Obliviário
S.m./ fig.: neologismo criado para designar o local ou suporte (areia, canhenho, memória, etc) onde se regista informação destinada ao apagamento ou ao esquecimento, num processo semelhante ao erase and rewind, damnatio memoriae ou o palimpsesto. Contacto: obliviario [at] gmail.com. Twitter: http://twitter.com/obliviario
29 de Setembro de 2009
Uma lembrança aos menos instruídos.
às
11:36:00
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Glossário:
ateísmo,
Igreja Católica,
Papa
28 de Setembro de 2009
O Limbo de Sócrates.
P.S. No seguimento do que referi acima sobre o BE não posso deixar de destacar o facto de o PCP/CDU esvaziar-se em detrimento daquele partido. Reconheço no Partido Comunista (e embora esteja muito distante dos seus apoios ideológicos, do presente e do passado) a coerência, a firmeza e a sinceridade política que falta ao Bloco. O PC sempre se destacou na luta pela Democracia e pelos direitos dos trabalhadores, sem cair nos maniqueísmos fracturantes com que o Bloco acena à juventude rebelde e «bem». Ao erguer-se sobre um certo eleitorado de esquerda, o Bloco ocupa um lugar que não é o do PCP e que se deixar de existir não será certamente compensado pela mistura agri-doce que tem hoje como porta-voz o Dr. Francisco Louçã, projecto de Robespierre português.
24 de Setembro de 2009
E a Memória, meus senhores, a Memória?
às
14:50:00
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Glossário:
Afonso Henriques,
Guimarães,
Historiografia,
História-de-Portugal,
Viseu
22 de Setembro de 2009
Não poucas vezes a Igreja me fez sentir assim...
Nós, os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana
Nós é que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos
Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana
Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»
Ruy Belo
às
22:09:00
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Glossário:
Igreja,
Igreja Católica,
poesia,
Ruy Belo
20 de Setembro de 2009
A pureza original...
E se muitos descobrirem as maravilhas do maciço da Gralheira, quase ignorado por geógrafos e viajantes ilustres, ou fizerem como o renomado actor lisboeta que todos os Verões abanca em Arouca, é certo e seguro que dentro de breve algum mamarracho desafiará as linhas sóbrias do mosteiro, o puré de batata entrará na composição dos doces, os frangos de aviário tomarão conta das mesas, o lixo e as barracas povorão a serra da Freita ou Arada, e até o conjunto etnográfico de Moldes virará grupo de rock, ou os redactores da Rurália escreverão em economês.
Por favor, ignorem ou evitem Arouca. (...)
ARNALDO SARAIVA, «O Sotaque do Porto», Edições Afrontamento, 1995
às
11:23:00
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Glossário:
Antologia,
Arouca,
extractos
18 de Setembro de 2009
"Um post sem título"
17 de Setembro de 2009
Em Cinfães, depois de não sei quantas negociatas, e de não sei quantos olhos fechados, e de não sei quantos assobios para o lado, ardeu o chalet do Paço, uma das últimas residências, ainda que temporária, do explorador e africanista, Alexandre Alberto de Serpa Pinto. Desde a sua alienação pela família, nos anos 80, que a casa andava em bolandas e o recheio foi sendo depredado sem dó nem piedade, não obstante o espaço ter sido adquirido pelo Município. Em 20 anos, pensou-se em tudo e não se fez nada. Até que recentemente, o actual executivo, resolveu ceder aquilo por tuta e meia, durante 50 anos, a uma empresa imobiliária que pretende (pretendia?) transformar o local em resort turístico. Tudo nas barbas de quem diz e faz e acontece. Porquê? Porque aqui o dinheiro e os interesses falam sempre mais alto do que as convicções. Entretanto, não muito longe de Cinfães, a Câmara de Sabrosa gastou 2,5 milhões de euros a recuperar um espaço para dinamizar o nome de Miguel Torga.
às
18:16:00
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Glossário:
Cinfães,
fotografia,
património,
Serpa-Pinto
13 de Setembro de 2009
Sempre frescas na memória,
para que com muita glória,
Possais os males vencer.
Tempo, Modo de viver,
A Cor, e Enfermidade,
A Natureza, a Idade,
A Arte, e a Região.
Os Acidentes que dão
E do tempo a Variedade.
Amato Lusitano
às
19:31:00
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Glossário:
aforismos,
Amato Lusitano,
anthology,
literatura
11 de Setembro de 2009
"A Portugal" (no dia em que Sena regressou)
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.
Jorge de Sena
às
21:37:00
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Glossário:
poesia
9 de Setembro de 2009
Valha-nos Deus que (ainda) alguém escreve e pensa assim!
De O Caderno de Anti-Saramago
às
18:40:00
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Glossário:
ateísmo,
crítica literária,
Deus,
escritas,
literatura,
Saramago


