Wednesday, July 08, 2009

Era bom, era

Parece que "Direito dá trabalho": segundo um inquérito da Católica , via Expresso, há "100% de empregabilidade" entre os seus antigos alunos de direito. Regozijar-me-ia se isso fosse verdade, mas infelizmente não é. Pode haver uma altíssima taxa de empregabilidade, mas nem todos os juristas que cursaram na UCP preenchem esses números, como é prova actual o autor destas linhas, e não só. A não ser que se trate apenas do caso da Escola de Direito da UCP em Lisboa, cujo director presta tais declarações ao jornal, o artigo peca por excessivo optimismo e sensacionalismo dissimulado. Sempre gostava de saber qual é a margem de erro desse inquérito. Ou então, conclui-se que os tempos não andam definitivamente bons para as sondagens.

Tuesday, July 07, 2009

Entretanto, umas centenas de quilómetros acima

Em Pamplona, já começaram as Sanfermines!

A eterna novela madridista

Ronaldo chegou enfim à escaldante Madrid, um mês após a divulgação da sua contratação, pelo pródigo D. Florentino Perez, outro Creso da bola. Já há um ano que se falava neste negócio gigantesco, mas só se efectuou com o regresso de Perez, que importou igualmente Káká.

Os números do negócio espantaram e escandalizaram, e não é para menos: 94 milhões de Euros é muita coisa, muito mais do que os (à época) obscenos 75 por Zidane e 60 por Figo. Sim, eu ouço que o Real paga o que quer e ninguém tem nada a ver com isso, que Perez não é parvo, que os patrocínios e o "merchandising" vão cobrir tudo em poucos anos, etc. Também já ouvi antes e os resultados foram diferentes. O facto do Real não ser uma instituição pública não impede de ser criticado. Os clubes de futebol, com sócios adeptos e visibilidade, têm obrigação em dar algum exemplo ético e desportivo ao público. Tratando-se do Real Madrid, provavelmente o maior clube do mundo, ainda mais. Acontece que normalmente os clubes fazem exactamente o contrário do que deviam, e os merengues nos últimos anos têm dado um conjunto de tristes exemplos. Depois, Florentino já ocupou a cadeira madridista com a táctica dos "Zidanes e Pavones", que começou bem e acabou no ridículo. Na altura conseguiu-o vendendo terrenos à construção civil, de que é líder em Espanha. Agora, recorreu à banca e aposta tudo no "merchandising". A estratégia é potencialmente suicida, porque só com milhões de produtos vendidos é que a coisa vai ao sítio; e não nos esqueçamos que não estamos em 2000, que a construção civil em Espanha está em valentíssima recessão depois de anos de crescimento artificial e que a crise financeira retrai o consumo deste tipo de artigos. Para além dos passes, ainda há os salários.


A ideia de Florentino Perez é ficar na história, juntando o Real dos anos cinquenta, que imperava na Europa com os seus craques estrangeiros Puskas, Di Stefano e Kopa (até o Benfica lhe aparecer no caminho), à equipa dos anos oitenta, a Quinta del Buitre, grupo de jogadores espanhóis que dominou La Liga nos anos oitenta, mas que falhou estranhamente nas competições internacionais. Depois, há todas as apostas económicas mais próprias de um jogador de casino do que de um gestor inteligente e com pesadas responsabilidades. e que para mais, já apostou nas mesmas políticas e nem assim obteve grandes resultados.


Quanto a Ronaldo, acho que devia ter esperado mais uns dois anos no Manchester, mas neste caso sim, ele é que sabe da sua vida. O problema é que é mais uma estrela do jet-set internacional, mais virado para as objectivas do que para o "esférico", com fãs histéricas e um estranho gosto em matéria de vestuário e companhia feminina, como se conclui pelas andanças com a mais famosa parasita do mundo, a desnudada Paris Hilton. E pelas actuais performances na Selecção...


Temo que sem a sobriedade da pós-industrial Manchester e a sábia direcção de Alex Fergusson "Crisnaldo" se perca no emaranhado branco e rosa em que já se meteu. A recepção dos oitenta mil maluquinhos ontem no Santiago Bernabéu, que nem pude ainda ver, e todas as notícias que gravitam em torno dele, acrescentadas à própria cidade e à cultura do clube, são um caldo de pressão demasiado grande para um só jogador. Sinceramente, acredito que Káká vingue mais em Madrid do que Cristiano.



A abada que se esperava

Afinal não pude ir à Luz no dia das eleições, e consequentemente não pude votar em branco. Paciência. De pouco teria servido. Limitei-me a observar o triunfo de Vieira, a única coisa a esperar depois do Tribunal Cível de Lisboa esclarecer que não tinha sido preferida decisão de mérito (e que não havia medidas executivas) na providência cautelar interposta por Bruno Carvalho. Falando neste indivíduo, como é que alguém sonha sequer ser presidente de uma instituição quando entra nas suas instalações rodeado de seguranças e sai pelos fundos? É esta a empatia que quer estabelecer com os sócios? E como é que insiste em torpedear o acto eleitoral quando tem pouco mais de 2% dos votos e o desprezo quase generalizado dos benfiquistas? A credibilidade de Carvalho pode bem ser comparada com a de Guerra Madaleno, por exemplo.
No meio da gaffe de Vilarinho (ou não, às vezes apetece mesmo responder assim), da aclamação de Vieira e dos inúmeros comentadores de televisão, gostei de ver Luís Nazaré como novo Presidente da AG do Benfica. Menos gostei de confirmar que um dos vices é Rui Gomes da Silva, o criador do termo "cabala involuntária"...
Sigamos o rumo do clube nos próximos tempos. E que a nível futebolístico as coisas corram melhor.

Friday, July 03, 2009

Relembrar os feitos

Na despedida de Manuel Pinho, esse grande ex-estadista, a homenagem possível (também extensível ao grande obreiro Mário Lino). Com o patrocínio de S. Exª o Presidente da República Bolivariana da Venezuela e do programa Allgarve.

Thursday, July 02, 2009

Os Golpes

Eis a nova sensação do pop-rock português. Os Golpes, banda de melodias épicas e estética à neo-Heróis do Mar com um toque de charme decadente de cabaré, lançaram o seu disco, Cruz Vermelha sobre Fundo Branco. Pude vê-los há dias numa sessão da FNAC do Chiado, com toda a sua energia e o seu entusiasmo, e já com uma mini-pelotão de fãs. O seu vocalista, Manuel Fúria, protagonizara antes o video dos Pontos Negros , de que em tempos tive oportunidade de falar. O cartão de apresentação é este A Marcha dos Golpes.


Tuesday, June 30, 2009

Pina Bausch 1940 - 2009

No ano passado, quando a companhia de dança de Wuppertal veio a Portugal actuar no CCB, tive a oportunidade de ir ver o espectáculo com bilhete oferecido, mas como era em cima da hora e não conseguiria chegar a tempo tive de declinar, pensando "haverá outras oportunidades de ver um espectáculo de Pina Bausch".


Afinal não houve nem haverá. Depois de uma curta e letal doença, a dançarina e coreógrafa alemã, provavelmente a mais famosa do Mundo, despediu-se hoje, deixando órfã a dança contemporânea.
A Feira dos Pucarinhos de S. Pedro

Neste dia e na noite que passou, como já disse no post anterior, é S. Pedro o festejado, a encerrar o triunvirato de Santos Populares de Junho. Em Portugal, o portador das chaves dos Céus é celebrado em variadíssimos sítios, desde as largadas de touros do Montijo e respectivas procissões fluviais pelos esteiros do Tejo ao fogo de artifício dos pescadores da Afurada, passando pelas rusgas dos bairros da Póvoa de Varzim.

O S. Pedro que conheço é o de Vila Real. Oficialmente, o feriado é no Santo António, mas o mais festejado é mesmo o Pescador. Na noite de 28 para 29 de Junho o Largo da Capela Nova, dominado pela construção barroca de Nasoni, enche-se do artesanato da região: é a Feira dos Pucarinhos, em que os artesãos locais expõem as suas obras. Pelo chão espalham-se inúmeras peças da louça negra de Bisalhães - roscas, cântaros, travessas, bilhas, há de tudo, como na farmácia. Actualmente existem apenas quatro artesãos, mas já foram várias dezenas. Os tempos não perdoam. Ao lado, outra importante peça do artesanato local, os linhos da Agarez, também são postos à venda pelos seus laboriosos artistas. A meio, passam os fregueses ou simples curiosos, admirando as peças de barro e de linho. Perto, jogava-se ao panelo, que consistia numa roda de pessoas, em que se vai atirando uma panela de barro preto de uma pessoa para a outra, sem deixar cair no chão, cada vez mais rápido, e mais rápido, até que se parta. Quem o deixar cair ao chão tem de comprar nova peça...e o jogo recomeça.


Tinha uma ideia vaga dessas noites em que o chão do largo se enchia de objectos maravilhosos, mesmo que por vezes toscos, ou até por causa disso. Recentemente voltei a ir à Feira dos Pucarinhos. No largo, tudo se distribuía como esperava. Já pelas ruas circundantes do centro histórico abundavam outros tipos de artesanato e até peças africanas, bugigangas, quinquilharia, etc. A Avenida Carvalho Araújo, artéria central da cidade, estava quase toda transformada em feira, e a que não estava tinha um palco animado por bandas.


São os novos hábitos, que vão modificando o carácter das festas e dando-lhes novas formas. Os artesãos de louça negra e dos linhos são poucos, mas mantêm-se no posto, com novos concorrentes por perto. As ruas já não são pouso apenas para as tradicionais formas de artesanato. Mas nem tudo é tragado pela voragem dos tempos: o jogo do panelo, que quase tinha desaparecido, voltou a ser praticado por inúmeros grupos, como se comprova pelos cacos que se espalham pelo chão das ruelas. A feira continua, e pela noite fora as rodas de jogos multiplicam-se.

Monday, June 29, 2009

Pedro e Paulo


29 de Junho é dia de S. Pedro e S. Paulo. Normalmente, associa-se muito mais ao primeiro. É a Pedro que as festas populares são dedicadas, talvez pelo seu estatuto de discípulo de Cristo, de primeiro chefe da Igreja, cujas sandálias cabem a cada Sumo Pontífice; e sobretudo dever-se-à ao seu carácter humano, genuíno e simples, de homem sem grandes conhecimentos (era pescador), que segue Cristo por toda a parte, que desembainha a espada para O proteger, mas a quem por medo O nega três vezes, que fala sempre com o coração, que é o primeiro a reconhecer o Messias e que espalha a Sua palavra depois da Ascensão. No fundo, será o Santo com quem o homem comum terá mais empatia e mais facilidade em se identificar.

Paulo de Tarso é o "Apóstolo dos Gentios", um judeu com cidadania romana, de sólida educação e influências helenísticas, que depois da sua conversão pregou a Mensagem Cristã pela Ásia Menor, Grécia e, crê-se até à Península Ibérica. É o fundador da moral cristã e da separação desta dos velhos hábitos judaicos, que espalhou nas suas viagens e através das suas epístolas. A ele se deve a difusão do cristianismo fora da Palestina e a sua aceitação por vários povos.


Estas duas figuras maiores do cristianismo pouco têm em comum, e Pedro, o líder da Igreja, chegou mesmo a ser directamente repreendido pelo convertido Paulo. Um representa a simplicidade e o desapego de um homem que tudo largou para seguir a Cristo quando ouviu o chamamento. O outro é um carácter mais intelectual, o responsável do Cristianismo ter deixado de ser uma seita de judeus secessionistas, galgando o Mediterrâneo e alcançando novo estatuto em Roma e na Grécia, que lhe seria tão importante daí para a frente. Ambos, porém, tiveram a coragem de divulgar a Boa Nova com todos os perigos que isso acarretava. Ambos foram martirizados na Cidade Eterna. E ambos foram os verdadeiros fundadores da Igreja de Roma, apesar de toda a Cristandade os venerar.


Encerra-se hoje o Ano Paulino, dedicado a S. Paulo. Bento XVI quis assim homenagear o primeiro grande pensador cristão. S. Pedro está sempre presente em Roma, à vista de todos. A S. Paulo faltava alguma visibilidade, que não tem pelo seu próprio estatuto de "intelectual". Embora em alguns casos os dois sejam associados (como em nomes como a fortaleza de Pedro e Paulo, em são Petersburgo), um continuará a ser o santo popular e o outro uma espécie de Doutor da Igreja de estatuto superior. Mas o dia de hoje tem essa dupla importância: a de comemorar aqueles que são provavelmente, depois de Jesus, os dois homens mais importantes do Cristianismo

Sunday, June 28, 2009

Saviola


El Conejo já é do Benfica. Devo dizer que gosto muito do jogador, desde que ele se mudou de Buenos Aires para Barcelona (é ainda a aquisição mais cara de sempre dos culés). Teve um percurso mais incerto do que seria de esperar, andou pelo Mónaco e Sevilha, serviu ao Real Madrid para causar inveja (?) ao Barcelona e passou a maior parte da sua estadia entre os merengues no banco, tapado por outros avançados. Em Portugal, se não tiver lesões arreliadoras e jogar na sua posição, será um autêntico craque. A dupla com Cardozo e a sociedade com o seu amigo Aimar tem potencial para revelar futebol do melhor e causar estragos, inclusive nas competições europeias. A única coisa que me deixa um pé ligeiramente atrás são os cinco milhões de euros despendidos e o salário previsivelmente alto que Saviola irá ganhar, sobretudo quando se diz que não há dinheiro para Reyes. Com resultados financeiros negativos, sem ir à Liga dos Campeões e sem fazer (para já) grandes vendas, era bom que se tomasse cuidado nos gastos, que a vida só está fácil para o Real Madrid.


Curiosamente, a vinda do argentino faz com que as três grandes contratações do Barcelona no Verão de 2001 acabassem por vir parar a Portugal: Geovanni, Rochemback, e agora Saviola, com evidentes prejuízos financeiros para os blaugranas, que gastaram bastante dinheiro com a sua aquisição para os deixar ir por quase nada.
No Olimpo da música moderna


Se Michael Jackson desapareceu relativamente novo, há que não esquecer outros monstros sagrados da música do último século. Além de Lennon, assassinado à porta de casa, temos casos tragicamente semelhantes como Elvis, Piaf, Morrisson, Hendrix, Marley ou Brel (ou, noutra escala, Cobain). A morte prematura elevou-os à condição de lendas e impediu-os que envelhecessem em mansões de cinquenta quartos, realizando digressões pontuais e decadentes e relançando "ultimates collections" em nome da editora. Aos desaparecidos em actuação é o que os mantém imortais. Jackson tem companheiros à altura no Olimpo da música moderna.