«Queremos dar um novo impulso, um novo alento, um olhar contemporâneo ao teatro clássico. Por isso escolhemos a palavra Fogo! para ilustrar a 55.ª edição do Festival de Mérida. Das cinzas poderão nascer as mais belas fenix», afirma Francisco Soares, director do festival na apresentação à imprensa que fez recentemente em Lisboa. O festival abre amanhã, sábado, 27, no Teatro Romano de Mérida com uma gala de onde soará a Sinfonia n.º 1, em Ré M, 'Titan', de Gustav Mahler e se poderá ver O rapto de Proserpina, com dramaturgia e direcção de Leandre Escamilla e Manuel Vilanova, pela Companhia Xarxa Teatre. Fedra, de Eurípedes, com direcção de Miguel Narros - «quisemos muito trabalhar com ele, antes que se reforme», afirma, entre risos, Francisco Soares - sobe ao palco do Teatro Romano, numa versão flamenca onde participam os bailarinos Lola Greco, Amador Rojas, Alejandro Granados e Carmelilla Montoya (de 1 a 5 de Julho). Na programação não podia faltar «o bardo Shakespeare». Tito Andrónico foi o espectáculo escolhido e conta com a direcção de Andrés Lima (8 a 12). Considerado um dos melhores cómicos de Espanha, Rafaek Álvarez 'El Brujo' apresenta a criação El Evangelio de San Juan, onde o contacto com o público é a principal pedra de toque (15 a 19). De risos também se faz o espectáculo Os gémeos, de Platão, com direcção de Tamzin Townsend, e as interpretações de, entre outros, Marcial Álvarez e Jesús Noguero (29 de Julho, a 2 de Agosto e de 5 a 9 de Agosto) . A dança também não foi esquecida e Diana y Acteón - pas de deux de Marius Petipá, pelo Corella Ballet Castillha y León, conta com os passos do primeiro bailarino Ángel Corella, entre outros (23 a 25). Todos os espectáculos são às 23 horas. Esta 55.ª edição estende-se até 30 de Agosto - com outras peças a que iremos dando destaque. Muito tempo para descobrir que Mérida não está assim tão longe... Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Festival de Mérida
«Queremos dar um novo impulso, um novo alento, um olhar contemporâneo ao teatro clássico. Por isso escolhemos a palavra Fogo! para ilustrar a 55.ª edição do Festival de Mérida. Das cinzas poderão nascer as mais belas fenix», afirma Francisco Soares, director do festival na apresentação à imprensa que fez recentemente em Lisboa. O festival abre amanhã, sábado, 27, no Teatro Romano de Mérida com uma gala de onde soará a Sinfonia n.º 1, em Ré M, 'Titan', de Gustav Mahler e se poderá ver O rapto de Proserpina, com dramaturgia e direcção de Leandre Escamilla e Manuel Vilanova, pela Companhia Xarxa Teatre. Fedra, de Eurípedes, com direcção de Miguel Narros - «quisemos muito trabalhar com ele, antes que se reforme», afirma, entre risos, Francisco Soares - sobe ao palco do Teatro Romano, numa versão flamenca onde participam os bailarinos Lola Greco, Amador Rojas, Alejandro Granados e Carmelilla Montoya (de 1 a 5 de Julho). Na programação não podia faltar «o bardo Shakespeare». Tito Andrónico foi o espectáculo escolhido e conta com a direcção de Andrés Lima (8 a 12). Considerado um dos melhores cómicos de Espanha, Rafaek Álvarez 'El Brujo' apresenta a criação El Evangelio de San Juan, onde o contacto com o público é a principal pedra de toque (15 a 19). De risos também se faz o espectáculo Os gémeos, de Platão, com direcção de Tamzin Townsend, e as interpretações de, entre outros, Marcial Álvarez e Jesús Noguero (29 de Julho, a 2 de Agosto e de 5 a 9 de Agosto) . A dança também não foi esquecida e Diana y Acteón - pas de deux de Marius Petipá, pelo Corella Ballet Castillha y León, conta com os passos do primeiro bailarino Ángel Corella, entre outros (23 a 25). Todos os espectáculos são às 23 horas. Esta 55.ª edição estende-se até 30 de Agosto - com outras peças a que iremos dando destaque. Muito tempo para descobrir que Mérida não está assim tão longe... Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 12:09 0 comentários
Michael Jackson:apenas os negros dançam assim
Quer se queira quer não, quer se goste quer não, Michael Jackson tem um lugar na história da música pop e da cultura popular. Por inúmeros motivos. Foi o mais prodigioso menino-prodígio da música negra. Thriller é o álbum mais vendido de todos os tempos – e dada a crise e a baixa de vendas de discos tão cedo ninguém superará o record. Foi também o primeiro negro com teledisco na MTV. E, de alguma forma, com Thriller, revolucionou o conceito de teledisco, tornando-o, de forma vanguardista, não só numa importante ferramenta de marketing, mas também um objecto com pretensões artísticas.
Curiosamente, este homem, que fez com que muitos brancos quisessem ser negros, quis ele próprio tornar-se branco, num insano desafio genético. Transformou-se num monstro, mais assustador do que a personagem interpretada em Thriller. Mas, mais grave do que essa questão estética, revelou um intolerável preconceito racial, ofensivo para toda a comunidade afro-americana (e a humanidade em geral), o que talvez seja a atitude mais imperdoável da sua história. E estou certo de que se ele tivesse nascido branco não saberia dançar assim.
Publicada por Manuel Halpern em 2:32 0 comentários
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Morreu Michael Jackson
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Publicada por Manuel Halpern em 22:51 0 comentários
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Quem não falece?
Os Gato Fedorento não são músicos. Mas ao longo de alguns meses produziram os seus próprios telediscos (música de Armando Teixeira), no Zé Carlos, série marcante da televisão portuguesa. Esses telediscos, agora lançados em CD e DVD, contêm algumas pérolas de humor musical. O meu preferido é logo o primeiro, apresentado pelos Rústicos pelo epicurismo. Com uma influência directa dos Monty Python, respondem à questão: Qual é o sentido da vida? (A resposta é fácil: nenhum). E cantam alegremente sobre a morte, como o refrão: «Nós vamos todos falecer!». Ricardo Araújo Pereira disse certa vez numa entrevista que se pode brincar com tudo menos com o sagrado. Agora tudo depende do que é sagrado para cada um. Aqui, abalançam-se sobre um dos maiores tabus da humanidade de forma seca e improvável. Se há coisa na vida que não tem graça é a morte. Mas aqui rimo-nos da nossa condição humana e da crueldade realista das palavras cantadas. Um exorcismo inteligentíssimo e quase chocante… em nome da vida.
Lembra-te de comer bem,
Bober também
E rir com vontade.
Mas melhor do que isto até
É praticar a se-xualidade.
Não percas tempo na estrada,
Não serve para nada,
Evita as filas.
Arranja uma boa mulher
Ou um gajo qualquer,
Se fores larilas.
(Sabes porquê? PorqueÂ…)
Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.
Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó.
Prova o morango e a romã,
A uva, a maçã,
O figo e a cereja.
O mundo tem lindas cores
E belos odores,
Menos em Estarreja.
Tenta por todos os meios
Viver sem receios,
Não há que temer.
Quer tenhas ou não tenhas medo,
Mais tarde ou mais cedo tu vais falecer
Nós vamos todos falecer,
(Eu não vou! Olha que vais!)
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.
Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó.
Expirar, falecer, extinguir, apagar,
Cessar, fenecer, esvair, patinar,
Morrer, acabar, definhar, concluir,
Perecer, terminar, descansar, sucumbir.
(Estava a brincar!)
Nós vamos todos falecer,
Patinar, bater as botas.
Eu vou esticar o pernil,
Conviver com as minhocas.
Tu vais fechar a pestana
E fazer para sempre ó-ó.
Nós vamos passar a ser húmus,
Que é uma espécie de cocó,
Publicada por Manuel Halpern em 11:13 0 comentários
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Porque na noite terrena...
«Elas e as coisas delas/ as histórias delas/ as fotografias/ aquelas coisas que elas tinham/ mesmo que contar/ elas e as suas coisas mínimas/ nós e elas frente a frente e a falta de/ coisas para dizer/ o chegar demasiado tarde/ demasiado cedo/ tudo demasiado/ aquela vez em que chegámos finalmente a tempo/ e tu não estavas lá/ os teus restos espalhados pelo chão da cozinha/ Oh, como te dilacerámos», palavras de Porque na noite terrena sou mais fiel que um cão, a 11.ª criação do Teatro do Vestido, em cena no Teatro da Comuna, em Lisboa, até 27 de Junho (sempre às 22 horas). Tendo como ponto de partida a obra de três poetisas – Elizabeth Bishop, Marina Tsvietaieva, Margaret Atwood – a peça assume-se como a procura da expressão «a partir de», colocando em cena três personagens em confronto entre si, consigo próprias e com as três poetisas. A direcção é de Joana Craveiro, que também assina textos, tal como Inês Rosado, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro – que interpretam. Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 12:24 0 comentários
Etiquetas: Teatro
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Este tempo também é dela
Uma das mais marcantes figuras da música portuguesa contemporânea é revisitada na apresentação de uma das suas obras de teatro musical: Wom Wom Cathy. Paralelamente a esta recriação, Pedro Moreira compõe para a primeira parte do espectáculo um original a partir do imaginário da compositora. O espectáculo volta a reunir o ColecViva, grupo de teatro musical, fundado por Constança Capdeville, nos anos 80.
A direcção do projecto está a cargo de Nuno Vieira de Almeida, a cenografia e os figurinos são de José Fragateiro. Com António Sousa Dias, Carlos Martins, João Natividade, Joana Manuel, Luís Madureira, Manuel Cintra, Nuno Vieira de Almeida e Pedro Wallenstein.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 12:14 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Próximo Futuro na Gulbenkian
Música, cinema, instalações ao ar livre e encontros gastronómicos são algumas das propostas do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, que arranca sábado, 20, às 21 e 30, com um concerto pela Orquestra Gulbenkian, no anfiteatro ao ar livre da Fundação. Sob direcção do maestro Osvaldo Ferreira, poderão ouvir-se peças de George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Aaron Copland ou Astor Piazzola. A partir deste dia estarão instalados no jardim toldos que formam um ‘passeio de sombra’ e que têm inscritos poemas de autores de vários pontos do globo, dos clássicos aos contemporâneos. Safo, Jorge Luis Borges, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Philip Larkin foram alguns dos escritores escolhidos. Também para o fim-de-semana, a 21, às 19, está marcado o concerto Sublime Frequencies: Group Doueh e Omar Souleyman, com sonoridades do Sahara Ocidental e da Síria. O concerto é antecedido por uma sessão de DJs, na esplanada do jardim, e uma projecção de filmes no Centro de Arte Moderna (CAM), a partir das 17 horas, ambas com entrada livre.O Próximo Futuro é um programa que se dedica à investigação e criação artística na Europa, na América Latina, nas Caraíbas e em África, que a Gulbenkian desenvolve até ao fim de 2011, dirigido por Emílio Rui Vilar e comissariado por António Pinto Ribeiro. Ainda nesta quinzena, a 23, às 18 e 30, no CAM, conferência (com entrada livre) do ensaísta, curador e crítico de arte Nicolas Bourriaud que apresenta o conceito de «altermodernidade». O cinema é outra das apostas do Próximo Futuro, que apresenta no anfiteatro ao ar livre, até 10 de Julho, 11 filmes. A 24, serão projectados Afrique-sur-Seine, de Paulin Soumanov Vieyra e Casa de Lava, de Pedro Costa. A 25, passa Passaporte Húngaro, da realizadora brasileira Sandra Kogut, e a 26, Orfeu Negro, de Marcel Camus. Todas as sessões começam às 22 horas.
The New Electric High Life, por A. J. Holmes é o concerto que chega da Grã-Bretanha e que se pode ouvir a 27, às 21 e 30; da Argentina vêm os sons de Dema y su Orquestra Petitera, a 28, às 19. Mas nem só de cinema e música se faz o futuro e os chefes de cozinha Miguel Castro Silva e José Avillez apresentam uma série de encontros gastronómicos que podem ser saboreados na cafetaria do Museu Gulbenkian.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 13:33 0 comentários
Etiquetas: Notícias
O milagre aerodinâmico
Voei até Londres naquela que é, segundo dizem, uma das piores companhias aéreas do mundo ocidental (as linhas aéreas do Burkina Faso e a Air Namíbia batem-na aos pontos). É tão económica que os bilhetes às vezes até são de graça (pagam-se apenas as taxas), mas tudo é pretexto para cobrar uns euros. Vinte por cada mala, 10 pela bagagem de mão, 15 por cada quilo a mais, cinco para entrar primeiro no avião. Não há lugares marcados. Por isso, lá dentro, as pessoas (na maioria ingleses daqueles que vão para o Algarve) acotovelam-se para assegurar um lugar à janela. O pessoal de bordo, os mais antipáticos escolhidos a dedo, querem lá saber se as famílias vão separadas, ou se uma criança de quatro anos tem que viajar sozinha, porque não há espaço ao lado da mãe. É uma espécie de autocarro da Carris onde toda a gente tem que ir sentada. Os bancos não se reclinam, uma garrafa de água custa dois euros e pelo caminho vendem uma espécie de lotaria, alegando que é para fins humanitários. O Aeroporto de Stansted (pequenino e jeitozinho) é dos que fica mais longe da cidade. É como um lisboeta ir apanhar o avião a Leiria. Ou um portuense fazê-lo em Coimbra. A propósito, eu que moro em Lisboa, apanhei-o em Faro, mas isso já não é culpa da companhia. Quando, finalmente, já não sei quantas horas depois, cheguei, concluí: os melhores aviões são aqueles que não caem.
Mesmo num voo da Ryan Air, onde as parecenças com um autocarro nos distraem, há sempre uma grande tensão entre os passageiros, principalmente na descolagem e aterragem. Já não se fazem toilettes para o passeio como outrora e a solenidade do voo desgastou-se pela recorrência, mas há sempre uma comichão na barriga que se reflecte nos olhares, significativamente diferente de quando se entra num comboio, barco ou camioneta, apesar de, nestes outros meios, os acidentes serem mais vulgares. É natural: para leigos, como eu, um monstro daqueles conseguir voar sem bater as asas parece, ainda hoje, um milagre aerodinâmico. Uma experiência suprema, em que, de forma arrogante e radical, o homem desafia os limites que a gravidade lhe impôs.
O resto já se sabe: os aviões caem, os barcos naufragam e os comboios descarrilam. Estas são apenas algumas das formas mais espectaculares de morrer. Outra, mais triste, é deitado numa cama de hospital. Agora escolham. Viver para sempre não está no menu.
Publicada por Manuel Halpern em 9:58 0 comentários
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
O dever da indignação
Nunca compreendi as virtudes da neutralidade, talvez por isso ainda não tenha visitado as Suíças deste mundo. Nos tempos em que as mães portuguesas agradeciam a Salazar o alegado esforço diplomático deste para manter o país fora da II Guerra Mundial, Miguel Torga (nas páginas do seu Diário) era uma das poucas vozes que se insurgia contra esta posição, não hesitando em qualificá-la de cobarde contemplação da desgraça dos outros. A seus olhos, nada, nem sequer a penúria militar do país, justificava tão obstinado encolher de ombros ante a barbárie que se desenrolava aqui ao lado.
Num filme ainda em exibição – No Limite do Amor, de John Maybury – é a não intervenção de Dylan Thomas (na foto), também durante a II Guerra Mundial, que é questionada. Objector de consciência, o poeta ficou em Londres a emprestar eloquência a textos de propaganda patriótica e a discutir política com ocioso cinismo. O argumento do filme relaciona esta escolha com posteriores actos de cobardia de Thomas, mas, embora se possa achar a ligação abusiva, a opção de ficar em Londres, vestido como um dandy enquanto os seus compatriotas repeliam, com enorme custo, a invasão nazi, macula-lhe a biografia.
Felizmente, nem todos se permitem tão decepcionantes incoerências. José Saramago, por exemplo, não se demite de intervir social e politicamente sempre que a ocasião o reclama. Mais do que o direito à indignação, o escritor sente a intervenção pública como o dever de quem sabe que, por mérito próprio, se tornou uma voz escutada. Enquanto a União Europeia, entre a complacência e o embaraço, se ri da boçalidade de Sílvio Berlusconi, o Nobel português denuncia o modo selvático como o italiano ameaça as liberdades e direitos do indivíduo e, por arrasto, a História e Cultura. «Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país se um vómito profundo não conseguir arrancá-lo da consciência dos italianos antes que o veneno acabe corroendo as veias e destruindo o coração de uma das mais ricas culturas europeias», escreveu no El Pais. Assim mesmo, sem pruridos nem cuidados. Não estamos em tempo para eles.
Publicada por Maria Joao Martins em 16:08 0 comentários
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Amanhã nas Bancas
• O Acordo Ortográfico • A defesa do Português • O Instituto Camões • O futuro da Cinemateca • A reabilitação do Património • Os novos Museus e outros temas em entrevista com o ministro da Cultura
Eduardo Lourenço: Inédito(s)
Páginas do Diário • Carta melancólica aos leitores jovens do nosso País • Correspondência com Agustina
Arménio Vieira: Um inesperado Prémio Camões
Entrevista • Textos de Pires Laranjeira e Inocência Mata • Poemas inéditos
Teresa Villaverde escreve sobre Leite Derramado, de Chico Buarque
O novo romance de Mia Couto
A Correspondência de Eça em debate
Glória de Sant'Ana (1925-2009), por Eugénio Lisboa
José Sasportes: O centenário dos Ballets Russes
A autobiografia de Rui Nunes
Publicada por Manuel Halpern em 19:10 0 comentários
Etiquetas: JL
Sábado, 6 de Junho de 2009
Para uma arqueologia da nudez

Publicada por Manuel Halpern em 11:00 0 comentários
Etiquetas: Arqueologia
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Engenheiros do tempo desconhecido
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 9:00 0 comentários
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
A outra face do Facebook
Contudo, alguém fez uma denúncia (talvez a própria Fátima), não a esse post, mas a um comentário que dizia: «Fátima! dá cá um abraço... venham daí esses ossos, mulher de deus!». Resultado: o utilizador ficou inibido de acrescentar amigos à sua lista. O que é um castigo severo para os facebookers. Eu conheço meia-dúzia de padres que ririam em alta-voz da graçola. E desconfio que os mais rígidos e ortodoxos, como o actual Papa, não pediriam a excomunhão por tão pouco. Até porque, à parte da piada ser inofensiva, Fátima, obviamente, não faz parte dos dogmas da Igreja. Não obstante, houve alguém sem graça (nem sequer divina) que se sentiu insultado e acusou este meu amigo aos administradores do condomínio. E os administradores fizeram jus à sua fama ultra-conservadora e aplicaram-lhe uma condenação sumária. Aplica-se literalmente o conselho: é preciso ter cuidado como os amigos que se escolhem. E também o outro: com amigos destes…
É tempo de parar para pensar: quem são estas pessoas que nos impõem as mais arbitrárias regras? Estes moralistas de meia-tigela que nos cortam o piu a troco de nada? Como lhes fomos dar o poder de nos controlar? Que direito tem uma plataforma destas de fazer condenações sumárias e aplicar penas por delito de opinião?
A Internet é um mundo sem regras, uma espécie de faroeste em que cada um faz o que lhe apetece. Quando um blogger insulta explicitamente alguém, por pura calúnia, accionam-se os meios ineficazes. Passado algum tempo podem fechar o site, mas nada inibe o blogger de abrir outro, duas páginas ao lado. Mas, enquanto reina este desgoverno, há uns xerifes moralistas, que se esforçam por ditar as suas próprias leis. E as pessoas, sem querer, deixam-se dominar por esta selva ideológica, perigosíssima, e muitas vezes escamoteando organizações extremistas. Quem se esconde por trás do livros dos rostos?
Publicada por Manuel Halpern em 15:30 2 comentários
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O homem do tanque
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 11:43 1 comentários
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Colóquio sobre Daniel Faria
E agora sei que ouço as coisas devagar é o título do colóquio de evocação e escuta dedicado ao poeta Daniel Faria, que decorre a 8 e 9 de Junho, no Palacete Viscondes de Balsemão, na Praça de Carlos Alberto, no Porto. «Quando se assinalam os dez anos da morte do poeta reunimos um conjunto de especialistas e leitores privilegiados da obra de Daniel Faria que devolverão, cremos, nas mais diversas vertentes, toda a singularidade e limpidez da sua voz», afirma, ao JL, Constança Carvalho Homem, que com Francisco Fino, Francisco Topa e Joaquim Santos integra a comissão organizadora.
A sessão de abertura, a partir das 10 da manhã, conta com as intervenções de Raul Matos Fernandes, Marques dos Santos e de Francisco Topa. Religiosidade e poesia é a conferência de Fernando Guimarães que se segue. Pedra de Sísifo I, a sessão moderada por Manuel Frias Martins, terá contribuições de Celina Silva, Maria Cristina Santos e João Minhoto Marques. A sessão da tarde – Amarro dois degraus para não subir – será moderada por Rosa Maria Martelo e participam Carlos Nogueira, Marta Afonso e Francisco Saraiva Fino. Às 21 e 30, poderá ouvir-se o recital de poesia A distância que agora nos separa, com Ana Arqueiro, António Durães, Gaspar Queiroz e Sandra Andrade.
No dia 9, pelas 10 da manhã, Joaquim Santos modera Pedra de Sísifo II, com Carlos Moreira Azevedo, Rui Lage e Joana Matos Frias. Ando um pouco acima do chão e Escrevo do lado mais invisível das imagens são as sessões das 11 e 30 e 15 horas, respectivamente. O colóquio encerra com uma mesa-redonda moderada por João Minhoto Marques, com Jorge Reis-Sá, Manuel Frias Martins e Constança Carvalho Homem. O dia longo de Daniel Faria é a leitura encenada que fecha o colóquio, a partir das 18 e 30. Uma encenação de Pedro Manana, que também participa, ainda com Bruno Neiva e Helena Silva.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 19:00 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Nas bancas!
João Salaviza, 'Curta' de ouro
Chico Buarque: O novo romance
Leite Derramado lido por Margarida Gil dos Reis e pré-publicação
Alain Oulman: O 'reinevntor' do Fado
Textos e cartas inéditas de Amália Rodrigues e José Régio
João Bénard da Costa (1935-2009)
Entrevista: Pedro Sena Lino, a revelação em prosa
Figura: Maria João Luís
A autobiografia de Bernardo Pinto de Almeida
JL/Educação: O Processo de Bolonha
Camões • Agenda Cultural
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 15:48 0 comentários
Etiquetas: JL
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Nós na Arte
O projecto expositivo organiza-se ao longo de três núcleos distintos: expõem-se os cartões originais dos artistas plásticos que viram as suas obras reproduzidas, os desenhos de tecelagem e o trabalho final em tapeçaria, com referências ao processo de tecelagem.
Vieira da Silva, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Júlio Resende, José de Guimarães, Carlos Botelho, Camarinha, Le Corbusier, Cargaleiro ou Rui Moreira e Rigo são alguns dos artistas representados.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 21:45 0 comentários
Etiquetas: Exposições, Notícias
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Versos Olímpicos, de José Ricardo Nunes
Cerimónia de Abertura
Entram no estádio e desfilam
as delegações: uma bandeira
por país, um capitão
a comandar os implicados
no crescimento do comércio global.
Os desportistas sorriem, acenam,
cumprem à risca o seu papel de figurantes.
Digo-lhe que não sei parar as imagens.
Reina a paz e a concórdia.
Mesmo os que vieram apenas para competir,
perder, sonham com o milagre
que lhes turva os olhos de glória. E eu,
sentado neste sofá suburbano
que treme à passagem do comboio,
acredito no que lhe digo.
Lembra o comentador, algo comovido
pelas últimas notícias, que na Grécia
faziam tréguas durante os Jogos.
Alguém é dono da verdade? Resta-nos
o poder de mudar livremente de canal
ao sabor dos nossos humores tão variáveis.
Estou sempre a dizer isto à Jacinta.
O Suplente
O futebol preferia
aos livros. Mas livros depois
já não era capaz de distinguir
quem driblava, quem centrava
para dentro da área, se o remate
certeiro concluía uma jogada
ou um poema. Se não podes vencê-los
junta-te a eles. No mesmo banco
em que acompanhava os jogos
da minha equipa leria os livros.
lances e metáforas imaginados,
uma luz crua e breve.
Pois a maior parte do tempo
ficava petrificado, ausente,
como se nem sequer eu
estivesse sentado no banco
a assistir a tudo isto.
Espírito Olímpico
Há palavras que nunca servem
e palavras que se adaptam ao que pretendemos.
Talvez haja alguma apropriada para morrer.
O poeta deve procurar a palavra certa?
Deixemo-nos de conversas.
Temos à disposição palavras limpas
e palavras com restos de terra e sujidade.
Qualquer palavra se pode confundir com outra.
Já não é possível confiar em palavras.
Transferem-mos, os versos? Mundo
e condição, os versos e a vida igual
de quem os escreve, com facturas
e pequenas glórias e desumanidades,
qualquer que seja o lado da muralha.
Às vezes ouvimos mal a palavra
que traz dentro um verso. Imperfeito?
Escrevemos o que não queremos,
repetimos erros, aprendemos,
quase tudo uma questão de sorte.
Quarenta dias. Apenas quarenta dias.
Do novo livro de poemas de José Ricardo Nunes, Versos Olímpicos, uma edição da Deriva.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 14:00 1 comentários
B, de Beckett
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 11:23 1 comentários
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Rokia Traoré ao vivo
Diz que tudo começou com um som dentro da sua cabeça, um som que era uma música nova, ao mesmo tempo africana e blues e rock, mais do que lhe podia oferecer a sua guitarra acústica. Foi então que esta cantora do Mali descobriu a clássica guitarra eléctrica Gretsch. Daí surgiu uma brilhante carreira na world music, levada ainda mais longe com o mais recente álbum, Tchamantché.
Hoje, 27, às 22, na casa da Música, no Porto e amanhã, 28, às 22, no Lux, em Lisboa.
Publicada por Marta Pais Lopes em 15:43 1 comentários
Etiquetas: Música
Bypass - uma nova revista
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 10:44 0 comentários
Etiquetas: Notícias
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Kenneth Anger: Da magia e do oculto
Esta exposição sugere um percurso iniciático, pondo, num primeiro plano, a evidência dos fantasmas do humano», sugere o comissário, Natxo Checa, no texto de apresentação. «Acedemos a narrativas mediúnicas, manifestações xamânicas, construções simbólicas, figurações híbridas que sublinham o constante sentimento metafísico que o homem experiência na busca incansável do absoluto».
São trabalhos que reclamam as propriedades da magia, dos rituais e da tradição hermética, que procuram, introspectivamente, perceber os grandes mistérios da humanidade. Brian Butler propõe uma travessia do abismo, Tamar Guimarães defende que o papel do historiador é equiparável ao do médium. Também há deambulações pelos sonhos (Jannis Varelas), personagens utópicas (Jonathan Meese), críticas ao fundamentalismo religioso (Manuel Ocampo). E não faltam simulacros, por Joachim Koester, ligações entre o sagrado e o profano, por John Bock, reflexões sobre a quarta dimensão, por Markus Selg, ensaios sobre a impossibilidade de entendimento global, por António Poppe, e aproximações à temática do poder, por Alexandre Estrela.
Múltiplas abordagens (como se pode ver pelos tópicos aqui reunidos) à fascinante obra de Kenneth Anger, de quem se apresenta a curta-metragem Brush of Baphomet, inspirada na simbologia esotérica de Aleister Crowley. Uma exposição do outro mundo.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 16:43 0 comentários
Etiquetas: Arte, Exposições
Crucificado, a partir de Natália Correia
«As igrejas não chegam para dar vazão às nossas rezas. Sairemos para a rua num cortejo, atearemos a noite com a melodia intempestiva da nossa prece popular, folclórica e pagã. Não é uma escavadora persistente que há-de abrir a nossa cova nem a santíssima trindade política que nos roubará esta loucura. Chegou finalmente o dia? Queremos cortar caminhos e amarras e rotinas. Queremos errar, porque o nosso verbo é o verbo ir. Queremos fugir a fingir que somos livres dessa cruz que carregamos. Mas prisioneiros somos nós todos ó crucificados, prisioneiros do silêncio como gatos e ratos». Palavras de Crucificado, peça escrita a partir de Memórias de Uma Tia Tonta e outros textos de Natália Correia, que se estreia na quinta d'O Bando, em Vale de Barris (Palmela), dia 28, às 22 horas. O espectáculo conta com dramaturgia e encenação de Miguel Moreira e João Brites, espaço cénico (por onde entra uma retroescavadora) de Rui Francisco e composição musical de Jorge Salgueiro. Co-produção com o Útero. Com Adelaide João, Miguel Moreira, Paula Só, Sílvia Almeida e Filipe Luz.Crucificado estará em cena até ao solstício de Verão, dia 21 de Junho - de quinta, a domingo, sempre às 22, e passa-se ao ar livre, daí que seja aconselhavel levar agasalhos.
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 13:13 0 comentários
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Passatempo: Maria João Quadros
O Blogue do JL oferece convites par o concerto de Maria João Quadros no Coliseu de Lisboa, no próximo dia 28. Para se habilitar, veja este teledisco e responda à seguinte pergunta:
O tema Fado Mulato, que dá nome ao disco de Maria João Quadros, tem letra de Tiago Torres da Silva. Qual é o autor da música?
a) Alain Oulman
b) Caetano Veloso
c) Sérgio Godinho
d) Zeca Baleiro
Envie a resposta para bloguejl@gmail.com
Publicada por Manuel Halpern em 16:37 0 comentários
Etiquetas: Maria João Quadros, Música, passatempo
Maria João Quadros no Coliseu de Lisboa
Publicada por Manuel Halpern em 9:50 0 comentários
Etiquetas: Maria João Quadros, Música
Sábado, 23 de Maio de 2009
Os cúmplices de Maria João Quadros
Que surpresas estão preparadas para os concertos?
O disco da Maria Berasarte foi um acontecimento. Nada fiz para que acontecesse, mas a Maria, que é uma cantora extraordinária, apaixonou-se pelo Fado e veio a Portugal com o intuito de encontrar os parceiros certos para esta viagem. Quando me encontrou, pediu-me que escrevesse letras em português para ela e fui eu que lhe propus que, se era para cantar fado, tinha de cantar com as palavras que aprendeu desde criança. Eu sou um letrista de vozes, para vozes! Tento sempre escrever como se fosse o cantor que vai interpretar aquelas palavras. Por isso, fez-me sentido escrever em castelhano e foi um desafio muito grande, porque tive de comprar dicionários de rimas em espanhol, de expressões... durante meses a fio só li livros em castelhano e, por fim, escrevi aquelas letras de fados tradicionais, o que não é nada directo, porque a poesia popular portuguesa (e, por isso, quase todos os fados tradicionais) é maioritariamente em redondilha maior. E as sete sílabas não calham bem ao espanhol... tive de as fazer caber... mas acho que isto foi um episódio que eu tenho muita vontade de repetir... mas nada mais que isso...por exemplo, gostava imenso de fazer um disco com fados tradicionais em francês... e até sei quem seria a cantora...
Quanto à questão de se estas experiências são fado ou não, confesso que não me interessa muito. Eu faço o que tenho de fazer, Existe alguma coisa inominável que me impele a fazer as coisas. Por isso, do ponto de vista da intimidade, claro que isto tudo é fado. Do ponto de vista da catalogação pública, talvez nada disto seja fado. Pelo menos, para os puristas, não é, de certeza!
Publicada por Manuel Halpern em 10:23 1 comentários
Etiquetas: Maria João Quadros, musica
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
A Criação, de Haydn
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 11:14 0 comentários
E se a literatura salvar jornais?
Quero contar-lhe uma história. Dou-lhe dois inícios à escolha.
1. Ontem, um prédio na Avenida da Liberdade incendiou-se às 15 e 45, devido a uma fuga de gás.
2. Dar cinco passos, parar, tocar e deixar as cartas. Parecia um dia igual a tantos outros. José Santos, carteiro há mais de 20 anos na Avenida da Liberdade, deu os cinco passos de uma porta à outra, parou, mas não tocou. Cheiro de fumo.
Se escolheu a segunda hipótese, sente-se e beba um copo. Apresento-lhe o Jornalismo Literário. Não, não é jornalismo sobre literatura (como o JL tem vindo tão nobremente a fazer ao longo dos anos), mas um feliz casamento entre as duas coisas. Coisa nova em Portugal, mas que já se faz nos EUA há mais de 100 anos. Mas parece estar a florescer no nosso país, como se viu no Seminário de Jornalismo Literário dos dias 8 9, promovido por Paulo Moura, a grande referência portuguesa nesta área.
A diferença está na forma de fazer: perguntar menos, observar mais e ter um grande cuidado estético – jornalistas mais artistas que técnicos. Isto para contrapor ao jornalismo mecânico que se tornou tradição. Na era do fast-food, fast-internet, fast-pensamento, claro que vinga o fast-jornalismo. Com leads, pirâmides e, principalmente, um espremedor de sumos: quer-se o essencial, sem cascas nem caroços. Mas não nos esqueçamos que não é só o sumo que faz a laranja. Metáforas à parte, os defensores do Jornalismo Literário apresentam-no como o salvador dos jornais, que vivem tempos nada felizes, ainda mais arrastados para o fundo pela famigerada crise económica. Tentar concorrer com a televisão e, pior, com a Internet, seguindo os seus padrões – a notícia aqui e agora –, afigura-se uma clara luta inglória. Os jornais precisam de fazer diferente. Acreditando que as pessoas lêem os textos se eles forem bons, a diferença pode estar na qualidade dos escritos – contar histórias em vez de publicar relatórios policiais. Este tipo de jornalismo não se faz só em livros resultantes de dois anos na floresta Amazónica, mas requer sempre mais tempo do que o telex da Lusa. Para isso, é preciso alguma disponibilidade das redacções. No entanto, numa tentativa de salvar os jornais da extinção (e de fazer render os trocos), as redacções estão cada vez mais pequenas. Obviamente, os três jornalistas que sobram têm mais que fazer que ter conversa de barman com o carteiro. O Jornalismo Literário fica então de fora, em função das notícias que já saíram no Twitter. Ainda está aí sentado? Seguiu o raciocínio? Beba o último gole e responda-me: será que a tentativa de salvar os jornais não os está a matar mais depressa?
Publicada por Marta Pais Lopes em 9:00 6 comentários
Etiquetas: Par ou ímpar
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Doug MacLeod ao vivo
Uma velha guitarra National e uma voz quente - não é preciso mais nada para uma noite de música dentro da mais perfeita tradição do blues. Doug MacLeod aprendeu com os mestres e é um dos últimos seguidores desse velho blues. Quando se fala dos seus concertos, a palavra que surge é (assim mesmo, no original) unforgettable.
Amanhã, às 22, no Auditório Acácio Barreiros, em Sintra.
Publicada por Marta Pais Lopes em 21:30 1 comentários
Etiquetas: Música
Panos – Palcos Novos
A Culturgest recebe, a partir de amanhã, a 4ª edição deste projecto que estreia textos de grupos de teatro escolar/juvenil, pensados para serem representados por adolescentes entre os 12 e os 18 anos. As peças são escritas por Tiago Rodrigues, Miguel Castro Caldas e Abi Morgan. A proposta dos dois primeiros dramaturgos (Coro dos Maus Alunos e Numa corda, respectivamente) revolve em torno do universo escolar, enquanto a da brtânica Abi Morgan é uma história de crianças refugiandas na capital inglesa, embrenhadas no sistema mas ainda assombradas pelo passado. Cada peça sobe ao palco duas vezes, apresentadas por grupos de jovens diferentes.
Culturgest, Lisboa; sexta e sábado, às 18 e 30 e às 22; domingo, às 15 e 30 e 18 e 30
Publicada por Miguel Tasso Marques em 19:11 0 comentários
I Ciclo de Música de Câmara de Palmela
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 17:11 0 comentários
Pneuma, de Luís Carlos Patraquim
Pneuma
1
a fragmentária Ciência
resvalando em sua própria declinação
- na cor da corola onde
se supõe plano e inclinado o verde
s'tará a bola e a carambola? -
ou toda a cor se encurva
e a declinação regride
principio essendi
esse Ponto?
2
... de onde a palavra dança
antes da boca
um revolteio de grãos
riscando o Olho
as pálpebras da Luz
semicerrando a noite
as dunas
e o sulco da cobra lavrando
o pomar de deus
3
Que ele não queriaaaaEu sei
A geometria plana onde se escondem
Os losangos da pele
E mandou erigir as formas cónicas
E deus a gravidade à rotação
Das pirâmides
E adoptou um gato
Para desenhar o tempoaaaOnde
As mulheres se banham
Cúbicas
4
E seus panos d'agua Te alvoroçaram
E lhes apresentaste o cordeiro
Para que se cobrissem
sangue que o ar esparge
5
... quando nasceste
e o nome das dunas nómadas
subiu em haste
pelo volume eléctrico das Mães
onde repousa
entre tâmaras azuis e a folha
da Palmeira
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 14:47 0 comentários
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Querida Professora...
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 18:15 0 comentários
Ontem não te vi no Second Life
Ninguém, mas ninguém, nem um só dos meus amigos estavam por lá. Alguns estavam off-line (se calhar não fui na melhor hora), outros, pura e simplesmente tinham desaparecido, se evaporado ou, eventualmente, regressado à primeira vida. Eu, Castanheira de Pêra senti a solidão de um avatar perdido num arquipélago, demasiado novo para se reformar, mas demasiado velho para procurar novas amizades. Onde estariam os meus velhos amigos? Eu próprio os tinha abandonado e agora eles vingavam-se com a sua ausência. Como eram vivas aquelas festas n’O Caneco…
O Caneco, isso mesmo, fiz uma chamada de grupo para Os Amigos d’O Caneco. Após um longo silêncio, respondeu uma simpática desconhecida chamada Medeia Magne, que se dedica à construção In World (reproduzo o diálogo na íntegra já a seguir).
Descobri que a Summer e a Winter se tinham zangado (quando o Verão se zanga com o Inverno está tudo perdido). E o Caneco simplesmente desapareceu, assim como o Café Roma ou o Jardim Cinema. Portuclais, contudo, continuava lá. Mudada, vazia, mas com novas atracções. «Queres que eu te diga onde a malta agora se reúne?», pergunta-me a simpática Medeia. Claro que sim. Um dia destes passo por lá à noite. Será que ainda se lembram de mim?
Voar é como andar de bicicleta. Percorri um pouco dos céus. Fui a Bora Bora, para matar saudades, e passei pela loja da Medeia. Gostei da viagem. Enquanto rede social, o Second Life é sem dúvida a mais simpática de todas as plataformas: vasta, versátil, surpreendente. Um mundo invariavelmente novo, onde nenhum avatar se sente só.
Publicada por Manuel Halpern em 15:15 2 comentários
Etiquetas: homem do leme
Uma conversa de fim de tarde no Second Life
[10:50] Medeia Magne: ol´á
[10:50] Medeia Magne: olá lol
[10:50] Castanheirade Pera: Não vinha ao SL há um ano
[10:51] Castanheirade Pera: e agora não encontro um único amigo
[10:51] Medeia Magne: lol
[10:51] Castanheirade Pera: o que aconteceu ao Caneco?
[10:51] Medeia Magne: é uma hora péssima para encontrar aguém :-)
[10:51] Medeia Magne: e além disso já muita água passou debaixo da ponte
[10:51] Medeia Magne: o caneco..... longa história
[10:52] Medeia Magne: divergências em Portucalis..... a malta separou-se toda
[10:52] Castanheirade Pera: a sério?
[10:52] Medeia Magne: mas não sei detalhes :-)
[10:52] Medeia Magne: sim, parece q sim
[10:52] Castanheirade Pera: onde estás?
[10:52] Medeia Magne: no meu sim... a construir, que é a única coisa q faço por aqui lol
[10:53] Castanheirade Pera: lol
[10:53] Castanheirade Pera: Portucalis ainda existe?
[10:53] Medeia Magne: mas psso dizer-te onde andam os outros :-)
[10:53] Medeia Magne: sim, claro que existe :-))))
[10:53] Medeia Magne: queres as landmarks de tudo?
[10:53] Castanheirade Pera: sim sff
[10:53] Medeia Magne: ok, a 1: Portucalis
[10:54] Medeia Magne: quem é q conhecias?
[10:55] Medeia Magne: tens o Sim Alma que é do TP
[10:56] Castanheirade Pera: Maria gerhardi
[10:56] Castanheirade Pera: Palup Ling
[10:56] Castanheirade Pera: Winter
[10:57] Medeia Magne: ok, a Maria presumo que continue com as suas criações...... não sei dela
[10:57] Medeia Magne: o Palup... nunca mais vi
[10:57] Medeia Magne: A winter (q se zangou com a Summer) vem cá sempre.... está em Owls Bay
[10:57] Castanheirade Pera: não posso crer
[10:57] Castanheirade Pera: zangaram-se?
[10:58] Castanheirade Pera: mas eram como irmãs
[10:58] Medeia Magne: sim, está ela, o Imso e mais alguns
[10:58] Medeia Magne: só sei q se zangaram todos..... mas detalhes.... é melhor ser a p´ropria a dar
[10:58] Castanheirade Pera: claro
[10:58] Medeia Magne: não gosto de me meter nessas cenas :-(
[10:58] Castanheirade Pera: alguém engravidou?
[10:58] Castanheirade Pera: lol
[10:58] Medeia Magne: lol
[10:59] Medeia Magne: q eu saiba não lol
[10:59] Castanheirade Pera: sinto-me como se estivesse a regressar de França
[10:59] Medeia Magne: mas aqui no sl nunca se sabe lolol
[10:59] Medeia Magne: o meu Sim..... é colado ao do TP
[11:00] Medeia Magne: não tem nada mas és bem vido :-)
[11:00] Medeia Magne: e eu agora tenho de sair :-(
[11:00] Castanheirade Pera: onrigado
[11:00] Castanheirade Pera: obrigado
[11:00] Medeia Magne: de nada..... espero que te ambientes depressa
[11:00] Medeia Magne: e logo à noite de certeza q encontras alguém :-)
[11:00] Medeia Magne: pelo menos a Winter :-)
[11:00] Castanheirade Pera: ok
[11:01] Castanheirade Pera: :-)
[11:01] Medeia Magne: :-)
Publicada por Manuel Halpern em 15:07 2 comentários
Etiquetas: homem do leme
Nas Bancas!
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:20 2 comentários
Etiquetas: JL
Páginas 28
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 12:10 1 comentários
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
São Tomé, Máscaras e Mitos
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 16:30 0 comentários
Etiquetas: Exposições, Notícias
A nova feira do livro
Publicada por Manuel Halpern em 14:03 0 comentários
Etiquetas: Inquérito
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
(A)tentados, de Martin Crimp
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 14:00 2 comentários
Urbano Tavares Rodrigues, anos 50
Uma Pedrada no Charco, As Aves da Madrugada, Bastardos do Sol e Nus e Suplicantes são os livros que compõem o segundo volume das Obras Completas de Urbano Tavares Rodrigues, que a Dom Quixote vai publicar em dez tomos.Histórias de alguém que se «sente interpelado pela situação bloqueada do seu país e do seu povo», procurando denunciá-la. Mas este já não é um Urbano Tavares Rodrigues neo-realista «canónico», acrescenta Manuel Gusmão, antes um dos autores que participa das «linhas de renovação da ficção portuguesa».
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 10:40 0 comentários
Etiquetas: Livros
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
O terceiro policial de Dennis McShade
Com Mulher e Arma com Guitarra Espanhola a Assírio & Alvim prossegue a publicação dos romances policiais de Dinis Machado, publicados durante o Estado Novo sob o pseudónimo de Dennis McShade, ficando apenas a faltar o ainda inédito Blackpot.O artifício era manhoso e fazia lembrar Boris Vian, que na França dos anos 40 escreveu e editou policiais negros, utilizando para isso o nome de Vernon Sullivan. Dinis Machado, que dirigia a colecção Rififi, da editora Íbis, seguiu a mesma estratégia. Sabia que a censura era apertada para os autores nacionais e para as mensagens subliminares. Fez-se passar por um escritor e um editor americanos, Dennis McShade e Matt West, respectivamente, e lá vendeu a prosa como literatura popular. E quando a tolerância do censor começou a apertar disse que era o último título do autor. Surgia assim Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, depois de Mão Direita do Diabo e Requiem para D. Quixote.
Neles se pode ver a antecâmara do seu romance maior, O Que Diz Molero: a tentação pelos mundos marginais, neste caso o do crime; pelo confronto entre narrativa e pensamento; e pelas abundantes referências culturais, que aqui dão corpo à personalidade emblemática de Peter Maynard, atirador mortífero, amante de Mozart e Debussy, leitor de Céline e de John Dos Passos.
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 16:07 0 comentários
Etiquetas: Livros
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Contrabando de Versos ou VERSschmuggel
No ano passado, a língua portuguesa foi a convidada de honra do Festival de Poesia de Berlim. Os alemães traduziram poetas portugueses; os portugueses traduziram os alemães: o resultado foi um livro de poemas bilingues, que a Sextante edita agora em Portugal. Contrabando de Versos (em alemão, VERSschmuggel) dá o mote para várias iniciativas sob o tema O Festival de Poesia de Berlim em Lisboa.
Amanhã, 15, às 18 e 30, na Casa Fernando Pessoa, haverá uma sessão de leitura e um debate sobre Poesia e Tradução, com a moderação de Maria João Cantinho e a participação de Thomas Wholfahrt e dos poetas Ana Paula Tavares, Pedro Sena-Lino, Daniel Falb, Bárbara Köhler, Ana Luísa Amaral, Luís Carlos Patraquim e Tony Tcheka. No sábado, 16, há sessão de autógrafos no stand da Sextanta na Feira do Livro, a partir das 17 e 30.
Publicada por Marta Pais Lopes em 19:03 0 comentários
Etiquetas: Poesia
Ana Queirós ao piano
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 9:07 0 comentários
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Guarda Sol Amarelo
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 17:30 0 comentários
O que dói às aves, de Alice Vieira
E chega um dia em que reconhecemos
finalmente
a injustiça das palavras -
exactamente as mesmas
para quem vai e para quem fica
um dia
em que não há mais passado para contar
nem mais futuro para viver
apenas uma velha cantiga de embalar
uma casa desaparecida
e este limbo ocasional
onde o corpo
espera que anoiteça
o que de novo eu sofria
e por que de novo te chamava
e que coisas eu queria que acontecessem
no meu desvairado coração
Safo
Acenderam-se todas as luzes cruas da cidade
e as palavras acordaram mais velhas e com sabor
a camas desfeitas
e a línguas subitamente agrestes
que se encadeavam na tua boca em estranhas falas
como se tudo tivesse chegado ali sem mácula
e fosse agora preciso ensinares-me
a escrever junho com as ferozes sílabas
do que não conseguias perdoar
deixo que saias lentamente dos meus ombros
e espero que tudo o que era teu saia contigo
desabitaste de ti a minha vida
e em teu lugar há apenas
um translúcido rasto de poeira que
a brisa há-de arrastar
Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria
a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos
aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe
aquele que o meu coração ama
partiu às cegasaisem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 10:00 0 comentários
Um Amor de Perdição em Debate
Um Amor de Perdição, filme de Mário Barroso, baseado na obra de Camilo, a que o JL dedicou capa recentemente, vai estar em debate sexta-feira, dia 15, no Cinema Nimas, em LisboaPublicada por Manuel Halpern em 9:02 2 comentários
Etiquetas: Cinema
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Um concerto testemunho
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 16:32 0 comentários
Os vídeos de Daniel Blaufuks
Um deles, Scratch, foi feito propositadamente para esta mostra e reflecte sobre a especificidade da película, em confronto com o digital. Os restantes são testemunhos da geografia afectiva e artística de Daniel Blaufuks, com passagens obrigatórias por Marrocos, em A Praça, pelos Estados Unidos da América, em A Perfect Day, e pela Alemanha, em Theresienstadt.
Fotogramas de A Praça (clicar nas imagens para aumentar).
Publicada por Luís Ricardo Duarte em 13:05 0 comentários
Etiquetas: Exposições
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Workshop de Dança Contemporânea
Publicada por Francisca Cunha Rêgo em 15:42 0 comentários
Etiquetas: Notícias














