Segunda-feira, Setembro 28





Não é preciso muito.




Casa das Histórias Paula Rego

Só posso dizer bem deste Museu e de uma fantástica manhã de Domingo.

Um vencedor na minha galeria

de notáveis. Pois é com muito gosto que dou os parabéns ao Barão Theodor von und zu Gutemberg, Ministro da Finanças da Sra Merkel.
Este Barão da Baviera, com lugar garantido nesta humilde casa, conhecido por admirar os AC/DC [não se pode ser perfeito], foi um dos trunfos eleitorais da Chanceler:
"Nunca um político na Alemanha ganhou tanta popularidade em tão pouco tempo", comentava o diário Süddeutsche Zeitung.".
"O barão com o cabelo cheio de gel e charme à moda antiga é talvez a única estrela política na Alemanha", comentou a revista Der Spiegel."
As alemãs e o alemães sabem o que é melhor para eles.

Quinta-feira, Setembro 24




Não, meus amigos. O mar não está nada flat.

Hoje



Debate entre os blogues Jamais e Simplex, às15h, no Anfiteatro 6 da Faculdade de Direito de Lisboa .
Do nosso lado participam André Abrantes Amaral, Paulo Marcelo e Rodrigo Adão da Fonseca.
Naturalmente, este é o meu lado, escrito a laranja.

Acordar assim



Há dias em que se acorda assim. Sem vistas para a modernidade, para a mundivisão e para as maroscas. Só as palavras de Oliveira Martins que fala de um nobre e valente guerreiro que "tinha em si o que levanta as montanhas. Tinha a fé e uma virtude imaculada. Uma esperança firme e um valor indomável".
Ganha vida cedo, a avenida numa manhã maravilhosa de Domingo (Não me falem da luz de Lisboa que poucos veêm, valha-me Deus). Ouvem-se concertinas de excursões que aproveitam o bom tempo, enquanto se instalam, à sombra das árvores, os vendedores de velharias em cima de bancos corridos. De traje aprumado, começam a chegar os fiéis para a Missa da manhã. Estão velhotes, os vizinhos.


THE COMMODORES-EASY-1977
That's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
I wanna be high, so high
I wanna be free to know
The things I do are right

Quarta-feira, Setembro 23

Pouca terra




Uma velha linha de comboio com uma paisagem de rocha e água num trajecto conhecido vezes sem fim. Mais seguro do que a estrada que mata os nossos e mais sensato que todas as pressas, desconfio que poucos o prezam. É pena. A velocidade e o betão tiraram-lhe a relevância de outrora, se bem que agora mais cómodo e mais rápido. Chega quase sempre a horas, o comboio da Linha da Beira-Baixa. Clientes antigos não esquecem os caprichos das velhas linhas que nos faziam parar junto a coisa nenhuma. Era estranha aquela escuridão e o silêncio das bermas. E o comboio da outra linha que nunca mais vinha dos apeadeiros e das pontes velhas sobre o Tejo. A gente queria chegar, na estação a família já esperava, mas as velhas máquinas tinham um tempo que não era o nosso.
Lembrei-me disso quando vi, no regresso, bandos de jovens de volta à capital. Podíamos ter sido nós há muito anos, mas sem computadores para ver filmes, sem música nos ouvidos ou telemóveis para comunicar. Curiosamente, já não carregavam os sacos pesados, cheios de tudo e roupa lavada. Outros tempos de menos fartura mas com os mesmos sonhos.
Atravesso a estação sem olhar. Detesto aquele lugar onde se sente, à partida e à chegada o vazio prematuro e inconcebível de tantas ausências.
São histórias de linhas de comboios que se confudem com a linha da vida.

Sexta-feira, Setembro 18

Parecem bandos...

É possível que eu ande a ver filmes a mais, mas creio estar em condições de garantir que a mosquitagem, hoje em dia, está praticamente imune aos métodos habituais de destruição. Dito de outra forma, o xeltox parece-lhe um figo e fogem dos repelentes eléctricos com as maiores acrobacias aéreas. Quanto ao velhinho mata-moscas, há muito que lhe conhecem o formato, sabem com o que contam e como lhe devem escapar.
Vistos aos microscópio é possível vê-los esfregar as antenas de contentamento com mais uma deliciosa bombada de Baygon, fortalecidos pelos choques eléctricos ou tonificados para abundantes e arrojadas horas de vôo.
São bichos velhos, que já resistiram a glaciares, dinaussauros, vulcões, pragas, guerras, à fúria dos homens e dos elementos. Têm já muitos séculos, tempo mais que suficiente aumentarem as competências dos sensores e para reagirem com eficiência aos estímulos visuais e de calor.
A gente vê a caixa com batatas, cebolas e alhos, culpabiliza a rua, a vizinhança, aumenta a dose de insecticida, e ainda lá andam eles, rentes aos nossos ouvidos, cruzando os ares em frente aos nossos olhos.
Zzzzzzzzzzz..
Não é trabalho para aprendizes.

Se Essa Rua Fosse Minha


Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar

Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem

Quarta-feira, Setembro 16


Simply Red - Sunrise

Sexta-feira, Setembro 11


"Woke up. got dressed & thought about every one of the 2970 who did the same 8 yrs ago. Let's have a tweet of silence to remember them all."
Oprah no Twitter

Sexta-feira, Setembro 4

O fim das sobremesas - Nuno Costa Santos

Quinta-feira, Setembro 3

Na blogoesfera


Conto de Fuga da minha amiga Clara, o regresso do Pedro Mexia com a Lei Seca e a Rua Direita, onde residem apoiantes do CDS, todos naturalmente bem vindos ao meu blog.
.
O último livro de Miguel Real, "A Ministra", referido no Almocreve das Petas. Há muito tempo que não lia um livro com tanto gosto.

Segunda-feira, Agosto 31

Os colas

Quase os ouvimos respirar atrás de nós de tão perto que se encontram. Fico possessa quando os sinto, os vejo e quase lhes ouço a respiração, praticamente colados a nós nas caixas, nos bancos, nos consultórios médicos, quer haja uma conversa banal ou alguma troca de informação pessoal entre nós e o nosso interlocutor. Há mesmo quem apoie os braços e o corpo nos balcões onde estamos a tratar das nossas vidas, gente que nos quer fazer companhia nas alegrias e nas chatices, assim nos débitos como nos créditos.
Não sei o que os impele na nossa direcção, se o medo de perder a vez, a curiosidade, a ansiedade ou simplesmente porque podem. Ali ficam à coca, a olhar para os nossos papéis, a ouvir ao que vimos, suspirando, rogando pragas por qualquer demora, rosnando entre dentes como forma de pressionar, apressar ou até para provocar a "solidariedade" dos que aguardam mais lá para trás.
Comigo não resulta. Nem nas filas dos balcões nem na estrada. Bem podem atirar-me luzes, buzinas, rosnadelas, suspiros lancinantes ou insultos disfarçados, tudo inútil. Não me impõem ritmos a que não sou obrigada, se bem que fico sempre compungida de dor por, involuntariamente, lhes estragar a média, prova de outra grande perícia manual, esse grande feito português.
Por isso, agrada-me aquele risco vermelho no chão que acautela as distâncias e garante a nossa privacidade. A malta resmunga na mesma, mas já não a ouvimos.

Domingo, Agosto 30

Um dia de sol


Sexta-feira, Agosto 28

Jamais


"Nevermore", diz o pássaro de Poe vindo das sombras da noite. Jamais, suspira a linda Charlotte de voz doce, enquanto o agente 007 garante "Never Say Never Again" embalado nos braços da Bassinger.
Por cá, o advérbio de tempo é bem menos poético e mais terra a terra, com discussões sobre terrenos para o aeroporto, não obstante soar a francês.
No entanto, jamais também dá nome a um blog onde se encontram alguns amigos com boa cabeça e boa escrita.

Um outro sol



Já se sente outro sol. São assim os finais de Agosto, fim de férias, outro aniversário, outra luz de fim de dia, já mais curto e sisudo como os tempos que aí vêm.
Sente-se um outro ar, que corre mais fresco nos corpos morenos que pedem abrigos, sacode-se a areia e já batem as portadas das janelas do vento que volta de novo.
É o fim de tempo que se quer livre, ligeiro, sem contratempos nem contrariedades. Ganham-se cores e forças para as velhas rotinas, amaldiçoadas e abençoadas, quando o corpo tem saúde e força para as vencer.
Fecham-se as cadeiras e guardam-se as lancheiras, é mais um ano que passa. O importante é voltar.

Quinta-feira, Agosto 27

"Las personas ligeras"


" (...) Y, sobre todo, tenían ciertas dosis de ingenuidad verdadera, algo hoy tan mal visto o poco apreciado. Lo que luce más es estar de vuelta de todo, mostrarse incrédulo, pensar mal de los demás y por supuesto practicar la maledicencia.(...)
Sí, yo he conocido y conozco a mujeres contentas de su mera existencia, de risa generosa y fácil, lo cual no quiere decir de risa tonta; dispuestas a ver el lado gracioso de las cosas en casi toda oportunidad.(...)
Casi todas las personas así que he conocido han sido, por otra parte, extremadamente inteligentes, aunque sin pretensiones: lo eran de forma natural y no necesitaban exhibirlo, ni recalcarlo, ni recibir aplausos por ello. Tampoco eran afanosas ni ansiosas, sino bastante contentadizas. Y desde luego carecían de resentimiento. Con personas así, o que participaban de algunos de sus rasgos, he mantenido las más interesantes y provechosas conversaciones. Personas así me han enseñado más que otras oficial y aparatosamente brillantes. Con personas así no he tenido jamás la sensación de perder el tiempo. He buscado su compañía en la medida de mis posibilidades, o en la medida en que ellas me han aceptado en su cercanía. Si son tal bendición, si tanto aligeran la pesadumbre, ¿por qué no están casi nunca donde podamos verlas, públicamente, en las televisiones? Seguramente porque las desdeñan y no quieren salir en ellas. Pero entonces, ¿por qué no hay más en la vida?"
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Texto recordado pelo Pedro Lomba no FB




Um video muito fraquinho para abrilhantar uma cançoneta fraquinha dedicada ao signo Virgem que, por acaso, merecia coisa melhor.
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(...) Virgo has to know the why the who what when and where (...)
I'll wipe and dust and empty while the party's in full swing everything right in its place and a place for everything(...)

Terça-feira, Agosto 18



Só boas notícias. Regressada dos vulcões e das praias azuis, os nossos governantes anunciam que estamos a sair da recessão técnica (não sei bem o que seja, mas não importa). Posto isto, vou novamente de férias.

Até já.

Bruno

Também me questionei como é que o Sasha teria encontrado um terrorista de verdade.
Hilariante: Sasha Baron Cohen explica a David Letterman como conseguiu entrevistar um terrorista islâmico em "Bruno"
Por mim, ficava melhor um nadinha bronzeado. Fora isso, nada dizer.


Segunda-feira, Agosto 17

De volta à blogoesfera




Antes de partir para férias, deixei o texto Os números do meu descontentamento que escrevi para o Jamais, um ‘blog' feito por apoiantes do Partido Social Democrata para as legislativas. Cada um escreve sobre o que melhor sabe ou o que mais lhe dói.
De longe, acompanhei um pouco o feito do 31 da Armada na Praça do Município. Mais que não fosse, deixou a nu a fragilidade da nossa segurança num local nevrálgico da cidade. A esta hora, a culpa já deve ter morrido solteira ou, velha gaiteira, passou de mão de mão.
Gostei muito deste texto da Sofia sobre o carácter estigmatizante e anti-social da tristeza. Recordou-me um outro que escrevi em tempos (com menos talento), também sobre a tristeza, essa grande maçada.

"A esquerda raivosa", um texto bem escrito do Duarte Calvão. É mesmo assim.

Outros ares





Suponho que seja já uma prática com algum tempo, as férias com pulseiras de plástico, pois vejo-as um pouco por todo o lado onde haja um resort (para rico ou remediado) ou um clube de férias e em diversas cores. Confesso a minha ignorância nesta matéria, pois dinheiro de plástico só mesmo os cartões, e mesmo assim, usados com moderação.

A ideia pode ser muito moderna e prática, mas não me convence. A verdade é que andam por aí, com os recuerdos nos pulsos. Haja alegria e pulseiras para trocos.

*

Estou assim de volta à super ocupação das beiras de estrada, onde germinam as vendas de atoalhados, bares manhosos, publicidade caótica, restaurantes com néons, carros nas curvas ou nas ciclovias e aos clássicos contentores do lixo. Não há quem tenha mão nisto. É assim o espaço público nacional: sempre mais cheio, mais alto e mais feio.






Thus Spoke Zarathustra - 2001 : A Space Odyssey

Mais do que imagens











Para além das olivinas e dos vulcões, a ilha está povoada de diabinhos, sapos (deconheço a razão porque não vi nenhum), figueiras, caranguejos albinos nas grutas (não vejo assim tão bem), palmeiras, cactos, formas tradicionais de cultivo e papagaios (só vi um). De assinalar os inefáveis camelos (umas boas dezenas) que passeiam pares de turistas tanto pelos terrenos de lava como pelas dunas da praia.
Ouve-se muito falar da crise (e sente-se), mas desconfio que os ventos secos e as águas quentes afastam o vírus que anda por aí nos espirros de muita gente. Até agora, febres altas, só mesmo a temperatura em Lisboa.
De resto, uma grande tranquilidade. Confesso que a ausência de portugueses (por onde andei), com os seus habituais "questionários", também ajudou.

Sábado, Agosto 15

Azul do céu





Em homenagem ao Dia Santo de hoje, uma imagem da Nuestra Señora de los Dolores que, segundo a lenda, salvou os habitantes de morrerem soterrados durante a violenta erupção vulcânica no séc. XVIII.

Talvez também tenha sido ela a conceder àquela ilha afortunada um azul lindo do céu. Ou do mar.

Sexta-feira, Agosto 14







Eles tiveram a sorte de ter o Cesar Manrique a estruturar a ilha a partir de 1974. Nós, desgraçadamente, ficámos com os patos bravos . De norte a sul, os estragos estão feitos.
Legislação apertada (habitações só com um piso pintadas a branco, etc.), a morfologia do solo, o clima, a preservação da fauna, as exigências da UNESCO e a herança de Manrique, impediram que fosse destruída a beleza natural da ilha, o seu maior património.

Cinza chumbo






Assim ficou a terra quando a lava se cansou de correr para o mar.

Por aqui andou também a Rachel Welsh nos finais dos anos 60 a filmar o filme One Million Years B.C. Não sei se actualmente seria uma boa ideia vê-la emergir das águas escuras, mas a qualquer momento pode surgir a Estátua da Liberdade como no filme Planeta dos Macacos.
Aqui começa também o roteiro do merchandising da ilha, com as pedrinhas verdes (olivinas) a abrilhantar tudo quanto seja colar, cinzeiro ou pisa-papéis.
À velocidade com que temos pago uma zurrapa a que chamam café expresso, a preços da 5ª Avenida, desconfio que nem um recuerdo levo para casa.

Quinta-feira, Agosto 13

Cinza chumbo






Boa tarde.

Pode, por favor, levar-me ao próximo vulcão?

Terça-feira, Agosto 11

Aqui da paisagem lunar






Entre grifos, lagartixas, basalto, cactos (o paraíso do aloe vera), pedaços de lava, restos de vulcões e o fantástico mundo dos rent a car, os dias correm mansamente aqui na lua cor de chumbo. De vez em quando o azul baralha-nos com aquilo que pensamos ser o céu. São miragens de águas amenas que descansam o corpo e a alma de quem não pede mais nada.
Até breve, caros leitores e amigos. Este post deixou-me exausta.

Domingo, Agosto 9

Este blog vai pôr-se ao fresco debaixo de alguma árvore (caso exista) e mergulhar o template amarelado em águas quentes, de preferência sem ondas nem vento, quebrar a rotina, desleixar os cabelos, as unhas, apanhar conchinhas, ganhar cores e forças. Não é preciso muito mais que isso.
Até breve.

Sábado, Agosto 8

4 anos

Bem sei que é uma data algo confusa, (sem contar com os dois anos do blog anterior do frasquinho de perfume), mas este blog, tal como existe, faz hoje 4 anos. Valha-me Deus, o tempo que já ando por aqui. À excepção de uma ligeira alteração na cor, manteve-se sempre igual, tanto na simples forma como no modesto conteúdo, prova de um irredutível conservadorismo a que pareço estar condenada.
Olhando um pouco para trás, reparo que escrevi menos, o que acontece sempre que isto não me diverte, que é para isso que serve este blog. Ninguém aqui aprende nada, não há grandes feitos nem aventuras temerárias. Continua a ser feito de momentos, de altos e baixos, amigos, janelas abertas, aldeias e cidades, algumas viagens, fantasia, preguiça, anemia, pouco talento, sem pompa nem circunstância e de gente anónima como eu.
O caro Jansenista recordou-se da minha praça favorita de todos os tempos, por isso aqui fica a imagem, sempre que me der a saudade de um local civilizado, onde nunca me canso de voltar.

Quatro anos depois, o blog envelheceu comigo, ganhou rugas e cabelos brancos e porventura um outro olhar, mas era bom estar aqui de novo para o ano na companhia de quem me lê. O importante é voltar.
Caros leitores, o meu bem haja.

*

Parabéns ao Combustões pelos 4 anos de existência, com saudades do seu autor.

Sexta-feira, Agosto 7

O tempo e o medo


Seria difícil fazer uma adaptação de uma obra de Philip Roth pior que o filme "Culpa Humana" de Robert Benton e do qual não gostei nem um pouco.
O mesmo não se pode dizer do filme Elegia*, com os fantásticos Ben Kingsley e Penelope Cruz, realizado por uma mulher, factor que não me parece despiciendo pela forma como as personagens são encaradas.
Ao contrário do Everyman de Roth, um velho sedutor com a saúde em declínio, aqui é vez de um homem um pouco para lá da meia idade, professor meio reformado, às voltas com as suas aventuras amorosas, do medo do compromisso, do envolvimento e da intimidade cúmplice "Maybe, maybe.... your favourite words" , diz Consuela, a personagem cheia de juventude por quem ele acabaria por se apaixonar.
Até que vida dá uma das suas voltas mais penosas, quando a doença se agarra à mulher jovem sem a largar e o homem, que teme a chegada da velhice, vê chegar a morte onde só deveria existir futuro. Sempre complicado, mas é sempre Roth a copiar a realidade.
A decadência da juventude percorre o filme nos personagens masculinas, mas não poupa a madura elegante que fala sobre a sua idade reflectida no olhar diferente dos homens, uma realidade sem volta a dar.
Um filme que é mais do que a história de alguém que se rende ao amor.


*Adaptação da obra "The Dying Animal" de Philip Roth

Quinta-feira, Agosto 6

Quarta-feira, Agosto 5

País abarracado

Percorrer as estradas nacionais é conhecer o país um pouco melhor. A paisagem deprimente que ladeia o nosso percurso, afastada de vias rápidas, tão rápidas que nem a vemos, põe a descoberto as povoações abarracadas que foram descaracterizando um pequeno país.
Dá a idéia de que habitações, lojas, instalações industriais, stands, restaurantes, parecem imagens saídas de um catálogo de mau gosto, desleixo, falta de brio, ao Deus-dará, aqui uma janela, ali um cartaz, um portão acolá, outro desvio sem visibilidade, casernas com varandins, barracos apalaçados, um horror de falta de ordenamento e de cabeça.
Voltando à Fundação de Aljubarrota, depois da descompressão da horrível envolvente (os néons, os cafés, as habitações paredes meias com o campo de batalha), tentei vislumbrar as características morfológicas do local referidas nas crónicas. Era bom, era, mas por cá a malta gosta é de terreno para construção: nos anos cinquenta o terreno foi aplanado e as suas características originais substancialmente alteradas. De nada valeu S. Jorge, cuja intercessão foi fundamental para vitória dos portugueses, mas manifestamente insuficiente para evitar a cupidez do povo vencedor e a falta de juízo no ordenamento do território por parte dos seus descendentes.
Não me me admiro de ver tanta gente a correr para a auto-estrada. Literalmente.

"Deu sinal a trombeta castelhana"*

Para quem não conhece, as fotografias abaixo pertencem ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota e ao Campo Militar de S. Jorge, a que sugiro uma visita.
Mesmo para uma moderada patriota como eu, foi com gosto que vi um excelente equipamento cultural que relata, de diversas formas, um acontecimento marcante da história deste país. Com o apoio de vários mecenas, construiu-se um centro de interpretação onde se pode ver um filme que, através de Fernão Lopes, narra a batalha e os seus antecedentes históricos. Na sala contígua existe a cronologia dos factos, imagens do material militar da época, e reportagens alusivas à primeira campanha arqueológica importante, assim como diversa iconografia, tudo numa linguagem acessível, o que torna o equipamento bem adaptado tanto do ponto de vista pedagógico como didáctico. Cá fora, no campo militar, assinalam-se as posições estratégicas das tropas portuguesas e inglesas e lá está a bilha de água no beiral de uma janela da Capela de S. Jorge para dar de beber a quem tenha sede.
Foi com gosto que vi inúmeras famílias com ou sem visitas guiadas, aproveitando a sombra dos pinheiros no parque de merendas com curiosos artefactos medievais, o que é sinal que por vezes saem dos shoppings artificiais e aprendem alguma coisa que não seja na internet. Acredito que existam meninos que conheçam melhor os resorts da Disney em Paris ou Orlando do que os monumentos do país onde vivem, mas a "culpa" não é deles.
* Episódio da Batalha de Aljubarrota - "Os Lusíadas", canto IV







Segunda-feira, Agosto 3


Contemporâneos - Convidados VIP

Domingo, Agosto 2

Problema no blogger?

Leitores entendidos no blogger/informática:
Por vezes é impossível colocar cores nos links e alterar o tamanho e a forma das letras. Só consigo fazer bolds e itálicos.
Isto ocorre também nos vossos computadores?
Nunca tive antes este problema: só recentemente isto ocorre.
Agradeço a vossa ajuda
Isabel

Também estou quase de férias



Nasceu uma nova categoria de frequentadores da noite: a gente animada. Pelo menos é isso que respondem os proprietários/relações públicas de discotecas quando inquiridos sobre os fequentadores das mesmas. Aliás, a visão desses locais de diversão cheios de gente desanimada (em férias de Verão) deixa-me um pouco confusa, mas isso é outra coisa.
Fica-se também a saber que, para além de gente animada, as noites são cheias de glamour e pessoas bonitas, o que não deve ser a mesma coisa que gente jovem e bronzeada. Espero que não seja pretexto para excluir ninguém, não sei se me percebem.

Depois também há os vips, o jet set, as celebridades e as pessoas conhecidas, seja lá o que isso for. E eu fico à espera de ver aparecer o cabelo louro da Madonna, as pernas fugidias do Mick Jagger, as caras larocas do Jude Law e da Heidi Klum, os filhos de Nati Abascal ou mesmo a Condoleezza Rice. Com todo o respeito, não reconheço praticamente ninguém neste nosso pequeno mundo mediático.

Confesso que há uns anos estive, em vão, à espera de ver o Roberto De Niro em Lisboa, mas caramba, o de Niro é o actor de Heat. Nem é preciso dizer mais nada.

Fotog: Studio 54 NY

Sábado, Agosto 1

Boa vida

Claro que não nego à partida práticas que desconheço. Pelo contrário, deve ser uma experiência maravilhosa. Mas esta moda de tanto spa por todo o lado já começa a ser um pouco demais. Parece que são locais que proporcionam harmonia, bem-estar e a evasão ideal, diz a publicidade, ilustrada por lindos cartazes com uma senhora meio despida,com pedras nas costas e florinhas nos cabelosm. Se prestarmos atenção, quase se pode ouvir a água a brotar das fontes e os passarinhos a chilrear. Está visto que não percebo nada disto, e porventura estarei a ser movida por uma feia inveja por estes tratamentos de luxo, digo eu, que comprei um frasquinho de gel fresco e relaxante, seduzida peles promissores efeitos do rótulo.

Confesso que a minha única experiência nestas mordomias foi já em tempos distantes, numas termas algures no país, onde fui sovada por jactos violentos, obrigada a beber numerosos copos de água e a mergulhar em piscinas mal cheirosas. Os velhinhos na sala de estar depois das refeições pareciam mais frescos que eu, moída, esfomeda e cansada. Claro que não me recordo de ter visto doces e silenciosas asiáticas nem Apolos bronzeados. As funcionárias eram mulheres vigorosas e os homens de bata, profissionais no tratamento de mazelas de longa duração, nem sempre em corpos esbeltos. Nada de paninhos quentes, música de fundo, nem óleos hidratantes ou esfoliantes. Só o silêncio da noite em modestos lençóis branco e uma conta calada só permitida nos idos tempos de vacas gordas.

Por isso fico fascinada com o admirável mundo da tal harmonia, evasão e águas a borbulhar, coisa para incluir hidromassagem em piscina e banheira, massagens aromáticas, bolhas de ar, cascatas para a zona da cervical, aerobanho, lamas, unguentos e tratamentos adelgaçante e de firmeza, chakras com pedras quentes, envolvimento corporal (parece-me coisa boa), e outras mordomias capazes de rejuvenescer a mais caquética ou tranquilizar a mais nervosa. Garanto que só de escrever isto sinto um fantástico bem estar dos dedos sobre o teclado.
Para além deste pacote mágico, os resorts também vendem experiências, solicitações milionárias que passam quase sempre pelo estômago (acho eu). O fantástico mundo dos mais abastados fica sempre muito aquém da minha modesta imaginação.

Um copinho de Evian e até amanhã.

Fotografia: Marvilhoso Resort em Goa

Quinta-feira, Julho 30

Comer sem amassar

Está cada vez mais complicado encontrar pão decente. Se não está cru, está cozido demais, se não está amassarocado, está oco, parece feito a martelo, à pressa, fermentado até à exaustão, farinhas mal escolhidas, intragável no dia seguinte. É raro podermos ter o prazer de o comer em condições, feito em fornos com qualidade, ingredientes escolhidos com critério e brio pelo produto final. São, tristemente, na sua maioria, umas mixórdias embaladas sem aroma nem sabor.
Há algumas excepções, mas não são fáceis de encontrar, como me dizia há dias a proprietária de um estabelecimento de qualidade que orgulhosamente me exibia o pão cozido em forno de lenha que me deu a provar logo ali. E eu, continuo sem perceber o motivo de tanta mediocridade, porque fazer bem custa tanto como fazer mal, mas devem ser coisas de uma beirã habituada ao cheiro do pão cozido na forno improvisado na garagem da minha madrinha. Era um pão branco cortado em fatias grossas, feito para durar, guardado no fresco e no escuro. Não há dia que Deus mande ao mundo que não me lembre de tanta falta que também ela me faz.
Mas já houve tempos em que o pão se podia escolher, em que o padeiro fazia a diferença, tal como agore se escolhe nem sei bem o quê. Quando as aldeias tinham gente e padeiros, escolhia-se a dedo (e a cheiro?) a qualidade do pão, coisa que eu não percebia, mas só tinha instruções para ir a um em especial. Nem sequer me recordo do tipo nem do preço, mas lembro-me de um papelinho na bolsa do pão com as indicações. Era assunto que deveria ser tratado com hora marcada de acordo com as fornadas do dia. Não havendo, era caso para se atravessar a aldeia, um fim do mundo, para lá da igreja, queixava-me cheia de razão e de preguiça, que a ladeira ainda hoje me custa a subir.
Talvez por isso, acho graça às provas de azeite que os resturantes tipo fino vão colocando nas mesas. É possível que haja por aqui quem se recorde dos lagares familiares, no paleolítico da PAC e que porventura até tenha entrado num deles em período de fabrico de azeite. O cheiro não era o melhor, mas tinha os seus segredos, como uma tiborna de bom pão ou torrado ali mesmo regado de azeite. Durante anos, tive um capacho à minha porta a fazer de tapete. Levou o mesmo sumiço que o pão de qualidade e os lagares por esse país fora.



Henry Rollins: What’s your latest obsession?
Hank Moody: Just the fact that people seem to be getting dumber and dumber. You know, I mean we have all this amazing technology and yet computers have turned into basically four figure wank machines. The internet was supposed to set us free, democratize us, but all it’s really given us is Howard Dean’s aborted candidacy and 24 hour a day access to kiddie porn. People…they don’t write anymore – they blog. Instead of talking, they text, no punctuation, no grammar: LOL this and LMFAO that. You know, it just seems to me it’s just a bunch of stupid people pseudo-communicating with a bunch of other stupid people at a proto-language that resembles more what cavemen used to speak than the King’s English.
Henry Rollins: Yet you’re part of the problem, I mean you’re out there blogging with the best of them.
Hank Moody: Hence my self-loathing.
Californication: A true male fantasy

Nuno Costa Santos - Os Pijamas Outra Vez


Esta pornografia do sono que não admite gente friorenta...

Segunda-feira, Julho 27



Sitting on the Dock of the Bay...

Para corpo e a alma

Chegaram os sofás aos corredores dos centros comerciais. Vieram aos pares e, pelo que vejo, com enorme adesão. São cadeirões tipo dentista, mas em escuro e aspecto menos atemorizador. Pelo menos não se vê ninguém de boca aberta nem ar esgazeado, bem pelo contrário. Suponho que aquele material seja um upgrade dos colchões ortopédicos para salas de grandes dimensões.
Hei-de reparar com mais atenção, mas é possível que provoque suaves tremideiras, massagens corporais e até sussurros doces ao ouvido. Vejo tudo muito relaxado, imune a olhares curiosos e indiferentes a música e fala-baratos.
Bem sei que um corredor num shopping não é exactamente um resort de massagens no Bali, mas se faz bem ao corpo, faz bem à alma, e, que eu saiba, as almas dos pobres não são diferentes das dos ricos. E depois, o que se poupa em tacos de golfe ou em águas milagrosas...

Protecção 15


São dias como este que fazem as pessoas um pouco mais felizes. Pelo menos, se não fazem, deviam fazer, e o sol fantástico e o vento quente sempre dão umas corzinhas, um regalo para decotes e pernas ao léu. Se é da crise ou não, pouco importa, mas há muito que não a via assim, apinhada no areal e de restaurantes cheios.
Em menos de meia hora reconheço dois primos e dois amigos e rapidamente chego à conclusão de que a revista "Sábado" é a mais lida por aqueles lados. Afinal, vimos todos ao mesmo, mudar de ares e dar um mergulho, na esperança de que o trânsito há-de ser para todos menos para nós, como foi hoje para mim. Hei-de lembrar-me de não ser tão céptica para a próxima vez. Se acreditar muito, pode ser que volte a descobrir as horas certas de chegar e partir.
Esteja bandeira amarela (como hoje) ou verde, este mar não é para mim, que gosto de sentir os pés assentes na areia e ondas não são comigo. E a temperatura da água, fantástica, digo eu, uma frequentadora dos mares atlânticos do oeste. Mas vê-se cada figurinha, valha-me Deus. Encolhem o estômago, fazem caretas, dão pulinhos, levantam os braços, ui, ai, mais um salto de barriga para dentro, vá lá que já molhou os tornozelos, tanto estilo no areal para isto dentro de água.
São quase quatro anos a espreguiçar-me neste blog, sem talento, sem pompa nem circunstância, mas com muito ar e vento, e até com os pés cheios de areia.

Terça-feira, Julho 21

Também eu



me levantei com vontade de criar o meu próprio observatório. A comissão instaladora debate-se ainda com dúvidas sobre a sua localização, vacilando entre Malibu e Carmel, sempre na mais rigorosa observância dos objectivos deste blog e do douto parecer do meu quiroprata, altamente qualificado para fazer ver estrelas e até planetas, particularmente após noites mal dormidas.
Fotografias do novo Jansenista



Domingo, Julho 19

Revolta no Bounty

Foram anos e anos a devorar Bounty como se não houvesse amanhã. Juntava-se o dinheiro dos trocos, da semanada e, sempre que apetecia, lá marchava mais uma barra daquele maravilhoso chocolate com recheio de coco. Ao contrário do que certamente acontecia nas grandes cidades, nas berças não se comprava aquela delícia com muita facilidade, mas uma entendedora sabia onde procurar.
Recordo-me com o seu rival mais assanhado era o Toffe Crisp, preferido aliás pelas minhas amigas, se bem que nunca tivesse percebido o que viam naquele chocolatinho crocante ou, como diziam os nossos vizinhos espanhóis, crujiente.
Claro que depois de anos e anos de Bounty, chega a altura de nem sequer ter vontade de olhar para a embalagem, mas o gosto pelo coco, esse ficou para o resto da vida.
Reparo agora que tem uma página no FaceBook com milhares de fans e conta a lenda que, aquando da captura do bandido do Iraque, foram encontradas no buraco onde se encontrava escondido, várias embalagens deste chocolate, juntamente com latas de 7up. As coisas que eu sei.
Há dias, entre a gasolina e a secção de jornais, um Bounty sorriu-me lá da prateleira onde se misturava com outras dezenas de chocolates e não fui capaz de lhe voltar a cara. Uma triste experiência: não só tinha perdido a "magia" dos outros tempos como eu tinha ganho mais algumas voluntariosas calorias. Desconsolada, voltei a convencer-me de que é um erro voltar aos locais onde fomos felizes.

What's New Pussycat?

Lisboa à noite (actualiz.)



Vou já escrever isto antes que me passe a fúria e há coisas que saem melhor sob o efeito da irritação do momento.
Após o "Recital e tal" em frente ao S. Carlos, e na falta de paciência para me associar à grande fila para o maravilhoso "Doce de leite" da Häagen-Dazs, com uma noite agradável, achei que seria possível tomar alguma bebida nas redondezas sem necessitar de me aventurar pelo Bairro Alto. Foram quatro os locais onde entrámos, já perto das 23 horas, sem que nos pudessemos sentar, se bem que existissem bastantes mesas vazias."Só para jantares" avisavam com modos pouco simpáticos os modernos empregados, certamente com ordens superiores para a advertência aos incautos. Pouco lhes interessariam o montante da despesa que poderíamos ou não fazer, mas a mesa posta era para garfo e faca.
Mais acima, num restaurante barulhento, lá nos deixaram sentar após uma curta negociação, mas depois de esquecidos pelos funcionários e cansados do ruído, decidimos sair. Um outro café, por sinal bem simpático, estava fechado e acabámos por nos sentar num outro, apesar de ter sido necessário fazer o pedido ao balcão após uma espera despropositada para a fraca clientela na altura.
Pensava eu que esta crise haveria de ter ensinado alguma coisa, que a ganância não é a melhor das atitudes e que a fidelização dos clientes através de um bom serviço poderia ser a solução para manter portas abertas em estimável qualidade.
Afinal, vejo que esta gente não aprendeu nada. Provavelmente ainda por lá estarão as mesas postas com os "individuais" ou com a toalha, a marcar lugar para eventuais clientes, enquando outros são postos na rua por não lhes apetecer os bifes da lista tão caros quanto miseráveis.
Talvez por isso tenha saudades das "brasseries" de Paris onde não correm connosco por termos a ousadia de nos apetecer somente um copo de vinho. Depois, não se queixem da crise, disto, daquilo e dos outros. Por mim, cada vez tenho menos paciência para ganâncias e dinheiro fácil. Aliás, alguns resultados estão à vista e, em casos extremos, até em prisões por esse mundo fora. A gente já não tem idade para certas coisas.
(Fotografias: Paris, 2008)
*
O caro Jansenista é bem mais cáustico que eu no que diz respeito à saloice a que estamos votados, mas em França nunca tive necessidade de me levantar para fazer o pedido nem nunca me recusaram uma mesa. E depois, tenho sempre um bom remédio para os locais onde não sou bem tratada: não volto lá. Tão simples quanto isso. Imagine o meu caro que, sob este meu aspecto modesto, eu era a maior produtora de gado do Texas, com um irreprímivel desejo de gastar dinheiro, por exemplo, em bom vinho e sem vontade de tocar no bife tártaro?
Mas nem tudo é mau. Acabo de chegar do meu supermercado de eleição (Tradicional) junto ao túnel de acesso à praia de S. João, onde o serviço, a qualidade dos produtos (a garrafeira, os lacticínios, tudo fantástico) e o atendimento me reconciliam com o país. Por falar nisso, vou comer o meu yogurte de manga.

Imagens de uma Lisboa que aos poucos vai desaparecendo .

Sábado, Julho 18

Histórias de leitoras

A Grande jóia usou e bem uma fotografia minha para contar um episódio entre crianças, algo comum na praia que ambas partilhamos. Não estou tão certa assim de que os queridos meninos e meninas venham a ser boas pessoas em adultos, mas está escrito nos livros que "agem conforme os códigos que lhes são transmitidos e é pelos quatro ou cinco anos, mais coisa menos coisa, que eles se sedimentam."
Uma coisa é verdade, essas recordações de infância em momentos felizes de liberdade, sol e amizades de Verão, irão fazê-los sorrir pela vida fora, o que é bom. Felizes os meninos que podem usufruir do bem mais precioso que os pais lhes podem oferecer, ou seja, o seu tempo, como me dizia há pouco uma amiga.
*
Uma outra leitora escreve sobre o conceito "do casaco comprido de Verão que, ao contrário do de Inverno, não servia para aquecer, mas sim para compor".
Já não tenho mãe para perguntar se teria um casaco de Verão, mas desconfio que não seria uma peça de grande utilidade para o lugar quente onde vivíamos, onde as solicitações sociais não abundavam. Fiquei encantada com a sua amável dedicatória, apesar de já não ter costureira há muitos, muitos anos e preferir os casacos justos.
A ambas, muito obrigada pela vossa simpatia. Mais tarde hei-de escrever sobre essa amiga, a dias de se aposentar, e que nos dedicou umas palavras tão bonitas como o seu coração: "a amizade , essa, não se agradece, não há palavras que a possam agradecer, não há reforma que lhe possa pôr fim."
E já agora, as modernas costureiras (se assim lhes podemos chamar) das lavandarias e casas de bainhas & pequenos arranjos, também dariam um bom post. É uma ideia para alturas de fraca imaginação.

Edie Brickell & New Bohemians - Circle (Promo Clip/'88)
Me, I'm a part of your circle of friends
And we notice you don't come around
Me, I think it all depends on you
Touching ground with us but
I quit, I give up, nothing's good enough for anybody else,
It seems

Segunda-feira, Julho 13

Escrita asséptica

Já tinha lido no Twitter (não me recordo a quem) sobre as diferenças, em diversos países, dos preços de desinfectantes para as mãos. Pois acabo de pagar €10,20 por um frasco de 300 ml de gel que não necessita água. As embalagens com menor quantidade, para trazer na carteira, estavam esgotadas.
Fiz uma pequena pesquisa, e reparei que estas embalagens mais pequenas não chegam a custar uma libra. Obviamente que nada me move contra o lucro, mas já que uma mão lava a outra, não se arranja nada mais em conta?

Domingo, Julho 12





A Marta comentou no meu post abaixo que "parece estar farta do seu berloque.Receio que, em breve, declare o seu encerramento :( "
Not yet, Marta, not yet. É a vida, que nem sempre é fácil e por isso nem sempre temos cabeça para estarmos aqui confortáveis.
Se eu podia viver sem o meu blog? Sim... podia, mas não era a mesma coisa.

Quarta-feira, Julho 8


Gilbert Bécaud : Et maintenant (« Champs-Elysée » 1987)

Terça-feira, Julho 7

Tão cumpridores que nós somos...

Leio no Público que "El Corte Inglés investigado pela ASAE", conforme denúncia "apresentada pela União das Associações do Comércio e Serviços devido às promoções agressivas de preço desenvolvidas em Dezembro, numa acção conhecida por Black Friday." O presidente destes comerciantes afirmou "que a acção Black Friday constituía uma falta de respeito pela Lei dos Saldos e visou "combater a falta de escoamento de certos produtos no Natal".
A Black Friday é uma iniciativa dos comerciantes norte-americanos, que na primeira sexta-feira da época de saldos fazem promoções muito agressivas, chegando a reduzir os preços nalguns produtos em 90 por cento."
Mais um pérfido ataque à nossa carteira. De novo outra enorme violência contra os consumidores. Coisa horrível o Black Friday. Fantástico mesmo é ver com agrado os cumpridores lojistas do comércio local que fecham Sábado às 13 horas, como verifiquei há dias numa conhecida marca de sapatos em Cascais. E não era só a sapataria. Inúmeras lojas no centro da vila estavam fechadas enquanto os turistas se limitavam a espreitar as vitrinas. Infelizmente, o mesmo se passa em Lisboa, sem falar de algum comércio da Baixa, a falta de mini-mercados ou lojas de conveniência e a fraca qualidade de muitos estabelecimentos de restauração, com balcões de zinco e pastéis mirrados. E depois queixam-se se preferimos as grandes superfícies (neste caso, o Corte Inglês) com boas padarias, pastelarias cuidadas e funcionários aprumados, bem diferentes do sujeito da loja de marroquinaria a quem perguntei qualquer coisa relacionada com uma promoção.
Pelo contrário, no bairro onde vivo, o talho, a frutaria e a charcutaria coexistem pacificamente com grandes superfícies a escassos metros, e a razão é simples: bons horários, excelente qualidade, serviço personalizado e distribuição ao domicílio.
A gente pensa no Marais com o seu comércio diferenciado, as suas brasseries simpáticas, esplanadas amáveis, trânsito condicionado e Sábados animados e perguntamo-nos se por cá não se aprende nada.
Por mim, que prefiro de longe um bom comércio de rua, viva o Black Friday.!

Segunda-feira, Julho 6

Dudas, Eusébio & Camila


Ao quentinho, uma convivência pacífica.


Uma dedicatória especial para T, Z e J.


No Smithsonian, o cadeirão de Archie Bunker da série "“All in the Family,”


para além do cadeirão, também a camisa de folhos de Seinfeld.

Circular em Lisboa

"Somos doces, mas não somos delicados. Trata-se mesmo de um traço civilizacional do povo português", afirmou há dias o filósofo José Gil (um gosto ouvi-lo) na televisão.
De facto, não somos nada delicados. Pelo contrário, tratamo-nos todos muito mal, não nos estimamos, e vivemos em sociedade de forma desrespeitadora quando toca ao espaço público que todos partilhamos.
Um exemplo? Pode parecer pouco, mas não é, há-de querer dizer alguma coisa:
Na primeira via que atravesso logo pela manhã, a faixa da direita encontra-se ocupada por viaturas encostadas entre os pilaretes e a estrada. A razão é simples, os bancos e os dinheiros das caixas. Há dezenas de lugares vagos a vinte metros de distância, mas ninguém está para se ralar. Resultado, a passagem a uma só faixa numa zona extremamente movimentada.
Mais à frente, o autocarro tem que parar no meio da via para recolher ou deixar passageiros, pois alguns malcriadões aproveitam a aberta para ali depositarem as suas viaturas. Lá vão à vidinha deles, enquanto os passageiros são largados no meio da via. A policia vai vendo, mas não olha.
Antes que se tenha tempo de meter outras mudanças, começa de novo o abrandamente causado por mais de uma boa dezena de viaturas em 2ª fila. Às vezes há chatices quando um carro fica bloquedo por um@ espertalhaç@ com ou sem piscas acesos, ou o lugar do deficiente físico está ocupado por um alguém com déficit de educação, mas é tudo normal.
À entrada do túnel do viaduto, começam as golpadas: Colocam-se à direita (com acesso a outra direcção) quando querem seguir em frente, e sempre que seja possível o golpe, passam os outros ou chegam-se mais à frente nas saídas resguardadas por traços contínuos duplos. Desconfio que se riem das manobras que julgam inteligentes, de alto gabarito, do fantástico desempenho que os há-de levar mais longe, mais rápido, mais cedo que os outros, os tolos alinhados à espera de vez. Tipos a quem chamam "assertivos", penso eu. Também os vejo muito nas laterais de emergência, certos de que vale a pena arricar, não há lei nem ordem, nem ambulância à vista que os impeça de mais uma esperteza ardilosa, da golpada bem sucedida. Devem ser os mesmos espertalhões que largam o carros às portas dos centros comerciais (Colombo, Corte Inglês, etc.), enquanto os tansos pagam o ticket do costume. Ah, espertalhões numa terra que a chico-espertice é recompensada!
A desgraça continua mais à frente, com mais carros estacionados em toda o comprimento da via ou na miserável relva há muito careca de tantos pneus, ignorando o parque de estacionamento e dificultando a vida aos incautos. Penso que sejam as viaturas dos estudantes, sempre tão cheios de cidadania e de reivindicações, porque em tempos de férias, o caos é um pouco menor. Também abundam camiões com as respectivas manobras e até alguns fantásticos "marcadores" de reserva de espaço. O resultado é a maçada do costume, seja para quem pretenda seguir em frente ou queira voltar à direita, tem que circular em fila indiana porque só existe uma via para tanta gente. E assim vamos, de desgraça em desgraça, até à desgraça final, um dos cinquenta metros mais penosos de Lisboa, mesmo à porta de serviços camarários.
Perguntar-me-ão, se a polícia não sabe. Ai sabe, sim senhores, que já tenho quase uma dúzia de referências de ofícios, ou seja, cartas normalizadas que nada querem dizer. Uma "fatalidade"? Não. Somente o mais profundo desrespeito entre concidadãos e a maior das incompetências na fiscalização.
E a gente pergunta-se de quem é a culpa. Responda o @ car@ leitor. Por mim, estou fartinha disto.

Domingo, Julho 5

Desenhos de viagens

Com desenhos fantásticos de viagens por Portugal, Nefta, Touzeur, Sbeitla (Tunísia), Madrid, Marrocos, Galiza, Zimbabué, Etiópia, etc., Manuel João Ramos lança dia 9 pelas 18.30 na Livraria Ler Devagar -Lx Factory, o livro "Traços de Viagens". O lançador será o Rui Zink. Mais do que um livro de desenhos de viagens, o olhar crítico e atento do seu autor.

Coisas dos arquivos


Quado escrevi, em Julho de 2007, o post "Por essas casas fora", nunca imaginei que o quadro do menino da lagrimita seria um dia objecto de um anúncio. E ando eu por aqui a perder oportunidades em áreas criativas remuneradas...

Hoje lei no Público que "Há cada vez menos Kátias Vanessas, trocadas pelos tradicionais João e Maria", o que não deixa de ser curioso. Parece que "Do lado dos rapazes, João encabeça a lista dos nomes próprios mais escolhidos. Seguem-se nomes igualmente tradicionalistas como Rodrigo, Martim, Diogo, Tomás e Afonso. De volta às raparigas, a seguir ao Maria - que nos últimos anos se laicizou, deixando cair complementos como da Piedade, de Fátima ou da Luz - surgem Beatriz, Ana, Leonor, Mariana e Matilde."Suponho que isto deve signficar um regresso às origens, ou melhor, um fartote generalizado de nomes cuja origem desconheço e que, sinceramente, não aprecio por aí além.

Ou eu me engano muito, mas quando a moda da laicização terminar, ainda havemos de voltar a ver muitas Maria do Céu, da Conceição ou da Assunção. Como tudo, há-de ser uma questão de modas. Ou então, simplesmente Maria.

Já agora, relembro um texto do O Abrupto de 2007, que citava um artigo do Guardian e que referia que "Names really do make a difference. Research shows that girls with 'feminine' names steer clear of 'masculine' maths and science". Conforme escrevi nos idos desse ano ("Condenada" à nascença"), no meu caso, com nomes como Isabella e Elizabeth no topo do "femininity rating", não tive fuga possível. Como aliás, se veio a verificar.

Quarta-feira, Julho 1

Um ano a atender Lisboa

Pode parecer puro masoquismo, mas não é. Não há dia que passe que não vá dar uma vista de olhos ao blog Lisboa SOS, para observar as mazelas da cidade, as feridas abertas da nossa capital, as desgraças que moradores e políticos vão fazendo dia após dia, ano após ano, por inépcia ou mediocridade.
De vez em quando, aparece a legenda "E podia estar tudo assim" e a gente fica mais animada. Mas, desgraçadamente, é muito raro.
Vamo-nos entretendo a colar autocolante, a escrevinhar aqui e ali, a vociferar contra as alminhas apaixonadas pela calçada portuguesa depois de lhe terem posto o jeep em cima, o malcriadão que deixa o carro em frente às portas das casas, os militantes das segundas filas, o golpista das vias de emergência, a javardice de largar o lixo onde calha, complacência com os carros nos passeios e os máximos sempre a jeito para correr com quem não quer correr, enfim..
Parabéns ao Lisboa SOS neste primeiro aniversário. Têm aqui uma vossa leitora. E, já agora, obrigada.
Uma das fotografias do último correeiro de Lisboa

Sexta-feira, Junho 26


One day in your life- Michael Jackson
Youll remember me somehow
Though you dont need me now
I will stay in your heart
And when things fall apart
Youll remember one day . . .

One day in your life
When you find that youre always lonely
For a love we used to share
Just call my name, and Ill be there

Receitas da Filipa


Amanhã, a Filipa Vacondeus, vai lançar um novo livro: "Receitas Low-Cost". Já me ensinou uns "truques" simples que tornam tudo delicioso, e digo-vos, caros leitores, que é um prazer aceitar os seus convites para refeições sempre estupendas e ouvir mil e uma histórias que tem sempre para contar.

Quinta-feira, Junho 25


Coco Channel

Uma loura de cara lavada

Eu já devia ter escrito isto antes da sua morte. Quando há dias a revi na série que lhe deu fama, recordei-me do enorme sucesso da sua cabeleira loura e dentes brilhantes, muitos anos antes dos branqueadores milionários.
Eu também queria, quando fosse grande, ter aqueles cabelos ondulados e compridos, vestir roupas maravilhosas, um corpo espantoso, e um marido como o Ryan O'Neal, o tal do Love Story, de cuja música o meu pai tanto gostava. Curiosamente, recordo-me dela sempre como Farrah Fawcett Majors, dos tempos em que esteve casada com um galã de Hollywood estilo Donald Trump um pouco para melhor.
Quero lembrar-me dela sempre fantástica nas inúmeras personagens que representou enquanto intrépida detective dos Anjos de Charlie, se bem que a minha preferida fosse a Kate Jackson, a mais próxima de mim pela cor do cabelo. Fosse qual fosse a aventura da semana, enfermeira, cantora country, mecânica de automóveis ou tratadora de cavalos, não se via uma nódoa na roupa ou uma madeixa desalinhada por entre correrias ou golpes de karaté. Os Anjos de Charlie estavam sempre impecáveis.
E talvez porque noutros tempos as séries não eram tão abundantes e as vedetas em menor número, as adaptações para cinema nunca me convenceram. Uma loura de cabelo curto e uma ruiva falsa ? A Demi Moore e fatos de cabedal? Não há "devota" que aguente.
Morreu cedo, a loura Farrah, sem cabelo de tantos químicos, um filho preso e um companheiro destrambelhado, a elegante Jill Monroe dos nossos tempos de juventude.

Pelas ruas da cidade

Depois do Sartorialist a tirar fotografias em NY, Paris ou Milão, temos agora o Alfaiate Lisboeta, uma ideia muito bem aproveitada para as ruas desta cidade.


Nota: Este blog já não vai para novo: a 1ª referência ao Sartorialist foi através do Alexandre Soares Silva em Julho de 2006...

Quarta-feira, Junho 24

Um pai fica orgulhoso de ter um filho assim..


Contemporâneos - A Consulta

Sábado, Junho 20


Katrina and the Waves
Walking on sunshine
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