Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Festival de Mérida

«Queremos dar um novo impulso, um novo alento, um olhar contemporâneo ao teatro clássico. Por isso escolhemos a palavra Fogo! para ilustrar a 55.ª edição do Festival de Mérida. Das cinzas poderão nascer as mais belas fenix», afirma Francisco Soares, director do festival na apresentação à imprensa que fez recentemente em Lisboa. O festival abre amanhã, sábado, 27, no Teatro Romano de Mérida com uma gala de onde soará a Sinfonia n.º 1, em Ré M, 'Titan', de Gustav Mahler e se poderá ver O rapto de Proserpina, com dramaturgia e direcção de Leandre Escamilla e Manuel Vilanova, pela Companhia Xarxa Teatre. Fedra, de Eurípedes, com direcção de Miguel Narros - «quisemos muito trabalhar com ele, antes que se reforme», afirma, entre risos, Francisco Soares - sobe ao palco do Teatro Romano, numa versão flamenca onde participam os bailarinos Lola Greco, Amador Rojas, Alejandro Granados e Carmelilla Montoya (de 1 a 5 de Julho). Na programação não podia faltar «o bardo Shakespeare». Tito Andrónico foi o espectáculo escolhido e conta com a direcção de Andrés Lima (8 a 12). Considerado um dos melhores cómicos de Espanha, Rafaek Álvarez 'El Brujo' apresenta a criação El Evangelio de San Juan, onde o contacto com o público é a principal pedra de toque (15 a 19). De risos também se faz o espectáculo Os gémeos, de Platão, com direcção de Tamzin Townsend, e as interpretações de, entre outros, Marcial Álvarez e Jesús Noguero (29 de Julho, a 2 de Agosto e de 5 a 9 de Agosto) . A dança também não foi esquecida e Diana y Acteón - pas de deux de Marius Petipá, pelo Corella Ballet Castillha y León, conta com os passos do primeiro bailarino Ángel Corella, entre outros (23 a 25). Todos os espectáculos são às 23 horas. Esta 55.ª edição estende-se até 30 de Agosto - com outras peças a que iremos dando destaque. Muito tempo para descobrir que Mérida não está assim tão longe...
FOTO: Fedra, de Eurípedes, na versão de Miguel Narros

Michael Jackson:apenas os negros dançam assim




Michael Jackson é uma das personagens mais fascinantes da história da cultura popular e merece ser estudado a nível artístico, sociológico, antropológico, racial, mercantilístico, genético, entre muitas outras perspectivas que vão muito além da minha competência. Musicalmente, considero-o pouco estimulante. Mas tal é apenas um pormenor. E não preciso de gostar de tenis para reconhecer o talento de Roger Federer. Quando se ouve Billie Jean o talento salta à vista. E salta literalmente à vista, porque as imagens são soberbas. Uma coreografia fora-de-série colmatada com o famoso passo Moon Walk, que o próprio inventou.
Quer se queira quer não, quer se goste quer não, Michael Jackson tem um lugar na história da música pop e da cultura popular. Por inúmeros motivos. Foi o mais prodigioso menino-prodígio da música negra. Thriller é o álbum mais vendido de todos os tempos – e dada a crise e a baixa de vendas de discos tão cedo ninguém superará o record. Foi também o primeiro negro com teledisco na MTV. E, de alguma forma, com Thriller, revolucionou o conceito de teledisco, tornando-o, de forma vanguardista, não só numa importante ferramenta de marketing, mas também um objecto com pretensões artísticas.
Curiosamente, este homem, que fez com que muitos brancos quisessem ser negros, quis ele próprio tornar-se branco, num insano desafio genético. Transformou-se num monstro, mais assustador do que a personagem interpretada em Thriller. Mas, mais grave do que essa questão estética, revelou um intolerável preconceito racial, ofensivo para toda a comunidade afro-americana (e a humanidade em geral), o que talvez seja a atitude mais imperdoável da sua história. E estou certo de que se ele tivesse nascido branco não saberia dançar assim.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Morreu Michael Jackson


Notícia de última hora: Michael Jackson morreu aos 50 anos, vítima de paragem cardíaca.
Ler mais aqui


Quem não falece?

Rústicos pelo Epicurismo, dos Gato Fedorento




Os Gato Fedorento não são músicos. Mas ao longo de alguns meses produziram os seus próprios telediscos (música de Armando Teixeira), no Zé Carlos, série marcante da televisão portuguesa. Esses telediscos, agora lançados em CD e DVD, contêm algumas pérolas de humor musical. O meu preferido é logo o primeiro, apresentado pelos Rústicos pelo epicurismo. Com uma influência directa dos Monty Python, respondem à questão: Qual é o sentido da vida? (A resposta é fácil: nenhum). E cantam alegremente sobre a morte, como o refrão: «Nós vamos todos falecer!». Ricardo Araújo Pereira disse certa vez numa entrevista que se pode brincar com tudo menos com o sagrado. Agora tudo depende do que é sagrado para cada um. Aqui, abalançam-se sobre um dos maiores tabus da humanidade de forma seca e improvável. Se há coisa na vida que não tem graça é a morte. Mas aqui rimo-nos da nossa condição humana e da crueldade realista das palavras cantadas. Um exorcismo inteligentíssimo e quase chocante… em nome da vida.

Lembra-te de comer bem,
Bober também
E rir com vontade.
Mas melhor do que isto até
É praticar a se-xualidade.

Não percas tempo na estrada,
Não serve para nada,
Evita as filas.
Arranja uma boa mulher
Ou um gajo qualquer,
Se fores larilas.

(Sabes porquê? PorqueÂ…)
Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.

Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó.

Prova o morango e a romã,
A uva, a maçã,
O figo e a cereja.
O mundo tem lindas cores
E belos odores,
Menos em Estarreja.

Tenta por todos os meios
Viver sem receios,
Não há que temer.
Quer tenhas ou não tenhas medo,
Mais tarde ou mais cedo tu vais falecer

Nós vamos todos falecer,
(Eu não vou! Olha que vais!)
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.

Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó.

Expirar, falecer, extinguir, apagar,
Cessar, fenecer, esvair, patinar,
Morrer, acabar, definhar, concluir,
Perecer, terminar, descansar, sucumbir.
(Estava a brincar!)

Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.

Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó,

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Porque na noite terrena...

«Elas e as coisas delas/ as histórias delas/ as fotografias/ aquelas coisas que elas tinham/ mesmo que contar/ elas e as suas coisas mínimas/ nós e elas frente a frente e a falta de/ coisas para dizer/ o chegar demasiado tarde/ demasiado cedo/ tudo demasiado/ aquela vez em que chegámos finalmente a tempo/ e tu não estavas lá/ os teus restos espalhados pelo chão da cozinha/ Oh, como te dilacerámos», palavras de Porque na noite terrena sou mais fiel que um cão, a 11.ª criação do Teatro do Vestido, em cena no Teatro da Comuna, em Lisboa, até 27 de Junho (sempre às 22 horas). Tendo como ponto de partida a obra de três poetisas – Elizabeth Bishop, Marina Tsvietaieva, Margaret Atwood – a peça assume-se como a procura da expressão «a partir de», colocando em cena três personagens em confronto entre si, consigo próprias e com as três poetisas. A direcção é de Joana Craveiro, que também assina textos, tal como Inês Rosado, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro – que interpretam.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Este tempo também é dela

Este tempo também é dela é uma homenagem a Constança Capdeville, em formato de recriação, que sobe ao palco do Jardim de Inverno, do Teatro São Luiz, em Lisboa, hoje, sexta-feira, 19 e amanhã, sábado, 20, sempre às 22 horas.
Uma das mais marcantes figuras da música portuguesa contemporânea é revisitada na apresentação de uma das suas obras de teatro musical: Wom Wom Cathy. Paralelamente a esta recriação, Pedro Moreira compõe para a primeira parte do espectáculo um original a partir do imaginário da compositora. O espectáculo volta a reunir o ColecViva, grupo de teatro musical, fundado por Constança Capdeville, nos anos 80.
A direcção do projecto está a cargo de Nuno Vieira de Almeida, a cenografia e os figurinos são de José Fragateiro. Com António Sousa Dias, Carlos Martins, João Natividade, Joana Manuel, Luís Madureira, Manuel Cintra, Nuno Vieira de Almeida e Pedro Wallenstein.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Próximo Futuro na Gulbenkian

Música, cinema, instalações ao ar livre e encontros gastronómicos são algumas das propostas do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, que arranca sábado, 20, às 21 e 30, com um concerto pela Orquestra Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre da Fundação. Sob direcção do maestro Osvaldo Ferreira, poderão ouvir-se peças de George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Aaron Copland ou Astor Piazzola. A partir deste dia estarão instalados no jardim toldos que formam um ‘passeio de sombra’ e que têm inscritos poemas de autores de vários pontos do globo, dos clássicos aos contemporâneos. Safo, Jorge Luis Borges, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Philip Larkin foram alguns dos escritores escolhidos. Também para o fim-de-semana, a 21, às 19, está marcado o concerto Sublime Frequencies: Group Doueh e Omar Souleyman, com sonoridades do Sahara Ocidental e da Síria. O concerto é antecedido por uma sessão de DJs, na esplanada do jardim, e uma projecção de filmes no Centro de Arte Moderna (CAM), a partir das 17 horas, ambas com entrada livre.
O Próximo Futuro é um programa que se dedica à investigação e criação artística na Europa, na América Latina, nas Caraíbas e em África, que a Gulbenkian desenvolve até ao fim de 2011, dirigido por Emílio Rui Vilar e comissariado por António Pinto Ribeiro. Ainda nesta quinzena, a 23, às 18 e 30, no CAM, conferência (com entrada livre) do ensaísta, curador e crítico de arte Nicolas Bourriaud que apresenta o conceito de «altermodernidade». O cinema é outra das apostas do Próximo Futuro, que apresenta no anfiteatro ao ar livre, até 10 de Julho, 11 filmes. A 24, serão projectados Afrique-sur-Seine, de Paulin Soumanov Vieyra e Casa de Lava, de Pedro Costa. A 25, passa Passaporte Húngaro, da realizadora brasileira Sandra Kogut, e a 26, Orfeu Negro, de Marcel Camus. Todas as sessões começam às 22 horas.
The New Electric High Life, por A. J. Holmes é o concerto que chega da Grã-Bretanha e que se pode ouvir a 27, às 21 e 30; da Argentina vêm os sons de Dema y su Orquestra Petitera, a 28, às 19. Mas nem só de cinema e música se faz o futuro e os chefes de cozinha Miguel Castro Silva e José Avillez apresentam uma série de encontros gastronómicos que podem ser saboreados na cafetaria do Museu Gulbenkian.
FOTO: Os argentinos Dema y su Orquestra Petitera

O milagre aerodinâmico


Voei até Londres naquela que é, segundo dizem, uma das piores companhias aéreas do mundo ocidental (as linhas aéreas do Burkina Faso e a Air Namíbia batem-na aos pontos). É tão económica que os bilhetes às vezes até são de graça (pagam-se apenas as taxas), mas tudo é pretexto para cobrar uns euros. Vinte por cada mala, 10 pela bagagem de mão, 15 por cada quilo a mais, cinco para entrar primeiro no avião. Não há lugares marcados. Por isso, lá dentro, as pessoas (na maioria ingleses daqueles que vão para o Algarve) acotovelam-se para assegurar um lugar à janela. O pessoal de bordo, os mais antipáticos escolhidos a dedo, querem lá saber se as famílias vão separadas, ou se uma criança de quatro anos tem que viajar sozinha, porque não há espaço ao lado da mãe. É uma espécie de autocarro da Carris onde toda a gente tem que ir sentada. Os bancos não se reclinam, uma garrafa de água custa dois euros e pelo caminho vendem uma espécie de lotaria, alegando que é para fins humanitários. O Aeroporto de Stansted (pequenino e jeitozinho) é dos que fica mais longe da cidade. É como um lisboeta ir apanhar o avião a Leiria. Ou um portuense fazê-lo em Coimbra. A propósito, eu que moro em Lisboa, apanhei-o em Faro, mas isso já não é culpa da companhia. Quando, finalmente, já não sei quantas horas depois, cheguei, concluí: os melhores aviões são aqueles que não caem.
Mesmo num voo da Ryan Air, onde as parecenças com um autocarro nos distraem, há sempre uma grande tensão entre os passageiros, principalmente na descolagem e aterragem. Já não se fazem toilettes para o passeio como outrora e a solenidade do voo desgastou-se pela recorrência, mas há sempre uma comichão na barriga que se reflecte nos olhares, significativamente diferente de quando se entra num comboio, barco ou camioneta, apesar de, nestes outros meios, os acidentes serem mais vulgares. É natural: para leigos, como eu, um monstro daqueles conseguir voar sem bater as asas parece, ainda hoje, um milagre aerodinâmico. Uma experiência suprema, em que, de forma arrogante e radical, o homem desafia os limites que a gravidade lhe impôs.
O resto já se sabe: os aviões caem, os barcos naufragam e os comboios descarrilam. Estas são apenas algumas das formas mais espectaculares de morrer. Outra, mais triste, é deitado numa cama de hospital. Agora escolham. Viver para sempre não está no menu.


Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O dever da indignação

Nunca compreendi as virtudes da neutralidade, talvez por isso ainda não tenha visitado as Suíças deste mundo. Nos tempos em que as mães portuguesas agradeciam a Salazar o alegado esforço diplomático deste para manter o país fora da II Guerra Mundial, Miguel Torga (nas páginas do seu Diário) era uma das poucas vozes que se insurgia contra esta posição, não hesitando em qualificá-la de cobarde contemplação da desgraça dos outros. A seus olhos, nada, nem sequer a penúria militar do país, justificava tão obstinado encolher de ombros ante a barbárie que se desenrolava aqui ao lado.
Num filme ainda em exibição – No Limite do Amor, de John Maybury – é a não intervenção de Dylan Thomas (na foto), também durante a II Guerra Mundial, que é questionada. Objector de consciência, o poeta ficou em Londres a emprestar eloquência a textos de propaganda patriótica e a discutir política com ocioso cinismo. O argumento do filme relaciona esta escolha com posteriores actos de cobardia de Thomas, mas, embora se possa achar a ligação abusiva, a opção de ficar em Londres, vestido como um dandy enquanto os seus compatriotas repeliam, com enorme custo, a invasão nazi, macula-lhe a biografia.
Felizmente, nem todos se permitem tão decepcionantes incoerências. José Saramago, por exemplo, não se demite de intervir social e politicamente sempre que a ocasião o reclama. Mais do que o direito à indignação, o escritor sente a intervenção pública como o dever de quem sabe que, por mérito próprio, se tornou uma voz escutada. Enquanto a União Europeia, entre a complacência e o embaraço, se ri da boçalidade de Sílvio Berlusconi, o Nobel português denuncia o modo selvático como o italiano ameaça as liberdades e direitos do indivíduo e, por arrasto, a História e Cultura. «Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país se um vómito profundo não conseguir arrancá-lo da consciência dos italianos antes que o veneno acabe corroendo as veias e destruindo o coração de uma das mais ricas culturas europeias», escreveu no El Pais. Assim mesmo, sem pruridos nem cuidados. Não estamos em tempo para eles.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Amanhã nas Bancas

JL 1010

de 17 a 30 de Junho

José António Pinto Ribeiro:A língua da Cultura
• O Acordo Ortográfico • A defesa do Português • O Instituto Camões • O futuro da Cinemateca • A reabilitação do Património • Os novos Museus e outros temas em entrevista com o ministro da Cultura

Eduardo Lourenço: Inédito(s)
Páginas do Diário • Carta melancólica aos leitores jovens do nosso País • Correspondência com Agustina

Arménio Vieira: Um inesperado Prémio Camões
Entrevista • Textos de Pires Laranjeira e Inocência Mata • Poemas inéditos

Teresa Villaverde escreve sobre Leite Derramado, de Chico Buarque

O novo romance de Mia Couto

A Correspondência de Eça em debate

Glória de Sant'Ana (1925-2009), por Eugénio Lisboa

José Sasportes: O centenário dos Ballets Russes

A autobiografia de Rui Nunes

Sábado, 6 de Junho de 2009

Para uma arqueologia da nudez

Por Vítor Oliveira Jorge





A nudez atrai? A nudez nunca é nua (ou seja, como tal não existe): o corpo sem roupas continua a ser um universo de signos. O próprio facto de um corpo se apresentar sem roupa é um trazer para a frente violento de um conjunto de signos, não os que estavam tapados (e que por só podermos entrevê-los ou adivinhá-los "funcionavam" de outra maneira), mas evidentemente os que são criados por esse destapamento. É o próprio destapamento, o seu movimento, ou intenção imaginada de tal acto acontecer, que desponta eventualmente o interesse. Um corpo desnudado não é uma verdade desvelada, é um outro tipo de encenação. Claro. Por isso o corpo do naturista, o corpo erótico e o corpo pornográfico (entre múltiplos) são coisas totalmente diferentes. Uma mulher que amamenta em público tira aos seus seios qualquer pregnância erótica, por exemplo - eis uma banalíssima ideia. E no entanto, tudo depende de quem e como olha para ela, nessa sobre-exposição de si.Não existe uma realidade feminina, existem mulheres, cada qual diferente da outra.Por isso não tem sentido por exemplo perguntar: por que atrai a nudez feminina?O que seduz é o jogo das permutações e metamorfoses, sobretudo se forem sustentadas, isto é, se uma pessoa tiver algo para além dela que valha mais que ela: é esse o foco da sedução. A sedução é uma força, num certo sentido produz-se, mas a maior parte das vezes esfarela-se no ar: não há ninguém que se deixe seduzir por aquilo que alguém pensou, sentiu, intuíu ser irresistível.A parafernália dos arranjos femininos, no seu sentido corrente (moda, roupas, sapatos, maquillage, cabeleireira, etc) sempre me fez um bocado de impressão: para quê tanto adereço em cima de algo que podia ser sedutor num sentido mais económico?... pois se uma simples reflexão genuína ou um evanescente gesto são o que nos prende e seduz... de uma forma tão subtil e fina! O mesmo à medida que observo o masculino e os seus tiques e arranjos. E quando passamos para as trans-sexualidades, bi-sexualidades, homosexualidades, fenómenos tão comuns, a estranheza (não repulsa nem menor consideração) acentua-se: é uma catadupa de máscaras, de enigmas. Não estou com isto a naturalizar a heterossexualidade e a considerar os outros fenómenos marginais; longe disso. Faz tudo parte da panóplia estranha do humano.Qual, apesar de tudo, o meu modelo de uma nudez feminina? Não tenho, é impossível definir, precisamente, tal generalidade: há uma textura e uma movimentação físicas que são algo de enigmaticamente atraente quando se apresentam desprovidas de artifícios demasiado evidentes. É no disfarce dos artifícios que está a performance perfeita, quando o artificial se cola à imagem espontânea, quando o longamente fabricado se apresenta como nu de fabricações e artificialidades: na pura presença do seu oferecimento. Mas, tal como na banal performance, ela tem sempre de ter um grão ou ruído, uma falha, um "pequeno objecto a" por onde se insinua a nossa atenção desejante. A performance perfeita é a da máquina, ou do monumento: esfria, assusta, torna impotente. Ora o acto de alguém se entregar a outra pessoa/ corpo, a essa mistura do abismo, é sempre muito complicado, é, como toda a decisão, uma loucura. Também da parte do masculino (pelo menos do masculino heterossexual em relação ao feminino do mesmo "tipo") todo o cuidado é pouco, porque qualquer objectificação do (a) outro(a) pode conduzir ao falhanço, à sobreposição da vigilância relativamente à imersão: eu não posso deitar-me ao abismo e ao mesmo tempo ficar na margem a ver-me cair. Mas isso acontece. E no homem não há modo de disfarce: não se pode encenar credivelmente um orgasmo, para ir à crueza das coisas! De modo que neste campo as mulheres têm um poder enorme.Tudo isto é complicado, e longe, bem longe, da maquínica congeminação médica ou sexológica. Um corpo nu é em princípio um evento, porque não há em geral nudez ou semi-nudez pública, excepto em certos locais designados. Mas um evento que pode ser uma catástrofe. E é dessa catástrofe, mais até do que da contaminação (esquecida lamentavelmente na nossa loucura) que temos medo, ao aproximar-nos de outrem sob a forma de corpo: que nos irá esperar? Quem (o quê) se nos entrega assim sob a forma do mais disfarçado desamparo? Quem come quem? Quem deglute quem? Este é o jogo social todo, nos seus extremos. Um jogo de poder, como sabemos há tanto tempo, dentro de uma sala forrada de espelhos, incluindo tecto e chão.




O arqueólogo Vítor Oliveira Jorge assina esta crónica mensal no Blogue de Letras

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Engenheiros do tempo desconhecido



Um conjunto de filmes em 35 milímetros, com propostas para uma ciência alternativa e revolucionária, dão corpo à exposição que João Maria Gusmão e Pedro Paiva levam à Bienal de Veneza, este ano dedicada ao tema Fazer Mundos. Trata-se da representação oficial portuguesa, patente ao público no Pavilhão da Fundação dell'Arte, entre os dias 7 de Junho e 22 de Novembro, com inauguração marcada para hoje, sexta-feira, 5.
Esta presença de João Maria Gusmão e Pedro Paiva numa das maiores iniciativas do circuito das artes plásticas é o coroar de uma crescente visibilidade internacional, confirmada pelas inúmeras mostras que apresentaram, nos últimos dois anos, em vários pontos do mundo. Experiências e Observações em Diferentes Tipos de Ar surge na sequência do projecto Abissologia, exibido na Cordoaria Nacional e na Mina Campina de Cima, em Loulé. Mantendo os mesmos pressupostos teóricos e artísticos, esta exposição convoca três dimensões, segundo o comissário Natxo Checa: «O estudo de fenómenos singulares numa tentativa de compreensão do mundo; a afeição a uma metodologia científica; e o entendimento da poesia como possibilidade de aferição de um mundo apenas parcialmente discernível». É a habitual apetência da dupla para a criação de um novo conhecimento, fundado na tradição científica e literária.
Neste caso, os artistas, nascidos em Lisboa, em 1979 e 1977, respectivamente, recuperam o dilema entre a tese de Antoine Lavoisier e a de Joseph Priestley acerca da natureza do oxigénio. De resto, o título da mostra recupera o tratado homónimo de Priestley, associando-o a uma leitura poética na busca da essência da «transmutação». «Estamos perante a construção de uma série de guiões ficcionais, de perfil literário, enraizados na observação de fenómenos particulares e no desenho de uma arquitectura filosófica própria», afirma Naxto Checa. «As propostas de João Maria Gusmão e Pedro Paiva, assentes num certo tipo de pesquisa empírica ou na especulação delirante, surgem a partir de um método racionalista que procura dar conta da excepção dos fenómenos. Mediante a sobreposição de estratos (fruto da penetração entre o literal e o metafórico), elaboram-se, ao longo da sua obra, relatos que não podem ser assumidos por um código instituído, lembrando, muitas vezes, uma compilação de factos documentados sem aparente explicação.»
É sobre este substrato teórico, criado por estes engenheiros do tempo desconhecido (aquele que a história e os vencedores não confirmaram), que assentam as obras de João Maria Gusmão e Pedro Paiva. Filmes na sua maioria, mas também instalações e fotografias, que evocam o processo que os artistas desenvolveram na criação desta ciência alternativa, que deve mais ao humor e à ironia do que ao rigor. Pois são efabulações artísticas e estéticas, em torno do invisível, do instável e do efémero. A perene matéria-prima da arte.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

A outra face do Facebook


«A cerimónia seria muito mais grandiosa se, em vez de levarem a N.ª Sr.ª Fátima ao Cristo-Rei, levassem o Cristo-Rei a Fátima.». Foi um post, até com alguma graça, colocado no Facebook, a propósito das comemorações do cinquentenário daquele monumento, inspirado no redentor do Rio de Janeiro, erigido para cumprir uma promessa: de afastar Portugal da II Guerra Mundial. E a história do post ficaria por aqui. Porque além de ter graça é totalmente verdadeiro: efectivamente, a festa seria muito mais grandiosa e o Cristo-Rei não faria mais do que retribuir a visita que a estátua original da Nossa Senhora de Fátima lhe fez, quando foi colocada a primeira pedra.
Contudo, alguém fez uma denúncia (talvez a própria Fátima), não a esse post, mas a um comentário que dizia: «Fátima! dá cá um abraço... venham daí esses ossos, mulher de deus!». Resultado: o utilizador ficou inibido de acrescentar amigos à sua lista. O que é um castigo severo para os facebookers. Eu conheço meia-dúzia de padres que ririam em alta-voz da graçola. E desconfio que os mais rígidos e ortodoxos, como o actual Papa, não pediriam a excomunhão por tão pouco. Até porque, à parte da piada ser inofensiva, Fátima, obviamente, não faz parte dos dogmas da Igreja. Não obstante, houve alguém sem graça (nem sequer divina) que se sentiu insultado e acusou este meu amigo aos administradores do condomínio. E os administradores fizeram jus à sua fama ultra-conservadora e aplicaram-lhe uma condenação sumária. Aplica-se literalmente o conselho: é preciso ter cuidado como os amigos que se escolhem. E também o outro: com amigos destes…
É tempo de parar para pensar: quem são estas pessoas que nos impõem as mais arbitrárias regras? Estes moralistas de meia-tigela que nos cortam o piu a troco de nada? Como lhes fomos dar o poder de nos controlar? Que direito tem uma plataforma destas de fazer condenações sumárias e aplicar penas por delito de opinião?
A Internet é um mundo sem regras, uma espécie de faroeste em que cada um faz o que lhe apetece. Quando um blogger insulta explicitamente alguém, por pura calúnia, accionam-se os meios ineficazes. Passado algum tempo podem fechar o site, mas nada inibe o blogger de abrir outro, duas páginas ao lado. Mas, enquanto reina este desgoverno, há uns xerifes moralistas, que se esforçam por ditar as suas próprias leis. E as pessoas, sem querer, deixam-se dominar por esta selva ideológica, perigosíssima, e muitas vezes escamoteando organizações extremistas. Quem se esconde por trás do livros dos rostos?

O homem do tanque


Ele está ali. Camisa branca. Calças azuis. Um saco na mão esquerda. A esperança em todo o corpo, a ilusão de um dia melhor, de um futuro diferente, de uma China tolerante. Ele está ali. Sozinho e destemido. Quatro tanques à sua frente. A carne contra o metal. Os ossos contra o aço. A coragem contra a força. A determinação contra a incerteza. A vida contra a morte.
Ele está ali, por pouco tempo, mas tempo suficiente para fazer tremer um regime. Tempo suficiente para o tanque militar que o ameaça começar a guinar, virar para a esquerda e para a direita, qual barata tonta sem saber o que fazer. Um homem em Tiananmen, há precisamente 20 anos, que se assinalam amanhã, quinta-feira, 4, um pouco por todo o mundo.
Como todas as imagens, o homem do tanque é alguém que extravasa a sua origem. Já não é só o chinês que luta por uma convicção, que esquece o seu eu e se entrega à Humanidade – são ambíguas as informações que se tem dele, embora se julgue que foi torturado e assassinado poucos dias depois. É daqueles que representam a insubmissão do indivíduo à máquina, ao poder, aos interesses superiores, à intolerância, à crise.
Passados 20 anos, que amanhã se recordam, quem sabe para esquecer poucos dias depois, é irónico ver neste chinês, de camisa branca, calças azuis, humilde e convicto, a representação dos milhares de desempregados que a crise – de dúbios contornos, causas pouco esclarecidas e responsáveis por identificar – atirou para a frente do tanque. Para a corrente do blindado que esmaga quotidianos e rouba esperanças. Porque nessas casas e nessas desgraças não há fotógrafo, nem You Tube para os salvar. Estão votados ao silêncio como o homem do tanque esteve mais tarde, na cela que provavelmente antecedeu o cadafalso.
As imagens são isso mesmo: símbolos. Alarmes para uma realidade que nos é vizinha. Mas símbolos como estes não se encontram nos museus. Fazem parte da arena do dia-a-dia, onde nem todos os tanques – como este, há precisamente 20 anos, em Tiananmen – evitam a morte de uma pessoa.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Colóquio sobre Daniel Faria

E agora sei que ouço as coisas devagar é o título do colóquio de evocação e escuta dedicado ao poeta Daniel Faria, que decorre a 8 e 9 de Junho, no Palacete Viscondes de Balsemão, na Praça de Carlos Alberto, no Porto. «Quando se assinalam os dez anos da morte do poeta reunimos um conjunto de especialistas e leitores privilegiados da obra de Daniel Faria que devolverão, cremos, nas mais diversas vertentes, toda a singularidade e limpidez da sua voz», afirma, ao JL, Constança Carvalho Homem, que com Francisco Fino, Francisco Topa e Joaquim Santos integra a comissão organizadora.
A sessão de abertura, a partir das 10 da manhã, conta com as intervenções de Raul Matos Fernandes, Marques dos Santos e de Francisco Topa. Religiosidade e poesia é a conferência de Fernando Guimarães que se segue. Pedra de Sísifo I, a sessão moderada por Manuel Frias Martins, terá contribuições de Celina Silva, Maria Cristina Santos e João Minhoto Marques. A sessão da tarde – Amarro dois degraus para não subir – será moderada por Rosa Maria Martelo e participam Carlos Nogueira, Marta Afonso e Francisco Saraiva Fino. Às 21 e 30, poderá ouvir-se o recital de poesia A distância que agora nos separa, com Ana Arqueiro, António Durães, Gaspar Queiroz e Sandra Andrade.
No dia 9, pelas 10 da manhã, Joaquim Santos modera Pedra de Sísifo II, com Carlos Moreira Azevedo, Rui Lage e Joana Matos Frias. Ando um pouco acima do chão e Escrevo do lado mais invisível das imagens são as sessões das 11 e 30 e 15 horas, respectivamente. O colóquio encerra com uma mesa-redonda moderada por João Minhoto Marques, com Jorge Reis-Sá, Manuel Frias Martins e Constança Carvalho Homem. O dia longo de Daniel Faria é a leitura encenada que fecha o colóquio, a partir das 18 e 30. Uma encenação de Pedro Manana, que também participa, ainda com Bruno Neiva e Helena Silva.

Nas bancas!

João Salaviza, 'Curta' de ouro

Primeira Palma de Ouro de Cannes para um português distingue realizador de Arena. Perfil, crítica ao filme, depoimentos e entrevista de Manuel Halpern

Chico Buarque: O novo romance
Leite Derramado lido por Margarida Gil dos Reis e pré-publicação

Alain Oulman: O 'reinevntor' do Fado
Textos e cartas inéditas de Amália Rodrigues e José Régio

João Bénard da Costa (1935-2009)
Textos de Mário Soares, Manoel de Oliveira, Jorge Listopad e Guilherme d'Oliveira Martins

Entrevista: Pedro Sena Lino, a revelação em prosa

Figura: Maria João Luís

A autobiografia de Bernardo Pinto de Almeida

JL/Educação: O Processo de Bolonha

Camões • Agenda Cultural

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Nós na Arte

Nós na Arte-Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea é a mostra feita em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre e o Museu da Tapeçaria de Portalegre-Guy Fino, patente no Museu da Presidência da República, até 31 de Julho.
O projecto expositivo organiza-se ao longo de três núcleos distintos: expõem-se os cartões originais dos artistas plásticos que viram as suas obras reproduzidas, os desenhos de tecelagem e o trabalho final em tapeçaria, com referências ao processo de tecelagem.
Vieira da Silva, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Júlio Resende, José de Guimarães, Carlos Botelho, Camarinha, Le Corbusier, Cargaleiro ou Rui Moreira e Rigo são alguns dos artistas representados.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Versos Olímpicos, de José Ricardo Nunes

Cerimónia de Abertura

Entram no estádio e desfilam
as delegações: uma bandeira
por país, um capitão
a comandar os implicados
no crescimento do comércio global.
Os desportistas sorriem, acenam,
cumprem à risca o seu papel de figurantes.
Digo-lhe que não sei parar as imagens.

Reina a paz e a concórdia.
Mesmo os que vieram apenas para competir,
perder, sonham com o milagre
que lhes turva os olhos de glória. E eu,
sentado neste sofá suburbano
que treme à passagem do comboio,
acredito no que lhe digo.

Lembra o comentador, algo comovido
pelas últimas notícias, que na Grécia
faziam tréguas durante os Jogos.
Alguém é dono da verdade? Resta-nos
o poder de mudar livremente de canal
ao sabor dos nossos humores tão variáveis.
Estou sempre a dizer isto à Jacinta.

O Suplente

O futebol preferia
aos livros. Mas livros depois
já não era capaz de distinguir
quem driblava, quem centrava
para dentro da área, se o remate
certeiro concluía uma jogada
ou um poema. Se não podes vencê-los
junta-te a eles. No mesmo banco
em que acompanhava os jogos
da minha equipa leria os livros.
lances e metáforas imaginados,
uma luz crua e breve.
Pois a maior parte do tempo
ficava petrificado, ausente,
como se nem sequer eu
estivesse sentado no banco
a assistir a tudo isto.

Espírito Olímpico

Há palavras que nunca servem
e palavras que se adaptam ao que pretendemos.
Talvez haja alguma apropriada para morrer.

O poeta deve procurar a palavra certa?
Deixemo-nos de conversas.
Temos à disposição palavras limpas
e palavras com restos de terra e sujidade.
Qualquer palavra se pode confundir com outra.
Já não é possível confiar em palavras.

Transferem-mos, os versos? Mundo
e condição, os versos e a vida igual
de quem os escreve, com facturas
e pequenas glórias e desumanidades,
qualquer que seja o lado da muralha.

Às vezes ouvimos mal a palavra
que traz dentro um verso. Imperfeito?
Escrevemos o que não queremos,
repetimos erros, aprendemos,
quase tudo uma questão de sorte.
Quarenta dias. Apenas quarenta dias.

Do novo livro de poemas de José Ricardo Nunes, Versos Olímpicos, uma edição da Deriva.

B, de Beckett

Quais as motivações destas personagens? O que as faz permanecer cómicas, trágicas, ridículas? Que caminhos vão percorrer? São algumas das dúvidas levantadas em B, peça a partir de textos de Samuel Beckett, que o Teatroensaio estreia hoje, quinta-feira, 28, às 21 e 30, no Blackbox, Cace Cultural do Porto (Rua do Freixo, 1071).
«Uma das grandes provas da capacidade de resistência mental e física que o ser humano tem pós o caos, o extremo acontecimento e a noção de que para além de nada ainda existe a permanência, a solitária permanência entre e sobre os cacos, são os textos de Samuel Beckett. Sim falamos sobre existencialismo, mas sobretudo sobre existência», diz o encenador Pedro Estorninho sobre B, que conta com as interpretações de Ana Vargas, Daniel Pinheiro, Inês Leite, Joana Mesquita, José Topa, Julieta Guimarães e Olinda Favas. Para ver de Quinta a Domingo, às 21 e 30, até 14 de Junho.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Rokia Traoré ao vivo



Diz que tudo começou com um som dentro da sua cabeça, um som que era uma música nova, ao mesmo tempo africana e blues e rock, mais do que lhe podia oferecer a sua guitarra acústica. Foi então que esta cantora do Mali descobriu a clássica guitarra eléctrica Gretsch. Daí surgiu uma brilhante carreira na world music, levada ainda mais longe com o mais recente álbum, Tchamantché.

Hoje, 27, às 22, na casa da Música, no Porto e amanhã, 28, às 22, no Lux, em Lisboa.

Bypass - uma nova revista

Bypass é o nome de uma nova revista, uma publicação interdisciplinar, editada por Álvaro Seiça Neves e Gaëlle Silva Marques, que convida vários autores, de diversas áreas e nacionalidades, a apresentarem um trabalho escrito/visual sobre o tema proposto para cada número. Arquitectura é o tema do número inaugural que será pré-lançado, hoje, quarta-feira, 27, pelas 19 e 30, na Fnac Chiado. Hoje será também apresentado o ciclo «BYPASSing», no qual os autores do primeiro numero farão mensalmente conferências, exposições e apresentações. Pavel Braila, artista moldavo residente em Berlim, lançará o ciclo com o vídeo Baron’s Hill e Pedro dos Reis apresentará o vídeo Stalk, com música de Draftank. Amanhã, quinta feira, 28, haverá outra apresentação da Bypass na Galeria Appleton Square (Rua Acácio Paiva, nº27 R/C. Lisboa)

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Kenneth Anger: Da magia e do oculto

Alexandre Estrela, António Poppe, Brian Butler, Jannis Varelas, Joachim Koester, John Bock, Jonathan Meese, Manuel Ocampo, Markus Selg e Tamar Guimarães são os artistas que compõem a mostra internacional Estrela Brilhante da Manhã, patente até 1 de Agosto, integrada no ciclo que a Associação Zé dos Bois está a dedicar ao realizador norte americano Kenneth Anger, uma das referências do cinema independente e undergroud.
Esta exposição sugere um percurso iniciático, pondo, num primeiro plano, a evidência dos fantasmas do humano», sugere o comissário, Natxo Checa, no texto de apresentação. «Acedemos a narrativas mediúnicas, manifestações xamânicas, construções simbólicas, figurações híbridas que sublinham o constante sentimento metafísico que o homem experiência na busca incansável do absoluto».
São trabalhos que reclamam as propriedades da magia, dos rituais e da tradição hermética, que procuram, introspectivamente, perceber os grandes mistérios da humanidade. Brian Butler propõe uma travessia do abismo, Tamar Guimarães defende que o papel do historiador é equiparável ao do médium. Também há deambulações pelos sonhos (Jannis Varelas), personagens utópicas (Jonathan Meese), críticas ao fundamentalismo religioso (Manuel Ocampo). E não faltam simulacros, por Joachim Koester, ligações entre o sagrado e o profano, por John Bock, reflexões sobre a quarta dimensão, por Markus Selg, ensaios sobre a impossibilidade de entendimento global, por António Poppe, e aproximações à temática do poder, por Alexandre Estrela.
Múltiplas abordagens (como se pode ver pelos tópicos aqui reunidos) à fascinante obra de Kenneth Anger, de quem se apresenta a curta-metragem Brush of Baphomet, inspirada na simbologia esotérica de Aleister Crowley. Uma exposição do outro mundo.

Crucificado, a partir de Natália Correia

«As igrejas não chegam para dar vazão às nossas rezas. Sairemos para a rua num cortejo, atearemos a noite com a melodia intempestiva da nossa prece popular, folclórica e pagã. Não é uma escavadora persistente que há-de abrir a nossa cova nem a santíssima trindade política que nos roubará esta loucura. Chegou finalmente o dia? Queremos cortar caminhos e amarras e rotinas. Queremos errar, porque o nosso verbo é o verbo ir. Queremos fugir a fingir que somos livres dessa cruz que carregamos. Mas prisioneiros somos nós todos ó crucificados, prisioneiros do silêncio como gatos e ratos». Palavras de Crucificado, peça escrita a partir de Memórias de Uma Tia Tonta e outros textos de Natália Correia, que se estreia na quinta d'O Bando, em Vale de Barris (Palmela), dia 28, às 22 horas. O espectáculo conta com dramaturgia e encenação de Miguel Moreira e João Brites, espaço cénico (por onde entra uma retroescavadora) de Rui Francisco e composição musical de Jorge Salgueiro. Co-produção com o Útero. Com Adelaide João, Miguel Moreira, Paula Só, Sílvia Almeida e Filipe Luz.
Crucificado estará em cena até ao solstício de Verão, dia 21 de Junho - de quinta, a domingo, sempre às 22, e passa-se ao ar livre, daí que seja aconselhavel levar agasalhos.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Passatempo: Maria João Quadros

O Blogue do JL oferece convites par o concerto de Maria João Quadros no Coliseu de Lisboa, no próximo dia 28. Para se habilitar, veja este teledisco e responda à seguinte pergunta:




video



O tema Fado Mulato, que dá nome ao disco de Maria João Quadros, tem letra de Tiago Torres da Silva. Qual é o autor da música?



a) Alain Oulman

b) Caetano Veloso

c) Sérgio Godinho

d) Zeca Baleiro



Envie a resposta para bloguejl@gmail.com

Maria João Quadros no Coliseu de Lisboa

Tito Paris e o Quarteto Luso-Tango são os convidados especiais dos concertos que Maria João Quadros vai dar no Coliseu de Lisboa (dia 28), Centro de Artes de Sines (dia 22) e Casino da Figueira da Foz (dia 30). Trata-se da apresentação ao vivo de Fado Mulato, um álbum que cruza oceanos. Concebido por Tiago Torres da Silva, que também escreveu quase todas as letras, conta com fados compostos de alguns dos mais ilustres músicos brasileiros. Entre outros, Zeca Baleiro, Chico César, Francis Hime, Ivan Lins e Olívia Byington. Além dos temas do álbum, a experiente fadista preparou um espectáculo abrangente, que passa por sonoridades de países de expressão portuguesa, como Cabo Verde, Brasil ou Moçambique. Há ainda a possibilidade de alguns músicos brasileiros estarem presentes no espectáculo do coliseu e a certeza de convidados surpresa. Recorde-se que o álbum já foi apresentado no Brasil, com recensões favoráveis na imprensa.

Sábado, 23 de Maio de 2009

Os cúmplices de Maria João Quadros

Entrevista com Tiago Torres da Silva

Tiago Torres da Silva é, neste momento, um dos mais destacados letristas da música portuguesa (e não só), com particular ênfase no fado. Foi ele que concebeu Fado Mulato, o disco em que Maria João Quadros canta fados composto por músicos brasileiros. O Blogue de Letras entrevista-o, uma semana antes do concerto da fadista, no dia 28, no Coliseu de Lisboa

Pediste a uma série de compositores brasileiros para escrever fados, que é uma música genuinamente portuguesa e lisboeta… De que forma é que os compositores brasileiros transformam o fado?

Na realidade, os compositores brasileiros só conhecem o fado de matriz amaliana e, mais do que o conhecerem a fundo, intuem um sentimento que está associado a esse fado que a Amália levou ao Brasil com tanto sucesso. O que me parece que todos estes compositores fizeram foi compor com a riqueza harmónica da MPB associando o seu próprio estilo de composição a essa coisa nostálgica que eles reconhecem no fado. Depois, eu escrevi letras impregnadas de fado, com muitas referências ao mundo fadista e isso, associado a muitas conversas que fomos tendo ao longo dos meses de composição, ajudou a situá-los numa coisa mais próxima do Fado. Foi muito curioso ver a reacção que eles tiveram ao ouvir a maria João Quadros a cantar os temas novos, porque no Brasil jamais tinham escutado uma emissão de voz como aquela que nada tem a ver com o que eles conhecem do fado.


Que surpresas estão preparadas para os concertos?

Os concertos traçam um caminho que nasce nos retiros fadistas de Lisboa, atravessam o continente africano e aportam no Brasil sem, por isso, negarem o parentesco que têm com, por exemplo, o tango. Nestes diversos lugares que vai "percorrendo", a Maria João Quadros vai encontrando cúmplices das mais variadas origens e faixas estárias. É assim que, ao palco do Coliseu, subirão o Quinteto Lusotango, o Tito Paris e o António Pinto Basto para além de... ah!, mas isso é surpresa! E que surpresa!... Quem é aficionado de fado e não estiver no Coliseu no dia 28, vai ficar a roer-se durante uns bons tempos! Podes ter a certeza!


Gravaste um disco com uma portuguesa a cantar fados brasileiros e agora vai sair um outro, da Maria Berasarte, em que escreves letras para uma «fadista» basca, que canta fado em espanhol sem guitarra portuguesa. Queres alargar as fronteiras? Tornar o fado universal? Será que tudo isto é fado?

Como sabes, o Brasil está no meu caminho há muito tempo e de tanto escrever para cantores portugueses e brasileiros, confesso que já não sei bem onde me situar. Apaixona-me o rigor poético do fado, mas sinto-me muito feliz com a liberdade que a MPB me permite. Encontrei um pequeno espaço na MPB que me dá muita alegria, porque acho que os maiores letristas da língua portuguesa se encontram no Brasil. A lista é extensíssima e encabeçada pelo Chico Buarque, mas tem também Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit, Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, etc. Fui eu que quis o Brasil no meu caminho. Trabalhei para isso e, agora, ao ouvir o que escrevo nas vozes da Maria Bethânia, do Ney Matogrosso, da Alcione, da Elba Ramalho, do Seu Jorge, da Zélia Duncan, da Olivia Byington, entre muitos outros, sei que me tornei naquilo que sempre quis ser - um escritor de uma língua mais do que um escritor de um lugar.
O disco da Maria Berasarte foi um acontecimento. Nada fiz para que acontecesse, mas a Maria, que é uma cantora extraordinária, apaixonou-se pelo Fado e veio a Portugal com o intuito de encontrar os parceiros certos para esta viagem. Quando me encontrou, pediu-me que escrevesse letras em português para ela e fui eu que lhe propus que, se era para cantar fado, tinha de cantar com as palavras que aprendeu desde criança. Eu sou um letrista de vozes, para vozes! Tento sempre escrever como se fosse o cantor que vai interpretar aquelas palavras. Por isso, fez-me sentido escrever em castelhano e foi um desafio muito grande, porque tive de comprar dicionários de rimas em espanhol, de expressões... durante meses a fio só li livros em castelhano e, por fim, escrevi aquelas letras de fados tradicionais, o que não é nada directo, porque a poesia popular portuguesa (e, por isso, quase todos os fados tradicionais) é maioritariamente em redondilha maior. E as sete sílabas não calham bem ao espanhol... tive de as fazer caber... mas acho que isto foi um episódio que eu tenho muita vontade de repetir... mas nada mais que isso...por exemplo, gostava imenso de fazer um disco com fados tradicionais em francês... e até sei quem seria a cantora...
Quanto à questão de se estas experiências são fado ou não, confesso que não me interessa muito. Eu faço o que tenho de fazer, Existe alguma coisa inominável que me impele a fazer as coisas. Por isso, do ponto de vista da intimidade, claro que isto tudo é fado. Do ponto de vista da catalogação pública, talvez nada disto seja fado. Pelo menos, para os puristas, não é, de certeza!

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

A Criação, de Haydn

No ano em que se assinalam os 200 anos da morte do compositor austríaco Joseph Haydn o Coro Sinfónico Lisboa Cantat e a Orquestra Académica Metropolitana apresentam A Criação em três concertos. Hoje, sexta-feira, 22, pelas 22 horas, na Basílica de Mafra, amanhã, sábado, pelas 21 e 30, no Mosteiro de Alcobaça e no Domingo, pelas 17, no Centro Cultural das Caldas da Rainha. Actuaram como solistas Raquel Camarinha (soprano), João Cipriano Martins (tenor) e Nuno Dias (baixo). A direcção musical está a cargo do maestro Jean-Marc Burfin.

E se a literatura salvar jornais?

Quero contar-lhe uma história. Dou-lhe dois inícios à escolha.

1. Ontem, um prédio na Avenida da Liberdade incendiou-se às 15 e 45, devido a uma fuga de gás.

2. Dar cinco passos, parar, tocar e deixar as cartas. Parecia um dia igual a tantos outros. José Santos, carteiro há mais de 20 anos na Avenida da Liberdade, deu os cinco passos de uma porta à outra, parou, mas não tocou. Cheiro de fumo.

Se escolheu a segunda hipótese, sente-se e beba um copo. Apresento-lhe o Jornalismo Literário. Não, não é jornalismo sobre literatura (como o JL tem vindo tão nobremente a fazer ao longo dos anos), mas um feliz casamento entre as duas coisas. Coisa nova em Portugal, mas que já se faz nos EUA há mais de 100 anos. Mas parece estar a florescer no nosso país, como se viu no Seminário de Jornalismo Literário dos dias 8 9, promovido por Paulo Moura, a grande referência portuguesa nesta área.
A diferença está na forma de fazer: perguntar menos, observar mais e ter um grande cuidado estético – jornalistas mais artistas que técnicos. Isto para contrapor ao jornalismo mecânico que se tornou tradição. Na era do fast-food, fast-internet, fast-pensamento, claro que vinga o fast-jornalismo. Com leads, pirâmides e, principalmente, um espremedor de sumos: quer-se o essencial, sem cascas nem caroços. Mas não nos esqueçamos que não é só o sumo que faz a laranja. Metáforas à parte, os defensores do Jornalismo Literário apresentam-no como o salvador dos jornais, que vivem tempos nada felizes, ainda mais arrastados para o fundo pela famigerada crise económica. Tentar concorrer com a televisão e, pior, com a Internet, seguindo os seus padrões – a notícia aqui e agora –, afigura-se uma clara luta inglória. Os jornais precisam de fazer diferente. Acreditando que as pessoas lêem os textos se eles forem bons, a diferença pode estar na qualidade dos escritos – contar histórias em vez de publicar relatórios policiais. Este tipo de jornalismo não se faz só em livros resultantes de dois anos na floresta Amazónica, mas requer sempre mais tempo do que o telex da Lusa. Para isso, é preciso alguma disponibilidade das redacções. No entanto, numa tentativa de salvar os jornais da extinção (e de fazer render os trocos), as redacções estão cada vez mais pequenas. Obviamente, os três jornalistas que sobram têm mais que fazer que ter conversa de barman com o carteiro. O Jornalismo Literário fica então de fora, em função das notícias que já saíram no Twitter. Ainda está aí sentado? Seguiu o raciocínio? Beba o último gole e responda-me: será que a tentativa de salvar os jornais não os está a matar mais depressa?

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Doug MacLeod ao vivo



Uma velha guitarra National e uma voz quente - não é preciso mais nada para uma noite de música dentro da mais perfeita tradição do blues. Doug MacLeod aprendeu com os mestres e é um dos últimos seguidores desse velho blues. Quando se fala dos seus concertos, a palavra que surge é (assim mesmo, no original) unforgettable.

Amanhã, às 22, no Auditório Acácio Barreiros, em Sintra.

Panos – Palcos Novos

A Culturgest recebe, a partir de amanhã, a 4ª edição deste projecto que estreia textos de grupos de teatro escolar/juvenil, pensados para serem representados por adolescentes entre os 12 e os 18 anos. As peças são escritas por Tiago Rodrigues, Miguel Castro Caldas e Abi Morgan. A proposta dos dois primeiros dramaturgos (Coro dos Maus Alunos e Numa corda, respectivamente) revolve em torno do universo escolar, enquanto a da brtânica Abi Morgan é uma história de crianças refugiandas na capital inglesa, embrenhadas no sistema mas ainda assombradas pelo passado. Cada peça sobe ao palco duas vezes, apresentadas por grupos de jovens diferentes.

Culturgest, Lisboa; sexta e sábado, às 18 e 30 e às 22; domingo, às 15 e 30 e 18 e 30

I Ciclo de Música de Câmara de Palmela

O I Ciclo de Música de Câmara em Palmela inicia-se a 23, às 22 horas, com um concerto do Ensemble CamerArte, no Conservatório Regional de Palmela (CRP). A 30, pelas 22 horas, também no CRP, tocam alunos da Escola Superior de Música de Lisboa. A organização do ciclo está a cargo da Sociedade Filarmónica Humanitária e do CRP. Entrada livre.

Pneuma, de Luís Carlos Patraquim

Pneuma

1
a fragmentária Ciência
resvalando em sua própria declinação

- na cor da corola onde
se supõe plano e inclinado o verde
s'tará a bola e a carambola? -

ou toda a cor se encurva
e a declinação regride

principio essendi

esse Ponto?

2
... de onde a palavra dança
antes da boca

um revolteio de grãos
riscando o Olho

as pálpebras da Luz
semicerrando a noite

as dunas
e o sulco da cobra lavrando
o pomar de deus

3
Que ele não queriaaaaEu sei
A geometria plana onde se escondem
Os losangos da pele

E mandou erigir as formas cónicas
E deus a gravidade à rotação
Das pirâmides

E adoptou um gato
Para desenhar o tempoaaaOnde
As mulheres se banham
Cúbicas

4
E seus panos d'agua Te alvoroçaram
E lhes apresentaste o cordeiro
Para que se cobrissem

sangue que o ar esparge

5
... quando nasceste

e o nome das dunas nómadas
subiu em haste
pelo volume eléctrico das Mães

onde repousa
entre tâmaras azuis e a folha
da Palmeira

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Querida Professora...

Quatro alunos finalistas batem à porta da professora Helena Serguéiévna. Trazem um ramo de flores, um serviço de cristal e sorrisos abertos. Vêm desejar um «Feliz aniversário» àquela mulher tristonha que vive sozinha. Espantada com tanta gentileza, a professora convida-os a entrar e a partilharem o que está no frigorífico. Um quadro feliz que não vai durar muito, pois estes intrusos só querem tirar-lhe a chave do cofre onde estão guardados os exames... Querida Professora Helena Serguéiévna, de Ludmilla Razumovskaia estreia hoje, quarta feira, 20, pelas 21 e 30, na Comuna Teatro de Pesquisa, em Lisboa. A versão cénica e a encenação são de João Mota. Com Hugo Franco, Marco Paiva, Maria Ana Filipe, Rui Neto e Tânia Alves.

Ontem não te vi no Second Life


Nunca se deve voltar a sítios onde se foi feliz. É o que se diz por aí. E com alguma razão. Mas eu não quis saber de bocas, ressuscitei o meu avatar, o Castanheira de Pêra, e regressei ao Second Life, quase dois anos depois do simulador de vida ter feito capa do JL. Os comandos estavam trôpegos nos dedos e o meu querido Castanheira, um segundo eu, parecia tão desajeitado como um principiante. Senti-me sobretudo como um emigrante que regressa à sua aldeia natal. Encontrei tudo tão mudado, como um estrangeiro na minha própria ilha, Portucalis. Dois anos no mundo virtual correspondem, pelo menos, a 20. Uma eternidade.
Ninguém, mas ninguém, nem um só dos meus amigos estavam por lá. Alguns estavam off-line (se calhar não fui na melhor hora), outros, pura e simplesmente tinham desaparecido, se evaporado ou, eventualmente, regressado à primeira vida. Eu, Castanheira de Pêra senti a solidão de um avatar perdido num arquipélago, demasiado novo para se reformar, mas demasiado velho para procurar novas amizades. Onde estariam os meus velhos amigos? Eu próprio os tinha abandonado e agora eles vingavam-se com a sua ausência. Como eram vivas aquelas festas n’O Caneco…
O Caneco, isso mesmo, fiz uma chamada de grupo para Os Amigos d’O Caneco. Após um longo silêncio, respondeu uma simpática desconhecida chamada Medeia Magne, que se dedica à construção In World (reproduzo o diálogo na íntegra já a seguir).
Descobri que a Summer e a Winter se tinham zangado (quando o Verão se zanga com o Inverno está tudo perdido). E o Caneco simplesmente desapareceu, assim como o Café Roma ou o Jardim Cinema. Portuclais, contudo, continuava lá. Mudada, vazia, mas com novas atracções. «Queres que eu te diga onde a malta agora se reúne?», pergunta-me a simpática Medeia. Claro que sim. Um dia destes passo por lá à noite. Será que ainda se lembram de mim?
Voar é como andar de bicicleta. Percorri um pouco dos céus. Fui a Bora Bora, para matar saudades, e passei pela loja da Medeia. Gostei da viagem. Enquanto rede social, o Second Life é sem dúvida a mais simpática de todas as plataformas: vasta, versátil, surpreendente. Um mundo invariavelmente novo, onde nenhum avatar se sente só.

Uma conversa de fim de tarde no Second Life





Reprodução de uma conversa no Second Life.

Nota: Para quem não sabe, O Caneco é um bar na ilha de Portucalis. Castanheirade Pera é o meu avatar.


[10:50] Castanheirade Pera: Olá!
[10:50] Medeia Magne: ol´á
[10:50] Medeia Magne: olá lol
[10:50] Castanheirade Pera: Não vinha ao SL há um ano
[10:51] Castanheirade Pera: e agora não encontro um único amigo
[10:51] Medeia Magne: lol
[10:51] Castanheirade Pera: o que aconteceu ao Caneco?
[10:51] Medeia Magne: é uma hora péssima para encontrar aguém :-)
[10:51] Medeia Magne: e além disso já muita água passou debaixo da ponte
[10:51] Medeia Magne: o caneco..... longa história
[10:52] Medeia Magne: divergências em Portucalis..... a malta separou-se toda
[10:52] Castanheirade Pera: a sério?
[10:52] Medeia Magne: mas não sei detalhes :-)
[10:52] Medeia Magne: sim, parece q sim
[10:52] Castanheirade Pera: onde estás?
[10:52] Medeia Magne: no meu sim... a construir, que é a única coisa q faço por aqui lol
[10:53] Castanheirade Pera: lol
[10:53] Castanheirade Pera: Portucalis ainda existe?
[10:53] Medeia Magne: mas psso dizer-te onde andam os outros :-)
[10:53] Medeia Magne: sim, claro que existe :-))))
[10:53] Medeia Magne: queres as landmarks de tudo?
[10:53] Castanheirade Pera: sim sff
[10:53] Medeia Magne: ok, a 1: Portucalis
[10:54] Medeia Magne: quem é q conhecias?
[10:55] Medeia Magne: tens o Sim Alma que é do TP
[10:56] Castanheirade Pera: Maria gerhardi
[10:56] Castanheirade Pera: Palup Ling
[10:56] Castanheirade Pera: Winter
[10:57] Medeia Magne: ok, a Maria presumo que continue com as suas criações...... não sei dela
[10:57] Medeia Magne: o Palup... nunca mais vi
[10:57] Medeia Magne: A winter (q se zangou com a Summer) vem cá sempre.... está em Owls Bay
[10:57] Castanheirade Pera: não posso crer
[10:57] Castanheirade Pera: zangaram-se?
[10:58] Castanheirade Pera: mas eram como irmãs
[10:58] Medeia Magne: sim, está ela, o Imso e mais alguns
[10:58] Medeia Magne: só sei q se zangaram todos..... mas detalhes.... é melhor ser a p´ropria a dar
[10:58] Castanheirade Pera: claro
[10:58] Medeia Magne: não gosto de me meter nessas cenas :-(
[10:58] Castanheirade Pera: alguém engravidou?
[10:58] Castanheirade Pera: lol
[10:58] Medeia Magne: lol
[10:59] Medeia Magne: q eu saiba não lol
[10:59] Castanheirade Pera: sinto-me como se estivesse a regressar de França
[10:59] Medeia Magne: mas aqui no sl nunca se sabe lolol
[10:59] Medeia Magne: o meu Sim..... é colado ao do TP
[11:00] Medeia Magne: não tem nada mas és bem vido :-)
[11:00] Medeia Magne: e eu agora tenho de sair :-(
[11:00] Castanheirade Pera: onrigado
[11:00] Castanheirade Pera: obrigado
[11:00] Medeia Magne: de nada..... espero que te ambientes depressa
[11:00] Medeia Magne: e logo à noite de certeza q encontras alguém :-)
[11:00] Medeia Magne: pelo menos a Winter :-)
[11:00] Castanheirade Pera: ok
[11:01] Castanheirade Pera: :-)
[11:01] Medeia Magne: :-)

Nas Bancas!

Serralves 'vintage'
Nos 20 anos da Fundação e 10 anos do Museu, reportagem e depoimentos • Entrevista com (e perfil de) António Gomes de Pinho, presidente da Fundação

Da TV aos livros
Reportagem e entrevistas com jornalistas e comunicadores que publicaram obras de «ficção» • A opinião de Miguel Real

Figura: Fernando Morais, o biógrafo biografado
Carlos Reis: A Correspondência de Eça

B Fachada: Disco 'revelação'
Ondjaki: Carta de um certo Sul

José Luís Peixoto: Cédula pessoal
A autobiografia de Luiz Francisco Rebello

Agenda Cultural

Páginas 28


Devido a uma falha técnica, a página n.º 32 do JL 1008, que hoje chega às bancas, foi impressa duas vezes, na própria página 32 e no lugar da 28. Aos leitores, as nossas desculpas. A imagem reproduz a página 28 original.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

São Tomé, Máscaras e Mitos

São Tomé, Máscaras e Mitos é o nome da exposição de fotografia com trabalhos de Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade que inaugura hoje, terça-feira, 19, pelas 19 horas, na galeria Pente 10 - Fotografia Contemporânea (Trav. da Fábrica dos Pentes, 10, Lisboa).
«Os retratos que aqui estão são encenações que convivem com outras encenações, são retratos de pessoas que fazem teatro e que aparecem com roupas de teatro, roupas de personagem de teatro. Quem vê as fotografias pode não saber de onde vêm essas roupas, essas personagens, essa fantasia; e não é preciso saber tudo. Vêm de uma história de amores, traições, mortes, de nobres e de cavaleiros, onde entra o imperador dos imperadores, porque é o imperador de todos os romances e de todas as peças de teatro, das marionetas às pessoas, da Europa a África, o imperador Carlos Magno. São personagens representadas por grupos que em S. Tomé se chamam Tragédia, grupos que tiram o seu nome daquilo que é, na tradição grega, o género teatral nobre por excelência; um género em que a felicidade e a infelicidade, o bem e o mal, os bons e os maus se encontram em equilíbrio precário, como na vida real», explica João Carneiro no catálogo da exposição que estará patente (de 3.ª a sábado, das 15 às 20) até 31 de Julho.

A nova feira do livro

Contra factos não há argumentos: a Feira do Livro foi um sucesso. As vendas subiram, os editores ficaram satisfeitos e, por uma vez e apesar da crise, queixaram-se um pouco menos do que em anos anteriores. Os novos pavilhões foram bem recebidos: 42 por cento dos e-leitores do Blogue de Letras acham-nos melhores. E 25 por cento manifestou a intenção de comprar mais do 10 livros na Feira, o que é assinalável. O que os nossos e-leitores não concordam é com o novo horário - 52 por centos preferia que, aos dias de semana, a feira estivesse aberta das 16.30 à oo.30. Fica a sugestão para o próximo ano.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

(A)tentados, de Martin Crimp

Máscara Solta, grupo de teatro da Faculdade de Letras, da Universidade do Porto, apresenta (A)tentados, de Martin Crimp. Um texto que propõe e procura uma renovação do discurso teatral não só pela ausencia de personagens em palco ou de enredo, mas também pela diversidade de cenários e de informações díspares. Há uma ausencia de certezas, um despejar de informações que se quer apelativo e que remete o espectadador para o discurso dos Media dos dias de hoje. Há uma porta para um vazio onde só pode sobreviver o jogo teatral. «Não é só representação, é algo com mais exactidão», diz o grupo de actores que tem em Beckett um mestre: «Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez». A encenação está a cargo de João Melo e conta com a participação especial do Grupo Trei Pastori. Até 23 de Maio, pelas 21 e 30, na Panmixia Associação Cultural (Rua do Freixo, nº 1071, Porto)

Urbano Tavares Rodrigues, anos 50

Uma Pedrada no Charco, As Aves da Madrugada, Bastardos do Sol e Nus e Suplicantes são os livros que compõem o segundo volume das Obras Completas de Urbano Tavares Rodrigues, que a Dom Quixote vai publicar em dez tomos.
São títulos lançados entre 1958 e 1960, numa fase particularmente profícua do autor, o que de resto sempre caracterizou a sua escrita. Uma urgência que não se espelha apenas no número de publicações, como salienta Manuel Gusmão no prefácio, mas também «na variação estilística e na amplitude temática das suas ficções que entretanto desdobram um núcleo poderoso de obsessões e mitos pessoais que se estão a constituir na altura em constantes da sua obra narrativa».
Histórias de alguém que se «sente interpelado pela situação bloqueada do seu país e do seu povo», procurando denunciá-la. Mas este já não é um Urbano Tavares Rodrigues neo-realista «canónico», acrescenta Manuel Gusmão, antes um dos autores que participa das «linhas de renovação da ficção portuguesa».

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

O terceiro policial de Dennis McShade

Com Mulher e Arma com Guitarra Espanhola a Assírio & Alvim prossegue a publicação dos romances policiais de Dinis Machado, publicados durante o Estado Novo sob o pseudónimo de Dennis McShade, ficando apenas a faltar o ainda inédito Blackpot.
O artifício era manhoso e fazia lembrar Boris Vian, que na França dos anos 40 escreveu e editou policiais negros, utilizando para isso o nome de Vernon Sullivan. Dinis Machado, que dirigia a colecção Rififi, da editora Íbis, seguiu a mesma estratégia. Sabia que a censura era apertada para os autores nacionais e para as mensagens subliminares. Fez-se passar por um escritor e um editor americanos, Dennis McShade e Matt West, respectivamente, e lá vendeu a prosa como literatura popular. E quando a tolerância do censor começou a apertar disse que era o último título do autor. Surgia assim Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, depois de Mão Direita do Diabo e Requiem para D. Quixote.
Neles se pode ver a antecâmara do seu romance maior, O Que Diz Molero: a tentação pelos mundos marginais, neste caso o do crime; pelo confronto entre narrativa e pensamento; e pelas abundantes referências culturais, que aqui dão corpo à personalidade emblemática de Peter Maynard, atirador mortífero, amante de Mozart e Debussy, leitor de Céline e de John Dos Passos.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Contrabando de Versos ou VERSschmuggel

No ano passado, a língua portuguesa foi a convidada de honra do Festival de Poesia de Berlim. Os alemães traduziram poetas portugueses; os portugueses traduziram os alemães: o resultado foi um livro de poemas bilingues, que a Sextante edita agora em Portugal. Contrabando de Versos (em alemão, VERSschmuggel) dá o mote para várias iniciativas sob o tema O Festival de Poesia de Berlim em Lisboa.
Amanhã, 15, às 18 e 30, na Casa Fernando Pessoa, haverá uma sessão de leitura e um debate sobre Poesia e Tradução, com a moderação de Maria João Cantinho e a participação de Thomas Wholfahrt e dos poetas Ana Paula Tavares, Pedro Sena-Lino, Daniel Falb, Bárbara Köhler, Ana Luísa Amaral, Luís Carlos Patraquim e Tony Tcheka. No sábado, 16, há sessão de autógrafos no stand da Sextanta na Feira do Livro, a partir das 17 e 30.

Ana Queirós ao piano

A jovem pianista Ana Queirós toca num concerto inserido na temporada da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, no Palácio dos Aciprestes, Domingo, 17, pelas 17 horas. Interpretará obras de Debussy, Janacek, Copland e de Sérgio Azevedo, que também participará no recital, com comentários sobre as diversas peças. A entrada é livre.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Guarda Sol Amarelo

Uma meditação sobre a cidade feita por 30 cabeças, 60 mãos, algumas miniaturas, umas maquetas... Assim se define Guarda-Sol Amarelo, uma criação colectiva, com encenação de Gonçalo Amorim, com estreia marcada para dia 15, às 22, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras. Telheiras, é na verdade o ponto de partida, para um «desafio de construir um espectáculo que fosse ao mesmo tempo documental, um show e uma conferência», nas palavras do encenador, que coordena pela segunda vez um projecto com o teatroàparte. As relações entre trabalho e lazer e a do actor e espectador são também a génese do trabalho que pretende abordar o 'mito do guarda sol amarelo'. Com Ana Contumélias, Ana Maria Duarte, Ana Marques da Silva, Catarina Lourenço, Catarina Ribeiro, Clara Agapito, Diana Melo, Filipe Matos, Henrique Morujo, Inês Machado, José Miguel Mendes Lopes, Leonilde Timóteo, Leonor Costa, Luís Pato, Maria do Céu Bártolo, Mariana Sousa, Miguel Gaspar, Pedro Conde, Pedro Rocha, Renato Borges, Rita Aveiro e Susana Vargas. Também dias: 16, 22, 23, 29 e 30 de Maio.

O que dói às aves, de Alice Vieira

O que dói às aves - 16

E chega um dia em que reconhecemos
finalmente
a injustiça das palavras -
exactamente as mesmas
para quem vai e para quem fica

um dia
em que não há mais passado para contar
nem mais futuro para viver

apenas uma velha cantiga de embalar
uma casa desaparecida
e este limbo ocasional
onde o corpo
espera que anoiteça

Relendo os gregos - 4

E tu perguntaste
o que de novo eu sofria
e por que de novo te chamava
e que coisas eu queria que acontecessem
no meu desvairado coração

Safo

Acenderam-se todas as luzes cruas da cidade
e as palavras acordaram mais velhas e com sabor
a camas desfeitas
e a línguas subitamente agrestes
que se encadeavam na tua boca em estranhas falas
como se tudo tivesse chegado ali sem mácula
e fosse agora preciso ensinares-me
a escrever junho com as ferozes sílabas
do que não conseguias perdoar

deixo que saias lentamente dos meus ombros
e espero que tudo o que era teu saia contigo

desabitaste de ti a minha vida
e em teu lugar há apenas
um translúcido rasto de poeira que
a brisa há-de arrastar

Aquele que o meu coração ama - 1

Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria
a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos

aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe

aquele que o meu coração ama
partiu às cegasaisem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo

Um Amor de Perdição em Debate

Um Amor de Perdição, filme de Mário Barroso, baseado na obra de Camilo, a que o JL dedicou capa recentemente, vai estar em debate sexta-feira, dia 15, no Cinema Nimas, em Lisboa
Com o tema «Transposição para a actualidade de uma obra clássica e outras adaptações cinematográficas», conta com a participação do realizador, da actriz Catarina Wallenstein e da professora Maria do Rosário Lupi. Será moderado por Ana Margarida de Carvalho.


É uma organização da Clap Filmes e do blogue Final Cut que dedica um dossier e um inquérito ao filme.


19.30 – Projecção do Filme


20.50 - Debate

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Um concerto testemunho

Das Lied von Terézin (A Canção de Terezin), do compositor alemão Franz Waxman terá a sua primeira audição em Portugal, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, a 14, às 21 horas. A peça é uma homenagem do compositor às vítimas de Auschwitz, entre as quais se encontravam vários compositores judeus. Do programa faz também parte Baal Shem, peça para violino e orquestra, de Ernest Bloch, dedicada ao fundador do ramo pietista do judaísmo, conhecido como Hassidismo. A Quinta Sinfonia, de Beethoven será a peça final. A direcção está a cargo do maestro Lawrence Foster. Com o Coro e Orquestra Gulbenkian, o Coro Infantil da Academia de Música de Santa Cecília; Alexandra Mendes, no violino, e como solista o soprano Stephanie Friede. O concerto repete a 15, às 19 horas.

Os vídeos de Daniel Blaufuks

A par da fotografia, o vídeo tem sido uma constante no percurso artístico de Daniel Blaufuks. Sinal disso é esta exposição retrospectiva, Viagens com a minha Tia, patente na Solar - Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, até 21 de Junho, em que o artista português, nascido em 1963, reúne nove trabalhos realizados nos últimos anos.



Um deles, Scratch, foi feito propositadamente para esta mostra e reflecte sobre a especificidade da película, em confronto com o digital. Os restantes são testemunhos da geografia afectiva e artística de Daniel Blaufuks, com passagens obrigatórias por Marrocos, em A Praça, pelos Estados Unidos da América, em A Perfect Day, e pela Alemanha, em Theresienstadt.
As ideias de arquivo e de memória também estão presentes nestes vídeos, num diálogo constante com a fotografia, em que a sua ascendência judia e o terror nazi têm uma presença muito forte. Um último denominador comum destas peças é a relação entre as artes plásticas, o cinema e a Literatura, em particular na obra de Georges Perec.

Fotogramas de A Praça (clicar nas imagens para aumentar).

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Workshop de Dança Contemporânea

Controlo e Liberdade é o nome do workshop de Dança Contemporânea que a bailarina, actriz e coreógrafa Paula Águas dirige nos próximos dias 16 e 17, das 11 às 15, no CACE Cultural do Porto (Rua do Freixo). «Desvender as possibilidades corporais e emocionais de cada um, disponibilizando-as para um exercício consciente de valorização da expressão individual e encontrar prazer em dirigir o movimento e usar a criatividade através da manipulação do próprio corpo» são alguns dos objectivos deste workshop, promovido pela Circolando, e destinado a todos os interessados em artes performativas. As inscrições estão abertas em http://www.circolando.com/ ou através dos telefones 225189157 ou 939482601.