| ABRUPTO |
semper idem Ano VI ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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22.6.09
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O CONSELHO EUROPEU E AS MATÉRIAS QUE "PREOCUPAM O POVO IRLANDÊS" O Conselho Europeu reuniu-se há alguns dias. Entre as decisões tomadas, os Chefes de Estado e de Governo reunidos no Conselho Europeu adotaram uma decisão que é suposta dar garantias sobre matérias que "preocupam o povo irlandês" e abrir caminho a um novo referendo do tratado de Lisboa. Essas matérias dizem respeito ao direito à vida, família e educação, à tributação, e à segurança e defesa. Até aqui parece-me bem, independentemente do que cada um de nós pensa do dito tratado. Mas, nas suas conclusões, o Conselho afirmou que a dita decisão não era somente uma declaração política, mas que era "juridicamente vinculativa". E eu pergunto uma pergunta que até agora não vi, nem ouvi nenhum comentador, professor de Direito ou jornalista perguntar. Qual é a base legal dessa decisão "juridicamente vinculativa"? É que a decisão propriamente dita não o indica. De fato, tal base legal não existe. Ou seja a decisão é efetivamente juridicamente inexistente face o direito europeu em vigor, inexistente face aos direito nacionais e logo inconstitucional. Não discuto o conteúdo da dita decisão; não é esse o ponto. Se fosse uma simples declaração política, nada eu teria a acrescentar. O problema é a afirmação que a decisão é "juridicamente vinculativa." E o Conselho Europeu sabe bem que a sua decisão que se afirma "juridicamente vinculativa" não o é. Por isso se comprometeram (mas este compromisso é puramente político e não "juridicamente vinculativo") a que no momento da conclusão do próximo Tratado de Adesão, as disposições da dita decisão sejam incluídas num Protocolo a anexar ao Tratado da União Europeia e ao Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Ora, se a dita decisão é "juridicamente vinculativa" porque precisa ela de vir a ser incluída num protocolo a anexar aos tratados no futuro? Ou seja, a dita declaração não carece de nova ratificação, dizem eles; mas virá a ser ratificada disfarçadamente quando se discutir a adesão da Croácia ou da Islândia. Mesmo a um europeísta e federalista como eu, isto cheira a esturro. (Pedro Ferreira) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (101): VOLTARAM OS MOMENTOS CHÁVEZ... ... às televisões. Na RTP como é costume, propaganda transmitida ipsis verbis, sem qualquer mediação jornalística. Nas outras (não vi) não deve ser muito melhor, embora com menos tempo. A coisa já vem formatada para passar nos ecrãs sem mediação. O jornalismo português acha normal passar comícios e propaganda todos os dias, ao sabor da programação feita pelos assessores e pelas agências de comunicação. Está bem, é o ar do tempo.
![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. (url) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (100): SEMPRE QUE SE GANHA PERDE-SE ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Na semana em que a suspensão das grandes obras públicas se concretizou, como fora exigido por Manuela Ferreira Leite, antes das eleições, e Paulo Rangel na noite das eleições; na semana em que um manifesto de economistas independentes, do PS e do PSD, reproduz as preocupações que, há mais de um ano, Manuela Ferreira Leite expressou sobre os investimentos megalómanos que estavam a ser prometidos com o país endividado, o Expresso entende que Manuela Ferreira Leite deve ficar em baixo por isso mesmo. Em vez de premiar ou castigar o que acontecera na semana anterior baseado nos resultados, Manuela Ferreira Leite é castigada pelo "problema" que os resultados irão trazer no futuro. É um bocado como se Manuela Ferreira Leite tivesse ganho as eleições legislativas e tivesse a sua seta para baixo pelos "problemas" que vai ter como Primeiro-ministro. Mas, é assim que se fazem as coisas...* Outra do mesmo Expresso é esta apologia do novo porta-voz do PS, de que aqui coloco apenas a introdução, porque o resto do artigo é puramente apologético e bem podia ter sido feito por uma agência de imagem. Claro que o jornalista esqueceu-se daquilo que Filipe Nunes Vicente lembrou no Mar Salgado: este é o homem que entendia que escrituras públicas eram afinal privadas. É como se tudo isto fosse feito na base do conhecimento próximo e das opiniões de meia dúzia de pessoas do PS, que inclui jornalistas e ex-jornalistas, hoje assessores ligados a António Costa, sem nenhuma consulta a arquivo, sem qualquer memória seja lá do que for. Até a promoção "geracional", um mecanismo que tem escapado à análise, e que tem a ver com a competição política no interior dos partidos por carreiras e lugares, lá vem en passant. O resultado é que a personagem torna-se a "imagem" que se quer dele dar e não um agente político concreto, com actos e comportamentos já conhecidos. * Veja o que encontrei aqui neste blog e que o autor intitula "Pérolas da imprensa de referência" e que inclui a manipulação pelo jornal do título da entrevista de Menezes e outros exemplos, todos do mesmo dia:Quem tem princípios passa fome... (Pedro M. Silveira) * Curiosa, essa sua referência à promoção “geracional”. Veio substanciar uma impressão que se me vinha ultimamente a acumular resultante de alguns factos avulsos que, se calhar, não são avulsos. (url) (url) I will tell you what I will do and what I will not do. I will not serve that in which I no longer believe, whether it call itself my home, my fatherland, or my church: and I will try to express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my defence the only arms I allow myself to use — silence, exile and cunning. ( James Joyce) (url)
At this point I reveal myself in my true colours, as a stick-in-the-mud. . . . I believe that order is better than chaos, creation better than destruction. I prefer gentleness to violence, forgiveness to vendetta. On the whole I think that knowledge is preferable to ignorance, and I am sure that human sympathy is more valuable than ideology. I believe that in spite of the recent triumphs of science, men haven’t changed much in the last two thousand years; and in consequence we must still try to learn from history. History is ourselves. I also hold one or two beliefs that are more difficult to put shortly. For example, I believe in courtesy, the ritual by which we avoid hurting other people’s feelings by satisfying our own egos. And I think we should remember that we are part of a great whole, which for convenience we call nature. All living things are our brothers and sisters. Above all, I believe in the God-given genius of certain individuals, and I value a society that makes their existence possible. . . .
(Kenneth Clark) Aqui. (url) (url) (url) 21.6.09
ENTRE O "ANIMAL FEROZ" E MANSO CORDEIRO O José Sócrates manso, humilde, penitente, da entrevista que deu à SIC, e que a jornalista permitiu com demasiada complacência, é um mau produto de marketing que não durará muito. É interessante até ver como uma série de fugas relatadas no Diário de Notícias, raras por serem da cozinha interior da política "socrática", foram imediatamente feitas para distanciar a agência de comunicação que trabalha com ele, a LPM, daquilo que foi atribuído a um trabalho amador dos seus assessores: fazer do "animal feroz" um manso cordeiro. Não sei se foi assim porque, dada a natureza profissional de todas estas fugas e contrafugas, não acredito numa só linha sobre a realidade do que relatam, embora me interesse o que pretendem sugerir. Eu sei que é sugestio falsi, mas tem interesse saber que fast food estão a pôr no meu prato mediático. Neste mundo de ficções, que é hoje a política-espectáculo, tem que se ter, como um centípede, 99 pés atrás e só um à frente, para balanço.Seja como for, os conselheiros e a agência dir-lhe-ão em breve que a coisa não pega e é contraproducente, pelo que voltará de novo o "animal feroz" que é mais compatível com o inner self do actor que todos conhecemos como José Sócrates, actual primeiro-ministro de Portugal. Haverá retoques na forma de ferocidade do "animal", mas será por aí que a coisa vai ir, uma vez estabilizada uma estratégia de marketing, já que a anterior ruiu no dia das eleições para o Parlamento Europeu. Seja dito, de passagem, que entre os grandes perdedores dessa noite estão as agências de comunicação, aquelas que tratam os políticos como "marcas", e os políticos que assim se deixam reduzir a um produto de compra e venda. Voltando a José Sócrates, a personagem interessa por duas razões. Uma, é que a bipolarização que existe de facto em Portugal não é entre o PS e o PSD, nem entre a esquerda e a direita, é a favor ou contra José Sócrates. A segunda razão é porque ele é, em muitos aspectos, um produto típico do tempo. Não é único - as mesmas incubadoras que o produziram, as "jotas" partidárias, agora complementadas pelas carreiras políticas de blogue, Facebook e Twitter (com uma enorme capacidade de reproduzirem na Rede os piores defeitos das políticas das "jotas"), estão a gerar outros produtos do mesmo tipo. Gente ambiciosa, muito ambiciosa, com pouca "virtude", com poucas leituras e muita televisão e computador, deslumbrada pelos gadgets, movendo-se com à-vontade entre jornalistas e empresários, sem "vida" nem biografia e pensando a política como pouco mais do que uma forma elaborada de marketing. Depois, como estamos em Portugal, o grosso do "trabalho" está na "gestão da carreira", em milhares de telefonemas, muita intriga e "imagem". Depois, há uns melhores do que outros e Sócrates, dentro da espécie, aprendeu melhor e com mais eficácia. E teve sorte, apareceu-lhe uma causa, a co-incineração, com todas as vantagens de lhe ter permitido a suprema ambição deste tipo de políticos: "ter protagonismo". O caso da co-incineração foi fundamental na educação política do primeiro-ministro, penso até que o mais decisivo nessa educação. José Sócrates percebeu que fazer a ficção da autoridade, ser actor da autoridade, podia dividir e irritar, mas que o lado que estimava a exibição da força e da determinação era sempre muito maior do que o que o criticava pela obstinação. Trouxe essa lição para o início do seu Governo com sucesso e depois estragou tudo. Não porque não "dialogasse", mas sim porque deitou fora o menino e a água do banho, não percebeu que uma reforma precisa de aliados no interior de qualquer grupo profissional, mesmo que minoritários, e ele descambou no populismo fácil de colocar grupos profissionais uns contra os outros. Tornou-os, mesmo quando ainda não o eram, em corporações entrincheiradas e depois, quando percebeu os custos, recuou. Fez a ficção das reformas, mas não era, nem é, um verdadeiro reformista. Medeiros Ferreira chamou-lhe "pagão" e, num certo sentido, tem razão porque estas personagens representam uma forma moderna de "paganismo". José Sócrates tem semelhanças com algumas personagens menores da antiguidade, que em certos períodos da história de Roma tiveram o seu papel: Sejano, por exemplo, ou alguns imperadores pretorianos. Se olharmos para Sejano, o meu primeiro exemplo, percebe-se melhor. O verdadeiro criador da Guarda Pretoriana como força política, o homem que governava Roma com brutalidade, enquanto Tibério se entretinha em Capri a nadar com os seus "golfinhos", acabou mal, mas mandou muito enquanto pôde. O "paganismo" era no fundo pouco mais do que crueldade, alguma capacidade de organização (uma qualidade rara em Portugal), uma falta completa de escrúpulos e um certo instinto de sobrevivência e intriga. Em Roma essa intriga permanente fazia-se com mulheres, filhos, família e veneno real, hoje faz-se com jornais, blogues e veneno virtual. Sejano também era na época uma espécie de "animal feroz", só que não havia assessores de marketing para o amansar e acabou executado mais a família às ordens de Tibério. Há também algo de artificial no Sócrates "animal feroz", algo de construído pelo próprio, depois ampliado pela máquina de propaganda gigantesca que ninguém antes dele tinha criado à volta de um primeiro-ministro. A verdade é que este "animal feroz" mostrou-se muitas vezes bem menos "feroz" do que se pensa. Sempre que via os votos a voarem pela janela e a perspectiva de sarilhos a sério, a ferocidade diminuía exponencialmente. Foi o caso da defenestração do ministro da Saúde e da actuação do Governo face aos pescadores bloqueando as lotas e os camionistas bloqueando o país. Na verdade, mesmo o argumento de que Sócrates sempre apoiou a ministra da Educação, contra a luta dos professores, que assumiu uma dimensão de guerra total e que certamente lhe acabou por retirar muitos votos, não colhe. Sócrates convenceu-se, e bem, de que, enquanto contra o ministro da Saúde estava o "povo" e não os médicos, contra a ministra da Educação estavam os professores mas não o "povo". Por isso, afastou o primeiro e deu cobertura política à segunda. Só que não percebeu que no contexto de um crescendo de conflitualidade, que ia muito para além dos professores, a irritação acabou por funcionar num sistema de vasos comunicantes e, no voto, o "povo" acabou por aceitar que professores na rua era bom porque era "contra Sócrates". E contra Sócrates, valia tudo. O que aconteceu, e torna qualquer governo de José Sócrates a mais instável das soluções políticas, é que foi à sua volta, ou da sua persona, ou da sua máscara, ou da sua personagem, que o país se polarizou. Mais de metade do país é contra Sócrates e uma parte mais pequena é a favor, mas ambas estão muito radicalizadas. Na verdade, a que é contra Sócrates está ainda mais radicalizada, porque na outra há uma confluência poderosa de fãs absolutos do primeiro-ministro, com a habitual conjugação de interesses à volta do poder, e beneficiam de uma maior homogeneidade do que os do lado do contra. Ora é por ser exactamente assim que há "ingovernabilidade", não porque possam não existir condições institucionais para sustentar um governo. Elas são uma vantagem potencial para a governabilidade, mas estão longe de ser suficientes, em particular se uma parte importante dos portugueses votar pelo protesto (contra Sócrates) no Bloco ou no PCP ou no voto branco, ou se abstiver como atitude de negação. É por isso que poucas soluções governativas seriam mais instáveis e conflituosas que um novo governo PS com ou sem maioria absoluta. E é também por isso que, se não existirem condições de alternância governativa, a instabilidade gerada por um governo PS pode levar a um ciclo de sucessivas eleições legislativas, ao modo italiano. Enquanto for Sócrates a dominar a cena, a vida política portuguesa permanecerá muito conflitual e instável, não serão possíveis reformas, nem as políticas consistentes e difíceis que a crise exige. E não há mansidão programada que resulte para amainar uma opinião pública que, pura e simplesmente, não só não acredita na personagem, como a sua mera presença a irrita e muito mais a irritará se lhe puserem à frente um híbrido de "manso-feroz". Por isso, Sócrates está condenado à ferocidade, que representará sempre melhor porque é-lhe mais fácil puxar pelo ego nesse cenário do que numa humildade em que ele é um erro de casting. Só que o "animal feroz" parte cada vez mais o país em dois e é gerador de instabilidade por si só. Vamos conhecer tempos interessantes, como na maldição chinesa. (Versão do Público de 20 de Junho de 2009.) (url) (url) I was a lawyer like Harmon Whitney Or Kinsey Keene or Garrison Standard, For I tried the rights of property, Although by lamp-light, for thirty years, In that poker room in the opera house. And I say to you that Life's a gambler Head and shoulders above us all. No mayor alive can close the house. And if you lose, you can squeal as you will; You'll not get back your money. He makes the percentage hard to conquer; He stacks the cards to catch your weakness And not to meet your strength. And he gives you seventy years to play: For if you cannot win in seventy You cannot win at all. So, if you lose, get out of the room-- Get out of the room when your time is up. It's mean to sit and fumble the cards And curse your losses, leaden-eyed, Whining to try and try. (Edgar Lee Masters) (url) 20.6.09
PAGA-SE UM PREÇO POR CRITICAR OS JORNAIS,
embora muita gente que os leia não se aperceba das pequenas vinganças e desconsiderações. A capa do i de hoje é um bom exemplo. Não me pronuncio, como é óbvio, sobre a "entrevista" de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende. Mas surpreende-me que um jornal que se pretende sério escolha uma frase insultuosa para título, e isso é de sua responsabilidade.Sucede que, na quarta-feira passada, o i tinha-me pedido uma entrevista de fundo. Por consideração com a Maria João Avilez que ma pediu, dei a entrevista, estando presente uma equipa de televisão e um fotógrafo do jornal. Mas enganei-me quanto à seriedade do jornal a que dei a entrevista, pelo que, a não haver um pedido de desculpas pela afronta, não autorizo a sua publicação, facto que já comuniquei à Maria João Avilez. (url) There was an old person of Woking, (Edward Lear)
(url) 19.6.09
Sócrates é muito hábil, muito esperto no sentido em que o termo se demarca de inteligente. “Polymekanos” como Ulisses, salve-se a gigantesca distância entre o grego e o português. Duvido que seja tão intuitivo como se diz que ele é, o “animal político”, porque há ali muita coisa de construído por assessores, por agência, depois materializado no bom repetidor e actor que sem dúvida é. É mais zangado e agressivo contra as contrariedades do que firme, mas uma coisa passa por outra com facilidade. Precisa dessa encenação de autoridade para ser temido e não hesita em usar os instrumentos da autoridade e da vingança para ser temido. Ora, quase tudo isto soçobrou, menos os instrumentos, que ainda lá estão em S. Bento a ser usados. Ele é o mesmo, o mundo não. Este é um risco que Sócrates corria desde sempre, porque quando se vive numa redoma de imagem profissional (muito nítida nos últimos dias de campanha das europeias em que repetia sempre a mesma “mensagem” / massagem, preparada para ele), corre-se o risco de, uma vez partida a redoma, o ambiente exterior se tornar muito corrosivo. E uma vez na mó de baixo, está-se muito, muito, na mó de baixo. Até nisso muita gente é situacionista, a expressão que tenho usado para descrever a conformidade preguiçosa ou activa com o poder instalado. Quando alguém está na mó de baixo há sempre alguém que nunca mexeu uma palha que vai lá bater, atirar a sua pedra. Somos bons no louvaminhar e no bater nos fracos. Este é o labirinto em que Sócrates pode estar metido. Ele vai dar luta, com aquela determinação que tem e que o faz ultrapassar dúvidas e escrúpulos. Mas se repete a mesma receita de ontem, o que resultava no passado hoje vira-se contra ele. E a encenação de humildade e outras teatrices, não resultam pela desadequação do actor. Na mesma peça não se pode ser um bom Capuchinho quando se é reconhecido por todos como um bom Lobo Mau. Este é o labirinto de Sócrates. (url) (url) I sing of simple people and the hardier virtues, by Associated Stuffed Shirts & Company, Incorporated, 358 West 42d Street, New York, brochure enclosedAnd so it goes. Books are the key to magic portals. Knowledge is power. Give the people light.(Kenneth Fearing) (url) 17.6.09
蝸牛 そろそろ登れ 富士の山 katatsumuri soro soro nobore fuji no yama O snail, Climb Mt. Fuji, But slowly, slowly! Lento caracol Devagar, devagar caminha E o Fuji escala! (Kobayashi Issa 小林一茶, vários tradutores)
(url) 16.6.09
(url) (url) (url) EARLY MORNING BLOGS
![]() 1579 - Au zoo Si la girafe étire son long cou C'est pour regarder partout, Elle est curieuse, Voilà tout ! Si le dromadaire fait le gros dos C'est pour qu'on le prenne en photo, Il croit qu'il est le plus beau. Si le caïman bâille de toutes ses dents C'est parce qu'il s'ennuie tout le temps, Mais ça fait peur aux enfants. (Cantilena anónima.) (url) 15.6.09
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: ESPIÕES NA AMÉRICA
Alexander Vassiliev / Harvey Klehr / John Earl Haynes , Spies: The Rise and Fall of the KGB in America, Yale University Press, 2009. O que este livro revela é que se sabe praticamente tudo sobre a espionagem russa nos EUA, pelo menos até aos anos cinquenta. O que faltava saber nos casos mais controversos, em particular sobre o dossier "Enormous", de espionagem nuclear, e o caso de Alger Hiss, está no essencial esclarecido. Já se sabia muito, pela conjugação de várias deserções de membros do KGB para os serviços americanos, canadianos e ingleses, e da decifração das mensagens "Venona", um dos maiores feitos da criptologia americana. Conhecia-se o modo como os soviéticos penetraram o programa "Manhattan", e os detalhes das redes ligadas aos Rosemberg, mas permanecia uma controvérsia feroz sobre a culpabilidade de Alger Hiss, um alto funcionário do Departamento de Estado que sempre negou ter espiado para os soviéticos, Essa polémica envolveu académicos e jornalistas, em artigos de acusação e defesa inflamados que, nalguns casos, terminaram no tribunal, em processos de difamação. O que de novo traz este livro é a utilização dos cadernos de Alexander Vassiliev, um antigo membro do KGB, que se demitiu sem desertar na época de Gorbachev, e que, enquanto jornalista, foi convidado nos anos de Yeltsin a consultar os ficheiros do então extinto KGB, no âmbito de um programa negociado com uma editora americana. Esta oferta parece estranha aos olhos de hoje, em que seria completamente impossível, mas foi feita numa época em que havia gente na Rússia a defender a criação de um serviço comum EUA - Federação Russa, dado que ambos os países eram "aliados". Durante algum tempo, Alexander Vassiliev pode pedir documentos originais, incluindo correspondência operacional entre os responsáveis do KGB na América e a sede em Moscovo, assim como documentos, perfis, etc. Vassiliev conta que os documentos que lhe eram facultados variavam conforme as decisões dos diferentes responsáveis pelas secções do KGB, mas que pôde mesmo assim copiar um número considerável de originais e fazer a síntese dos que lhe pareciam menos relevantes. Daí resultou um numeroso grupo de cadernos que, quando foi impedido de continuar a investigação, foram escondidos e depois enviados para fora da Rússia. Na base dessas informação e cotejando-as com a enorme massa documental já conhecida (Harvey Klehr e John Earl Haynes já tinham escrito em detalhe sobre as redes do KGB na América e sobre o envolvimento do PC dos EUA ) , foi possível fornecer uma narrativa detalhada da espionagem soviética. Não há por isso muitas novidades, mais alguns nomes e detalhes que completam o conhecimento das redes, um ou outro nome de políticos, cientistas e jornalistas que se desconhecia, e, sim, a confirmação de que Alger Hiss espiava para os soviéticos desde os anos trinta. * A prova irrefutável da culpabilidade de Alger Hiss veio também liquidar o principal leit-motif do ódio inquebrantável da esquerda americana para com Richard Nixon. De facto, foi como membro da Comissão para as Actividades Anti-Americanas da Câmara dos Representantes (“House Un-American Activities Committee”) que Nixon se tornou famoso, no final dos anos ’40. O prazo para uma condenação de Hiss por espionagem já prescrevera, mas não se livrou de uma condenação por perjúrio. Como Hiss era um membro da elite político-intelectual da Costa Leste, essa difusa comunidade nunca perdoou a Nixon, e, tal como o próprio Hiss, sempre manteve a inocência do homem, tentando fazer dele uma vítima do supostamente tenebroso Nixon, especialmente após o caso Watergate. A queda da URSS e a abertura, pelo menos temporária, de certos arquivos russos, veio demonstrar quem tinha razão. Richard Nixon foi um dos grandes vencedores da Guerra Fria. (url)
POEIRA DE 15 DE JUNHO
Hoje, há 620 anos, Durad, um dos nobres sérvios derrotados, observou de longe o que sobrava da carnificina da batalha do Kosovo. Tinham-lhe dito na confusão que Murad, o sultão, morrera na batalha, ou tinha sido morto por um dos seus companheiros na cavalaria sérvia. Durad sentiu que falhara nessa vingança inútil, que tomava por sua. Perdeu então a razão de uma forma tão mansa que ninguém se apercebeu. Passou os próximos anos escondido num mosteiro e morreu como um monge, dedicando-se a escrever um longo manuscrito que nunca mostrou a ninguém. Na biblioteca do déspota Stefan Lazarević existia o original desse texto que consistia em 738.000 repetições da palavra "porquê?". O bizarro documento interessou a Freud e a alguns dos seus discípulos. Nas notas de Fritz Wittels sobre a alethia, o texto do louco sérvio é mencionado.(url) HOJE NO
![]() NOVO: MATERIAIS DE PROPAGANDA POLÍTICA (120). ASSOCIAÇÃO PORTUGAL – RDA INFORMAÇÃO “CONFIDENCIAL” SOBRE AS ACTIVIDADES DA OPOSIÇÃO EM MARROCOS (1944) INFORMAÇÃO DE UMA CONVERSA “MUITO CONFIDENCIAL” COM HENRIQUE GALVÃO (18 DE MAIO DE 1935) (Poemas manuscritos sem autoria identificada.) “CONTOS DE GOSTOFRIO” DE BENTO DA CRUZ – ORIGINAL DACTILOGRAFADO COM CORRECÇÕES MANUSCRITAS ARQUIVO: OFERTAS – INVENTÁRIO HOSPITAL DOS LIVROS (1) A SEXTA EDIÇÃO DA “ENCYCLOPEDIA BRITANNICA” ARQUIVO: PAPÉIS ORIUNDOS DO PARQUE MAYER (url) (url) —know thyself Flashlight in hand, I stand just inside the door in my starched white shirt, red jacket nailed shut by six gold buttons, and a plastic black bowtie, a sort of smaller movie screen reflecting back the larger one. Is that really you? says Mrs. Pierce, my Latin teacher, as I lead her to her seat between the Neiderlands, our neighbors, and Mickey Breen, who owns the liquor store. Walking back, I see their faces bright and childlike in the mirrored glare of a tragic winter New York sky. I know them all, these small-town worried faces, these natives of the known, the real, a highway and brown fields, and New York is a foreign land—the waterfront, unions, priests, the tugboat's moan—exotic as Siam or Casablanca. I have seen this movie seven times, memorized the lines: Edie, raised by nuns, pleading—praying, really— Isn't everyone a part of everybody else? and Terry, angry, stunned with guilt, Quit worrying about the truth. Worry about yourself, while I, in this one-movie Kansas town where everyone is a part of everybody else, am waiting darkly for a self to worry over, a name, a place, New York, on 52nd Street between the Five Spot and Jimmy Ryan's where bebop and blue neon lights would fill my room and I would wear a porkpie hat and play tenor saxophone like Lester Young, but now, however, I am lost, and Edie, too, and Charlie, Father Barry, Pop, even Terry because he worried more about the truth than he did about himself, and I scan the little mounds of bodies now lost even to themselves as the movie rushes to its end, car lights winging down an alley, quick shadows fluttering across this East River of familiar faces like storm clouds cluttering a wheat field or geese in autumn plowing through the sun, that honking, that moan of a boat in fog. I walk outside to cop a smoke, I could have been a contender, I could have been somebody instead of who I am, and look across the street at the Army-Navy store where we would try on gas masks, and Elmer Fox would let us hold the Purple Hearts, but it's over now, and they are leaving, Goodnight, Mr. Neiderland, Goodnight, Mrs. Neiderland, Goodnight, Mick, Goodnight, Mrs. Pierce, as she, a woman who has lived alone for forty years and for two of those has suffered through my botched translations from the Latin tongue, smiles, Nosce te ipsum, and I have no idea what she means. (B. H. Fairchild) (url) 14.6.09
(url) (url) E era impossível, não era? Foi mesmo verdade? Não foi o Bloco de Esquerda, o "grande ganhador"? Não foi o PP, que ganha as eleições sempre contra as sondagens, mesmo quando fica em último lugar, atrás do BE e do PCP? Não foi o PS que perdeu para todos, logo há um perdedor e nenhum verdadeiro vencedor? Ei! Cai na real, como dizem os nossos amigos brasileiros, o PSD ganhou de facto as eleições por muito que isso seja surpresa, incomodação, espinho na garganta, sapo a engolir, pesadelo, coisa má. E ele há tanta maneira de diminuir o que aconteceu: ganhou, mas não ganhou. Teve um pobre resultado, teve poucos votos, "o pior resultado de sempre do PSD", teve uma votação pouco diferente da de 2004, ou de Santana Lopes, ou sei lá o quê, mas a verdade é que se repete a dose, a miserável, paupérrima, "pior" dose, afasta Sócrates e o PS e pode governar. Ou seja, impossível não é?Tanto texto em jornais, tanta afirmação em blogues, tanta arrogância, jactância, certeza, superioridade, tanta "análise" superficial, errada e de má-fé transformada pelo jornalismo de rebanho em verdade revelada, e no fim a "surpresa". Lembro-me de um "jornalista" que dizia que escolher Rangel era um "cartão amarelo" a Manuela Ferreira Leite, explicitando nessa asneira muito do que explicava o "passoscoelhismo" do Diário de Notícias, para quem este último é que era o verdadeiro líder do PSD e não essa mulher ultrapassada, que meia dúzia de votos tinham colocado à frente do PSD, impedindo a modernidade da "fenomenologia", as fotografias de modelo no Facebook e as agências de comunicação de terem a sua votação "natural". Lembro-me de um jornalista comentador televisivo, tido como de direita, que sempre, sempre, desde que Santana Lopes deixou de ser líder parlamentar, dizia que o PSD (com Rangel) perdia os debates na Assembleia com Sócrates, dizia que cada entrevista com Sócrates era uma grande vitória, enquanto Manuela Ferreira Leite tinha que mudar tudo, "não tinha jeito" e era "mal aconselhada". Lembro-me de um dono de uma empresa de sondagens a dizer que era impossível o PSD ganhar ao PS, porque o PS estava a lutar pelos 40% e o PSD pelos 30%, números que as suas sondagens reiteravam sucessivamente até ao dia das europeias. Lembro-me dos jornais a colocarem a líder do PSD para baixo ao mais pequeno pretexto, porque cometia gaffes, não ia a comícios, não contratava agências de publicidade, não lia do teleponto e tinha "tabus", ou seja, não dizia as coisas quando eles achavam que deviam ser ditas. Lembro-me do clamor quanto à escolha tardia do candidato, garantia da derrota, e outros clamores que, de novo, o jornalismo de rebanho tornava em evidências onde ninguém parava para pensar, escutar e olhar, só repetia. Lembro-me de tanta lama, às vezes quase insulto, contra Manuela Ferreira Leite e mesmo contra Rangel, o que era pior que Marcelo (houve um abaixo-assinado de meia dúzia na Internet promovido a grande movimento pelo Diário de Notícias, lembram-se...), que era pior que Marques Mendes, etc., etc., tanto atestado de incompetência, de "perdedor" absoluto, de incapacidade "mediática" que, a dois meses de eleições, colocar sequer a hipótese de vitória era considerado cegueira do pior. O mais interessante era ver os que estavam completamente convencidos de que o PSD nunca ganharia as eleições, e desejando, por pura táctica pessoal que as perdesse, a exigir que as ganhasse, num exercício de má-fé e hipocrisia que acabou por se tornar tão explícito como contraproducente. O ambiente era tão hostil, tão hostil, que de facto deu à vitória um significado interior, para o partido, e para o país, muito difícil de tragar, quer pelos adversários internos de Manuela Ferreira Leite, quer para o PS de José Sócrates. A vitória marca um antes e um depois, e isso mostra que já não se pode pensar as coisas como se pensavam antes e muita táctica, principalmente no PS e no interior do PSD, tornou-se poeira de um dia para o outro. Um milhão de eleitores conseguiram esse resultado e veio no momento certo. O caminho agora está aberto, mas permanece muito difícil. A natureza da fragmentação do PSD, assente em interesses de poder interno, pouco reflecte a realidade nacional e pouco se move por ela. Para muitos profissionais do aparelho partidário, é mais importante manter o seu próprio poder interno do que ganhar as eleições ao PS e dar um novo governo ao país. Vejo muita gente a tomar por adquirido que o "cheiro do poder" chega para "unir" o PSD. Terá sido assim no passado, não o é certamente no presente, onde é mais relevante controlar as listas de deputados e os equilíbrios de poder entre distritais e dirigentes que se comportam como caciques, do que mudar o país. O grau de degradação da vida interna dos partidos é tal que é mais importante manter os poderes que existem do que correr os riscos da mudança que podem desequilibrar o que foi laboriosamente adquirido. Não tenho dúvidas de que, se não fosse esta vitória eleitoral, a margem de manobra de Manuela Ferreira Leite seria quase nula, e mesmo assim terá sempre mais dificuldades dentro do PSD do que fora, no país. O que Manuela Ferreira Leite hoje precisa para competir de forma mais perfeita com o PS é restituir a honra governativa perdida do PSD, um partido que deu ao país governos como os da AD e os de Cavaco Silva, mas que para muitos portugueses tem essa reputação manchada. Para isso, precisa da maior liberdade, porque tem autoridade política que veio de fora, do voto, e precisa de a usar rapidamente nas opções mais difíceis, antes que o tempo exerça a sua usura. Precisa de escolher listas de deputados qualificadas, constituindo equipas com gente velha e nova, mas que seja reconhecida pelo país, pelos grupos profissionais, pelas elites e pelo homem comum, pelos que precisam de melhor política, como dedicados, capazes, impolutos e estando ali pelo interesse público. Como o está Manuela Ferreira Leite, a quem ninguém pode acusar de usar a política para fazer uma carreira ou actuar por interesse próprio. Ela sabe o que quer, tem neste momento um programa alternativo ao do PS, tem a legitimidade de uma vitória que muitos consideravam impossível, agora tem que usar a sua autoridade para fazer o que falta. Muito trabalho tem vindo a ser feito com discrição para materializar um programa de governo e muita gente capaz pode ser mobilizada. Não é fácil, num momento em que o Governo e os seus aliados nos grandes interesses retaliam contra quem comete o crime de pensar que é preciso mudar. Mas é essa a competição que pode consolidar a mudança de Junho. Há exactamente um ano, em 7 de Junho de 2008, tinha Manuela Ferreira Leite acabado de ganhar e antes da "crise", escrevi no Público o seguinte: "O eleitor de 2009 está assustado, triste com a sua vida, não acredita em quase nada, mas espera que alguma solidez, alguma seriedade, alguma credibilidade no governo, lhe permitam atravessar a crise sem grandes estragos, sem perder muito e talvez, talvez, passada a tempestade, possa de novo melhorar alguma coisa. É um programa mínimo para tempos difíceis, mas é um programa racional para os eleitores do 'centro', que é onde a maioria dos eleitores está. O eleitor de 2009 não vai votar em grandes questões programáticas, nem em listas de medidas por muito atractivas que elas sejam, nem em grandes rupturas.Um ano depois nada tenho a acrescentar. (Versão do Público, 13 de Junho de 2009.) (url) (url) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (99): RECICLAGENS ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. É tão interessante como educativo ver as fórmulas de reciclagem do situacionismo. Uma delas, vinda das mesmas fontes que no passado alimentaram muita intriga e muito desdém, é elogiar Rangel contra Manuela Ferreira Leite, elogiar Rangel de modo a diminuir Manuela Ferreira Leite e outras variantes do mesmo mecanismo. (url) Nunca, jamais, em tempo algum se deve prescindir da melhor, mais eficaz, mais clara forma de responder a uma pergunta: "sim" ou "não". "- Pensa que não sei quê, não sei que mais? - Não penso. - Mas não pensa que B deveria falar com A, antes de dizer a C o que disse? - Não. Não penso." E por aí adiante. (url) Nunca, jamais, em tempo algum, se aceita comentar, alimentar, dar relevo, ampliar, um tema da agenda jornalística, quando esta é apenas resultado do moinho de orações próprio dos jornais e representa por si só uma tentativa de controlo e condicionamento do debate público. (url) Nunca, jamais, em tempo algum, se comentam palavras de terceiros com base na "interpretação", "tradução", "simplificação", "ampliação", exagero, ou vulgar traição, feita por um jornalista. Ouve-se, lê-se, vê-se o original e depois comenta-se. (url) (url)
© José Pacheco Pereira
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