o caminho, animais, quilometragem

duas ou três notas sobre o êxodo de lisboa, desejado mas sem a juda de um mar vermelho dividido como um penteado à paulo bento, potenciado apenas por uma A2 que pulula de referências mesmo que pobre em veículos, a saber, poucos quilómetros depois de iniciada a viagem deparamo-nos com uma placa que anuncia as obras de alargamento do troço de coina, uma miséria, quem é o sacripanta que desdenha a coina mais apertadinha, mais à frente os outdoors alusivos ao badoca park, e neste ponto lembro-me do leão do raul indipwo, quem terá tomado conta dele quando desapareceu o último ouro negro, e entretanto eis que passa uma carrinha de caixa aberta da gnr empenhada em empestar de fumos e excrescências a vida do transeunte, chernobyl ao largo de beja, está visto que aquela força da ordem desconhece a palavra "catalisador", entalada algures entre os vocábulos "capacidade" e "cérebro" do manual de instruções da Guarda, uma página muito pouco visitada dizem as más-línguas, as boas não interferem, trabalham no red light district, são emigrantes e tal, e à chegada à portagem do allgarve mais uma surpresa ilustrada: um cartaz da brisa incentiva a que respeitemos os outros automobilistas; para ilustrar a mensagem escolheram uma matulona loira que beija ostensivamente uma miúda preta vestida como se tivesse saído directamente do orfanato para a sessão fotográfica, naquela que é a mais espectacular manifestação semiótica deste verão em que a prevenção rodoviária dá as mãos à luta contra o racismo, passando pela promoção da adopção, prejudicada pela obsessão das garinas com o relógio biológico. tanta informação e a semaninha de férias ainda agora arrancou.

está na hora


postarei, mais perto do mar

e esta alusão a uma canção dos Anjos acaba de aniquilar qualquer resquício da minha credibilidade, que se lixe, já andava até mais desgastada do que a imagem do dias loureiro, do conselho de estado e do diabo a sete, ou mais.


publicidade institucional

irmaolucia, um quase blogue na terra dos quase romances.

pop less



1958-2009

espaço pub



as últimas ilustrações para a revista Nós do jornal i já estão arrumadas no sítio próprio. bem como outras rabisquices. tudo em riscar.net e tal.

happens all the time


happens all the time


os jornais dos países desenvolvidos são os jornais que publicam tops de livros que versem sobre ménages à trois

Top 10 literary ménages à trois
Novelist Ewan Morrison snuggles up with his pick of the best literary threesomes, from Ernest Hemingway to Anaïs Nin


a crise pode chegar ao lazer de jornalistas e publicitários

UN report shows fall in opium and cocaine production

Boris Vian, morto há exactamente 50 anos, convence-me a abandonar um canhenho do vasily grossman, tout de suite, entre outras coisas


© rabiscos vieira

Seria melhor aprender a fazer amor correctamente, em vez de nos embrutecermos com um livro de história

só privilegiados têm o ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que o Luis me deu # 4



ps: encontro-me de férias mas sem poder sair de lisboa por causa de situações tão fascinantes como a relação com imobiliárias, entre outros demónios. portanto não me chateiem muito os chavelhos com a falta de posts, de inspiração ou de tolerância e o caralho.

a regulamentação da curvatura dos pepinos sente-se menos só

acabo de saber que existe um dia europeu para a segurança em passagens de nível.

e só não vamos em comboio porque não há carris que cheguem entre o príncipe real e os restauradores



mÚSICA & dESIGN


dar embalo


Lucretia Divina



há um ror de anos assisti à final de um concurso de música moderna portuguesa em plena antecâmara das praias da caparica, um local com o Barbas em ponto de fuga e um palco que dava para o bar tarquínio, cheiro a sardinha, pseudo-pescadores com barbas mal raspadas e um sol castigador daqueles verões que eram a sério, tudo conjugado para assistir a diversas performances, entre as quais a investida tímida por chicotes e golas altas dos lucretia divina, mais a sua maria, suficiente para assustar os basbaques, consolar o meu coração adolescente e entregar o ceptro da vitória final à quinta do bill, anos antes dos malfadados filhos da nação e dos uivos ao manitu e ao raio que os parta. e eu desconsolado, como hoje, desde há muito que vou coleccionando fracassos, chamados maria ou outra coisa qualquer.

politólogos imperfeitos

Ruca não tem dúvidas, o que pode foder a oposição no Irão é o Represas dedicar-lhes uma cantiguinha.

a minha mulher precisa de ser internada ou de quando uma relação duradoura começa a abrir fissuras

"olha, o diogo feio está mais bonito"

reacção às imagens da sic notícias, 17/06




mulher e arma com guitarra espanhola


© rabiscos vieira

lança-se amanhã com direito a acepipes. depois não digam que não avisei.


deixem voar a nossa Susan Boyle

Os serviços prisionais vetaram a presença do mais mediático membro do coro da cadeia de Custóias, Bruno "Pidá", num espectáculo agendado para dia 26, na Casa da Música, no Porto.

só privilegiados têm o ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que o Luis me deu # 3



arrastão goes musical tomo 2




que bem que me caiu no goto o disco de estreia dos OqueStrada, colectivo que palmilha terreiros e coretos, arraiais e salões de colectividade há coisa de sete anos, eles, que guardaram as pérolas mais ou menos longe dos incautos, folia escondida com rabo de fora, e agora lançam a rodela com o nome de Tasca Beat, arriscando uma salada de frutas muito borderline, entre o neurótico e o psicótico como manda a tradição, deitando para a gamela cantares, instrumentos e assobios de vários quadrantes e assim se faz uma alquimia do catano, refunda-se uma parcela da música à portuguesa, tecem-se loas à identidade a partir de uma guitarra dedilhada mas também sovada em registo flamenguito, quadras lisboetas e crioulo diletante, acordeão e um contrabaixo arraçado de pau de vassoura. E que produz som, diabos o levem e tragam.

Pelo meio faz-se a barba à chapada a um ou dois amores vigorosos, sopra-se nos metais, molha-se a sopa nas outras línguas, francês, castelhano, um ou dois ciganos aterram de soslaio sem ser para vender caldo-knorr-a-fazer-de-haxixe, glosa-se o billy idol (I kid you not) e as rotundas, Almada e o killing me softly, uma pitada de brasil, cabo verde e madragoa, há umas cordas em “eu e o meu país” a lembrar o al-andaluz, os terraços de beja ou os meus vizinhos da rua de santa marta, é possível modernizar o cancioneiro sem querer trazer as modinhas da amália para o trip-hop, para as vocalizações banhudas, homenagem ao estilo elefante em loja de porcelanas como uma ou outra que rodam por aí, glória aos fadistas, à hermínia, dizem eles, glória à OqueStrada, proponho eu, toma lá nota ó sam the kid, eles não querem ser os moonspell, não querem novos horizontes, mas aqui a tasca beat, é um granel , é quinta da fonte. E que bem que eu me dou com as rimas, foda-se. Então não?

em stereo



bom dia, queria só dizer que esta noite sonhei com os pavement, o que de certa forma pode classificar-se como um wet dream



rapariguinho do shopping

ainda o rescaldo da desdita do ps e dos elementos da direita pró-socretista - para usar as doutas palavras do eduardo cintra eu-sei-quem-matou-o-jfk torres - ao balcão do café paredes-meias com um wc (palavras para quê). uma lojista na casa dos vintes pergunta então dona ana, foi votar? e a outra retruca claro que fui, filha, e tu? e a jovem garbosa a dar o troco eu não, aquilo não me interessa para nada ao que a decana responde com um toda a gente devia ir votar e a rebitesga o meu pai também já me chateou com isso, diz que votar é um dever de todo o ser humano, e a dona ana é um direito, filha, um direito, e a moça também ia votar em quem, naquela velha com ar de desenterrada? e eu próprio não sei que conselho haveria dar à moça, aliás, desbasto os restos do café mais queimado que a serra de monchique (alguém dê um tiro de misericórdia à segrafredo, caralho) e venho para casa a pensar nas filas de iranianos desejosos de pôr o papelito na urna há um par de dias. alguns até se dispõem a morrer por ele, papelito. ele há coisas do diabo.

a chapelada


© rabiscos vieira


o partido pirata da suécia continua a dar cartas, mesmo à escala do nosso pequeno burgo



conferir no site da renascença; dica do imprescindível womenageatrois

gostar de monhés



bem sei que hoje faz 25 anos da morte do Variações mas pop freak por pop freak aqui vai uma do duo Ele e Ela, eternos, do minho a nova iorque e mais



mais um espaço pub (e sim, este blogue parece-se cada vez mais com a programação da tvi)



espaço pub


estes Assírios sempre me saíram uns beatos do catano


actualidades

Lisboa, cidade dividida entre os garimpeiros sociais que pagam o PIB de um país subsariano por uma espuma de castanhas e trufas, previamente fuçadas por javalis de reserva, ali ao eleven, restaurante que paga 500 euros de renda à câmara, coitadinhos, e o pic-nic com direito a xaropada tony carreira por parcos 5 euros, traga o farnel à bela vista, nós tratamos do p.a., backline e canções saídas da casa do terror como a que existia ali a entre-campos, isto se se desse o caso de ainda haver uma feira popular, que faz falta, proporcionava espectáculos mais dignos, alguns de borla, uma vez a minha irmã até assistiu à projecção de um indivíduo através da vidraça do Sesimbrense, toca selecta do frango na brasa e das sardinhas quase-vivas, um dos pratos que me apetece por estes dias, nem confitado de possidonites ao topo do Parque, nem panrico patrocinado pelo Modelo e Continente encharcado em Cantor de Sonhos.

É mais um de tantos dias
Em que choro o teu adeus?

é mas é o caralho.

salve-se quem puder

e por esta altura, vinte e uma e trinta e nove do dia da raça, como diz o kublai khan de boliqueime, passa um programa na sic, canal 3, aquele da sondagem tem-te não caias querido ps que ainda ganhas as legislativas, dizia, é na sic que passam imagens de um dos nossos humoristas, aquele com menos pescoço, e de uma moça que faz anúncios às chanatas seaside, ambos empenhados em conduzir um entretenimento no qual homens vestidos com papel de alumínio se digladiam com esferovites e piscinas interiores. à mesma hora, na rtp 1, fala-se sobre as maravilhas de origem portuguesa. eu já escolhi a minha, a dois cliques de telecomando de distância.