Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Lusa Fénix

É frequente, entre inteligentes, a constatação de que o ensino, sobretudo o superior, assente na Escola Material desde os tempos de Carvalho e Melo, é responsável pela quebra de alento no intelecto e criatividade dos portugueses. Se por um lado tenho que me posicionar a seu lado no que respeita a uma diminuição geral na qualidade, por outro lado, acredito que seja neste terreno estéril que nasçam melhores homens. Obviamente que é em alturas culturalmente florescentes, como no século XIX e início do século XX, que aparecem Grandes Homens, mas no meio da mediocridade que se tem vivido nas ultimas décadas é mais improvável, que na adversidade total.
Parece-me, num exercício de puro devaneio, que no meio do socialismo doutrinal e do materialismo cientifico, estará criado o fundamento contrário ao gosto pelo conhecimento, e a perseguição ideológica aos livre-pensadores, que sirvam de espora a uma rebeldia intelectual e comportamento social, que os obrigue a viver fora da ontologia de classes, lugares comuns do destino profissionalizante. Num ensino pretensamente cultural como tínhamos, nem a tecnização humana era possível, não dando espaço para o crescimento produtivo, nem a incisão do pensar. Com a decadência da Escola Material, ou decresce tanto a sua produtividade que implode, ou se torna tão especifica e forma bons autómatos para uma competitividade global.
De uma forma ou de outra, órfão de inteligência, Portugal torna-se na sua secura um forte selector natural para o aparecimento de grandes homens, desesperados por sair do inferno. Impensável num ambiente de atordoante mediocridade. Até o decréscimo de ânimo sofrido no purgatório da Faculdade, sairá rejuvenescido, uma vez esta findada e perante a desadequação ao mercado de emprego, terá que escolher a ocupação que o faça feliz. Advogados dedicados à poesia, gestores às artes, engenheiros filósofos, biólogos escritores, matemáticos agricultores, e um sem fim de combinações possíveis e novas escolhas. A metamorfose de antigos profissionais predestinados em homens que procuram uma ocupação que lhes traga felicidade. Chamem-me sonhador, mas acredito seriamente nesta possibilidade, o país até pode piorar e ser menos competitivo, o socialismo operário põe sempre os pés pelas mãos, mas para alguns, os privilegiados, será melhor, será o Quinto Império.

Bem-haja!

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Profissão de Fé

“Portugal vive acima das suas possibilidades” – Diário Económico – 18-07-2008

O que espanta nas notícias-bomba é o espanto que jornalistas, políticos e público em geral parecem auferir de cada vez que um organismo internacional constata o óbvio. Será que não moram em Portugal? Será que não vêem o que se passa? Que não queiram falar sobre os problemas (ou não possam) até pode ser engolido, mas que tirem da cartola a máscara do assombro, como quem vê neve em Agosto, isso já é insultuoso para quem trabalha e sustenta esta vergonha administrativa.
Não é razoável que todos vejam no seu dia a dia que um estado que gasta o que não tem, dá a quem não faz e tira a quem não deve, está não só a viver acima das possibilidades como a fazer uma gestão ruinosa? Um povo que vive do crédito, não apenas como último recurso de sobrevivência mas como sustém de um nível de vida imaginário, que pouco produz mas que muito reivindica, pode ficar boquiaberto com o fraco crescimento e as piores condições de vida? Um governo que tudo faz para aniquilar a iniciativa privada que o sustenta e promove a fuga de todos os capitais, pode discursar um “País das Maravilhas” impunemente?
Pode, obviamente pode, porque toda a esquerda pede mais desse mesmo. Os fundos ilimitados, que devem vir do Olimpo, têm que suprimir as nossas irresponsabilidades, mascarar a mediocridade, espoliando os poucos que fazem para cobrir esse acto de Fé que é o Estado Social e o Socialismo, que penhora o futuro de Portugal.
Bem-haja!

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

O Socialismo na Natureza

Fui fazer a habitual pausa laboral de dez minutos para despertar com a típica “bica”, aproveitando para fumar o já criminoso cigarro cujo providente guarda-sol permite, pois alberga na esplanada a segurança do emprego dos olhares mais reprovadores da entidade patronal, quando notei uma encenação que serve, a meu ver, de analogia para o princípio da subsidiariedade socialista.
Caída uma côdea de pão no chão logo se segue um pombo proveitoso, a quem já ouvi de um amigo meu norte-americano chamar de “rato do ar”, o qual, talvez por dureza daquela, se dedicou com enorme esforço ao repasto, debicando-a furiosamente. O seu árduo trabalho era com certeza recompensado com eventuais migalhas do enorme naco e seguido de perto por outro pombo, do qual não me apercebi de imediato as intenções. O segundo espertalhão estava apenas à espera de comer os bocados mais pequenos e macios, que não ofereciam resistência, que pela rapidez do aproveitador não podiam ser deleitadas pelo trabalhador.

Bem-haja!

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

O meu irmão boi

Comentário ao texto Real Girls Eat Meat publicado n'O Insurgente:

“Tudo questões que tocam o ser humano. A tourada é feita com animais. Essa, parecendo que não, é uma grande diferença…”

CMF


“Que essa desculpa seja muito conveniente para a nossa consciência”

Daniel Azevedo

Não é uma desculpa, é um princípio. A sua sensibilidade assenta na ciência moderna, que por sua vez não se baseia em princípios. Ao reportar as suas crenças para uma realidade susceptível de alterações radicais, é um limbo fluído que não oferece resposta credível para o que seja, desde que abandonou a imutabilidade das leis científicas.
Tomando como princípio uma distinção absoluta entre Homem e besta, a preocupação não pode ir no sentido de ter em conta a “sensibilidade” animal, mas sim de afirmar a condição e expressão humana. Daí a falácia dos direitos dos animais ser uma aberração de princípio, pois tratam-se apenas de leis que limitam os seres humanos a actos de crueldade para com aqueles, e não dos seu direitos (o que para os mais distraídos pode parecer uma questão semântica).
Para quem não toma a diferença como princípio, e se revê, essa sim primitiva, na analogia fisiológica e se considera em igualdade com os seus irmãos bovinos, acredito que toda a filosofia clássica, a metafísica ou memo a expressão intelectual humana faça espécie.
A crueldade desnecessária para com os animais só o é, como a própria expressão indica, quando é gratuita e não apresenta um propósito. Casos que não são o da tourada, investigação, caça, produção alimentar, expressão artística, indústria do divertimento. Refiro ainda a questão da crueldade ser a aplicação de sofrimento como objectivo do acto, que também não é o caso.
Acredito, que a sensibilidade do “homem novo” cientifico só encontrará paz quando o "deus" Ciência nos permitir realizar fotossíntese.
Bem-haja!

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Subsídio às vítimas de gravidez indesejada

Em resposta ao post d'O insurgente

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Estado: Social!


Hei-de cuspir-vos na cara!

Comentário ao texto Agora os camionistas no blogue O insurgente:

Os actos inadmissíveis, primeiro dos pescadores e agora dos camionistas, lembrou-me um episódio de uma professora minha aquando de uma greve de alunos que acorrentaram a porta da universidade. Pelo facto de trabalhar com animais vivos era-lhe imperioso ir ao laboratório, pelo que o “piquete de greve” lhe exigiu o nome para figurar na sua “lista negra”, ao que a senhora, de origem britânica, respondeu: “I’d rather spit on you than give you my name”, pulando de seguida o portão.
Esta foi, a meu ver, a atitude correcta para com gente que não respeita um estado de direito, ou tem a mínima consideração pela liberdade dos outros. Um “nojo” é o que se passa nas nossas estradas. Gente que se julga no direito de mandar parar os outros. Quem revestiu de autoridade estes senhores que de colete reflector mandam parar os camionistas com a complacência da polícia? O que interessa se só colabora quem quer? O que de facto não é verdade, pois os infractores sofrem as consequências com apedrejamento, agressão e ofensas. E se fosse? Que direito têm de parar seja quem for?
Se tomássemos o exemplo da carismática professora e “cuspíssemos nesta gente”, talvez acabasse esta hipocrisia jornalística, política e policial.
Fosse ao contrário, e alguém desmobilizasse os grevistas obrigando-os a trabalhar pela força e teríamos um sarilho a nível nacional, com os blocos, os sindicatos e os comunistas na proa. Mas esta gente só sabe exigir o direito à liberdade quando faz parte da sua agenda, ao contrário, nem um “piu”.

Bem-haja!