Terça-feira, Setembro 29, 2009

O segredo de justiça...



ao vivo e a cores¹.

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¹ As buscas podem esperar pelo desfecho das eleições.

Da série "Frases que impõem respeito" [364]

    O grande problema foi o facto de o jornal ter ficado refém da fonte de Belém.

Leituras

A palavra aos leitores

De um e-mail de Manuel T., de Santa Maria da Feira:
    Ao que consta, o Presidente da República vai falar.
    Para beber da “verdadeira fonte”, fui à página que a Presidência da República tem na Internet e verifiquei que, afinal, o Presidente da República fará “uma declaração à comunicação social”.
    Ora, mesmo que se pense ou queira o contrário, a comunicação social não é o país nem vice-versa.
    Donde, ou no Palácio de Belém anda muito nervosismo, ou lá continua alguém convencido de que é falando para a comunicação social que o país acede à verdade e a política à decência.
    Em consequência – como o Presidente da República não vai falar para o país, mas à comunicação social – estou por Cavaco Silva dispensado de o ouvir.

Adivinha do dia

Cavaco vai falar hoje ao país. Qual será o tema da comunicação? Veja se domina a cavacologia, escolhendo uma das seguintes hipóteses:
    • Anuncia o nome do candidato que irá apoiar na corrida à liderança do PSD?
    • Exibe em directo o microfone através do qual o Conselho de Ministros, enquanto simulava estar preocupado com a governação, escutava os seus passos em Belém?
    • Denuncia o Público como o artífice da inventona de Belém, assegurando já ter pedido uma audiência ao Eng. Belmiro para pôr tudo em pratos limpos?
    • Informa os portugueses da nova assessoria confiada a Fernando Lima?
    • Dá conta de que a divulgação da visita de Bento XVI a Fátima foi um mero “erro técnico” e não teve nada a ver com as eleições legislativas?
    • Divulga as análises custo-benefício, entretanto encomendadas, das infra-estruturas de que o país carece?
    • Avisa que as leis “fracturantes” só passarão por cima do seu cadáver?
    • Renuncia ao cargo de Presidente da República, deixando subentendido que o país não o merece?

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

O controlo dos media

O Governo do PS - o tal da arrogância, da asfixia, do medo e da perseguição aos jornalistas - tentou fazer uma lei que tornasse mais transparente a presença empresarial nos media e limitasse a concentração.
Lembram-se?
Pois o Presidente da República vetou essa lei. Não uma, mas duas vezes.
Vale a pena recordar isso precisamente hoje:

A luta continua

Libertem a companheira Sofia Rocha (mas quem é Sofia Rocha?).

Gente tão amiga…

Ninguém me tira da cabeça que isto anda tudo ligado: a súbita divulgação do negócio da PT com a Media Capital, abortando-o, o folhetim da Sr.ª Guedes contra a Media Capital e a aquisição de 35 por cento da Media Capital pela Ongoing. Afinal, tudo começa e acaba em José Eduardo Moniz: saiu por uma porta e entra por outra. A Prisa é muito colaborante.

Avisem o Tabosa!

Pode parar de escrever disparates... as eleições foram ontem.

A verdade da cosmética


No rescaldo das eleições, o Diário de Notícias [28 Set 09, pág. 9] publica um artigo muito interessante, intitulado "A cosmética derrotou a verdade". É assinado por uma "professora universitária ISCSP/UTL e especialista em Comunicação Política" e, em suma, diz-nos que a "verdade" de Manuela Ferreira Leite foi vencida pela "cosmética" de José Sócrates.
Vinda de uma especialista, é coisa para deixar qualquer leitor a matutar.
A matutação pode passar, por exemplo, por perceber se a especialista Nilza Mouzinho de Sena que assina o artigo é a mesma Nilza Mouzinho de Sena, que surge em 34.º na lista de candidatos do PSD por Lisboa.

Um pouco de sabedoria transmontana

O presidente da distrital de Bragança do PSD, Adão Silva, atribuiu hoje à «falta de perfil» da líder a derrota do partido para a qual entende ter também contribuído a intervenção «errática» do presidente da República durante a campanha.
(...)
«Não soube conduzir uma campanha» afirmou, considerando que Manuela Ferreira Leite deu «sobreimportância a casos marcantes e não teve a percepção do que é que os portugueses queriam». Para Adão Silva, a presidente do partido revelou «um perfil profundamente inadequado», mesmo em termos «psicológicos e emocionais».
(...)
O presidente da distrital de Bragança entende que para os resultados teve também importância o que classifica de «comportamento profundamente errático do presidente da República». O dirigente social-democrata é da opinião que o caso das escutas a Belém e a consequente demissão do assessor de Cavaco Silva, funcionou como «elemento paradoxal e tirou sustentabilidade à campanha do PSD».

Estamos à escuta

Marcelo diz que Cavaco Silva devia falar hoje sobre escutas. [TSF]

A responsabilidade de governar

O PS recebeu um voto inequívoco para governar. Com este primeiro-ministro e com o seu programa.

Que fará Portas?

Portas volta a ter uma nova oportunidade (a enésima) para tentar fazer um partido "de direita".

Uma vocação que desponta

Manuela Ferreira Leite fez um bom discurso de derrota.

A miragem da "rua"

O PCP semeou na "rua" (professores, funcionários públicos, CGTP...) os deputados que o Bloco colheu.

Domingo, Setembro 27, 2009

De que ri o Bloco?

O partido que mais cresceu nestas eleições fica sem poder parlamentar para determinar a governação.

A inventona de Belém e o Público — ainda o Provedor do Leitor

A crónica de hoje de Joaquim Vieira no Público, intitulada “Assuntos internos” (ou derivações das duas crónicas anteriores, quanto ao email do provedor e à quantidade de fontes jornalísticas):
    Na sexta-feira 18 de Setembro, José Manuel Fernandes (J.M.F.) reenviou ao provedor uma troca de correspondência electrónica interna com a seguinte indicação: "Uma vez que há registo de forwards [reencaminhamentos] de mails com o mesmo título deste mail enviados para ti nos minutos seguintes ao último mail que recebi do Tolentino [de Nóbrega, correspondente do PÚBLICO no Funchal], e nenhum depois da minha resposta, entendi que era melhor tomares conhecimento de tudo". Por detrás desta abertura havia a muito desagradável revelação de que se fizera levantamento de comunicações entre um jornalista do PÚBLICO e o provedor. A circunstância levou o provedor, na crónica anterior ("A questão principal"), a considerar "que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO", explicando o que entendia como tal: "Detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior)".

    J.M.F. desmentiria o provedor num post scriptum ao editorial da passada terça-feira: "Ao contrário do que afirmou o provedor do leitor, ninguém nesta empresa lhe 'vasculhou' a correspondência". Porém, no dia seguinte, numa reunião do Conselho de Redacção (CR) do PÚBLICO, e segundo a respectiva acta, o director, interpelado sobre a questão, explicaria que "se olhou para o registo das entradas e saídas de mails". O provedor não encontrou diferença entre estas palavras e o que afirmou ter acontecido ("detecção de envios e reenvios de e-mails"), pelo que não alcançou então o sentido do desmentido.

    A pesquisa, destinada a averiguar se houve fuga interna de informação que permitiu ao Diário de Notícias fazer manchete, naquela mesma sexta-feira, com um e-mail trocado em Maio de 2008 entre dois jornalistas do PÚBLICO, terá incidido no correio electrónico de todos aqueles que, nessa semana, no âmbito de uma discussão a propósito da crónica do provedor publicada há 15 dias ("Subitamente neste Verão"), receberam na redacção o reencaminhamento da mensagem em causa. Foi monitorizada a correspondência electrónica dos seis membros da direcção editorial, assim como de dois outros jornalistas envolvidos no caso. J.M.F. explicou ao CR, segundo a acta já citada, que "pediu aos informáticos (...) paia averiguarem se, entre as oito pessoas incluídas no destinatário da mensagem em causa, alguma tinha feito forward de qualquer mensagem com o mesmo título da primeira mensagem em que surge o mail de Maio de 2008". Tendo-se apurado que o provedor também recebera uma mensagem contendo presumivelmente o explosivo e-mail, ele passou, da mesma forma, à condição automática de suspeito. Mas, ao CR, J.M.F. afirmou não saber se o provedor iria ser ouvido, esclarecendo que a decisão cabia à comissão de inquérito (o provedor está ao dispor).

    A administração da empresa proprietária do PÚBLICO defende a legalidade da operação, e o provedor nunca disse o contrário. Mas esse procedimento ignora a especificidade de uma empresa jornalística, onde se trabalha na base do sigilo profissional. Por isso, se não é ilegal, será pelo menos ilegítimo, pois ao verificar-se o registo de entradas e saídas de mails de jornalistas pode-se a violar a confidencialidade de fontes de informação suas.

    Entretanto, já ontem, sábado, J.M.F. garantiu ao provedor que tal pesquisa se limitou a incidir apenas em e-mails com o mesmo título da mensagem inicial. Não sendo perito em informática e não tendo meios para verificar o método seguido, o provedor considera que, se foi esse o caso, terão ficado bastante diminuídos os efeitos negativos que a acção pudesse vir a ter. Reaflirma porém ser uma surpresa no mínimo desconfortável perceber de súbito que alguém registou movimentações no seu correio electrónico (mesmo que, ao que lhe foi assegurado, apenas recebimento de mensagens).

    Ainda sobre o tema das duas crónicas mencionadas - que analisavam as manchetes de 18 e 19 de Agosto dando conta de que a Presidência da República (PR) se considerava espiolhada por outro órgão de soberania -, a jornalista que assinava a primeira notícia, São José Almeida (S.J.A.), escreveu ao provedor logo após a publicação da crónica inicial exprimindo "perplexidade" por aí se concluir que existira uma só única fonte para os dois artigos. "Como chega à conclusão de que a notícia que escrevi tem apenas uma fonte de informação?", inquiriu. "Que dados tem sobre o assunto que eu, autora da notícia, não tenho? Desde quando o facto de apenas ser citada uma fonte oficiosa, identificada através do seu estatuto oficial de membro da Casa Civil do Presidente da República e por isso com todo o peso inerente a essa condição, o leva a concluir que há só uma fonte? Onde foi buscar tal ideia? Como é que consegue saber mais da minha vida do que eu, uma vez que sabe que apenas falei com uma pessoa - o que é mentira?"

    Julga o provedor que os acontecimentos subsequentes viriam reforçar a sua conclusão de que só existiu uma fonte. Aliás, o texto invoca apenas um solitário "membro da Casa Civil da PR", e a própria S.J.A., numa das respostas dadas ao provedor, escreveu que "a notícia é feita precisamente com as declarações de um membro da Casa Civil do Presidente da República". Ora, está hoje razoavelmente estabelecido que uma única fonte forneceu ao PÚ- BLICO a matéria da primeira notícia - e também da segunda (onde não se citam fontes, mas se recorre à ambígua fórmula "ao que o PÚBLICO sabe"). Se o jornal possuía outras fontes, não se percebe por que não as mencionou. E se o PÚBLICO falou, por hipótese, com a empregada da limpeza do Palácio de Belém, só para poder dizer que consultou mais do que uma fonte, o facto não é relevante de acordo com as regras jornalísticas, pois a confirmação de informações por duas ou mais fontes implica que estas sejam independentes entre si.

    De resto, nunca pareceu ao provedor que, neste caso, o valor da manchete se reforçasse com o recurso a mais fontes. A notícia deve ser tomada pelo seu valor facial: não revela o que há, mas sim o que alguém diz que há (na circunstância, uma suspeita de Belém quanto a estar sob vigilância). Ora, se esse alguém já declarara tal convicção ao PÚBLICO, com toda a carga política implícita, seriam despiciendas outras fontes da PR, a dizer precisamente o mesmo. Aliás, quem o podia desmentir nunca o fez - pelo contrário, tanto do Presidente Cavaco Silva como dos seus homens continuam a ser emitidos sinais de que se mantém essa mesma suspeita.

    O grande problema, conforme o provedor apontou, foi o facto de o PÚBLICO ter ficado refém dessa fonte (ou fontes, a crer em S.J.A.), tolhido na sua amplitude de movimentos para investigar uma matéria de elevado interesse político e enormes implicações nacionais. O resto é (será) História.

Jacques de la Palisse

“Os cem anos da república (que se comemoram a 5 de Outubro) são também os cem anos do fim da monarquia.”

Sábado, Setembro 26, 2009

O porta-voz de Lima

Deve ter sido a primeira vez nos 30 anos de democracia que um presidente da República, na habitual mensagem que antecede o dia das eleições, sente necessidade de jurar a pés juntos: “Pela minha parte, mantive escrupulosamente e com o maior rigor o compromisso de total isenção e imparcialidade em face dos diversos partidos.

Na segunda-feira, Cavaco dará certamente conta aos portugueses dos fantasmas que o perseguem há pelo menos 17 meses.

Sobre a divulgação da acta do encontro da Av. de Roma

João Marcelino escreve sobre o e-mail de Luciano Alvarez para Tolentino de Nóbrega, no qual se fazia a “acta” do encontro na Av. de Roma com o porta-voz do Presidente da República, a mando deste [A deontologia e as suas "fontes"]:
    A obrigação de guardar sigilo é sempre uma relação “daquele” jornalista com a “fonte”. Essa obrigação não se estende a terceiros, mesmo que igualmente jornalistas”.

Novas oportunidades

Já todos percebemos que Fernando Lima, em vez de ser despedido, foi reciclado. Mas só agora percebemos qual foi a nova oportunidade que lhe deram (a tarefa dos dossiês não pode constar do site da Presidência). Por irrefutável dedução a partir das últimas notícias, podemos concluir que Lima é o novo assessor da Presidência para os assuntos religiosos.

A sua actividade já começou. Para irritação do Vaticano e do Patriarcado nacional, Lima revelou logo que Bento XVI virá a Fátima, quebrando um acordo no sentido de só divulgar a notícia após as eleições.

D. Policarpo diz que já não há quem consiga guardar um segredo. Não tem razão, porque desta vez ainda Lima não foi exposto como fonte, o que criaria o risco de ele ser chutado para a assessoria dos assuntos desportivos.

Leituras

• Emídio Rangel, O dia seguinte:
    A campanha terminou mas ainda se vai gastar mais tinta com este processo eleitoral. Desde logo a situação decorrente do chamado “caso das escutas”, que está longe de estar clarificado. Antes diria que a partir de segunda-feira se inicia o processo que há-de conduzir ao esclarecimento cabal desse imbróglio.

    O País espera com grande expectativa que o Presidente da República explicite o que aconteceu, nomeadamente se Fernando Lima terá actuado isolado ou se agiu com o beneplácito de Belém para ferir o primeiro-ministro; por que foi Fernando Lima afastado das responsabilidades na área da Comunicação Social; como aparece agora ligado a outro sector de igual importância no gabinete de Cavaco Silva. Como quer que seja, esta foi só a última “inventona”.

    (…)

    Eu espero que esta tenha sido a última vez que um partido tenha adoptado como seu programa eleitoral um cardápio de conspirações, invenções, calúnias e mentiras para ganhar vantagem em tempo de eleições. Foi a primeira vez que tal vi. Um programa eleitoral sem ideias e sem propostas para resolver os problemas do País, um programa sem soluções nem caminhos para percorrer depois da mais grave crise económica dos últimos oitenta anos, um programa vazio e sem alternativas.
• Pedro Adão e Silva, Mais realistas que os realistas:
    (…) se há alguma coisa inegociável é não tolerar quem pondera queimar livros.

"Vocês sabem o que está em jogo"

João Pinto e Castro, Onde estavas em 27 de Setembro?:
    Há quatro anos, eu não sabia muito bem o que esperar do primeiro-ministro José Sócrates. Agora, acho que o resultado foi muito melhor do que tinhamos direito a esperar, sobretudo dadas as circunstâncias extremamente difíceis da governação, agravadas desde o Verão de 2007 pela avassaladora crise internacional.

    Mais, considero que tivemos o melhor governo em 35 anos de democracia.

    Também a presente campanha foi uma das melhores e mais entusiásticas de sempre. Poucas vezes, como agora, se discutiram tanto os programas dos partidos, a poucos sobrando dúvidas acerca do muito que distingue uns dos outros. Os debates foram tão esclarecedores como o podem ser nestas circunstâncias. Os eleitores interessaram-se e estão mobilizados para votar.

    Neste domingo, não somos apenas chamados a votar num rumo para o governo do país. Está também em causa saber o que pensamos sobre a tentativa de degradação do debate democrático que o PSD sistematicamente protagonizou nesta legislatura.

    No dia 27 de Setembro, é indispensável que o voto popular traduza uma clara condenação da política suja que emporcalha a vida pública e boicota o debate racional e civilizado.

    Vocês sabem o que está em jogo.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Da série "Frases que impõem respeito" [363]

    O PSD parece um Conselho de Ministros dos anos 80.
      António Costa, no comício de encerramento da campanha do PS

"Sou o que sempre fui" — trotskista...


Não votes PS

• Val, Não votes PS:





    Se pedes reformas mas protestas quando são feitas, se chamas arrogância à impaciência e indignação frente a mentirosos, se preferes o Portugal bacteriologicamente castiço pré-ASAE, se lamentas ir jantar fora e ter de voltar a casa sem o fumo dos outros nos pulmões e na roupa, se achas que o controlo do défice é uma tanga para te roubarem, se acreditas que a política de educação tinha como objectivo maltratar os professores, se acreditas que Sócrates insultou as professoras, se exploraste a iliteracia e a doença para boicotar o excelente trabalho de Correia de Campos, se te estás a cagar para o que foi feito na área das energias renováveis, se não percebes patavina da política externa deste Governo, se odeias o Código do Trabalho mas nunca o leste nem sabes quais os seus objectivos, se ignoras o salto tecnológico e científico que resultou do investimento estratégico nestes 4 anos, se pensas que Sócrates devia ter ficado agarrado a promessas feitas na campanha de 2005 que iriam contra o interesse nacional, se preferes que o Estado seja desleixado a cobrar impostos, se não dás valor ao que aconteceu economicamente em Portugal até 2008, se ignoras que a pobreza diminuiu e a igualdade aumentou nesta legislatura, se alinhaste com os broncos que disseram mal do Magalhães, se querias ver Sócrates preso por causa do Freeport mesmo sem ter sido arguido, se tens informações novas acerca da sua licenciatura que a investigação não chegou a descobrir, se conheces alguém que esteja em condições de provar ter havido ilegalidades nos projectos que assinou na Covilhã, se papaste a tanga de que Sócrates teve alguma coisa a ver com o fim da peixeirada na TVI, se consegues ler os editoriais do Zé Manel, se admiraste o carácter de Louçã quando disse que Sócrates telefonou à Joana para lhe oferecer jóias e peles, se tens a certeza de que Sócrates é mais trafulha do que tu (e não tens, pois conheces-te de ginjeira) ou se és o gajo armado em parvo que aparece nesta fotografia, não votes PS.

Cavaco: nota de rodapé na História da Democracia (escrita por um santanista)

• José Paulo Fafe, A política do "kleenex":
    A DECISÃO de Cavaco Silva em afastar um dos seus principais colaboradores e que com ele trabalhava há quase um quarto de século só surpreenderá quem não tem acompanhado o percurso do actual Presidente da República desde que surgiu na cena política, no início dos anos 80.

    Cavaco Silva sempre foi useiro e vezeiro na chamada “política do kleenex”, ou seja, no que vulgarmente se denomina por “usar e deitar fora”. Entre valores e interesses pessoais, Cavaco jamais hesitou, optando sempre pelos últimos em detrimento do que mais nobre possui a política enquanto arte - a gratidão e a solidariedade. Desde que surgiu na cena política, Cavaco nunca hesitou em “deixar cair” quem pudesse (nem que fosse ao de leve...) comprometer as suas ambições. Sucedeu, por exemplo, com ministros como Miguel Cadilhe, Jorge Braga de Macedo e até Leonor Beleza, a quem na primeira oportunidade apontou a porta de saída dos seus governos; com Fernando Nogueira, que durante mais de uma década “ofereceu o corpo às balas” como seu “número dois” e a quem desmentiu publicamente uma semana antes das eleições que opunham este a António Guterres; com Pedro Santana Lopes, a quem como artífice da sua ascensão ao poder na Figueira da Foz deve em grande parte a liderança do PSD e contra quem não hesitou em alinhar numa campanha há muito não vista no nosso País quando este ocupava o cargo de primeiro-ministro; e até mesmo com Durão Barroso a quem, em 2001 e poucas semanas antes das eleições que haviam de conduzir ao poder ao actual presidente da Comissão Europeia, foi incapaz de publicamente prestar apoio.

    Agora foi a vez de Fernando Lima e, por arrasto, da sua amiga Manuela Ferreira Leite que na noite do próximo domingo e a confirmarem-se as expectativas sobre o que será um discreto resultado eleitoral bem pode responsabilizar Cavaco Silva por esse mesmo score. Mais uma vez, usando de um calculismo que lhe poderá vir a sair bem mais caro do que poderá supor, o actual chefe de Estado “sacrificou” colaboradores e amigos, sempre em nome de uma estratégia e ambição pessoais que começam a ser vistas com profunda desconfiança até mesmo por quem com ele sempre esteve.

    Cavaco Silva tem de entender que teve a sorte de “estar no sítio certo no momento certo”: por exemplo, quando Sá Carneiro convidou Loureiro Borges para seu ministro das Finanças e este recusou, indicando-o para o lugar; quando, na Figueira da Foz, o seu partido suspirava por alguém que fosse contraponto de uma liderança débil como tinham sido as de Balsemão, Mota Pinto ou Machete; quando se apresentou ao País após três anos e meio de um “bloco central” que deixou os portugueses praticamente em depressão; quando os cofres europeus se abriram de par em par, estando ele em S. Bento. E ao mesmo tempo tem de entender, de uma vez por todas, que “estar no sítio certo no momento certo” não implica necessariamente “ficar na História”.

O PSD tem qualquer coisa contra as monarquias

Depois da Espanha... a Dinamarca.

(pub.)

Cavaco poderia continuar Presidente sem Fernando Lima?
Poder, podia. Mas não era a mesma coisa.

Cavacadas




1. O semanário do militante n.º 1 do PSD (e destacado accionista e depositante do BPP em dificuldades) deu uma última mãozinha antes de entrarmos em período de reflexão. No entanto a manchete do Expresso não acrescenta nada à inventona de Belém — nem um pormenor para apimentar a coisa.

2. Lendo melhor a “notícia”, parece que houve o propósito de que algo mudasse para que tudo ficasse na mesma: onde antes se lia “fonte de Belém”, lê-se agora “fonte próxima de Belém”. Conclui-se que a remoção de Fernando Lima não afectou o centro de comando da inventona.

3. Ao ceder às súplicas de Pacheco Pereira, fazendo chegar ao Expresso mais este recado, Cavaco já não tem condições para recuar: após as eleições de Domingo, vai ter de ir a perguntas. E não poderá invocar o segredo de Estado para se esconder. O rei vai nu…

Fernando Lima: — Eu fico!



Dá conta um semanário com acesso privilegiado a fonte(s) de Belém que Fernando Lima fica. Por outras palavras, ele revelou-se eficaz na elaboração de dossiês, muito embora algo desastrado na tarefa de os distribuir. Deve, portanto, continuar a prestar serviço no que faz bem.

Cavaco, na sequência de uma análise custo-benefício, deverá ter concluído que deixar à solta o ex-porta-voz poderia levar o feitiço a virar-se contra o feiticeiro. Afinal, o homem é um especialista comprovado em contra-informação. Se um presidente da República pode estar preso pelo rabo é outra história.

El País

Luís Filipe Menezes: Espanha, Espanha, Espanha!

Grandes mistérios do Universo [63]

E se o seu jornal tivesse conhecimento de um golpe de Estado em curso, publicaria a notícia?

Leituras [6]

• Leonel Moura, Como se destrói um jornal:
    Depois seguiu-se o combate aberto e declarado ao Governo de Sócrates. O jornal deixou de dar notícias, para se concentrar nas historietas e nos casos, visando invariavelmente o desgaste do primeiro-ministro. O "Público" abandonou definitivamente o seu código de conduta e as trapalhadas não mais pararam de suceder.

    Nestes últimos meses, já em campanha, o jornal assumiu-se claramente como veículo de oposição e, sobretudo, como apoio de um PSD bastante decepcionante. Hoje o "Público" tem pouca credibilidade e deixou definitivamente de ser um jornal de referência. Já atravessou aquela fronteira para o campo do pasquim de intriga política.

Leituras [5]

• Miguel Sousa Tavares, E AGORA, SR. PRESIDENTE? [Expresso de hoje]:
    Considerando que depois de amanhã temos eleições, convém ser o mais comedido possível na análise a esta inacreditável história das escutas, envolvendo Cavaco, Sócrates e o "Público". Usem-se, porém, todas as cautelas possíveis e não há volta a dar: aparentemente (mas aparências muito carregadas) o Presidente da República enfiou-se num pântano de onde dificilmente sairá intocado no prestígio que o cargo exige.

    A mim não me espanta muito a trapalhada em que Cavaco Silva se enredou. Já aqui escrevi, a propósito do seu sibilino comentário sobre o cancelamento do "Jornal de Sexta" na TVI, que me parecia evidente que ele deixava cair aqui e ali sinais de apoio à candidatura do seu partido e da sua amiga Ferreira Leite — ao mesmo tempo que multiplicava as declarações pró-forma de distanciamento e isenção na campanha que decorreu. Espera-se assim que Cavaco Silva, sem mais tardança a partir de domingo, venha esclarecer o país sobre o que fez, como fez e porque fez. E esclarecer não é uma simples e solene declaração com a bandeira nacional atrás, sem direito a perguntas nem contraditório. As coisas foram longe de mais e as suspeitas são graves de mais para que ele não se disponha, como qualquer político, a enfrentar os jornalistas.

    Espero que escolha uma atitude de Presidente dos Estados Unidos e que não queira antes adoptar uma postura majestática de Rainha de Inglaterra. Inocentemente ou não, entrou em jogo e agora não pode fingir que está acima disso.

    O país espera e exige que Cavaco Silva esclareça, nomeadamente:

    — Se tinha e tem, de facto, razões sérias para desconfiar ser alvo de uma operação de espionagem, via escutas ou outra, por parte do Governo;

    — Em que baseava tais suspeitas, e espera-se que não venha com a anedota de o PS acusar a sua Casa Civil de estar a colaborar no programa do PSD — assim, aliás, confirmando tais acusações — ou com o 'espião' ao serviço do Governo que se atreveu, durante uma visita presidencial à Madeira, a sentar-se à mesma mesa que os intangíveis membros do seu gabinete. Não, qualquer coisa mais séria do que isso.

    — Porque carga de água quereria o Governo saber tanto o que se passa em Belém — passa-se lá alguma coisa de muito interessante?

    — Se as suas suspeitas eram assim tão fortes: a) porque não falou abertamente disso com o PM; b) porque não chamou os chefes dos serviços secretos ou quem tem competência técnica para tal e lhes exigiu que apurassem o que se passava; c) no limite, e visto que indubitavelmente estaria em causa o regular funcionamento das instituições democráticas, porque não demitiu o Governo e explicou ao país o que se estava a passar e porque o fazia?

    — Porque preferiu seguir a via sinuosa da conspiração política, socorrendo-se para tal de um jornal e embrulhando as suas suspeitas na capa de uma 'investigação jornalística' a que Belém seria totalmente alheia?

    — Porque escolheu o jornal "Público" para tal?

    — Mandou, de facto, o seu homem de confiança dizer ao "Público" que vinha a mando do Presidente, ou foi ele que extravasou o seu mandato e abusou indevidamente do nome do Presidente?

    — Porque só o demitiu quando o seu nome se tomou público e as suas andanças se tornaram conhecidas? Desconhecia totalmente o assunto (e, se o desconhecia, porque não o desmentiu?). Ou conhecia bem o papel desempenhado por Fernando Lima mas resolveu encobri-lo enquanto fosse possível?

    — Não previu o impacto que a notícia do "Público" de 18 de Agosto, a cinco semanas das eleições, poderia ter para a imagem do Governo PS e como contributo para a campanha da "asfixia democrática" e do "ambiente de medo" de que fala Ferreira Leite?

    E, depois de responder a tudo isto, que são questões de facto, e se, em função dessas respostas, não ficar cristalinamente claro que o Presidente, contra todas as aparências, está absolutamente inocente desta escabrosa história e que teve todas as razões para desconfiar da espionagem de que seria alvo por parte do Governo, então Cavaco Silva deve passar a responder às questões políticas, que são de toda a importância. A saber:

    — Se foi, como tudo indica, parte nesta história, onde fica, em sua opinião, o dever de lealdade institucional entre o Governo e o Presidente e vice-versa?

    — Acha que o episódio não mancha o seu dever de absoluta isenção e neutralidade nas campanhas eleitorais que não lhe dizem respeito directamente?

    — E acha que ele contribuiu para a estabilidade e a credibilidade política de que fala constantemente?

    — Na hipótese de o PS e José Sócrates vencerem, com maioria absoluta ou simples, as eleições de depois de amanhã, como acha possível recuperar um mínimo de confiança e colaboração nas relações com esse governo? Ou essa não é a sua intenção e a sua agenda política?

    Estas são as explicações que deve Cavaco Silva. Depois há as explicações que deve o "Público". Porque, ao contrário do que se apressou a dizer Paulo Portas e a sugerir Manuela Ferreira Leite, não há apenas duas hipóteses de grande gravidade: a de o Governo escutar o Presidente e a de o Governo, via serviços de informações, interferir nas comunicações internas de um jornal. Há também outras duas hipóteses e que, não sei se eles terão reparado, neste momento são as mais prováveis: a hipótese de a Presidência ter montado uma operação destinada a atingir o partido do Governo a poucos dias das eleições, e a de ter encontrado um jornal de referência que se prestou a fazer o frete.

    Da parte do "Público", já ouvi várias explicações do seu director — algumas contraditórias, nenhuma convincente. Ou seja, todas iguais a ele próprio: vesgas e propositadamente confusas. José Manuel Fernandes (e eu sei do que falo) é uma pessoa que não olha a direito e não joga a direito. Por isso, ele começou por dizer que o e-mail revelado pelo "DN" e que põe a nu toda a trama era "parcialmente falso", truncado "pelos Serviços Secretos". Mas não esclareceu que parte era parcialmente falsa e qual era parcialmente verdadeira — e que diferença poderia isso fazer numa mensagem que, de princípio ao fim, tratava só do mesmo assunto. Depois, num editorial que pretendeu clarificador, veio explicar que há 17 meses não tinha publicado a mesma notícia porque ela provinha de uma só fonte anónima e não tinha sido confirmada pelo jornal.

    Mas, passados 17 meses e a cinco semanas das eleições, publica a mesma notícia, com base unicamente na mesma fonte, sempre anónima e apenas identificada como alguém da casa Civil do PR — sem a ter investigado, contraditado ou confirmado. Será que publicaria uma notícia semelhante baseada numa 'fonte do Governo' que lhe viesse contar que o PR instalara escutas em S. Bento? Com falsa ingenuidade, pretende sustentar a tese de que agora a notícia já não tinha de ser a existência de escutas montadas pelo Governo em Belém, mas apenas a existência de suspeitas de tal entre o staff da Presidência. Isso dispensaria o "Público" de ter de investigar e confirmar tais suspeitas e até de conceder o direito de defesa aos acusados de tão grave abuso. A notícia seria, pois, a acusação e não a sua veracidade. Bem pode o Conselho de Redacção do "Público" cobrir o seu director, por dever de ofício, mas se este é o jornalismo que agora se defende ali na casa, o eng.º Belmiro de Azevedo escusa de chorar mais com os prejuízos do jornal ou de convidar o Governo a comprá-lo para lá mandar livremente, porque eu não auguro longa vida a esse jornalismo de referência'.

    Sigamos, sorrindo, as cenas dos próximos capítulos.

Leituras [4]

• Baptista Bastos, Quem perdeu a honra?:
    Até o dr. Pacheco Pereira (o pobre Pacheco, como o designava Eduardo Prado Coelho), cada vez mais uma personagem de Eça de Queiroz, até ele, haja Freud!, reclama contra o silêncio do residente no Palácio de Belém.

    (…)

    Ainda há um problema não comentado na Imprensa. O caso do dossiê contendo informações sobre um assessor do Governo, que Fernando Lima teria entregue ao jornalista do "Público." Será isto possível? A Presidência da República tem legitimidade para dispor de documentos desta natureza? E Lima, manuseando este documento pessoalíssimo, não pratica uma ilegitimidade?

    Evidentemente que a "notícia" colocada no "Público" servia os interesses do PSD, sobretudo nesta quadra de eleições e na atmosfera espessa de combate e injúria em que temos sido obrigados a viver. O silêncio de Fernando Lima é estimável, como escrevi acima, mas esse silêncio compromete-o, apenas, a ele? O ambiente de conspiração e de cumplicidades sórdidas fornece um quadro de miséria moral que atinge aqueles que se acobertam e acobardam.

    O dr. Cavaco é useiro e vezeiro em actuar deste modo, quando as coisas não lhe correm a jeito. Não está à altura das funções para que foi eleito. Falta-lhe grandeza, clarividência e coragem. O mesmo aconteceu quando dirigiu o País durante duas décadas. Sobrava-lhe em dinheiro vindo de Bruxelas o que lhe faltava de perspectiva, de génio político, de estratégia nacional. Encheu o País de betão. Apenas isto. E criou uma esfera de crispação que atingiu as raias da esquizofrenia. É dramático que a memória dos portugueses seja obnubilada pela insistência dos mitos. O dr. Cavaco não foi um grande primeiro-ministro, como não é um grande Presidente da República. É um homem mediano, embaiado nos seus pequenos interesses, e um político medíocre, sem jeito para falar, pouco à-vontade com as pessoas, assustadiço, ressentido e vingativo.

    Fernando Lima serviu-o, com canina fidelidade, durante mais de vinte anos, quase vinte e cinco. Olhava por ele, vigiava-lhe os defeitos morfológicos, sussurrava-lhe o que devia dizer em circunstâncias de aperto, escreveu um panegírico sabidamente exagerado. É um cortesão, um servidor silencioso e atento. Não merecia esta pública desconsideração, este desprezo inominável. Mesmo que tudo estivesse combinado, manda a dignidade e a honra que Fernando Lima protestasse contra a extensão da exautoração presidencial.

Leituras [3]

• Manuel Caldeira Cabral, O Ruído das escutas
    Esta questão só não é mais grave, porque realmente não há qualquer indício de que tenha havido quaisquer escutas. Mas nesta situação, como é que se admite que a Presidência tenha deixado arrastar por um mês esta dúvida na opinião pública?

    O Presidente é um árbitro do sistema, devendo evitar envolver-se nas lutas partidárias, particularmente em época eleitoral. A actuação tardia e o facto de assessores tão próximos terem estado envolvidos directamente no desencadear deste caso não abonam a favor da credibilidade da Presidência da República. Isto é muito mau, especialmente num momento político como o que o País está a atravessar.

    Mas neste caso não foi só a instituição Presidência que esteve mal. Foi também um jornal de referência: o "Público". Este caso abalou fortemente a credibilidade do "Público" e da sua direcção.

    Nos dois dias seguidos em que o "Público" deu destaque a este assunto o jornal nunca apresentou ou sequer revelou que tivessem sido referidas provas de que existissem escutas. É assim estranho que na comunicação social este se tenha vindo a chamar "o caso das escutas".

    O caso foi alimentado de histórias de um assessor que se sentou numa mesa sem ser convidado e que falou com jornalistas do continente, e que por isso era apelidado de "espião". Só faltou acusar a pessoa em causa de ser: simpático, logo um espião. Há limites para o ridículo. E nessa notícia o "Público" ultrapassou-os. A pessoa em causa merece um pedido de desculpas pela forma como foi tratada.

Leituras [2]

• Fernanda Câncio, A democracia desprezada:
    Factos: a 18 de Agosto, o Público lançou em manchete uma "notícia" sobre a "suspeita" de que a Presidência estaria ser vigiada/escutada pelo Governo. A "notícia", toda baseada nas afirmações de uma fonte anónima "da Casa Civil", nada apresentava como evidência das "vigilâncias" e não continha sequer contraditório - nomeadamente o dos "acusados", PS e Governo - prosseguindo no dia seguinte com a descrição de como um adjunto do PM teria, na viagem presidencial à Madeira em 2008, "espiado" o pessoal da presidência sentando-se em mesas "para onde não tinha sido convidado" e crimes da mesma estirpe.

    As duas "notícias" do Público foram reproduzidas em todos os media sem desconstrução (no peculiar mecanismo de câmara de eco do sistema mediático), sob o silêncio esmagador da Presidência. A 9 deste mês, durante a entrevista "íntima" que deu à SIC, Louçã acusou Fernando Lima, assessor de Cavaco para a comunicação, de ser a fonte das "notícias". A SIC ignorou, no noticiário, a existência de tais declarações e todos os media, à excepção do DN, que pegou no assunto dois dias depois, fizeram o mesmo. A 13 de Setembro, porém, surgia a primeira coluna do Provedor do Leitor do Público sobre o assunto. Nesta, Joaquim Vieira afirmava ter investigado o caso e concluía não só pela inexistência de contraditório e consubstanciação nas "notícias" como revelava que estas tinham surgido a partir de uma única fonte em Belém, através de um contacto mais de um ano antes; que a única investigação efectuada no caso, pelo correspondente na Madeira Tolentino de Nóbrega e que infirmava a tese das vigilâncias, tinha sido ignorada; que apesar de a "denúncia" ter mais de um ano, o único "espião" citado, o tal adjunto do PM, não tinha sido ouvido pelo jornal. Vieira anunciava voltar ao assunto na semana seguinte, mas o que dizia era já muitíssimo grave: "Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do PR de minar a relação institucional (ou a "cooperação estratégica") com o governo."

    Apesar da gravidade inusitada destas acusações, voltou a reinar nos media o silêncio sobre a matéria. Até sexta-feira passada, quando o DN publicou a evidência daquilo que Vieira denunciara, com o nome da fonte: Fernando Lima. Só perante essa prova inquestionável se espalhou a coragem para dizer o óbvio: que é inaceitável um jornal fazer o que o Público fez e que ainda o é mais que o Presidente da República o tenha permitido. Como se existisse um temor reverencial por tudo o que emana ou parece emanar da Presidência, um temor que impede de dizer o que está a nu. E um temor não menos brutal de ser suspeito de "defender" o Governo. Ora isto não é asfixia, é anóxia, e não é pequena ou média, é enorme e nada tem de democrática. Que haja quem, perante isto, tenha a suprema desvergonha de querer virar o bico ao prego e acusar as vítimas e os que denunciaram a tramóia é apenas, infelizmente, expectável. Sabemos o que sucedeu, sabemos quem despreza a democracia. Saibamos desprezá-los na exacta medida do seu desprezo por nós.

Leituras [1]

• Daniel Amaral, A escolha:
    Quando um jogo não ata nem desata, o resultado fica à mercê de detalhes: um lance infeliz, um golpe de génio, um ‘penalty' que o árbitro inventou. Ao longo desta campanha, retive duas imagens antagónicas. De um lado, Sócrates: o ar sereno de quem tem um projecto e acredita nele - investir, desenvolver, fazer o país avançar. Do outro, Manuela: a voz crispada de quem não sabe o que quer mas quer o oposto - travar, desistir, parar tudo.

    Avançar ou parar: um detalhe. A chave do jogo?
• Ferreira Fernandes, Cuspir no voto que pedem:
    Repito: gostava de ouvir Francisco Louçã dizer já não ser revolucionário e que acredita que eleger deputados para a Assembleia da República (esta mesma, a democracia representativa) é a melhor forma de governar (já sabemos, eu, Churchill e mais uns quantos, que má, mas a melhor). Sim, Louçã? Alguns portugueses precisam, com urgência (até domingo), que Louçã tire isso a limpo. Digo alguns porque eu, não. Não preciso, ouvi o cabeça de lista do Bloco de Esquerda por Castelo Branco, onde o BE pode eleger um deputado, dizer que "a democracia representativa está falida". Então, está a candidatar-se a quê?
• Magalhães e Silva, Muito Bom?:
    Mas quando li a transcrição das famosas escutas telefónicas com que se pretendia prender Paulo Pedroso, comentei, de imediato, que a Assembleia, em vez de clamar à cabala, devia ter dito ao Juiz: "Pode constituir arguido o Senhor Deputado. Mas com estes fundamentos, não prende. E se houver o menor rumor de que a AR quis impedir a prisão, fica a saber que, em defesa do prevalente prestígio desta Casa, daremos nota ao País dos fundamentos com que V. Exª queria prender."

    Não foi assim. Mas ninguém se admirará que enquanto a prisão de Paulo Pedroso for considerada erro grosseiro Rui Teixeira não possa ter Muito Bom.
• Pedro Adão e Silva, É da natureza dele:
    Naturalmente que ninguém esperaria que se chegasse tão longe, ao ponto de, aparentemente, se ter tentado, com a conivência ou não de Cavaco, não se sabe, um 'putsch' por meios mediáticos.

    A meio da semana, quando o que restava era compensar os danos colaterais da demissão de Fernando Lima, Pacheco Pereira apelou a que Cavaco dissesse tudo o que tinha a dizer sobre o tema. Fazia sentido: era a única saída viável para a posição em que o PSD se colocou ao focar a campanha na verdade, quando o que preocupa os portugueses são as questões económicas e sociais.

    O apelo, contudo, embateu num obstáculo. Cavaco Silva, com o seu característico realismo, já estava a pensar em segunda-feira. Deixou cair Fernando Lima, como havia deixado cair Fernando Nogueira e, pelo meio, foi Ferreira Leite que ficou sem discurso e sem campanha.

Desde quando é que o Dr. Portas defende os pescadores?!

Acabo de ver na página da TSF a seguinte notícia:
    "O Tribunal Administrativo de Ponta Delgada condenou o Ministério da Defesa por «omissão ilícita e culposa do dever de fiscalização» das águas açorianas entre 2002 e 2004, altura em que o democrata-cristão Paulo Portas era o titular desta pasta."
Cá está mais uma vez a aplicação do provérbio "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço", em que a direita (PSD e CDS-PP) são experts, e que ao longo desta campanha eleitoral tem servido de mote para estes dois partidos. Esta simples notícia demonstra mais uma vez que o REI VAI NU. Vejamos:

Diz o CDS-PP no seu programa eleitoral:
    "A perda de importância do sector das pescas é apenas o sinal mais evidente da falta de entendimento da relevância que o mar, em termos de riquezas naturais ou mesmo comerciais, pode ter para Portugal. Corremos o perigo de perder continuar – até à fuga total de oportunidades para outros países -capacidades no sector da construção naval, portuário além da, já referida, pesca.
    Não esquecemos, também, a importância para a segurança nacional, de manter as capacidades de vigilância marítima."
Mais à frente e como solução para este problema, o CDS-PP sustenta:
    "... Se não formos nós a controlar o uso dos nossos espaços marítimos e a garantir que são espaços seguros, não serão certamente outros a fazê-lo... Em muitas das decisões sobre as pescas, Portugal confronta-se com uma Política Comum de Pescas que, frequentemente, é impeditiva do crescimento do sector. Porém, não faltam exemplos de países de dimensão comparável à nossa que conseguem defender a sua pesca, no seio da política comum, por vezes apesar dela e não raro batendo-se – e coligando-se com outros países – para alterar os seus efeitos nocivos.

    Uma boa negociação de quotas, uma aposta séria na construção e não apenas no abate de embarcações, a desburocratização de muitos dos aspectos quotidianos do sector, o repensar de estratégia fiscal e uma maior consciência social sobre as condições de vida dos pescadores – e das suas famílias – têm de estar presentes numa visão diferente da política de pescas."
Como explicará isto o Dr. Paulo Portas, o patriota defensor supremo dos interesses da Pátria, que afinal acaba de ser condenado por um tribunal, precisamente por de forma consistente e deliberada não ter defendido a nossa soberania e os interesses nacionais? A notícia não deixa margem para dúvidas:
    «Apesar do governo regional e das associações de pesca terem pedido o aumento da fiscalização, o então ministro da Defesa, Paulo Portas, deu instruções à Marinha e à Força Aérea para não fiscalizarem os barcos espanhóis fora das 100 milhas», «foram retirados meios de fiscalização, omitido o controlo das águas nacionais e permitiu-se a actividade das embarcações espanholas»...
Bem prega Frei Tomás...

[Contributo do leitor António O.]

A palavra aos leitores

No café um cavalheiro passa os olhos pelo jornal e o parceiro de mesa pelo televisor, enquanto conversam:
    — Um comentador disse que o Paulo Portas estava muito bem documentado …
    — Pudera: só de fotocópias ele rapou cerca de 40 mil depois de ter saído do Governo…
    — Isso foi quando?
    — Foi anteontem mas o pessoal já se esqueceu e não interessa lembrar…
[De e-mail de Manuel T., de Santa Maria da Feira]

Muito esclarecedor

O Sol - que nestas matérias costuma andar bem informado - garante que em Belém se aguardam os resultados de domingo para se decidir o que fazer em relação ao "caso das escutas".
Em português corrente: haver ou não escutas em Belém depende do resultado que o PS tiver.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Um poeta (com o cérebro) asfixiado

José Manuel Fernandes tem direito a participar/assistir a actos de campanha eleitoral? Sim.

É notícia que um director de jornal participe/assista a um acto de campanha eleitoral? É. Os directores de jornais não costumam andar a fazer reportagem ou a observar in loco.

O facto de ser José Manuel Fernandes a participar/assistir a um acto de campanha eleitoral torna esse gesto mais notório? Sim. José Manuel Fernandes tem estado no centro de uma polémica sobre o relacionamento entre os jornalistas e os políticos.

A presença de José Manuel Fernandes num acto de campanha eleitoral é susceptível de observação/crítica política? Sim. Numa democracia, todos os actos públicos são susceptíveis de debate político. Por maioria de razão, pelas razões expostas atrás, a presença de José Manuel Fernandes num acto de campanha eleitoral é especialmente susceptível de crítica.

Vasco Graça Moura não pensa assim. Para Vasco Graça Moura, José Manuel Fernandes tem direito a uma espécie de "transparência" - pode ir onde quiser que ninguém tem nada a ver com isso. Para Vasco Graça Moura, qualquer crítica a José Manuel Fernandes é um acto inquisitorial.

E, já agora, pode Vasco Graça Moura criticar os que criticam José Manuel Fernandes? Mas claro. No Portugal de Vasco Graça Moura, só os socialistas não podem observar ou criticar seja o que for. Ele e José Manuel Fernandes têm todos os direitos de circulação, participação e crítica. Os socialistas não.

Ora batatas!

Da série "Frases que impõem respeito" [362]



    Eu ainda sou de uma geração em que se guardam os segredos, sabe?
      D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, agastado com a Presidência da República, por “fonte de Belém” ter anunciado, antes da data combinada com o Vaticano, a visita de Bento XVI a Fátima, como forma de desviar as atenções da inventona de Belém [na SIC-N]

O Prof. Marcelo também já anda por aí

Com Cavaco Silva na corda bamba, o programa da D. Flor é insuficiente para quem precisa de se chegar à frente. Por isso, Marcelo fala a propósito e a despropósito: “Eu tenho para mim que foi o PS que alimentou a campanha de casos. A quem aproveitou esta campanha de casos?”

Não se pode dizer que o político-comentador-jurisconsulto-professor tenha colocado uma questão original. Não foi em torno do “aproveitamento” que José Manuel Fernandes fez a sua deprimente defesa na SIC-N aquando da divulgação pelo DN da inventona de Belém? A direita anda sem ideias.

Mas admita-se, ainda que por absurdo, que o Prof. Marcelo tem razão. Nesta inverosímil hipótese, quem tem então andado a “alimentar” a “campanha de casos” que não aproveitam ao PS? Eis uma questão que a D. Flor não deixará certamente de colocar na próxima homilia dominical.

A plantar notícias nos jornais, ninguém bate Belém

Nem o Vaticano. Igreja queria anúncio "concertado" com a Presidência na próxima semana.

Se o Público o diz...

... quem sou eu para duvidar:


Acredite Dra. Manuela, não desanime Dra. Manuela !

A propósito do convite para uma entrevista que José Sócrates declinou, a Rádio Renascença publicou - e bem - uma nota em que informa os seus ouvintes desse facto. O último parágrafo é, digamos, interessante:
    "É do escrutínio informado sobre cada um desses programas - e não das pequenas histórias de campanha (que rapidamente cairão no esquecimento) - que deverá resultar o voto de domingo. Civicamente útil. Sem descrenças inúteis nem desânimos vãos."

Leituras

• Ferreira Fernandes, Tirar o tapete aos seus:
    Fernando Lima foi demitido. Tanto ano de trabalho comum e de leais serviços apontariam para outra solução: Lima pedia demissão, o Presidente lamentava mas aceitava a demissão. Essa seria a fórmula low-profile adequada à maneira pública e de fazer política a que os dois nos habituaram, Lima e Cavaco. Mas não. Lima foi demitido. É que a tal fórmula, a de pedido de demissão, deixaria pairar uma suspeita: Lima estava a proteger Cavaco... Ora, o essencial era defender Cavaco Silva. Então, o bode expiatório aceitou a degola. Com esta consequência: demitido, confirmou que tinha havido, mesmo, uma cabala para culpar o Governo de escutas em Belém. E confirmou já. Quer dizer, a cabala acabaria por ser verificada daqui a poucas semanas, com a inexistência de provas de escutas e, por outro lado, com a existência das manobras de intoxicação vindas de Belém. Mas essa versão, a acontecer só daqui a semanas, arrastava Cavaco para a cumplicidade na cabala. Daí, a urgência de demitir Lima, já e na fórmula que só o culpa a ele. O que tinha um senão: demitir Lima antes de domingo penalizava o PSD. Ponderado tudo, que fez Cavaco Silva? Demitiu já. Isto é, obrigou o PSD a procurar um candidato leal para as próximas presidenciais.
• Marina Costa Lobo, O silêncio do Presidente:
    Ora, este caso das escutas atinge esta imagem de Cavaco no seu cerne. Porque razão o Presidente avisa num dia que irá pedir "mais informações sobre questões de segurança" logo a seguir às eleições, para depois no outro demitir Fernando Lima, seu assessor desde 1985?

    (…)

    Todos os Presidentes usaram os seus poderes formais e informais para influenciar e moldar a formação dos governos, o poder do executivo e a legislação aprovada. Mesmo assim, da política partidária à conspiração existe alguma distância.
• Rita Marques Guedes, Mau de mais:
    Calendários impossíveis. Não é aceitável, não é compreensível, que tenha passado mais de um mês sobre a manchete do jornal "Público" acerca dos receios de Belém andar a ser escutado por S.Bento, sem que de Belém tivesse saído alguma declaração que fizesse luz sobre tão negra hipótese. Depois da primeira página do "DN", com a divulgação do procedimento que aparentemente terá dado azo à publicação desta matéria, eis que o Presidente vem a terreno apenas para dizer que vai tratar do assunto a partir de 28 de Setembro! Como se questões de segurança fossem compagináveis com arranjos de calendário.

    Comunicação ao país. No ano passado, tivemos a expectativa de uma comunicação ao país por parte do Presidente da República que depois se revelou ser sobre as suas preocupações quanto ao Estatuto dos Açores. Não tirando carga relevante à matéria, a verdade é que se se faz uma declaração ao país no ‘prime time' televisivo sobre uma matéria destas, mal se compreende que impere o silêncio sobre o caso das escutas que está a ensombrar o regular funcionamento das instituições, que matou uma campanha eleitoral e que colocou a confiança dos portugueses nos políticos no grau zero da escala.

As sinuosidades da economia trocadas por miúdos

• João Pinto e Castro, O futuro pelo espelho retrovisor:
    Entende-se - e, até certo ponto, desculpa-se - que jornalistas pouco versados nas minudências do cálculo do produto potencial cometam a imprudência de anunciar um futuro apocalíptico para a economia portuguesa a partir de dados que não autorizam tais conclusões. Mas deve-se exigir aos economistas profissionais, conscientes das limitações do conceito, que esclareçam as coisas em vez de contribuírem para aumentar ainda mais a confusão dos espíritos.

Comunidade internacional continua estupefacta com a inventona de Belém

Anteontem, o Financial Times mostrava-se surpreendido com as peripécias no palácio cor-de-rosa: “Aníbal Cavaco Silva, Portugal’s conservative president, has dismissed his press spokesman after media reports, in the run-up to the election, that he was the source of allegations that the Socialist government was bugging the presidency. ”. Ontem, o jornal voltou ao assunto, depois de ter feito um elogio ao combate à crise em Portugal: “Portugal was among the first European countries, alongside Germany, France and Greece, to shows signs of emerging from recession, registering gross domestic product growth of 0.3 per cent in the second quarter of this year.

Em Espanha, até o conservador ABC não foge à inventona, fornecendo os elementos necessários para que os seus leitores não pensem que se trata de um qualquer golpe num indistinto país da América Central.

Zé Manel: trabalho de campo em Rio Maior

Santos Silva: Participação de director do PÚBLICO na campanha do PSD “fala por si”

Zé Manel responde ao Conselho de Redacção (ena, que ressuscitou!): Bolas, fui só ver a banda passar.

Da série "Frases que impõem respeito" [361]

    Não me parece que houvesse alguma máscara.

No melhor pano cai a nódoa



O Correio da Manha (não se trata de gralha) é muito engraçado: Ferreira Leite é campeã do IRS. Não interessa ao jornal que a senhora ganhe mais do que os outros: reforma de política, reforma do Banco de Portugal, ordenado suportado pelo PSD (igual ao vencimento de vice-primeiro-ministro) para compensar o que os espanhóis do banco Santander lhe pagavam, etc., etc.. A líder do PSD paga mais IRS, logo é mais credível.

Mas há um pormenor que estraga esta boa história. Era a Dr.ª Manuela ministra das Finanças e o fisco quis saber se os rendimentos dos “comentadores políticos” eram declarados para efeitos de IRS. A Dr.ª Manuela, entre outras ilustres figuras, caiu nas malhas do fisco, devido ao seu contributo semanal na Rádio Renascença. Um manhoso despacho interno veio salvar a “classe dos comentadores políticos”, equiparando as suas prestações à criação artística ou literária (direitos de autor), pelo que só teriam de pagar IRS sobre 50 por cento dos rendimentos auferidos como comentadores…

Barómetro da Marktest para o Diário Económico e para TSF



PS de José Sócrates dispara para os 40% e ganha vantagem de 8,4 pontos ao PSD de Manuela Ferreira Leite.

O estudo mostra o PS mais distanciado do PSD. No entanto, e a quatro dias das eleições, o número de indecisos é ainda muito elevado, com um em cada 3 portugueses ainda sem ter decidido em quem votar.

… com o Zé Manuel a sair do armário



Lobo Xavier, Pacheco Pereira e José Manuel Fernandes juntos em iniciativa do PSD. Não poderia ter sido escolhido um local mais adequado para este encontro: a moca de Rio Maior é o símbolo da direita mais retrógrada. E a presença de Fernandes, ao lado de Pacheco e do homem de mão da Sonae, revela que ele quer ser mais do que um obscuro director da folha de propaganda dos sectores mais radicais da direita.

Razão tinha o Provedor do Leitor do Público quando perguntava no Domingo: “haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?

PS — Só não se percebe por que não levam a sério a Helena Matos. É uma injustiça a blasfema não ter sido convidada para o evento.

ADENDA — O Zé Manel responde: “JMF1957: Sempre fui ver acções de campanha variadas em todas as legislativas. Ontem isso tornou-se em notícia da Lusa. Está tudo doido?” Acontece, ó Zé Manel, que se tratava de uma “acção de campanha” das eleições autárquicas. Levaram-no ao engano?

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Da série “Novíssimos mistérios do Universo – a estrelinha de Belém” [4]




Manuela já fora entronizada na semana anterior. As hostilidades já estão em marcha. Fernando Lima já encomendou uma notícia a Luciano Alvarez do Público — um jornal bom para isto —, mas a notícia tarda em chegar. Parece que o jornalista lá da Madeira não caiu no engodo de inventar uma notícia com as impressões digitais de Alberto João Jardim.

Mas uma guerra precisa de um pretexto formal. Uma justificação. O que é que há-de ser? Se o plano A era uma intriga de espionagem na Madeira, vamos manter o registo nas regiões autónomas: plano B, que tal os Açores?

É preciso drama. Bingo! É Verão. Interrompem-se as férias. Drama. Mistério. Suspende-se o País e o assessor – sempre o assessor, a famosa "fonte de Belém" – diz aos jornais que “só uma razão verdadeiramente importante levaria o Presidente a interromper as férias e a usar a televisão para falar ao País”. COMUNICAÇÃO INÉDITA... (Calma, Manuela, isto vai lá!)

Ninguém percebeu muito bem. Afinal, o Verão anda sempre associado a um disparate… (sabemos hoje, com o e-mail de Alvarez, o quão importante era aquela comunicação, o Golpe estava em marcha, aquela era a senha…)

PS — Ironia das ironias, a página de 31 de Julho é ocupada em cima com a intriga e em baixo com o Magalhães, isto é, com quem trabalha para fazer crescer o País e contribuir para a sua modernização.

De intriga se faz a campanha laranja

O juiz António Martins tornou-se uma figura mediática quando foi dispensado da Polícia Judiciária, num pacote que incluía Fernando Negrão. O despedimento A dispensa ficou a dever-se ao facto de o ex-juiz Negrão ter sido apanhado a dar informações por telefone que se encontravam em segredo de justiça.

Entretanto, Martins e Negrão seguiram caminhos aparentemente diversos. Negrão, que é cabeça de lista do PSD por Setúbal às próximas eleições, abraçou a política. Martins transformou-se em sindicalista, sendo agora presidente do sindicato dos juízes.

É este sindicalista que agora nos habituámos a ver nas televisões, sempre que arranja um pretexto para dar uma bicada no Governo. A propósito da questão da avaliação do juiz Rui Teixeira pelo Conselho Superior da Magistratura, a comunicação social relatou que foram três conselheiros indicados pelo PS que propuseram a suspensão da nota, o que é falso.

Tanto bastou para que o sindicalista António Martins fizesse o périplo pelas televisões a insinuar que teria havido uma perseguição partidária a um magistrado judicial.

Entretanto, veio a saber-se que a proposta de suspensão da nota partira de Laborinho Lúcio, ex-ministro da Justiça de Cavaco e membro do Conselho Superior da Magistratura indicado precisamente pelo Presidente da República.

A comunicação social deixou cair de imediato o tema e o sindicalista António Martins não voltou a dar um ar da sua graça.

Ainda está alguém ao volante?


Pacheco Pereira, 6 Julho 2009:
    É preciso "rasgar" o programa de entrega de computadores "Magalhães". A medida de "um computador por cada criança" é desadequada à idade dos que os recebem, pedagogicamente inútil, mal preparada e com contornos ainda por esclarecer. Para salvar o que ainda pode ser salvo, devia-se favorecer tudo o que seja transformar os "Magalhães" já distribuídos numa consola de jogos.

Pedro Duarte, 23 Setembro 2009:
    Pedro Duarte garantiu à TSF que se o PSD vencer as eleições do próximo domingo, a distribuição dos computadores Magalhães vai manter-se.

Produções fictícias

Vi hoje as peças da RTP e da SIC sobre a inventona de Belém. A demissão de Fernando Lima foi referida em ambas as estações, mas em nenhuma das duas se fez alusão às causas da demissão do porta-voz de Cavaco, ou seja, à “notícia” das escutas forjada em Belém.

Por outro lado, a RTP e a SIC estiveram entretidas com a questão de saber o que terá o Presidente da República a dizer sobre o assunto. Mas alguém tem dúvidas de que Cavaco, se tivesse quaisquer indícios sobre escutas que comprometessem o Governo, não teria já feito uma comunicação ao país?

A forma nebulosa e ambígua como se trata a inventona só aproveita ao PSD. Assim está bem, Dr. Pacheco?

Tenham medo, tenham muito medo...

Sempre quero ver se esta nota é citada.