27 Setembro 2009
31 Agosto 2009
Isto é uma nova mensagem?
Não é. É apenas um artifício manhoso para não deixar passar o Agosto em branco. Não, não fiquei pelo caminho, nem vou ficar. Só que, por agora, a retórica é outra. Por agora e por mais um tempinho. Já volto.
25 Julho 2009
Sem parar
Tenho andado tão depressa, tão depressa, que passo por aqui mas não consigo parar. Até um dia destes.
29 Junho 2009
Estranha retórica eleitoral
O Dr. Luis Filipe Menezes é um homem cheio de sorte. Perante uma dívida actual de 255.011.562 Euros na Câmara de Gaia, até o candidato do PS vem reconhecer neste "outdoor" que as "As pessoas valem mais". Que valem mais do que esta dívida, portanto. E é muito capaz de ter razão. Mas que a retórica é estranha, isso é.
26 Junho 2009
A anedota do Governo
O Primeiro-Ministro declarou hoje aos jornalistas que o Governo vai opor-se ao negócio de compra de uma participação da TVI pela PT. Mas como é isso possível, se, ainda ontem, o presidente da CE da PT garantia que não há qualquer negócio com a Prisa e que o que existe são apenas alguns cenários? Só pode ser anedota.
Além de que, a destruir cenários, ninguém ganha ao Herman. O problema é que o actor tem mais piada, mas só a anedota do Governo é de rir.
Além de que, a destruir cenários, ninguém ganha ao Herman. O problema é que o actor tem mais piada, mas só a anedota do Governo é de rir.
25 Junho 2009
6 anos de Retórica
Ao criar este blogue na véspera de S. João, há 6 anos atrás, garanti desde logo que o aniversário seria sempre um dia de festa. Este ano comemorei-o no Cais de Gaia, mesmo ali sobre o rio Douro, com uma vista ímpar. A tradicional sardinhada, o desfile das marchas populares e mais tarde o soberbo fogo de artifício, foram um programa e tanto. Sempre uma grande noite, esta noite de São João, no Porto. Perdão: esta noite de São João, em Gaia.
16 Junho 2009
Coimbra lidera estudos da argumentação
Christian Plantin vai estar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra nos próximos dias 17 e 18 de Setembro de 2009 para orientar um seminário sobre:
L'ARGUMENTATION AUJOURD'HUI:
ÉTAT DE L'ART ET QUESTIONS DISPUTÉES
Depois do seminário, proferirá uma conferência pública.
Mais informações disponíveis aqui.
OBS:
Sublinhe-se o dinamismo do grupo de investigação "Teaching Logic and Argumentation" (LIF/FCT) coordenado pelo professor e investigador Jales Ribeiro. Depois de ter organizado em Outubro do ano passado o excelente Colóquio Internacional sobre "Rhetoric and Argumentation in the Beginning of the XXIst Century", promove agora mais uma importante iniciativa para o desenvolvimento dos estudos da argumentação em Portugal. Está, sem dúvida, de parabéns.
13 Junho 2009
A desintegração do ethos
Afirmar uma coisa e o seu contrário, como neste caso, é mais do que perder a causa, é perder-se a si próprio.
07 Junho 2009
Já

Cavaco já reconhece que teve acções da SLN
(Título na pág. 2, primeiro caderno, Expresso de 05 de Jun 2009)
Repare-se na força noticiosa deste "já" e na função estratégico-pragmática que lhe cabe ao nível da formação de sentido do próprio título. Título que, note-se, já reproduziria a verdade dos factos se o "já" lá não estivesse. Mas para o Expresso, pelos vistos seria pouco dizer apenas essa verdade, dizer apenas, por exemplo, "Cavaco reconhece que teve acções da SLN". O Expresso achou que deveria dizer também o que não disse mas terá querido dizer. Ora o que é que o Expresso realmente terá querido dizer com esse "já"?
Que Cavaco "já" reconhece:
1) o que não reconhecia?
2) o que não queria reconhecer?
3) o que não queria reconhecer mas deveria ter reconhecido?
4) o que não queria mas foi agora forçado a reconhecer?
5) o que sempre negou?
Não se sabe. E esse é o lado mau da ambiguidade, do implícito, da mensagem "indirecta". Não se sabe o que é, mas sabe-se que tudo ou quase tudo pode ser. O lado bom é o de permitir chamar a atenção para a necessidade de escrutínio público seja do que for, mesmo quando a prova formal é difícil ou até mesmo impossível. Neste caso do Expresso, porém, é o próprio director que nos socorre quando na página seguinte relata os cuidados que o jornal teve, nomeadamente, o de todas as vezes terem dado conhecimento antecipado à Presidência da Republica dos factos que iam publicar e de nunca terem recebido qualquer resposta. O director do jornal deixa ainda muito claro que os factos não foram noticiados por serem ilegais ou irregulares, pois não o são, mas sim, por o jornal os considerar politicamente relevantes.
"Tenho o maior respeito pelo Presidente da Republica", diz Henrique Monteiro, e digo-o eu, também, que nele sempre votei, do que não estou nada arrependido. Mas, evidentemente que as coisas são como são, independentemente dos nossos afectos ou preferências políticas. Logo, aquele "já" no título do Expresso desta semana, a que acima me refiro, tem a sua razão de ser e quererá por certo alertar-nos para futuros desenvolvimentos a que não será alheio o conhecimento de que a SLN não estava cotada em Bolsa e que, precisamente por isso, a compra e venda tinha de passar por uma decisão do ex-presidente Oliveira Costa. Que foi quem foi e é quem é. Ora é sabido que as pessoas nem tudo podem dizer, mas tudo podem pensar. Não seria, por isso, mais vantajoso para todos esclarecer tudo, de uma só vez e, se possível, já?
(Título na pág. 2, primeiro caderno, Expresso de 05 de Jun 2009)
Repare-se na força noticiosa deste "já" e na função estratégico-pragmática que lhe cabe ao nível da formação de sentido do próprio título. Título que, note-se, já reproduziria a verdade dos factos se o "já" lá não estivesse. Mas para o Expresso, pelos vistos seria pouco dizer apenas essa verdade, dizer apenas, por exemplo, "Cavaco reconhece que teve acções da SLN". O Expresso achou que deveria dizer também o que não disse mas terá querido dizer. Ora o que é que o Expresso realmente terá querido dizer com esse "já"?
Que Cavaco "já" reconhece:
1) o que não reconhecia?
2) o que não queria reconhecer?
3) o que não queria reconhecer mas deveria ter reconhecido?
4) o que não queria mas foi agora forçado a reconhecer?
5) o que sempre negou?
Não se sabe. E esse é o lado mau da ambiguidade, do implícito, da mensagem "indirecta". Não se sabe o que é, mas sabe-se que tudo ou quase tudo pode ser. O lado bom é o de permitir chamar a atenção para a necessidade de escrutínio público seja do que for, mesmo quando a prova formal é difícil ou até mesmo impossível. Neste caso do Expresso, porém, é o próprio director que nos socorre quando na página seguinte relata os cuidados que o jornal teve, nomeadamente, o de todas as vezes terem dado conhecimento antecipado à Presidência da Republica dos factos que iam publicar e de nunca terem recebido qualquer resposta. O director do jornal deixa ainda muito claro que os factos não foram noticiados por serem ilegais ou irregulares, pois não o são, mas sim, por o jornal os considerar politicamente relevantes.
"Tenho o maior respeito pelo Presidente da Republica", diz Henrique Monteiro, e digo-o eu, também, que nele sempre votei, do que não estou nada arrependido. Mas, evidentemente que as coisas são como são, independentemente dos nossos afectos ou preferências políticas. Logo, aquele "já" no título do Expresso desta semana, a que acima me refiro, tem a sua razão de ser e quererá por certo alertar-nos para futuros desenvolvimentos a que não será alheio o conhecimento de que a SLN não estava cotada em Bolsa e que, precisamente por isso, a compra e venda tinha de passar por uma decisão do ex-presidente Oliveira Costa. Que foi quem foi e é quem é. Ora é sabido que as pessoas nem tudo podem dizer, mas tudo podem pensar. Não seria, por isso, mais vantajoso para todos esclarecer tudo, de uma só vez e, se possível, já?
06 Junho 2009
05 Junho 2009
Um desconsolo
Pela terceira vez: é um desconsolo ser mais visitado quando não escrevo. Desde o meu último "post", a 9 de Maio, que o sitemeter não pára de crescer, com um incremento médio de 40%. Ainda ontem, o número de visitantes triplicou. Mas tenho que deitar mão nisto, não gosto de ajuntamentos. E é limpinho: basta voltar a escrever.
09 Maio 2009
30 Abril 2009
Jornalista de ficção?

Tudo explicado. Se o Jornalismo faz uma construção ficcionada e José Rodrigues dos Santos é jornalista, só pode mesmo ser jornalista de ficção. Podia era poupar-nos às suas triviais e desaustinadas referências epistémicas para nos tentar impingir barbaridades filosóficas do género de "a verdade dos factos é a verdade do sujeito" ou "a percepção da realidade é intrinsecamente relativa" (o intrinsecamente é que dói). O popular romancista que também apresenta os telejornais, não alcança que são precisamente as limitações naturais do jornalista que o obrigam à maior objectividade possível, pois só esta é verdadeiramente oponível a quem o lê, vê ou escuta. O facto de uma notícia passar pela subjectividade do jornalista (constatação trivial) não implica que ela seja ainda apenas subjectiva quando chega ao seu destinatário.
26 Abril 2009
Sócrates e a ambiguidade presidencial
Sócrates diz que concorda com o Presidente. Palpita-me que sempre o dirá, mesmo que o Presidente não concorde com ele. Mas até acho bem. Porque Sócrates tem nome e o Presidente, que se saiba, não o nomeou. Ora se o Presidente vem pedindo aos outros para falarem verdade, é porque ele próprio fala verdade. E se, além disso, é tão avesso à retórica, não quis, por certo, recorrer à ambiguidade. Sucede que recorreu. Não se estranhe, por isso, que Sócrates diga que não pode estar mais de acordo com o Presidente. Eu próprio não posso estar mais de acordo com ambos. E daí?
14 Abril 2009
A Retórica em Congresso
Começa hoje na Universidade Lusófona, em Lisboa, um ciclo de três congressos das Ciências da Comunicação: VI SOPCOM, 8º. LUSOCOM e 4º IBÉRICO. Os temas serão, respectivamente, ‘Sociedade dos Media: Comunicação, Política e Tecnologia’, ‘Comunicação, Espaço Global e Lusofonia’ e ‘Redes, Meios e Diversidade Cultural no Espaço Ibérico’.No que respeita às comunicações sobre Retórica, o programa é o seguinte:
4ªfeira 15.04.2009-6.º SOPCOM/8.º LUSOCOM
Sessão 1 - Retórica e Argumentação
9.00-10.30 Sala 2.2 Biblioteca
Coordenação: Osvando José Morais
Enrique Castelló Mayo, Universidade de Santiago de Compostela
- La apuesta en escena política: la génesis retórica del candidato como dramatis personae
Manuel Joaquim de Sousa Pereira, Universidade de Santiago de Compostela
- Marketing Pessoal
José Esteves Rei, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
- Notícia de um título com 2000 anos: Manual de Campanha Eleitoral, Quintus Cícero
***
6ªfeira 17.04.2009-6.º SOPCOM/4.º IBÉRICO
Sessão 1 - Retórica e Argumentação
10.45-12.15 Biblioteca 2.4
Coordenação: Tito Cardoso e Cunha e Rafael Gomes Filipe
José Sílvio M. Fernandes; Joaquim José S. Pinheiro; e Cristina Maria N. G. S. Pinheiro, Universidade da Madeira
- Do bom e do mau orador. Critérios de análise no Brutus de Cícero e sua aplicabilidade contemporânea
Pedro Filipe Xavier Mendonça, Universidade de Lisboa - Instituto de Ciências Sociais
- Tecnologia e Retórica: Para Uma Retórica da Funcionalidade Útil
Rafael Gomes Filipe, Universidade Lusófona
- Crítica da crítica de Platão à Retórica
Américo de Sousa, Universidade da Beira Interior
- A retórica de massas e a formação da opinião pública
12 Abril 2009
Pacheco dirige míssel coreano a Obama *
O míssil foi lançado pelos norte-coreanos mas não é contra eles que Pacheco reclama. Pacheco reclama contra Barack Obama. Pacheco é coerente, sempre foi. Nas eleições presidenciais americanas apostou no candidato que perdeu, não é agora que vai dar loas ao que ganhou. E Obama, como todo o político que faz ou decide alguma coisa, irá cometer erros. Pode, pois, ir já contando com as vergastadas de Pacheco Pereira que, na hora própria, não o poupará. Na hora própria, se não for antes. Porque, por via das coisas, parece que resolveu ir já adiantando serviço, ao espalhar que Obama é pura retórica ou ilusão da palavra e que de boas intenções está o inferno cheio.
Mas o que mais estranhei foi o “apelo à força” que fez na “Sábado” e na "Quadratura do Círculo", desta semana, com base em três mais do que controversas premissas, a saber:
(1) a desnuclearização do mundo de que fala Obama é completamente irrealista
(2) o míssel dos norte-coreanos mostra que "o mundo exige mais do que belas palavras e maravilhosas intenções".
(3) o mundo não é o Olimpo dos pacifistas mas antes cruel e conflituoso, pelo que a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis.
Deve-se, contudo, lembrar a Pacheco Pereira que o que faz em (1) é uma afirmação, no mínimo, prematura (logo veremos), que o que diz em (2) passa ao lado do míssel dos coreanos - pois com ele ou sem ele, o mundo sempre exigiu e irá exigir mais do que palavras bonitas - e que, finalmente, em (3), antes poderia considerar que não é pelo mundo já ser cruel e conflituoso que se deve torná-lo ainda mais cruel e conflituoso, recorrendo ou apelando à violência, sem esgotar primeiro todas as possibilidades de diálogo e persuasão, que é o que Obama está a fazer. Digo eu que não sou “Obamaníaco”, nem tão pouco, um “pacifista”.
Não queira, por isso, Pacheco Pereira dirigir a Obama o míssel que até os coreanos já deitaram ao mar.
Mas o que mais estranhei foi o “apelo à força” que fez na “Sábado” e na "Quadratura do Círculo", desta semana, com base em três mais do que controversas premissas, a saber:
(1) a desnuclearização do mundo de que fala Obama é completamente irrealista
(2) o míssel dos norte-coreanos mostra que "o mundo exige mais do que belas palavras e maravilhosas intenções".
(3) o mundo não é o Olimpo dos pacifistas mas antes cruel e conflituoso, pelo que a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis.
Deve-se, contudo, lembrar a Pacheco Pereira que o que faz em (1) é uma afirmação, no mínimo, prematura (logo veremos), que o que diz em (2) passa ao lado do míssel dos coreanos - pois com ele ou sem ele, o mundo sempre exigiu e irá exigir mais do que palavras bonitas - e que, finalmente, em (3), antes poderia considerar que não é pelo mundo já ser cruel e conflituoso que se deve torná-lo ainda mais cruel e conflituoso, recorrendo ou apelando à violência, sem esgotar primeiro todas as possibilidades de diálogo e persuasão, que é o que Obama está a fazer. Digo eu que não sou “Obamaníaco”, nem tão pouco, um “pacifista”.
Não queira, por isso, Pacheco Pereira dirigir a Obama o míssel que até os coreanos já deitaram ao mar.
* Cf. escreveu na Sábado: "O míssel dirigido a Obama"
11 Abril 2009
Palavras feias
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
* Pacheco Pereira, in "Sábado" 08 Abr 2009
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
"a América tem é que recorrer à força e deixar-se de palavras bonitas que não param mísseis" *
* Pacheco Pereira, in "Sábado" 08 Abr 2009
09 Abril 2009
Barack Obama e os aplausos dos jornalistas
O insólito:-Barack Obama fala e os próprios jornalistas aplaudem.
Ocorreu em Londres na conferência de imprensa que o presidente dos EUA deu no final da cimeira do G20 e repetiu-se no sábado seguinte, já em Estrasburgo, na conferência de imprensa após a cimeira da Nato. Já se sabe que tais aplausos são jornalisticamente menos próprios e não é por se tratar de Obama que deixam de o ser. Mas se toda a regra tem excepção, talvez que esta excepção dos aplausos se tenha ficado a dever, sobretudo, ao excepcional aplaudido.
É, pelo menos, esta a ideia com que fico depois de ler o excelente artigo da jornalista Teresa de Sousa, no Público de ontem, no qual testemunha* que é difícil ficar-se neutral perante Barack Obama e explica porquê:
[a dificuldade] "não resulta do carisma e da capacidade de inspiração de Obama, nem das suas extraordinárias capacidades de comunicação. É mais do que isso. Como disse em jeito de autojustificação um jornalista japonês, 'ele responde mesmo às perguntas'. Neste caso, 'mesmo' não quer dizer apenas que não foge às perguntas. Quer dizer que se envolve nas questões e lhes responde com uma inteligência, um rigor e uma sinceridade que são absolutamente raras num político, quanto mais no político mais importante do mundo. Foi a esse exercício de inteligência e rigor intelectual que os jornalistas não conseguiram resistir. O que ele diz faz sentido. Faz um tremendo sentido".
E faz mesmo. Obama diz, por exemplo: "Se nos comprometermos com o desarmamento nuclear, teremos uma muito maior autoridade moral para negociar com Teerão". Será aceitável duvidar da inteligência, do rigor e da sinceridade de um presidente dos EUA que anuncia uma coisa destas ao mundo? Teresa de Sousa tem toda a razão: é muito difícil ficar "neutral" perante Obama. Abençoada dificuldade.
*Teresa de Sousa esteve presente na conferência de imprensa de Estrasburgo
Ocorreu em Londres na conferência de imprensa que o presidente dos EUA deu no final da cimeira do G20 e repetiu-se no sábado seguinte, já em Estrasburgo, na conferência de imprensa após a cimeira da Nato. Já se sabe que tais aplausos são jornalisticamente menos próprios e não é por se tratar de Obama que deixam de o ser. Mas se toda a regra tem excepção, talvez que esta excepção dos aplausos se tenha ficado a dever, sobretudo, ao excepcional aplaudido.
É, pelo menos, esta a ideia com que fico depois de ler o excelente artigo da jornalista Teresa de Sousa, no Público de ontem, no qual testemunha* que é difícil ficar-se neutral perante Barack Obama e explica porquê:
[a dificuldade] "não resulta do carisma e da capacidade de inspiração de Obama, nem das suas extraordinárias capacidades de comunicação. É mais do que isso. Como disse em jeito de autojustificação um jornalista japonês, 'ele responde mesmo às perguntas'. Neste caso, 'mesmo' não quer dizer apenas que não foge às perguntas. Quer dizer que se envolve nas questões e lhes responde com uma inteligência, um rigor e uma sinceridade que são absolutamente raras num político, quanto mais no político mais importante do mundo. Foi a esse exercício de inteligência e rigor intelectual que os jornalistas não conseguiram resistir. O que ele diz faz sentido. Faz um tremendo sentido".
E faz mesmo. Obama diz, por exemplo: "Se nos comprometermos com o desarmamento nuclear, teremos uma muito maior autoridade moral para negociar com Teerão". Será aceitável duvidar da inteligência, do rigor e da sinceridade de um presidente dos EUA que anuncia uma coisa destas ao mundo? Teresa de Sousa tem toda a razão: é muito difícil ficar "neutral" perante Obama. Abençoada dificuldade.
*Teresa de Sousa esteve presente na conferência de imprensa de Estrasburgo



