Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Já que estou em maré de intimismo blogosférico, há que escrever aqui que estas palavras de Helena Sacadura Cabral me ficaram gravadas na alma.
BEM-HAJA!
Fiquei sem palavras, perante este post do Tiago Moreira Ramalho. Ainda para mais, não conhecendo eu este meu confrade bloguista.
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
POLÍTICA EDITORIAL DE SINCERIDADE
Há uma série de blogues que — por razões diferentes (cada caso é um caso) — deixei de ler. Defini, desde o princípio desta aventura, a regra simples de estabelecer ligações permanentes apenas a blogues que leio; recuso-me a usá-los para enfeitar as «paredes» — detesto bibelots e penduricalhos! Tudo deve ter uma função, caso contrário não está a fazer nada numa «casa».
SENSORIALIDADE E ESCRITA
O dia divide-se em: horas visuais (as da manhã); horas sensuais (as da tarde); horas musicais (as do cair do dia). O que se faça nas horas visuais resulta nítido de contornos em conceitos e frases. Nelas escrevem os aforistas e melhor trabalham os pintores. Nas horas sensuais estão despertos os baixos sentidos — tacto, paladar e olfacto. São as horas de apalpar, de comer e de cheirar; e vão do meio-dia às quatro ou cinco da tarde, no inverno. O que se escreve nesse intervalo vem repassado desse sentidos. Cai a tarde, são as horas musicais. Então desperta o prazer do ouvido, e a prosa ou o verso são harmoniosos e ritmados.
São as horas estilísticas. Assim o género do poeta ou prosador é conforme as horas em que escreve: os clangorosos derrotistas escrevem de noite. Os variados em imagens escrevem de manhã. Os encharcados de sensorial carnal, os amorosos directos, escrevem do meio-dia às quatro, no inverno. Os doces de linguagem, de ritmo, os amorosos platónicos, escrevem por volta do sol-posto.
São as horas estilísticas. Assim o género do poeta ou prosador é conforme as horas em que escreve: os clangorosos derrotistas escrevem de noite. Os variados em imagens escrevem de manhã. Os encharcados de sensorial carnal, os amorosos directos, escrevem do meio-dia às quatro, no inverno. Os doces de linguagem, de ritmo, os amorosos platónicos, escrevem por volta do sol-posto.
In Poesia e Alguma Prosa, de Mário Saa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Biblioteca de Autores Portugueses, Lisboa, 2006. (In «Dez minutos com Mário Saa — Excerto de uma entrevista», Diário de Lisboa, 24 de Janeiro de 1936.)
Domingo, 27 de Setembro de 2009
SUBTILEZAS DE UM PAÍS SÁBIO E ANTIGO
Ao terceiro dia, diz a inglesa à sua anfitriã portuguesa:
— Que país tão estranho o teu. Tu és a «senhora dona» Maria, a tua filha é a «senhora doutora» Maria, a mulher da loja é a «dona» Maria, a caseira é a «senhora» Maria, e a criada é só Maria.
Responde a amiga portuguesa:
— Deixa estar assim, que está muito bem. Não vês que somos Marias, mas não somos todas iguais? Temos de nos distinguir de alguma maneira...
— Que país tão estranho o teu. Tu és a «senhora dona» Maria, a tua filha é a «senhora doutora» Maria, a mulher da loja é a «dona» Maria, a caseira é a «senhora» Maria, e a criada é só Maria.
Responde a amiga portuguesa:
— Deixa estar assim, que está muito bem. Não vês que somos Marias, mas não somos todas iguais? Temos de nos distinguir de alguma maneira...
Sábado, 26 de Setembro de 2009
ESSA É QUE É ESSA
Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és. O carácter de uma raça pode ser deduzido simplesmente do seu método de assar a carne. Um lombo de vaca preparado em Portugal, em França, ou Inglaterra, faz compreender talvez melhor as diferenças intelectuais destes três povos do que o estudo das suas literaturas.
Eça de Queiroz.
DELICIOSO!
Para se avaliar do grau de civilização da nossa cozinha, basta dizer que considerando os alimentos crus, tal como os ingerem os selvagens bestiais da Polinésia, e algumas espécies de índios da América do Sul, como primeiro estádio duma escala destinada a indicar a cultura do homem, sob o ponto de vista da alimentação, nós estávamos há dois séculos já na idade dos guisados, enquanto o grosseiro inglês permanece ainda nas carnes sangrentas, reminiscência dos períodos antropófagos, e o ardiloso francês nas massas e picados, isto é, nos jantares em pílulas, cujo último resultado é nada menos que a supressão do paladar.
Fialho d'Almeida.
SEM PAPAS NA LÍNGUA
A cidade hoje já não é o que foi no meu tempo, o que é natural. Mas o pior é que mudou com tal ímpeto que tudo o que era pitoresco vai de gangão desatinado para o esquecimento com passagem pelo camartelo demolidor, e assim já de todo acabaram os carvoeiros onde se bebia o melhor vinho, por tijelas brancas vidradas, e havia quase sempre, para fazer boca, pasteis de bacalhau e uma velha a assar castanhas. Acabaram os carvoeiros substituídos por estabelecimentos de venda de carvão a retalho, revestidos de azulejo e tão penteadinhos que até a gente tem vergonha de lá entrar. Esta gente moderna, com suas higienes e posturices, substituíram as iscas e o pastel de bacalhau por bolos de arroz e brioches e o vinho por leite, não se tendo convencido nunca de que não há raça forte com semelhante alimento e a resultante foi a substituição das touradas pelo futebol e dos homens pelos maricas.
Albino Forjaz de Sampaio.
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
SUSPENSÃO
Ainda há escuridão mas já se pressente a luz e ainda há silêncio mas já se vislumbra o som.
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
REVIVALISMOS TELEVISIVOS
Nas minhas andanças blogosféricas, tenho dado de caras com uma onda revivalista, no que diz respeito a antigos programas de televisão. Séries que passaram mais ou menos despercebidas, pois tinham apenas um target infanto-juvenil, foram, subitamente, elevadas à categoria de objectos de culto. O mais curioso é que encontramos pessoas nas caixas-de-comentários a trocar opiniões — em tom nostálgico — sobre programas que teriam visto ao mesmo tempo (e sabe-se como a fruição de produtos culturais em grupo gera dinâmicas emocionais fortes); mas, na verdade, a convergência é pouco mais do que surrealista, na maior parte dos casos, pois as séries em causa têm sido repostas ao longo dos anos (a RTP existe desde 1957) e aquele momento que parece único a muitos foi repetido década após década — a preto e branco e a cores —, como no caso do Bonanza, por exemplo. Assim, o dia em que me apaixonei pela Marion, dos «Pequenos Vagabundos», pode não ter sido sequer no mesmo ano em que aquele desconhecido confrade blogosférico padeceu do mesmo mal, por ser de geração muito diferente da minha.
Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
LIVROS E MULHERES
Há livros para lermos, outros para coleccionarmos, outros ainda para nos fazerem companhia, e até alguns só para mostrarmos. Com as mulheres passa-se exactamente o mesmo.
LIVROS E PESSOAS
O meu exercício mental preferido quando entro numa casa pela primeira vez é observar a posição dos livros na biblioteca e imaginar a relação social possível entre si dos autores que ficam lado a lado nas estantes.
Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
EQUINÓCIO DO OUTONO
Às 21 horas e 19 minutos, entraremos numa nova Estação. O dia terá hoje exactamente a mesma duração da noite: equi-nox. Celebremos pois a chegada do Outono, contemplando a Natureza.
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
DISCO PARA ESTA SEMANA
69 Love Songs, The Magnetic Fields.
Nota: Este delicioso Álbum é triplo — aproveitem-no bem, ouvindo-o de uma ponta a outra, todos os santos dias, e é garantido que entrarão no Outono em Beleza.
REMATANDO DEFINITIVAMENTE A QUESTÃO
Depois de três meses de intensivo trabalho de campo no Facebook, estou contente por regressar rapidamente e em força a esta minha base de sempre.
...CONTUDO, ENTENDAMO-NOS EM DUAS COISAS:
1. Quem não está no Facebook não existe socialmente.
2. O Facebook é um óptimo local de angariação de leitores para os blogues.
2. O Facebook é um óptimo local de angariação de leitores para os blogues.
LITERATURA COMPARADA
Os blogues estão para o Facebook como os grandes romances estão para os folhetins.
DA FELICIDADE
Com um renovado abraço de agradecimento ao meu amigo e colega Zé Pinheiro que disponibilizou este seu belíssimo vídeo da fabulosa canção de Rodrigo Leão.
JOIE DE VIVRE
Ela [Maria Antonieta] era assim como a estrela da manhã, brilhante de saúde, de felicidade e de glória.
In Reflexões Sobre a Revolução em França, Edmund Burke, 1790.
Tendo em mente este mote, vou deitar mãos à releitura da biografia da última grande Raínha de França, escrita por uma Mulher da Sua Linhagem: Maria Antonieta, de Catalina de Habsburgo, edição de A Esfera dos Livros. Cheira-me que fará acentuar significativamente o meu já habitual spleen de Outono, e que me confirmará 1789 como o princípio de todos os males. Mãos à Obra!





