28 Fevereiro 2009

OS SLOGANS DO NOSSO ENTRETIMENTO
A NOSSA TERRA

De uns anos a esta parte, alimentamos certos dizeres para consolo do nosso egocentrismo penafidelense.

Primeiro veio a treta de Penafiel ser a capital do comércio do Vale do Sousa. Não sei em que olimpíadas ou coisa que o valha conquistamos tal título, mas o que é certo e sabido é que até nos dias de hoje, serve de arremesso político nesta santa terrinha.

Depois veio Penafiel a Terra Melhor do Mundo, fruto de um bairrismo doentio, enquanto a cidade ia perdendo serviços que a faziam respirar e rejuvenescer como o encerramento do Magistério Primário, do Quartel Militar, do Posto Médico que partiu para Milhundos e até do Hospital que saiu desta para a freguesia de Guilhufe.

Seguidamente apareceu o Sentir Penafiel. E o que é que se sente nesta cidade? Sente-se que a cidade de Penafiel está cada vez mais desertificada., com um tecido urbano envelhecido e onde até os moradores da zona do erro histórico têm que pagar uma tença à empresa privada Penafiel Parques para virem almoçar em suas casas. Com este Sentir Penafiel, dificilmente se atrai gente nova para habitar nesta zona da cidade.

Por fim apareceu a moda das Rotas.

A Rota dos Vinhos Verdes foi a primeira a dar à luz, tendo a sua “Meca” no Largo da Ajuda pelo S. Martinho na barraca da prova dos Vinhos Verdes. Pena foi que as placas que assinalavam alguns lugares de estacionamento desaparecessem com a montagem da dita barraca e até hoje ainda não tivessem sido repostas (talvez por esquecimento ou falta de tempo quem sabe, já que não acredito que seja por falta de pessoal, com tanto desempregado), levando alguns automobilistas que lá estacionaram entretanto, fossem presenteados com coimas ou entraram para a estatística dos carros mal estacionados na Zona do Erro Histórico. Pena é que este zelo diurno pelo cumprimento do código da estrada, não se verifique com a mesma assiduidade durante a noite. Eles lá sabem porquê?

A segunda Rota foi a da lampreia a qual já chegou a ir até à Galiza. O engraçado é que logo agora que a lampreia já não se apanha em Entre-os-Rios é que andamos a apregoar uma gastronomia cujo principal ingrediente vem de outras paragens.

A última Rota foi baptizada por Rota do Românico. Para já, teve o condão de recuperar certos monumentos, o que só por si já é bom. No entanto, apesar das muitas tabuletas de sinalização da Rota do Românico que se espalharam pelas estradas do concelho, para já não foram suficientes para atrair um número significativo de turistas a Penafiel.

Se há mais de quinhentos anos fomos à Índia na Rota dos Descobrimentos, ainda hoje como se vê, não perdemos esta apetência para estas coisas, inventando novas Rotas.

Apesar de toda a pompa e circunstância que se ponham nestas novas rotas, estou em crer que no topo da atracção de pessoas à nossa terra, continua a ser A Tasca dos Campeões em Irivo, do Ramirinho em Pieres ou dos Três Migueis em Oldrões, que apenas utilizando a célebre cartilha do passa a palavra de cada cliente, na sua Rota das Comezainas, sem gastar um cêntimo ao erário público.

Fernando José de Oliveira

17 Novembro 2008

FOTO - QUADRAS


S. MARTINHO SABES BEM
O QUE DIZ A VOZ CORRENTE
QUE PENAFIEL JÁ TEM
UM ESCRITOR PRESIDENTE


DO SOUSA AO CAVALUM
SÃO TERRAS DE S. MARTINHO
A COR VERDE É MAIS COMUM
DESDE A PAISAGEM AO VINHO


S. MARTINHO ANDA VER
NO TEU DIA A PROCISSÃO
COM ANJINHOS A VALER
E DE CANECA NA MÃO

30 Agosto 2008

A PROCISSÃO DE SÃO ROQUE

A PROCISSÃO DE SÃO ROQUE
A Nossa Gente

(Fotos cedidas pelo amigo Carlos Alberto)

Decorria o ano de 1755, e uma epidemia percorria e devastava as terras de Arrifana. Quando um familiar era contaminado pela peste, o mesmo era isolado e afastado para não propagar a doença aos restantes membros da família.

Estes, eram depositados ao largo da Capela de São Roque, à espera de um milagre do santo protector da peste, e ali ficavam entregues aos cuidados de Frei António da Ressurreição, que diariamente recolhia bens e alimentos para os tratar e alimentar, como lhes administrava os últimos sacramentos e quando estes faleciam os enterrava enchendo aquele sítio de almas.

Também ele, Frei António da Ressurreição, viria a falecer com a doença encontrando-se sepultado no sarcófago de granito que se encontra nas traseiras da capela.

Como se vê, aquilo que hoje é motivo de festa teve outrora sentimentos completamente opostos, pois as raízes desta devoção a S. Roque encontram-se no calvário de dor e morte de muitos dos nossos antepassados.

Apesar do sol que se fazia sentir no dia 17 de Agosto de 2008, mais convidativo para o lazer, ao final da tarde assisti a um momento de fé que foi a procissão de S. Roque.Homens trajando a opa da confraria de S. Roque, subiram as ruas do Carmo, Sacramento, Bom Retiro, Conde de Ferreira, entrando na Avenida Sacadura Cabral, Praça Municipal, Rua Dr. Joaquim Cotta, até ao Largo da Ajuda, onde a procissão começa o regresso em direcção à capela de S. Roque pela Rua do Paço, Rua Araújo e Silva, Rua Direita, Carmo e Avenida de S. Roque, levando aos ombros os pesados andores de S. Roque, S. Sebastião, Santa Luzia e um outro de tamanho mais reduzido de Nossa Senhora de Fátima transportado por senhoras, isto para além dos figurantes e até porque não uma palavra de apreço a Monsenhor Gabriel da Costa Maia que apesar da sua idade, não deixou de incorporar a procissão e percorrer esta longa distância.

Apesar de todo o cansaço ser espelhado nos rostos de todas estas pessoas que incorporaram a procissão de S. Roque, a mesma consegue manter ao longo de todo o percurso uma organização tal, ficando neste capítulo muitos pontos à frente de algumas procissões que apesar da sua grandiosidade, desfilam pelas ruas da cidade de Penafiel, sem rei nem roque.

07 Julho 2008

O ÚLTIMO CALDEIREIRO

JOAQUIM FERNANDO FREITAS DE MACEDO
O ÚLTIMO CALDEI
REIRO

Joaquim Fernando Freitas de Macedo, é o último caldeireiro na cidade de Penafiel.

Longe vai o tempo em que a sinfonia cadenciada do martelo sobre o metal se fazia ouvir desde a Rua Serpa Pinto hoje Joaquim Cotta, até à Rua Alfredo Pereira.

O nosso amigo Macedo como é conhecido na cidade, mal saía das aulas ia para junto do pai aprendendo desde tenra idade esta arte.

Nesses tempos, quem conseguia a 4ª classe procurava matricular-se num emprego e nele fazia o seu curso superior, aprendendo a arte da melhor maneira para ir subindo na hierarquia da casa, até ao topo. Foi assim o seu percurso e o do mestre seu pai José Carvalho de Macedo no caldeireiro Cunha.

Certo dia, seu pai resolveu montar a sua própria loja oficina, onde reparava e vendia pulverizadores, montando e reparando alambiques que funcionavam em algumas quintas para destilar o vinho ou bagaço para produzir aguardente.

Escusado será dizer, que muito antes do aparecimento da ASAE, mas com a política dos subsídios para acabar de vez com a agricultura nacional, verificou-se o abandono dos campos, e todas estas alfaias passaram a peças de museu se não mesmo de sucata.

Com o falecimento de seu pai, encerrou a loja de venda ao público situada na Rua Alfredo Pereira, que mais por uma questão de teimosia, o amigo José Macedo mantinha as portas abertas, já que monetariamente há muito que a mesma não era viável.

Agora dá apoio aos seus antigos clientes que durante décadas soube cativar e manter através do seu brio profissional e da categoria do seu trabalho.

Tal como toda a família, é devoto de Nossa Senhora da Ajuda, sendo Joaquim Fernando Freitas de Macedo o confrade nº 137 da dita confraria, e onde seu pai exerceu a função de tesoureiro durante vários anos.

Sempre que as opas da Confraria de Nossa Senhora da Ajuda, se fazem representar em alguma procissão, é ele o porta-bandeira da Confraria de Nossa Senhora da Ajuda.

São estes Homens com estórias de vida, que desde meninos estão habituados a esquecer os seus sonhos ou adiá-los, que qualquer terra se deve orgulhar de os possuir.

28 Maio 2008

O BAILE DOS PEDREIROS

O BAILE DOS PEDREIROS
(A Nossa Gente)

Longe vão os tempos em que as artes e ofícios se faziam sentir em Penafiel.

Cada arte como os alfaiates, sapateiros, ferreiros, etc. tinha orgulho em apresentar o seu baile, nas ruas da velha e linda Arrifana de Sousa, no dia do Corpo de Deus, também designado por Festas da Cidade de Penafiel.

Pouco a pouco, todos foram desaparecendo, apenas resistindo a este tsunami cultural o Baile dos Ferreiros.

Por isso, foi com grande alegria que na tarde de 22 de Maio de 2008, tive a sorte de presenciar a actuação do reaparecido Baile dos Pedreiros em plena avenida Sacadura Cabral.

Não faço a mínima ideia se algum dos seus membros exerce a profissão de pedreiro que para o caso pouco importa, pois só o ressurgir de novo desta tradição, já valeu a pena.

Pela alegria que os seus rostos deixavam transbordar durante a sua exibição, desde o Mestre aos Oficiais, do Meirinho à Mestra e desta ao Rapaz dos Picos, prevejo uma grande longevidade ao Baile dos Pedreiros.

A todos que em boa hora fizeram renascer o Baile dos Pedreiros, aqui fica a minha singela homenagem e os meus sinceros parabéns.

….. …. …. …. …. …. …. …. ….

Oficiais

Senhor Mestre não tome obra
Sem primeiro nos pagar,
Q’andamos há nove meses
Sem real arrecadar

Mestre

(Fazendo menção de bater com a régua)

Deito a Christo! Quem me acode?
Que me vejo enfadado,
Que me dizem os meus pedreiros
Que eu não tenho pago

Meirinho (intervindo)

Está preso, seu marotão!
Adiante do sr. meirinho
Por fazer tal desatenção.

Mestra (Chora e pede ao meirinho que o solte)

Valha-te Deus! meu marido,
Que te não posso valer,
Que te vejo agarrado
Como os que vão a vender.

…. …. …. …. …. …. …. …. …. ….

Rapaz dos Picos (passeando no meio do baile)

Deus vos salve, oficiais,
Já que estais a merendar,
Venho buscar os picões
Se os mandais aguçar.

Oficiais

Vai com deus! Rapaz dos picos,
Passeando pelo meio,
Ficamos-te agradecidos,
Por agora remedeio.

Mestra

Comei, comei: que vos preste!
Graças vamos nós a dar,
P’ra no fim fazermos contas
Para vos tudo pagar,
Milagroso Corpus Christi
Vimos hoje a festejar.

25 Abril 2008

2º ANIVERSÁRIO

À CIDADE DE ABRIL
(A Nossa Terra)

Invadimos ruas e praças
A transbordar de alegria
Entrelaçados nos ideais
Da justiça e do amorPercorremos os caminhos
Muitos deles ao engano
Cansados de tanta andança
Voltamos ao sonho
Com os cravos da esperança

Havemos de voltar
Com bandeiras desfraldadas
À cidade de ABRIL
Todos juntos de mãos dadas

09 Abril 2008

SENTIR PENAFIEL VERDE

SENTIR PENAFIEL VERDE
POUPE A DESPERDIÇAR ÁGUA
(A NOSSA TERRA)


Todos sabemos que a água é um bem precioso para a vida. Governos e Organizações Não Governamentais têm vindo a alertar que a quantidade de água potável disponível no planeta Terra, está diminuindo a uma velocidade tal, que metade da população mundial poderá ficar sem água suficiente para sobreviver dentro de vinte e cinco anos.

A UNESCO, aponta como primeira solução economizar água quanto puder evitando o seu desperdício.

Assim não entende a Penafiel Verde, EM criada para gerir e explorar os sistemas municipais de abastecimento de água e de drenagem e tratamento de águas residuais no município de Penafiel.

Num liberalismo “ortodoxo”, ultrapassando pela esquerda e pela direita a máxima do “utilizador pagador”, a Penafiel Verde resolveu taxar o Tratamento de Águas Residuais Doméstico com 5€, todo o consumidor que não gaste água nesse mês. Assim, o consumidor que se ausente de férias, que vá ganhar o pão-nosso de cada dia noutro país, está a pagar um serviço que não usufruiu. Para tornear esta taxa, o que o cidadão penafidelense tem a fazer, é pedir a uma pessoa da sua confiança que lhe abra uma torneira mensalmente (desperdiçando água) para consumir um metro cúbico de água, pagando apenas 0.52€ pelo m3 de água, e 0.36€ de Taxa Tratamento Águas Residuais, em vez dos 5€, poupando deste modo o consumidor 4.12€ por mês.

Agora pergunto eu:

- Será legal pagar-se um serviço que não se usufruiu?

Talvez a DECO ou o Ministério do Ambiente saibam a resposta, mas que é uma ideia de se lhe tirar o chapéu para meter a mão nos bolsos dos consumidores disso não tenho dúvidas, só que com esta medida, a Penafiel Verde contribui para o desperdício do ouro do século XXI que dá pelo nome de água.