Terça-feira, Junho 23, 2009

Publicidade

Foi um amigo que me alertou para isto.

Não se percebe bem o que vendem, mas acho que é de comprar.

TGV e conceito estratégico nacional

Num dos pontos deste artigo de Rui Moreira, n'o Público de ontem, afirma-se que Portugal não tem um conceito estratégico nacional e que isso prejudica a definição das prioridades nacionais, neste caso em matéria de política de transportes.

Peço licença para discordar. Portugal tem um conceito estratégico nacional, que o centrão, à direita ou à esquerda, sempre promoveu quando está no Poder. É um conceito que se aproxima desta ideia simples: imaginemos um pai de cinco filhos; este pai consegue dar um curso a cada filho; ou então, um doutoramento ao mais velho. Este pai pensa, reflecte e decide que fica melhor se der o doutoramento ao mais velho, os outros que se desenrasquem que o mais velho há-de lhes vir dar uma mãozinha.

No nacional-deslumbramento, este conceito, moralizador como se há-de perceber, consiste em dar prioridade à capital, na ilusão de que esta há-de "puxar" pelo resto do País...

As asneiras a que este conceito deu origem estão à vista de toda a gente. A começar por Lisboa, que perdeu qualidade de vida, cidadãos e sustentabilidade económica. Para não falar na bomba relógio (social) que são muitos dos arredores da capital.

É este conceito irresponsável que permite que se tenha conferido prioridade à ligação luxuosa de Lisboa a Madrid, em prejuízo da promoção de uma rede ferroviária moderna que contribuísse para alavancar a capacidade exportadora das nossas empresas, libertar o país de parte da sua dependência energética (e petrolífera em especial) e afirmar os nossos portos atlânticos no contexto ibérico - senão mesmo no contexto europeu.

É de tal forma gritante este desconchavo, que o próprio concurso para a linha Poceirão-Caia, primeiro troço da rede de alta-velocidade em bitola europeia, prevê uma terceira linha, paralela e em grande parte do seu percurso, em bitola ibérica tradicional - supostamente para ligar Sines e Setúbal ao Caia. Mas para quê, se a tal linha Poceirão-Caia é mista? O que quer dizer que é pensada para passageiros (o luxo) e mercadorias (a necessidade)...

Por uma razão simples: porque a modernização da rede ferroviária nacional não foi pensada, os investimentos feitos não a tiveram em conta e, por causa disso, é necessário manter as duas redes em paralelo.

Eles, os tais irresponsáveis que Rui Moreira denuncia, e bem, pensavam que assim enganavam os pacóvios (os tais irmãos, na minha parábola) e conseguiam tornar irreversível quer a ligação a Madrid, quer a terceira travessia do Tejo, quer o próprio aeroporto de Alcochete. E os meus filhos que as pagassem...

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

O Boavista queima mesmo


Agora foi Nuno Cardoso que foi atingido pelo furacão Boavista. Com efeito estes ventos fortes continuam a fazer estragos. Apetece perguntar onde andam os outros.

Pois claro

Mas já conseguiu identificar o que correu mal nessa campanha? Foi um problema de comunicação ou um problema do candidato Vital Moreira?
Não acompanhei a campanha. Não me interesso especialmente pela actividade política e estive parte do tempo fora do País. Tenho dificuldade em proceder a uma análise séria sobre o que ocorreu. Mas faço parte do grupo daqueles que, tendo sempre achado que as eleições seriam difíceis para o PS, ficaram, mesmo assim, surpreendidos com o dramático abstencionismo entre o eleitorado do PS. E não sei o que seria se o próprio Eng. José Sócrates não se tivesse envolvido, como se envolveu, na parte final da campanha.

Interessante esta resposta de Luis Paixão Martins em entrevista ao i. Estou em crer que, ao contrário do que afirma LPM, estas eleições se vão desenrolar muito com base no Marketing e na Comunicação. Não serão de todo o factor decisivo mas serão com toda a certeza um dos factores. Agora não pensem que as agências de comunicação são a salvação para todos os males.

Mas também não vale a pena pensar que o povo Português acredita que um animal feroz de repente se tornou um cordeirinho e que não terá recaídas.

Regionalização a sério II

Em Julho, e a Norte, vamos ter um semanário disposto a assumir a regionalização como bandeira.

As coisas vão acabar por mudar...

São João


Ambições políticas

A propósito de uns posts que andam por aqui, mais abaixo, venho penitenciar-me de não ter escrito à mais tempo o que agora aqui vou tentar deixar.


Creio que a aceitação por Ribeiro e Castro, de encabeçar a lista do CDS no Porto, constitui um facto histórico do maior significado, para a Direita e para a Democracia-cristã. E tem dois protagonistas, o próprio Ribeiro e Castro e, evidentemente, Paulo Portas.

É do maior significado, pois constitui a primeira ocasião em que dois líderes do CDS, desavindos publicamente, assumem uma reconciliação política: o inimigo comum é mais importante do que os desentendimentos próprios. Como sempre devia ter sido.

Mas nem sempre foi. Pelo contrário, se há marca do partido no passado é a da incompatibilização dos ex-líderes com os seus sucessores e, por causa disso, com o Partido. De que é exemplo o comportamento político recente de Maria José Nogueira Pinto.

O problema destas inúmeras incompatibilidades pessoais é precisamente o facto de demonstrarem a falta de ambição do partido, dos seus dirigentes e dos seus apoiantes.

Num partido ambicioso, naturalmente haverá pessoas com diferentes interpretações da melhor estratégia para a promoção dos valores que o partido representa e de que é repositório. Soubesse o CDS ter tido essa imagem, e provavelmente muitas das pessoas que hoje integram o MEP estariam connosco.

Num partido descrente, os grupelhos organizam-se para se desacreditarem uns aos outros. Nomeadamente, e até principalmente, atacando e descredibilizando o líder na ocasião. Como muitos dos colegas de blog se tem esforçado por fazer - certamente pelas melhores razões, mas é esta a consequência principal.

Pela minha parte, consola-me verificar que não sou o único a desejar um CDS mais ambicioso. E presto aqui a minha homenagem e agradecimento aos líderes Ribeiro e Castro e Paulo Portas: bem hajam!!!

E grito, esperançado: é possível um Portugal melhor. Basta querer.

Regionalização a sério



Uma das medidas por que valeria a pena lutar era a transferência da Ana Lourenço para o Porto Canal. Talvez assim eu tivesse mais hipóteses de a conhecer...

Domingo, Junho 21, 2009

Campelo e a regionalização

Daniel Campelo anunciou hoje o que já se falava a voz baixa: Não se recandidata a Presidente da Camara de Ponte de Lima. E uma das razões apontada, para além de o ter dito há quatro anos e assim cumprir o que disse o que se sabe é raro na politica, é querer dedicar-se a uma grande batalha: a regionalização. Vamos a isso Daniel. Eu engrosso o pelotão.

Declaração de interesses

Uma das regras elementares do jornalismo, da assessoria de imprensa e de escribas em blogues é fazer declaração de interesses. Fica sempre mais claro mesmo que aquilo que escrevam seja o mais justo e a mais verdadeira das "coisas". Só assim se cria credibilidade das funções. Toda a gente sabe que sou do CDS e do Boavista. Já o disse mais do que uma vez e é sabido por quem nos visita. Tendo uma agência de comunicação nunca aqui escrevi sobre qualquer um dos meus clientes. Quando o fizer farei a respectiva declaração de interesses. É assim que vejo as coisas.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

CDS o momento

FVF escreve que:

JR Castro fez mal em aceitar o lugar de deputado que lhe foi proposto. Penso exactamente o contrário. Fez bem. Fez bem pelo partido dando um sinal interessante. Fez bem por ele. Pois vai para onde lhe faltou estar há 2 anos atrás. E como um verdadeiro democrata cristão perdoou. Que não significa esquecer. São coisas diferentes.

Que Paulo Portas eliminou um adversário dando-lhe uma esmola. Não concordo. Ser cabeça de lista pelo Porto não é, nem nunca foi uma esmola. E depois não eliminou. Quando muito mantêm por perto para melhor controlar. Mas Portas sabe que tem que enriquecer o grupo parlamentar, quer com gente com experiência, Ribeiro e Castro, e com sangue novo como Assunção Cristas.



AJBarros escreve que:
Será que a atitude de Portas em convidar Ribeiro e Castro e do segundo em aceitar a disposição do primeiro não comprova o quanto se precipitaram e estavam errados os militantes que saíram no final do ano passado? Nunca concordei com as desfiliações mas este pode ser uma prova de que, ao contrário de outros, não havia uma guerrilha com líder assumido. Muito gostava que o nosso JAC se voltasse a filiar.

Lembro que distrito do Porto foi dos principais opositores à presidência de Ribeiro e Castro no partido. Não concordo. Ou pelo menos diria que do distrito do Porto partiram também dos mais importantes apoios a JRCastro, ou não foi assim?


Acima de tudo continuo com a secreta esperança que o CDS possa ser um local respeitável e frequentável.

Acredito que este sinal de Portas terá obrigado alguns a engolir uns sapos e que eventualmente será de cabeça meia baixa que cumprimentarão Ribeiro e Castro nos próximos tempos. E JRC poderá manter a cabeça sempre levantada. Trabalhou pelo Partido e para o Partido.

Peace and love...

Até já estou mesmo a ver (em nome da conciliação partidária) o Alvaro Castelo Branco e o Manuel Sampaio Pimentel a fazerem campanha no Porto para a eleição de Ribeiro e Castro e depois até combinam ir juntos almoçar à Tia Alice em Fátima.

...a bem da palhaçada!!!

Quinta-feira, Junho 18, 2009

É justo !

"O velejador Bento Amaral recebeu no passado dia 10 de Junho, das mãos do Presidente da República, Cavaco Silva, o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A distinção aconteceu no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Santarém".

Ganda Bento!

Grande Presidente

Digam o que lhes vai na alma

òleo "Freedom of Speech" de Norman Rockwell - 1943

Tendo lido o post imediato do FVF, achei interessante recordar este quadro de um pintor americano.

SERÁ QUE....

A propósito do post "Lição para a vida" do meu caro amigo AJBARROS e do facto de Ribeiro e Castro encabeçar a lista das legislativas para o Porto.

Ponto Um - O texto de AJBARROS está na linha do PP de aparecer agora sob as vestes do cordeirinho.

No fundo, a atitude é smilar à do Engº José Sócrates de se tentar agora (que lhe convém) travestir para parecer aquilo que não é.

Paulo Portas convém-lhe agora aparecer travestido como o messiânico apaziguador e conciliador do partido.

Mas na verdade, não tem essa verdadeira vontade e motivação e só o faz porque lhe convém.

Na verdade PP não tem consideração nem aprecia Ribeiro e Castro

Na verdade Ribeiro e Castro e o que ele representa continua a ser desprezado e gozado por PP e pelos seus.

Só quem for muito inocente é que pode acreditar no contrário.

Alguém se acredita que Nuno Melo no seu dicurso de vitória quando se refere aos eurodeputados do CDS não o faz ironicamente e por gozo?

Dos senhores que AJBARROS refere no seu post julgo que dificilmente alguém pode tirar boas lições para a vida.

Ponto Dois - AJBARROS esquece-se do passado recente do CDS/PP e esquece-se das razões porque MJ Nogueira Pinto saiu e de todos os episódios de insidia palaciana que colminarem nas cenas tristes que todos sabemos.

Escrever o que escreve é não querer perceber que há pessoas que não pactuam com uma forma de estar na politica que já se percebeu que não tem qualquer futuro.

Escrever o que escreve é não perceber que há quem tenha um coluna vertebral e que há limites e principios que são para essas pessoas intransponíveis.

Ponto Três - Na sequência do que vem acima referido não me parece que Ribeiro e Castro possa aceitar a esmola de PP.

RCastro Perdeu credibilidade e confundiu-se com os demais...

Depois do que PP lhe fez e do que dele disseram e fizeram importava outra atitude.

Ribeiro e Castro desiludiu...

Paulo Portas não desiludiu, antes pelo contrario, esteve igual a sim mesmo, jogou uma cartada, vendeu ser um bom samaritano, eliminou um adversário dando-lhe uma esmola

e assim anda o mundo do CDS/PP

por essas e por outra Portugal é único país da Europa em que a Direita e o Centro Direita é a 5ª força politica

e a esquerda radical a 3ª força politica e o PCP a 4ª força politica,

e o mais espantoso é que apesar disto estão todos muito satisfeitos.

...para mal da Nação!!!!

A passagem do Rubicão


Ribeiro e Casto: Um deputado pelo Porto

Relativamente à escolha do Porto para encabeçar a lista, também aqui foi um claro sinal de Paulo Portas ao partido de que para crescermos temos de superar as divergências internas e por o CDS em primeiro lugar.

Lembro que distrito do Porto foi dos principais opositores à presidência de Ribeiro e Castro no partido, pelo que esta candidatura obrigará a uma cooperação institucional grande entre o candidato e as estruturas, que certamente Portas e Ribeiro e Castro muito bem promoverão.

Também não acredito que as estruturas partidárias do porto serão forças de bloqueio, bem pelo contrário, vão querer certamente responder à altura da atitude que presidente do partido demonstrou.

Lição para a vida

Será que a atitude de Portas em convidar Ribeiro e Castro e do segundo em aceitar a disposição do primeiro não comprova o quanto se precipitaram e estavam errados os militantes que saíram no final do ano passado?

Será que a demissão no último Conselho Nacional de Martim Borges de Freitas, secretário-geral de Ribeiro e Castro, com o intuito de captar a atenção negativa da Comunicação Social para o CDS, teve a grandeza e a atitude de pacificação e de união como agora comprovaram Portas e Ribeiro e Castro?

Será que a atitude de José Paulo Carvalho, quando se desfiliou do CDS mas manteve o lugar de deputado, foi perante os recentes acontecimentos a correcta?

Será que Maria José Nogueira Pinto não deve voltar ao “seu” partido, em vez de andar a apoiar o António Costa (PS) que em campanha a nomeia para a Baixa-Chiado e depois de ser eleito a exonera? Ou a dizer bem da Ferreira Leite (PSD) que a ignora e incentivou à queda da coligação na Câmara de Lisboa com Carmona Rodrigues?

Será que Manuel Monteiro ganhou alguma coisa em ter saído do partido, depois de ter perdido um congresso e ser convidado para encabeçar uma lista à Legislativas no círculo eleitoral que quisesse?

Será que os que saíram não deveriam sentir-se rendidos pelas evidências, darem meia volta e voltarem, porque todos são precisos para construir um partido maior?

Será que Paulo Portas e Ribeiro e Castro ontem não terão dado uma lição a muita gente e ao país? Certamente que sim!

CDS - Um bom sinal

A escolha de Ribeiro e Castro para cabeça de lista pelo Porto é um excelente sinal que o CDS transmite. Fico contente. Espero que este sinal de união não se fique pelos cabeças de lista e todo o CDS seja chamado à luta.

Conselho Nacional do CDS

O Conselho Nacional de ontem foi uma prova de maturidade política e responsabilidade partidária dada pelo CDS e, nomeadamente, por Paulo Portas.

Foi um sinal de união interna e de força para o exterior, que com toda a certeza agradou a quem se situa na área política do CDS.

Foi para uns um “chamamento de Cristo” e para outros um sinal de abertura e reconciliação interna de todo o partido à volta do seu líder.

Enfim, todos os partidos democráticos - excluo deste grupo o BE (comprovado, por exemplo, com Joana Amaral Dias) e o PCP (comprovado, por exemplo, Luísa Mesquita, entre muitos outros) – falam de liberdade de opinião e posição, mas foi no CDS que mais uma vez houve uma clara atitude de aceitar as divergências e posições, tal como já tinha acontecido com o convite a Manuel Monteiro para ser cabeça de lista após ter perdido o seu último Congresso no CDS.

Depois das sondagens, esta é a altura de alguns comentadores políticos de paixão pela esquerda voltarem a meter a “viola no saco”…

Parabéns ao CDS

Diogo Feio termina, por estes dias, o seu mandato à frente do grupo parlamentar do CDS: em grande.


Desde logo, o CDS, também por mérito dele, consegue um bom resultado nas eleições europeias, afastando o espectro do táxi - que, entre nós, tem um peso específico.

Depois, a moção de censura hoje debatida foi particularmente oportuna, não só para mostrar que as eleições europeias tiveram significado, mas sobretudo para demonstrar que, à direita, a única oposição tem sido o CDS - pese embora os méritos, e são muitos, de Paulo Rangel que, todavia, não são suficientes para esconder as debilidades do actual PSD. Isto mesmo se vê na vitória conseguida com o adiamento das decisões sobre o TGV; o Governo recuou, o PSD como é contra não sabe de que é que é a favor, só o CDS começa a apresentar as alternativas que se justificam e impõem em matéria de rede ferroviária moderna.

Sobretudo pelo novo estilo de fazer oposição que o CDS protagonizou, em grande parte através do Diogo; sempre apresentando alternativas. Esta oposição construtiva há-de dar resultados. Mais cedo ou mais tarde.

Ainda de referir a coincidência deste final de etapa com a "reconciliação" de Ribeiro e Castro com o partido. Já se sabe que foi convidado por Paulo Portas para encabeçar uma das listas do partido. Espera-se para breve o anúncio da sua aceitação. Oxalá. Por ele, Ribeiro e Castro, que merece um futuro político. Pelo partido, que merece, finalmente, ultrapassar esse espectro das incompatibilidades pessoais que tanto mal fizeram à democracia cristã em Portugal. Pelo País, que merece uma verdadeira alternativa à direita, que mobilize todos os seus valores e ideias.

Resta-me desejar ao Diogo Feio uma boa experiência no Parlamento Europeu. Que seja mais uma etapa do seu crescimento político. Que lhe corra bem, política, profissional e pessoalmente.

Aqui se prova que ainda há boas razões para gritar:

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Contos proibidos

Este livro desapareceu das bancas. Mas está ali o ADN do Partido Socialista. Merece ser conhecido. Pode fazer um download a partir deste site: http://ferrao.org/2008/03/rui-mateus-contos-proibidos.html

Dar de beber a quem tem sede

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Subtilezas

Alguma imprensa portuguesa (aqui) começa a perceber, tarde, o que se está a passar com a recondução do Barroso. Nós avisáramos ali.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Fundação Luso-Americana


A Fundação Luso-Americana é uma fundação privada, mas foi totalmente alimentada com dinheiros públicos, repartidos em partes iguais entre contribuições do governo dos Estados Unidos e dinheiros públicos fornecidos pelo Estado português. Até 1998, o governo português entregara à Fundação perto de 85 milhões de euros.

Apesar de já estarmos no segundo semestre de 2009, o último relatório e contas disponível no site da fundação refere-se a 2007. Fazendo fé em tal relatório, o activo monta a 134 milhões de euros ao qual se deve somar o valor das luxuosas instalações em Lisboa, então avaliadas em 12 milhões de euros. Ao que parece, gere uma carteira de títulos que só em 2007 terá rendido perto de 5 milhões de euros.

Tem um Conselho Directivo de 9 membros, integralmente nomeado pelo primeiro-ministro.
Tem um Conselho Executivo de 3 membros, cujo presidente é nomeado pelo primeiro-ministro. Pelo menos estes 3 são remunerados e, ao que parece, principescamente.
Tem um Conselho Consultivo de 10 membros.
Tem 5 ou 8 Directores e um Secretário-Geral.
Diz ter um total de 34 colaboradores, ou seja, um ratio de quase um empregado por gestor.
Gastou em 2007 pelo menos 2.250.000 euros em despesas com pessoal e pagou serviços ao exterior no valor de 685.000 euros.

Tem uma colecção de arte de cerca de 900 peças, 2/3 das quais são coisas em papel, e chamo-lhe 'coisas' porque na minha desajeitada opinião e à luz do que mostram no site, eu não queria nenhuma delas em minha casa nem dada, mas eu sou um bruto e um ignorante, portanto, adiante.

Mas o que me faz mais confusão é tentar perceber porque é que com tanto dinheiro e tanta gente à cabeceira deste palácio e desta generosa obra foi preciso suspender este ano:

a) O Programa de bolsas C&T papers para apresentação de Comunicações em Conferências no Estrangeiro;
b) O Programa de bolsas para desenvolvimento de redes de investigação Portugal - Estados Unidos;
c) O Programa de atribuição de bolsas para estágios e investigação com mais de 2 meses.

Se dispensassem alguns dos membros dos Conselhos ou alguns directores talvez poupassem qualquer coisa e mantivessem a razão de ser. Quais são afinal as prioridades desta fundação?

Uma mulher do futebol

Porto: Uma vivência cosmopolita

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Gelatinas

Ora aqui està um homem com espinha, daquela que não parte...porque se dobra.

Os vices


Talvez vá sendo tempo de aparecer, mesmo que chova.

Polónia

Um milhão e duzentos mil postos de trabalho perdidos na zona euro.
Entretanto, tudo indica que a Polónia será o único país da União a ver crescer a sua economia em 2009; a Polónia não pertence à zona euro.

Irão


TGV, porquê e para quê

Sempre fui céptico das opções nacionais sobre o TGV (como aliás, pelas mesmas razões, do NAL e da TTT; razões que, para resumir, se reconduzem aos interesses do centrão).


No entanto, à medida que se vai recolhendo informação sobre o que está em causa, começa a perceber-se que a transferência da actual bitola ibérica nacional, para a futura bitola europeia é uma questão da maior urgência. E importância, pelos valores em causa.

É urgente, por uma razão simples. Toda a Europa está a migrar, quem disso necessita, para a bitola europeia. Esta vai ser a bitola que permitirá a melhor e mais rápida circulação de mercadorias dentro da União Europeia. E, já agora, a bitola usada nas linhas de Alta Velocidade.

A Espanha percebeu isso, há já alguns anos, e tem estado a implementar um plano de modernização da sua rede ferroviária, que estará completo em 2020, com a migração praticamente total da sua rede para a dita bitola ibérica. Pelo caminho, modernizou muitas das suas principais linhas e criou a maior rede europeia de AV. O tal TGV de que tanto se fala, é um dos beneficiários.

Em Portugal, pelo contrário, estas questões não são sequer equacionadas. Pode parecer o contrário, mas a verdade é que só alguns carolas continuam a questionar este problema de fundo que é o da bitola da rede ferroviária. É aqui, nesta questão, que se joga a produtividade dos investimentos que se fizerem.

O Governo, aparentemente, tem um plano. Quer fazer duas (ou três, se quisermos ser generosos), linhas em bitola europeia. Lisboa-Madrid e Lisboa-Vigo (embora esta última se desdobre em duas, a primeira em AV, entre Lisboa e o Porto, a segunda em Velocidade Elevada - VE). Estas duas, ou três, linhas, por muito generoso que se queira ser, não são, nem serão nunca, uma rede ferroviária moderna. Mas podem (podiam é mais correcto) ser uma parte importante de uma futura rede, em bitola europeia. Sem essa rede, Portugal ficará de facto isolado da rede europeia de transportes.

O problema explica-se de forma simples. A construção de linhas ferroviárias custa, grosso modo, o quadrado da velocidade para que a linha é programada. O que quer dizer, que a progressão é geométrica. Assim, por exemplo, 100km para andar a 100km/h, custariam 1 milhão; os mesmos 100km para andar a 200km/h custariam 4 milhões e se fosse para andar a 300km/h custariam 9 milhões. Números estes que são meramente demonstrativos, visto que os números reais dependem ainda das diversas dificuldades construtivas que podem ser acrescentadas (orográficas, expropriações, etc.).

Em Portugal, existe uma RAVE que tem por única e exclusiva preocupação a programação das linhas de AV ou VE, para passageiros. E aqui reside o busílis da questão. Fazer uma rede ferroviária esquecendo as mercadorias, que é como quem diz, as empresas exportadoras e os seus produtos, é hipotecar a via mais provável, se não mesmo a única, de rentabilização destes investimentos. Numa palavra, é criminoso. Mais ainda, agora que a actual crise económico-financeira veio demonstrar a falência do modelo económico português e ameaçar seriamente as possibilidades do nosso futuro colectivo.

Não debater estas questões é uma questão de cegueira colectiva. Estamos a hipotecar-nos e aos nossos filhos, para aproveitar (mal, sublinhe-se) umas percentagens relativamente baixas (comparando, por exemplo, com as que a Espanha obteve, a seu tempo) de apoios europeus.

Pior ainda, as decisões que agora se tomem sobre estas matérias, condicionam muita da viabilidade de outros investimentos conexos; por exemplo esse erro monumental que parece ser o da colocação da TTT no Barreiro - agravada ainda pela função dupla de ferrovia e autovia; ou o NAL, sobretudo se for em Alcochete; ou ainda a questão seriíssima da passagem da linha Porto-Vigo pelo Aeroporto Sá Carneiro; ou a imbecil construção de uma terceira via em bitola ibérica, ao lado da via Poceirão-Caia em AV, para manter os portos de Setúbal e Sines de fora da rede peninsular de mercadorias, apesar desse simulacro de ligação à fronteira; ou essa cretinice do aeroporto internacional de Beja, desconexo da rede ferroviária...

Normalmente, as decisões deste tipo são feitas pelo bloco do centrão. Neste momento, o Governo do PS tem um mau projecto que está a querer fazer andar a toda a força, porque não teve dinheiro para o fazer andar calmamente nos anos anteriores do mandato. Pelo contrário, o PSD está anquilosado nas visões orçamentalistas da sua líder, que apenas sabe ver o perigo do actual modelo, sem apresentar qualquer alternativa. E da guerrilha política que lhe vem atrás, neste período de aquecimento para as legislativas.

Esta é, parece-me, uma oportunidade única para alguém falar em nome do futuro do País. Separar bem as águas, defender os investimentos que fazem sentido e inviabilizar os outros. Pensar a necessidade e urgência de uma rede moderna de ferrovia, promover a maximização do retorno dos investimentos (modernizando onde é possível, construíndo onde é necessário) e defender a imprescindibilidade da rede servir o transporte de mercadorias, para maximizar o aproveitamento do potencial dos nossos portos.

Que bom que era que o CDS estivesse atento.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

Domingo, Junho 14, 2009

As mini-férias de Junho

A semana que hoje termina deve ter sido a menos produtividade neste ano de 2009, quer no que já passou quer no que ainda falta. Com 3 dias de férias metade do país tirou uma semana. A outra metade que ficou a trabalhar não conseguiu resolver metade dos assuntos que tinha a tratar. E a somar a tudo isso as máquinas partidárias ficaram a recuperar horas de sono e só o PSD e o MEP deram mostras de estarem vivos. Ainda bem que amanha já volta tudo ao normal. Porque definitivamente não é desta forma que lutamos contra a crise.

Alma até Almeida

Às vezes apetece escrevinhar uns textos íntimos, a desabafar uma pieguisse qualquer, como que a pendurar ao sol a roupa interior, ou a corar as peúgas brancas depois do ginásio. Felizmente, esses impulsos estiolam depressa, para bem do recato.

Mas esta manhã encontrei um cartãozinho junto ao café, uma letra pequenina em feltro azul a lembrar-me o pai que sou. Já não precisei de pôr açúcar na xícara. E lembrei-me do meu, com quem já não posso conversar. Era uma pessoa incrível e ainda hoje sinto os seus abraços e a sua frase preferida: “Alma até Almeida”. Obrigado pai!

Sábado, Junho 13, 2009

O Homem-das-ideias-extravagantes

« Você já assistiu, sem sombra de dúvida, a alguma conferência entre portugueses, quando se discute um plano de acção, uma proposta, uma ideia...E que notou?
Espere. Não diga nada. Eu vou dizer-lhe o que você notou. Um minuto depois de ter pedido a palavra, o primeiro orador já contava uma história. Um episódio qualquer da sua própria vida, uma anedota, uma brincadeira, um caso,- eu sei lá! Uma história: está dito tudo. E daí em diante, -esse, e outro orador, e outro, e outro, e outro, e outro, e o presidente, e o secretário, e o subsecretário, e o contínuo, e o porteiro, e o bichano, e toda a assistência que constituía a assembleia- ouvia, contava e comentava histórias. É isto uma conferência de cidadãos portugueses, sempre que se trata de negócios graves. Posso jurar-lho. Sem excepção. Não importa a espécie,-percebeu você? Conferência de comerciantes, de industriais, de padeiros, de dentistas, de sacerdotes, de mestres de dança, de estudantes, de oficiais, de notários... do diabo que os leve, e seja o que for. Olhe: ponha na lista os guarda-nocturnos que são como os mais. Contar histórias, e ouvir histórias: eis o ideal do cidadão lusitano. Você notou isso: nem notou outra coisa! E depois? Como lhe parece que se explica o fenómeno? Eu queria ouvi-lo sobre este assunto...”

in ‘Notas de política’ (O Homem-das-ideias-extravagantes), António Sérgio 1929

Apanhar ar

"Sailing the catboat" - aguarela de Winslow Homer 1875

Sexta-feira, Junho 12, 2009

É obra, sim senhor!

241 milhões de euros em derrapagens financeiras no últimos anos em apenas 5 Obras Públicas é obra. Até foi preciso prolongar os prazos, pois claro, mas é obra, cinco vezes obra.

A próxima missa


Nas vésperas do Conselho Europeu de 18 e 19 de Junho, aquela coisa em que os dirigentes da União fazem uma enésima foto e saúdam algum novato ou se despedem de um apeado, manobra-se à tripa forra por causa dos lugares e dos poderes.

É evidente que vão preparar uns parágrafos a dar ideia que se ocuparam muito de questões ambientais ou que se debruçaram sobre a regulação dos mercados financeiros, mas tudo isso será para entreter o pagode com o blá-blá do costume.

Desgraçadamente, não acredito que façam sequer uma discussão séria e honesta sobre os resultados das eleições europeias, até porque esta gente o que quer é que nos esqueçamos o mais depressa possível que quase 60% dos cidadãos lhes virou as costas e deixou de acreditar neles.

As verdadeiras manobras centrar-se-ão em dois aspectos: o primeiro, que "garantias" oferecer à Irlanda para que esta organize o tal segundo referendo (voltar a uma Comissão com um nacional por Estado-Membro? renunciar a qualquer pretensão de harmonização fiscal? pôr travões à imigração?). Mas o busílis da coisa está na forma, pois não é líquido que um tal compromisso seja juridicamente válido por mera resolução de um Conselho Europeu e, por outro lado, avançar com um novo Protocolo pode obrigar a reiniciar em vários países os processos nacionais de ratificação do tratado de Lisboa.

O segundo osso a roer tem a ver com a designação do próximo presidente da Comissão e dos outros putativos postos, caso "Lisboa" veja a luz do dia. Contrariamente ao que diz a generalidade da imprensa portuguesa e os papagaios a soldo, os argutos perceberam que seria um erro político grave designarem já formalmente o Barroso (que seria assim chamado a submeter-se a um voto do Parlamento Europeu onde as negociatas ainda não terminaram) e a formar um colégio de apenas 18 comissários à luz das regras em vigor (tratado de Nice 'oblige'). Ora isso calha mal, pode irritar uns tantos e contradizer a tal promessa aos irlandeses.

Vai daí, esta pérola do apoio "sem ambiguidades" ao nosso artista, mas só de boca, nada de papel assinado, e com este recado: "vai ali conversar com o parlamento e volta com um programa escrito (que te vamos ditar)".

É a União Europeia, está bem?
O que não é, aliás, nenhuma novidade para o Durão, pois ele sabe bem que atrás de um claro apoio a um Vitorino se pode esconder um Zé Manel. Certo? Certo!

Quinta-feira, Junho 11, 2009

A propósito dos exemplos

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Que o sol os ilumine

"Morning Sun" , óleo de Edward Hopper - 1952
clik na imagem para a aumentar

Embaixada em Madrid


Porque razão o texto sobre a situação macro-económica de Portugal que consta deste site da Embaixada de Portugal em Madrid, e que está completamente desactualizado (remonta a 2004 e fala nas expectativas para 2005), não é revisto ou pura e simplesmente retirado?

Não temos necessidade de parecermos, junto dos espanhóis, mais ridículos do que somos.

A Pandemia

A 10 de Junho, a Organização Mundial da Saúde (ver aqui) contava 27 737 casos da gripe A(H1N1) em 74 países, dos quais 141 tinham provocado a morte do doente.
À hora a que escrevo estas linhas ainda não sei se a OMS já declarou ou não formalmente a situação de pandemia, mas é óbvio que se trata de uma pandemia, ou seja, uma epidemia ao nível mundial.
Tudo indica que lá para Outubro ou Novembro esta doença regresse em força ao hemisfério norte, transformando o nosso próximo Inverno num período muito complicado.

Portugal tem sido até agora relativamente poupado por este vírus. Meia dúzia de casos suspeitos, com apenas 2 confirmados, não chega para testar a preparação das nossas estruturas de saúde. Ainda não percebi qual é o plano concreto que as autoridades terão em mente para o caso de virmos a estar confrontados com milhares de doentes e receio que as doces palavras da actual ministra da Saúde sejam um curto conforto para um cenário mais pessimista.

Quantas doses de antivirais do tipo Tamiflu existem em stock em Portugal?
Quantas doses estão encomendadas para entrega em finais de Setembro?
Quantas máscaras estarão disponíveis para distribuição pelos cidadãos?
Que planos de contingência existem nos serviços do Estado, nas empresas de fornecimento de bens ou serviços essenciais, públicas ou privadas?
Que edifícios serão requisicionados para transformação em grandes enfermarias?
Etc., etc.

Não percebo o que se passa relativamente à encomenda ou não da vacina. Quais são as dúvidas? Razões técnicas? Económicas? Clínicas?

Concordo que é de evitar falsos alarmismos e que seria desastroso se somássemos à desgraça um pânico trapalhão. Mas o cidadão português tem o direito de fazer perguntas. E não nos esqueçamos de que nada garante que o 'regresso' do vírus não nos traga uma estirpe muito mais maligna do que a actual.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Vinho Rosé

Afinal, o bom-senso prevaleceu. O "Nortadas" bem avisara aqui.
A Comissão Europeia retirou a sua proposta de admitir a comercialização, sob a denominação "rosé", de umas mistelas tinto/branco.
Leia aqui

10 de Junho: a justa homenagem


Natureza morta (2)

"Strada bianca"

O futuro não está para rosas

A situação económico-financeira da zona euro é ainda muito muito preclitante e são prováveis novas falências de bancos. "Talvez tenhamos chegado ao vale, mas ainda é preciso atravessar esse vale" (diz Yves Mersch no Wall Street Journal). Ler aqui

Entretanto, por cá, a Moody's baixou o rating da EDP (de A2 para A3), por considerar que esta está a acumular uma dívida a longo prazo desproporcionada.

Terça-feira, Junho 09, 2009

Banco Privado Português (2)

O Pùblico noticia que a administração do Banco Privado Português concorda com a solução do governo.
Provavelmente escapa-me qualquer coisa, mas à primeira vista e se bem percebo, a administração do BPP concorda que o governo não concorde com o plano que essa administração lhe apresentou.

Proselitismo islâmico

Sò hoje me dei conta, por pura distracção e uma deficiência neurològica que me perturba os azuis, que este Nortadas, tem ali ao lado um link (permanente?) que nos conduz supostamente a saber como nos convertermos aos ensinamentos do Corão.
A minha dùvida é: esta minha distracção também é vossa?

Banco Privado Português

Tanto o ministro das Finanças como o "engenheiro" disseram hoje que houve actos criminosos na gestão do Banco Privado Português.
Se assim é e se ambos jà sabem essas coisas e até as publicitam, a minha pergunta é a seguinte:
não hà um arguido, mesmo pequenino que seja, para a gente conhecer?

Casa Pia

Catalina Pestana disse a 22 de Maio ao Correio da Manhã:

-"Se eu fosse ministra encerrava a Casa Pia”.

Pois não ouvi reacções e considero o que se está a passar, aliás o que não se está a passar, grave.

Como dizia Friedrich Hebbel:

-" Eu mantenho a minha ideia: O sol brilha uma só vez para o Homem,
na infância e no início da juventude.

Se o aquece,
nunca mais será totalmente frio,
e o que tem dentro dele,
florescerá e dará frutos".

Que escuridão está a ser "proporcionada" às crianças e jovens da casa Pia?