Compacto Férias de Verão 2009Qual será/foi o primeiro blogger a contrair a Gripe A?
Discutia com um amigo dez anos mais novo que eu (logo solteiro) acerca de miúdas. Especulava possíveis envolvimentos amorosos e advertia-o para evitar miúdas descrentes (não-evangélicas, na gíria evangélica). E mencionávamos uma em particular. O meu amigo, nascido e criado na igreja como eu, a determinada altura parece surpreendido com a recomendação. Mas acabou por concordar com um esclarecedor: "também, ela tem celulite nas pernas...".
É relevante: eu mais uns companheiros de editora tocámos no Sudoeste. Foi um palco secundário e assistiram escassas centenas mas foi simbolicamente incontornável. A música independente de travo religioso chega aos palcos do hedonismo oficial veraneante.
Li o "Convite Para Uma Decapitação" do Nabokov e, céus, não ficou nada (como eu queria gostar do livro). Avancei desconfiado para o "Meridiano de Sangue" do Cormac McCarthy e, céus, ficou tudo.
A verdade pura e dura é que desconhecia o Oeste Próximo (Santa Cruz e imediações). Não são praias fáceis: dão-nos nevoeiro, vento e mar agreste quando lhes apetece. Mas no fim não somos nós que vamos à praia, é a praia que vem até nós.
Como alguém disse o Facebook faz em 2009 o que os blogues fizeram em 2003. E, escândalo supremo, poucos suspendem a actividade durante as férias (eu incluído). Claro que
o regresso do Pedro aos blogues no dia 1 de Setembro do Ano da Graça de 2009 pode sempre prenunciar alguma coisa além.
As férias ajudaram-me a sair do armário: votarei no CDS-PP. Participarei no
blogue Rua Direita (Eduardo, vê se te começas a mexer). É um partido que precisa de se descascar e nutrir a classe média suburbana. Todos sabemos que
beto is the new hipster mas a perenidade eleitoral do proletariado carece desesperadamente de uma identidade conservadora além do Partido Comunista.
Os odiadores conquistam-me. O Apóstolo Paulo era um odiador e vejam bem o que aconteceu. O meu fraco por odiadores leva-me a equívocos precoces (o potencial de um odiador é irresistível) mas quase sempre compensa. Agora também é verdade que não se pode confundir um mesquinho com um odiador. Os dois mil anos do cristianismo provam que Deus facilmente esquece o ódio mas dificilmente a mesquinhez.
Dois filmes que saquei e vi no Verão e que merecem menção: "The Cars That Ate Paris" de Peter Weir e "Night Of The Hunter" de Charles Laughton. O primeiro é uma espécie de proto-Crash cronenbergiano
meets Mad Max e o segundo uma parábola twainiana com ressonâncias profundas nas tatuagens do final do século XX.
O ano está quase no fim e os Lightning Bolt dão-nos do melhor que sabem. A FlorCaveira já deu B Fachada, João Coração e ainda vai dar Samuel Úria, Diabo na Cruz e Bruno Morgado. Dois mil e nove já não deve dar Vampire Weekend, o que muito lamentamos.
A RTP gasta mais de dez horas de fita a seguir-me os passos (casa, igreja, estúdio, férias, ensaios, concerto). Lembro-me sempre que sai do nosso bolso e temo. Mas sou surpreendido por perguntas inteligentes, pesquisa, esforço físico e simpatia. E reconcilio-me com a classe jornalística.
Summertime love? Certamente que não (e que o Senhor abençoe a montagem).