ver pouco ou nada a fazer-se com eficácia e profissionalismo, como deve ser. Para não falar na impressão difusa de que se trata de caça ao gambuzino ou mesmo de cerco ao jaquinzinho com redes esburacadas.

Por outro lado, Vasco Pulido Valente (outro grande recalcado), na sua crónica do Público, diz que...
a coisa começou com a Europália, uma exibição inútil para `afirmar Portugal na Europa`. Veio a seguir o Centro Cultural de Belém, para o dr. Cavaco receber os colegas com a devida pompa e que hoje vegeta tristemente, abandonado e meio falido. Veio também a Lisboa, Capital da Cultura, uma salada sobre o medíocre que não deixou vestígio. Veio a Expo'98 que não ´salvou`a Lisboa orientale nos deu um monte de arquitectura extravagante, sem uso concebível. Veio o Porto, Capital da Cultura , com uma Casa da Música duvidosa e caríssima. E veio o Euro`2004 com a sua dezena de estádios que ainda hoje estão por pagar e quase todos sem gente.”
É este recalcamento espelhado nestas denúncias cruas que incomoda os “instalados” e os “conformados”, como um certo comentador J. que assim o parece entender.

E que fazer deste conformismo e desta anomia rompante e anestesiante?!

Chamar-lhe também recalcamento?! É uma tentação

Porque efectivamente o é. Recalca-se então, nesse caso, a consciência da mediocridade que conduz a decisões desastrosas para todos nós. Recalca-se ainda a consciência que evidencia à saciedade a existência de inúmeros desvios às normas e regras e que nem são detectadas pelas fiscalizações, pois para isso há peritos, cadernos de encargos e folhas de obras, para além dos sempre necessários autos de medição.

A PJ e o DCIAP e o MP são as instâncias encarregadas em Portugal de descobrir quem come do orçamento do Estado, sem pagar o respectivo custo e sem contrapartidas legítimas. Mas quem denuncia estas práticas e aponta o dedo à tendência anómica érecalcado!

O recalcamento advém ainda de haver alguém que se recusa a admitir que “está tudo bem” e que a corrupção é um mito, como dizia o tal advogado da PMLJ, Leite de Campos. As críticas ao restaurante Eleven ou aos dinheiros a rodos para avenças (hoje o Expresso confirma algumas avenças da GALP a certos advogados), são tomadas como vindas de ressabiados, invejosos, malevolentes, cínicos, numa palavra - Recalcados! E , de facto, ninguém verdadeiramente se incomoda, pelo que o ápodo tem algum cabimento.

Pelos vistos, a PJ tem 350 Inquéritos para investigar “problemas” autárquicos, mas de investigação confessadamente difícil. O DCIAP nem se sabe bem ao certo quantos tem deste tipo. Alguma vez teve inquéritos a envolver ministérios e ministros e direcções gerais? Dirigentes e tesoureiros de partidos? Presidentes de bancos? Notáveis de empresas públicas? Será preciso responder ou também isto soa a recalcamento?! Porquê continuar a insistir em estatísticas com a apanha do carapau de gato quando os tubarões nos invadem as costas tranquilas e ameaçam comer o que resta de dignidade e de indignação?

Negar a corrupção e remeter o fenómeno para as fímbrias do recalcamento, torna tudo mais fácil e cor de rosa (et pour cause).

Se entendermos os negócios do grande dinheiro como decorrentes de costumes e práticas tão correntes que a troca de malas com dinheiro, entre empreiteiros responsáveis políticos e/ou funcionários, assume contornos de normalidade e vulgaridade, tudo fica bem melhor e mais sossegado.

Se entendermos os negócios das obras públicas, das grandes adjudicações de empreitadas ou encomendas, como fazendo parte daquele modo de entender o mundo e a vida “como sempre o foi” e por isso aceitarmos como normalíssimo que quem decide em nome do Estado receba contrapartidas pessoais em bens ou serviços, fica tudo bem mais tranquilo.

O contrário cria grandes recalcamentos, derivados ainda uma vez mais e por último, da frustração de ver os valores que contam a inverterem-se e passarem a anti-valores.

É isso que os J. comentadores pensam, provavelmente. Em alguns casos, nem troca houve, porque nem sequer existiam para servir de moeda. Quem perde a vergonha, todo o mundo passa a ser seu!

Mas enganam-se! Porque recalcamento sério e fatal é o que advém da recolha para os confins da consciência de valores como a honestidade, a honradez, a competência aplicada e a transparência. Pelo que se vai observando, estes valores foram trocados, pelos da solidariedade, da lealdade partidária e pelo nepotismo mais chão. E quem aqueles defende, torna-se por isso mesmo racalcado, invejoso e moralista que é o novo anátema.

É uma forma de ver o mundo, concedo. Com a qual não me conformo, porém - e por isso recalcado me confesso, até ver as coisas serem alteradas substancialmente.

A Luta continua!

Para já vou de férias - descansar o recalcamento lá para fora que aqui isto já fede demais.






Pai leva filho às meninas e Mãe descobre que há vida para além do marido



A Associação de Turismo de Lisboa, num périplo de cinco dias de uma família portuguesa modelar pela Capital, propõe para o terceiro o seguinte programa:

Se tiverem uma filha...
  • Mãe e filha fazem compras na Baixa
  • Pai joga golfe
  • Mãe e filha visitam o museu dos Coches
  • Pai encontra-se com a família para saborear uns pastéis de nata
  • Jantar nas Docas

Se tiverem um filho...
  • Pai e filho vão ao estádio do S.L.Benfica para comprar uma t-shirt
  • Mãe faz compras na Baixa
  • Pai leva o filho para um "driving rage"
  • Mãe encontra-se com a família para saborear uns pastéis de nata
  • Jantar nas Docas


History will teach us nothing

Sexta-feira, Julho 22, 2005

  • 1457 - O golfe é proibido pelo Rei Jaime II, pois os guerreiros escoceses descuidavam-se do treino com arco e flecha, ficando horas e horas a dar tacadas nos campos, interferindo na defesa nacional, na guerra travada com Inglaterra.
  • 1491 - O Rei James IV proíbe de novo a prática do Golfe, pela distracção que causava, considerando-o assim nefasto.


  • 2025 - O governo português proíbe o golfe por causa da seca.



Por muito exagerado que possa parecer o arrazoado oferecido pelo João Morgado Fernandes, de férias, com excesso de tempo livre e por estes dias patrulheiro ideológico da blogosfera, desta vez em escaramuças com terceiros, para a sua Fé inabalável na Ota, e nas decisões deste governo, é perigosamente próximo do dos fundamentalistas islâmicos. Não interessam os factos, não interessam os estudos - não há estudos verdadeiros (vocês querem maior conspiração que esta?!) , todos - todos - servem interesses - este ou aquele. Tudo é verdadeiro, e tudo pode ser falso, sendo que de permeio tudo é relativo. É assim o mundo segundo João Morgado Fernandes. Vale - só e apenas - a convição pessoal, a Fé. Duvido que o Osama, sobre outras matérias, fosse mais ferrenho.

na mouche



A Escolha e A Incúria



Sobre o papel dos media, a reflexão oportuna de António Neto da Silva, candidato à presidência da Câmara Municipal de Amadora.

A Outra Face...



Que António Brito da Silva e respectiva tutela achem normal aquele acumular a Presidência da Entidade Reguladora do Sector Ferroviário (INTF) com a Presidência do conselho estratégico da Associação Industrial Portuguesa para os transportes já é grave.

Que, como hoje acontece (no Diário Económico, p. 9), aquele alto responsável de uma instituição pública escolha falar à imprensa, sobre o TGV, na qualidade de membro da AIP, e defendendo teses muito próximas das de António Mexia diz tudo.

Mário Lino anda a dormir?

Cartaz Cultural...



Virtual Insanity

Jamiroquai vem a Portugal, já no próximo mês para num festival ao vivo, lançar a sua última pérola músical... Dynamite !!!

O Festival Sunrise assenta num conceito diferente de todos os realizados até agora, e promete animação das 8 da noite ás 8 da manhã.Uma oportunidade de ouro para em Agosto... ouvir Jamiroquai...

Nem de propósito.


news.com
Driven to distraction by technology



The typical office worker is interrupted every three minutes by a phone call, e-mail, instant message or other distraction. The problem is that it takes about eight uninterrupted minutes for our brains to get into a really creative state.

The result, says Carl Honore, journalist and author of "In Praise of Slowness," is a situation where the digital communications that were supposed to make working lives run more smoothly are actually preventing people from getting critical tasks accomplished.

[continua aqui]


o cão, o gato e o piriquito.



Vitorino desvaloriza Ota e TGV

O antigo comissário europeu da Justiça e Assuntos Internos, António Vitorino, valoriza o concurso das energias eólicas, em detrimento dos projectos do aeroporto da Ota e do TGV, considerando-o mais interessantes para o crescimento do país.

«Não é manifestamente a Ota e o TGV que vão criar no prazo de três anos a dinâmica de crescimento necessária», disse Vitorino, que falava esta quinta-feira num almoço conferência organizado pela Câmara de Comércio Luso-Alemã. Escusando-se a tecer maios comentários sobre esta matéria, Vitorino frisou ainda a necessidade de, no plano económico, se transmitir confiança aos investidores privados.

in Diário Digital



a luta no seio do PS está longe de estar resolvida. Ou Sócrates cede ao aparelho e a Coelho, ou perde o Poder e o Governo pode cair já em Novembro.

No PS já se fala em substituir Sócrates por Vitorino por altura do próximo Orçamento do Estado, numa espécie de limpeza dos moderados. Mas, do lado de José Sócrates é a disponibilidade de enfrentar os opositores. Freitas do Amaral é, com Sócrates, o "ticket" que o Governo quer vencedor contra o Aparelho, que aposta em Mário Soares ou em Manuel Alegre e ameaça com o boicote ao primeiro-ministro, depois da derrota socialista nas autárquicas. No primeiro "round" quem perdeu foi mesmo o primeiro-ministro que já teve que sacrificar o seu ministro das Finanças.

Teixeira dos Santos, um honesto e prudente economista, substituiu, ontem, Campos e Cunha, levando consigo para o Governo um excelente técnico, como secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Pina. Os homens de Sousa Franco voltam às Finanças.

in Semanário

O Direito é uma aldrabice?



O grande Professor de Direito da Universidade de Coimbra, Orlando de Carvalho, disse numa entrevista ao Público, pouco antes de morrer, que o Direito era uma "aldrabice secante". O sentido da frase é de alcance comum e não precisa de enquadramento semântico. Quando o Direito diverge da vida como todos a conhecem, torna-se fonte de iniquidade e portanto fundamento de injustiça. Continuará a ser Direito?

Muitas das incompreensões, equívocos e entendimentos desfasados que se lêem e ouvem, a propósito de decisões judiciais sobre casos reais, têm a sua origem neste fenómeno e na ignorância generalizada das subtilezas que enquadram o Direito gizado, planeado e plasmado em leis escritas por especialistas que muitas vezes não são sábios, mas apenas sabões que branqueiam a sujidade que enlameia a realidade.

Uma entrevista, hoje, na revista Sábado, a um prestigiado advogado americano, de ascendência judaica, Alan Dershowitz, também professor em Harvard há dezenas de anos, foi advogado de Michael Jackson depois de o ter sido também, de O.J. Simpson e Mike Tyson.

Como explica ele a absolvição do cantor melodioso da minha infância que trinava "i´ll be there" como se estivesse num coro de igreja e passou a ser olhado como um bizarro weirdo depois das plasticas ao nariz e à pigmentação a branco?

Diz o professor causídico...

Foi um veredicto absolutamente correcto. Se o júri o tivesse condenado, teria sido um erro judicial. Há dois tipos de inocência: a inocência legal e a inocência factual. Não estou em posição -nem eu nem ninguém- de saber o que aconteceu na cama de Michael Jackson a meio da noite. Essa é a inocência factual. Ninguém, excepto ele e a criança, sabe realmente a resposta. Mas em termos de inocência legal, isto é, sobre existirem ou não provas além de qualquer dúvida razoável, ele é claramente inocente.

E depois, a exposição da aldrabice, na resposta à pergunta...
Se ele fosse pobre, teria sido condenado?

Se ele fosse pobre, nunca teria sido acusado com base nas provas que existem. Mas se mesmo assim fosse acusado, nessas circunstâncias, claro que teria sido condenado.

E a seguir, considerações importantes sobre o valor da prova testemunhal de crianças em julgamento...

(...) Nós sabemos que as crianças costumam contar a verdade, mas às vezes isso não acontece. E isso torna as coisas muito complicadas. Quer o sistema de justiça português quer o americano dizem que é melhor um culpado ir em liberdade do que um inocente ser condenado.

Em casos destes (pedofilia) talvez se tenha de absolver apesar de se acreditar que o arguido é culpado.

É esta a essência do mundo dos advogados do crime. Em Portugal como na América.

Conviver com a aldrabice e torná-la secante sempre que tal for conveniente para os clientes.

A Verdade?! Um mero incidente processual. Pode aparecer, mas é irrelevante. O que interessa mesmo é provar a inocência legal que pouco pode ter a ver com a inocência factual.

Onde jaz a consciência, nesta dicotomia entre o "legal " e o "factual"?! Parece-me bem que jaz repousada e bem assolapada, na ambição de ganhar prestígio, dinheiro e clientela. Valores que como todos percebem, andam sempre de mãos dadas com a Justiça e a Verdade.

A Justiça é ceguinha e anda de balança na mão. A Verdade, é como o azeite: acaba sempre por vir ao de cima.

Na distinção entre a Verdade legal e a Verdade factual, há um universo de ficções que nos afastam do Direito, da Justiça e da Verdade. E contudo, a tendência é para aceitar isto como um ideal à maneira da democracia que alguém dizia que era um mau sistema político, mas apesar disso, o melhor de todos. Será o caso?

é tudo muito simples...



... tudo muito linear. Por estes dias uma série de gente respeitável queima pestanas a explicar - com a maior das boas vontades - a inevitabilidade da saída de Campos e Cunha do Governo quando não a sua inicial inadequabilidade ao cargo (não é político, dizem agora). É pois, à posteriori, tudo óbvio, tudo cristalino, tudo evidente.

Recuemos agora até segunda-feira. Imaginemos - por instantes - que a manchete do DN desse dia não era sobre a putativa falta de solidariedade de Freitas manifestada na sua onanista entrevista, mas sim sobre as declarações deste sobre a comparabilidade da corrupção em Portugal e Angola.

Se tivesse sido ainda acham que quem tinha saído era Campos e Cunha ? Acham mesmo ?

Uma boa parte dos problemas deste país também deriva de muito boa gente - nomeadamente na Imprensa - não saber - ou não querer - distinguir o essencial do acessório, o folclórico do importante. Dá-se primazia à intriga barata, à novela de salão, ao momentâneo e efémero, em detrimento do tema sério e duro, num estilo introduzido em tempos pelo Prof. Marcelo e aperfeiçoado por Manuela Moura Guedes, e depois as coisas dão nisto.

Campos e Cunha não caiu nem foi deixado cair por causa da escolha da manchete do DN da passada segunda feira mas, tivesse sido ela outra, ainda seria ministro. Deveria dar que pensar.

porquê ontem ?



A propósito da saída de Campos e Cunha, eu ainda ontem falava aqui da PT e das sensibilidades à sua volta. Pois bem, e não tendo nada a ver com a saída de Campos e Cunha, ainda ontem a Autoridade da Concorrência, depois de uma enorme novela, e afinal sem quaisquer condições, autorizou a curiosa venda da Lusomundo, pela PT, à Olivedesportos (o putativo comprador tão líquido que precisou de um aval bancário do vendedor para poder avançar...), ainda ontem também foi anunciado que o grupo Prisa (El Pais) ia entrar em força no capital da Media Capital. Resumindo, a Olivedesportos fica com o JN e a TSF parecendo óbvio que quem vai ficar com o DN é ... a Média Capital/TVI/Prisa/El Pais.

Alta Mercearia num país onde não há coincidências.

humor negro



PS regressa ao alerta amarelo

Leitura recomendada



O Independente de hoje.

Abrupto a trotski



Torna-se essencial citar o Abrupto, hoje, para copiar o postal sobre a entrevista do Público a Francisco Louçã.

Fica aqui, com a vénia da praxe e... com avisos de precaução, para aqueles que não gostam do Abrupo. Pela minha parte, este postal, aprecio.

LENDO OS JORNAIS: PORQUE É QUE É INÚTIL ENTREVISTAR ASSIM LOUÇÃ

(Transcrito do Público de hoje. Perguntas a bold, respostas de Louçã em itálico, comentários meus (JPP) entre parêntesis rectos)

Pelo que diz concluo que já não é trotskista.

O Trotsky teve um papel fundamental na luta contra o estalinismo, contra a estalinização, contra o que veio a ser o modelo soviético. Não só ele mas muitos outros.

[Não respondeu, o que dá a resposta.]

Ainda se define como trotskista?

Eu nunca me defini como trotskista. Defini-me sempre como marxista.

[Langue de bois. Os maoistas também não diziam que eram maoistas e os estalinistas idem.]

Integrou uma organização trotskista...

[Não “integrou”, dirigiu e não se sabe bem se dirige. Não se percebe porque razão a organização, o PSR, não é nomeada.]

Mas foi uma organização que nunca se definiu como tal, embora, e eu assumo isso por inteiro, o contributo do Trotsky tenha sido fundamental para pensar o socialismo de hoje. Como foi o de outros, como Rosa Luxemburgo ou Gramsci e alguns outros marxistas. A nossa herança é exactamente essa e vivia sempre da mesma forma.

[Langue de bois.]

Entre o Trotsky e a Rosa Luxemburgo há diferenças substanciais...

[Pergunta irrelevante. Seria bom que o leitor soubesse a que diferenças se está a pergunta a referir.]

Com certeza. Mas eu creio que o socialismo aprendeu com essas diferenças.

[Resposta inútil. O que era decisivo nesta conversa fica sempre vago e não nomeado. Trotsky e Rosa Luxemburgo defendiam a violência revolucionária e a versão da Internacional Comunista da revolução e da ditadura do proletariado. Aqui não há diferenças.]

No BE ainda há marxistas-leninistas?

Depende do que quer dizer com o conceito marxista-leninista.
[Esta frase traduzida significa sim.] Há leninistas certamente, há leninistas que são marxistas. Agora o marxismo-leninismo foi entendido muitas vezes como uma representação do estalinismo e isso não há. Como há não marxistas.

Mas o BE como movimento identifica-se com o leninismo?

Não, o BE não tem que se identificar com o leninismo.

[Resposta ambígua, este "não tem que" é mais que dúbio.]

Portanto, não há ideologia única?

Não há nem vai haver. Como sabe, aliás, o BE nasceu e só podia ter nascido assim não por uma fusão ideológica que reinterpretasse o passado, mas por uma definição da agenda política e do programa. O programa constrói-se na luta social, nas alternativas políticas para o país, para a Europa. E foi isso que nos permitiu aprender um nível de política completamente distinto do que a esquerda radical tinha feito em Portugal durante 30 anos. Nós mudámos completamente a capacidade de actuação política e social, tornando-nos uma força política influente

[Fuga em frente, nada é concreto. Um novo conceito aqui se aplica: enguiismo ideológico.]



Quinta-feira, Julho 21, 2005

Não sei se alguém já o apontou, a memória é sempre curta, mas o novo Ministro das Finanças tem no seu curriculum o facto pouco abonatório de ter sido secretário de estado do governo mais despesista e que mais contribuiu para o afundanço do país e incremento do déficit dos últimos anos, isto se levarmos a sério o... Relatório Constâncio.

Nada de novo



Eu acho que Portugal, em matéria de corrupção não pode dar lições a nenhum outro país do mundo.

Freitas do Amaral, DN, 20.7.2005.


O problema do combate à corrupção política em Portugal não é simplesmente legislativo, mas de convicção... e de ética!

Luís Sousa,
investigador do Instituto Universitário Europeu de Florença, in Público, 7.10.2001

A corrupção em Portugal, está sempre na ordem do dia, ao longo dos anos! De tal modo que alguns, nomeadamente Diogo Leite Campos, o inestimável advogado especialista em ficalidades, até chegou a dizer num programa de tv de grande audiência que não conhecia casos de corrupção, deixando no ar a ideia que é fenómeno que não existe, com a extensão repetida pelas Cassandras habituais e com a intensidade de incomodar espíritos.

Os casos Freeport, Portucale, Oeiras, Amadora e os escândalos bancários que não tardarão e que se seguirão, agora em maré de eleições autárquicas, ameaçam tornar vulgar, para o cidadão eleitor, aquilo que nenhuma país decente do Ocidente tolera: a corrupção entranhada e misturada com a mais perfeita legalidade nos negócios que envolvem dinheiros públicos.

Repescando um texto daqui, já datado, mas actualizado entretanto...

Leis para combater a corrupção, não faltam! Desde a Lei 34/87 de 16/7, destinada a enquadrar a responsabilidade dos titulares de cargos políticos, até à legislação de financiamento dos partidos, - Lei 19/2003 de 20 de Junho - passando pelo catálogo do Código Penal, o cardápio é mais do que suficiente para contentar qualquer gosto republicano e laico ou conservador, estendendo-se até às fímbrias passadistas, de leste a oeste.

Até contempla uma legislação específica para prevenir e reprimir otráfico de capitais em regime de branqueamento - pelo Decreto-Lei n.º 313/93 , em que se transpôs a directiva comunitária básica.

Em 1995, legislou-se até no sentido de aplicar pesadas penas de prisão a quem branquear dinheiro proveniente de actividades ilícitas como a corrupção - Decreto-Lei n.º 325/95.

Em 2002, através da Lei n.º 10/2002, e em 2004 - Lei n.º 11/2004, foi aperfeiçoada a legislação por causa das « transacções à distância», com valores superiores a cerca de 15 mil euros.

Apesar disso, os resultados foram sempre... muito pontuais! O exercício venatório particularmente aficionado por antigos directores da PJ, começou na obra faraónica do Centro de Belém, continuou com a desbunda do Fundo Social Europeu, passou pela piolheira da Expo98 e trespassou a rota da JAE. Foi sempre um exercício selectivo, de batida programada e controlada e com o furão amestrado por carta anónima. Como a época era de caça a pato bravo, voador de baixa altitude, o furão ficava a ver navios e os resultados encalhados nas disputas com o chefe da batida. Este, saído da Escola Politécnica, perdido no canavial mas fiado nos binóculos baços e no apito de cana rachada, dava ordens aos caçadores, para escutarem o grasnar e serem lestos no apontar. Porém, fiados na tradição, os perdigueiros seguiam o furão, confundindo apitos com patos e tocas com moitas, apanhando às vezes um marreco sem asa e ficando sempre com as penas na mão.

Nesta actividade venatória tem-se mantido a tradição: o chefe da batida fica em casa, na rua da Escola e à espera da presa; os caçadores batidos, da rua do Freire, vão com o furão. Não fazem equipa, preferindo discussões. Por isso mesmo, apanham pardais e rolas, deixando os faisões.
Esta ave vistosa entoca-se em gabinetes de empresas de obras públicas e às vezes, em sedes partidárias. Apreciam particularmente os edifícios camarários e reproduzem-se aí como cogumelos na humidade. Este fenómeno só é novidade para quem anda a dormir na forma e há casos desses, até nos corredores universitários.

Há uns anos (não muitos…), Macau esteve no epicentro de dois episódios turvos. Os socialistas Rosado Correia e António Vitorino ( sim! esse mesmo) e uma história de mala malpartida e o caso do fax para Melancia que ainda hoje serve de mote para se comentar o sistema de justiça que temos. Foram dois casos conhecidos, e que acabaram no olvido doméstico, como tantos outros acabaram nas prateleiras de arquivo dos tribunais, depois de prescrições e absolvições serôdias.

Essa impunidade de facto e aparentemente de direito, permite as indignações de quem é apanhado, por azelhice, por azar ou pelo despeito de parceiras traídas ou invejas recalcadas de correligionários: Os casos de Belezas; de Curtos; de Judas; de Isaltinos; de Mirandas; de Melancias; de Felgueiras e de outros, escondem a verdade oculta de outros casos com o mesmo contorno e com a mesma base de sustentação em pés de barro: o alegado aproveitamento pessoal de dinheiros que não lhes pertencem! Nessa mistela espúria entre pertenças ilegítimas, aparece a defesa dos visados, sempre de indignação e de protesto de inocência absoluta: acontece no caso de Abílio Curto como no de Fátima Felgueiras e também no de Isaltino e outros Portucale. Nunca, em Portugal, um suspeito de corrupção deixou de clamar a mais completa e rotunda inocência!

Não há um exemplo para a presentar, nem sequer o de Abílio Curto que mesmo após ter sido condenado, já sem apelo possível e ao fim dos anos do costume, antes de entrar na prisão, clamava inocência.
Contudo, não vale a pena malhar no ceguinho que não quer ver a corrupção a irromper por esta via. Já em diversas alturas e circunstâncias, pessoas que conheciam esquemas concretos de corrupção a denunciaram: Garcia dos Santos; Pedro Ferraz da Costa; Saldanha Sanches e a mulher Maria José Morgado; António Borges e agoraFreitas do Amaral!

Não deve existir um único agente da PJ do departamento de fraudes financeiras e fiscais que não saiba realmente o que se passa e muito mais. Não deve haver um único deputado que não saiba determinadas coisas que não pode dizer publicamente. Não deve haver um único responsável por grandes empresas de construção civil e obras públicas que não conheça o esquema e o caminho que conduz à vitória em concursos. Os públicos até são transparentes: os concursantes apresentam as propostas à vista de todos e são abertos os embrulhos perante representantes do Estado. Mesmo sem obras a mais que só vêm depois, é preciso adjudicações para a economia prosseguir! A economia do betão não encontra dissolvente pela frente!

É precisa a circulação de milhões para alimentar a economia destas empresas de construção civil que empregam milhares e recebem milhões.

Há um mundo de arquitectos, engenheiros, técnicos, fiscais, a quem é preciso garantir salários e prebendas em cartões e suplementos, para pagar as casas, nem que sejam nos Algarves e os carros que os alemães nos vendem com ar de perplexidade e atarantados pela nossa evidente prosperidade bacoca.

Pois bem! Neste mundo que todos conhecem, mas fazem de conta que não existe e alguns negam-no como se estivéssemos na Sicília dos anos oitenta, como foi o caso pândego do ilustre causídico especialista em fiscalidade. No pasa nada, dizem!

Toda a gente faz de conta e embarca na grande resposta de Cunha Rodrigues ao General que presidiu à JAE e denunciou esquemas concretos de corrupção e financiamento oculto de partidos através de empresas de construção civil e obras públicas – e até explicou o esquema concreto
O Senhor tem provas?! Se não as tem não vale a pena dizer porque não me interesso por situações em que não haja provas.
Tem sido esta a cultura de anos e anos de inépcia e desleixo. Que vem associada à falta de meios na polícia e no MP (numa determinada altura a investigção da Moderna, sob a batuta de um empertigado Negrão, tinha dois agentes, segundo denunciou o próprio Cunha Rodrigues) e à notória e deficiente organização do MP. Há pelo menos vinte anos que a situação se arrasta e não há melhorias à vista, conforme se pode concluir pelas entrevistas de Cândida de Almeida, responsável pelo DCIAP do Ministério Público que é a estrutura encarregada em Portugal da investigação deste tipo de criminalidade.

Por outro lado, os exemplos de investigação recentes e em casos mediáticos como O Apito Dourado e mesmo no de Felgueiras, dão conta de um preocupante e sistemático método usado pela polícia Judiciária, em quem se delega a investigação por ser dessa polícia a respectiva competência exclusiva, em usar a escuta telefónica como método privilegiado de obtenção de provas. Devido ao rigor ultra legalista que assola alguns intérpretes de tribunal, ajudados pelos lentes de Coimbra que delinearam o Código e que não regateiam pareceres para o interpretar à medida das necessidades, temos perante a opinião pública uma panorama de impunidade assegurada para os poucos, pouquíssimos casos que mesmo assim, logram transpor a teia da sala de audiências para os julgamentos em forma.

Para ter uma ideia aproximada das complexidades interpretativas da lei penal que nos legaram os peritos de Coimbra, já conhecidos mas não suficientemente ouvidos pela opinião pública em audiências de televisão, basta ler os jornais e atentar nas notícias sobre nulidades de prova; nulidades na obtenção da prova e nulidades…nulidades mesmo e deles mesmos!

A perplexidade do público cresce à medida em que o sentimento difuso e geral – agora até partilhado por Freitas do Amaral!- de existência de corrupção nos grandes negócios do Estado, começa a aparecer e … no pasa nada!

Não se passa nada na investigação que não tem meios, costumes, rotinas, vocação até, para não mencionar competência, para organizar um acervo de provas que sirva para demonstrar a culpabilidade de suspeitos e a condenação de arguidos, sem o concerto habitual de condenações abosolvições, condenações e absolvições, algumas por vícios insanáveis de forma que inquinam o fundo.

Os arguidos célebres, aliás, já se habituaram a uma assegurada e garantida impunidade através dos mecanismos legalistas, ultra retorcidos e abrigados num guarda chuva penal, aberto pelos próprios penalistas que os gizaram, sempre, sempre em nome do povo… alemão, italiano e até francês! E assim os portugueses arguidos medram de descontracção, por saberem que no fim dos processos, passados os anos da praxe e que sabem de um saber de experiência feita que nunca ficam abaixo da meia dúzia, ainda podem pedir uma indemnização ao Estado por os terem incomodado na sua actividade filantrópica e inocentemente comprovada.

Estas perplexidades um dia mudarão em indignação, mas até lá …folgam as costas! Que são largas, pois o dinheiro a rodos conserta muitas maleitas.

O segredo das Otas e dos Tgv´s passa por aí: mas no pasa nada!

Clamar, como o faz o Manuel, pela intervenção da PGR é mais do ilustre fidalgo idealista espanhol cujo conto faz agora 400 anos.

A PGR nada adianta. No pasa nada! O DCIAP está atado - não tem meios nem competência comprovada! No pasa nada! O DIAP não conta- é para casos menores e pouco faz! No pasa nada! A PJ faz fogachos e largas foguetes, geralmente com pólvora molhada- as técnicas de investigação, à míngua de meios, deitam tudo a perder. No pasa nada!

A lei penal protege os arguidos excelentíssimos, como não poderia deixar de ser, com os mestres que temos. No pasa nada! Os tribunais atafulhados em serviço, gastam meses e anos a "analisar" provas e documentos gravados e registados e mandam para trás para as outras instâncias que os tornam a devolver para cima e ...no pasa nada!

Até quando?!

Em jeito de adenda...

Lê-se que o novo ministro das Finanças, um lente que Silva Lopes assegurou ser competente...
não entrega desde 2000 a declaração de rendimentos ao Tribunal Constitucional, como está obrigado devido aos cargos executivos que ocupava até assumir a direcção do ministério.

Durante cinco anos
, um lente prestigiado, presidente da CMVM (!!!) não ligou à lei que o abrange. Como dizia o nosso impagável presidente da República, as leis em Portugal, são meras sugestões. É esse um dos nossos problemas, acrescido pelo facto de os lentes que as fazem, não terem bem consciência disso...

Eu, socialista, me confesso



Achava que tinha votado nisto


mas parece que votei antes nisto



E todo um mundo de diferença.

à atenção do Sr. Procurador Geral da República



Quando as OTA's são o problema ?

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, assumiu ontem no Parlamento que a "localização da OTA é mais vantajosa como alternativa à Portela", fundamentando a sua opinião com razões ambientais. O ruído do actual aeroporto de Lisboa foi a principal razão apresentada.

Lino garantiu ainda que irá avançar com pequenos trabalhos preparatórios da grande obra pública chamada aeroporto internacional da OTA, como drenagens do terreno, expropriações e desvios de linhas de alta tensão.

O que serve para dizer que não há nada a fazer: a OTA está escolhida, a OTA escolhida está.

É um erro colossal. E explico porquê.

Não ponho em causa a necessidade de uma nova infra-estrutura aeroportuária. A Portela não irá além de 2015/2020. Logo, é preciso planear o futuro. Mas com a opção da OTA tal não é feito. Pelo contrário.

  • 1 - A zona para onde está planeado construir esse mamute branco não permite a edificação de mais de duas pistas. Leram bem. Não é gralha. São mesmo 2 PISTAS. E depois?, perguntam os pessismistas.

    E depois não haverá qualquer hipótese de expansão. Ou seja, a capacidade máxima de 30 milhões de passageiros/ano da OTA será alcançada em 15/20 anos, sendo certo que ao fim desse tempo terá que se construir outro aeroporto. O Governo de Sócrates prepara-se para avançar para um investimento de mais de 3.000 milhões de euros que permitirá construir uma infra-estrutura que terá, no máximo, 20 anos de vida.

    Basta dizer que o aeroporto de Barajas, nos arredores de Madrid, tem previstas obras de expansão e construção de novos terminais que permitirão receber 90 milhões de passageiros/anos. E sabem porquê? Porque a área onde está situada a infra-estrutura permite, geograficamente falando, essa expansão. A OTA não.

    (As empresas de obras públicas aplaudem a OTA, pensado já no aeroporto sucessor)

  • 2 - A zona da OTA tem também problemas ao nível dos solos, por causa das bacias hidrográficas da bacia do Alvarinho e da bacia da OTA. O que obrigará a uma movimentação de terras, segundo especialistas, que poderá chegar aos 50 milhões de metros cúbicos terras. Ou seja, cerca de quatro vezes mais do que os actuais números do país.

    (Os empreiteiros esfregam as mãos de contentes com o volume de negócios que a construção do novo aeroporto poderá gerar. Os cofres do Estado ficarão ainda mais vazios, porque esta obra, com a localização da OTA, custará certamente muito mais que 3 mil milhões de euros).

  • 3 - Os acessos ao novo aeroporto também poderão elevar o custo da construção. Pela simples razão de que terão que ser construidos a uma cota de cerca de 30 metros, sobre lodos, argilas e areias argilosas do leito das ribeiras.

    (Os empreiteiros ficam histéricos. Os seus olhos parecem cifrões)

  • 4 - A auto-estrada do Norte terá que ser duplicada naquela zona. Qualquer leitor que conheça a A1 naquela zona, sabe que estamos a falar de um terreno acidentado. Há espaço? Quanto custará? Alguém já fez o estudo de construção?

    (A Brisa junta-se aos empreiteiros que, aos saltos de felicidade, não notaram a chegada do novo parceiro)

  • 5 - José Sócrates não irá animar a economia com a OTA. Irá levar as empresas de obras públicas ao êxtase e promoverá o crescimento espectacular de um sector de actividade estagnado, eternamente dependente do Estado e do volume de obras públicas, e que, em vez de apostarem na internacionalização, preferem continuar dependentes do mercado nacional.

  • 6 - Há uns anos atrás li um estudo comparativo de empresas de obras públicas portuguesas e espanholas. A conclusão era lapidar: tendo em conta o PIB de cada país, as empresas públicas portuguesas estavam claramente sobredimensionadas para o mercado português.

    Sabem porquê? Porque o Estado não pára de lhes dar OTA's.

Portugal vive dias difíceis.

Ao contrário dos inúmeros pessimistas que residem neste rectângulo à beira mar plantado - com todas as vantagens daí inerentes -, não penso que estejamos destinados a um fim trágico, sem apelo nem agravo. Nada disso.

Acredito profundamente que, apesar de rezingões e mal-humorados, os portugueses serão capazes de dar a volta por cima. Como invariavelmente deram ao longo de mais de 800 anos de história. Nãoo penso que o caminho necessário para aí chegar passe pela OTA. Nem de perto, nem de longe.

É um péssimo sinal, ao fim de apenas 4 meses de Governo, que José Sócrates se agarre à OTA para recuperar a economia.

(O TGV é conversa para mais tarde)

É importante estudarmos uma nova localização para um novo aeroporto, cuja construção só poderá ser anunciada depois de concluídas as negociações sobre as perspectivas financeiras da União Europeia - porque o financiamento dessa obra depende, em larga escala, dos fundos europeus.

Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar mais de 650 milhões de euros - que é o valor que está orçamento para a OTA no Programa de Investimentos em Infra-Estruturas Prioritárias e não o valor real de 3 mil milhões de euros - em mais estudos e trabalhos preparatórios da construção do futuro aeroporto, como já foi admitido pelo ministro Manel Pinho.

Os recursos do Estado português não são ilimitados. A "qualidade" do investimento público reclamada por Luís Campos e Cunha é um imperativo nacional. Por não ser este o melhor momento das contas públicas, e por ser possível aguentar até ao fim da legislatura sem avançar com um sucessor da Portela, sou contra a construção do novo aeroporto da OTA.

Quando os recursos financeiros do país permitirem, terá que ser estuda uma nova localização para o futuro aeroporto internacional de Lisboa. Essa localização será, obrigatoriamente, como se passa na esmagadora maioria das cidades europeias, fora da capital.

Entre a Serra dos Candeiros e Vila Franca de Xira, seja na margem norte, seja margem sul do rio Tejo, não acredito que não exista uma localização viável sob o ponto de vista técnico e financeiro. E muito mais barata que a OTA.

Luis Rosa

PTgate



O ministro Mário Lino impôs a sua (?) vontade na Ota e no TGV. Está a ter um pouco mais de dificuldades a impôr a sua vontade na PT, onde ainda não conseguiu arranjar um novo CEO consensual com os privados. Acresce que o novo ministro das finanças é alguém tão bem visto na praça que até está no lote do vetados para aquele lugar.

Vamos ver, se num futuro próximo, não haverá novo embate, por entrepostas pessoas ou não, com sucessor de Campos e Cunha por via de visões divergentes em relação à PT.

Dito isto, era dispensável alguma da indignação mais ou menos demagógica que por aí vai em relação ao desejo deste governo em impôr o seu CEO à PT. Se se quer ser frontal e consequente, o que deve ser dito é que a actual dimensão da PT - e tratamento deferencial por parte do Estado que esta tem, desvirtuadora das mais elementares regras de mercado - não faz sentido, devendo esta ser rachada e o Estado deixar de ter qualquer golden share e por consequência qualquer interferência na gestão.

OTAgate (take II)





Um ministro de um país soberano, afirma - ipsis verbis - numa entrevista, a propósito da corrupção existente num outro país soberano - periodicamente denunciada por organizações internacionais - não ter legitimidade moral para se pronunciar por a situação no seu país - infere-se - ser de gravidade similar. Curiosamente, a Procuradoria Geral da República desse país ainda não chamou esse ministro a prestar declarações de modo a devolver ao tal país a legitimidade moral que pelos vistos lhe falta. Noutros tempos, eram comissões de inquérito, túnicas rasgadas, e gritos e mais gritos de indignação, hoje só sorrisos mordazes.

um livrito branco com o top ten



Campos e Cunha já não é Ministro das Finanças, isto é um facto. Ontem, escrevia aqui que...
Serve esta introdução para dizer que eu não acho que exista qualquer divergência de fundo entre o Eng. Sócrates e o Dr. Campos e Cunha, achando mesmo que o célebre artigo de domingo passado dado à estampa no Público, foi objecto de combinação cirúgica entre os dois.

... facto que levantou comentários por essa blogosfera fora assaz mordazes. Errei, não porque Sócrates não soubesse do artigo de Campos e Cunha, não tenho dúvidas de que sabia, mas porque sobrestimei Sócrates. Horas antes, é verdade, tinha antecipado que Campos e Cunha poderia vir a ser - e vai ser - o carrilho de Sócrates, i.e. vai acabar por lhe fazer, o que Carrilho fez a Guterres, mas - é verdade - não me levei demasiado a sério. Por muito pessimista que seja - e geralmente sou - até ontem, dava algum capital se não de competência pelo menos de vontade ao Eng. Sócrates. Ontem dava, hoje manifestamente não dou como ninguém dá.

Mas, vamos por partes...

Alguém imagina realmente este governo tão mau
, tão mau, mas tão mau, que cada um diz o que quer e o que lhe apetece sem dar cavaco prévio ao Primeiro-Ministro ? Alguém imagina que quer Campos e Cunha, quer Freitas não tenham dado pelo menos uma palavra prévia a Sócrates, informando-o a nível macroscópico, pelo menos do teor das suas declarações ?

Depois vem a enchurrada do revisionismo moralista com efeitos retroactivos, pelos habituais urúbus do regime. Aqui antecipa-se que Campos e Cunha já estaria demissionário desde que o dia em que Sócrates anunciou que o Governo iria legislar no sentido de impedir a acumulação do vencimento de ministro com outras remunerações (no caso, a reforma do Banco de Portugal), mas porque não desde a primeira reunião do Conselho de Ministros ?, aqui e aqui zurze-se em Campos e Cunha por manifestar reservas quanto à Ota e ao TGV já que estes projectos estão consignados no Programa do PS sufragado nas últimas legislativas pelo que automaticamente Campos e Cunha teria é de assinar de cruz. Esta última tese, peregrina, leva os autores - se se dessem ao trabalho de ser coerentes - a questionar automaticamente o aumento das impostos, que não me lembra de ter sido prometido, ou, se calhar, a promover Campos e Cunha a vilão já que só falta mesmo dizer que os implentou à revelia de Sócrates ... Depois, há uma outra tese, neo-realista - de sabor italiano - que culpa Campos e Cunha por não (se) ter aguentado, porque seria melhor dentro que fora, sendo que o azelha acaba por ser ele por não (saber) ser político.

Acontece que quem tem que ser mesmo político e dar a cara não era Campos e Cunha, era José Sócrates. Foi em Sócrates, e no tal Programa de Governo - que subitamente deixou de ser vago e aéreo, que as pessoas votaram, não ?

O que ontem aconteceu é que um ministrozeco de terceira categoria não se limitou a ultrapassar Campos e Cunha, Mário Lino ultrapassou mesmo Sócrates, que até então sempre tinha tido o cuidado de "prometendo" a Ota e o TGV ir dizendo que as verbas inicias eram para estudos.

É fácil dizer-se agora que Sócrates entre Campos e Cunha e o PS, e os investimentos, escolheu estes últimos. É fácil e até será verdadeiro. Resta saber se um destes dias não se vai é descobrir que Sócrates não quis ter escolha. A Ota, esta Ota, foi imposta a Sócrates, e Sócrates deixou.

Eu já nem quero discutir quanto custa, ou para que serve, bastava-me no imediato um livrito branco com o top ten dos principais beneficiados com tal empreendimento.

Riam-se, riam-se do mensalão.

Não sei



Não sou advinho. Não tenho grandes fontes previligiadas. Deu para saber uns minutos antes de dar na SIC Notícias e pouco mais. A demissão de Campos e Cunha, parece claro, resulta das suas posições sobre dois grandes projectos de investimento: Ota e TGV.

O V. António já explicou muita coisa. O Manuel também, e ainda não acabou.

Eu, por mim, acho que pouco posso contribuir. Não era fã de Campos e Cunha. Para mim, a estória das acumulações foi decisiva. Endeusar hoje um homem que ontem mostrou que não tem ética republicana parece-me hipócrita, mas está a ser alegremente feito por essa blogosfera fora - dos jornais já não espero nada.

O que não impede que tenha uma enorme simpatia pela sua posição nessa matéria. Eu também acho que estes investimentos não estão ainda justificados. Pese embora a fortuna gasta em estudos.

Pessoalmente, e acho que já escrevi o suficiente para se perceber isso, a Ota não me convence, especialmente se se fizer o TGV. Aliás, e para mim, um dos argumentos a favor de uma visão maximalista da futura rede de TGV, que em tempos recusei, é exactamente o de permitir evitar gastar os 5 mil milhões de euros, pelo menos, que a Ota vai custar.



Parece, e a demissão do Ministro das Finanças assim o confirma, que a Ota não pode ser posta em causa. Há quem diga que isso tem a ver com um credo keynesiano do Governo. Outros, mais pragmáticos, falam em interesses imobiliários (na Ota e, aspecto pouco referido, na própria área que a Portela agora ocupa, e que será em breve servida pelo Metro). Eu, pessoalmente, não sei.

Sei isto. Podem ter calado Campos e Cunha, ou ele deixou-se calar, mas não nos podem calar a todos.

A Ota não faz sentido. Demonstrem o contrário ...

placeholder



eu comentarei, com calma, esta tarde a demissão de Campos e Cunha, aparentemente incompativel com aquilo que aqui ontem escrevi.

constatações



Os acontecimentos do último dia provam, à exaustão, quanto mais não seja, que o jornalista português que melhor conhece os meandros do Partido Socialista e do Governo se chama Luis Rosa. Com efeito Rosa, no seu blog, onde assina como milhafre - nick adequado - teve o rasgo de a tempo e horas não só prever a queda em desgraça de Campos e Cunha como, e logo ao mesmo tempo, acertar em cheio no nome do sucessor. Quem sabe, sabe.

OTAgate



esta reflexão de Rui Costa Pinto na Visão Online, parece não ter nada a ver com a execução sumária de Campos e Cunha. Todavia tem tudo.



Até pode ser, como há quem considere, que não tenha uma formação académica à altura do cargo que ocupa, mas, do que se depreendeu da entrevista de ontem a Ana Sousa Dias, vê-se que Emílio Rui Vilar, presidente da Fundação Gulbenkian, sabe o que quer, sabendo sobre gestão do terceiro sector, provavelmente, mais a dormir do que todas os ungidos pela sapiência acordados. Foram muito os sinais dados por Rui Vilar para dentro e para fora da instituição. Nestes, pôde-se identificar uma forte cultura de eficácia e eficiência praticada com um elevado sentido de humanismo e de respeito pelas pessoas. Tal, leva-me a considerar que é uma brutalidade encaixá-lo, por exemplo, no padrão de comportamento de multinacionais sem rosto humano ou dos empresários do Vale do Ave. Passar apenas a mensagem dos aspectos mais negativos da acção – extinção da companhia e despedimentos – excluindo-se os positivos – compensação e abertura a outras perspectivas de futuro para os profissionais afectados – é um favor que se faz aos que gostam de agir à vontade na selva neo-liberal e para quem os bons exemplos de ética e moral são sempre mal vistos.

Campos e Cunha kaput




Não há vida para além da Ota...



Ao fim de 4 meses, ficou claro quais são as teias em se que move o actual governo. Os sinais não foram dados apenas na entrevista de fim-de-semana que Campos e Cunha concedeu, mas sim no “interno” não adiar do lançamento da Ota, como obra-prima deste governo. Mesmo quando e até externamente, há sinais que contrariam esta decisão.

Campos e Cunha, perante um braço de ferro com Mário Lino, levou a que Sócrates optasse pelo ministro ligado ao PS, em vez de continuar a confiar no independente Campos e Cunha. O ministro que vinha para 4 anos não resistiu 4 meses.


Desta vez, e tal como se previa, o PS ganhou o confronto com um governo que tem enverdado a sua política económica em claro confronto com o próprio PS.

É certo que por aqui muitas vezes se criticaram as medidas de Campos e Cunha, não pelo seu idealismo, mas sim por se achar que as mesmas medidas não eram compagináveis, com o melhor futuro para Portugal. Mas, mesmo assim, há algo que jamais poderá ser imputável ao agora ex-ministro... a tomada de uma decisão de investimento público sem conhecimento público dos seus motivos.

A demissão de Campos e Cunha têm apenas um motivo : A construção da Ota, move demasiados interesses imobiliários comprometidos com o PS, e que ao poder o conduziram, que jamais algum ministro poderá questionar. Só assim se compreende a intrangência em discutir publicamente o projecto, o silêncio de Sampaio e Constâncio nesta matéria, e a mentira de Mário Lino, de que a Comissão Europeia, ira obrigar Portugal a fechar a Portela dentro de uns anitos.

Do ponto de vista interno, ainda hoje o comissário Almunia, afirmava, que a benesse concedida por Bruxelas em adiar para 2008, a regularização do défice abaixo dos 3,00 %, implicava que Portugal, ponderasse bem o tipo de investimento público a constituir por parte do Estado. O investimento público não é automaticamente rentável nem gera os efeitos esperados, porque as externalidades que possuí contribuem para que se torne difuso, e ao mesmo tempo, com uma política orçamental para uma centralizada política monterária a nível europeu, os efeitos tendem a diluir-se.

Não falamos de uma qualquer obra. Falamos de um obra que por baixo ascenderá aos 5 Mil Milhões de Euros. É inqualificável que com o passar do tempo o país se tenha vindo a tornar ingovernável, e que a tudo isto Sampaio, com claras responsabilidades, resista a pronunciar-se. Mas verdadeiramente grave é o autismo do governo em levar a obra em frente, não reconhecendo que a mesma merece ser discutida, só pelo simples facto de existirem melhores soluções e que não comprometem o futuro do país...

A partir de hoje as regras do jogo estão claras. Quem se mete com a Ota apanha...

Superb



Enquanto toda a gente andava entretida com as presidenciais, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, disse mais qualquer coisa que merece ser registada. Até porque, sublinho, foi o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros que disse. Não foi o Manuel aqui da Loja, foi o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

A propósito de PALOP e da sua visita a Angola, de que forma é que Portugal pode chamar a atenção dos responsáveis angolanos para o facto de que os níveis de corrupção não abonam nem a favor do país nem para a sua imagem externa?

Posso ser inteiramente franco consigo? Eu acho que Portugal, em matéria de corrupção não pode dar lições a nenhum outro país do mundo. Infelizmente. Comecemos nós por liquidar esse fenómeno cá dentro e então, depois, talvez possamos falar da nossa experiência perante outros países.





Quarta-feira, Julho 20, 2005

Depois da disponibilidade do Prof. Freitas do Amaral, só espero mesmo que o Dr. Lopes, ou o sr. Alberto da Madeira, perca a timidez, e avance também, rumo a Belém. A sério. Não tenho a menor dúvida de que o Prof. Cavaco deseja o mesmo, o Eng. Sócrates é que não deve ter pensado nessa possibilidade, não que a estratégia dele não seja bonita, que é...

Sem comentários...



Um olhar atento ao orçamento da segurança social...

Período entre Janeiro e Maio de 2005
  • Rendimento Social de Inserção
    • 115.766.810,55 euros (crescimento de 15%)
  • Subsídio de Doença
    • 213.522.074,66 euros (crescimento de 12,96%)
  • Abono de Família
    • 246.111.611,08 euros (crescimento de 3,2%)
  • Subsídio de Desemprego
    • 745.866.585,73 euros (crescimento de 6,5%)
  • Despesas com a Administração
    • 142.630.397,60 euros (crescimento de 4,27%)

Tudo vai bem. É Portugal na sua mania de esconder o óbvio.



a entrevista, ou a questão do regime



Já por aqui o escrevi várias vezes que em Portugal se confunde muito, e demasiadas vezes, a táctica com a estratégia. Também se confunde vezes sem conta a realidade com aquilo que gostariamos que ela fosse, mas não é.

Serve esta introdução para dizer que eu não acho que exista qualquer divergência de fundo entre o Eng. Sócrates e o Dr. Campos e Cunha, achando mesmo que o célebre artigo de domingo passado dado à estampa no Público, foi objecto de combinação cirúgica entre os dois.

Convém, por uma vez, perceber o Eng. Sócrates. Não subiu por ter ideias, grandes ideias, subiu, simplesmente, porque não foi visto como uma ameaça por nenhum dos grandes poderes fácticos, do PS à chamada sociedade civil, Sócrates singrou porque conseguiu agradar a muitos sem hostilizar, ou fazer sombra, particularmente ninguém em particular. Não ter ideias às vezes faz jeito, porque descompromete e permite fazer no momento isto e o seu contrário sem riscos maiores de contradição, mas também há o reverso da medalha, a inexistência de um rumo claro e seguro.

Sócrates sabe que é chefe mas que ainda não é líder, o seu poder no PS - caucionado por Jorge Coelho - é-o enquanto tiver dinheiro, poder, lugares e benesses para distribuir, sendo que muito boa gente no PS ainda não digeriu a sua entronização como Primeiro Ministro. Sócrates também sabe, faç0-lhe essa justiça, que algo tem de ser feito, porque as coisas no País estão más de mais. Falta-lhe a bagagem, a segurança, a visão e o rasgo, e - certamente - a coragem, sobra-lhe Campos e Cunha.

Campos e Cunha pode ser politicamente infeliz, mas é a única esperança de Sócrates, deste Governo e desta legislatura. É-o porque se houver (alguns) resultados, estes não serão dele, mas de Sócrates, é-o porque ao ser pintado como o duro, protege Sócrates, o contemporizador/gerador de consensos, sendo que se há alguém neste governo com consciência do que está mal (embora nem sempre com as melhores ideias para apresentar) esse alguém é Campos e Cunha.

Irá pelo PS um grande sururú já que alegadamente as declarações de Campos e Cunha serão inoportunas em termos autárquicos, resta saber - numa noite quente de Outubro - se os resultados do PS se deverão mais a Campos e Cunha ou à gestão luminosa de Jorge Coelho do processo autárquico socialista. José Sócrates que tem capitalizado na guerrilha surda entre Coelho e por exemplo António Costa - que de príncipe ainda passa um destes dias a remodelado sem apelo nem agravo - sabe muito bem que enquanto for Primeiro-Ministro será sempre chefe do PS, se chegará a ser líder não sabemos.

Acresce ao enunciado que a entrevista pateta de Diogo Freitas do Amaral, também ela combinada com Sócrates, serve prefeitamente - como uma luva - os intentos do actual primeiro-ministro. Manifestamente José Sócrates conhece muito bem Freitas do Amaral, e também conhece muito bem o seu partido.

Sejamos francos, Freitas, o vaidoso-mor do regime, só aceitou integrar este governo porque lhe foi garantido que seria o candidato do PS contra o Prof. Cavaco. Ao contrário de Freitas que acredita genuinamente poder derrotar Cavaco, Sócrates não só espera, como deseja, Cavaco em Belém. E deseja-o porque não há ninguém no PS que lhe dê garantias de, desde Belém, não interferir, e não havendo só lhe resta menorizar a função presidencial.

Sócrates, que vai tendo memória, tem bem presentes as palhaçadas encenadas por Manuel Alegre no tempo do Eng. Guterres, como conhece muito bem a afeição que Ferro lhe nutre, e sabendo tudo isso prefere ter alguém do outro lado em Belém, e de quem não se espera à priori solidariedade, do que um companheiro de partido, ou de Governo, pronto a apunhalá-lo à primeira oportunidade (alguém está a ver um Freitas Presidente a preocupar-se primeiro com Sócrates, com o Governo ou com o Páis do que com o seu próprio umbigo ?)

Mas não se pense que este desejo de vitória de Cavaco é estritamente inocente ou conjuntural, não é, e é vem a ser aí que entra extraordinária imbecilidade - não há meio termo - do Prof. Diogo Freitas do Amaral. Sócrates quer, ao mesmo tempo que deixa Cavaco ganhar (não tem alternativa) esvaziar de vez a função presidencial, teatralizando-a, tentando assim criar um presidencialismo de primeiro-ministro.

É a esta luz que devem ser interpretadas as palavras de Freitas do Amaral, na sua entrevista de hoje, ao alegar que Cavaco não sendo da área do PS não será automaticamente imparcial e equidistante. Só que o actual MNE - cego pela vaidade - é demasiado limitado para perceber que isto não é sequer uma crítica a Cavaco - que até é, e sempre foi, um formalista, ao contrário por exemplo do guerrilheiro Soares que não se coibiria de dar umas aulitas ao jovem Sócrates - é, antes, um redesenho das funções constitucionais atribuidas a Governo e Presidente, bem delimitadas pela Constituição.

Freitas, enebriado, até nem se importa de ser PR, decorativo q.b., espécie de figura amorfa e palaciana, mestre de cerimónias, já Sócrates, mais lúcido, espera apenas que tal discurso obrigue Cavaco se não a dar garantias de sossego - que dá, aliás, por definição - pelo menos a polarizar realmente as presidenciais (afinal mais de metade dos eleitores que em fevereiro preferiram Sócrates afirmam ir votar em Cavaco) para finalmente poder ter mão num PS, unido finalmente à sua volta, que não vê, ainda, no PSD uma ameaça real.

Freitas é apenas o idiota útil ao serviço da estratégia de Sócrates. Só é pena que a habilidade que parece sobrar a Sócrates para comer o Partido Socialista falte tanto na gestão dos destinos do País.

O pusilânime



Salvo erro, por ocasião das eleições legislativas de 1991, Freitas do Amaral deu uma preciosa entrevista ao Expresso. Era, de novo, líder do CDS e prometia "equidistância" face ao PS e ao PSD. Sabe-se o que aconteceu. Cavaco repetiu a maioria absoluta e Freitas viu o seu partido reduzido a uns reles quatro por cento. Anos volvidos, depois do deserto e de outras humilhações, Freitas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, dá nova entrevista. Trata-se - não sei se ele se apercebeu disso - de uma nova humilhação. Mais patética - por causa da idade e da "experiência" - mas na mesma linha pusilânime que é a sua maior característica. Por ser quem é, trata-se de uma caso (grave) de pusilanimidade de Estado. Freitas sonha em ser o candidato presidencial das esquerdas, já que não pode ser o das direitas. Isso impele-o a dizer as baboseiras mais extravagantes em nome dessa sublime ambição. Por outro lado, como nunca sabe bem qual é o seu lugar em lado nenhum, "adoça" a boca de Sócrates e do PS com uma convesa sonsa e paternalista sobre "comunicação" e "impostos", manifestando-se muito "solidário" com tudo e todos. Imagino a alegria que deve reinar no Rato com estes "conselhos". Freitas foi MNE noutra encarnação, quando não havia União Europeia, e é quase como um bimbo poliglota que manifesta as suas posições em matéria externa. A parte tragico-cómica da entrevista é, porém, a que concerne às presidenciais. Como o melhor representante da "ala soarista" do governo, Freitas pronuncia-se como se fosse Mário Soares a falar. O novo "frentismo/freitismo", contra o chamado "salvador" da "direita", tem nesta entrevista miserável o seu acmê ideológico. Não é por acaso que, ontem, a pretexto dos trinta anos da manifestação da Alameda, Soares meteu esse "passado" na gaveta, e lembrou - jamais inocentemente - que agora o que é preciso é lutar contra o "perigo" de "sentido contrário". Não sei se os "ideológos" do PS já deram por isso, mas este género de contributos só serve para baralhar ainda mais as contradições do partido em torno das presidenciais. E não ajuda nada ao desempenho, desde já bastante atribulado, do governo. Freitas do Amaral não me surpreende. Da mesma forma que aqui o defendi quando apoiou o PS em Fevereiro - contra os ataques idiotas da "direita" a que ele cerebralmente nunca deixou de pertencer -, logo ali avisei acerca da sua irresistível atracção pela pusilanimidade política. Ele chama-lhe "centrismo", coitado, e há quem, por caridade ou oportunismo, finja que acredita. É o caso do dr. Soares que jamais brinca em serviço. Depois deste episódio grotesco, só posso aconselhar o Prof. Cavaco Silva a permanecer em silêncio até ao momento extremo em que já não haja mais circo deste para oferecer aos distraídos. E, depois, sim, que apareça.

E nos "salve" definitivamente "disto".

Porque



Hoje é bom dia para o repetir.

Porque a entrevista de hoje ao DN mete nojo, e por várias razões.

Porque proclama a morte das ideologias quem, como é o caso, já as vestiu a todas, como se de casacos se tratassem.

Por isso tudo...
A esquerda carece de uma figura capaz de se debater com dignidade - já para não falar em ganhar - a Cavaco Silva.

Na ausência de António Guterres e António Vitorino, cada qual por seus motivos, a esquerda confronta-se com uma de três possibilidades:

  1. Um candidato digno mas sem possibilidades reais de ganhar - Almeida Santos, Manuel Alegre, entre outros. Em suma, alguém que esteja disposto a candidatar-se e correr, sabendo sempre que não ganhará nunca.

  2. Freitas do Amaral - Sou dos que nunca perdoaria ao PS tal opção. Em 1986 era apenas uma criança em termos políticos mas lembro-me bem da fractura no país, no leve sentimento de inquietude que se sentia em certos meios de esquerda. Lembro-me dos sobretudos verdes usados como um quase uniforme pela falange de apoio do Dr. Freitas do Amaral.

    Lembro-me de ver, na Av. de Roma, as caravanas dos sobretudos e dos casacos de peles preparadas para as comemorações e do alívio que perpassou pelos meus familiares quando os viram, cabisbaixos, retornar a suas casas. Mário Soares tinha derrotado Freitas do Amaral por uma unha negra e contra todas as expectativas. Desde esse dia que sou de esquerda. Porque isso é - também - combater homens como Freitas do Amaral. Independentemente da pele que vistam em dado momento.

  3. Mário Soares - Uma má escolha. Eu sei que não parece, especialmente para quem o ouve falar, mas o senhor tem mais de 80 anos. Será possível exigir-lhe (mais) este sacrificio? Face à opção 2) o velho leão poderá sentir-se tentado a vir a terreiro. Mas é sempre um erro: se ganha, será um Presidente limitado pela sua própria idade, perdendo o estatuto de senador que tem vindo a cultivar desde 1996; se perde, mancha uma carreira política com uma derrota no ocaso da vida.

Em suma, a esquerda não tem como ganhar as presidenciais nem como ganhar com elas seja o que for.

Os anos de convivência entre José Sócrates e Cavaco Silva serão uma realidade em breve.

Espero - ardentemente - estar enganado.